Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for abril \30\UTC 2009

Quem são os porcos afinal?

Posted by luramos em abril 30, 2009

Eu vou usar este assunto para colocar um link de uma página que amo: o caderno de Saramago.

É o ateu que eu mais admiro no mundo e em sua crença de não acreditar em Deus, imagino que quando ele morrer e deixar de fertilizar nossas mentes com as suas histórias espetaculares sobre a condição humana, ele se tornará um adubo santo para nosso planeta Gaia.

aqui está o link: http://caderno.josesaramago.org/2009/04/29/gripe-suina/

O assunto é o do momento. A solução em minha modesta opinião está na conscientização que nossa extinção pode estar próxima -não por este alarmismo da gripe suína -mas que o planeta, eu acredito, sobreviverá.

Eu vou levantar a bandeira do vegetarianismo também, deixar de comer animais mortos, produzidos em escala industrial e com uma quantidade assustadora de sofrimento para os animais. Além disso,  a emissão de CO2 pela produção de carne no mundo é maior que a dos automóveis. Claro que isto não é a solução, é só uma ideia que sigo, entre outras.  A solução está na conscientização de honrarmos o lugar em que vivemos, o pálido ponto azul, o nosso exuberante planeta Terra e todos seus constituintes.

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Além do mais, porcos foram meu objeto de estudo em cicatrização e estabeleci um contato amoroso com eles. Na foto sou eu e Henriette, uma porquinha Yorkshire que acompanhei por meses e vi se tornar uma belíssima porca adulta, que sabia seu nome e gostava muito de biscoitos para cachorro. Sim , eu trabalhei com experimentação animal, passei por esta provação, vivi o dilema. Mas tive a felicidade de ver as três porcas que me permitiram ampliar o conhecimento sobre cicatrização humana, após a pesquisa não serem mortas, como geralmente acontece. Foram doadas a uma fazenda que treina crianças carentes a tratar animais domésticos. Portanto sei que a esta altura elas devem estar prenhas e não vão servir de jantar para ninguém.

Eu fico emocionada ao me lembrar deste passado recente e faço mais uma vez público meu agradecimento à todos os animais que sofreram e doaram sua vida para que a humanidade se curasse de seus males. Não nos esqueçamos deles, nao os culpemos pela nossa irresponsabilidade.

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O Grande Sabbat – Samhain – Feliz Ano Novo

Posted by luramos em abril 29, 2009

Dia 1 de maio é o auge do outono. É o tempo da última colheita antes do inverno.

 O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, de acordo com as medições feitas através das antigas pedras da Britânia e da Irlanda. Para os Antigos Celtas, esse dia sagrado dividia o ano em duas estações, Inverno e Verão. Samhain era o dia no qual começavam o Ano-Novo celta e o Inverno, por isso era um tempo ideal para términos e começos.

 Em Samhain, o Deus finalmente morre, mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa. Isto simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais, o Deus torna-se então o Senhor da Morte e das Sombras.

É tempo de honrar nossos ancestrais e nossa Sombra.

Acenda uma fogueira e celebre o princípio e o fim da Roda do Ano.

Um ano de beleza. Um ano de plenitude. Um ano de plantar. Um ano de colher.
Um ano de florestas. Um ano de cura. Um ano de visão. Um ano de paixão.
Um ano de renascimento. Este ano que eu possa renovar a terra.  E esta renovação aconteça em cada passo que eu der. Em cada mudança que eu fizer. Em cada algema que eu quebrar.  
E cada vez que eu acordar. (tirei daqui http://www.allsaintsbrookline.org)

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Eros e Psiqué

Posted by Sem em abril 29, 2009

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“A história revela a fantasia dos criadores da história e, por trás deles e em suas fantasias e padrões, encontram-se os arquétipos.”

James Hillman

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Não há Margens no Mapa do Céu

Posted by Fy em abril 28, 2009

Não há margens no Mapa do Céu.

Recriemos o ilimitado, desconstruindo o limite.
Não há margens no Mapa do Céu.
Elielson

Lendo o excelente e imperdível ensaio sobre Anarquismo no blog Saindo da Matrix, me lembrei imediatamente de homenagear este escritor querido, Monteiro Lobato, que criou esta figurinha, cheia de soluções e idéias, possíveis impossíveis, de coração completamente Brasileiro e cuja alma é a própria Anarquia. [ e, enquanto a Sem não vem…., enjoy yourself, my people]

– Mas, afinal de contas, Emília, “o que” você é? Perguntou o Visconde…

– Sou “a” Independência ou Morte!

Emília, uma boneca de pano de quarenta centímetros costurada pelas mãos de Tia Anastácia, e “que evoluiu e virou gente”.
Emília nasceu boneca de pano, de trapo e macela, e ficou sendo a companheira preferida de Narizinho.

“ nasci de uma saia velha da Tia Anastácia.
E nasci vazia…
Nasci , fui enchida de macela e “fiquei no mundo feito uma boba, de olhos parados como qualquer boneca”. Feia…
– Dizem que fui feia que nem uma bruxa.
Meus olhos… Tia Anastácia os fez de linha preta”

…e “ Narizinho vivia a conversar com ela”…

Apenas esta menção não faz de Emília, até então, nenhuma boneca especial, afinal, é fato comum, sempre foi e sempre será , as crianças conversarem com seus brinquedos.
Ao pesquisarmos o imaginário da literatura infantil, percebemos que Monteiro Lobato não inovou ao fazer de uma boneca, um personagem.

A excepcionalidade de Emília tem dia e tem hora marcada.

Ela começa quando Emília começa a falar “de Verdade”.
O episódio da conquista da fala é fundamental na biografia e no decorrente fascínio que a boneca exerce sobre nós.

De boneca de pano como nasceu, o percurso da boneca sofre alterações significativas a partir do momento em que aprende a falar graças a uma pílula falante do Dr. Caramujo. Vamos salientar que a solução “pílula” foi sugerida depois de Narizinho recusar, por razões nobres e humanitárias, um transplante de língua de papagaio.
Imperdível é a consulta da boneca com o médico da corte do Princípe Escamado, Dr. Caramujo, um dos habitantes do Reino das Águas Claras:

“ Veio a boneca. O doutor escolheu uma pílula falante e pôs-lhe na boca – Engula de uma vez! Disse Narizinho ensinando à Emília como se engole pílula. E não faça tanta careta que arrebenta o outro olho.
Emília engoliu a pílula muito bem engolida, e começou a falar no mesmo instante. A primeira coisa que disse foi: Estou com um horrível gosto de sapo na boca.
E falou, falou, falou e… falou.
Falou tanto que Narizinho , atordoada, disse ao Doutor que era melhor fazê-la vomitar aquela pílula e engolir outra mais fraca.
Não é preciso – explicou o grande médico.
Ela que fale até cansar! Depois de algumas horas de falação, sossega e fica como toda gente .
Isso é fala recolhida que tem de ser botada para fora!

. Aqui lanço uma pergunta: Como, [como analistas], podemos nos debruçar sobre esta pérola literária descrita por Lobato e não nos deixarmos ser arrebatados por ela?
Sim, esta é a minha proposta, Dr. Caramujo como imagem de uma analista trabalhando a favor da fala.
Libertando a fala de seu silêncio neurótico.
E como Dr. Caramujo opera esta proposta? Com sua indicação de uma pílula falante.

Palavras e pílulas, pílulas e palavras.

Pílulas que matam as palavras e pílulas que libertam as palavras.

Em tempos atuais de circulação excessiva de pílulas como Prozac, Ritalina, Viagra, Rivotril, Zoloft, [ entre outros tipos de entorpecimentos cerebrais] pílulas estas que nos conduzem para a nova mitologia dominante sobre o universo psíquico: a mitologia do cérebro com suas dopaminas, serotoninas, neurotransmissores, sinapses, desequilíbrios químicos, enfim a criação do homem neuronal, modelo onde as palavras sucumbem à força das pílulas, reencontrar a sabedoria e proposição ética do Dr. Caramujo se faz um alívio.

Esta é a indicação de Dr. Caramujo para Emília: Falar até cansar. Fazer uso do verbo, apropriar-se da linguagem, libertar a imaginação contida nas palavras. Não é isto senão o que Freud chamou de Método da Associação Livre?
Não é este o convite que todo analista faz a seu paciente: falar até cansar?
Não seria o espaço analítico o lugar privilegiado para a possibilidade de manifestação daquilo que Dr. Caramujo diagnostica como “fala recolhida”?
Proponho imaginar que uma análise se inicia quando um paciente consegue encontrar um analista como Dr. Caramujo, que o instiga a ir atrás, produzir, imaginar ou criar modos de dar existência às suas “falas recolhidas”.
Porém, não esqueçamos um detalhe. Outra absoluta preciosidade apontada por Narizinho: Não se trata apenas de falar, fala comum e ordinária, pois se este fosse o caso, o transplante de língua de papagaio para isto serviria.
Afinal, para onde nos aponta esta imagem “língua de papagaio”?
Repetição, Imitação, Cópia, Eco, Previsibilidade, Recorrência do mesmo.
Repetir a fala do outro, usar o discurso do outro ao invés da criação do meu discurso, indiscriminação, – serei eu um papagaio do outro?

Haverá individuação numa língua de papagaio?

Emília é o Princípio da Imaginação, onde nos mostra que Imaginação é Realidade. As atitudes e as travessuras de Emília tem como função cancelar as fronteiras entre o fictício e o real, o metafórico e o literal, o verídico e o imaginativo. Emília encarna aquilo que James Hillman denomina como uma das atividades da Alma: a reanimação das coisas em termos metafóricos onde a metáfora dá sentido e paixão aos objetos inanimados.

Com seus olhos de retrós, inaugura uma perspectiva metafórica que REVÊ os fenômenos do mundo como imagens, possíveis de encontrar sentido e paixão onde a mentalidade cartesiana vê, simplesmente, a mera extensão de objetos desalmados e inanimados. Emília é o nome dessa possibilidade imaginativa que não se restringe ou sequer se conforma com aquilo que denominamos Princípio de Realidade. Ela o subverte e busca ampliar-se para além dos seus domínios. [significa e re-significa e “diz”!]

Não é à toa que Emília é aquela que melhor faz uso da mais famosa invenção do engenhoso Visconde de Sabugosa: O famoso Pó de Pirlimpimpim!

O Pó de Pirlimpimpim torna possível o passeio a outros universos além do Reino das Águas Claras. Ele é o elo de ligação entre o real e a fantasia que permite transportar-se para outros tempos e espaços em aventuras que dialogam com a mitologia grega, com o desejo ancestral de exploração do espaço sideral,ou com famosos personagens literários como Dom Quixote e Peter Pan.
Cheirar o Pó de Pirlimpimpim se assemelha a atravessar o espelho: como ocorre com Alice nos País das Maravilhas: o atravessamento do campo das aparências, o cancelamento das fronteiras do ego: desterritorialização da consciência, sucumbir ao rumo errante da imaginação, a possibilidade de ser outro em si mesmo.
Não é esta a experiência do inconsciente?

“…a vida, Senhor Visconde, é um pisca – pisca.

A gente nasce, isto é… começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim: morreu.

Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.

É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.

A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas.

Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.

– E depois que morre? – perguntou o Visconde.

– Depois que morre, …vira hipótese. É ou não é?” (em Memórias de Emília)

Desindentificação com a Persona, atravessamento do Narcisismo, abrir-se para outras “terras” e “reinos” ainda pouco íntimos de cada um, dialogar com as figuras da imaginação ou as figuras do outro que nos habitam?

É Peter Pan que introduz as crianças no Reino das Maravilhas, transportando-as através do pó de Pirlimpimpim:

“ O Reino das Maravilhas está em toda parte… é velhíssimo.
Começou a existir quando nasceu a primeira criança e há de existir enquanto houver um velho sobre a terra.
É facil de ir lá, perguntou Pedrinho?
Facílimo ou Impossível. Depende…
Para quem possui Imaginação é facílimo”
“Reinações de Narizinho”

Aqui, somos fiéis ao método junguiano da Circumambulação: andar ao redor da imagem, traçar paralelos, buscar associações, encontrar semelhanças, tudo em torno da imagem a fim de, como Hillman diz, “aumentar o volume da imagem”.

E, se nossa imagem é Emília, aumentemos o volume!

Ao contrário de todos os outros personagens lobatianos, Emília ao exercer sua capacidade de fala de modo inventivo, crítico e irônico, ganha uma crescente trajetória de independência em relação aos demais.
Neste percurso, Emília é aquela que questiona o inquestionável, abusa frente as verdades estabelecidas, inaugura novos pontos de vista, desafia normas, condutas e padrões vigentes.

Para muitos críticos, Emília é interpretada como sendo Porta-Voz de Monteiro Lobato, também ele um intelectual crítico e participante das principais discussões políticas e culturais da primeira metade do século XX.- Um crítico feroz e arguto, e assim como a boneca , que expressava suas posições sem medo e nem papas na língua.
Se faz importante aqui falar um pouco mais da relação entre Lobato e Emília e até lançar a pergunta: Afinal quem é autor? Quem é personagem? Quem é criador, quem é criatura?

Sobre Emília, Lobato comenta:

-“ ela começou como uma feia boneca de pano, dessas que nas quitandas do interior custavam 200 réis. Mas, rapidamente foi evoluindo e adquirindo tanta independência que.. quando lhe perguntaram “mas o que você é, afinal de contas, Emília? Ela respondeu de queixinho empinado: sou a Independência ou Morte! E é tão independente que nem eu, seu pai, consigo domá-la. (…) fez de mim um “aparelho”, como se diz em linguagemespírita(…)
É Emília hoje que me governa, em vez de ser por mim governada.-”
“A barca de Gleyre.M.L.”

Monteiro Lobato se assemelha neste depoimento a algo que Jung descreve em seu texto “A relação da psicologia analítica com a obra de arte poética” como sendo o processo visionário de criação onde o objeto prevalece sobre o sujeito. Neste, o autor deixa-se levar pelo texto e seus desdobramentos, não determina qual efeito ou solução para os conflitos. Para este, a obra traz em si a sua própria forma. Tudo aquilo que gostaria de acrescentar será recusado, o que não gostaria de aceitar lhe será imposto. Ao autor: só cabe obedecer e executar, ele está submetido a sua obra, ou, pelo menos: ao lado, como uma segunda pessoa que tivesse entrado na esfera de um querer estranho. Lobato criou Emília ou Emília criou Lobato?

É esta imprevisibilidade e irreverência de Emília que a colocam num lugar diferenciado dentro do nosso imaginário. Emília é aquela que através de atitudes novas e ousadas desconstrói e renova símbolos religiosos ou culturais de determinada época.

Nisto ela cumpre sua função de Trickster como formulada por Jung: Emília é um Trickester. – Anarquista: graças a Deus! –

O arquétipo do Trickster é a um só tempo, humano e não-humano, costuma pregar peças nos outros através dos truques, ardis, da mágica, da sedução e ás vezes da violência – > é aquele a quem é permitido dizer sob a forma de bufão, clown, bobo da corte, as verdades em forma de piadas. Jung escreveu em seu artigo “ A Psicologia da figura do Trickster” – que este evolui de um indivíduo psiquicamente inconsciente até atingir a categoria de um ser socialmente desenvolvido. Não é este o caso de Emília? De boneca inanimada a uma boneca que evoluiu e virou gente?

Finalizando, diríamos que se pela fala , Emília transcende sua condição de ser inanimado, ao manter-se boneca, e, supera nossa liberdade como humanos, dos quais, ela é afinal, um mero simulacro.
Além de imortal por natureza, bonecas envelhecem mas não morrem, e por ser uma criatura híbrida: boneca falante: um indecidível, Emília desfruta do melhor dos dois mundos: do mundo das coisas e o do mundo dos humanos, fecundando um com o ponto de vista do outro, e vice-versa, – cancelando e apagando as diferenças, num exercício infindável e dialético de dar vertigem a qualquer leitor mal avisado.

“ Verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia. Só isso.”
(Memórias da Emília)

Diretamente de TAUBATÉ – SP – …e do BRASIL:

Marcus QUINTAES

PS: Foi Monteiro Lobato quem fundou a primeira Editora Nacional, a Editora Monteiro Lobato & Cia e posteriormente a Companhia Editora Nacional e a Editora Brasiliense.

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Friends don’t let friends get friends haircuts

Posted by Kingmob em abril 27, 2009

Legendas em português ou inglês no botão do canto inferior direito do vídeo.

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A música que me conhecia

Posted by luramos em abril 26, 2009

Quando eu tive a sorte de ouvir Felipe Cavalheiro tocar esta música ao vivo, eu transbordei de emoção. É de um compositor brasileiro, Francisco Mignone.

Foi a melodia mais familiar que já ouvi na minha vida.  Quando eu ouvi pela primeira vez achei que já conhecia esta música, e hoje ouvindo de novo, descobri que na verdade, era ela quem já me conhecia.

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Poeira de estrelas

Posted by luramos em abril 26, 2009

Dentro de nossa viagem conjunta no caminho do auto-conhecimento, podemos ser menos antropocêntricos?
Conseguiremos redimensionar nossa importância e nossos sofrimentos? Conseguiremos enxergar a irrelevância de nossas medidas de tempo e espaço?

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Que tipo de pheebe você é? por Rafaella, 8 anos

Posted by luramos em abril 25, 2009

Eu venho lentamente explicando à minha filha Rafaella sobre essência, sombra, arquétipos, Deus e deus.

A melhor surpresa foi ela sintetizar sua ótica do universo criando umas criaturas chamadas pheebes. (eu vou escrever na linguagem pheebe, onde as únicas palavras com letra maiúscula são as que iniciam um livro e o nome de Deus –  já que ela é a criadora deste universo, ela resolveu simplificar algumas regras ortográficas – quanta liberdade!!!!!). assista primeiro por favor.

neste universo pheebe existe Deus, que se alimenta da água das nuvens, acho que uma metáfora para o non-sense que é o conceito de Deus. você vai ver o pheebe número 1- para mim o indivíduo integrado, aquele que é metade malvado, metade bonzinho, sempre acompanhado da sua cachorra pheebe, que por sua vez ajuda os deficientes – é o instinto domado, a carta da força no tarot.  ele solta fogo pela cabeça, um símbolo maior da conexão espiritual na mitologia hermética.

o pheebe número 2 é legal, solta água – ainda sob o domínio da emoção. pheebe 1 é seu inimigo.

o pheebe 3 é um sábio, escreve pheebe-bíblias e não gosta de pessoas. é o eremita. ele ensina outros pheebes sobre Deus. mas alguns não gostam dele, porque nem todos pheebes acreditam em seus ensinamentos.

há ainda pheebes que vieram de outros lugares, como o egito e a floresta amazônica. há muitas formas de pheebes, até um pheebe quadrado, aquele que prima pela simplicidade e com o qual ela mesma se identifica. é seu pheebe de estimação.

há pheebes que comem formigas, há pheebes que preferem macarrão.

quando eu estava aqui terminando o post ela me disse que esqueceu de falar como eles rezam….rs ficam girando como nun zikr….rs

e quando perguntei o  que ela acha das pessoas que se parecem com pheebes número 1 ela chama isso de religioso, que conversando depois ela quis dizer sagrado, (ou religioso mesmo quem sabe, religado)…

que tipo de pheebe você é? crie seu próprio pheebe e se divirta como ela, criando um universo!

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O fazedor de chuva taoísta

Posted by Kingmob em abril 23, 2009

Este conto que transcrevo abaixo resolve para mim na prática todas as questões relativas a livre-arbítrio e destino. Quando fui procurar no Google observei que há este conto no Franco-Atirador. Mas essa aqui é uma versão diferente.

A grande oposição entre filosofia ocidental e prática espiritual oriental parece ser que esta última tem seus pilares nas diversas práticas meditativas e corporais que dão acesso direto a estados de consciência diferenciados dos usuais ( sono, sonho e vigília). Estados nos quais, segundo os grandes professores espirituais,  as maiores questões da filosofia ocidental clássica (tais como livre-arbítrio e destino, dualidade e unidade entre sujeito e objeto, etc) caem por terra.  Não que a razão filosófica perca totalmente seu sentido de ser – mas ela por si só é incapaz de superar as próprias questões que coloca.

Segue o conto do “fazedor” de chuva:

Esta história foi muitas vezes contada, mas Jung, que portanto nos dava

poucos conselhos diretos, disse-me um dia: «Nunca faças seminários (nem

conferências) sem contar às pessoas esta história».

Num dos seus últimos Natais, pouco tempo antes da sua morte, quando nós

assistíamos ao Jantar do Clube , ele contou-a para nós de novo.

Não havia certamente ninguém na sala que não conhecesse já a história e

portanto, depois que ele a contou, toda atmosfera mudou. Eu fiz, como tinha

feito antes, porque ele me tinha dado instruções para a repetir assim tantas

vezes.

Houve uma terrível seca, na parte da China, onde vivia Richard Wilhelm

de Jung e tradutor do I Ching. Depois das pessoas ter tentado em vão os meios

conhecidos para obter a chuva, decidiram mandar buscar um fazedor de chuva.

Isto interessou muito a Wilhelm que se preparou para estar lá quando o fazedor

de chuva chegasse. O homem veio numa carroça coberta, um pequeno velho ressequido,

que fungava com uma repugnância evidente quando saiu da carroça e que pediu que

o deixassem sozinho numa pequena cabana em frente da aldeia; mesmo as suas

refeições deviam ser deixadas no exterior diante da porta.

Não se ouviu falar mais dele durante três dias, pois, não somente choveu,

mas houve uma grande caída de neve, o que nunca se tinha visto nesta época do ano.

Muito impressionado,Wilhelm procurou o fazedor

de chuva na cabana e perguntou-lhe como podia ter feito chuva e mesmo neve. O

fazedor respondeu: “Eu não fiz a neve; não sou responsável por isso”. Wilhelm

insistiu: havia uma terrível seca até à sua vinda e depois, passados três dias,

houve grande quantidade de neve. O fazedor de chuva respondeu: “Oh! Isso eu

posso explicar. Veja, eu venho dum lugar onde as pessoas estão em ordem; estão

em Tao; então o tempo também está em ordem. Mas chegando aqui, vi que as

pessoas não estavam em ordem e também me contaminaram. Por esse motivo fiquei

sozinho até estar de novo em Tao, e

então, naturalmente, nevou». (Hannah, 1981: pp 21)

(…) «Os alquimistas procuravam sem cessar unir os opostos, pois não é

senão quando estão unidos que se pode encontrar a verdadeira paz. Quando se

examina o estado do mundo, apercebemo-nos que por todo o lado, um dos opostos

tenta sobrepor-se ao outro. Colectivamente nada podemos fazer; Jung repetia-o

constantemente: a única forma que temos de fazer alguma coisa, é no indivíduo,

é em nós mesmos. É o princípio do fazedor de chuva: quando o indivíduo está em

Tao – local onde os opostos estão unidos – há uma influência inexplicável sobre

o ambiente (…) Há em nós um lugar onde os opostos estão unidos e nós devemos

aprender a ir visitá-lo, permitindo assim à luz voar pelo mundo. Se houvesse

gente em número suficiente que compreendesse a importância de ir até este lugar

interior, seriam capazes de suportar a tensão dos opostos no exterior. Jung

dizia que era essencial para evitar uma guerra atómica. (Hannah, 1981

pp.82 – 83)

In: Hannah, Barbara (1981): «Rencontres avec l’Âme – L’imagination

active selon C.G.Jung»; Psychologie, Collection la Fontaine de Pierre.

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As Deusas Moiras

Posted by Kingmob em abril 19, 2009

Post escrito pela Sem.

O que foi, será. O que aconteceu, acontecerá. Mesmo que se diga: Isso é novo – eis que já aconteceu em outros tempos, muito antes de nós. Nada há de novo debaixo do sol. (Ec.1.8-10) 

“Os homens se consideram livres porque estão cônscios das suas volições e desejos, mas são ignorantes das causas pelas quais são conduzidos a querer e desejar.” Baruch de Espinosa

 

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Configuram-se várias lendas a respeito das Moiras, as deusas gregas fiandeiras do Destino inexorável, as quais, nem mesmo os deuses, podiam-lhes a sorte evitar.  

Na Ilíada, de Homero, elas aparecem reunidas em uma única deusa implacável e terrível, filha de Zeus e da deusa Têmis, e em outro poema do mesmo Homero, Odisséia, assim como em Teogonia, de Hesíodo, a origem das Moiras remonta a um outro tempo mais antigo e eram, como elas costumam ser lembradas nos dias de hoje, as três irmãs fiandeiras, filhas de Nix, a deusa da noite, anterior à criação do próprio mundo.

A primeira recebe o nome de Cloto, tendo por função tecer o fio do nascimento da vida; a segunda, Láquesis, mede o comprimento do fio e trama a urdidura, determinando assim a sorte cabida a todos; por fim, Átropos, a que corta o fio da vida, quando este chega ao fim.

Durante o trabalho de fiar, tramar e cortar, as moiras faziam o uso da Roda da Fortuna, o tear utilizado para se tecer os fios da vida. Às voltas dessa roda, posicionavam o fio na parte mais privilegiada – o topo – ou em sua parte menos desejável – o fundo, explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de cada um.

Nos cantos órficos, relativos de Orfeu, sem saber-se até hoje com certeza se este foi o deus, consorte de Eurídice, ou se realmente foi um poeta e músico de grande talento e que de fato existiu, as deusas Moiras eram cantadas como as três partes da lua – fazendo referência às três Parcas. Nos cantos órficos, as Moiras estão ligadas à tríplice deusa lunar Hécate, cujo domínio da terra, do céu e do submundo, representava, respectivamente, as fases crescente, cheia e minguante da lua. Sendo a própria Hécate a representante máxima da face oculta do feminino, o mundo oculto da lua nunca visível ao Sol.

Existia ainda uma úpermoira, que era a sina que a pessoa atraía para si em função de levar uma vida desregrada de pecados. A úpermoira podia ser evitada, já as Moiras, enquanto predestinação, só podiam ser enfrentadas, e sua sorte não era determinada por boas ou más ações, nem estava ligada a uma vida com ou sem pecado, apenas era o destino implacável a ser cumprido.

 

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Sócrates dizia que tolo é o homem que pede aos deuses para que eles façam aquilo que ele próprio deve fazer, e mais tolo ainda aquele que não faz oferendas aos deuses, pedindo ou agradecendo por tudo aquilo que é próprio dos deuses fazer.         

 

 

 

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Oração da Serenidade: Concedei-me, Senhor, serenidade necessária para aceitar tudo o que não posso mudar, coragem para mudar aquilo que pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

 

Clássico curta do cinema brasileiro, de Humberto Mauro, A Velha a Fiar:

http://filmescopio.blogspot.com/2008/11/velha-fiar-1964-de-humberto-mauro.html

Estando no link, clique em “assistir: porta curtas”, escolha a mídia de sua preferência e bom filme!

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