Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Da Modernidade Líquida de Bauman à Sólida de René Guénon

Posted by Sem em abril 19, 2014

Um texto da maior importância, da maior importância…

 

Retirado do blog Projeto Phronesis, que por sua vez cita a fonte http://www.reneguenon.net/GUENONtextos/IRGETGuenonCaimAbel.html

 

Partilho – com ênfase – porque considero esse texto de René Guénon uma das peças fundamentais para elucidar ao quebra-cabeça que vimos montando: dos símbolos que fazem mover ao homem, movendo a humanidade desde os primórdios, das primeiras civilizações até a modernidade.

Sim, pois, compreendendo aos símbolos podemos compreender não apenas ao nosso passado e as razões do nosso presente, mas, projetar ao futuro…

De quebra, o texto de Guénon também nos dá uma aula extra sobre alquimia, revelando uma das chaves para a passagem dos sólidos aos líquidos, ou vice-versa…

Um texto elucidativo, filosoficamente falando, pós-moderno e antigo, se assim posso me expressar… Nada a acrescentar ou discordar do pensamento do autor. Gostaria apenas de deixar meu registro de que tanto “Caim” quanto “Abel” são filhos de Deus, e que todas as formas e estados da matéria – “sólidos”, “líquidos” – são possíveis, e, de fato, existem na Natureza…

Vivemos num tempo em que o nosso maior desafio não é tomar mais o partido de um dos lados, instando a cada um fazer suas “escolhas”. Pois não nos convêm mais – como projeto de futuro – eternizar a crucificação de Cristo, formulando como saída de cada crise que enfrentemos, outros e novos bodes expiatórios, execrando continuamente na figura do “estrangeiro”, do “inimigo”, do “herege” – e de tantos “outros” que fazem o nosso “próximo” se tornar “distante”, essa figura fictícia que carrega para longe de nossas vistas a nossa própria incapacidade de reconhecer em nós mesmos a origem de nossas dificuldades. Não nos serve mais essa saída – se pretendemos um projeto mais elevado para a humanidade, pois, na prática, a solução do bode expiatório torna não apenas a realidade do outro impossível, mas a nossa existência menor, em verdade, um inferno de vigilância e medo para todos os lados. O desafio da nova etapa da humanidade é como tornar possível a convivência – senão pacífica – sem prejuízo para nenhuma das partes.  Isso, ou, o quê? Arriscar a extinção da espécie humana por declínio moral?

O desafio moderno é complexo, ético e moral. Como talvez tenha sido sempre o nunca cumprido destino da humanidade. O caso é que na contemporaneidade temos esse problema dos “números” alargado a potências nunca antes vistas, e a relação vertiginosa entre eles – a tal da rede distribuída de Paul Baran – alcançando uma complexidade nunca antes alcançada. Ou pelo menos nunca estivemos massivamente conscientes destas relações… Para o filósofo e o agnóstico o desafio é como tornar a sociedade humana mais justa, onde seja real e não simplesmente utópico o exercício pleno dos Direitos Humanos; para o gnóstico e o religioso o desafio é, desde sempre, como fazer da convivência dos contrários o paraíso que nunca houve na Terra…

 

René Guénon – Cap XXI de “O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos”

 

A “solidificação” do mundo tem ainda, na ordem humana e social, outras conseqüências de que não falamos até agora: a este respeito, ela cria um estado de coisas no qual tudo está contado, registrado e regulamentado, o que, no fundo, não é mais do que outro gênero de “mecanização”; nada é mais fácil do que constatar por todo o lado, na nossa época, fatos sintomáticos tais como, por exemplo, a mania dos recenseamentos (que se liga, aliás, diretamente à importância atribuída às estatísticas) (1), e igualmente, a multiplicação incessante das intervenções administrativas em todas as circunstâncias da vida, intervenções que devem ter como efeito certamente assegurar uma uniformidade tão completa quanto possível entre os indivíduos, tanto mais que, de certo modo, é “princípio” de qualquer administração moderna tratar esses indivíduos como simples unidades numéricas todas semelhantes entre si, isto é, agir como se, por hipótese, a uniformidade “ideal” estivesse já realizada, obrigando deste modo todos os homens a ajustarem-se, se assim de pode dizer, a uma mesma medida “média”. Por outro lado, esta regulamentação cada vez mais excessiva tem uma conseqüência bastante paradoxal: é que, quanto mais se glorifica a rapidez e a facilidade crescentes da comunicação entre os países mesmo os mais afastados, graças às invenções da indústria moderna, põem-se ao mesmo tempo todos os entraves possíveis à liberdade dessa comunicação, de tal modo que é muitas vezes praticamente impossível passar de um país para outro, ou pelo menos, tornou-se mais difícil do que nos tempos em que não havia nenhum meio mecânico de transporte. É mais um aspecto particular da “solidificação”: num mundo assim, já não há lugar para os povos nômades que até agora têm subsistido em condições diversas, porque cada vez menos encontram espaço livre diante de si. Aliás, todos se esforçam por todos os meios para os levar à vida sedentária (2), de modo que, também sob este aspecto, não parece longe o momento em que “a roda deixará de andar”; além disso, nesta vida sedentária, as cidades, que representam, de certo modo, o último grau da “fixação”, tomam uma preponderância importante e tendem cada vez mais a absorver tudo (3); e é assim que, perto do final do ciclo, Caim acabara realmente por matar Abel.

Com efeito, no simbolismo bíblico, Caim é representado como agricultor e Abel como pastor. São assim tipos das duas espécies de povos que existiram desde as origens da presente humanidade, ou pelo menos, desde que se produziu nela uma primeira diferenciação: os sedentários, ligados à cultura da terra, os nômades, à criação de gado (4). Estas são, é preciso insistir, as ocupações essenciais e primordiais destes dois tipos humanos; o resto é acidental, derivado ou acrescentado, e falar de povos caçadores ou pescadores, por exemplo, como fazem comummente os etnólogos modernos, ou é tomar o acidental pelo essencial, ou referir unicamente casos mais ou menos tardios de anomalia e de degenerescência, como se pode encontrar realmente em certos povos selvagens (e os povos essencialmente comerciantes ou industriais do Ocidente moderno não são, aliás, menos anormais, embora de outro modo) (5). Cada uma destas duas categorias tinha naturalmente a sua lei tradicional própria, diferente da outra, e adaptada ao seu gênero de vida e à natureza das suas ocupações; esta diferença manifestava-se nomeadamente nos ritos sacrificiais, e dai a menção especial que é feita das oferendas vegetais de Caim e das oferendas animais de Abel, no texto do Gênesis (6). Já que fazemos aqui uma referência particular ao simbolismo bíblico, é bom notar já, a este propósito, que a Thora hebraica se liga propriamente ao tipo da lei dos povos nômades: daí a maneira como é apresentada a história de Caim e de Abel, que, do ponto de vista dos povos sedentários, apareceria sob outra luz e seria susceptível de outra interpretação; mas, claro, os aspectos correspondentes a estes dois pontos de vista estão incluídos um e outro no seu sentido profundo, e não são, na realidade, mais do que uma aplicação do duplo sentido dos símbolos, aplicação à qual só fizemos uma alusão parcial a propósito da «solidificação», já que esta questão, como se verá melhor a seguir, está estreitamente ligada ao simbolismo do assassínio de Abel por Caim. Do caráter especial da tradição hebraica vem também a reprovação que se faz a certas artes ou a certos ofícios que estão ligados propriamente aos sedentários, e nomeadamente a tudo o que diz respeito à construção de habitações fixas; pelo menos foi assim até à época em que precisamente Israel deixou de ser nômade, durante alguns séculos, isto é, até ao tempo de David e de Salomão, e sabe-se que, para construir o Templo de Jerusalém, foi preciso chamar operários estrangeiros (7).

São naturalmente os povos agricultores que, pelo fato de serem sedentários, acabam, mais cedo ou mais tarde por construir cidades; e, de fato, diz-se que a primeira cidade foi fundada pelo próprio Caim; esta fundação só teve lugar, aliás, muito depois de se terem referido as suas ocupações agrícolas, o que mostra bem que há como que duas fases sucessivas no “sedentarismo”, em que a segunda representa, em relação à primeira, um grau mais acentuado de fixação e de “concentração” espacial. De modo geral, as obras dos povos sedentários são, por assim dizer, obras do tempo; fixados no espaço e num domínio estritamente delimitado, desenvolvem a sua atividade numa continuidade temporal que lhes aparece como indefinida. Pelo contrário, os povos nômades e pastores não edificam nada que perdure, e não trabalham com vista a um futuro que lhes escapa; mas vão adiante de si próprios no espaço, que não lhes opõe nenhuma limitação, mas, pelo contrário, lhes abre constantemente novas possibilidades. Encontra-se assim a correspondência dos princípios cósmicos aos quais se liga, numa outra ordem, o simbolismo de Caim e de Abel: o princípio da compressão, representado pelo tempo e o princípio da expansão, pelo espaço (8). A bem dizer, ambos estes princípios se manifestam simultaneamente no tempo e no espaço, como em todas as coisas, e é necessário anotar isto para evitar identificações ou assimilações demasiado “simplificadas”, bem como para resolver por vezes certas oposições aparentes; mas não é menos certo que a ação do primeiro predomina na condição temporal, e a do segundo na condição espacial. Ora o tempo gasta o espaço, se assim se pode dizer, afirmando desse modo o seu papel de «devorador»; igualmente, ao longo dos tempos, os sedentários absorvem pouco a pouco os nômades: é esse, como dizíamos mais atrás, o sentido social e histórico do assassínio de Abel por Caim.

A atividade dos nômades exerce-se especialmente no reino animal, móvel como eles; a dos sedentários, pelo contrário, tem como objeto direto os dois reinos fixos, o vegetal e o mineral (9). Por outro lado, pela força das coisas, os sedentários chegam a constituir símbolos visuais, imagens feitas de diversas substâncias, mas que, do ponto de vista do significado essencial, se reduzem sempre mais ou menos diretamente ao esquematismo geométrico, origem e base de todas as formações espaciais. Os nômades, pelo contrário, para quem as imagens estão proibidas como tudo o que tenda a fixá-los num determinado lugar, têm símbolos sonoros, os únicos compatíveis com o seu estado de contínua migração(10). Mas há uma coisa notável que é o fato de, entre as faculdades sensíveis, a vista estar em ligação direta com o espaço, e o ouvido, com o tempo: os elementos do símbolo visual exprimem-se em simultaneidade, os do símbolo sonoro, em sucessão; opera-se, pois, nesta ordem uma espécie de inversão das relações que vimos atrás, inversão que é, aliás, necessária para estabelecer um certo equilíbrio entre os dois princípios contrários de que falamos, e para manter as suas ações respectivas nos limites compatíveis com a existência humana normal. Assim, os sedentários criam as artes plásticas (arquitetura, escultura, pintura), isto é, as artes das formas que se desenvolvem no espaço; os nômades criam as artes fonéticas (música, poesia), isto é, as artes das formas que se desenvolvem no tempo; porque, digamo-lo de novo, qualquer arte é, na sua origem, simbólica e ritual, e só por uma degenerescência ulterior, muito recente, aliás, é que perde esse caráter sagrado para se tornar finalmente o “jogo” puramente profano, ao qual está reduzida entre os nossos contemporâneos (11).

Eis onde se manifesta o complementarismo das condições de existência: os que trabalham para o tempo estão estabilizados no espaço; os que erram no espaço, modificam-se sem cessar com o tempo. E vejamos onde aparece a antinomia do “sentido inverso”: aqueles que vivem segundo o tempo, elemento mutável e destruidor, fixam-se e conservam-se; aqueles que vivem segundo o espaço, elemento fixo e permanente, dispersam-se e mudam-se sem cessar. É preciso que seja assim para que a existência de uns e de outros se torne possível, pelo equilíbrio, pelo menos relativo, que se estabelece entre os termos representativos das duas tendências contrárias; se só uma ou outra destas duas tendências compressiva e expansiva estivesse em ação, o fim viria rapidamente, quer por “cristalização”, quer por “volatilização”, se nos é permitido empregar a este respeito as expressões simbólicas que devem evocar a “coagulação” e a “solução” alquímicas, e que correspondem, aliás, efetivamente, no mundo atual, a duas fases de que ainda iremos elucidar mais à frente o respectivo significado (12). Com efeito, é este um domínio onde se afirmam com particular nitidez todas as conseqüências das dualidades cósmicas, imagens ou reflexos mais ou menos longínquos da primeira dualidade, a mesma da essência e da substância, do Céu e da Terra, de Purusha e de Prakriti, que gera e rege toda a manifestação.

Mas, voltando ao simbolismo bíblico, o sacrifício animal é fatal a Abel (13), e a oferenda vegetal de Caim não é aceito (14); aquele que é abençoado, morre, aquele que vive é amaldiçoado. Rompe-se o equilíbrio, de uma parte e de outra; como restabelecê-lo senão através de trocas, de tal modo que cada uma tenha a sua parte das produções da outra? É assim que o movimento associa o tempo e o espaço, e de certo modo, é a resultante da sua combinação e concilia neles as duas tendências opostas de que falamos atrás (15); o movimento não é em si próprio mais do que uma série de desequilíbrios, mas a soma destes constitui o equilíbrio relativo compatível com a lei da manifestação ou do “devir”, isto é, com a própria existência contingente. Qualquer troca entre os seres submetidos às condições temporal e espacial é um movimento, em suma, ou antes, um conjunto de dois movimentos inversos e recíprocos, que se harmonizam e se compensam um ao outro; aqui, o equilíbrio realiza-se, pois, diretamente pelo fato mesmo desta compensação (16). O movimento alternativo das trocas pode, aliás, exercer-se nos três domínios espiritual (ou intelectual puro), psíquico e corporal, em correspondência com os “três mundos”: troca dos princípios, dos símbolos e das oferendas, tal é, na verdadeira história tradicional da humanidade terrestre, a tripla base sobre a qual assenta o mistério dos pactos, das alianças e das bênçãos, isto é, no fundo, a própria repartição das “influências espirituais” em ação no nosso mundo; mas não podemos insistir mais nestas últimas considerações, que se ligam evidentemente a um estado normal do qual estamos muito afastados sob todos os aspectos, e dos quais o mundo moderno não é mais do que negação pura e simples (17).

 

* * *

 

Notas:

1. Muito haveria a dizer sobre as proibições formuladas em certas tradições contra os recenseamentos, salvo em alguns casos excepcionais; se disséssemos que estas operações e todas aquelas daquilo a que chamamos o «estado civil» têm, entre outros inconvenientes, o de contribuir para encurtar a duração da vida humana (o que, aliás, está conforme com a própria marcha do ciclo, sobretudo nos últimos períodos), ninguém acreditaria; e, no entanto, em certos países, os camponeses mais ignorantes sabem bastante bem, como fato de experiência corrente, que se se contarem muitas vezes os animais, morrem muitos mais do que se não o fizerem. É claro, evidentemente, que aos olhos dos modernos que se dizem «esclarecidos», isto não passa de uma «superstição»!

2. Citemos, como exemplos particularmente significativos, os projetos «sionistas», no que diz respeito aos Judeus e também as tentativas recentes para fixar os Ciganos em certas regiões da Europa ocidental.

3. É preciso lembrar a este respeito que a própria «Jerusalém celeste» é simbolicamente uma «cidade»,
o que mostra, mais uma vez, como dizíamos atrás, que se pode verificar um duplo sentido da «solidificação».

4. Poderíamos acrescentar que, sendo Caim designado como mais velho, a agricultura parece que teve
uma certa anterioridade, e, de fato, o próprio Adão, antes da «queda», é representado como tendo a função de «cultivar o jardim», o que, aliás, não se refere propriamente à predominância do simbolismo vegetal na figuração do início do ciclo (daí uma «agricultura» simbólica e até iniciática, a mesma que, entre os Latinos, se dizia que Saturno tinha ensinado aos homens da «idade de ouro»); mas, seja como for, só temos que ter em conta aqui o estado simbolizado pela oposição (que é ao mesmo tempo um complementarismo) de Caim e de Abel, isto é, aquele em que a distinção dos povos em agricultores e pastores é já um fato consumado.

5. As denominações de Iran e de Turan que se quis já atribuir a designações de raças, representam na reali¬dade respectivamente os povos sedentários e os povos nômades; Iran ou Airyana vem da palavra arya (de onde deriva ârya por extensão), que significa «lavrador» (derivado da raiz ar, que se encontra também no latim arare, arator, e também arvum «campo»); e o emprego da palavra ârya como designação honorífica (para as castas superiores) é, por conseguinte, característica da tradição dos povos agricultores.

6. Sobre a importância muito particular do sacrifício e dos ritos que a eles se ligam, nas diferentes formas tradicionais, ver Frithjof Schuon, Du Sacrifice, na revista Études Traditionnelles, Abril de 1938, e A. K. Coomaraswamy, Atmayajna Self-sacrifice, no Harvard Journal ofAsiatic Studies, Fevereiro de 1942.

7. A fixação do povo hebreu dependia, essencialmente, aliás, da própria existência do Templo de Jerusalém: assim que este foi destruído, o nomadismo reapareceu sob a forma especial da «dispersão».

8. Sobre este significado cosmológico devem ver-se especialmente os trabalhos de Fabre d’Olivet.

9. A utilização dos elementos minerais compreende especialmente a construção e a mineralogia: voltaremos a esta última, cujo simbolismo bíblico a faz remontar a Tubalcaim, isto é, a um descendente de Caim, cujo nome se encontra na formação do seu próprio, o que indica que existe entre eles uma ligação direta particularmente estreita.

10. A distinção destas duas categorias fundamentais de símbolos é, na tradição hindu, a do yantra, símbolo figurado, e do mantra, símbolo sonoro; ela arrasta naturalmente uma distinção correspondente nos ritos onde estes elementos simbólicos são empregues respectivamente, embora não haja sempre uma separação tão nítida como a que se pode encarar teoricamente, já que todas as combinações em proporções diversas são possíveis aqui.

11. Seria desnecessário notar que, em todas as considerações expostas aqui, se vê aparecer nitidamente o caráter correlativo, e de certo modo simétrico, das duas condições espacial e temporal, consideradas no seu aspecto qualitativo.

12. É por isso que o nomadismo, sob o seu aspecto «maléfico» e desviado, exerce facilmente uma ação «dissolvente» sobre tudo aquilo com que entra em contado; por seu lado, o sedentarismo, sob o mesmo aspecto, só pode levar às formas mais grosseiras de um materialismo sem saída.

13. Como Abel derramou o sangue dos animais, o seu sangue é derramado por Caim; há como que a expressão de uma «lei de compensação», em virtude da qual os desequilíbrios parciais, que é no que consiste fundamentalmente toda a manifestação, se integram no equilíbrio total.

14. Importa notar que a Bíblia hebraica admite, no entanto, a validade do sacrifício não sangrento considerado em si mesmo: é o caso do sacrifício de Melquitsedec, que consiste na oferenda essencialmente vegetal do pão e do vinho; mas isto liga-se em realidade ao ritual do Soma védico e à perpetuação direta da «tradição primordial», para além da forma especializada da tradição hebraica e «abraâmica», e até, muito mais longe ainda, para além da distinção da lei dos povos sedentários e da dos povos nômades; há ainda uma reminiscência da associação do simbolismo vegetal com o «Paraíso terrestre», isto é, com o «estado primordial» da nossa humanidade.A aceitação do sacrifício de Abel e a rejeição do de Caim é representada muitas vezes sob uma forma simbólica bastante curiosa; o fumo do primeiro eleva-se verticalmente para o céu, enquanto que o do segundo se espalha horizontalmente à superfície da terra; deste modo traçam respectivamente a altura e a base de um triângulo que representa o domínio da manifestação humana.

15. Estas duas tendências manifestam-se ainda, aliás, no próprio movimento, sob as formas respectivas do movimento centrípeto e do movimento centrífugo.

16. Equilíbrio, harmonia, justiça, não são mais do que três formas ou três aspectos de uma e mesma coisa; aliás, em certo sentido, poder-se-ia fazê-las corresponder respectivamente aos três domínios que mencionamos a seguir, com a condição, claro, de restringir aqui a justiça ao seu sentido mais imediato, cuja simples «honestidade» nas transações comerciais representa, nos modernos, a expressão diminuída e degenerada pela redução de todas as coisas ao ponto de vista profano e à estreita banalidade da «vida vulgar».

17. A intervenção da autoridade espiritual no que diz respeito à moeda, nas civilizações tradicionais, liga-se imediatamente àquilo que acabamos de dizer; com efeito, a moeda em si é de certo modo a própria representação da troca, e podemos compreender por esse fato, de modo mais preciso, qual era o papel efetivo dos símbolos que trazia gravados e que circulavam com ela, dando a essa troca um significado completamente diferente da simples «materialidade», que é tudo o que resta nas condições profanas que regem, no mundo moderno, as relações dos povos bem como as dos indivíduos.

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9 Respostas to “Da Modernidade Líquida de Bauman à Sólida de René Guénon”

  1. adi said

    Boa tarde Sem,

    Muito pertinente seu post, lindo o texto de René Guénon, aliás muito significativo neste feriado de páscoa, onde a grande maioria passa longe do significado simbólico, pois, ou tomam o símbolo por real ou ainda acreditam no coelhinho da páscoa. 🙂

    O texto em questão, o de Guénon, essa análise do mito antiquíssimo, de Caim e Abel, me remeteu a tantos outros símbolos de mesma natureza, símbolos primordiais, quando do surgimento da consciência e à partir de então da dualidade.

    Lembrei de Binah e Chokmah, onde Binah representa a estagnação que resiste a força de Chochmah, sem a qual não poderia haver nada sólido, é o que dá forma à força.
    No hinduísmo há 3 forças ou energias universais, os 3 gunas: Sattva, Rajas e Tamas. Sattva é freqüentemente considerado como representando a pureza e a tranqüilidade, a essência que precisa se concretizar, tal como Kether na Cabala; Rajas se refere à ação, ao movimento e à violência; Tamas é o princípio da solidez, da imobilidade, da resistência e da inércia. Os três Gunas estão presentes em tudo, mas um deles sempre predomina.
    Também me remeteu ao princípio de Eros e Thanatos.

    Obrigada por compartilhar esse texto maravilhoso, adorei a comparação com a alquimia – solve e coagula – faz total sentido; e de como essas energias se expressam no mundo. Um texto pra ler e reler várias vezes.

  2. Sem said

    Olá Adi, bom dia 🙂

    Não é interessante que todas as linguagens convirjam para a mesma cosmogonia – a da conquista da unidade a partir das dualidades? Não será esse o reflexo mais límpido que possamos ter do Arquétipo?
    Muito hermético isso tudo. :p Mas mesmo nas linguagens mais específicas ou parciais, se elas quiserem ter alguma repercussão no tempo e/ou no espaço, precisam se abrir ao outro, nem que seja pela oposição ou a negação dele, ou, como o autor citou, comportando em si as contradições que lhe garantam estabilidade e continuidade “os que trabalham para o tempo (Caim) estão estabilizados no espaço; e os que erram pelo espaço (Abel) modificam-se sem cessar com o tempo.”

    Nós próprios comportamos inúmeras contradições, que, antes de serem defeitos que nos caracterizem, são a garantia de nossa existência real e a profundidade de nossa alma… repetindo mais uma vez aqui o que disse o poeta gaúcho Quintana “quem não se contradiz deve estar mentindo.”

    Vc diz da Cabala, Binah e Chokmah; 3 gunas; Eros, Thanatos…

    Na astrologia é interessante que Saturno, deus Cronos (Tempo), está completamente ligado a Caim, sendo considerado “coincidentemente” o grande maléfico do zodíaco, e contraditoriamente (sic) regente da fixação do homem na terra (quer dizer, no espaço), regula o sucesso profissional, a vida social, etc. Júpiter, o seu oposto e complementar zodiacal, obviamente é o grande benéfico e não por acaso tem a figura do centauro Quíron lançando flechas para todos os lados (espaço), sendo o anunciador das grandes viagens físicas e/ou mentais, nunca se fixando em nenhum lugar, ou seja, é o nômade ligado a Abel, nas palavras do René Guénon…

    Agora, veja só, se eu insisto tanto nas minhas falas por aqui em equilíbrio, em erguer um panteão para ambos e todos os deuses, é que tenho na minha carta natal (e ao que pude perceber na de toda minha família) forte influência, tanto de Saturno quanto de Júpiter, equilibrados. No meu caso e no mapa do meu filho parece mesmo convergir para uma relação bastante harmoniosa, menos de conflito entre ambos e mais de complementariedade…

    Não é legal? Todos esses “mistérios” 🙂 irmos descobrindo-os aos poucos e vendo o enorme sentido que fazem, as relações congruentes deles com o nosso “destino”…

    Talvez o mais fantástico de tudo seja que quanto mais descobrimos mais mistérios nos aparecem…
    Podemos traçar como objetivo caminhar até o pote de ouro no fim do arco-íris, mas, lá chegando, outra paisagem mais colorida logo se descortina a frente, nos instando prosseguir viagem. O pote de ouro nada mais é que uma isca, podemos falsamente encará-lo como nosso objetivo final, mas a razão mesmo da vida parece ser a Busca, o Caminho, ou, a caminhada. Bom, parece que falou em mim agora meu ascendente regido por Júpiter…

    Bjos
    Bom feriado!

  3. adi said

    Oi Sem, boa tarde de novo. 🙂

    “os que trabalham para o tempo (Caim) estão estabilizados no espaço; e os que erram pelo espaço (Abel) modificam-se sem cessar com o tempo.”

    Pois é, faz a gente refletir bastante sobre essas contradições, tanto em nós com em tudo o mais. Somos uma mistura de opostos que tentam se sobressair uns aos outros. E olha só como essa atuação do paradoxo citado por você acima, está totalmente explicitado no esquema da Árvore da Vida, com relação aos pilares da Severidade e da Misericórdia, pois, no pilar da Severidade a força será emanada de Chokmah (misericórdia) para Geburah (Marte); e no pilar da Misericórdia (chesed) a força será emanada pela sephirah Binah (Severidade).

    “Não é legal? Todos esses “mistérios” 🙂 irmos descobrindo-os aos poucos e vendo o enorme sentido que fazem, as relações congruentes deles com o nosso “destino”…”

    E como é legal, pra mim particularmente é apaixonante.

    Eu também achei interessantíssimo a analogia que Guénon fez com relação a manifestação das artes dos que são nômades – movimento, som, música – e dos que são territoriais, e sua arte se dá através do que é fixo – arquitetura, pintura, etc.

    “Talvez o mais fantástico de tudo seja que quanto mais descobrimos mais mistérios nos aparecem…”

    A coisa toda vai tomando uma dimensão maravilhosa, de conexões, de um sentido amplo, cósmico. Que vem até nós, nos perpassa nossas entranhas, nos vivifica e de nós se exteriorizam, forças modificadas, transformadas, ideias materializadas, que se fazem e se desfazem, e continuam seu caminho… O tempo se coagula e se torna espaço, o espaço se dissolve e se torna tempo, é aquela contínua dança cósmica, no entanto são um só, e nada sólido existe de fato. Somos um sonho, mas o que nos sonha? Quando houver o despertar tudo irá se dissolver, cada um em seu momento, e o cosmos no pralaya.

    Eu me lembrei de um sonho que tive uns 7 anos atrás. Estava tudo escuro e eu caminhava, então eu estava como num quarto ou um cômodo antigo, e havia no centro um caixão, na verdade um ataúde, muito antigo, gasto pelo tempo, com algumas tábuas já apodrecidas, por isso havia grandes frestas por entre as ripas, conforme eu fui me aproximando do ataúde, eu sentia uma força imensurável, e quanto mais próxima maior; quando eu cheguei ao lado e podia abrir o ataúde, eu sabia que seria o meu fim, que àquela força iria me destruir completamente, tal era seu poder; então eu não abri, eu me abaixei por sobre o caixão e só observei por entre uma grande fresta que havia, onde dentro havia um espírito todo branco radiante que tomava todo o espaço do ataúde e me lembro bem que na altura do peito, o vão do ataúde só permitia a visão até a altura do pescoço, no chacra cardíaco havia o símbolo do ouroboros mordendo a própria calda, símbolo da eternidade, do princípio e do fim, o alpha e ômega, o qual, segundo Jung, é o símbolo que representa o final da grande obra.

    Sabe, eu penso que a Alma sabe a medida que nos convém, que nos é próprio a continuar sem perder ou desperdiçar a oportunidade dessa vida, e digo Alma me referindo à altura da consciência além da personalidade, além da pequena parcela a que se faz presente no dia a dia, pois somente a alma pode estar diante da força sem forma e se unir e se dissolver na eternidade quando estiver pronta. E ainda assim, mesmo que no final da grande obra é só o final de uma etapa, tudo pode continuar num outro sentido, numa nova visão, num novo mundo, afinal se tem a eternidade não é mesmo? 🙂

    “Podemos traçar como objetivo caminhar até o pote de ouro no fim do arco-íris, mas, lá chegando, outra paisagem mais colorida logo se descortina a frente, nos instando prosseguir viagem.”

    O mistério é grande mesmo, e exige respeito, prudência e bom senso. Um passo de cada vez, e chegando ao pote, um outro passo, e assim é mais sensato.

    Ah, Sem, conversando sobre essas coisas eu fico com uma sensação estranha, um misto de alegria com saudosismo, porque é sempre um ir além, adentrando o totalmente desconhecido, por isso a impressão de escuridão, o inconsciente profundo, arquetípico e de assombrosa dimensão. Mas é o destino da humanidade, caminho sem volta.

    Bjs e bom final de feriado!

  4. Sem said

    Bom dia! De novo, hehe…

    “Somos um sonho, mas o que nos sonha?”

    O Arquétipo 😛

    Brincadeirinha.

    Mas é verdade!

    Olha essa poesia, séc. VI d.C., de um dos maiores poetas chineses de todos os tempos, Li Bai (ou Li Po):

    ———————————-

    Antigo poema

    Zhuangzi sonhou
    que era uma borboleta
    ou foi a borboleta que sonhou
    que era Zhuangzi?

    Se uma criatura é capaz
    de em outra se transformar,
    O mundo vira
    uma metamorfose sem fim.

    Por que então se espantar
    de que o oceano Penglai
    volte a ser
    um límpido riacho

    e que quem cultiva melão
    nas portas da cidade
    foi um dia
    o marquês de Dongling?

    De riqueza e honrarias
    sempre gostamos.
    Sempre lutando,
    mas, enfim, em busca de quê?

    ———————————-

    Mandou bem, Adi:

    “Sabe, eu penso que a Alma sabe a medida que nos convém, que nos é próprio a continuar sem perder ou desperdiçar a oportunidade dessa vida, e digo Alma me referindo à altura da consciência além da personalidade, além da pequena parcela a que se faz presente no dia a dia, pois somente a alma pode estar diante da força sem forma e se unir e se dissolver na eternidade quando estiver pronta. E ainda assim, mesmo que no final da grande obra é só o final de uma etapa, tudo pode continuar num outro sentido, numa nova visão, num novo mundo, afinal se tem a eternidade não é mesmo?”

    Num sentido muito positivo eu tb penso que só a alma sabe até onde ir e o quanto, e o quando e o como revelar daquilo que nos convém; a alma, além do nosso ego/personalidade; só ela é que poderá estar em frente ao Arquétipo sem se dissolver, ela que é o mais próximo que pode haver do imortal habitando em nós…

    Sabe, numa das aulas dos estudos do Tao que tivemos, foi nos apresentado doze estágios de “evolução” da Terra – aquilo de já termos passado a primavera e o verão e estarmos agora no Outono da humanidade, a estação dos frutos… mas pensa numa roda zodiacal, ou num relógio com as doze horas sendo badaladas – quando a última for soada, voltaremos ao Nada… ou seja, aquilo ou quem nos sonha vai acordar, e com seu despertar o universo da forma como o conhecemos se dissolverá… acredita-se então que duas espécies de “portais” vão se abrir, um deles para outro universo mais elevado – dos que praticaram ao Tao, é claro 😛 -, e outro para um universo inferior de muita expiação, feito um inferno budista ou cristão… mas eu penso que sempre haverá bodisatvas para irem visitar esse inferno pós-apocalíptico, para fazer os seres e as almas dali despertarem para o Espírito… e quem garante que o nosso universo de agora não seja o inferno de uma era anterior? e não tem mesmo um deus na cosmogonia hindu que aspira e faz surgir um universo, expira e esse universo se desfaz?

    Mistérios… lembra daquele trígono fantástico que se formou no céu nas casa de água, em julho passado, quando da visita do Papa ao Brasil e que envolvia os planetas Netuno, Júpiter e Saturno? não sei explicar exatamente quais as razões, quer dizer, de uma coisa ter relação com outra, mas outra configuração fantástica acontece hoje e amanhã no céu, que na minha ignorância vem em complemento ao trígono do ano passado: uma cruz perfeita está se formando hoje e amanhã, entre os quatro signos cardinais (signos que dão início) Urano em Áries; Júpiter em Câncer; Marte em Libra; Plutão em Capricórnio… sem contar que na última lua cheia tivemos um eclipse de lua, em Áries, e agora na próxima lua nova (na próxima terça, dia 29) teremos um eclipse do sol em Libra…

    Eu penso que essas coisas nos céus são portais, e embora a minha ignorância não consiga ainda explicar direito, sei que tem um significado transpessoal e que extrapola a nossa alçada individual – quer significar alguma coisa para toda a humanidade, ou , quiça, para todo esse pedacinho de Universo que habitamos…
    Se há de nos afetar pessoalmente? é que tudo que é transpessoal acaba por nos afetar por mudar nosso entorno… mas suponho que sejam coisas positivas, para quem esteja alinhado ao Tao, ou qq coisa assim como estar “no fluxo”, porém, para quem não… ai, ai, ai

    Enfim… preciso me aprontar pro trabalho…
    Como dizia minha mãe: vamos cuidar da vida que a morte é certa 🙂

    Bjos

  5. adi said

    Oi Sem,

    “Mistérios… lembra daquele trígono fantástico que se formou no céu nas casa de água,”

    Lembro sim.

    “uma cruz perfeita está se formando hoje e amanhã, entre os quatro signos cardinais (signos que dão início) Urano em Áries; Júpiter em Câncer; Marte em Libra; Plutão em Capricórnio…”

    Me interessou muito essa formação dos astros no céu de Abril, fui pesquisar e muitos astrólogos analisaram essa rara cruz cardinal e pelo que consta se relaciona muito com o coletivo e claro com seus reflexos também em nós. Achei inclusive, uma análise bem interessante feita por Mônica Brandão. Vou ver se posso postar aqui com os devidos créditos.

    bjs

  6. Joseph said

    “Há um diálogo sumério muito interessante que apareceu cerca de 1.500 anos antes da história de Caim e Abel. Trata-se de um pastor e um agricultor competindo pelo favor da deusa. A deusa escolhe dar preferencia ao agricultor e a sua oferta. Bem, os judeus chegam nesta região, e eles não são agricultores, eles são pastores. E eles não têm uma deusa, eles têm um deus. Então, eles viraram a coisa toda de cabeça para baixo, e fazem Deus favorecer o pastor contra o agricultor.”

  7. Joseph said

    Concluindo:

    “Há um diálogo sumério muito interessante que apareceu cerca de 1.500 anos antes da história de Caim (Racionais) e Abel (Irracionais). Trata-se de um pastor e um agricultor competindo pelo favor da deusa (Sabedoria). A deusa escolhe dar preferencia ao agricultor e a sua oferta. Bem, os judeus (Ortodoxos / Arianos) chegam nesta região, e eles não são agricultores, eles são pastores. E eles não têm uma deusa, eles têm um deus. Então, eles viraram a coisa toda de cabeça para baixo, e fazem Deus favorecer o pastor contra o agricultor.”

    Tipos psicológicos (Jung):

    Racionais:

    pensamento e sentimento – baseiam-se num processo reflexivo procurando avaliar e julgar internamente as suas relações com o mundo.

    Pensamento (ar): É a função cujo processo associativo de idéias busca conceituar ou solucionar um problema. Portanto, trata-se de uma função extremamente intelectual . Os indivíduos pensamento são reflexivos, planejadores e julgam através da lógica

    Sentimento (água): Sendo uma função avaliadora aceita ou da rejeita uma idéia, avaliando o sentimento agradável ou desagradável proporcionado por tal idéia. Os indivíduos sentimento são discriminatórios e reflexivos e tomam as decisões pelo julgamento de valores próprios como o certo ou o errado; o bom ou o mau.

    Irracionais:

    sensação e intuição – são estados mentais que crescem através de estímulosatuantes no indivíduo, que percebe o mundo além da lógica e da razão.

    Sensação (terra): A percepção do mundo se dá através das experiências conscientes que estimulam os cinco sentidos, além das sensações do interior do corpo.

    Intuição (fogo): É uma experiência imediata que não exige nenhum julgamento e surge do nada. Os indivíduos vêem o que está no mundo interior, percebendo o mundo através do inconsciente.

    “vim para atear fogo ao mundo” “Vede, estarei vigiando até que arda”
    “Pelos seus frutos os reconhecereis”

  8. Sem said

    Joseph

    Muito obrigada por sua contribuição!

    Vc não nos diz quem é o autor de sua citação, pelo seu avatar e seu conteúdo, parece ser o Joseph Campbell… é isso?

    Bastante oportuna essa sua lembrança dos tipos psicológicos do Jung…

    A ideia aqui é justamente essa, de que a vida/Natureza é composta de uma multiplicidade ou de uma variedade de tipos… portanto, a meu modo de entender, a conclusão é de que a convivência da diversidade numa sociedade não a torna mais caótica, como querem nos fazer crer “conservadores”, ao contrário, a diversidade torna mais rica uma sociedade, e, provavelmente, a faz muito mais ética… ou mais ainda, o que torna sustentável um ecossistema – de qualquer tipo – é a diversidade de vida nele existente: quanto maior é a diversidade, maior a chance de sobrevivência de um sistema ao se deparar com as inevitáveis crises – e o que são as crises senão a própria desigualdade e o desequilíbrio? e isto vai desde a floresta amazônica, passando pela sociedade com suas convulsões políticas e chega até nós… nós que também somos uma espécie de “ecossistema fechado” – se pensarmos que o nosso corpo físico é um sistema “auto suficiente”, o nosso corpo psíquico outro e, enfim, todos aqueles sete copos astrais que os espiritualistas defendem que temos… no final – pensando no macro e no mais longe que pudermos ir – todos os nossos “corpos/tipos” estão numa estreita relação com o cosmos…

    Em relação à individuação, pessoalmente podemos ter esta ou aquela função principal – aquela que nos faz atuar com maior eficiência, mas, nossa maneira de estar no mundo não é modelo para todo mundo… sequer é modelo ad aeternum para nós próprios, se pararmos para pensar que o próprio processo de individuação, como o concebido por Jung, é a abertura de nós ao mais profundo em nós mesmos, o que implica trabalharmos com nossas funções secundárias e olhar com muito carinho para a nossa função inferior… aprendemos mesmo é com o diferente, crescemos mesmo é quando fazemos o trabalho interno de “enfrentamento” da própria Sombra, o que naturalmente nos tornará mais tolerantes com o próximo…

  9. Joseph (Uma homenagem) said

    Falando na galerinha de tipo irracional, olha que interessante:
    http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm99/icm17/ouro.htm

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