Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for dezembro \21\UTC 2008

Kurt Cobain é meu Jesus

Posted by Kingmob em dezembro 21, 2008

a Don Guakyto e Drew Hempel, pensadores de direita (cerebral).

O cineasta Pier Paolo Pasolini faz terminar sua obra-prima “Teorema” com uma das personagens correndo nua em pleno deserto cinzento e de repente a faz soltar um grito, um urro, melhor dizendo, primal, de desespero. A personagem, um burguês, dono de uma imensa fábrica, tem em decorrência dos acontecimentos do filme a sua identidade avassalada pelo poder de uma pulsão que livre de qualquer limite arrasta consigo tudo que vê pela frente. Ante a fragilidade da identidade burguesa e de sua unidade mínima fundamental, a família, o que resta depois de uma carreira desabalada da pulsão é o deserto e o urro, toda coerência passando a ser um acidente de percurso.

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Musica e Paixao e Solsticios- Benjamin Zander

Posted by luramos em dezembro 20, 2008

ben zander

Estamos na vespera dos solsticios. Logo mais teremos a noite ou o dia mais longo do ano, dependendo em que hemisferio voce estah.

Mesmo que voce nao siga nenhuma tradicao paga (com til) e nao celebre, este eh um fenomeno natural e estah acontecendo.

Entrar em contato com a Natureza e seus fenomenos eh uma maneira delicada e obvia de entrar em contato com Deus e deus, acessivel aos mais questionadores e cheios de duvida. O ciclo da vida se manifesta. E hah centenas de milhares de anos o homem observa o deus Sol, a luz, aumentar e diminuir, e todas as transformacoes da Natureza no decorrer do ano. E as tradicoes religiosas entao, criaram paralelos interiores e exteriores destes fenomenos naturais e nos ajudam(?) a entrar em contato com nosso deus interior e, para alguns, com um Deus exterior.

Segundo wikipedia “Enthusiasm” (Ancient Greek: ἐνθουσιασμός enthousiasmos) originalmente significava inpiracao ou possessao por uma inspiracao divina ou pela presenca de um deus. O tempo deteriorou o sentido desta palvra…No primeiro dicionario de ingles, entusiamo tambem queria dizer uma crenca va (com til), ou vaidosa de uma revelacao privada, ou ainda, uma vaidosa confianca de algum favor ou comunicacao divina. Atualmente a palavra eh mais usada no sentido de se sentir alegre e interessado ou aprovar uma ideia.

Reinvoco o sentido original da palavra em grego, tao lindamente demonstrado neste video. Ben Zander fala sobre musica e paixao e estah possuido por seu deus neste momento. (Clique aqui -nao na foto- para aproveitar a energia do solsticio e entusiasmar-se tambem!): http://dotsub.com/view/a5aa3af4-6c93-43f8-9fca-599fc3a947a9

Espero que mesmo estando com legenda em ingles, (queria muito ter traduzido, mas nao sei como) muitos possam entender e se inspirar com tamanho entusiasmo! E se voce quiser deixar umas palavras, ou um link de algo que lhe inspire tambem, muito obrigada!

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O Trabalho Interno

Posted by luramos em dezembro 18, 2008

blogdervishwoman

Hah muitas belas historias sobre Rabia, uma amada santa sufi do seculo VIII. A minha preferida eh a que se segue:
Uma vez a amada Rabia estava numa rua bem iluminada, entretida procurando uma chave perdida. Logo seus vizinhos comecaram a procurar tambem, embora sem sucesso. “Onde voce perdeu esta chave, Rabia?”, Leia o resto deste post »

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Double Rumi on the rocks

Posted by Kingmob em dezembro 12, 2008

Tu e Eu

Feliz o momento em que nos sentarmos no palácio,

dois corpos, dois semblantes, uma única alma

– tu e eu.

E ao adentrarmos o jardim, as cores da alameda

e a voz dos pássaros nos farão imortais

– tu e eu.

As estrelas do céu virão contemplar-nos

e nós lhes mostraremos a própria lua

– tu e eu.

Tu e eu, não mais separados, fundidos em êxtase,

felizes e a salvo da fala vulgar

– tu e eu.

As aves celestes de rara plumagem

por inveja perderão o encanto

no lugar em que estaremos a rir

– tu e eu

Eis a maior das maravilhas: que tu e eu,

sentados aqui neste recanto, estejamos agora

um no Iraque, outro em Khorassan

– tu e eu.

Encontro de almas

Vem.

Conversemos através da alma.

Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes,

sorri comigo, como um botão de rosa.

Entendamo-nos pelos pensamentos,

sem língua, sem lábios.

Sem abrir a boca,

contemo-nos todos os segredos do mundo,

como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos

que só são capazes de entender

se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.

Já que todos somos um,

falemos deste outro modo.

Como podes dizer à tua mão: “toca”,

se todas as mãos são uma?

Vem, conversemos assim.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.

Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.

Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.

in: (Poemas Místicos – Divan de Shams de Tabriz, tradução: José Jorge de Carvalho, Attar Editorial).

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O aspecto moral da realidade última

Posted by Andrei Puntel em dezembro 9, 2008

A religião, como ferramenta de controle social, é sempre moral. Moral que, apesar de iniciada sobre valores positivos, quase sempre se torna perversa, justificando atrocidades e desmandos.

A maioria dos livres pensadores com um viés espiritualista vem de uma religião oficial e paulatinamente dela se afasta, por adotar uma postura crítica perante atitudes incoerentes e absurdas. Entre seu próprio juiz interno e a autoridade constituída, opta corajosamente por responsabilizar-se por seu destino. No entanto, décadas de vida sob o jugo religioso deixam marcas. A maior delas é buscar um sentido moral para a realidade.

Essa é a pedra de roseta para compreender a grande confusão em que nos encontramos. Buscar um sentido moral, um valor basicamente humano, no infinito, é como buscar justiça na gravidade ou felicidade no vento. Pode até funcionar em termos poéticos e alegóricos, mas configura-se um desastre como literariedade. Daí vem as pérolas que ouvimos em cultos televisivos, de como Deus está feliz, bravo ou, a minha preferida, decepcionado com alguém (alem d´Ele não ser onisciente, configura-Se como um péssimo avaliador de caráter).

Aqueles que buscam o fazem por sentir a realidade como manifestação de uma Inteligência una que se expressa como beleza e harmonia, na Criação atemporal e dinâmica. Quaisquer reflexos de atividade humana no céu são absolutamente fantasiosos e servem apenas para alimentar o ego do observador.

Retornando a questão apresentada no post carma e linearidade, e tendo clara a natureza absolutamente especulativa do que digo, vejo o carma como um maravilhoso instrumento de harmonia e perfeição. Mas de forma alguma como um elemento moral.

Se a realidade é uma só, um único continuum, devemos esperar que suas leis sejam coerentes. E a maior delas é a necessidade de equilíbrio. Isso ocorre na matéria. A relatividade nos diz que uma massa de alguma forma distorce o espaço-tempo ao seu redor. Outra massa, posta em seu raio de ação responderá, atraindo reciprocamente a massa original até que ambas estejam em um estado de equilíbrio dinâmico. Psicologicamente, os mecanismos de reação do individuo a estímulos externos, sendo a satisfação o estado de equilíbrio desejado, são bastante conhecidos. E espiritualmente as tendências na relação recíproca do indivíduo com o ambiente são a efetivação dessa lei do equilíbrio através do carma. Um processo que atrai as condições necessárias para que a consciência atinja a Harmonia. Não é um processo moral. Não é causa e feito de suas ações a outrem. Não há prêmio ou castigo. E só aquilo que você precisa para Ser.

E para aqueles que se aferram a uma realidade necessariamente moral, lembramos que não é um código externo que conduz o homem à virtude, mas sua capacidade de colocar-se no lugar do outro. Esse é o único valor absoluto. Um comportamento moral derivado de um deus moral é quase sempre frágil e questionável.

Além do que aquilo que entendemos por deus é só uma possibilidade.

Aliás, nós também somos.

Abraço.

Andrei Puntel

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Mysterium Coniunctionis (Casamento Sagrado) – segunda parte

Posted by adi em dezembro 7, 2008

Os alquimistas com razão conceberam a união mental na superação do corpo apenas como a primeira etapa da união, ou respectivamente da individuação. Na sua totalidade os alquimistas procuraram alcançar (simbolicamente) “uma união total dos opostos” e a consideravam indispensável para a cura de todos os males. Procuravam encontrar os meios e o caminho para preparar aquele ser que une em si todos os opostos.
Ele devia ser espiritual e material, vivo e não-vivo , masculino e feminino, velho e jovem, e como se supõe moralmente neutro.
Ele devia ser criado pelo homem, mas simultaneamente como um “não criado”, devia ser a própria divindade (Deus terrestre).
Como o segundo passo no caminho para a produção desse ser se entendia a reunião da posição espiritual com a esfera corporal.
Para esse processo a alquimia conhece muitos símbolos. Um dos símbolos principais é o “casamento alquímico” que se realiza na retorta.

A PRODUÇÃO DA QUINTA ESSÊNCIA

A grande dificuldade da segunda etapa consiste no fato de não se saber como se poderá realizar um dia a imagem paradoxal da totalidade no homem. Esta é a cruz da individuação. Leia o resto deste post »

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Mysterium Coniunctionis (Casamento Sagrado) – primeira parte

Posted by adi em dezembro 4, 2008

Fiquei pensando sobre o que escrever na minha estréia aqui no Anoitan, e como estou relendo o livro de Jung – Mysterium Coniunctionis – um livro que acho muito difícil e denso, ao mesmo tempo fascinante pelo tema que aborda, isto é, o casamento sagrado ou a união dos pares de opostos em seu processo alquímico, e que em seu aspecto psicológico, o casamento alquímico significa o processo de individuação, então resolvi fazer um apanhado, como um resumo de algumas partes bem interessantes do livro. Pra não ficar muito longo, dividi em 3 partes, assim como são 3 as etapas da conjunção.

Jung cita 3 etapas principais dessa uniáo:

– primeiro grau da coniunctio = união mental

– segundo grau da coniunctio = união corporal

– terceiro grau da coniunctio = unus mundus

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