Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Posts Tagged ‘Taoísmo’

Pérola do Oriente

Posted by adi em março 19, 2014

Do livro Chuang Tzu – Ensinamentos Essenciais.

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” O artesão Ch’ui conseguia traçar uma linha reta qual fio esticado, e fazia um círculo tão perfeito quanto um compasso. O segredo? Deixava a sua mão mudar com a mudança das coisas, e não permitia que o seu coração e a sua mente se distraíssem. Assim conservava a morada do espírito unificada, porém desembaraçada.

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Alquimia Esotérica Chinesa

Posted by adi em outubro 17, 2012

É uma raridade encontrar textos sobre alquimia chinesa na internet, raridade maior ainda é encontrar bons textos como esse aqui de uns dos maiores mitólogos, historiadores e filósofos das religiões, Mircea Elíade. Apesar de textos sobre alquimia usarem de uma linguagem simbólica e de difícil compreensão, o texto em questão é como uma pérola trazendo muita clareza sobre o trabalho interno de desenvolvimento espiritual, simplesmente imperdível a leitura.

” Até estes últimos anos, os cientistas europeus consideravam a “alquimia externa” ou iatroquímica (wai-tan) como sendo “exotérica”, e a “alquimia interna” ou da ioga (nei-tan) como “esotérica”. Se essa dicotomia é verdadeira na opinião de certos autores tardios (cf. p. 94), na origem o wai-tan “era tão esotérico quanto a sua réplica ioga” (Sivin, p. 15, nota 18). Efetivamente, como acabamos de ver, Sun Ssu-mo, ilustre representante da “alquimia externa”, situa-se por inteiro na tradição esotérica taoísta.

O alquimista transforma em coisa sua a homologação tradicional entre o microcosmo e o macrocosmo, tão familiar ao pensamento chinês. O quinteto universal, wu-hsing (água, fogo, madeira, ouro, terra) é assimilado aos órgãos do corpo humano: o coração à essência do fogo, o fígado à essência da madeira, os pulmões à essência do metal, os rins à essência da água, o estômago à essência da terra (textos em Johnson, p. 102). O microcosmo que é o corpo humano acha-se por sua vez interpretado em termos alquímicos. “O fogo do coração é vermelho como o cinábrio e a água dos rins é negra como o chumbo”, escreve um biógrafo do famoso alquimista Lii Teu (século VIII A.D.).[11] Homologado ao macrocosmo, o homem possui, no seu próprio corpo, todos os elementos que constituem o Cosmo e todas as forças vitais que asseguram a sua renovação periódica. Trata-se apenas de reforçar certas essências. Daí a importância do cinábrio, que se deve menos à sua cor vermelha (cor do sangue, princípio vital) do que ao fato de que, exposto ao fogo, produz o mercúrio. Ele encerra, portanto, o mistério da regeneração pela morte (pois a combustão simboliza a morte). Disso resulta que ele pode assegurar a regeneração perpétua do corpo humano, e, conseqüentemente, a imortalidade.

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Rios de Vida – Meridianos e Ch’i

Posted by adi em fevereiro 26, 2010

Os chineses ensinam que o Ch’i se transporta pelo corpo através dos 12 principais canais de energia, conhecidos como meridianos.

Cada meridiano se conecta a outro por intermédio dos nossos órgãos e sistemas principais e o Ch’i flui irrigando e nutrindo órgãos e tecidos, promovendo o efetivo funcionamento do organismo. Os meridianos correspondem a uma rede complexa, altamente imbricada e cobrem todo o corpo, estabelecendo canais entre órgãos, vísceras, o interior e a superfície corporal, o Yin e o Yang.

A obstrução de um meridiano reduz a circulação do Ch’i, gerando desequilíbrio interno e doença. Por exemplo: o canal do meridiano do coração flui do coração às axilas e desce pelo braço até o dedo mínimo. Sua obstrução explica por que algumas pessoas com problemas cardíacos reclamam de um formigamento que corre do braço até os dedos da mão.

A necessidade de compreender a ação do Ch’i e de desenvolver métodos que permitam que ele flua sem obstruções, cumprindo assim sua função, geraram classificações. A ação do Ch’i na fisiologia é classificada pelos opostos complementares, energia (Yang) e matéria (Yin). O aspecto Yang (energia) recebe o próprio nome Ch’i e o aspecto Yin (matéria) recebe o nome Jing. Continue lendo »

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Mais um pouco sobre o Tao

Posted by adi em fevereiro 17, 2010

O Taoísmo é uma filosofia que trata da essência e natureza da condição humana. O Tao pode ser descrito como o princípio de não-ser, que dá origem a todas as coisas. É o vazio — presente em tudo que é. Difícil de entender? Pois é, não é fácil mesmo. Mas hoje esse conceito abstrato já pode ser cientificamente comprovado.

Nossas células são compostas por milhões e milhões de átomos e, segundo a física quântica, mais de 99,9% deles são formados por espaços vazios. Isto é, nosso corpo físico tem uma imensa porcentagem de vazio. É um monte de nada. O vazio cria a energia, a matéria e o corpo físico que percebemos por intermédio de nossos órgãos sensoriais. Esse corpo físico é repleto de partículas subatômicas e estas só podem ser entendidas por meio de suas interconexões, das relações e dos movimentos que estabelecem entre si. Para a física quântica, o universo é um processo harmonioso, unificado, um entrelaçamento dinâmico de elementos inter-relacionados — precisamente o pensamento fundamental da filosofia taoísta e também da budista.

E, se para o taoísmo a origem de tudo é o vazio, o não-ser, esse é também o estado ao qual retorna tudo o que é. Pois aquilo que existe, morre. Do vazio surge a forma e da forma, o vazio. Esta milenar observação chinesa é análoga à teoria da relatividade da física moderna que criou dois conceitos opostos: de matéria e energia, uma transformando-se incessantemente na outra.

Esse fenômeno de transformação não implica em julgamento de valor — nem a forma é boa, nem o vazio ruim, ou vice-versa. O que se revela é uma relação de harmonia e equilíbrio entre todas as coisas.

Isso é a natureza: equilíbrio harmonioso. E nós somos parte dela. O que ocorre no meio ambiente pode ocorrer com o ser humano. Conhecendo a natureza, você aprende a conviver em equilíbrio consigo mesmoo e com o meio. Equilíbrio significa vida e morte, fraqueza e força, saúde e doença, pois o Tao é responsável por todos os lados desse balanço. Continue lendo »

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O fazedor de chuva taoísta

Posted by Kingmob em abril 23, 2009

Este conto que transcrevo abaixo resolve para mim na prática todas as questões relativas a livre-arbítrio e destino. Quando fui procurar no Google observei que há este conto no Franco-Atirador. Mas essa aqui é uma versão diferente.

A grande oposição entre filosofia ocidental e prática espiritual oriental parece ser que esta última tem seus pilares nas diversas práticas meditativas e corporais que dão acesso direto a estados de consciência diferenciados dos usuais ( sono, sonho e vigília). Estados nos quais, segundo os grandes professores espirituais,  as maiores questões da filosofia ocidental clássica (tais como livre-arbítrio e destino, dualidade e unidade entre sujeito e objeto, etc) caem por terra.  Não que a razão filosófica perca totalmente seu sentido de ser – mas ela por si só é incapaz de superar as próprias questões que coloca.

Segue o conto do “fazedor” de chuva:

Esta história foi muitas vezes contada, mas Jung, que portanto nos dava

poucos conselhos diretos, disse-me um dia: «Nunca faças seminários (nem

conferências) sem contar às pessoas esta história».

Num dos seus últimos Natais, pouco tempo antes da sua morte, quando nós

assistíamos ao Jantar do Clube , ele contou-a para nós de novo.

Não havia certamente ninguém na sala que não conhecesse já a história e

portanto, depois que ele a contou, toda atmosfera mudou. Eu fiz, como tinha

feito antes, porque ele me tinha dado instruções para a repetir assim tantas

vezes.

Houve uma terrível seca, na parte da China, onde vivia Richard Wilhelm

de Jung e tradutor do I Ching. Depois das pessoas ter tentado em vão os meios

conhecidos para obter a chuva, decidiram mandar buscar um fazedor de chuva.

Isto interessou muito a Wilhelm que se preparou para estar lá quando o fazedor

de chuva chegasse. O homem veio numa carroça coberta, um pequeno velho ressequido,

que fungava com uma repugnância evidente quando saiu da carroça e que pediu que

o deixassem sozinho numa pequena cabana em frente da aldeia; mesmo as suas

refeições deviam ser deixadas no exterior diante da porta.

Não se ouviu falar mais dele durante três dias, pois, não somente choveu,

mas houve uma grande caída de neve, o que nunca se tinha visto nesta época do ano.

Muito impressionado,Wilhelm procurou o fazedor

de chuva na cabana e perguntou-lhe como podia ter feito chuva e mesmo neve. O

fazedor respondeu: “Eu não fiz a neve; não sou responsável por isso”. Wilhelm

insistiu: havia uma terrível seca até à sua vinda e depois, passados três dias,

houve grande quantidade de neve. O fazedor de chuva respondeu: “Oh! Isso eu

posso explicar. Veja, eu venho dum lugar onde as pessoas estão em ordem; estão

em Tao; então o tempo também está em ordem. Mas chegando aqui, vi que as

pessoas não estavam em ordem e também me contaminaram. Por esse motivo fiquei

sozinho até estar de novo em Tao, e

então, naturalmente, nevou». (Hannah, 1981: pp 21)

(…) «Os alquimistas procuravam sem cessar unir os opostos, pois não é

senão quando estão unidos que se pode encontrar a verdadeira paz. Quando se

examina o estado do mundo, apercebemo-nos que por todo o lado, um dos opostos

tenta sobrepor-se ao outro. Colectivamente nada podemos fazer; Jung repetia-o

constantemente: a única forma que temos de fazer alguma coisa, é no indivíduo,

é em nós mesmos. É o princípio do fazedor de chuva: quando o indivíduo está em

Tao – local onde os opostos estão unidos – há uma influência inexplicável sobre

o ambiente (…) Há em nós um lugar onde os opostos estão unidos e nós devemos

aprender a ir visitá-lo, permitindo assim à luz voar pelo mundo. Se houvesse

gente em número suficiente que compreendesse a importância de ir até este lugar

interior, seriam capazes de suportar a tensão dos opostos no exterior. Jung

dizia que era essencial para evitar uma guerra atómica. (Hannah, 1981

pp.82 – 83)

In: Hannah, Barbara (1981): «Rencontres avec l’Âme – L’imagination

active selon C.G.Jung»; Psychologie, Collection la Fontaine de Pierre.

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Duas pepitas de ouro

Posted by Kingmob em março 10, 2009

 

Antigamente o conhecimento não era fácil de ser disseminado. Alguns poucos tinham acesso a ele. Hoje, com a internet e a crescente multiplicação de pesquisas em todas áreas o problema não é tanto ter acesso ao conhecimento, mas selecionar o que é relevante do que não é. O lado sombra da internet se propaga como uma grande revista “Capricho” e outras fofuras para adolescentes que distraem mais do que informam. O conhecimento e as formas de acessá-lo se multiplicam, mas a quantidade de tempo para digerir estas informações continua o mesmo. É imprenscidível portanto, hoje mais do que nunca, selecionar o que ler, o que buscar, com quem se relacionar.

Os dois documentos abaixo foram encontrados em sítios da internet. Representam de alguma forma pontos culminantes. O primeiro são exercícios chineses leves que harmonizam e dinamizam  a energia (chi) do corpo. Mas por trás da simplicidade reside um imenso poder de cura e serenidade, é imprescindível  experimentar. O segundo são transcrições de aulas do pensador Gilles Deleuze sobre a obra do príncipe dos filósofos: Baruch Spinoza. A Ética,  por ele escrita representa uma das obras máximas que o espírito humano é capaz de conceber. Estas palestra de Deleuze servem muito bem como leitura preliminar, já que a linguagem da Ética é bastante técnica e própria.

Chi Kung (em inglês): aqui.

Deleuze: aqui.

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