Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Do toque que não quero estar nem ser. E dos que preciso, mas evito

Posted by adi em maio 6, 2014

Por Elielson

 

Primeiro, sou a favor sim de melhores meios de defesa individuais.
Mais do que nunca, merece-se a análise do fantasma que ronda a sociedade brasileira há algum tempo.
Autoridades de todas instituições possíveis semeiam a divisão popular desde os levantes de junho. É como se uma moeda caísse em alguma conta sempre que pronunciadas as palavras esquerda ou direita, preto ou branco, e por aí vaí. E funciona. Não há o que lamentar, sempre funcionou, não sei se sempre funcionará.
Instintos primitivos regem o que supostamente o homem chama de razão, e regem ainda mais no caso de uma opinião supostamente racional ser exposta ao organismo social.
Sobrevivência ainda é algo ligado a disputa no profundo dos seres, e simplesmente para apurar seus instintos ou treiná-los, as exposições de opiniões ficam sempre em patamar ideológico, onde a disputa vital, sob o capuz do egoísmo, caminha a passos curtos, onde mecanismos fortalecidos enchem-se de autoverdades e autojustificativas que lhe dão sensações potencializadas de existência.

Sem mais enrolações, mataram uma mulher inocente na onda de linchamentos que é evidenciada no Brasil. Coroa-se um dos lados dessa disputa, de um humanismo sem ações concretas, de discursos seculares, contra o do medo e insegurança, que se desenvolve pro sádico e carniceiro.
E assim vem milhares de questões na mente de quem sabe, que uma coisa é uma coisa, e que outra coisa é outra coisa, e que cada coisa é única.
A violência, o sangue, os culpados e desculpados, tudo se amontoa numa pilha que faz cegar pro inimigo.

O inimigo em si e o inimigo para si.

Quem em você vai matar algo ruim sem a prova, digamos, “dexteriana”, que não deixará nenhuma dúvida sobre a nocividade de um elemento sádico?
De qualquer modo, sua violência, para entrar em ação, sempre vai analisar dois pontos.
– A covardia
– O sacrifício
Tudo que não é covardia é sacrifício, e lamentavelmente só se pode ser covarde com aquilo que é ignorante e desprotegido. Digo lamentavelmente porque não podemos matar, pelo menos sem sacrifício, aqueles que realmente nos fazem mal, esses, sábios em suas malandragens e protegidos, ironicamente pela nossa contribuição.
Agora vamos ao humanismo, e deixemos de lado aqueles que pensam que todo mundo pode ser bom e que a natureza é angelical. Esse humanismo acredita que devemos ter uma cautela puramente sacrificial, que devemos ser presas convertendo predadores. Intenções muito lindas acredito. Até atrai-me sim. Mas, seria-se humano assim até que ponto? E acreditem, sempre há um ponto onde se entrega os pontos.
É medo de si que não permite certas atitudes? Ou é medo da lei?
É sacrifício mesmo que acredita na bondade natural, ou é uma posição confortável?
Quem é que bate naquele que está na infância dos pecados comparado a alguns que batem?
Quem já viu o mal de perto daqueles que acreditam em conversão?
Quem é justiceiro o suficiente pra chutar um leão fora da jaula, e não chutar pequeninos vira-latas em atitudes sem efeito?

Vi muitos humanistas governando.
Vi muita gente horrivel batendo em gente má.

Mas o bom é governar sua própria humanidade e matar seus próprios inimigos.

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16 Respostas to “Do toque que não quero estar nem ser. E dos que preciso, mas evito”

  1. Elielson said

    Obrigado Adi.

  2. adi said

    Oi Elielson, ainda não tinha assistido ao vídeo sobre o linchamento, só lido a matéria, foi uma grande barbaridade; hoje tomei coragem devido ao seu post e claro, estou em choque… meu deus, a que ponto nossa sociedade chegou, e que rumo está tomando. É muito triste, lamentável demais tudo isso, sem palavras…

    Compartilho totalmente do seu desabafo e indignação. Covardes assassinos que descontam suas frustrações no “bode expiatório da vez”, que em bando tomam coragem de exteriorizarem sua podridão interna em nome da justiça. E ninguém fez nada pra parar tamanha brutalidade e violência, muito pelo contrário, só houve instigação ao ato.

    “É medo de si que não permite certas atitudes? Ou é medo da lei?
    É sacrifício mesmo que acredita na bondade natural, ou é uma posição confortável?
    Quem é que bate naquele que está na infância dos pecados comparado a alguns que batem?
    Quem já viu o mal de perto daqueles que acreditam em conversão?”

    Na minha opinião, o que há é pura hipocrisia de uma sociedade que está muito doente, que ao invés de se curar e se modificar que mudar o entorno, mas não sua relação com ele.
    Me parece que não de um medo de si que não se permita certas atitudes, mesmo porque, ninguém é consciente de sua própria malignidade, ninguém olha para dentro de si, me parece muito mais medo da “lei”, seja ela imposta pelas religiões institucionalizadas, ou pela instituição criminalista em vigor. E isso nos leva a crer que não há uma moralidade e ética interior, coisa própria do indivíduo, ele segue as normas por medo.
    Há uma indiferença e falta de empatia muito grande com o próximo, se é que algum dia isso existiu de fato.

    “Quem é justiceiro o suficiente pra chutar um leão fora da jaula, e não chutar pequeninos vira-latas em atitudes sem efeito?”

    São todos covardes…

    “Mas o bom é governar sua própria humanidade e matar seus próprios inimigos.”

    Pois é!! mas parece que ninguém vê ou escuta.

    A propósito, muito bom o seu post, muito bom te ler novamente. Saiba que o Anoitan está e estará sempre a sua disposição como uma tela em branco pra você expressar suas ideias. Obrigada por compartilhar.

    bjs

  3. adi said

    Elielson,

    “Obrigado Adi.”

    Foi um prazer, eu que te agradeço. 🙂

  4. Elielson said

    Dos milhares de grupos criminosos que se propõem a praticar a violência no Brasil, não há só um com um horizonte fora dos cálculos da maior esfera crimimosa.
    Somos as vítimas perfeitas.
    Não sou contra o linchamento do mal. Estou em discussão com um amigo há algum tempo sobre as aplicações que se fazem atualmente na mídia desfontificada que é a internet. Como se poderia tirar proveito disso, e como essa ferramenta já está sendo estudada pelos governos para causar mansidões populares referentes ao governo ou agitações referentes ao povo contra povo. A notícia, antes fantástica dada por alguns jornais mais baratos, chocava ao destacar as crueldades, e isso era todo o horror que podia-se imaginar partido de fontes superficiais que nunca apontavam reais causas. Hoje em vez de sensacionalismo, tem-se o fenômeno do fake. A ingênua ideia de que não haja um rastreamento e responsabilização do portador ou forjador da notícia, encoraja qualquer um a adotar essa estratégia pra exagerar crimes reais ou mesmo inventá-los. E no intuito pequeno de prejudicar uma imagem cria para o governo a tão desejada divisão social. E é perfeito, você enquanto figura pública não será julgado por um crime falso, e poderá ainda simbolizar para outros o perseguido, levando ao conhecimento popular uma inocência de um crime que a maioria ignora. Nova metalinguistica mais eficiente do que prometer melhorar aquilo que não vai, uma nova maneira pra se eleger.
    Para os que desejam realmente saber, se torna normal um cenário de fontes falsas e rasas. O que faz aquele que busca, ficar desconfiado até da História. E enquanto esse vai se perdendo procurando acreditar, há quem se ache crendo em qualquer coisa.
    Assim fica fácil cometer erros, achar culpados instantâneos pelo mal social, mal social que não tem só a ver com educação, mas tem a ver com a malandragem daquele que depois de aceitar sua condição imposta por políticos, fica em casa chamando-os de ladrões, mas acha muito mais fácil bater na presa fácil do que acompanhar um sessão na camara para aumento salarial e descarregar uma arma lá.
    Mas por outro lado existe o medo, peça chave na sobrevivência, medo do qual compartilho até os ossos, não só o medo de errar, esse é o que menos nos impede, o medo da consequência é o que nos impede, por isso a dose de sacrifício em qualquer bem. E medo é algo tão fascinante que é entendido dessa maneira por qualquer tipo de covarde, a diferença é que o covarde atuante e os covardes em não se sacrificar, se diferenciam na busca pela oportunidade. O covarde ladrão de vidas inocentes espera apenas a fragilidade entrar em um beco qualquer, um portão aberto de uma casa com crianças. O covarde eu, não está disposto ao sacrifício, por que nem as promessas religiosas e nem a do próprio futuro lhe foram suficientes pra lhe fazer acreditar que vale a pena trocar sua vida por uma terra de covardes que não se deixarão inspirar por nenhum exemplo, e que de quebra usarão qualquer exemplo para justificar covardias maiores.
    Que situação!

  5. adi said

    Com certeza o que se instalou hoje é a guerra do terror contra as pessoas de bem, ou mesmo pra desmoralizá-las como aconteceu nas manifestações pacíficas.

    Eu concordo com você que a mídia atual, principalmente a internet tem sido usada como ferramenta pra criar medo na população, tudo isso mais lembra aquele filme “V”, o qual não duvido nada que os governantes não estejam por trás desse caos instalado.

    Apesar disso tudo, e claro, sobre a falsa informação sobre na página da internet, o que você acha da multidão que praticou o linchamento: – são pessoas cansadas pelas injustiças e pela falta de impunidade por isso buscam fazer justiça com as próprias mãos? Nesse caso, elas também seriam vítimas do sistema corrompido em todos os campos da sociedade e principalmente no político? Fizeram porque foram manipuladas pela mídia ou porque a violência extrema já se tornou banalizada e comum?

    Outro dia estava conversando com a Sem sobre o “carma coletivo” lá no Sopoesia, foi uma questão levantada por ela diante dessa enorme crise que estamos atravessando no Brasil. Até que ponto nós fazemos parte disso tudo já que estamos aqui, vivendo nessa sociedade? Até que ponto somos responsáveis?

    São questões complicadas de responder, somos vítima do sistema e nada fazemos para melhorar isso além de nossas próprias vidas. A diferença social continua um abismo entre as classes, mas a solução não é dividir com quem tem menos, como tem sido a proposta do governo, pois tudo tem piorado muito desde essa inclusão social sem ser de base. Não há investimento na educação, não há investimento nas infraestruturas de base, o que há hoje é “propaganda” mentirosa como sempre, um grande engodo que o povo caiu.

    As pessoas mais influentes e de bem como nosso querido Joaquim Barbosa, que lutam pela justiça verdadeira, a todo momento é bloqueado, impedido de exercer seus plenos poderes em vista de leis criadas pra proteger a bandidagem.

    ” O covarde eu, não está disposto ao sacrifício, por que nem as promessas religiosas e nem a do próprio futuro lhe foram suficientes pra lhe fazer acreditar que vale a pena trocar sua vida por uma terra de covardes que não se deixarão inspirar por nenhum exemplo, e que de quebra usarão qualquer exemplo para justificar covardias maiores.”

    Somos todos covardes Elielson. Nós precisamos de heróis sim, mas talvez o herói de hoje não seja pra resgatar a sociedade, não seja pra transformar a coletividade, talvez estamos no tempo de abrir os olhos individualmente, despertar, talvez seja o único caminho possível e então sim, trazer uma nova mensagem. Eu realmente não sei, me sinto muito impotente em relação a isso.

    O que cada vez fica mais claro pra mim, é que somos totalmente responsáveis pelos nossos atos, cada um vai pagar o preço do que plantou, a natureza é certa nesse sentido. Então, voltando ao sentido do “carma” coletivo, ou estamos aqui pra ajudar a limpar a m****, ou pagando o preço…

    Claro que acredito que podemos contribuir construtivamente pra uma sociedade melhor, estamos fazendo o melhor que podemos dentro de nossas limitações e, mesmo que sejamos uma única voz ecoando, estamos aqui e como tudo o mais, não é por acaso.

    Que situação mesmo!!!

  6. Elielson said

    Lembro que há um tempo atrás, atores que interpretavam vilões em novela tinham dificuldade em andar na rua.
    É sempre ela, a STA. Ignorância, que faz alguém gritar, “pega ele”, sem prova de nada. Não é tanto o medo, é mais burrice mesmo.
    O problema não é justiça pelas próprias mãos, o problema é justiça nas mãos dos burros, desses jumentos ignorantes que não estão só espreitando pra gritar “pega ele”, mas que são militares e doutores da lei. Não muda nada um linchamento ignorante feito aqui, ou um interesse ignorante andando lá.
    Discernir é trabalhoso, pq pensar é morrer, é, e dessa morte ninguém quer ressuscitar.
    Maquiar a responsabilidade é um modo de evitar o pensamento de que o inimigo é aquilo que em si não te deixa levantar um dedo sequer contra o real inimigo. Crença cega é mutilação. E essa mutilação cria membros fantasmas. E quando a cabeça é mutilada e substituída por uma fantasma, “um mandante”, é a oportunidade perfeita para os pretendentes e concorrentes formarem seus exércitos cegos, e os burros que se propõe a cuidar de outros burros, os atraem com uma gravidade de big bang.
    Punir a origem do mal para quem gritou “pega ele” sem provas, está sempre próximo do punir-se.
    O que é mais nojento ainda é esse humanismo exacerbado, essa síndrome de Estocolmo, esse masoquismo lucrativo. Como algo que li hoje que dizia: Prefiro dez bandidos na rua do que um inocente morto. A mais perfeita psicopatia voyeurista tida como “boazinha”.

    Peço atenção para algo que eu estava estudando semana passada. Vejam os comentários, vejam o fogo que arde nas palavras que parecem fazer mergulhos acrobáticos num pires de chá.

    http://pedrorodriguez.com.br/revoltada-populacao-amarra-vereador-em-poste/

    E ao que parece, o universo ajudou a frear o fake, justamente quando ele estava chegando próximo a se tornar útil.
    Mas quem, quem desses, ou de nós? Seguiria um corrupto até sua casa? Quem bateria num “dotô”, se a vítima, dessa vez real, simplesmente gritasse, em vez de “pega ele”, gritasse “tire-o de cima de mim”?

  7. adi said

    Bom dia Elielson,

    “Lembro que há um tempo atrás, atores que interpretavam vilões em novela tinham dificuldade em andar na rua.
    É sempre ela, a STA. Ignorância, que faz alguém gritar, “pega ele”, sem prova de nada. Não é tanto o medo, é mais burrice mesmo.”

    Acontece que quando se toma atitudes dentro de um grupo, onde todos estão como numa egrégora, o normal é igualar ou se nivelar a consciência pelo que há de mais inferior no ser humano, como se cada indivíduo ali perdesse sua própria individualidade, na coletividade (egrégora ou grupo) se perde toda a responsabilidade e todo o medo. De certa forma, nesse sentido que você citou “ignorância”, é porque o indivíduo na multidão se torna vítima de sua sugestionabilidade, onde se acaba por projetar conteúdos reprimidos do coletivo.

    “O problema não é justiça pelas próprias mãos, o problema é justiça nas mãos dos burros, desses jumentos ignorantes que não estão só espreitando pra gritar “pega ele”, mas que são militares e doutores da lei. Não muda nada um linchamento ignorante feito aqui, ou um interesse ignorante andando lá.”

    Acho que há nesse momento do povo brasileiro um grande desejo por justiça, apesar disso, ou por isso mesmo, não concordo que justiça feita com as próprias mãos seja a solução, muito pelo contrário, pelos motivos citados acima, o que acontece é isso, pessoas inocentes são assassinadas friamente e cruelmente, como nos tempos da inquisição, como nos tempos antigos onde se matava uma “adultera” atirando pedras, como ainda se faz pelo talibã.

    Quem pode de fato julgar e condenar alguém à morte, e ainda por cima executá-la? Somos todos falíveis demais.

    A questão não é dessa psicopatia voyeurista ser bonzinho ou boazinha ou de se fazer vistas grossas, a questão é muito mais ampla e complexa e deve ser muito bem analisada antes de qualquer atitude que possa se tornar insana. E pra isso é que existem leis, advogados, juízes e punições. Se isso não funciona bem é porque precisamos melhorar esse sistema, mas não tentar suprimi-lo ao fazer justiça com as próprias mãos, esse não é o caminho, nesse sentido estamos regredindo como coletivo e como indivíduos que somos, estamos nos igualando ou nos nivelando pelo que há de mais baixo no pensamento coletivo.

    Não podemos nos deixar entrar nesse frenesi de “justiça a qualquer preço”, é perigoso e insensato, pra não dizer insano.

    Nós já perdemos tantas coisas nessa era materialista que se instaurou: nossa conexão com a natureza, com nós mesmos, com a vida, com o planeta, mas não vamos deixar que também nos tirem nossa humanidade, não é mesmo?

    Beijão

  8. adi said

    Elielson, com relação ao link que você deixou, sobre o político amarrado no poste, não sei não, não parece ser notícia verídica, é isso mesmo? pela foto não mostra o rosto, nem mesmo parece ser aqui no Brasil (Alagoas), o pessoal na ponte observando está usando roupa de inverno, estranho….

  9. adi said

    Pois é! é totalmente fake, está aí mais um bom exemplo e motivo pra se usar de muito cuidado, análise e critério sobre os textos que são veiculados na internet. Com certeza não é aqui no Brasil.

    http://boatos.org/politica-2/noticia-falsa-populacao-amarra-vereador-em-poste-em-cidade-de-alagoas.html

  10. Sem said

    Oi Elielson,

    Tudo bem com vc? 🙂

    Isso o que aconteceu foi um horror… não assisti ao vídeo – e nem vou assistir, porque evito ao máximo impregnar minha imaginação com esse tipo de violência, confesso que não sou muito forte para aguentar esse tipo de coisa… Passo ao largo tb dessas discussões pelas redes sociais, pois, a meu ver, elas são infrutíferas, quando não reafirmadoras da continuidade da violência a qual – dizem – pretendem combater, dando aquela falsa sensação aos seus debatedores que tomar partido deste ou daquele lado os coloca mais próximos da consciência e da verdade, da resolução do conflito e ressarcimento da injustiça… não acredito que discutir nesse nível resolva alguma coisa, ao contrário, só complica, confunde, separa e afunda, isto é, complexa o problema de modo a tornar a única solução possível a destruição do “outro lado”… Nesse sentido, nem posso opinar muito aqui, pq não sei direito o que aconteceu com a pobre moça do Guarujá, e me falta aquele élan para a busca de informações mais precisas do ocorrido… Praticamente eu nem assisto mais tv, sabe? muito menos eu assistiria a esses programas conservadores de noticiário policial, que estão invadindo até os jornais de tv por assinatura – por isso tenho parado de assistir tv… cansei, cansei do conservadorismo da Globo, da Bandeirantes e afins, sempre querendo transformar as relações de conflito das desigualdades sociais em caso de polícia, mais que conservadores, acho que são perversos, no sentido de que estão sempre invertendo aos valores e colocando o lado mais fraco como o próprio culpado pelos seus problemas, sem outra palavra para definir o que acontece nesses programas de desinformação, o termo técnico (psicológico) para isso é perversão mesmo…

    Qd freud descreveu o ser humano, como basicamente sendo neurótico, com alguns rompantes psicóticos – hoje um termo em desuso e substituído por outros técnicos, ele afirmou que existia ainda uma terceira via de conformação possível: a perversão…

    Tem um lado bom nisso, isto é, se possa existir algo de bom na perversão, é que ela é uma bomba, e como toda bomba é meio indomada, causadora de revoluções… o positivo da perversão é que só ela (e com mais propriedade ou precisão do que a loucura) bota pra correr com os valores estabelecidos da sociedade e transforma o modo de se ver e viver a realidade… mas quando ela é conservadora – como comumente costuma ser, por se deixar levar por interesses egoístas (interesses do ego), acontece justamente a formulação do bode expiatório, que leva ao linchamento ou exílio de outros seres…

    Não foi o que aconteceu com essa pobre moça? foi o que aconteceu com Jesus Cristo, também…

    A perversão é a maldade, mas, com requintes de crueldade e dissimulação, transformando invariavelmente suas vítimas em seus próprios carrascos – dando o exemplo da mulher que é estuprada como culpada pelo próprio estupro ou do desvalido pela sociedade como o único responsável pela sua própria desvalia… algo assim como o que se fez, e faz, ainda, quando nas manifestações se culparam aos black blocs pela violência, por quebrarem as fachadas dos bancos e violarem com os símbolos do capitalismo, por esvaziarem as ruas, qd quem praticou, e continua praticando, a verdadeira violência, foram os policias… inclusive, a máxima violência que é tirar a vida de outro ser humano – pelo menos aqui no Brasil isso tem ocorrido com cada vez mais assustadora frequência, mas a mídia perversa deturpou – e continua deturpando, esses acontecimentos…

    Falta amor na perversão, falta compaixão…

    Se a nossa sociedade hoje está doente, é que a perversão tem invadido o nosso imaginário social… talvez nos fizesse bem voltarmos a ser mais doidinhos ao invés de querer ser como o Gérson e “levar vantagem em tudo”…

    Freud disse algo de fundamental importância para a saúde da alma – o que implica viver conectado à natureza e de bem com o outro, ele disse: “é preciso amar para não adoecer”

    Bjão, Elielson, saudade…

    Ah, PS… rs… olha, se te interessar, eu li esse senhor texto, esses dias, no “Outras Palavras”, justamente a respeito de direita e esquerda na política, ética na sociedade e a formulação de bodes expiatórios, e todas essas demais reflexões que estamos fazendo por aqui. Leia e depois me diga se gostou…

    http://outraspalavras.net/destaques/esquerda-e-direita-frente-a-etica-contemporanea/

  11. Sem said

    Oi Adi, quase sincronizamos nossos tempos nos comentários… 🙂

    Eu estou fazendo e escrevendo tantas coisas, tenho porém publicado muito pouco, mas, me aguarde… 🙂

  12. adi said

    Oi Sem,

    Vou aguardar com certeza. 🙂

  13. Elielson said

    Sim, é fake Adi. Os comentários é que são interessantes.

    Oi Sem,

    No final, se não abraçamos a humanidade que inclui a aplicação do “princípio de possibilidade de convivência”, que é a eliminação do que impede convivência, não estaremos deixando de agir a respeito, estaremos apenas legando a outros indivíduos essa aplicação, policiais.. etc…

  14. Elielson said

    A inocência sempre está morrendo, e é da inocência mais pura que tiram a imolação perfeita, que faz durar a ruptura do pensamento.
    Temos que manter a engrenagem assim, ter uma pureza constante sendo massacrada, uma base confiável de ações morais que por negação nos trará compreensão do profano, um profano mais profundo do que aquela miséria interna que queremos corriqueira e aceitável.
    A língua mutilada conquistará pela sombra assustadora que produz quando ampliada pela luz de uma vontade recalcada.
    Cenário perfeito pra conseguir maior variedade para os gostos refinados. Mas o refino depende sempre da mesma coisa, de um monte de escravo se vigiando, se denunciando, se punindo, reproduzindo fabriquetas de informação cíclica, de personagens condensados, de almas sopradas pra dentro de golens valvuláveis.
    O caçador deixa o cachorro morder a raposa, a pele é ele quem usa.
    O valor pra um estômago está abaixo do valor de um estômago que tenha dentes grandes. Como você vai ser comido sempre afeta a direção pra qual você corre.
    Acabou a Guerra contra Eurásia, interrompemos essa programação para a transmissão gratuita do horário eleitoral.
    Precisamos que todo o princípio de possibilidade de convivência guarde Fuleco.

  15. Sem said

    Elielson, sua prosa é poesia, escorre mansa e rascante feito poesia, seu discurso repleto de imagens, contrastes, volutas, abismos…. vc sabe? não é muito fácil de se entender o que diz… sua escrita parece reservada apenas aos que se arriscam, aos que podem se arriscar por entre um terreno de fendas, de perigosos não-sentidos… a única forma parece ser mesmo se deixando fisgar, por um desses seus inúmeros anzóis de palavras, que lança a esmo… eu pelo menos acabo sempre me enroscando em algum, e dessa vez foi: “almas sopradas para dentro de golens valvuláveis”

    Isso é um horror :p algo meio nojento e tão antinatural quanto escorrer para dentro do corpo o suor que já se verteu, fiquei dias sem ter o que dizer, de um mundo de almas cheias de possibilidades sendo engolfadas para dentro de corpos rudes e grotescos… muito há que se “digerir” dessa imagem…

    Mas tem alguém que poderá respondê-lo por mim, numa igualdade de contraste e condição… se prepara para uma apreensão ética do humano, do social, quase uma experiência sensorial, ou, quanta esperança pode vir do desespero? acho que a maior esperança do mundo nasce mesmo é do des-espero…

    Tomara que vc ainda não tenha visto esse ensaio fotográfico do Raphael Alves para a Mídia Ninja, mas quero nele chamar especial atenção ao texto do Fábio Chap

    Dos porquês de me ser: https://medium.com/@MidiaNINJA/4505a7fa49c6

    O mesmo Fábio Chap que escreveu “O Moralismo”, texto que deixo a seguir e que cabe super bem aqui, em complemento a esse contexto de análise social que estamos fazendo…

    Bem, poucas vezes podemos dizer concordamos com alguém sem restrição, mas, no caso desse texto, posso dizer que concordo com seu autor até nos espaços que ele deixou entre as vírgulas…

    —————————————-
    O moralismo é um valor criado pelo ser humano para domar outro ser humano. Sabendo disso, fica fácil perceber que desconsiderando o moralismo, um viciado em crucifixos e cultos tem a mesma importância existencial que um viciado em crack e cachaça.

    Uma vez anulado o moralismo, não veríamos mulheres como vagabundas que facilitam estupros com seus decotes e saias. Veríamos mulheres em sua essência tão sexual quanto a masculina. Sem o moralismo as mulheres se masturbariam desde pré-adolescentes e gozariam muito mais. Quando te dizem a velha balela que mulher goza com a cabeça é, mais uma vez, uma tentativa patriarcal de esconder o potencial do clitóris.

    Se o moralismo cai por terra, não mais teremos ‘bandido vagabundo que merece morrer’; teremos um ser humano que errou. Seja pelo contexto de toda uma vida, seja por euforia ou mal inerente. E aos erros devemos tudo. Sem o moralismo a frase ‘é com os erros que se aprende’ serviria para todos. Até para criminosos. Reformaríamos nosso sistema carcerário e não haveria sofrimento na cadeia, apenas recuperação. Comida azeda, espancamentos e violência sem limites não recuperam ninguém, apenas animalizam. É incoerente e estúpido cobrarmos recuperação de uma classe que tratamos como sub-espécie.

    Sem o moralismo não discutiríamos se Valeska Popozuda é pensadora contemporânea ou não. Aceitaríamos. Ela pensa. Vive em nossa época. A frase é incontestável. O professor não a chamou de advogada, médica, professora, jogadora de vôlei. A chamou de pensadora. Todos somos, independente de o pensamento alheio te agradar ou não.

    Sem o moralismo não existiria a menor atribuição de valor à sexualidade alheia. Não questionaríamos se as pessoas são homos, bis, trans, cis, etc. Nos preocuparíamos apenas se elas sentem-se bem no mundo e, caso não, o que poderíamos fazer para ajudar.

    Se você tem uma cartilha de bons costumes que rege a humanidade, eles com certeza não são bons. Não existe nada nesse mundo que possa ser bom sem englobar todas as liberdades. Então, se é impossível agrupar tudo que é livre num valor só, não existe bondade. Existe é contexto, opção, ação e consequências. Sem o moralismo somos mais humanos. Com ele ficamos apenas buscando ser a imagem e semelhança de figuras míticas que criamos para justificar nossa existência.

    Sem o moralismo deixaríamos de terceirizar a responsabilidade pelo caos. A culpa do mundo estar ‘assim’ é minha e sua. Em maior ou menor escala fodemos a porra toda. Seja na menor desonestidade, na passividade ou na agressividade. Bater na sua esposa é roubar um banco. Traficar é desviar verba da merenda. Furtar R$10,00 é bolinar a mulher no trem. Assassinar é falsificar documentos. A corrupção mora em todos nós. Alguns apenas têm mais acesso a ela. A violência idem. Fazer o mal a um é fazer o mal a mil. A um milhão, um bilhão. sete bilhões. O que precisamos é eliminar a justiça seletiva. No Brasil não punimos militares, não punimos grandes empresários, não punimos a classe política. Somos bons de prender pobre. Somos bons é de apontar o dedo. Se endinheirados, somos ótimos em não ter medo de punição estatal. Ela nunca vem.

    Não somos especiais como nossas avós nos diziam. Não somos melhores, nem maiores, nem mais importantes para o funcionamento do todo, do universo. Somos é micropartículas com potencial de evolução coletiva. Basta ação.

    Nossas almas estão conectadas e o moralismo não nos deixa ver, mas um dia essa cortina de fumaça vai sumir. Choraremos os desastres passados, mas vamos estar mais fortes que nunca. Não pra dar sentido à vida, mas pra permitirmos os sentimentos. E sem o moralismo nos acorrentando, matando, separando, o sentimento em pauta será o amor. Pura e simplesmente o amor.

    O Moralismo: https://www.oximity.com/article/O-moralismo-1
    —————————————-

  16. Elielson said

    Coincidentemente, ontem comentei a respeito de uma frase dita por um psicopata num documentário, e eu falava de como ela me marcou.
    Sei lá, talvez já tenha dito essa frase aqui também. Ele disse: Um pecado é todo pecado.
    Daí piro né. Penso, a essência exercida faz cair no mínimo metade dos valores sociais, que regulamentações que impedem funcionalidades dizem: SE VIRA! Pro indivíduo e pra sociedade. E daí a linguagem como instrumento de entendimento e resoluções com a natureza acaba na verdade sendo um conjunto de armas distintas, pra tornar a natureza mais cruel ainda.
    Mas mesmo assim, quando se vê o mal de perto, se vê que vilão de cinema é caricatura infantil perto de supostos coitados.
    A pena, a compaixão, são armas também. Não aos que tem, aos que recebem. O compadecimento de alguém em algum momento está no cálculo do mal impulso aceito. Muito cedo eu fui conversar com bandidos, analisá-los, não, nem sempre são vítimas da sociedade, na verdade quase nunca são. Mas isso é um assunto que só alimenta ódio de quem diz que não sente ódio. Eu odeio e assumo. Acho que o ódio que mata sem saber é tão falso quanto esse amor que defende vida humana a qualquer preço. Ódio que é ódio sabe muito bem quem e o que odeia.

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