Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for setembro \18\UTC 2012

Descoberto papiro que sugere casamento de Jesus

Posted by adi em setembro 18, 2012

E o assunto retorna como uma batata quentíssima nas mãos da ICAR.

“Documento escrito em língua copta reabre discussão sobre união com Maria Madalena e deverá gerar debate polêmico na Igreja Católica Romana

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/ciencia/descoberto-papiro-que-sugere-casamento-de-jesus-6127965#ixzz26rc0H4Xs
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A Necessidade de Se Mudar a Forma de Pensar

Posted by Filipe Wels em setembro 17, 2012

Anteriormente, escrevi sobre os memes e o inconsciente- sobre como nosso insconsciente serve de receptáculo para a transmissão de padrões cognitivos que filtram nossa percepção da realidade, determinando nossa conduta e reduzindo em muito o poder de escolha. Hoje quero falar novamente sobre o mesmo assunto, mas com outro enfoque.

Sabemos que formamos nossas crenças a partir de padrões de pensamento que são transmitidos por gerações (de maneira vertical- a criança é condicionada a ter a religião, a posição política e o time de futebol dos pais) ou de forma horizontal ( cópia de hábitos, valores e ideologias que estão com maior aceitação no momento) que condicionam nosso poder de escolha. Damos por certas muitas coisas que não são verdeiras- porque uma sociedade nos treinou, nos condicionou a aceitá-las como tal. Uma quantidade imensa do que damos como verdadeiro – e é compartilhado pela extrema maioria de pessoas- cai como um castelo de cartas quando lhes colocamos uma interrogação, um porquê. Muito do que julgamos como ponto pacifíco há anos e sequer ponderamos a respeito se revela uma bobagem sem tamanho quando agimos como advogado de acusação contra isso.

Nossas crenças e opiniões determinam as nossas escolhas, que se cristalizam em nossos hábitos. Por exemplo, você é condicionado a crer que determinada pessoa é superior ou inferior a você seja pelo gênero, idade, cor da pele ou condição econômica. Esse condicionamento fará com que você forme um juízo de valor sobre tal pessoa mesmo sem saber absolutamente nada sobre ela, influindo na forma com que a trata. Uma crença determinou sua atitude – e a atitude repetida forma o hábito. Somar o conjunto de crenças que nos influencia nos leva a perceber o quanto elas determinam o que comemos, como que vestimos, em quem votamos, como nos relacionamentos com os demais e com nós mesmos em praticamente tudo- e portanto, determinarão nosso futuro. Refletem-se em tudo, até em nosso modo de andar. Se você ocupa pouco espaço quando caminha, andando com os pés muito próximos um do outro, isso significa “não notem que eu existo, quero ocupar o mínimo espaço possível pra não incomodar ninguém “, revelando uma crença- inconsciente- de que é inferior aos demais. É possível dizer se determinada pessoa é introvertida pela forma como cruza os braços.

Daí a importância de ter um forte exame crítico com seus próprios hábitos – e não apenas as crenças em si, como disse antes- pois eles nos revelam nossas crenças, muitas das quais são inconscientes. Aquilo que acreditamos conscientemente também deve ser alvo de forte questionamento – principalmente quanto maior o grau de certeza que mantemos. Qual é a atitude comum que alguém tem quando uma idéia à qual está apegado recebe uma crítica externa? Ao invés de procurarmos analisar o argumento de quem a critica para ver se há algum grau de verdade, dizer ” inicialmente eu discordo completamente do que você diz, mas esponha sua opinião e os motivos que o levaram a chegar a tal conclusão que vou ponderar a respeito – e talvez você tenha uma certa razão, que possa me levar a mudar de idéia” imediatamente procuramos rebater o argumento contrário. Qualquer ataque contra nossas queridas idéias é , em vez de ser analisado e compreendido, rebatido de maneira automática, mecânica. Nos apegamos a elas por um motivo muito simples- como determinam nossas hábitos, aceitar que estamos equivocados nos leva a pensar que estamos vivendo de forma equivocada, o que é dolorido. Aceitar que estamos errados em algo que sustentamos há 1 ou 2 anos é simples. Quando são 15, 20 anos é muito mais difícil. Elas se cristalizam, e se não temos a postura que defendo como essencial- utilizar qualquer crítica ou acontecimento externo para questionar a visão que temos da realidade, procurar ler o que fala contra o que defendemos e não o contrário (é comum a leitura de artigos ou livros que compartilham e reforçam o nosso ponto de vista, quando o ideal é o contrário) à medida em que o tempo passa, nossa mentalidade passa a ser cada vez mais dogmatica, reativa e menos aberta à novas idéias . Convencer a um senhor de idade que determina certeza absoluta a qual se apega com tanto carinho desde a adolescência é completamente absurda é muito mais difícil do que com um jovem. Por isso a necessidade desse auto-exame contínuo.

Os amantes das certezas absolutas agem dessa forma porque tais conviccções dão um chão seguro para pisar. É a busca por ter as idéias ordenadas intelectualmente de maneira que diminua os riscos e cria uma situação confortável, o que é profundamente limitante. É o mesmo motivo pelo qual jovens de 25 anos ainda moram com os pais, ou que deixamos de ir conhecer uma pessoa interessante que vemos num shopping ou no ônibus – quando faze-lo poderia levar uma nova amizade ou quem sabe até a um casamento. Exposição, ousadia e não ter medo de assumir riscos são fatores fundamentais tanto em nossa relações profissionais e pessoais quanto no que se trata de alterar sua visão de mundo. A prisão em zonas de conforto torna o homem estático, e acaba se confortando com a hipótese esdruxúla de que com a idade vem a sabedoria ( que é o mesmo que acreditar que basta frequentar uma academia e ficar parado numa cadeira vendo os outros se exercitarem que seus músculos se desenvolverão) que , quando na verdade o que vem é uma mente decrépita ao menos que você não tenha medo de ser o maior inimigo de sua forma de pensar.

Resumindo o que foi dito até aqui: nós consumimos sem saber um conjunto de crenças que determina nossa maneira de agir, o que se cristaliza em nossos hábitos que é o que determirá o nosso destino – se há algum destino traçado nas estrelas que pode ser previsto por um mapa astral, não sei, mas há um destino que é determinado por nossos crenças, sendo a maioria delas inconsciente. Por isso é necessário um comportamento crítico com a sua forma de pensar ( ao invés de sair em sua defesa sempre, que é a atitude mais comum ) e usar as adversidades do cotidiano para usar as emoções que elas nos provocam para fazer um exame instrospectivo e constante de si, já que as emoções são portas de entrada para o inconsciente ( daí a importância de descobrir a si mesmo através da auto-crítica). Claro que isso leva a desconforto e insegurança, mas o desenvolvimento do homem so é possível quando se aprende a viver perigosamente, saindo da zona de conforto , ousadando e não temendo situações de risco. Falta ainda falar sobre como isso altera às pessoas em volta.

É comum pensar que eu posso fazer o que bem entender da minha vida- se cumprir as leis e não fizer mal a ninguém, posso fazer o que quiser de mim que não farei mal a ninguém porque atitudes de nossa vida privada não afetam a outrem. E isso é um erro. Tudo o que você faz afeta aos demais de alguma maneira.
Crenças criam atitudes. Atitudes criam hábitos. Um conjunto de hábitos em comum de várias pessoas em determinado espaço social criam uma cultura. Uma cultura se irradia por si mesma, ela tem o poder de se multiplicar pelos motivos que já foram abordados aqui. Portanto, se você tem um comportamento destrutivo para você mesmo -falta de cuidado com a saúde, ganância,preguiça,entre tantos outros- que aparentemente “não fazem mal a ninguém” , você está imeditamente contribuindo para a formação de uma cultura. Não faltam exemplos de que não existem escolhas puramente individuais.

Uma das consequencias de praticar o que escrevi aqui é conhecer a si mesmo- e consequentemente dos demais, porque quem conhece sua psique também conhece a dos outros. Isso leva a mudança radical em hábitos, que são substituídos por outros melhores e mais saudáveis, o que influencia de forma positiva aos demais. Por isso é tão importante mudar sua forma de pensar. Quer queira ou não, você sempre está contribuindo para mudar o mundo, para pior ou para melhorar. O desenvolvimento de cada um é determinamente no desenvolvimento do meio em que vivemos – e por isso a crença de que revoluções armadas ou mesmo que as pessoas “aprendam a votar” vao transformar nossa sociedade são ingênuas . Nossa responsabilidade com nós mesmos anda de mãos dadas com nossa responsabilidade com os demais.

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DIALÉTICA DO SAGRADO – por André Dantas (parte 2)

Posted by adi em setembro 11, 2012

” Enquanto antigamente o homem só se considerava verdadeiramente humano por mimetizar um modelo trans-humano, o homem moderno se reconhece humano na medida em que não apela para nada além de si. Para o primeiro interessava somente o mito, a história sagrada enquanto narrativa arquetípica que provê modelos típicos de comportamento, enquanto o segundo constrói sua própria história como narrativa do progresso, da superação do antigo onde o sagrado torna-se um obstáculo à sua liberdade. Se para o primeiro era a manifestação do sagrado que tornava esse mundo algo real, o segundo dessacraliza o mundo para conhecê-lo objetivamente. Tendo retirado os seus trajes sagrados ele se reconhece como o único sujeito agente da história, recusando qualquer apelo à transcendência20.

Tal dinâmica é o resultado do próprio cristianismo no qual deus, ao transcender a natureza, tornou-se tão inatingível para o homem que sua existência foi posta em dúvida. Mas essa é apenas uma parte da história. A outra é que esse arrancar-se violento da natureza é o que possibilitou a encarnação humana de deus. Para compreendermos melhor esse movimento lógico, precisamos retornar ao velho testamento onde estão as origens da religião cristã para flagrar o momento bíblico onde deus nega a si-mesmo enquanto fenômeno natural. Esse momento é o êxodo dos judeus do Egito, que enquanto povo escolhido não podia mais compartilhar a sacralidade natural dos egípcios e seus deuses com cabeças animais. Moisés sob o comando de Yaweh retira o seu povo dessa nação profana e os conduz através do deserto em direção à terra prometida. Durante esse êxodo há um momento crucial onde os dois mundos colidem. Um situa-se nas terras baixas, caracterizando-se por um deus que aparece em uma forma animal feita de metal e cultuado através de oferendas. O outro mundo é o pico da montanha, regido por um deus invisível e transcendente com um código moral de leis gravado em tábuas de pedra. O encontro dos dois se dá com um Moisés inflamado pela ira divina do deus da montanha acabando com a celebração em honra ao deus do bezerro de ouro. O episódio encerra-se com Moisés forçando todos a uma decisão, ao perguntar quem está do lado do senhor e comandando esses a pegarem suas espadas e matarem os discípulos do deus do bezerro de ouro.

O bezerro representado na imagem refere-se a uma antiga representação taurina de Yaweh. Isso significa que o que ocorreu na passagem bíblica não é um culto a um deus estranho, uma infidelidade rebelde. O que a narrativa personifica é uma transformação na imagem de deus, no modo como o sagrado relaciona-se com o mundo profano. Nas antigas religiões politeístas encontram-se vários deuses antropomórficos junto a animais que os servem, deidades em forma humana mostradas com os pés descansando em touros. Havia na antiguidade tardia um culto no qual um trono vazio era erigido para convidar uma deidade invisível a tomar posse dele. A imagem do bezerro de ouro pode ser compreendida como algo similar, uma estátua que servia de pedestal erigido para convidar o deus invisível a descer das suas alturas21.

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DIALÉTICA DO SAGRADO – por André Dantas (parte 1)

Posted by adi em setembro 8, 2012

Depois de tanto tempo sem atualizar o blog voltei, trazendo um texto muito bom e interessante de André Dantas que encontrei na Rubedo. Por ser um texto complexo e longo, vou colocar em duas partes pra ser apreciado sem pressa, vale a pena ler cada linha, eu gostei demais e recomendo.

” Todas as mitologias e religiões dividem o mundo em dois domínios opostos, o sagrado e o profano. Se em algumas mitologias a distinção entre o bem e o mal é inoperante, o mesmo não ocorre com aquela entre o mundo sagrado dos deuses e o mundo profano do homem, que não só determina a presença do sagrado numa cultura, como também a própria essência do sagrado e por isso também a do profano. Os dois domínios são distintos e muitas vezes hostis um ao outro, mas também fluem um no outro, visto que um pressupõe o outro. A oposição entre os dois coincide com a distinção entre o que é real e o que é irreal, entre o que “é” e o que “não é’, sendo por isso uma oposição ontológica. O sagrado é valoroso, sólido, real, enquanto o profano pertence ao domínio do não-ser e do irreal. Essa oposição entre ser (sagrado) e não-ser (profano) organiza todo o cosmos mítico-religioso tornando possível a cultura com seus ritos e mitos.

O mundo dos deuses opõe-se ao dos homens, pois o que é tido como sagrado isola-se escapando dos limites da experiência profana, realizando-se como negação do habitual e do comum. Isso ocorre porque para os antigos o espaço não é homogêneo e indiferente, apresentando rupturas, quebras, porções qualitativamente diferentes umas das outras. Há espaços sagrados, consistentes, significativos e há outros não consagrados, sem estruturas e por isso amorfos e inconsistentes. O sagrado só se manifesta ao operar essa distinção e sua manifestação funda ontologicamente o mundo do homem como um animal cultural. Essa oposição é contada recontada em milhares de mitos sobre seres sobrenaturais que criaram um cosmos organizado a partir do caos. Essa ordenação é representada como o surgimento de uma ilha, uma atividade ou instituição que por pertencer ao espaço sagrado organiza e estrutura o espaço profano ao seu redor. Qualquer ação, lugar ou tempo só possui valor, sentido e realidade caso o sagrado tenha ali se manifestado, pois ele confere significado e tudo que lhe escapa torna-se o lugar do não-ser, do relativo, do não-sentido. O profano é neutro, arbitrário, possui grau zero de significação e toda a ação se desenrola no sagrado que por ser intenso, real e significativo, organiza e estrutura a indistinção profana. Graças à mímesisda ação de um deus ou herói, os homens redimem o espaço profano, pois os atos sagrados são os arquétipos de todas a ações significativas realizadas pelos homens, por isso são realizados rituais periódicos onde esses atos são repetidos para garantirem a coesão vital de toda uma cultura2. Continue lendo »

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