Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for novembro \24\UTC 2009

Sobre a Realidade

Posted by adi em novembro 24, 2009

Dom Juan: ” Aprendemos a pensar sobre tudo, e depois exercitamos nossos olhos para olharem como pensamos a respeito das coisas que olhamos. Olhamos para nós mesmos já pensando que somos importantes. E, por isso, temos de sentir-nos importantes! Mas quando o homem aprende a ver, entende que não pode mais pensar a respeito das coisas que ele olha, e se não pode mais pensar a respeito das coisas que ele olha, tudo fica sem importância.

Tudo é igual e dessa forma sem importância. Por exemplo, não há meio de eu dizer que meus atos são mais importantes do que os seus, ou que uma coisa seja mais essencial do que outra, e, portanto, todas as coisas são iguais, e sendo iguais são sem importância. Leia o resto deste post »

Posted in Uncategorized | 15 Comments »

As transformações iniciáticas – segunda parte

Posted by adi em novembro 17, 2009

Toda transformação inclui experiência de transcendência e mistério e envolve a morte simbólica e o renascimento. Muito embora exista uma tendência de falar algo exageradamente de uma renovação completa, não é este o caso. Há somente uma mudança relativa, de modo que a continuidade da pessoa e da psique é preservada. Se fosse de outra forma, observa Jung, a transformação realizaria uma dissociação da personalidade, amnésia ou outro estado psicopatológico.

O interesse de Jung pelo ritual originou suas viagens à África, Índia e às tribos indígenas no sudoeste dos Estados Unidos.Era sobretudo atraído pelos rituais de iniciação, neles encontrando paralelos com processos e progressões psicológicos feitos pelo indivíduo em diferentes estágios da vida.

Todas as iniciações envolvem a morte de uma condição menos adequada e o renascimento de uma condição renovada e mais adequada, daí os rituais são tão misteriosos como aterradores, pois o indivíduo é levado frente a frente com a numinosidade da imagem de Deus ou do Self, sendo compelido pelo inconsciente em direção à consciência. Relaciona-se ao sacrifício e é esse sacrifício, mais que quaisquer tormentos ou torturas, o que produz o sofrimento.

Os rituais:

Um serviço ou cerimônia encenada com um propósito ou intenção religiosa, seja tal propósito ou intenção consciente ou inconsciente. As representações rituais são baseadas em temas mitológicos e arquetípicos, expressam suas mensagens simbolicamente, envolvem uma pessoa totalmente, conduzem um senso de significado superior para o indivíduo e, ao mesmo tempo, contam com representações adequadas ao espírito dos tempos.

Quando ritos individuais e coletivos já não incorporam o espírito dos tempos, são buscadas novas representações arquetípicas ou novas interpretações são dadas a formas antigas, a fim de compensar o estado que mudou na consciência.

O ritual funciona como um continente psíquico para a transformação, quando o equilíbrio psicológico de uma pessoa é ameaçado pelo inesperado poder do numinoso durante um período de mudança de um status ou modo de ser para um outro.
Jung acreditava que o homem exprimia suas condições psicológicas mais importantes e fundamentais no ritual e que, se não fossem providenciados rituais apropriados, as pessoas espontâneas e inconscientemente inventariam rituais para salvaguardar a estabilidade da personalidade quando a transição de uma condição psicológica para outra era efetuada. Contudo, o próprio ritual não efetua a transformação; apenas a contém. Leia o resto deste post »

Posted in A Experiência Mística, alquimia, Filosofia, Não-dualidade, Psicologia, Xamanismo | 10 Comments »

Earth Song

Posted by adi em novembro 16, 2009

Posted in Arte, Musica, Uma Palavra de Nossos Patrocinadores | Leave a Comment »

“Anticristo” (em nosso tempo) de Lars Von Trier

Posted by adi em novembro 6, 2009

Comecei a Assistir “Anticristo” achando que seria mais um daqueles filmes de terror ao estilo de “O Exorcista”, “A Profecia”, “O Exorcismo de Emily Rose”, etc, mas não; não se trata desse tipo de terror, mas de um terror totalmente psicológico, interior, trata da dor nua, crua, desesperada, da culpa, auto-punição e dos medos mais profundos do ser humano.

imagesÉ um filme polêmico, chocante, simbólico, onde pode ser interpretado de diversas maneiras, mas não no primeiro momento, não logo depois de acabar o filme, porque nesse momento fica a sensação de: “Nossa!! Acabou assim, sem pé nem cabeça”, “não tem lógica, nem significado”,  ao mesmo tempo que,  quando se está assistindo  não se  desgruda o olho da tela, e depois que acaba o filme, mesmo com essa sensação de filme estranho, não paramos de pensar sobre ele, pois certamente as imagens fortes causam algum impacto dentro da própria psique, e nos traz muitos questionamentos.

Particularmente eu gostei muito do filme, porque mostra aspectos da natureza humana que ninguém gosta de admitir, o lado sombrio que está bem escondido dentro do ser, mas que ninguém em sã consciência quer mexer… mas como disse Jung, “Tudo aquilo que não enfrentamos em vida acaba se tornando nosso destino”.

Lars Von Trier escreveu o roteiro desse filme no auge de uma crise de depressão, ele disse:

“Não conseguia trabalhar. Seis meses depois, apenas como um exercício, escrevi um roteiro. Foi um tipo de terapia, mas também uma procura, um teste para ver se eu ainda faria algum filme”.  E ainda:  “O roteiro foi finalizado e filmado sem muito entusiasmo, feito como se eu estivesse utilizando apenas metade da minha capacidade física e intelectual”, contou ele. “O trabalho no roteiro não seguiu o meu modus operandi habitual. Cenas foram acrescentadas sem razão. Imagens foram compostas sem lógica ou função dramática. No geral, elas vieram de sonhos que eu tinha no período, ou sonhos que eu tive anteriormente.”

Exibido pela primeira vez no festival de Cannes desse ano, “Anticristo” chocou  parte da imprensa e aos críticos de cinema, que saíram antes da sessão acabar, ou vaiaram o filme ao final da exibição.

O filme tem uma belíssima fotografia, e começa em preto e branco, ao som da ária de Handel “Láscia La Spina”, música que também acompanha o desfecho final.

Para o filme ficar compreensível, é necessário uma leitura simbólica e mítica. E aqui coloco minha interpretação pessoal, compreendendo que o filme é riquíssimo em simbologia, cabendo portanto, diversas outras interpretações. Contém spoilers, por isso quem ainda não assitiu, melhor ver primeiro, antes de continuar a leitura. Leia o resto deste post »

Posted in A Experiência Mística, alquimia, Arquétipos, Arte, Cinema, Psicologia, Religião | 18 Comments »

Robert Happé: Consciência que Liberta

Posted by adi em novembro 3, 2009

Têm certas coisas que sempre vale à pena estar lembrando. Pois é, tudo o que Robert Happé, filósofo holandês nos fala, nós com certeza já ouvimos falar, já lemos em algum lugar, pensamos sobre isso, mas mesmo assim, ele fala de uma maneira tão simples essas mesmas coisas, que nos soa como um sopro renovado…

Já tinha assistido ao vídeo ano passado, mas hoje, recebi essa entrevista por e-mail, e trouxe aqui, porque é sempre bom lembrar de coisas boas.

Entrevista publicada em junho/2006 na revista O Ponto:

O filósofo Robert Happé é um desses seres humanos raros, que abraçam e beijam todo mundorobert happe. Nesses mais de 30 anos de peregrinação, ele tem encantado platéias por onde passa, não apenas por suas idéias, mas pela maneira simples com que fala delas. Autor do livro Consciência é a Resposta (lançado em 1997 pela editora Talento), atualmente divide seu tempo entre a família e a produção de um segundo livro e os seminários na Europa, Estados Unidos, Argentina e Brasil, país que ele define como “a última esperança”.

O PONTO – Você nasceu na guerra, perdeu seus irmãos e mais tarde sua mãe. Certamente essas experiências marcaram sua infância e juventude. Foi nestas circunstâncias que você despertou para a busca do conhecimento sobre o significado da vida?

ROBERT – Eu sempre senti que não era desse planeta, que todos eram muito diferentes de mim e que precisava buscar a verdade sobre a vida e sobre mim mesmo. Minha mãe aparecia para mim e eu me perguntava: “Sou louco? Onde está minha mãe? O que ela faz lá? Por que fala comigo?”. Queria entender por que todo mundo mata todo mundo, por que há tanto sofrimento e por que a vida é assim. Então, eu já caminhava para a busca de respostas, mas a consciência disso veio bem depois.

O PONTO – Na busca por essas respostas, você percorreu vários países e se aprofundou na cultura oriental, mantendo contato com Vedanta, Budismo, Taoísmo… Como foi essa experiência e que lições você tirou disso?

ROBERT – Na Índia eu descobri que a vida continua depois da morte. Mas nestas viagens eu também descobri que todas as religiões falam as mesmas coisas, mas de formas diferentes e umas contra as outras. Percebi que as pessoas não estudam para encontrar a verdade, mas para adorar suas religiões. Quando você adora sua religião, você não questiona e acaba virando as costas para a verdade. E eu sempre questiono.

O PONTO – Então você queria mais.

ROBERT – Sentia que não era só aquilo e que precisava de mais experiência de vida, por isso continuei viajando, vivendo no Nepal, Tibet e no Camboja, e estudando com os gurus. Mas também não fiquei satisfeito.

O PONTO – Mas foi no Camboja que você viveu sua maior experiência mística.

ROBERT – No Camboja, as pessoas são muito amáveis, mas, como no Nepal e no Tibet, há muita ignorância. Eles não vivem a consciência do coração, vivem através dos dogmas. Por exemplo, os monges cambojanos têm tudo nos templos para plantar e comer, mas saem para as ruas para pedir comida, esmolas. Eu pensava que aquilo estava errado, que eles deveriam fazer o contrário, levar comida e ensinamentos do templo para as pessoas que estavam do lado de fora. Então eu deixei a comunidade com um sentimento de que era o fim da rua para mim. Estava muito triste, parei e fiquei meditando. Então decidi ir para a floresta. Na floresta, passei a me alimentar do que a natureza me oferecia. Com o tempo, comecei a perceber coisas, luzes que iam ganhando formas. Eu vi os espíritos da Natureza. Esses seres vinham me visitar e uma vez eles pediram para que eu os seguisse. Não sei quanto tempo, mas depois de horas, dias, eu chego num lugar no meio da floresta e eles afastam a vegetação e então eu vejo uma grande rocha e nela a figura do Buda esculpida. Eu fiquei perplexo. Eles não falavam comigo, mas faziam gestos para que eu tocasse na imagem. No momento exato em que coloco as mãos na pedra, foi como se abrisse uma tela na minha mente. Eu vi uma grande cidade e no centro dela um templo. Dentro do templo havia três budas e um deles tinha o meu rosto. Leia o resto deste post »

Posted in A Experiência Mística, Amor, Anarquismo e Política, Filosofia, Não-dualidade, Uma Palavra de Nossos Patrocinadores, Uncategorized | 8 Comments »