Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for fevereiro \12\UTC 2013

Um pouco sobre a simbologia de Cloud Atlas, o filme

Posted by adi em fevereiro 12, 2013

Cloud Atlas, ultimo filme dos irmãos Wachowski (trilogia Matrix) e Tom Tykwer, no Brasil lançado como A Viagem, foi eleito o pior filme do ano de 2012 pela revista Time, muito embora, o critério de avaliação usado parece ter sido o de arrecadação nas bilheterias, de fato, a primeira impressão que o filme nos dá, é que os diretores perderam a mão nessa receita e o filme desandou, mas não de todo, sem tirar leite de pedra, eu diria que  ainda dá um bom caldo :).  Cloud Atlas não é um filme emocionante e de ação eletrizante como foi Matrix, também não dá para classificá-lo como um blockbuster. Apesar das muitas críticas negativas, classificá-lo como o pior filme do ano achei um exagero, até mesmo uma injustiça com os diretores.

cloud atlas 2

O filme é daquele tipo que ou se ama, ou digamos, não se gosta nenhum pouco, e isso acabou gerando muito mais opiniões negativas do que positivas sobre o mesmo. Por abordar uma temática filosófica recheada de simbologia, acabou agradando mais aos espiritualistas, já familiarizados com esses temas. Muito embora, há de se convir, que pelo próprio ritmo do filme de narrar seis histórias como em recortes, no qual, se mistura todos os gêneros, e quando quase depois de três horas esperando o final pra entendê-lo, ainda por cima, tem que montar o quebra cabeça filosófico; é muito compreensível que não é pra todos os gostos mesmo. Sem esse tipo de interesse (filosófico-espiritual), na certa que o filme se mostra tedioso. O diferencial de Matrix que capturou o público de imediato, foi que antes da filosofia do filme, o que se percebe e chama a atenção é toda a ação e luta, e depois é que vem o motivo da luta que retrata o mito do herói em busca de si mesmo, que, montado numa longa trilogia, teve tempo de sobra pra ser digerida sua parte filosófica pelo público.

Não pelos mesmos motivos acima, confesso que fiquei na dúvida se deveria escrever um post sobre a simbologia do filme ou não, porque, apesar da proposta que o filme apresenta se relacionar com os assuntos daqui, quando eu assisti ao filme, ele não me empolgou, não prendeu totalmente minha atenção, parece que ficou faltando alguma coisa, como liga, química, ou magia mesmo. Também não gostei da maquiagem que transformou os atores ocidentais em orientais, ficou cômica, para não dizer de mau gosto. Afora isso, tem sim aspectos bem interessantes, mesmo com algumas frases clichês, o filme passa uma mensagem que vale a pena pensar, e por isso trago alguns pontos que me chamaram a atenção.

Pra quem não leu o livro, como eu, perde-se alguns detalhes importantes, o que compromete um pouco na compreensão do filme quando assistido uma única vez. Tudo bem que a proposta principal do filme, que gira em torno da conexão da vida como um todo está óbvia desde o trailer oficial, mesmo assim, o roteiro adaptado pelos irmãos Wachowski do livro de David Mitchell, não conseguiu juntar totalmente as histórias, o que nos dá a ideia de uma certa superficialidade.

Assim como em Matrix, a primeira vista, só percebemos os significados mais superficiais, mas Cloud Atlas tem uma camada mais profunda de significados e de interpretação, nesse sentido os diretores foram geniais em instigar e plantar uma sementinha, o que de certa forma, vai depender de cada telespectador até onde ele quer chegar.

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Domenico De Masi

Posted by Sem em fevereiro 8, 2013

Um intelectual para não ser subestimado…

Domenico De Masi, sociólogo italiano, pensador revolucionário, professor e autor de diversos livros relacionados ao tema trabalho & sociedade, como o conhecido O Ócio Criativo, esteve no Brasil no final do ano passado e gravou uma entrevista (abaixo o link) para o programa Roda Viva da TV Cultura.

Domenico De Masi fala de maneira tão cara ao meu entendimento de sociedade global em crise, ao momento histórico raro que vivemos, tanto grave quanto oportuno, por oferecer alternativas viáveis e otimistas ao modelo de sociedade predadora, fala de maneira tão clara, que mesmo sem entender italiano, nem precisei de legendas para assistir aos vídeos…

Uma das singularidades do De Masi é se referir a algum ponto de vista partilhado para nele introduzir algum elemento novo, um elemento criativo, como ele próprio costuma se referir. E a respeito do Brasil, disse o De Masi – o que todos já sabemos, de que durante séculos o Brasil exportou matéria prima e de que assim foi explorado, para não dizer espoliado, de seus recursos naturais, mas, em troca, o Brasil também explorou – para não dizer que copiou – o modelo de valores do europeu, o modelo econômico do americano, o estilo da literatura francesa, da filosofia alemã, etc., etc. E o que diz o De Masi que devemos fazer? Oras, pagar o que devemos! De que temos quase essa obrigação moral para com o mundo em crise, de construir o nosso próprio modelo de sociedade e oferecê-lo ao mundo, constituir os nossos próprios modelos de convivência, de fazer arte, literatura, etc…

É claro que foi uma provocação… Mas também uma prévia ao seu futuro livro, quando ele retornar ao Brasil, em março, para um encontro com intelectuais em Paraty, a ser confirmado, deverá explorar esse tema: “um novo modelo de vida, um modelo brasileiro para o mundo”.

E nós, que fomos invocados, o que temos a dizer sobre isso?

Para assistir durante o Carnaval…

http://tvcultura.cmais.com.br/rodaviva/domenico-de-masi

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Fernando Pessoa: O ensaio sobre a Iniciação

Posted by adi em fevereiro 6, 2013

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“Havia três razões pelas quais nas religiões pagãs certas verdades, ou coisas supostas serem verdades, eram transmitidas só em segredo e reclusão, por iniciação. A primeira era uma razão social: pensava-se que essas tais verdades eram impróprias para transmissão a qualquer homem, a nau ser que ele estivesse em certa medida preparado para as receber, e que elas teriam resultados sociais desastrosos se fossem tornadas públicas, pois isso significaria que seriam mal compreendidas. «Etiamsi revelare destruere est…» A segunda era uma razão filosófica: supunha-se que, em si próprias, essas verdades não eram de um género que o homem comum pudesse compreender e que lhe poderia advir confusão mental e desequilíbrio na conduta se lhe fossem inutilmente comunicadas. A terceira era, por assim dizer, uma razão espiritual: pensava-se que, por serem verdades da vida interior, essas verdades não deviam ser comunicadas, mas sugeridas, e que a sugestão devia ser impressiva, rodeada de secretismo, para que pudesse ser sentida como de valor; de ritual, para que pudesse impressionar e surpreender; de símbolos, para que o candidato fosse forçado a abrir o seu próprio caminho, lutando por interpretar os símbolos, em vez de se julgar cheio de conhecimento se a comunicação tivesse sido feita por ensinamento dogmático ou filosófico.

Não digo que estas três razões se apresentassem claras ou em separado ou em conjunto, embora assim divididas, nos espíritos dos antigos, sacerdotes ou leigos das suas religiões. Mas digo que, quando não por inteligência directa, ao menos por intuição, eles basearam as suas religiões neste esquema divisional.

As religiões dos Antigos, e sobretudo as religiões pagãs da Grécia e Roma, que são as que mais nos interessam, uma vez que os nossos espíritos são seus filhos, estavam divididas em três formas. Havia uma forma social, o culto, que era o do homem como cidadão. Havia uma forma individual, a poesia, que era do homem como não-cidadão; cumprido o culto devidamente, ele podia interpretar para si os deuses como entendesse e elaborar as suas lendas como lhe parecesse mais adequado. E havia uma forma secreta, a iniciação, que participava em segredo das características de ambas: era individual porque, mesmo quando a iniciação era colectiva como nos grandes Mistérios pagãos, era sempre o indivíduo o iniciado e não o grupo; era social, porque a iniciação era comunicada em ritual e o ritual é social.

O que com os Cristãos raramente está associado ou fundido com a poesia como acontecia com os pagãos. (Não compreenderemos a Idade Média até que compreendamos que a teologia era a sua poesia, que a ausência de poesia então mais não era que a presença da poesia sob outra forma).

Todas as religiões, porém, estão no mesmo estado que as grandes religiões pagãs. As três formas de religião serão encontradas de uma forma ou de outra em todas. Nas religiões cristas, por exemplo, temos o culto público, quer seja altamente cerimonial como na Igreja Romana, quer pobre até à nudez como nas seitas protestantes extremistas; temos a religião individual significando a reflexão pessoal sobre os dogmas e fórmulas de fé, e isto é teologia onde (com os pagãos), era antes poesia; e temos a vida interior do cristão, que é a sua iniciação, porque nas religiões cristãs a iniciação é considerada como dada por Cristo, só, misticamente, e não por qualquer sacerdote ou hierofante ritualmente ou ceremonialmente. Por outras palavras — cujo sentido mais exacto será compreendido mais tarde — a iniciação pagã encaminhou-se para a Magia, como fazem todas as iniciações rituais, e a iniciação cristã encaminhou-se para o Misticismo, como fazem todas as iniciações meditativas.

Qualquer que seja o número de graus, exteriores ou interiores, na escala de ascensão para a verdade, eles podem ser considerados como três — Neófito, Adepto e Mestre. Na realidade, os graus são dez — quatro para o Neófito, três para o Adepto e três, por assim dizer, para o Mestre. Há realmente também dois intergraus que ficam entre o primeiro e o segundo, e entre o segundo e o terceiro há ordens, estas também não numeradas. Os graus não numerados são graus de noviciado, enquanto os outros são, cada um na sua medida, graus de realização.

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A Invenção do Cuidado

Posted by Sem em fevereiro 2, 2013

 

 

Domingo assisti ao As Aventuras de Pi: um filme com imagens impressionantes, entre as mais belas já produzidas pelo cinema; imagens que em muito transcendem ao que é narrado e é como se descrevessem outra história, de imagens soltas, correndo em paralelo…

 

Quando acabou o filme, fiquei pensando: quantas vidas nós podemos viver, aqui, nessa única que temos…

 

Ou, talvez, o filme não seja sobre nada disso, e “isso” tenha mais a ver com as poesias que estava escrevendo na semana passada, e que em muito se complicaram, após eu ver o filme, por perceber as implicações envolvidas…

Essa será uma história não fictícia de um filme que se imiscuiu numa poesia lírica e quase a matou, acabando por transformá-la em poesia épica ou qualquer coisa assim; não sei se a fez melhor, creio deu um significado mais amplo e profundo a algo que considerava pessoal e em verdade é questão coletiva…
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