Comecei a Assistir “Anticristo” achando que seria mais um daqueles filmes de terror ao estilo de “O Exorcista”, “A Profecia”, “O Exorcismo de Emily Rose”, etc, mas não; não se trata desse tipo de terror, mas de um terror totalmente psicológico, interior, trata da dor nua, crua, desesperada, da culpa, auto-punição e dos medos mais profundos do ser humano.
É um filme polêmico, chocante, simbólico, onde pode ser interpretado de diversas maneiras, mas não no primeiro momento, não logo depois de acabar o filme, porque nesse momento fica a sensação de: “Nossa!! Acabou assim, sem pé nem cabeça”, “não tem lógica, nem significado”, ao mesmo tempo que, quando se está assistindo não se desgruda o olho da tela, e depois que acaba o filme, mesmo com essa sensação de filme estranho, não paramos de pensar sobre ele, pois certamente as imagens fortes causam algum impacto dentro da própria psique, e nos traz muitos questionamentos.
Particularmente eu gostei muito do filme, porque mostra aspectos da natureza humana que ninguém gosta de admitir, o lado sombrio que está bem escondido dentro do ser, mas que ninguém em sã consciência quer mexer… mas como disse Jung, “Tudo aquilo que não enfrentamos em vida acaba se tornando nosso destino”.
Lars Von Trier escreveu o roteiro desse filme no auge de uma crise de depressão, ele disse:
“Não conseguia trabalhar. Seis meses depois, apenas como um exercício, escrevi um roteiro. Foi um tipo de terapia, mas também uma procura, um teste para ver se eu ainda faria algum filme”. E ainda: “O roteiro foi finalizado e filmado sem muito entusiasmo, feito como se eu estivesse utilizando apenas metade da minha capacidade física e intelectual”, contou ele. “O trabalho no roteiro não seguiu o meu modus operandi habitual. Cenas foram acrescentadas sem razão. Imagens foram compostas sem lógica ou função dramática. No geral, elas vieram de sonhos que eu tinha no período, ou sonhos que eu tive anteriormente.”
Exibido pela primeira vez no festival de Cannes desse ano, “Anticristo” chocou parte da imprensa e aos críticos de cinema, que saíram antes da sessão acabar, ou vaiaram o filme ao final da exibição.
O filme tem uma belíssima fotografia, e começa em preto e branco, ao som da ária de Handel “Láscia La Spina”, música que também acompanha o desfecho final.
Para o filme ficar compreensível, é necessário uma leitura simbólica e mítica. E aqui coloco minha interpretação pessoal, compreendendo que o filme é riquíssimo em simbologia, cabendo portanto, diversas outras interpretações. Contém spoilers, por isso quem ainda não assitiu, melhor ver primeiro, antes de continuar a leitura. Clique aqui e leia mais…
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. Nesses mais de 30 anos de peregrinação, ele tem encantado platéias por onde passa, não apenas por suas idéias, mas pela maneira simples com que fala delas. Autor do livro Consciência é a Resposta (lançado em 1997 pela editora Talento), atualmente divide seu tempo entre a família e a produção de um segundo livro e os seminários na Europa, Estados Unidos, Argentina e Brasil, país que ele define como “a última esperança”.



É uma coisa bem diferente vivenciar a transformação no grupo do que em si-mesmo. Em um grupo maior, entre pessoas ligadas ou identificadas entre si por um estado de ânimo peculiar, cria-se uma vivência de transformação que tem apenas uma vaga semelhança com a transformação individual.
Essa questão dos opostos assombra o homem desde sempre, e com certeza, é um dos motivos ou impulsos principais na busca por resolver esse conflito que dói na Alma humana, e muito provavelmente, a partir dessa busca, as mais variadas tradições se dedicam a essa questão.