Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for the ‘Anarquismo e Política’ Category

A Poesia, o Futebol e a Política

Posted by Sem em julho 14, 2014

Estava on line hoje pela manhã, estampado na página de abertura do Jornal do Brasil, esse consolador texto de Drummond, escrito em 1982, quando da prematura eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa daquele ano. Fala das derrotas esportivas e do que elas significam, para além das aparências do mundo redondo.

 

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(clique na imagem para destacar)

 

Texto tão consolador, como só a um poeta da grandeza de Drummond para nos fazer sorrir, assim, caindo na real. Ver o mundo como ele é e ver beleza disso.

Um texto que poderia ter sido escrito hoje, tão atual continua sendo hoje quanto o foi na época. Com uma diferença, parece que hoje Drummond não fala mais conosco, brasileiros inconsolados (ou nem tanto, nem todos) por suas derrotas esportivas, parece que hoje Drummond fala mais com os argentinos, verdadeiramente inconsolados de tristeza pela derrota de ontem frente a forte e simpática seleção alemã – inesperada, porém nada vergonhosa derrota, tanto quanto em 1982 foi a nossa. Os argentinos de hoje, como os brasileiros de ontem, nada têm que se envergonhar de seu futebol mesmo, só lastimar a grande falta de sorte, que faz o futebol ser apaixonante e imprevisível do jeitinho que é, à semelhança da vida.

Drummond não fala mais conosco porque não somos mais aquele país e nem aquele povo. Não somos e nem poderíamos ser, já que o tempo nos fez mudar, como não poderia deixar de ser.

Deveríamos então poder dizer que hoje somos melhores. Somos? Estamos? Evoluímos?

No futebol devemos admitir que não estamos melhores, no máximo podemos dizer que somos diferentes, porque o futebol mudou e nós tivemos que mudar com ele.

Na política estamos melhores? Ou “melhor” não é bem um termo para se usar em política. Talvez, então, dizer que “progredimos”. Progredimos? Em qual sentido estamos evoluindo? Leia o resto deste post »

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Não vai ter Copa!

Posted by Sem em junho 13, 2014

Vocês conhecem o Exu tranca-Copa? Pois, creiam-me, ele existe… Tem sido visto com frequência – e incorporado, inclusive, cada vez mais agora, em época de Copa da FIFA por essas bandas tupiniquins…

Segue o texto com detalhes – retirado daqui, a melhor análise que pude ler até hoje do assunto “Copa”, do professor Lisandro Moura, da IFSul.

 

Estamos “comendo” a FIFA

 

Túlio Tavares, Antropofagia

Túlio Tavares, Antropofagia

 

“O Brasil não é para principiantes”. Essa frase, atribuída a Antonio Carlos Jobim, corresponde a uma advertência para quem coloca em questão o Brasil de hoje e de ontem e de sempre. Em tempos de Copa do Mundo, nosso país está mais do que nunca sintonizado com sua verdadeira vocação antropofágica, tão bem descrita no manifesto oswaldiano: “nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós”1. Temos aversão a todo tipo de ordenação, de disciplina, de racionalização que caracterizam o pensamento burocrático impessoal e as economias de todo o tipo. Somos atrapalhados e nos metemos em grandes confusões. Na verdade, essa é a nossa maior riqueza. É que não somos afeitos à domesticação. Nem a FIFA, nem o mercado, nem o Estado e nem ninguém conseguem amansar esse povo complexo e controverso. A FIFA já constatou: o Brasil é o pior país para se trabalhar a sério na organização do Mundial. Não há elogio mais gratificante do que esse. Estamos com as obras atrasadas. Pois que atrasem! Somos originais. Vangloriamo-nos da dor de cabeça que causamos ao inimigo externo. Sairão daqui com o desejo de nunca mais retornar. Mas os traremos de volta, daqui uns anos mais, para causar-lhes uma dor de cabeça renovada.

Aqui no Brasil, nós devoramos o inimigo pela adesão a ele. Uma adesão relativa, é certo, e avessa aos compromissos de filiação. Aceitamos a Copa para mostrar ao mundo quem somos e o que desejamos ou não desejamos. Para mostrar que o país do futuro se constrói na incerteza do presente. Na aceitação do presente como um devir. Aceitamos a Copa para combatê-la através do que ela nos proporciona de melhor: o futebol. Ah, o futebol… O combate acontece na forma de entrega nada maniqueísta. Vai ter Copa e não vai ter. Vai ter jogo e protesto, farras e vaias, sangue e gols e punhos cerrados. O corpo inteiro como experiência coletiva. Abrimos as portas de casa para o mercado financeiro, para a especulação imobiliária, para a violência internacional, violência policial. Dormimos abraçados com o inimigo. E acordamos em festa. No entanto, mal sabem os analistas principiantes que, durante a noite, nós é que “comemos” o inimigo. Assimilamos seus valores e os transformamos de acordo com uma lógica interna, própria do espírito carnavalesco. Tal como nas palavras de Haroldo de Campos sobre o sentido do Brasil canibal: “assimilar sob espécie brasileira a experiência estrangeira e reinventá-la em termos nossos, com qualidades locais iniludíveis que dariam ao produto resultante um caráter autônomo e lhe confeririam, em princípio, a possibilidade de passar a funcionar por sua vez, num confronto internacional, como produto de exportação2.”

Esse é o alicerce da nossa nacionalidade. A verdade subtropical do pensamento selvagem, o pensamento da fundação da nova civilização planetária. Homo Novus Brasilensis. Eis a virtude do jeitinho brasileiro e do “homem cordial” como produto de exportação. Porque essa é nossa herança mais profunda, nossa ontologia cultural brasileira. Boicotamos o Estado antes que ele boicote nossa espontaneidade. Driblamos os governos e o mercado e apresentamos ao mundo uma nova Copa do Mundo, onde a bola dividirá o campo com os protestos. Usamos a Copa para revelar ao mundo as mazelas do mundo. Nossa luta é contra as instâncias referendadas pelo Estado e pelo mercado, que tentam controlar as efervescências e organizá-las de acordo com a lógica normativa do poder. O poder que vem de cima e que é avesso ao húmus, aos que vivem no chão. Nossa filosofia é chã, como a do Manoel de Barros. Nossa tática é irracional, é anti-tática. O fim da política como estratégia de guerra. A refundação da política como experiência interna, regada à festa. A ordem primitiva. A vitória de Dionísio sobre Apolo. A derrota da ciência pela astúcia do mito. A superioridade da magia frente à desencantada religião. Não seria isso o verdadeiro “ateísmo com Deus” do manifesto antropofágico?

De fato, não há compatibilidade entre o nosso turbante de bananas e a gravata engomada dos executivos da Copa. Aqui a periferia (aqueles do chão) impera antes, durante e depois do carnaval. É ela quem civiliza. Essa é a nossa virtude. Por isso, a tradicional fórmula “colonizadores versus colonizados”, com a superioridade dos primeiros, não se encaixa no nosso perfil. Nossa fórmula é tupi: a anti-fórmula. Somos potência econômica. Mas o que temos com isso? Não partilhamos a riqueza. Dominamos pelo imaginário, esse sim bem distribuído e cada vez mais real e potente.

Não basta a FIFA ter o poder do capital para financiar o espetáculo artificialmente midiatizado e ordenar a cidade de acordo com interesses financeiros. Aqui nos trópicos, capital não é suficiente. Tem que ter jogo de cintura, saber sambar e rebolar na boquinha da garrafa. Caso contrário, damos de 10 a 0 com direito a drible à la Garrincha, balãozinho e bola por entre as canelas. Não basta ter poder, tem que ter espírito. Isso nós temos de sobra. Com o espírito do Exu tranca-copa, o espírito do povo das ruas, dos bêbados e equilibristas, dos palhaços de circo, dos bufões de esquina, dos mascarados, dos craques da várzea… nós vamos, aos poucos, “comendo” a FIFA.

Estamos na véspera da Copa que não vai acontecer. Cabe aqui uma última advertência a todos o que pensam poder colocar o Brasil em xeque. A advertência já foi dada por Hélio Oiticica, o herói marginal, mas poderia ter saído de qualquer outro anti-herói Macunaíma, ou seja, de qualquer um de nós: “quem ousará enfrentar o surrealismo brasileiro?”3

1 ANDRADE, Oswald. Manifesto Antropófago. In: A Utopia Antropofágica. Obras Completas de Oswald de Andrade. São Paulo: Globo 1990.
2 Citado por VELOSO, Caetano. Antropofagia. São Paulo: Penguin Classics / Companhia das Letras, 2012, p. 54.
3 OITICICA, Hélio. Brasil Diarréia (1973). In: In DERCON, Chris et all (org). Hélio Oiticica (catálogo). Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, 1998.

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Corrida contra o tempo

Posted by Sem em outubro 27, 2013

Estamos a dois dias de completar o quarto ano de nascimento do Marco Civil da Internet, que é uma iniciativa legislativa para regular o uso da Internet no Brasil, por meio da previsão de princípios, garantias, direitos e deveres de quem usa a rede, e da determinação de diretrizes para a atuação do Estado.

Desde que chegou ao Congresso Nacional, em 2011, o Marco Civil da Internet nunca foi votado. No âmbito da comissão especial e no plenário da Câmara dos Deputados, a votação do projeto já foi adiada por oito vezes.

Porém, após denúncias de espionagem no caso Edward Snowden, da parte do governo americano ao governo brasileiro, e a empresas nacionais como a Petrobras, Embraer e Embrapa, a presidente Dilma Roussef, no dia 11 de setembro
de 2013, assinou e mandou publicar no Diário Oficial da União a mensagem de urgência para a sua votação.

A partir da publicação deste ato no Diário Oficial da Câmara dos Deputados, o Marco Civil deverá ser apreciado na casa, obrigatoriamente, nos próximos 45 dias e, em seguida, enviado ao Senado para ser apreciado por igual período naquela casa.

Terça-feira, 29 de outubro, acaba o prazo para a apreciação do Marco Civil na Câmara dos Deputados, justo no dia do seu aniversário, e a sociedade brasileira não deve ficar alheia do que acontece em Brasília.

Informe-se a respeito – boas fontes aqui, aqui e aqui. Assista aos vídeos, assine a petição, discuta o Marco Civil com amigos, pressione aos congressistas, posicione-se!

 

 

 

o sonho é a partida; a realidade é o fim

internet brain

a vitória é da vida; a derrota é da ilusão

 

 

 

 

Agora!

 

Estamos próximos do ponto de partida: – Qual é a vida que você quer?

A largada será no ponto de chegada: – Qual é o mundo que você sonha?

Vence quem chegar primeiro, mas ninguém chega antes de cumprir o sonho.

Vence quem sonhar mais alto, mas nada se sonha do que o Sonho não queira.

 

 

Estamos próximos e vivendo de nossas ações: – O que você está fazendo

agora?

 

 

 

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O Belo e A Consolação

Posted by Sem em outubro 23, 2013

A Política e Os Mistérios

 

Lao-tzu disse, (cap. 4):

A sabedoria nada tem a ver com governar os outros, mas é uma questão de ordenar-se a si mesmo.

 

A memória humana é algo traiçoeira, invariavelmente guardamos o que gostaríamos tivesse nos acontecido e nem sempre o necessário para nos relembrarmos o mais aproximado dos fatos… Digo isto porque estou tentando me lembrar, e sem sucesso, quem era a cientista que me marcou profundamente num certo documentário que assisti há anos no National Geographic (ou talvez tenha sido no Discovery). A cientista em questão trabalhava em um campo de pesquisa na África, observando e catalogando populações de gorilas (foi o que guardei, mas pode ser que tenham sido populações de chimpanzés). O que me interessou vivamente nesse documentário foi ela ter dito, após longa e estudiosa observação de gerações de “gorilas”, de que a felicidade de um bando dependia diretamente do temperamento do líder daquele grupo. Se o macho dominante no bando tinha um temperamento violento e era agressivo, o bando invariavelmente sentia-se sempre acuado e vivia com medo, se perverso, os jovens se comportavam de modo mais maldoso que o “normal”, e as fêmeas idem, se o líder era gentil, a benevolência era estimulada e imperava naquele grupo… Apesar de cada animal manter ainda a sua personalidade distinta, o espírito do grupo era influenciado diretamente por seu líder e se vivia, melhor e mais, ou pior e menos, em decorrência disso…

Por que estou relembrando isso agora? Sincronicidades entre o que tenho lido, vivido, assistido, participado…

 

Lao-tzu disse (cap. 159):

Há fatores constantes na arte de governar nações, mas a base está em beneficiar o povo.
Recitar os livros dos reis antigos não é tão bom quanto ouvir suas palavras, e escutar suas palavras não é tão bom quanto compreender aquilo de que eles falavam. Os que alcançam aquilo de que eles falavam descobrem que as palavras não podem expressá-lo. Por isso o Tao de que se pode falar não é o Tao eterno, e um termo que pode ser designado não é um nome permanente.

 

Não. Não quero sustentar aqui a tese de que a felicidade humana dependa exclusivamente de nossos líderes… E em parte não é assim para nós humanos porque sustentamos sociedades mais complexas que nossos parentes primatas mais próximos, além do que nós individualmente comportamos transcendências, porém, na parte que tange à nossa biologia, e na qual nunca deixaremos de ser os animais que somos, é uma questão a ser sempre reflexionada…

 

Lao-tzu disse (cap. 160):

Como é que o mundo poderia ter leis fixas e permanentes? Enfrente os tempos adequadamente, descubra padrões humanitários razoáveis, entre em sintonia com o céu e a terra, e compreenda os fantasmas e espíritos; assim será possível governar corretamente.

 

E a nossa sociedade, humana e global, está vivendo num momento bastante delicado e perigoso, entre o flutuar da nossa sensação de insegurança e infelicidade, em que estamos muito mal servidos de lideranças mundiais…

No Brasil estamos vivendo numa crise de representação, literalmente, numa crise de re-pre-sen-ta-ção. Nossos governantes têm se comportado de modo ainda mais truculento e indiferente com o povo do que o usual, isto é, eles nem se esforçam mais por disfarçar a tão boa (ou má) aclamada fama do brasileiro em ser cordial…

Nossos governantes têm confundindo o exercício crítico da cidadania com desordem social. E o grosso da grande mídia concessionada comprou essa ideia e tem seguido a essas “lideranças”, ou, não sei bem quem segue a quem, já que neste aspecto muitos dos “concessionados” são políticos, com interesses na política, direta e/ou indiretamente…

Para a intranquilidade do povo brasileiro, o que grassa em nosso meio político é a corrupção, a mentira deslavada, a intriga e o costumeiro jogo sujo da busca do poder pelo poder… Portanto, seguindo o estudo antropológico com primatas, é “natural” que muitos brasileiros achem normal, mas sem admiti-lo publicamente, seguir o exemplo desses líderes: roubar para ter o que se quer; mentir para permanecer impune; comportar-se de modo truculento para intimidar e constranger seus adversários; se necessário prender, se possível torturar, até matar se for o caso (como na UPP da Rocinha, em pleno Rio de 2013, no emblemático caso do ajudante de pedreiro Amarildo)…

 

Lao-tzu disse (cap. 168):

O Tao das nações é que os governantes não devem dar ordens cruéis, os funcionários não devem criar trâmites burocráticos complicados, as pessoas cultas não devem comportar-se desonestamente, os artesãos não devem fazer trabalhos decadentes, as funções devem ser delegadas sem agitação, os instrumentos devem ser completos mas não embelezados.
As sociedades caóticas são diferentes. Os que se preocupam com a política pequena elevam-se uns aos outros a posições altas, e os que se preocupam com a etiqueta homenageiam-se uns aos outros com artificialidades. Os veículos são extremamente decorados, os instrumentos são extravagantemente embelezados. Os materialistas lutam pelo que é difícil de obter, considerando que isso é precioso. Os escritores buscam a complexidade e são prolixos, considerando que isso é importante. Por causa da sofisticação, as questões são longamente analisadas sem que se tome qualquer decisão, o que é inútil para a produção da ordem e, ao contrário, gera mais confusão. Os artesãos produzem curiosidades, gastando anos para completar objetos que nem sequer são úteis.

 

Estou lendo Wen-tzu – A Compreensão dos Mistérios, todas as citações em destaque deste texto vêm deste livro. São ensinamentos de Lao-tzu (ou Lao Tsé, o fundador mítico do taoísmo e o atribuído autor do Tao-te King).

O momento histórico em que este livro foi escrito (século 8 a.C., aproximadamente) descreve um momento com perturbadoras semelhanças e paralelos ao nosso, em que uma sociedade decadente entra em crise e vive momentos de incertezas, em que os governantes perderam suas raízes de contato com o Tao.

 

Lao-tzu disse (cap. 156):

Em matéria de aprendizado, se você puder compreender a divisão entre o celestial e o humano, penetrar as raízes da ordem e do caos, manter essa consciência através da clarificação da mente e da purificação da atenção, ver o final e o começo e retornar para a não-coisificação aberta, isso pode ser chamado de vitória.

 

Já o mistério da identidade da cientista, lá no começo em que citei-a, abordando o documentário de minha memória falha, é na verdade uma questão muito simples, se o objeto de estudo da cientista foram os gorilas, o documentário foi a respeito da zoóloga americana Dian Fossey, se chimpanzés, foi com a etóloga inglesa Jane Goodall.

Embora ambas sejam mulheres incríveis, cada uma a seu modo, temperamento e circunstância – e elas guardam mesmo muitas semelhanças ideológicas entre si, a americana teve um desfecho trágico nas montanhas de Ruanda, o lugar em que por 20 anos viveu e trabalhou. Dian Fossey foi assassinada em 1985, após denunciar a caça ilegal de gorilas naquela região. Poucos anos após a sua morte foi feito um filme, um tanto hollywoodiano, contando a sua trajetória de vida, chamado Nas Montanhas dos Gorilas, tendo a atriz Sigourney Weaver representando o seu papel. Embora não seja um mau filme, penso que é o caso em que a vida superou – em muito, em beleza e verdade – a ficção…

 

Lao-tzu disse (cap. 11):

Quando o céu alcança suas alturas e a terra alcança suas profundezas, quando o sol e a lua brilham, quando as estrelas piscam e o yin e o yang se harmonizam, não há nenhum artifício em nada disso. Percorra o caminho correto e as coisas serão espontaneamente naturais.

 

Quanto a Jane Goodall, após assistir ao vídeo que posto a seguir, que vim a descobrir recentemente e no qual ela é entrevistada pelo jornalista holandês Wim Kayzer, para um programa da televisão holandesa de 2001, descobri que é uma das mulheres mais maravilhosas e sábias de que tenho notícia, no verdadeiro sentido taoísta de sabedoria… Perto dela me sinto pequena e com muito a aprender para me tornar num ser humano melhor, porém, estranhamente feliz… Para mim a sua descrição de vida é a verdadeira prática da espiritualidade humana mais elevada que consigo conceber…

Assista a entrevista e tire suas próprias conclusões…
Eu por mim concluo redondo retornando ao começo:

 

A sabedoria nada tem a ver com governar os outros, mas é uma questão de ordenar-se a si mesmo. (Lao-tzu)

 

 

E Viva o Anarquismo!

Liberdade aos presos políticos!

 

 

JANE GOODALL – O BELO E A CONSOLAÇÃO:

 

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A Ave de Athena

Posted by Sem em outubro 14, 2013

A alma abre-se a si própria

como se abre um lótus

de inúmeras pétalas

Kahlil Gibran

 

Gutemberg Ostemberg
 

 

Símbolos Sabeus: Plutão está próximo de concluir 1/3 de sua jornada pela constelação do signo de capricórnio e a imagem que o grau sabiano nos revela é de uma paisagem noturna, em que um homem, de braços abertos, carrega uma coruja em cada mão. Não distante, uma terceira coruja empoleirada no alto de uma árvore, num giro de 360°, a tudo observa:
 

                                                               corujas

 

                                                                                                                                              homem

 

                                                                                             árvore

 

                a lua

 

                                                                             o vento invisível

 

Quando saí de mim,

quando nasci para o mundo,

vi tanta injustiça no mundo, mas, também, tanta beleza

 

Eu vi, eu ouvi, eu senti,

eu assisti,

depois falei, e participei,

e me esqueci de mim, e de meus planos egoístas

 

Eu produzi manifestos,

alguns óbvios, outros contestáveis,

grandes e pequenos vômitos de repúdio ou rasgos de esperança;

eu fiz poemas, eu fiz proezas,

entre aleluias de dor e de ira, também entre prazer e euforia;

e embalado por sons,

em meio a estampidos, gritos, sussurros, gemidos,

manifestei toda minha indignação e minha revolta,

e também a minha louca vontade de estar

entre amigos

 

E todos fomos despertados por uma luz, por uma chama,

atendendo ao chamado da coruja

 

u u u u u u u u

à luz da lua

 

Vê se escuta, que a chama da liberdade se faz ouvir como num hino;

vê se enxerga, que o brilho com que a luz da inteligência salta e gira, e se descobre

como o olho da coruja que sabe, porque enxerga até no escuro,

o caminho, a verdade, a vida

 

Nenhum convite, nenhum sufoco, nenhum protesto,

uma música sequer, nenhuma,

nenhum estado de concentração ou disposição de abertura,

pode se comparar ao som do coração que bate

quando escuta

 

Black blocs nas cidades maravilhosas que lutam, chamando,

caminhando, cantando, enxameando,

incitando,

anarquismo na veia

 

PODER \o/

                PODER \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

PODER \o/

                \o/ PODER \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

PODER PARA O POVO \o/

                \o/  \o/ PODER PARA O POVO \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ 

PODER PARA O POVO \o/

                \o/ \o/ \o/ PODER \o/ \o/ \o/ PARA O POVO \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ 

E O PODER DO POVO \o/

                \o/ \o/ \o/ \o/ E O PODER \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ DO POVO \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

E O PODER DO POVO \o/

                \o/ \o/ \o/ \o/  \o/ \o/ \o/ \o/ \o/  \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ E O PODER DO POVO \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

VAI FAZER O MUNDO NOVO \o/

                \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ VAI FAZER \o/ \o/ \o/ O MUNDO \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

\o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/\o/ \o/ \o/ \o/ \o/ NOVO \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/ \o/

 

Aos ouvidos de Plutão, deliciados, dois mil anos se passaram,

como passado um dia humano

 

Mas nem o esquecido deus pagão sabia, após vinte séculos rolados, quanta falta lhe fazia

a canção do mundo

 

O som que a alma faz quando se abre em mil folhas,

e asas batem,

e voam

 

Agora Povo cuidado

para onde vai;

o que pede;

Ele ouve

 

Nada pessoal nessa hora

 

Dizem,

que um pedido ao deus impiedoso,

quando ele quer destruir alguém, atende ao pedido

 

Nada pessoal nessa hora,

somente ao coletivo

é seguro

 

E qual é a ave símbolo do professor?

 

 

1 milhão nas ruas pela Educação no Ato Nacional do dia 15 de outubro

Dia do Professor

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TODOS JUNTOS!

TODOS DE PRETO!

TODOS DE LUTO PELA EDUCAÇÃO!

 

 

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Seja a Mídia

Posted by Sem em setembro 30, 2013

 

http://www.webrealidade.org/

 

 

Mundo Novo

 

Quanto mais fundo mergulhamos em nós descobrimos o outro

E é nessa distensão entre o dentro e o fora que criamos asas

Voamos

 

Voar é milagre

 

Ato doloroso de descoberta do mundo

E maravilhamento com a vida

 

Voar requer duas asas

Sustentar duas asas com perfeição

As asas que recebemos da graça divina quando temos propósito

 

Voamos quando estamos imersos unicamente em problemas pessoais?

Voamos quando fechamos os nossos olhos à paisagem ao redor?

 

Amor Verdade Beleza Liberdade Justiça são linguagens de pássaros

 

Escuta a canção solidária e generosa da vida

Dê asas à sua imaginação

 

Voar é milagre

 

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Antes que a Independência acabe…

Posted by Sem em setembro 7, 2013

7 de Setembro

 

 
Antes que a Independência acabe

ou o dia

ou a vida

 

Vamos nos cobrir de Negro

de tintas

de panos

 

Somos uma Nação de Negros

de negros Vladimires

de negros Amarildos

 

Hoje é o Dia da Alforria!

dia de bailes de mascarados nas ruas

dia de intervenções artísticas – muita atenção: é preciso Arte no exercício da cidadania!

 

Nosso dia! Dia de máscaras negras cobrindo nossas peles mestiças

ao toque de recolher o medo

e espalhar alegria

 

 

 

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Na vida precisamos sempre usar máscaras, pois ninguém nos reconheceria se nos apresentássemos
de rosto nu

Lêdo Ivo

 

O desafio é fazer com
que o nosso desejo de luz não nos faça temer o escuro

Mia Couto

 

 

 

PS: para acompanhar as manifestações com independência, bons panoramas por aquiaquiaquiaquiaqui

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COM VANDALISMO

Posted by Sem em agosto 16, 2013

documentário completo

 

 

 

“SEM VANDALISMO!” repetiam gritando parte dos manifestantes que ocuparam as ruas de Fortaleza. Mas na multidão das manifestações, que explodiram no Brasil em junho de 2013, outros grupos empregaram métodos mais diretos. Tachados de “vândalos”, foram criminalizados por parte da grande mídia, antes mesmo de serem ouvidos. Este documentário vai à “linha de frente” para registrar os confrontos e entrevistar os manifestantes para mostrar as motivações dos atos de desobediência civil.

Documentário – 70min – junho de 2013 – COPYLEFT
Nigéria – http://www.facebook.com/nigeriafilmes / e-mail: contatonigeria@gmail.com

 

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Até quando?

Posted by Sem em agosto 15, 2013

Gabriel O Pensador – Até Quando?

 

 

 

 

Não adianta olhar pro céu
Com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer
E muita greve, você pode, você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão
Virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!
Até quando você vai ficar usando rédea?!
Rindo da própria tragédia
Até quando você vai ficar usando rédea?!
Pobre, rico ou classe média
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
muda que o medo é um modo de fazer censura

 

Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)
Até quando vai ser saco de pancada?

 

Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
O seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
Cê tenta ser contente e não vê que é revoltante
Você tá sem emprego e a sua filha tá gestante
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
Você que é inocente foi preso em flagrante!
É tudo flagrante! É tudo flagrante!!

 

A polícia
Matou o estudante
Falou que era bandido
Chamou de traficante!
A justiça
Prendeu o pé-rapado
Soltou o deputado
E absolveu os PMs de Vigário!

 

A polícia só existe pra manter você na lei
Lei do silêncio, lei do mais fraco
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
A programação existe pra manter você na frente
Na frente da TV, que é pra te entreter
Que é pra você não ver que o programado é você!
Acordo, não tenho trabalho, procuro trabalho, quero trabalhar
O cara me pede o diploma, não tenho diploma, não pude estudar
E querem que eu seja educado, que eu ande arrumado, que eu saiba falar
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá
Consigo um emprego, começa o emprego, me mato de tanto ralar
Acordo bem cedo, não tenho sossego nem tempo pra raciocinar
Não peço arrego, mas onde que eu chego se eu fico no mesmo lugar?
Brinquedo que o filho me pede, não tenho dinheiro pra dar!
Escola! Esmola!
Favela, cadeia!
Sem terra, enterra!
Sem renda, se renda! Não! Não!!

 

Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!

 

Até quando você vai ficar levando porrada,
até quando vai ficar sem fazer nada
Até quando você vai ficar de saco de pancada?
Até quando?

 

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Magia = Cosmos = Política

Posted by Sem em julho 19, 2013

Uma interpretação dos movimentos sociais ocorridos no Brasil através da astrologia

 

 

Convocação a Saturno

aquarius

Era de Aquário 

quando o Samsara é o Nirvana

e não o contrário

 

 
Em astrologia, se diz, há duas espécies de trânsito: os de curta e os de longa duração.

Os primeiros não se estendem por mais do que algumas horas ou alguns poucos dias e, consequentemente, têm curta ou relativa influência em nossas vidas. Alguns são mesmo tão ligeiros que podem até passar despercebidos. Mas, vamos lembrar, basta um momento – feliz ou infeliz – para mudar tudo na vida de uma pessoa.

 

A vida acontece num momento

 

Já os trânsitos de longa duração, são de outra natureza – não menos trágica – e não se consegue ignorá-los, precisam, de um ou de outro modo, ser enfrentados. Envolvem em geral planetas mais demorados, e alguns podem custar anos a passar.

Ligeiros ou demorados, o tempo todo em nossas vidas nós passamos por trânsitos, e a interpretação deles caracteriza a própria arte da astrologia. Alguns são mais fáceis de encarar do que outros, dependendo, não apenas da natureza deles, mas de nós em relação ao assunto transmitido. Nós, e a história da vida em nosso planeta, passamos por trânsitos, e é natural, já que a vida é dinâmica.

Quero chamar a atenção nesse momento para os dois tipos de trânsito, que estão ocorrendo em simultâneo agora, entre vários planetas transpessoais – assim chamados em astrologia os gigantes gasosos e para além deles (a partir de Júpiter), cuja influência em nossas vidas se dá mais pelo modo indireto como agem, através de mudanças que provocam em nosso meio social e ambiental, mudanças às quais temos que necessariamente nos adaptar.

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