Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

O fundamento

Posted by adi em fevereiro 18, 2014

De certa forma, um dos problemas pra quem trilha um caminho solitário, de autoconhecimento  e auto iniciação, é saber onde estamos nessa terra desconhecida nunca antes mapeada, ao menos por nós simples mortais que a estamos desbravando. Vamos tateando as escuras, procurando pistas e muitas vezes até desejando ter um guia que nos conduza “facilmente” pelo caminho da verdade, nossa doce ilusão, porque sabemos que mesmo com um guru experiente esse caminho nunca será fácil, temos que caminhar por nossas próprias pernas e o homem só pode ser iniciado por Si-mesmo. Além do mais, nos dias de hoje, está cada vez mais difícil encontrar um guru ou mestre legítimo que tenha passado ele mesmo por todo o processo iniciático, então é melhor seguir nosso próprio mapa a cair na armadilha do cego guiando cego.

Claro que minha intenção aqui no Anoitan é tão pouco ser o guia cego 🙂 (ou melhor, a guia cega 🙂 ), também não é a de revelar nada além do que já não foi revelado, simplesmente é um ajuntado de coisas baseadas em muita pesquisa e estudo, que realizo sempre com o intuito de tentar compreender e integrar minhas próprias experiências, o meu caminho. Sei que cada caminho é único e pessoal, mas como a raiz arquetípica é coletiva, bem como o sistema que distorce nossa percepção da realidade também ser coletivo, talvez esse post possa ser de alguma utilidade para aqueles que assim como eu, estão trilhando esse caminho solitário.

Dando continuidade ao post anterior “Só o Amor”, palavra tão desgastada atualmente, e apesar disso, tão fundamental em tudo em nossas vidas. A forma mais comum que o conhecemos é a sentimental, tão belamente retratado, cantado, proseado, poetizado, dramatizado, através dos tempos no mundo todo.

Mas neste post e nos próximos que se seguirão, eu gostaria de abordar Amor no sentido do caminho espiritual, não que espiritualmente Amor não seja sentimento, ele é, mas ainda há um sentido mais profundo, mais abrangente e místico.

Antes de irmos direto ao assunto, é bom saber ou relembrar do seu significado esotérico em algumas tradições.

William Bouguereau - Eros on the Lookout _1890_

VISHNU é o deus principal da trindade hindu, representa SATTVAGUNA, o modo da bondade, e é responsável pela sustentação, proteção, e manutenção do universo. VISHNU é a fonte original de todos os Avatares e deuses. Ele está Presente em cada átomo da criação, bem como no coração de todos os seres. A palavra Vishnu significa “aquele que tudo penetra”, ou “aquele que tudo impregna”. Vishnu, o conservador, é para muitos hindus o deus universal. Traz em geral quatro símbolos: um disco, um búzio, uma maçã e uma flor de lótus. Sempre que a humanidade precisa de ajuda, esse deus benévolo aparece na Terra como um avatar de salvação. É o equivalente hindu do Cristo Cósmico e do Osíris egípcio. Umas das reencarnações de Vishnu é Krishna, um dos mais conhecidos avatares, ele representa a divindade do amor.

“Eu sou o amor puro dos amantes que lei nenhuma pode proibir.”  Krishna

No livro A Doutrina Secreta de Helena P. Blavatsky, encontramos o seguinte: “Fohat (em tibetano: vida cósmica ou vitalidade) é uma palavra tibetana que designa um dos conceitos mais importantes da Cosmogênese Esotérica. É  uma expressão usada para designar a força de interação entre a Ideação Cósmica e a Substância Cósmica, o “incessante poder formador e destruidor”. A expressão Fohat é sinônimo da expressão daiviprakriti, a luz do Logos. Ele é uma força fundamental na formação do cosmo.

Fohat é a essência da eletricidade cósmica, entendendo “eletricidade” como um atributo da consciência. No mundo manifestado ele é a força vital oculta, que, sob a vontade do Logos criador, une todas as formas, dando-lhes o primeiro impulso. Ele é a força propelente que torna o Um em diversos, agregando e combinando os átomos. Na constituição humana ele corresponde aos pranas.

No Hinduísmo Fohat é esotericamente associado a Vishnu (o deus mantenedor do Universo), na mitologia grega Fohat é associado ao deus Eros, e na mitologia egípcia ao deus Tum.”

Eros é geralmente conhecido como deus do amor e do desejo – o que corresponde a Fohat, pois este é o desejo da ação criadora e, na sua qualidade de Amor divino, o poder elétrico de afinidade e simpatia. Ao apresentá-lo como filho do Caos, a tradição mais antiga apresentava-o como a força ordenadora e unificadora – assim aparece na versão de Hesíodo e em Empédocles, o eminente filósofo pré-socrático. O seu poder unia os elementos para fazê-los passar do caos ao cosmos, ou ao mundo organizado. Deste modo, ele desponta o Cosmos do Caos, como incessante poder formador. Nas cosmogonias órficas, Eros tudo une, e destas uniões nasce a raça dos deuses imortais (os Dhyani Chohans, que ele mobiliza e através dos quais se transmite, como já vimos). Em Hesíodo, está entre os primeiros a emergirem do Caos (na verdade, Daiviprakriti-Fohat é a própria força de emersão do Cosmos das águas primordiais) e, com ele, “arranca” tudo o mais (do Caos).  Eros traduz a união dos opostos e essa é a função de Fohat, que, desde logo, une os dois polos radicais do Universo: Espírito e Matéria, Purusha e Prakriti.”

Já Freud usou o termo Eros para definir libido ou o impulso vital e sexual como um dos instintos primários principais que determinam o comportamento humano. O instinto de vida é de autoconservação das espécies e para a sobrevivência e reprodução do indivíduo. A palavra Eros inclui tudo que visa o prazer (como o contato físico, alimentação, energia, movimento, alegria).

Em Jung, encontramos termos paralelos e representativos da energia do amor: além de libido, também energia psíquica, eros, símbolo, arquétipo, função transcendente, e, dentre todos, o mais significativo é o conceito de Self, como um principio unificador dentro da psique humana.

Em Alquimia é a quintessência, a panaceia e a pedra filosofal que une os opostos.

E claro não deixando de citar o Cristo, a encarnação do amor, aquele que nos trouxe um novo mandamento: “Amar a Deus em todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”.

Amor é tudo isso: união, interação, relacionamento, magnetismo, atração, desejo, sexo, criação, sustentação, manutenção, conservação, proteção, elixir da vida, reconciliação, mediador, verdade, vida, força, bálsamo que cura, liberdade, libertação, etc, etc. Pode ser descrito por uma infinidade de adjetivos, mas por enquanto o exposto acima está de bom tamanho para dar continuidade ao próximo post.

————————————————————————————————————————————————————————————————————

Fontes e ref.: Wikipedia, Rubedo, Biosofia.

Imagem:  Eros on the Lookout (1890) de William Bouguereau

Anúncios

2 Respostas to “O fundamento”

  1. Sabe que, independentemente dos processos genéticos envolvidos na questão da reprodução e do instinto de preservação – hipótese pouco fundamentada – é importante ver a procriação como resultado indireto (ou secundário) e o impulso do prazer como motivo (ou processo primário). Então, como forma de desmistificar um pouco isso e salientar a raiz metafísica desse comportamento, sugiro “Julius EVola – A Metafísica do Sexo”.

  2. adi said

    Olá Guilherme,

    Adorei sua sugestão, muito obrigada pela dica. 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: