Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Stabat Mater dolorosa – Estava a Mãe dolorosa

Posted by Kingmob em maio 6, 2009

virgem-maria

O Stabat Mater é um poema medieval que tem como tema a contemplação pela Virgem Maria de Jesus Cristo agonizando na cruz.

Muitos compositores se inspiraram com o poema e fizeram de suas palavras melodia para suas peças musicais: Vivaldi, Pergolesi, Rossini, Haydn e Verdi para citar alguns.

O compositor contemporâneo Marco Rosano criou uma versão do Stabat Mater especialmente para o contratenor Andreas Scholl, uma das vozes mais bonitas da atualidade. Abaixo segue o link para a música que pode ser salva (em inglês):

http://www.andreasschollsociety.org/Stabat_Mater.htm

Abaixo a letra em português. As partes em negrito são as que Andreas Scholl canta:

Estava a Mãe dolorosa,

Junto da cruz, lacrimosa,
Enquanto Jesus sofria.

Uma longa e fria espada,
Nessa hora atribulada,
O seu coração feria.

Oh quão triste e quão aflita
Padecia a Mãe bendita,
Entre blasfémias e pragas,

Ao ver o Filho amado,
De pés e braços pregado,
Sangrando das Cinco Chagas!

Quem é que não choraria,
Ao ver a Virgem Maria,
Rasgada no seu coração,

Sem poder em tal momento,
Conter as fúrias do vento
E os ódios da multidão!

Firme e heróica no seu posto,
Viu Jesus pendendo o rosto,
Soltar o alento final.

Ó Cristo, por vossa Mãe,
Que é nossa Mãe também,
Dai-nos a palma imortal.

Maria, fonte de amor,
Fazei que na vossa dor
Convosco eu chore também.

Fazei que o meu coração
Seja todo gratidão

A Cristo de quem sois Mãe.

Do vosso olhar vem aluz
Que me leva a ver Jesus
Na sua imensa agonia.

Convosco, ó Virgem, partilho
Das penas do vosso Filho,
Em quem a minha alma confia.

Mãos postas, à vossa beira,
Saiba eu, a vida inteira,
Guiar por Vós os meus passos.

E quando a noite vier,
Eu me sinta adormecer
No calor dos vossos braços.

Virgem das Virgens, Rainha,
Mãe de Deus, Senhora minha,
Chorar convosco é rezar.

Cada lágrima chorada
Lembra uma estrela tombada
Do fundo do vosso olhar.

No Calvário, entre martírios,
Fostes o Lírio dos lírios,
Todo orvalhado de pranto.

Sobre o ódio que O matava,
Fostes o amor que adorava
O Filho três vezes santo.

A cruz do Senhor me guarde,
De manhã até à tarde,

A minha alma contrita.

E quando amorte chegar,
Que eu possa ir repousar
À sua sombra bendita.

-x-

E para encerrar um poema para a Virgem:

STABAT MATER

Um leve toque

Da sua doçura, Mãe, basta.

Para dissolver as tenazes

Dúvidas e carências

De uma existência

Que desiste de se apoiar.

Um leve toque dos seus olhos

E da beleza crucificada

Que eles miram em dor

Transcendente e óssea

Como os cravos que

Transfiguram as mãos

E pés abençoados do

Teu Filho — basta.

Não possuo pedidos que fazer.

O que eu, cego dos cinco sentidos,

Poderia saber pedir ou

Em minha arrogância exigir,

De um sentir como o seu,

Aurora de toda Graça,

Mãe de todo carinho

Entronada desde sempre

Nas augustas potestades

Da Trindade Santa.

Sou cru demais, imperfeito demais

Para pautar minha em vida

Em teu exemplo: Fiat!

“Faça-se em mim segundo

a sua Vontade”.

Mas basta um leve toque

Da sua doçura infinita

Para que se esqueçam

Todas as rezas e amarguras

E arrependimentos e culpas.

E os desejos, os insatisfeitos.

E o que dizer dos grandes flagelos

Fome, agressão e posse

Da humanidade tão criança,

Como eu, como todos.

– Basta um leve toque

Da sua doçura

E dissolvem-se na

Sua ternura

O desatino do combate

A esmo, sem destino

Basta um leve toque

E a mente se curva satisfeita e submissa

Ao imperativo soberano do Teu Amor

Que nada exige, mas conquista,

O coração sabe bem o seu lugar-

Entre seus braços

E em nenhum outro lugar.

Obrigado, Mãe Celestial,

Graças a ti em todos os cantos do orbe

Possa a vida ser um holocausto ao

Teu nome.

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31 Respostas to “Stabat Mater dolorosa – Estava a Mãe dolorosa”

  1. luramos said

    muito lindo, mas focar no sofrimento me atrapalha enxergar o poder, tanto de Jesus quanto de Maria.
    prefiro o Jesus da Capela Sistina, do que o Jesus crucificado.
    http://www.adishakti.org/images/jesus_and_mother.jpg

    hoje mesmo ensinei mais um pouco sobre Maria para minha filha. Disse a ela que para alguns Jesus tinha nascido de um modo mágico, mas que eu, como outros poucos, acreditavámos que Jesus nasceu de Maria e José, como nascem todas as crianças.

    Disse a ela que Maria era uma mulher, como nós duas somos, mas que ela tinha um grande poder: o de amar seu filho Jesus do mesmo modo que ela amava todos os filhos do mundo, incluindo ela e eu e todas as pessoas que conhecíamos e não conhecíamos.

    e que eu me chamava maria em homenagem a ela, assim como tantas mulheres que se chamam maria, mary, marie, pelo mundo.

    Podem considerar heresia,…rs, mas é o que penso e sinto. Quis trazer a divindade de Maria para perto dela e para perto de mim. E é assim que venero Maria, não como a virgem sofredora, mas como a mais perfeita expressão de Amor que já existiu na face da Terra….

    maria Luiza

  2. Elielson said

    O sofrimento e a virtude.

    Publicidade para o bem, amém.

    Hunger Strike (tradução)
    Temple Of The Dog
    Composição: Chris Cornell

    Fome Aumentando

    Eu não me importo de estar roubando o pão, das bocas da decadência
    Mas eu não posso me alimentar dos fracos, quando meu copo já
    está cheio

    Yeah
    Mas esta na mesa, o fogo está cozinhando
    Eles cuidam de seus bebês, enquanto os escravos trabalham
    O sangue esta na mesa, e as bocas se engasgando
    Mas minha fome está aumentando
    Yeah

    Eu não me importo de estar roubando o pão, das bocas da decadência
    Ma eu não posso me alimentar dos fracos, quando meu copo já
    está cheio

    Yeah
    Mas esta na mesa, o fogo está cozinhando
    Eles cuidam de seus bebês, enquanto os escravos trabalham

    E isso esta na mesa
    As bocas se engasgando

    Mas minha fome está aumentando (Fome aumentando)
    Mas minha fome está aumentando (Fome aumentando)
    Mas minha fome está aumentando (Fome aumentando)
    Mas minha fome está aumentando (Fome aumentando)

  3. fynealhns said

    Eu vou um pouquinho, pouquinho não, bastante, mais longe: É, sim, pra mim também, a mais perfeita expressão de Amor que já existiu na face da Terra.
    O que seria esta expressão?
    A mesma que todas as mães- maria, marias ou não, sentiram por filhos poscritos, exilados, banidos, degredados, ou pela morte ou pela injustiça..ou até mesmo pela justiça….
    E, nenhuma sinfonia foi composta pra maioria delas.
    Esta é a empatia que sinto por Maria, não a de ser a única Maria ou de expressar um amor especial, que não é diferente e nem superior a de nenhuma mãe, normal. Ressaltando ainda o fato de que – “supostamente” e, em minha opinião, construidamente – ela assistiu, um filho sendo torturado por opção e missão….. – …táaa bom…
    – Esta é a energia e o poder que estas imagens e construções de mitos produzem, o da culpa e do temor. Sendo que esta mesma dor: – insuperável – foi sentida por todas as mães – seja de quem for – q assistiram as crucificações de seus filhos; – filhos torturados e queimados, metralhados, mortos por total inanição, enfim, levados prematuramente por qq razão.

    Eu nunca associei Jesus à nenhuma descendência mitológica; e não tenho por ele admiração maior do que tenho pelos grandes homens. Principalmente por analisá-lo dentro do contexto social, político e espiritual de sua origem e época.

    Desta forma, como mulher principalmente, me solidarizo com a Maria mãe de Jesus, com as Marias da Praça de Maio, com as Marias de Darfur, Marias – Mães de soldados – com as Marias da Rocinha – Mães de todos os vencedores e perdedores, Mães durante as várias Inquisições…. enfim, todas as Marias-Mães normais.

    Em nome de todas elas, Mães- Guerreiras, homenageando-as simbólicamente:

    MÃES DA PRAÇA DE MAIO

    Simbolizam o maior amor, a consciência e a combatividade.
    Resistiram a repressão e terror, com galhardia e dignidade.
    São Mulheres Diamantinas, maravilhosas e obreiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam um grande ideal, do direito da Liberdade.
    Uma existência sem igual, de justiça como finalidade.
    São Mulheres de disciplina, invencíveis nas trincheiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam a Ternura, e também a Guevárica firmeza.
    Enfrentaram a terrível tortura, com Ética e Nobreza.
    São Mulheres Femininas, todas batalhadoras ordeiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam a Fé do mundo, numa energia inabalável.
    Convicção no mais profundo, e uma garra admirável.
    São Mulheres Jacobinas, de representação verdadeira.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam a Esperança, dum sonho digno a buscar.
    Pros povos Bem Aventurança e compromisso de lutar.
    São Mulheres Celestinas, e de Santas elas são herdeiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam a imensidão, e a perspectiva para o amanhã.
    Possibilidade de transformação, e de nascer nova cidadã.
    São Mulheres Inquilinas, as mais Divinas Companheiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam a História, no mais sublime da luta popular.
    Guardiãs da memória, pra persistirmos no caminhar.
    São Mulheres de Platina, são universais e primeiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Simbolizam o povo Latino, simbolizam a Humanidade.
    Como poesia e como Hino, nos unindo em irmandade.
    São Mulheres Heroínas, elas próprias são bandeiras.
    Na Praça de Maio na Argentina, Santas Mães Guerreiras.

    Azuir Filho e Turmas: do Social da Unicamp e, de Amigos:
    de Rocha Miranda, Rio, RJ e, de Mosqueiro, Belém, PA.

    Obra de Louvor As Mães da Praça de maio na Argentina que tiveram seus filhos desaparecidos, seqüestrados e executados. Reclamam por seus corpos, até hoje.

  4. Elielson said

    Não esquecendo tbm das Mães da Sé, incertas pelo resto da vida… não querendo acreditar no pior, e sem saber nem mesmo se os filhos estando vivos, preferem estar mortos.

    Existe um industria sombria nesse mundo, em cada centavo investido em mão de obra barata e prostituição, em cada centavo que custeia o prazer demoniaco dos corruptos.

    Mercadores de vidas, dormentes, que fazem o mundo sentir a dor por não aguentarem o que chamam de tédio.
    Fabricam e enfeitiçam-se pelos produtos que iludem a percepção de existir.

  5. fynealhns said

    Sem esquecer nenhuma, claro; – nem aquela primeira que, ela e a terra, a terra e ela; sobreviveu à cria e a defendeu ferozmente, nos trazendo até aqui.

    E, boa lembrança: a minha querida, muito querida, Madre Tereza; que entre a confusão do divino e do real, foi uma das Mães mais verdadeiras. Um ser-humano que Amou.

    Bjs

  6. fynealhns said

    Outra homenagem muito querida à mães que são mães de seus filhos e dos filhos de mts mães:

    Bjs

    “muito comovente!”

  7. Sem said

    Festival de vídeos:

    Quem cantou mais divinamente a Ave Maria de Schubert? Pavarotti, claro.

    E Bach-Gounod? harpa, voz feminina, versão celta, mais doce impossível.

    E Maria carnal, Elis Regina canta Maria Maria do Milton.

  8. Lindo poema. Mesmo.

  9. Elielson said

    Oi pessoal.

    Não querendo ser mais trágico do que o de costume.

    Sábado passado, houve um acidente que vitimou fatalmente um garoto de onze anos, aqui perto de onde eu trabalho…
    Uma coisa que notei foi que todas as mulheres ao redor da tragédia estavam desesperadas.
    Claro que os homens tbm, mas não era a mesma coisa.
    Nas mulheres era algo tão forte, que estava exteriorizada ali, toda uma esperança de que a raça humana sobreviva a si mesma.
    Mães me fazem acreditar.
    Permito-me dizer que o garoto que foi vitima daquela situação, foi vitima de nossa história incoerente.
    Pois todo instante deve ser das mães, dos pais, dos filhos, dos irmãos.
    E quantos irmãos mais pra que ninguém mais diga que isso não vai acabar?
    Quando os deuses se levantarão da mesa?
    Quando o jantar acabar?
    Quando os deuses verão seus rostos na cozinha preparando tudo?
    Quando os deuses verão seus rostos na mesa sendo devorados?
    Quando os deuses verão que não há fome?

  10. Sem said

    Elielson,

    Se vc propuser um levante contra os deuses estou topando. 🙂 Não contra o governo que é uma covardia, os pobres podem ser safados, mas eles são tão pobres como nós, ou mais, acrescidos de pobreza de espírito e da pior espécie, aquela da ignorância de não ver nada além de si próprios. Mas dos deuses eu ando por aqui (dedo lá em cima) e topo qualquer parada. Vamos fazer greve, armar um levante, queimar estátuas, profanar templos, rasgar os mitos, dizer que não acreditamos mais em suas histórinhas, que não achamos mais belo nada e tudo que aí está é uma grande mentira? vamos invocar contra-deuses, criar novos mitos? porque os que aí estão, claramente não dão conta do recado, o mundo anda de cabeça pra baixo e a humanidade mergulhada na m**** Como eles ousam nos abandonar? Ou, então, como eles convocam um banquete e não convidam todos? Nessa mesa retangular, nesse mundo quadrado pequeno arquetípico vulgar, onde só cabem meia-dúzia e celebram etiquetas que não fazem o menor sentido perante a fome de mais da metade da população mundial? Mas a humanidade anda faminta não só de alimentos, também de ar, de solidariedade, de amor verdadeiro, de alegria. E eu que até agora sempre responsabilizei a humanidade por sua própria desgraça, hoje me dou conta que o homem nada mais faz que obedecer a sua natureza, que nem é a dele, mas a que lhe foi emprestada por deuses e está além do seu controle. Mas será que os deuses também são convocados e nada mais fazem senão obedecer a uma lei maior? Quem é o dono dessa joça? é contra ele que devemos armar o levante e dirigir nossa ira. Vê lá que a ira deve ser pagã, que da divina não confiamos, não queremos mais nada. O desgraçado que nos jogou aqui, é contra ele que devemos armar o levante. 🙂

    Me lembrei de um personagem do Vitor Hugo agora, que brigou contra a tempestade… é claro que ele se deu muito mal, mas teria se dado mal de qualquer jeito, porque parece ser essa a essência do homem.

    Apesar de tudo, olha que bonito!

    Cubra-me com seu manto de amor
    Guarda-me na paz desse olhar
    Cura-me as feridas e a dor me faz suportar
    Que as pedras do meu caminho
    Meus pés suportem pisar
    Mesmo ferido de espinhos me ajude a passar
    Se ficaram mágoas em mim
    Mãe tira do meu coração
    E aqueles que eu fiz sofrer peço perdão
    Se eu curvar meu corpo na dor
    Me alivia o peso da cruz
    Interceda por mim minha mãe junto a Jesus
    Nossa Senhora me dê a mão
    Cuida do meu coração
    Da minha vida do meu destino
    Nossa Senhora me dê a mão
    Cuida do meu coração
    Da minha vida do meu destino
    Do meu caminho
    Cuida de mim
    Sempre que o meu pranto rolar
    Ponha sobre mim suas mãos
    Aumenta minha fé e acalma o meu coração
    Grande é a procissão a pedir
    A misericórdia o perdão
    A cura do corpo e pra alma a salvação
    Pobres pecadores oh mãe
    Tão necessitados de vós
    Santa Mãe de Deus tem piedade de nós
    De joelhos aos vossos pés
    Estendei a nós vossas mãos
    Rogai por todos nós vossos filhos meus irmãos
    Nossa Senhora me de a mão
    Cuida do meu coração
    Da minha vida do meu destino
    Nossa Senhora me dê a mão
    Cuida do meu coração
    Da minha vida do meu destino
    Do meu caminho
    Cuida de mim

    Assistiram Tropa de Elite? O que o capitão Nascimento teve de fazer pro papa passar em segurança e rezar a missa no Aterro como a Igreja queria?

  11. Elielson said

    Sem, Estou sempre pronto para mudar o mundo…

    Onde trabalho, pratico mutação a nivel pequeno.

    Mas minha vontade mesmo, é praticar o que eu acho que está além da idéia que temos de redenção… pois até este ponto na história humana, é o que quase parecemos fadados a idealizar, redenção.

    Toda vez que alguém me diz que nada vai mudar.
    Eu me atrevo a dizer… NÃO ENQUANTO EU ESTIVER VIVO.

    No começo quem dialoga comigo fica chocado, mas em seguida abre seu ser para a possibilidade de mudança, que está aí, no ar, no movimento de nosso ser.

    O potencial do homem , pode ser praticado individualmente.
    O potencial de um grupo pode ser intenso.
    Mas o grupo animal não vê o individuo do outro grupo, e isso resulta na autoridade passada a outro.

    Mas um por todos e todos por um, por enquanto só tem na estória dos mosqueteiros.

    Por enquanto…

    Porque se vc topar Sem, minha proposta é debater uma lei, a reforma constitucional é inevitavél se o País não ruir antes disso, temos que jogar o nosso papel lá, um papel que não ofenda ninguém, que superestime, que ame, que não exclua, os que lutam para não se excluirem e não excluirem ninguém.

    Fazer daquela maxima a maxima lei.

    Amar o próximo como a si mesmo.
    Regulamentar de acordo com tudo.

    Próximo, e si. os personagens a se resolver.

    Trabalhar nisso, criar a lei perfeita.
    Que se dissolverá quando praticada.
    Para isso temos que a partir de então, debater direito, estudar direito, e encaixar tudo nessa fantasia de nada. Se for incoveniente nesse blog, fica meu e-mail, pillars_@hotmail.com

    Primeiro nessas fronteiras, e depois avançar camadas.

    Estamos no espaço da Mâe, mais um motivo para que eu acredite.

    O que sei é que um projeto do tamanho do que eu idealizo deve ser encaixado na constituição atual, ou encaminhado para a fila de aprovação em uma reforma.
    E deve ter numero, para ter força de lei, concentrando a porcentagem de acordo com o território que a lei afetará, e distribuido proporcionalmente entre os estados, deve ter sua proposta apresentada ao governo, para que alguém de lá jogue ela em votação.
    Para ter força devastadora de lei, precisa ser algo maior que as propostas de origem distrital, para que então seja usado o poder que o Presdente do Brasil tem de decretar, ou mesmo jogá-las em referendo popular. Forçar o Presidente é melhor, a não ser que até lá, o povo já creia na educação.

    Nada de confiscar poupanças pra solução econômica.
    Solução pra alma, que na politica não é levada a sério.

    Não temos de dar poder a alguém, ou tirá-lo.

    Só temos que deixar o poder lá, com a nossa assinatura, para chegarem através do caminho justo, e não pelo simples fato de querer poder.

    E já que amam tanto o poder, vamos fazê-los saber primeiro o que é o amor, para depois fazê-los saber o que é poder.

    Eu defendo o estudo de filosofia.
    Pra que se conheçam antes de se desconhecerem.

    Qualquer coisa me manda um e-mail Sem, pra gente ajustar isso.

    Valeu.
    Felicissimo. 🙂

  12. fynealhns said

    Sem,

    Qto mais te leio, mais incrível vc me parece.

    Bjs

  13. fynealhns said

    A gde confusão existe, na minha opinião, na forma como se acredita em Deus. Isto define exatamente o que se espera dele. – ou de qualquer outra coisa que chamamos “divina”.

    – Gosto quando chove, à noite. A água que transpira da rocha arrasta despojos de incêndios distantes.

    Rolam pedras brancas nos ribeiros ardentes que os lunáticos choram. Nessas noites de chuva tímida, há homens que se desfazem nos poros da terra, e esperam pelo calor que os evapora. No Inverno, a terra fragmenta-se em destinos falhados, e devora outros homens, nascidos nos dias em que os eixos do mundo se entortam. São como ilhas agudas e negras, espinhos cravados num mar de lanças apontadas a Deus. Correm-lhes nas entranhas os céus caídos de Ícaro. No cume, pairam aves no desespero de voos rasantes, rasgando as asas que lhes amputam sonhos. Voam baixo, porque estão sempre aquém. Preferiam sonhar alto. Só. Como os homens. Algumas aves estancam o sangue das asas com enxertos de basalto, e atiram-se pela escarpa no alívio da última descida de Sísifo. Morrem como homens e satirizam dos deuses, incrédulos pelo suicídio absurdo de espíritos santos.

    Os sismos são o frio dos homens que vivem no húmus do mundo. O apocalipse dos mares despenha-se quando as asas extraviadas das aves conspiram no fundo dos oceanos. As águas encapelam-se e ameaçam inundar os céus. Nas romarias dos lunáticos ocorrem os eclipses da lua, que empurram o sol para enegrecer a terra.

    Os lunáticos são homens que vivem anos sem luz interna. Por isso, cobiçam a lua, [ou qualquer Luz que esteja disponível] e sonham saltar dela para uma morte de anos-luz. A quimera converte os lunáticos em actores trágicos. Na hora longa da agonia, assomam ao palco, encarnando os proscritos pelos deuses. Vivem a morte dos outros. Por isso, não há velórios para os actores trágicos que morrem em cena, porque já não existe vida para viver a sua morte. Não morrem, eclipsam-se. Tornam-se eternos. Eternos absurdos.

    Há homens que não aceitam viver. Chamam-lhes suicidas, mas não adoram a morte. Eles entregam epitáfios aos cegos e pedem aos mudos que desvendem o segredo da Esfinge com um grito. “A vida não pode viver, se a morte não pode morrer.” São génios que descobriram a mentira espessa que fervilha no cérebro e encontraram no sangue os genes infiltrados de Deus. Costumam morrer com os pulsos cortados, para que o sangue escorra e seque nas mãos cerradas, onde o tempo do Eterno se extingue. Os suicidas respondem, a quem lhes pergunta, que são capazes de viver toda a vida num sítio. Só não sabem quanto tempo aceitarão viver, enquanto a lua continuar a ser o exílio onírico dos lunáticos. Ou enquanto a vida morar demasiado perto da loucura de Deus.

    À noite, quando chove, sei que é Deus quem chora porque os loucos tentaram raptá-lo.

    Vítor Souza

    Bjs

    FELIZ DIA DAS MÃES!

  14. Sem said

    Fy,

    >>Qto mais te leio, mais incrível vc me parece.

    Espero que seja incrível para o bem. 🙂

    >>A gde confusão existe, na minha opinião, na forma como se acredita em Deus. Isto define exatamente o que se espera dele. – ou de qualquer outra coisa que chamamos “divina”.

    Qual é a sua relação com Deus, Fy?
    A minha? eu não me preocupo com Deus, não mais, pra mim ele é manifesto no universo e nada mais posso saber ou fazer a respeito… ou talvez o melhor a fazer, a única coisa a fazer, seja viver a minha vida da maneira mais honesta possível, de uma honestidade para com a alma e não para com a sociedade e seus valores vazios. Embora em algum ponto eu saiba que uma e outra possam coincidir, quando se trata de realizar a alma do mundo (a anima mundi). Minha preocupação tb não é com o espírito, que vejo como completamente independente e livre do meu desejo, minha preocupação é com a alma mesmo, com fazer e deixar espaço para que ela fale e faça o que tiver pra falar e fazer. Não podemos dizer que a alma nos pertence, mas é o mais etéreo perto e parecido ou o arquétipo mais próximo a nós, é o que eu sei e o que eu sinto, por isso procuro manter um relacionamento estreito com a alma, que envolve mais intimidade e cumplicidade do que reverência ou devoção, embora seja uma devoção procurar olhar pra tudo com os olhos da alma. Eu sei que ela menor do que deus, mas se eu brigo com ele é porque ela permite.

  15. Sem said

    Elielson,

    >>Eu defendo o estudo de filosofia.

    Eu tb! Sabe que a última reforma em educação abriu um leque para que cada escola faça seu próprio programa curricular e filosofia tem sido uma disciplina cada vez mais incluída no ensino médio, em princípio por escolas particulares, mas também algumas públicas têm adotado a disciplina de filosofia e outras o têm feito até a nível de fundamental. Nesse aspecto o espírito da nova lei é o mais correto possível, pretende privilegiar a tal da interdisciplinariedade. Mas esse “palavrão” não se dá ou acontece por decreto, acontece no dia a dia de cada escola, no esforço de cada professor e profissional de educação em relacionar os conteúdos e passar uma visão mais holística do mundo para seus educandos e não mais tanto fragmentada, no que a filosofia tem muito a contribuir…

    Mas educação é aquela “coisa”, é vista mais como um instrumento de dominação de uma classe sobre outra do que um direito inalienável de todo e qualquer cidadão. Será que existe real interesse em democratizar o conhecimento? Eu não vejo essa questão como um problema só de governo, mas de ideologia reinante na sociedade como um todo. O pensamento médio do brasileiro é como no dito “farinha pouca o meu angu primeiro”, quando deveria ser “o único modo de uma gotinha não secar é deitá-la ao oceano”. Na prática eu acho que não existe real interesse em democratizar o “saber”: a verba destinada para a educação é irrisória, se pensarmos na importância que tal investimento representaria na formação de indivíduos livres, tampouco é investido em formação de professores, ou ainda o profissional de educação não é valorizado e remunerado de acordo com a importância, ou seja, sua importância não é reconhecida e, tudo resumido, significa que não existe real interesse em educar no país, nem da parte do governo que não investe pesado, nem da população que não faz pressão para que se invista pesado em educação.

    Sou da área e tudo o que digo é da pele, embora essa parte de administração e legislação não seja bem a minha especialidade.

    Mas vc quer que os políticos estudem filosofia? Eles estudam, e direito tb, mas a maioria garanto que como instrumento de dominação e ajuste de seus discursos com este fito. Filosofia em si não é um bem, o conhecimento em si não é um bem, o bem é a intenção…

    Eu assino embaixo de qualquer parecer que institua o amor como lei maior em nosso país e tb, porque não, no mundo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Mas sair do papel e colocar isso na prática é que são elas. Quantas igrejas não se valem do mandamento máximo de Cristo para gerar poder e não amor? Quanta dominação não é feita em nome do amor, inclusive por mães, e é só um jogo onde amor de verdade passa longe?

    Eu fico comovida com o seu ideal de baixar o “coração” por decreto, mas do fundo do meu, pelas experiências pela quais já passei, eu não acho que esta seja uma questão de papel e de sociedade, mas de sentimento, de intenção e de individualidade. Não quero matar o seu sonho, já disse que assino embaixo do seu parecer, mas não consigo alimentar uma ilusão. Não, o seu sonho não é uma ilusão, mas o caminho é que penso que não é bem esse. Que fazer?

  16. fynealhns said

    Sem,

    Claro que é para o bem. “BEM”.

    E claro q é um BEM repleto de admiração. E não é admiração babaca não, – e tb não é pq vc escreve muiiiito bem; – o q tb me causa mto prazer em ler – mais: não é pq eu concorde com tdo não, ou às vzs não concorde de imediato; e não sinta q vc ache um “saco” esclarecer um ou outro ponto do qual, de imediato, eu não tenha absorvido o verdadeiro sentido ou a profundidade; sinto q vc o faz com vontade; – e te agradeço, – .

    O que eu acho mesmo incrivel é que vc escreve e é verdadeira; o que torna qualquer assunto atraente; porque existe emoção, paisagens, movimento, cores em suas opiniões e argumentos. Até os tobogãs… são atraentes. Adoro montanha-russa!

    Minha relação com Deus, não é tão anímica.
    Eu percebo q faço parte de um organismo . E, pra que um organismo esteja saudável, nenhum órgão é mais responsável que o outro.

    Na minha humilde opinião, o gde problema da Humanidade foi ter se esquecido disto. Parece natural, depois de ter bebido a vida inteira, que se culpe o Fígado, por ele estar rateando? Sei que parece estranho, ou mesmo herege como disse a Lu; mas pra mim não existe este Deus- Humano; que cria, descria, ajuda, destrói, culpa ou seilámaisque.

    Existe um gde organismo, q, inclusive não compreende só a Terra e os humanos. – Sabe, Sem, eu sinto que é tão difícel sair desta mentalidade esquisita de um Ser-Superior que possa mandar em mim, estabelecer princípios que justifiquem tudo principalmente a humana incapacidade, que ninguém sai do mesmo lugar. É um cacoete, tão… sem-cura isto. Ó Deus! Ou vc me ajuda ou é um tirano FDP. – ou pior: Ah…eu que não mereço, taí a explicação…- sou um ser desprezível e pior: pecador, blábláblá e tal…

    Não sei, não é assim que consigo me movimentar. – Só não …. “vou por aí!”….

    Sabe como eu sinto isto: – como se eu começasse a socar meu corpo todo, ou algum lugar específico, qdo estivesse com gripe, ou qq outra coisa. Sem lembrar dos meus anticorpos… ou estimulá-los naturalmente.

    È assim q eu enxergo a humanidade fazendo: se socando toda: ou socando por inteiro ou ….algum lugar específico: eventualmente: aqui ou ali . E a Natureza, incluindo os homens , cada vez mais criando anti-corpos contra as agressões que tem sofrido. E cadê o Sr Deus? Pq todo mundo continua olhando pra cima esperando que ele faça alguma coisa? O q esperam? Que ele desça, num carro todo brilhante, dê uma carona pras criancinhas e encha os adultos de porrada? Parece infantil, não é? Mas, é exatamente isto que nossa fé deveria esperar do Deus. Ou algum tipo de papainoel; são 2 mitos mto parecidos.

    O erro é nosso mesmo. Inclusive por fazer esta confusão toda em torno do inatingível culpando-o pela nossa falta de responsabilidade com o atingível.

    Talvez eu esteja errada, claro, mas me enternece muito mais ou me aproxima muito mais do Amor, atualmente, qdo vejo algum ser-humano feliz. Humanamente feliz. Simplesmente feliz. Satisfeito com sua [ fascinante] humanidade, Reconhecendo-a. Parece ironia, …mas é isto o que se tornou Raro.

    – 2 observações de Campbell que me soam muito bem:

    Certa vez eu assisti à conferência de um maravilhoso, velho filósofo zen, Dr. D. T. Suzuki. Ele parou em pé, com as mãos …lentamente… roçando as faces, e disse: “Deus contra homem. Homem contra Deus. Homem contra natureza. Natureza contra homem. Natureza contra Deus. Deus contra natureza – que religião estranha”.

    (…)

    Um dos problemas com Jeová, como se dizia nos velhos textos gnóstico-cristãos, é que ele se esqueceu de que era uma metáfora.

    [ … eu acho que quem esqueceu fomos nós; e com isto, encontramos uma excelente desculpa pra deixar tudo e qualquer coisa na responsabilidade dele ou de qualquer outro tipo de… governo – e justifica a preguiça de não ousar procurar novos paradigmas, urgentes…]

    Mas isto é só e mais ou menos a opinião que consegui formar até agora.

    E, – Como vc define a alma?

    Bjs

  17. fynealhns said

    Sem,

    Vc já leu o Evangelho…. de Saramago?

    Bjs

  18. fynealhns said

    tudo resumido, significa que não existe real interesse em educar no país, nem da parte do governo que não investe pesado, nem da população que não faz pressão para que se invista pesado em educação.

    – Claríssimo que não!

    Assino tudo o que vc falou!

    Bjs

  19. Elielson said

    Oi 🙂

    Não se trata de educação politica.

    Lembrem-se que foi o militarismo quem instituiu a moral e civica.

    Mais que legislativo e judiciário, é o executivo que tem de deixar seu papel de cão, que ataca por mandados.

    Bem, sem panfletagem aqui no Anoitan.

    pillars_(arroba).hotmail.com

    Sem, muito bom saber de sua posição de confiança.
    É apenas isso o necessário pra mudança.

    Eu não to lembrado de ter visto seu e -mail por aqui.
    Mas se puder coloca aí, que eu explico melhor o preparo e formulação dessa iniciativa.

    Valeu.

    Pra que Feliz dia das Mães, se só as Mães são felizes… rsrsr

  20. Sem said

    Fy,

    >>Vc já leu o Evangelho…. de Saramago?

    Não. Nunca li nenhum romance do saramago até hoje, infelizmente, só pequenos contos.

    >>O que eu acho mesmo incrivel é que vc escreve e é verdadeira; o que torna qualquer assunto atraente; porque existe emoção, paisagens, movimento, cores em suas opiniões e argumentos. Até os tobogãs… são atraentes. Adoro montanha-russa!

    Será verdade? Fico envaidecida e saiba que o prazer que vc sente em mim é real. Não bem de escrever, mas de estar aqui com vcs. E tá certo que tenho uma personalidade meio dramática, ou que gosto de um bom drama, mais do que de tobogã, mas acho que o colorido que vc vê são os seus olhos. 🙂

    >>E, – Como vc define a alma?

    Até bem pouco tempo eu tinha uma visão mais fantasiosa de alma e o Hillman é que tem me ajudado a entender o que é e conceituar melhor o que seja alma. Mas, valendo-me do próprio Hillman, uma frase sua do seu O Mito da Análise, e que achei tão fantástica e grifei em vermelho, quando ele fala a respeito do inconsciente, que é outra coisa distinta do que a psicologia conceitua, já que conceito não é a coisa em si. Do inconsciente ele diz: “O inconsciente é um conceito, não uma metáfora, mesmo se o que represente é realmente o metafórico e a fonte das metáforas.”

    Da alma eu posso dizer algo mais que um conceito, eu posso contar o que eu vi. Sim, a alma existe, é realidade, eu vi. Primeira vez que estou contando isso em público, foi a primeira experiência de imaginação ativa que eu tive e foi espontânea. Faz tempo, precisamente deve ter sido há uns 25 anos atrás, eu fazia análise então e lia desesperadamente Freud. Meu interesse em psicologia sempre foi Freud, só recentemente é que mudou para Jung. Foi meu analista que disse que Jung é que tinha a teoria para explicar o que tinha acontecido comigo e só depois é que vim saber o que era imaginação ativa. Bom, século passado, literalmente, estava sozinha no meu quarto à noite e pensava em tudo o que estava acontecendo comigo, fruto do meu passado, complicado ou não, e resolvi perguntar pro meu inconsciente mais amigo o que eu precisa fazer pra ter um futuro diferente, quem eu era. Estava completamente imbuída de saber a verdade e de repente me vi fantasiando um lugar, uma caverna, mas uma fantasia esquisita, diferente, como se eu tivesse subido um patamar acima da realidade e não fosse mais “eu” no comando das imagens e das coisas que se sucediam espontaneamente. Não era portanto uma fantasia de ego ou mero divagar, era algo mais sério e incontrolável, não consigo explicar direito o que era. Não tive medo, ao contrário, sentia uma certa paz de não ser racional de todo e entrei na caverna. Não era um lugar ruim, também não bom, era indiferente, não era colorido, não era quente nem frio, e eu estava muito consciente de tudo, do meu corpo e do lugar, eu era um pouco tudo em volta e, caminhando, pouco mais adiante, senti à esquerda alguém respirando, alguém que estava atrás da parede. Senti pena, porque a pessoa devia estar presa ali, sei lá a quanto tempo. Comecei a tirar pedra por pedra, abri um pequeno buraco e percebi que a pessoa que respirava era uma criança muito pequena e estava faminta, completamente sozinha há não sei quanto tempo. Falei com ela do modo mais brando possível, estendi-lhe a mão (eu não conseguia passar pelo buraco ainda, mas ela já poderia sair), mas ela estava com medo e se escondeu no canto mais escuro e longe do alcamce da minha mão. Era uma menina. Abri mais o buraco, o suficiente pra me agachar e alcançar a menina, estendi-lhe a mão outra vez e falei com ela, ela comeu a minha mão! estendi-lhe a outra mão, ela comeu a outra mão também e depois me devorou inteira. Me vi fora da fantasia e frustrada, eu sabia que devia voltar e que precisava resgatar a menina, fazer alguma coisa, ou não o quê. E eu fui, e ainda bem que consegui voltar, naquela espécie de transe sem ser transe, consciência sem ser consciência. Fui direto ao lugar e falei com ela, expliquei que se ela me devorasse outra vez, bem, eu era ela e ela ficaria ali para sempre presa e estaria sempre sozinha e com fome, que ela precisa sair daquele buraco e que eu podia lhe mostrar a saída e que existia um mundo inteiro fora dali. Estendi-lhe a mão outra vez, ela comeu ainda mais uma vez a minha mão, mas sem aquela convicção de antes. Eu acho que olhei pra ela com um misto de surpresa e tristeza e finalmente ela me devolveu o olhar, de alguém inteligente e que fala sem palavras, devolveu a minha mão, quase pedindo desculpas. Nós saimos dali de mãos dadas, eu sabia que ela era a coisa mais preciosa do mundo. Não sei se ela estava vestida, não existia vergonha, ou se ela era bonita, ela era simplesmente uma criança preciosa e bonita por dentro, ingênua, mas sem ser de fato. Eu queria levar ela pra fora, pra ver o sol e dar alguma coisa para ela comer, mas ela me puxou pra dentro da gruta, eu entendi que ela não queria ou não podia sair, e eu segui com ela para o fundo da caverna, agora com ela claramente no comando. Ela estava muito feliz e isso irradiava e me contagiava e me deixava em paz também. Assim fomos dar num salão, desses que existem em cavernas profundas, e de repente ela me deu a outra mão e começamos a brincar de roda, por pura alegria. Ela começou a se desdobrar em outras e eu também, e de repente tinham dezenas de nós brincando de roda no meio do salão de uma caverna escura embaixo da terra e não sei como explicar como isso era certo e divertido. Eu vi meu irmão na roda de repente, e ele era muitos também, e uma amiga (que foi a que me indicou o analista e com quem trocava bastante confidências na época). A coisa toda estava começando a beirar o delírio incontroláve e de repente eu percebi meu analista na roda e tudo parou, parou a brincadeira e a fantasia e voltei ao mundo normal. Nunca mais eu vi essa menininha que eu sei que é minha alma. Não vi, mas já a senti em outras oportunidades, e ela não é só uma criança indefesa, ela pode ser várias outras coisas também.

  21. Sem said

    Elielson, viu que eu escrevi procê, meu querido? vê lá que vai achar meu email. 🙂

    Nossa, como a mãe do Cazuza foi feliz, né? e a foto de Maria mãe de Jesus no começo desse tópico, é a imagem da felicidade. :p

  22. fynealhns said

    Sem,

    Fascinante .

    Claro q eu sei q foi uma experiência real. Carregada de simbolismos e interpretações.

    A narrativa desta sua experiência me lembra uma interpretação psicológica que li, e que tinha como base a Alice do Carrol. Temos um desenho atualmente, do qual tb li uma crítica e até pensei em fazer um post: Coraline – que tb se direciona a este tipo de experiência q vc teve. Sob outros enfoques, claro; mas tão fascinantes qto.

    Outra coisa que me lembrei, vc por acaso já leu alguma coisa sobre Projeção Astral? – Waldo Vieira: here in Br – ou as experiências sobre Existência Multidimensional: sobre atravessar outras dimensões da consciência; contadas pela psicóloga Silvia Malamud ?

    Mais: – um ensaio muiiiiiito interessante:

    “What is an Insider?

    An Insider is to the body what memory is to consciousness: a kind of residue, something that is left behind. It is a core rather than a skeleton. It is a way of allowing things that are internal to the body – attitudes and emotions embedded in posture or hidden by gesture – to become revealed. They are equally alien and intimate.

    The idea is that the pieces carry in concentrated form the trace of the body and its passage through life. This has a direct relationship to pain. I see these reduced forms as antennae for a particular kind of resilience that exists within all of us, that allows us to bear suffering but is itself created through painful experience. There is no judgement about this. Their bareness is not the nakedness that reveals the flesh, it is the result of having had the flesh taken away, a loss which is not sentimentalised, but accepted. The Insider tries to up the ante between being and nothingness.

    This process of objective mathematical reduction leads to a particular form of abstraction, a found object never revealed before and certainly not invented. It’s a body that lies within all of us. In “Intimate Relations”, the three female forms test the universality of the Insider across sex and the body of the “other” and are joined by the Insider of a baby boy at that stage in his development when he is just able to stand. He looks up to us to be recognised in an arena constituted by the archetypes of mother, sister and lover.

    The Insider suggests also that the most intimate is the most strange, that inside each of us is a self that we would maybe rather not recognise and constitutes a kind of third man, the Insider as alien witness.
    Antony Gormley

    Texto complete aqui:

    http://www.iairp.com/view_project.php?pageID=15&articleID=30

    Bjs

  23. Elielson said

    Acho que a felicidade de Mãe tem muito a ver com a sensibilidade que está presente nela, talvez pela trupulência da carne pela carne.

    Não sei se isso faz sentido Sem, mas é como se muitos estivessem calejados. E assim como eu distanciam a felicidade, as vezes confundindo-a com o extase momentaneo, do entorpecimento entusiasmado de uma esperança incerta.

    Mandei um e-mail pra vc Sem. 🙂

  24. Elielson said

    Sem,

    Quanto a sua experiência, acho lindo compartilhá-la.

    Obrigado.

  25. adriret said

    Sem,

    Muito bonita a sua experiencia de ALMA, bacana vc dizer pra nos, obrigado!

    Adorei.

    bjs
    adi

  26. fynealhns said

    Elielson

    Não se trata de educação politica….
    > Elielson

    Discordo disto, Elielson.

    Aliás, é conveniente que o povo não tenha educação política. – …ou nenhuma, a não ser alguma coisa básica que seja útil e indispensável pra que ele “renda” – E, é, na minha opinião, entre outras coisas o que mais nos tem feito falta.

    Tb já fui apolítica. Detestava este assunto. E aí… como tentar elaborar conclusões; formatar opiniões…. criar idéias, sem conhecer nada? Ou deixando o assunto de lado? Ou novamente encontrando uma forma de justificar o mal do mundo? Política é um termo que tem significado; Má Política também, o mesmo ocorrendo com Boa Política.

    E a Filosofia? A História…. O que somos e o que estamos vivendo: resultado de políticas… – boas, más, e com certeza, nossa indiferença em relação a elas; – esta indiferença sobre o que nos atinge efetivamente é que cria esta sensação de impotência.

    Existem vários conceitos aos quais nos rendemos: sem pensar – por puro comodismo, – sem dizer que nossos pensamentos ou raciocínio muitas vezes nos incomoda; porque nos obrigaria, em respeito a uma mínima lógica interna, a desvirtuar: sair do lugar-comum; reagir, – e isto vai um pouco além do sedeixarlevar: que é o cada vez mais abrangente human’s wayoflife.

    Vamos atacar de Hillman: – genial p/ qualquer assunto:

    “A luta, agora e sempre, é com a autonomia das idéias, sua capacidade de invadir a mente humana, apreendê-la e moldá-la, transformando suas estruturas em ideologias.

    Será que conhecemos realmente o que invadiu nossa mente [ SERÁ?] – essas idéias, como móveis que ficam postados silenciosamente no mesmo lugar durante décadas, determinando cada movimento que fazemos nos hábitos interiores de nossos pensamentos e ações?

    Se não “conhecemos” as idéias que temos, são elas que nos têm.”

    —————————–

    O Analfabeto Político –
    Bertold Brecht

    O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo da vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

    O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

    Bjs

  27. Elielson said

    Fy,

    O analfabetismo politico é conveniente a politica atual.
    Mas a politica É analfabeta.

    As informações colhidas por um destes miseráveis que compoem o descaso mundial, não são informações para mediar a situação, são egoistas. Pra q poder?
    Pra defender sua própria sobrevivência, e só.
    Mas tem quem aja nos conformes da possibilidade de bem que a politica diz ter.
    E tem quem aja julgando que está acima do outro ser humano, julgando ter sabedoria para dividir por todos e apontando para as coisas que o mantem na condição de sabio, como inimigas.
    Isso ludibria.

    Veja,

    Posso dizer que sou um ignorante, ou julgar-me sábio.
    Mas se o dito sábio opta pela soberania, ele precisará do ignorante, mais do que o ignorante precisa dele.
    Pois a imposição de idéia não é possivel sem a ignorância de ambos os lados.
    A unica coisa que se impõe é a ignorância.
    Se a politica nasce de imposição, ela nunca será fruto de outra coisa.
    Hoje, um ignorante, bota dois ignorantes para se dizerem sabios, e estes botam três ignorantes como ignorantes, e estes botam quatro ignorantes como sábios, e estes botam cinco ignorantes como ignorantes.
    Já dizia o motorista do onibus que eu sempre pego: o esperto é muito burro.

    Mas por enquanto a gente busca.
    Através da politica.

  28. Fy said

    Elielson,

    O analfabetismo politico é conveniente a politica atual.
    Mas a politica É analfabeta.

    Mais:

    O analfabetismo político sempre foi conveniente à qualquer política.

    E a má-política, que de analfabeta – …”geralmente”…- não tem nada, é diplomada na Facul Espertosoueu.

    Concordo, sim, com vc.

    Bjs

  29. julia said

    julia para eliane te amo

  30. Quantas blasfêmias, MEU DEUS! Quantos ignorantes vomitando suas “opiniões sagradas”!!!! Mais DOUTRINA e menos PALPITES, senhores! Jesus nasceu de MARIA VIRGEM por obra do ESPÍRITO SANTO. Não nasceu de José. Se fosse… não seria DEUS e FILHO DE DEUS. Peguem o catecismo e estudem, raças de víboras, sepulcros caiados! E parem de ofender a Deus todo santo dia, em palavras (como aqui), pensamentos e obras. Vcs serão vomitados no DIA DO JUIZO!

  31. Sena Evangelista said

    Giulia, em poucas palavras você resumiu a lição que os caros irmãos precisam. É lamentável a ignorância sustentada pela arrogância dos irmãos. Nós que temos a graça de reconhecer a infinita misericórdia divina devemos interceder para que saiam das trevas. Muitos serão salvos pela ignorância, mas (Deus me perdoe!) não esta “ignorância”…. O catecismo da Igreja Católica está à disposição de todos! Que Deus abençoe a todos. Paz e Bem!

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