Têm certas coisas que sempre vale à pena estar lembrando. Pois é, tudo o que Robert Happé, filósofo holandês nos fala, nós com certeza já ouvimos falar, já lemos em algum lugar, pensamos sobre isso, mas mesmo assim, ele fala de uma maneira tão simples essas mesmas coisas, que nos soa como um sopro renovado…
Já tinha assistido ao vídeo ano passado, mas hoje, recebi essa entrevista por e-mail, e trouxe aqui, porque é sempre bom lembrar de coisas boas.
Entrevista publicada em junho/2006 na revista O Ponto:
O filósofo Robert Happé é um desses seres humanos raros, que abraçam e beijam todo mundo
. Nesses mais de 30 anos de peregrinação, ele tem encantado platéias por onde passa, não apenas por suas idéias, mas pela maneira simples com que fala delas. Autor do livro Consciência é a Resposta (lançado em 1997 pela editora Talento), atualmente divide seu tempo entre a família e a produção de um segundo livro e os seminários na Europa, Estados Unidos, Argentina e Brasil, país que ele define como “a última esperança”.
O PONTO – Você nasceu na guerra, perdeu seus irmãos e mais tarde sua mãe. Certamente essas experiências marcaram sua infância e juventude. Foi nestas circunstâncias que você despertou para a busca do conhecimento sobre o significado da vida?
ROBERT - Eu sempre senti que não era desse planeta, que todos eram muito diferentes de mim e que precisava buscar a verdade sobre a vida e sobre mim mesmo. Minha mãe aparecia para mim e eu me perguntava: “Sou louco? Onde está minha mãe? O que ela faz lá? Por que fala comigo?”. Queria entender por que todo mundo mata todo mundo, por que há tanto sofrimento e por que a vida é assim. Então, eu já caminhava para a busca de respostas, mas a consciência disso veio bem depois.
O PONTO – Na busca por essas respostas, você percorreu vários países e se aprofundou na cultura oriental, mantendo contato com Vedanta, Budismo, Taoísmo… Como foi essa experiência e que lições você tirou disso?
ROBERT - Na Índia eu descobri que a vida continua depois da morte. Mas nestas viagens eu também descobri que todas as religiões falam as mesmas coisas, mas de formas diferentes e umas contra as outras. Percebi que as pessoas não estudam para encontrar a verdade, mas para adorar suas religiões. Quando você adora sua religião, você não questiona e acaba virando as costas para a verdade. E eu sempre questiono.
O PONTO – Então você queria mais.
ROBERT - Sentia que não era só aquilo e que precisava de mais experiência de vida, por isso continuei viajando, vivendo no Nepal, Tibet e no Camboja, e estudando com os gurus. Mas também não fiquei satisfeito.
O PONTO – Mas foi no Camboja que você viveu sua maior experiência mística.
ROBERT - No Camboja, as pessoas são muito amáveis, mas, como no Nepal e no Tibet, há muita ignorância. Eles não vivem a consciência do coração, vivem através dos dogmas. Por exemplo, os monges cambojanos têm tudo nos templos para plantar e comer, mas saem para as ruas para pedir comida, esmolas. Eu pensava que aquilo estava errado, que eles deveriam fazer o contrário, levar comida e ensinamentos do templo para as pessoas que estavam do lado de fora. Então eu deixei a comunidade com um sentimento de que era o fim da rua para mim. Estava muito triste, parei e fiquei meditando. Então decidi ir para a floresta. Na floresta, passei a me alimentar do que a natureza me oferecia. Com o tempo, comecei a perceber coisas, luzes que iam ganhando formas. Eu vi os espíritos da Natureza. Esses seres vinham me visitar e uma vez eles pediram para que eu os seguisse. Não sei quanto tempo, mas depois de horas, dias, eu chego num lugar no meio da floresta e eles afastam a vegetação e então eu vejo uma grande rocha e nela a figura do Buda esculpida. Eu fiquei perplexo. Eles não falavam comigo, mas faziam gestos para que eu tocasse na imagem. No momento exato em que coloco as mãos na pedra, foi como se abrisse uma tela na minha mente. Eu vi uma grande cidade e no centro dela um templo. Dentro do templo havia três budas e um deles tinha o meu rosto. Clique aqui e leia mais…