Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for agosto \27\UTC 2009

O meio entre os opostos

Posted by adi em agosto 27, 2009

Desde sempre as mais variadas tradições falam sobre a trindade divina, e sobre aquele aspecto que vem resolver o problema da dualidade. Há um meio, moderador entre os opostos, queiramos ou não, entendamos isso ou não.

De certa forma, esse tema sobre os opostos, sobre as dualidades, sobre as parcialidades é ainda muito complicado por causa do tema em si mesmo, ou seja, é sobre parcialidades, opostos e dualidades, e a tendência é sempre estar em um dos lados de cada situação da vida, e quando estamos em um lado da questão, automaticamente excluímos o outro lado, nos agarramos as nossas convicções, e já partimos do pré-suposto que o outro lado está errado, não é o correto, é falho.

A realidade da vida é muito mais que isso, é muito mais que apenas uma possibilidade possível na dualidade, é muito mais que um ponto de vista na díade, é muito mais que certo ou errado, é muito maior que os opostos; e por isso o conflito, pois temos que lidar com esses opostos o tempo todo, diariamente na própria vida em que vivemos.

androsEssa questão dos opostos assombra o homem desde sempre, e com certeza, é um dos motivos ou impulsos principais na busca por resolver esse conflito que dói na Alma humana, e muito provavelmente, a partir dessa busca, as mais variadas tradições se dedicam a essa questão.

Segundo a psicologia, a psique, como a maioria dos sistemas naturais, tais como o corpo, luta para se manter em equilíbrio. Fará isso, mesmo quando suscita sintomas desagradáveis, sonhos assustadores ou problemas da vida aparentemente insolúveis. Se o desenvolvimento de uma pessoa foi unilateral, a psique contém em si todo o necessário para retificar essa condição.

A função compensatória empiricamente demonstrável operando em processos psicológicos correspondia a funções auto-reguladoras do organismo, observáveis na esfera fisiológica. Compensar significa equilibrar, ajustar, suplementar. Considerava a atividade compensatória do Inconsciente como equilíbrio de qualquer tendência para a unilateralidade por parte da consciência.

O objetivo do processo compensatório parece ser o de ligar, como uma ponte, dois mundos psicológicos. Essa ponte é o símbolo; embora os símbolos, para serem eficazes, devam ser reconhecidos e compreendidos pela mente consciente, isto é, assimilados e integrados. Leia o resto deste post »

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Homenagem a Raulzito

Posted by adi em agosto 22, 2009

Ontem 21 de Agosto, fez vinte anos que um dos maiores musicos do nosso País, Raul Seixas,  morreu. Raul não foi só um músico, foi um artista genial, que inovou com sua obra, abriu cabeças e deixou uma mensagem que ainda hoje é atual. Com certeza ele estava muito a frente de seu tempo.

Um pouquinho dele pra matar a saudade:

Raul Seixas era um garoto muito tímido na infância e na adolescência, e só vivia trancado no quarto lendo e compondo. Seu sonho no inicio era ser um escritor, até o Rock n Roll aparecer em sua vida. Nesse momento, nas telas dos cinemas, encanta-se com o talento de Elvis, de quem torna-se fã – e aponta-lhe o rumo musical: o Rock’n Roll. Sempre gostou também de clássicos do rock dos anos 50 e 60.

  • Raul Seixas desde criança escrevia textos e poesias. Fazia também revistas em quadrinhos para seu irmão (Plínio) a quem vendia. Seu sonho também era ser um escritor.
  • Raul Seixas e Waldir Serrão foram um dos primeiros garotos a terem contato com discos de Rock n Roll no Brasil, na Bahia, por que estava infestada de americanos nos anos 50/60, que se mudavam por questões de trabalho, assim toda a cultura do Rock foi trazida através deles.
  • No final dos anos 60, Raul Seixas teve um encontro com Mick Jagger. Que o incentivou a tocar música africana, pois vendo a música brasileira na raíz, havia percebido que a bossa nova era uma farsa.
  • Raulzito e os Panteras (banda de Raul) acompanhava artistas de pedigree que iam fazer shows na Bahia, entre eles: Roberto Carlos, Jerry Adriani e Wandérleia.
  • Raul Seixas passou nos primeiros lugares no vestibular de Direito, para impressionar a familia de Edith, que seria desde então a sua primeira esposa.
  • No inicio dos anos 70, Raul ao lado de Leno ( Da dupla Leno e Lilian ) gravou um disco chamado “Vida e Obra de Johnny McCartney”, um disco que caso fosse lançado seria uma evolução musical incrível para a época, pois seria um divisor de águas entre a Jovem Guarda e o Rock Nacional, porém pelo forte teor político, ele foi censurado. Raul divide parceria com Leno em 6 faixas do Disco. “Sentado no Arco-Iris”, segundo Leno, foi a primeira letra que Raul tivera realmente orgulho de escrever, lembrando que desde então suas letras eram românticas feitas para a Jovem Guarda.
  • Antes de ser cantor, Raul Seixas atuou como Produtor da CBS, produzia diversos artistas da Jovem Guarda, e compunha para eles também, entre artistas que gravaram suas canções destacam-se: Jerry Adriani, Diana, Leno e Lilian, entre outros.
  • A primeira música assinada por Raul Seixas/Paulo Coelho, “Caroço de Manga”, na verdade foi composta apenas por Raul Seixas, para incentivar o amigo, ele colocou o nome de Paulo Coelho na música, que mais tarde afirmou que aprendeu a escrever graças a linguagem popular que Raul Seixas o ensinara. Outra questão interessante é que os parceiros de composições de Raul Seixas costumavam ser seus amigos e por vezes até suas mulheres, frisando que Raul Seixas era muito generoso em dividir parcerias com todos eles.
  • Raul Seixas no Festival Internacional da Canção, escreveu duas músicas, Let me sing, Let me sing my Rock’n Roll e Eu sou eu, Nicuri é o Diabo, na primeira ele dividiu parceria com sua primeira mulher, para driblar o regulamento, que só exigia que apenas uma música por compositor fosse escrita no concurso.
  • Raul Seixas compôs Metamorfose Ambulante aos 12 anos.
  • A canção Gita, foi inspirada no livro hindu, chamado Baghavad Gita. Raul Seixas afirmou que compôs a música para falar de DEUS, como um “todo”. Leia o resto deste post »

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Grandes são os desertos, e tudo é deserto – Álvaro de Campos

Posted by Sem em agosto 14, 2009

Partilhando:

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ter que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.

Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

Álvaro de Campos
4-9-1930

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Só de sacanagem…

Posted by Fy em agosto 8, 2009

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Carl Orff: Carmina Burana

Posted by Sem em agosto 4, 2009

Libretto original e traduzido:

carmina_burana

Mil bravos! De aplaudir em pé:

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Unidade & Dualidades: de como o monismo e atomismo nos pré-socráticos engendram o homo complexus de Edgar Morin

Posted by Sem em agosto 2, 2009

Terminei, enfim, esta obra, que nem a ira de Júpiter, nem o fogo,

Nem o ferro, nem o tempo devorador poderão destruir.

Quando aquele dia, que dispõe apenas do meu corpo, quiser,

Poderá pôr fim ao tempo da minha incerta vida;

Mas com a melhor parte de mim me elevarei imortal

Sobre as estrelas, e o meu nome não perecerá.

Ovídio (43 a.C. – 17 a.C.)

Com este dramático apelo de Ovídio iniciamos o nosso trabalho. Não se pretende, é claro, nenhuma imortalidade, pois em tempos pós-modernos, falar em algo que dure ou repercuta mais do que uma estação é heresia. É um trabalho humilde, de pesquisa e reflexão, um leigo exercício em filosofia, mas que tem a ambiciosa meta de chegar ao fim e revelar, se não a fórmula, pistas de como tornar real ou o que significa realizar o símbolo & do nosso título.

O trabalho poderá ser lido de duas maneiras: a primeira e mais simples é uma leitura corrida e integral do texto, e a outra é ir lendo aos poucos, em separado, pelas cores, extraído o corpo principal em azul das junções coloridas, que trazem ora reflexões, ora digressões ou ainda algumas poesias, em complemento ao tema. As cores tornam as partes independentes umas das outras, no entanto, a única coisa que se pretendeu com o estilo multifacetado, por contraste, foi enfatizar a coesão.

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A sombra – por Jung

Posted by adi em agosto 1, 2009

Sendo o assunto do momento, acredito também de interesse pra muitas pessoas que visitam o Anoitan, abaixo segue um capitulo do livro AION de Jung, sobre a sombra e como ela atua no individuo.

” Os conteudos do inconsciente pessoal sao aquisicoes da existencia individual, ao passo que os conteudos do inconsciente coletivo sao “arquétipos” que existem sempre e a priori. Empiricamente,  os arquetipos que se caracterizam mais nitidamente sao aqueles que mais frequentes e intesamente influenciam e perturbam o eu. Sao eles a sombra a anima e o animus. A figura mais facilmente acessivel a experiencia eh a sombra, pois eh possivel ter um conhecimento bastante aprofundado de sua natureza. Uma excecao a esta regra eh constituida apenas por aqueles casos, bastante raros, em que as qualidades da personalidade foram reprimidas e o eu, consequentemente, desempenha um papel negativo, isto eh, desfavoravel.

A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguem eh capaz de tomar consciencia desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciencia da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato eh a base indispensavel para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, via de regra, ele se defronta com consideravel resistencia. Enquanto, por um lado, o autoconhecimento eh um expediente terapeutico, por outro lado implica, muitas vezes, um trabalho arduo que pode se extender por um largo espaco de tempo. Leia o resto deste post »

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