Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Posts Tagged ‘carma moral’

Do toque que não quero estar nem ser. E dos que preciso, mas evito

Posted by adi em maio 6, 2014

Por Elielson

 

Primeiro, sou a favor sim de melhores meios de defesa individuais.
Mais do que nunca, merece-se a análise do fantasma que ronda a sociedade brasileira há algum tempo.
Autoridades de todas instituições possíveis semeiam a divisão popular desde os levantes de junho. É como se uma moeda caísse em alguma conta sempre que pronunciadas as palavras esquerda ou direita, preto ou branco, e por aí vaí. E funciona. Não há o que lamentar, sempre funcionou, não sei se sempre funcionará.
Instintos primitivos regem o que supostamente o homem chama de razão, e regem ainda mais no caso de uma opinião supostamente racional ser exposta ao organismo social.
Sobrevivência ainda é algo ligado a disputa no profundo dos seres, e simplesmente para apurar seus instintos ou treiná-los, as exposições de opiniões ficam sempre em patamar ideológico, onde a disputa vital, sob o capuz do egoísmo, caminha a passos curtos, onde mecanismos fortalecidos enchem-se de autoverdades e autojustificativas que lhe dão sensações potencializadas de existência.

Sem mais enrolações, mataram uma mulher inocente na onda de linchamentos que é evidenciada no Brasil. Coroa-se um dos lados dessa disputa, de um humanismo sem ações concretas, de discursos seculares, contra o do medo e insegurança, que se desenvolve pro sádico e carniceiro.
E assim vem milhares de questões na mente de quem sabe, que uma coisa é uma coisa, e que outra coisa é outra coisa, e que cada coisa é única.
A violência, o sangue, os culpados e desculpados, tudo se amontoa numa pilha que faz cegar pro inimigo.

O inimigo em si e o inimigo para si.

Quem em você vai matar algo ruim sem a prova, digamos, “dexteriana”, que não deixará nenhuma dúvida sobre a nocividade de um elemento sádico?
De qualquer modo, sua violência, para entrar em ação, sempre vai analisar dois pontos.
– A covardia
– O sacrifício
Tudo que não é covardia é sacrifício, e lamentavelmente só se pode ser covarde com aquilo que é ignorante e desprotegido. Digo lamentavelmente porque não podemos matar, pelo menos sem sacrifício, aqueles que realmente nos fazem mal, esses, sábios em suas malandragens e protegidos, ironicamente pela nossa contribuição.
Agora vamos ao humanismo, e deixemos de lado aqueles que pensam que todo mundo pode ser bom e que a natureza é angelical. Esse humanismo acredita que devemos ter uma cautela puramente sacrificial, que devemos ser presas convertendo predadores. Intenções muito lindas acredito. Até atrai-me sim. Mas, seria-se humano assim até que ponto? E acreditem, sempre há um ponto onde se entrega os pontos.
É medo de si que não permite certas atitudes? Ou é medo da lei?
É sacrifício mesmo que acredita na bondade natural, ou é uma posição confortável?
Quem é que bate naquele que está na infância dos pecados comparado a alguns que batem?
Quem já viu o mal de perto daqueles que acreditam em conversão?
Quem é justiceiro o suficiente pra chutar um leão fora da jaula, e não chutar pequeninos vira-latas em atitudes sem efeito?

Vi muitos humanistas governando.
Vi muita gente horrivel batendo em gente má.

Mas o bom é governar sua própria humanidade e matar seus próprios inimigos.

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O aspecto moral da realidade última

Posted by Andrei Puntel em dezembro 9, 2008

A religião, como ferramenta de controle social, é sempre moral. Moral que, apesar de iniciada sobre valores positivos, quase sempre se torna perversa, justificando atrocidades e desmandos.

A maioria dos livres pensadores com um viés espiritualista vem de uma religião oficial e paulatinamente dela se afasta, por adotar uma postura crítica perante atitudes incoerentes e absurdas. Entre seu próprio juiz interno e a autoridade constituída, opta corajosamente por responsabilizar-se por seu destino. No entanto, décadas de vida sob o jugo religioso deixam marcas. A maior delas é buscar um sentido moral para a realidade.

Essa é a pedra de roseta para compreender a grande confusão em que nos encontramos. Buscar um sentido moral, um valor basicamente humano, no infinito, é como buscar justiça na gravidade ou felicidade no vento. Pode até funcionar em termos poéticos e alegóricos, mas configura-se um desastre como literariedade. Daí vem as pérolas que ouvimos em cultos televisivos, de como Deus está feliz, bravo ou, a minha preferida, decepcionado com alguém (alem d´Ele não ser onisciente, configura-Se como um péssimo avaliador de caráter).

Aqueles que buscam o fazem por sentir a realidade como manifestação de uma Inteligência una que se expressa como beleza e harmonia, na Criação atemporal e dinâmica. Quaisquer reflexos de atividade humana no céu são absolutamente fantasiosos e servem apenas para alimentar o ego do observador.

Retornando a questão apresentada no post carma e linearidade, e tendo clara a natureza absolutamente especulativa do que digo, vejo o carma como um maravilhoso instrumento de harmonia e perfeição. Mas de forma alguma como um elemento moral.

Se a realidade é uma só, um único continuum, devemos esperar que suas leis sejam coerentes. E a maior delas é a necessidade de equilíbrio. Isso ocorre na matéria. A relatividade nos diz que uma massa de alguma forma distorce o espaço-tempo ao seu redor. Outra massa, posta em seu raio de ação responderá, atraindo reciprocamente a massa original até que ambas estejam em um estado de equilíbrio dinâmico. Psicologicamente, os mecanismos de reação do individuo a estímulos externos, sendo a satisfação o estado de equilíbrio desejado, são bastante conhecidos. E espiritualmente as tendências na relação recíproca do indivíduo com o ambiente são a efetivação dessa lei do equilíbrio através do carma. Um processo que atrai as condições necessárias para que a consciência atinja a Harmonia. Não é um processo moral. Não é causa e feito de suas ações a outrem. Não há prêmio ou castigo. E só aquilo que você precisa para Ser.

E para aqueles que se aferram a uma realidade necessariamente moral, lembramos que não é um código externo que conduz o homem à virtude, mas sua capacidade de colocar-se no lugar do outro. Esse é o único valor absoluto. Um comportamento moral derivado de um deus moral é quase sempre frágil e questionável.

Além do que aquilo que entendemos por deus é só uma possibilidade.

Aliás, nós também somos.

Abraço.

Andrei Puntel

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