Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Budismo: O Padrão Tríplice do Caminho

Posted by adi em janeiro 23, 2013

Não é difícil perceber como a vida atua num processo dinâmico e contínuo de transformações, nada é estático e permanente. A tradição budista sempre enfatizou a impermanência de todas as coisas como condição natural da própria existência. Observando a natureza ou o mundo ao nosso redor, mesmo nossa própria natureza, constatamos essa dinâmica da vida num contínuo processo de aparição e desaparição, ou melhor, de construção e desconstrução, materialização e desmaterialização, nascimento e morte. Há sempre uma renovação sobre as coisas já existentes em todas as camadas do ser, seja ela material ou psicológica.

Aliás, esse assunto tem sido uma constante nos posts aqui do Anoitan, não por coincidência, mas por ser a base e o propósito de todo caminho iniciático. Uns dos motivos de eu trazer esse trecho do livro da Francresca Fremantle, é que a partir do ponto de vista do budismo tibetano, da pra fazer uma excelente analogia tanto em alquimia, cabala e claro em psicologia analítica. Não só percebemos os mesmos fundamentos, bem como, nos traz uma amplificação dos conceitos das tríades da Árvore da Vida; das três etapas da Grande Obra dos alquimistas; e também do processo de individuação em busca da realização do Self em psicologia.

Segundo o budismo a realidade não é apenas o mundo dos fenômenos, ou simplesmente as coisas que aparecem; é também não-aparição e potencialidade. Essa potencialidade ou não-aparição no budismo é conhecida como vazio, a dimensão aberta da realidade. Entre esses dois pólos existe um terceiro estado, o fluxo de energia que os liga e os une.

O nível mais alto ou mais profundo é o vazio, a essência de todos os fenômenos. O nível mais baixo ou mais externo é a matéria, a manifestação real da forma física, e entre esses dois, há o nível intermediário que é a energia pela qual o vazio se comunica e se revela.

A essência é invisível, completamente além das esferas dos sentidos, um estado de unidade e simplicidade. A matéria é multiplicidade e diversidade perceptível aos sentidos físicos. A energia que flui entre eles partilha de ambos e pode ser descrita em termos do reino dos sentidos embora não esteja contida neles.

Francesca Fremantle em seu livro Vazio Luminoso nos dá uma explicação simples de como é o funcionamento desse padrão triplo em três áreas diferentes: primeiro, o trikaya, que é as três dimensões do estado desperto; segundo, de como esse padrão atua nos seres viventes comuns como corpo, fala e mente; e terceiro,  a tríade dos níveis grosseiro, sutil e muito sutil da existência.

Todos esses grupos são expressões do mesmo princípio, e por isso mesmo, existem muitas semelhanças entre eles, da mesma forma, eles se interpenetram uns nos outros e cada aspecto individual contém todos os três dentro de si.

“O Trikaya

O padrão triplo do estado desperto é chamado trikaya, que significa literalmente os “três corpos”. Eles são o dharmakaya, que é muitas vezes traduzido como “corpo da verdade”; o sambhogakaya, ou “corpo do deleite”; e o nirmanakaya, ou “corpo de emanação”. Kaya significa corpo em sânscrito, tanto literal como metaforicamente, como em inglês.

Trikaya é único porque os três kayas são uma unidade indivisível, são três dimensões da totalidade. O sambhogakaya e o nirmanakaya juntos são conhecidos como rupakaya, o “corpo da forma”, distintos do dharmakaya, que é vazio sem forma. Como diz o Sutra do coração: “Forma é vazio e vazio é forma”; forma e vazio são inseparáveis e não podem ser entendidos isolados um do outro. Os dois aspectos do rupakaya são os níveis nos quais a mente de um ser desperto se manifesta de forma a beneficiar outras pessoas. Dharmakaya representa a realização do próprio propósito de uma pessoa de atingir a iluminação, enquanto sambhogakaya e nirmanakaya existem para realizar o propósito dos outros.

A totalidade dos três completos em um é a natureza de nossa própria mente e forma a estrutura do nosso ser, o padrão no qual operamos. O trikaya é uma expressão de como as coisas realmente são, inerentemente puras e perfeitas, mas sob a influência da ignorância o experimentamos como os três aspectos da existência comum.

Samantabhadra 1

Dharmakaya

Dharmakaya, o “corpo” do dharma, sugere o aspecto positivo e vivo da realidade absoluta. É a totalidade de todas as possibilidades, potencialidade infinita. É descrita como a essência vazia, porque todos os fenômenos surgem do vazio; o vazio é a essência e a base de toda a existência, sua dimensão secreta e invisível.

Como Trungpa Rinpoche colocou, o dharmakaya surge “desnecessariamente” do espaço infinito. É a existência real do espaço, e em um sentido, é sua primeira corporificação; é por isso que é conhecido como um corpo. É consciência por si só; a luz pura e indiferenciada do conhecimento; o estado não nascido, imortal, imutável, do despertar absoluto. É a mente universal, onipresente de buda, o autoconhecimento do estado desperto. Ele é chamado o buda original ou primordial. Naquela esfera primordial, as complexidades do ego e a dualidade do samsara e do nirvana nunca surgiram. Embora o personifiquemos como um buda, o princípio da natureza de buda transcende todos os atributos, qualificações e descrições.

Ele descrevia o dharmakaya como “um sentido de fertilidade” e “vazio grávido”. De maneira que para alguma coisa existir, deve haver também um sentido de sua não-existência, um sentido de ausência antes que se torne presente. Antes de as palavras serem ditas ou os pensamentos surgirem na mente, deve haver um espaço no qual eles não foram falados ou pensados; mesmo assim, como de fato se manifestam, em um sentido já estão ali. Sendo assim, tudo já está realizado, causa e efeito são simultâneos. A experiência do dharmakaya como parte de vida é o reconhecimento dessa totalidade, uma atitude de abertura sem expectativa, vendo tudo como realmente é, em vez de como gostaríamos que fosse.

Sambhogakaya

Sambhogakaya significa literalmente corpo do prazer. É a forma visionária das deidades, a expressão natural e espontânea do dharmakaya, irradiando incessantemente a partir do vazio. É a encenação da energia desperta, experimentada como a plenitude da alegria e da bem-aventurança.

O sambhogakaya é a dimensão da comunicação, o meio pelo qual a nudez e a simplicidade do dharmakaya se comunicam com o nível material da existência. A dança da energia se manifesta como vibrações sutis de som e luz. Tudo na existência ressoa com sua vibração particular. No sambhogakaya, todos os sons de todo o universo reverberam com seus verdadeiros significados, como expressões espontâneas do dharma. Em termos de fala humana, a vibração primordial evolui na direção das sílabas da língua sagrada, o sânscrito. É o que está por trás do princípio do mantra, o som sagrado. Os mantras das deidades são a natureza dessas deidades expressas na forma de som.

A luz se irradia do vazio dharmakaya como as cinco cores dos cinco tipos de conhecimento, essa luz em seguida se cristaliza e toma uma forma arquetípica, essas formas divinas não são corpos de carne e osso, mas feitas inteiramente de luz; surgem da luz e se dissolvem de volta na luz. O sambhogakaya é a ponte entre o vazio e a forma: o vazio se exibindo como forma, a forma se revelando como vazio.

Nirmanakaya

O nirmanakaya é a expressão física real, energia solidificada em matéria. Literalmente significa o corpo de emanação, porque ele emana do sambhogakaya sob a forma de incontáveis seres despertos em todos os seis reinos. É a aplicação prática da iluminação, a personificação da energia da compaixão, totalmente compreensivo e sensível às necessidades de todos os seres. É a atividade dos budas em forma viva, o buda que podemos ver e ouvir. É incessante em sua manifestação, desimpedido de quaisquer obstáculos, infinito e onipresente. Ele responde as necessidades dos seres viventes em qualquer maneira que seja apropriada para eles. Seres despertos se manifestam em formas ideais, mas nem sempre, também podem tomar qualquer forma, agradável ou desagradável, bonita ou feia, e desempenhar qualquer papel em qualquer situação, o que quer que seja necessário para o benefício dos outros.

O princípio da natureza de buda só pode se revelar plenamente e levar adiante atividades iluminadas através da personificação.

Homens e mulheres que realizaram de forma plena a sua natureza de buda são capazes de nascer com a consciência de quem realmente são e com a intenção consciente de ajudar os outros a alcançarem tal estado. No caso deles, renascimento ou reencarnação é muito diferente das pessoas comuns, porque não se apegam a um ser imaginado que continua de uma encarnação para outra. O nirmanakaya se manifesta diretamente da  compaixão e sabedoria , não como um resultado de traços kármicos em uma corrente mental confusa. Para nós, o resultado do karma nos impelem ao nascimento em um dos seis reinos, quer gostemos ou não.  No vajrayana, o guru é sempre visto como nirmanakaya, independente se ele ou ela foi reconhecido como realizado ou não. Aprender a ver o buda no guru é o primeiro passo para ver o buda em todos os seres.

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Corpo, Fala e Mente dos seres comuns 

Corpo

O corpo se refere à nossa manifestação física, o aspecto visível, tangível do ser, correspondendo ao nirmanakaya. É a expressão exterior da forma material de nossa mente e energia. É o nível no qual as outras pessoas nos vêem e no qual as vemos. O corpo contém todos os órgãos dos sentidos, através dos quais nos conectamos com o mundo externo. Interagimos com o ambiente através deles; a sensação se estende para fora em direção ao mundo, portanto de uma certa maneira o ambiente é também parte de nosso corpo. Não estamos fechados dentro de uma parede sólida, e não existe barreira real entre o lado de dentro e o de fora. O corpo é a experiência total de nós mesmos, como seres vivos em um universo material.

Do ponto de vista egoísta, o corpo parece nos isolar e nos afastar dos outros, mas de um ponto de vista desperto, o corpo é o meio de nos estendermos e tocarmos os outros; ele é o instrumento através do qual desempenhamos as atividades do nirmanakaya. Corpo vajra significa um corpo perfeito e indestrutível. Não sendo nenhum sonho egoísta de imortalidade pessoal, paradoxalmente, ele brota da consciência da irrealidade do corpo. Todo o universo material, tanto o corpo como o seu ambiente, aparece espontaneamente do vazio a cada instante e não tem solidez ou substancialidade; é indestrutível porque não existe nada que possa ser destruído. Como Trungpa Rinpoche expressou: “As coisas estão lá porque não estão lá – de outra forma elas não poderiam existir.”

Fala

Como o sambhogakaya, a fala é a dimensão da energia, comunicação e emoção; ela une o corpo e a mente. Estamos acostumados a pensar em nós mesmos como corpo e mente, mas em geral ignoramos ou não nos damos ao trabalho de identificar esse terceiro aspecto de nossa natureza. A fala não significa apenas palavras ou sons produzidos pela voz, que são apenas as manifestações mais superficiais da fala. Ela também se refere à energia emocional, que abastece todas as formas de expressão, e à respiração, que é um outro aspecto da energia vital.

A voz depende inteiramente da respiração no seu sentido usual, mas qualquer forma de expressão criativa, seja qual for o meio utilizado, depende do fluir da nossa inspiração ou energia. Dizemos que encontramos a voz quando descobrimos como expressar o que realmente queremos comunicar através das palavras, música, arte, dança ou qualquer outro meio. Comunicação é a essência da fala, tanto entre mente e corpo quanto entre cada indivíduo e o mundo exterior. Asim como o sentido do corpo inclui o ambiente, a fala inclui todos os sons do mundo. Comunicação é um processo de mão dupla; estamos continuamente recebendo mensagens de tudo ao nosso redor e respondendo a elas ao enviar mensagens de todas as maneiras.

Embora a fala seja um conceito mais abstrato do que o corpo, estamos igualmente apegados à sua aparente realidade, e acreditamos nela tanto quanto no corpo. Confiamos nas palavras para transmitir pensamentos e acreditamos nelas para exprimir o que pretendemos. Sentimos que o que falamos brota de nossa verdadeira natureza e confirma nossa existência. O sentido vajra da fala se desenvolve a partir da conscientização do vazio inerente dela: o espaço ao redor das palavras, o silêncio que envolve o som, a amplidão de onde a comunicação surge, a ausência do ego em sua base.

A palavra é poder criativo, o poder do mantra. Todas as línguas são sagradas, não apenas o sânscrito, e qualquer palavra ou som pode ser percebido como um mantra. Se simplesmente escutarmos sem expectativas, ouvindo o vazio por trás do som, podemos nos tornar sensíveis à sua qualidade interior e à mensagem que ele carrega. É a música do não-ser e do despertar. Toda fala pode se tornar a poesia do dharma quando ela flui daquele sentido de espaço.

Mente

A mente é o aspecto invisível de nossa natureza, a fonte da fala e do corpo. Ela não é apenas intelecto; é coração e mente em unicidade – nossa consciência, nossas percepções, sentimentos e reações, assim como a vaga corrente subterrânea de pensamentos que flui e reflui continuamente. As sensações se originam do corpo, mas é a mente que as experimenta. Dizemos que as emoções vêm do coração, mas é a mente que está ciente delas. Pensamentos, ideias e conceitos de todos os tipos são como ondas surgindo e sumindo na superfície do oceano da mente. Todos eles, não importa quão poderosos possam ser, quão fortemente exigem nossa atenção, são apenas tipos diferentes de atividade mental. Juntos se dissolvem de volta no vazio do dharmakaya. Em nossa condição comum e confusa, o que chamamos de mente deveria na verdade ser chamada de falta de atenção. Mas quando a atenção é clareada, a mente é revelada como percepção direta e intuitiva, a inteligência do coração. É por isso que o significado da palavra sânscrita chitta abrange ambos, o coração e a mente, e por que o lugar da mente é no coração, como veremos.

O primeiro passo da meditação é acalmar a mente, então podemos começar a conquistar a percepção interior de sua natureza. A mente é como o espaço, na amplidão e na claridade da verdadeira natureza da mente, todos os pensamentos surgem e desaparecem, não deixando nenhum traço, como pássaros voando através do céu. Apoiando-nos nesse estado, apenas os deixamos chegar e partir, não no fixando em qualquer conceito ou nos agarrando a qualquer pensamento ou sentimento. Apenas o céu claro permanece; essa é a indestrutível mente vajra. A prática da yoga da deidade fornece as condições para que essa experiência se aprofunde e se expanda até a sua máxima capacidade. A mente do meditante se torna una com a mente da deidade, o estado desperto. A partir desse estado, a sensação de relacionamento e comunicação no reino da fala vajra, e a sensação da presença e realização de ações do reino do corpo vajra, fluem de forma espontânea e sem esforço.

Nas palavras de Trungpa Rinpoche:

No nível tântrico, a experiência positiva da não-existência acontece quando a mente está

completamente sintonizada nas possibilidades mágicas da vida.

No nível da mandala vajra da mente, mexericos subconscientes, ou a contínua tagarelice de fundo e os

comentários constantes dos pensamentos, são completamente eliminados.

A mente está completamente aberta. Essa experiência vajra da mente cria uma celebração contínua ao lidar

com a vida de forma direta e simples. No nível vajra da mente, toda situação

acontece muito simplesmente, por si só, e a mente se relaciona com o que quer que surja

de maneira muito simples.

Conclusão: Do ponto de vista do praticante, começamos de onde estamos, como seres humanos personificados. Os estágios sucessivos de prática nos levam da realização do nirmanakaya, através do sambhogakaya, à consumação final do dharmakaya. Quando essa realização se torna estabilizada, a jornada é revertida, e voltamos através dos kayas, manifestando sambhogakaya e nirmanakaya (rupakaya) como a expressão do estado desperto, a partir de um ponto de vista completamente realizado.”

Francesca Fremantle

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4 Respostas to “Budismo: O Padrão Tríplice do Caminho”

  1. Sem said

    Adi,

    Eu não tinha percebido que o texto não era seu, eu só fui lendo, maravilhada… escrito de uma maneira tão simples! já tinha ouvido em vídeos de palestras do Lama Samten ele falar a respeito, mas aqui está de um modo mais abrangente e detalhado… senti como um presentão! outra vez agradeço. 🙂

    Tenho me interessado mais pelo budismo tibetano, me dei conta de que existe um corpo de teoria imenso a ser explorado, e, talvez, nem a ponta do iceberg eu conheça… não me assusta… 🙂 pois uma proposta de conhecimento profundo e vasto, mesmo que árduo, é algo que me atrai tremendamente…

    Eu li um texto do Dalai Lama falando a esse respeito, e que ainda mais me motivou na busca, por dar valor à sabedoria, sabedoria que só um estudo aprofundado promove, para debelar com a causa última do sofrimento que é a ignorância da realidade… e, diz ele, nem a meditação, nem a caridade ou oração, por si, são suficientes para debelar com a ignorância… são importantes, mas são parte e não o objetivo último do caminho… a liberação é… e para isto existe – também – o estudo, que o praticante budista não deve descuidar, para construir esse caminho de compreensão da realidade.

    E não quero dizer mais nada, para não incorrer no erro de traduzir o que um sábio quis dizer… o texto do Dalai Lama diz tudo e mais, de modo absolutamente precioso e profundo, está aqui:

    http://bodisatva.com.br/cultivando-emocoes-construtivas/

    Ainda de budismo, gostaria de partilhar, tenho lido diariamente o monge Genshô, do zen de Florianópolis… no seu blog ele coloca quase todo dia pequenos ensinamentos… são pequenas pérolas diárias e que podemos ir colhendo e acumulando num tesouro inesgotável… muito eu recomendo:

    http://opicodamontanha.blogspot.com.br/

    Pois é Adi, sincronicidade ou não, resolvi publicar aqui uma poesia que publiquei ontem à noite no meu blog… ia te responder por lá, depois, achei – com alguma dúvida – de que o assunto estaria bem aqui, já que são assuntos que nós duas muito já discutimos…

    O que queria te dizer é que espero animada o que falará ainda esse ano a respeito das qliploths… não faço ideia do que dirá… 🙂 mas, penso, muito poderá ajudar aos que veem na morte apenas a face do mal, ou confundem a instituição ritual com a vivência real, ou se perturbam com a atração que o abismo de Daath provoca… tudo, realmente, para uma pessoa em busca de transcendência poderá se perder no medo e na confusão e que se faz quando se antagoniza, por exemplo, a morte com a vida… não se pode compreender uma sem a outra, é o que penso… não que seja especialista no assunto, apenas, além de alguns flashes da psicanálise, o meu entendimento se aproxima pelo paradoxo e pela intuição… por isso a sua abordagem me será muito aguardada…

    Bem, um pouco, e muito de leve a minha poesia trata desse tema, vida & morte, e por isso resolvi trazê-la aqui… talvez preparando esse terreno pedregoso (e fértil) que esse ano vc terá pela frente…

    Boa Sorte! 🙂

  2. adi said

    Sem,

    Sobre o seu post com referências ao filme PI vou comentar logo mais, ficou ótimo aliás. Eu li o post no Sopoesia, e naquele momento achei a cara daqui, ia até perguntar se poderia postar aqui… 🙂

    Você captou muita coisa que meio que está no ar sobre daath e sobre as qliphoth, não que terá muita novidade pra falar a verdade, é um pouco do que já vimos, mas é um adentrar mais profundo. Foi um ano de muita estudo e de juntar peças, vai ter muito da minha própria opinião sobre esse assunto, não que eu tenha cruzado esse abismo, ainda não, mas é um adentramento em terreno muito pedregoso como bem dito por você. Vou ser bem sincera, só de mexer com esse assunto apenas num estudo mais aprofundado, embora nem tanto, inevitavelmente tem um efeito real na vida da gente.

    E não fiz evocações e nem estudei a fundo sobre os túneis, porque não me interessa mexer com conteúdos que não se relacionam com a psiquê que se faz aqui em mim. Deixo que se venha, o que vier, mas sempre através do link que estabeleci, este link é que sabe as medidas do que pode ser suportado. Porque mesmo que tenhamos a proteção da divindade, como o estabelecimento de uma via de comunicação com o que há de sublime em nós (Anjo), ainda estamos mexendo com a escuridão do supremo, do espírito, do absoluto desconhecido. E é perigoso sim, é aterrador.

    Sem, eu só ainda não terminei esses posts, porque parece que não há mais interesses sobre esses assuntos. Pra mim seria fantástico trocar opiniões sobre isso. E saber sobre seu interesse, ou de outras pessoas, é uma grande motivação em terminar esses posts.

    “Boa Sorte! ”

    Muito obrigada, 😀

  3. Sem said

    “(…) eu só ainda não terminei esses posts, porque parece que não há mais interesses sobre esses assuntos. Pra mim seria fantástico trocar opiniões sobre isso. E saber sobre seu interesse, ou de outras pessoas, é uma grande motivação em terminar esses posts.”

    Fazendo uma certa relação com Pi, nós somos meio náufragos nessa travessia… sem querer, o tempo e a vida em conluio, nos colocam dentro de um navio e nos fazem rumar, quem sabe, da América à África… e nós vamos nos justificando, de que estamos a caminho de nossas origens, quando foi só a vida que nos colocou ali… e lá vamos nós, cheios de coragem, esperança e angústia, planos de uma vida melhor, sem erros daqui para frente, e o coração um tanto oprimido, de que junto com as coisas ruins que deixemos também fiquem nossas melhores experiências… somos sempre meio como as crianças mimadas e que só querem o lado doce da vida… e tudo tão certo, o futuro brilhante, é só atravessar o Atlântico… súbito, o tempo, a natureza inconstante e uma tempestade… o tempo e a vida em conluio outra vez, interferem em nossos planos… e, de uma hora para outra, tudo o que era certo, as coisas que dávamos como certas, as pessoas com a quais contávamos, com quem fizéramos os nossos planos, tudo nós perdemos… ali, no meio do nada… pouco importa que se vá a nossa bagagem e com ela os nossos documentos, mas, como superar a perda das pessoas que faziam o nosso coração pulsar e que frequentavam todos os nossos tempos – passados, presentes, futuros -, elas faziam parte de nossa identidade, aquela que não podemos perder sem perder a nós mesmos… mas o nosso coração continua batendo e nós respirando… e de seres da terra e do ar passamos a ter de viver como peixes, ou pelo menos arrumar um modo de sobreviver nesse novo meio, mundo de água, isso se quisermos continuar respirando… mas, mesmo sozinhos, num bote no meio do nada, nunca estamos completamente sozinhos… a imaginação ao mínimo sempre nos fará companhia e é ela que faz saltar tigres, jaguares e lagartos para dentro do nosso bote… os nossos companheiros náufragos, inesperados, indesejados, selvagens, amados, cruéis, inteligentes, indiferentes, estúpidos, mas, companheiros… será que é a nossa imaginação ou eles são realmente assim? será que eles existem? será que nós existimos? será que se a gente acordar, no meio da noite, será só um sonho?

    Adi, talvez o naufrágio faça parte de nossa travessia, porque nós nunca conseguiríamos chegar do outro lado – à nossa origem – sem perder a nossa identidade e ainda sem ter que enfrentar as feras que nos habitam… que de algum modo paradoxal nos ajudam a chegar lá do outro lado, nos instigando a viver, contando apenas com os nossos recursos…

    O que quis dizer com toda essa historinha é de que vc está só e deve contar apenas com os seus recursos, ignorar esse fato pode colocar a sua vida em risco… mas vc não está completamente só… olha em volta, não vou dizer de dezenas nem de centenas, mas olhe para os bilhões de companheiros náufragos que fazem junto conosco a mesma travessia… e todos sentindo-se no momento da transcendência tão sós quanto nós… e se vc encontrar no seu bote, em seu material de sobrevivência, um diário e um lápis, escreva a sua história, e vá lançando-a, aos pedaços mesmo, em garrafas e latas ao mar… em algum lugar, no tempo da sincronicidade, alguém apanhará e ficará sabendo da sua história, e nesse momento a sua solidão deixará de existir…

    Essa ânsia por contato e fazer de nossa vida uma história a ser narrada é o que me motiva a escrever poesia… então, pode estar certa, sempre terá alguém para recolher suas garrafas…

    O Fernando Pessoa, como o ajudante de guarda-livros Bernardo Soares, escreveu assim, no Livro do Desassossego: “Um dia, lá para o fim do futuro, alguém escreverá sobre mim um poema, e talvez só então eu comece a reinar no meu Reino.”

    Puxa, mas se ele, o maior poeta de todos os tempos, estava só, disse isso…

    Boa Sorte! 🙂

  4. adi said

    “O que quis dizer com toda essa historinha é de que vc está só e deve contar apenas com os seus recursos, ignorar esse fato pode colocar a sua vida em risco… mas vc não está completamente só… olha em volta, não vou dizer de dezenas nem de centenas, mas olhe para os bilhões de companheiros náufragos que fazem junto conosco a mesma travessia… e todos sentindo-se no momento da transcendência tão sós quanto nós… e se vc encontrar no seu bote, em seu material de sobrevivência, um diário e um lápis, escreva a sua história, e vá lançando-a, aos pedaços mesmo, em garrafas e latas ao mar… em algum lugar, no tempo da sincronicidade, alguém apanhará e ficará sabendo da sua história, e nesse momento a sua solidão deixará de existir… ”

    Concordo em gênero, número e grau, 🙂

    “Puxa, mas se ele, o maior poeta de todos os tempos, estava só, disse isso…”

    Não só ele, mas também Jesus na cruz : ” “Eloí, Eloí, lamá sabactani?”

    Boa sorte pra todos nós então! 🙂

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