Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Archive for the ‘Sufismo’ Category

Franco-Atirador

Posted by adi em dezembro 17, 2009

Abaixo os links para os posts do antigo blog Franco-Atirador, do Lúcio Manfredi, os arquivos estão divididos em duas partes, como segue:

http://www.4shared.com/file/oEd_xq4a/Franco_Atirador_Malprg_-_1__1_.htm

http://www.4shared.com/file/eaqYHhvZ/Franco_Atirador_Malprg_2__2_.htm

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A Nós!!!

Posted by Kingmob em maio 22, 2009

A nós, a nós !- brindaram com seus copos rudes de barro, nas suas roupas de grosso tecido encardido os sufis (assim os chamariam outras eras, lugares) com a impostação do árabe já começando a se trair frente a vibração trôpega, elétrica, passional que o ambiente passava a transmitir…

A nós, a nós !- a beberagem e a comum união tornavam-nos quase fadas — aqueles homens severos e truncados amigando entre si como novas crianças no berço único incriado do: “Não há Deus, senão Deus”, alegria profetizando como que a brincar de pique, ou a pular corda.

Sufis e seus tambores

E o amor do Deus único , a unidade pronta a remir a todo instante qualquer diferença, os embriagava tanto mais quanto o crescente no firmamento brilhava com seu véu de semiescuridão no que era um louvor submisso e deferente ao coração dos homens. A divindade curvava-se à frente dos homens de coração puro.

A nós, a nós – a fogueira parecia suplicar aos ares em redor – súplica comovida , por haver a confraria se tornado tão querida, tão dilatada na afeição severa que lhe devotava Alá. Os emissários, os Djinns, criados do fogo sem fumaça, apareciam nas visões de comunhão, uma só mente a pensar por todos e uma só vida a pulsar em todas as suas pétalas.

A nós, a nós!, os tambores em um ritmo sem mácula derramavam  nos ouvidos e olhos a exuberância nobre e exata de cores e sons nunca dantes navegados. Fez-se na alma dos velhos sufis a criação como um rigor geométrico e rítmico, virginal ,de uma ultracoerência obsessiva, mas sem a debilidade que costumeiramente portam as obsessões. Seus sentidos se apresentavam como mapas traçados por um lápis incompreensível e os eus fluíam-se para dentro da mesma taça que transbordava sem derramar.

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Eu me rendo

Posted by luramos em abril 3, 2009

Eu estava ouvindo uma música em inglês, tentando traduzí-la de ouvido.

Parecia uma música romântica, mas tinha algo de diferente e eu me lembrei de Rumi, que escreve lindos poemas de amor a Deus, mas que também podem ser lidos como as mais belas declarações de amor terreno – eu tenho a sorte de para mim serem a mesma coisa.
E ntão eu preferi entender esta canção de um outro jeito. Tem várias razões, outras além das minhas limitações com o inglês, mas também posso estar tendo um surto esquizofrênico, ou um insight, ou estes dois últimos também são a mesma coisa? Então é mais que uma tradução livre.
Ficou assim, uma conversa entre mim e meu Eu Superior, meu Deus.

 
Ah, a música é essa aqui, uma delícia.
 Eu sou Seu ou Eu me rendo
EU : Você me fez experienciar  e eu senti
Eu tentei ficar frio, mas você é tão Quente que me derreti
Eu caí por entre as fendas, agora estou tentando voltar a Você
Antes que o frio passe, eu estarei dando o meu melhor
E nada me deterá a não ser Sua intervenção divina
Reconheço que é novamente minha vez de ganhar algo ou aprender algo
Mas eu não hesitarei mais, não mais, não mais.
Isso não pode mais esperar, Eu sou Seu.
DEUS : Bem, expanda sua consciência e veja como Eu
Amplie seus horizontes, e perceba: você é livre
Olhe dentro do seu coração e você encontrará Amor, Amor, Amor
Ouça a música que está tocando e olhe as pessoas que estão dançando e cantando:
Nós somos uma única grande família.
É é nosso direito divino sermos amados, amados, amados, amados, amados.
EU: Então eu não hesitarei mais, não mais, não mais
Isso não pode mais esperar, tenho certeza
Não há necessidade de complicar: nosso tempo é curto
Este é nosso destino, Eu sou Seu
Eu passei muito tempo verificando minha língua no espelho
E me inclinando para trás só para tentar vê-la melhor.
Meu hálito embaçou o vidro
Então agora eu desenhei um novo rosto e ri dele
DEUS: Não há necessidade de complicar,
Nosso tempo é curto
Este é o nosso destino. Eu sou Seu.
Abra sua mente e veja como eu
EU:(Não hesitarei)
DEUS: Expanda sua consciência e perceba,  você é livre
EU:(Não mais, não mais)
DEUS: Olhe dentro do seu coração e você verá: o Céu é seu
EU: Isso não pode mais esperar, tenho certeza
Então, não por favor, não por favor, não por favor,
não há necessidade de complicar
Porque o nosso tempo é curto
E este é nosso destino. Eu sou Seu.
 
 DEUS: O que estou dizendo é que não há razão melhor
Para se livrar da vaidade e seguir de acordo com o ritmo das estações:
É o que pretendemos fazer – a nossa  Vontade.
Nosso Nome é nossa virtude

EU: Então eu não hesitarei mais, não mais, não mais
Isso não pode mais esperar, Eu tenho certeza.

DEUS:  Este é o nosso destino: Eu sempre serei Seu.

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O privilegio de ser humano – Inayat Khan

Posted by luramos em janeiro 3, 2009

Volume VIII – A Arte de Ser – HAZRAT INAYAT KHAN
O privilegio de ser humano – Capitulo XL

No Corao estah escrito, “Deus eh a luz dos ceus e da terra”. Alem do desejo de obter-se as coisas da terra, hah aquele desejo intimo, inconscientemente trabalhando em cada momento da vida, de entrar em contato com o Infinito. Quando um pintor estah pintando, quando um musico estah cantando ou tocando, se ele pensar, “Eh minha pintura, minha musica”, talvez ele tenha alguma satisfacao, mas eh como uma gota no oceano. Se ele conectar a sua pintura, sua musica, com a consciencia de Deus, se ele pensar, “Eh a Sua pintura, Sua musica, nao minha”, entao ele se conecta ao centro e sua vida torna-se a vida de Deus.

original em ingles, aqui: http://wahiduddin.net/mv2/VIII/VIII_2_40.htm

por mim: a nossa Grande Obra eh experienciar a nossa potencialidade humana ao maximo. E para tal eh necessario criar e costumamos associar a palavra “criacao” com Arte, e nao eh aa toa.  Mas  criar pode ficar mais perto de experienciar, viver plenamente e nao eh necessario compor uma sinfonia para se aproximar de deus. Acredito que qualquer experiencia humana, do mendigo ao arquiteto, do cirurgiao aa dancarina, se estiver associada aa consciencia de que somos instrumentos de Deus pode ser vivida na sua plenitude.

Mas a graca maior estah em descobrir que alem do instrumento, voce eh o compositor, o “pianista”…e a musica!
Relaxe na cadeira, aumente o volume e ponha tela inteira:

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O Trabalho Interno

Posted by luramos em dezembro 18, 2008

blogdervishwoman

Hah muitas belas historias sobre Rabia, uma amada santa sufi do seculo VIII. A minha preferida eh a que se segue:
Uma vez a amada Rabia estava numa rua bem iluminada, entretida procurando uma chave perdida. Logo seus vizinhos comecaram a procurar tambem, embora sem sucesso. “Onde voce perdeu esta chave, Rabia?”, Continue lendo »

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Double Rumi on the rocks

Posted by Kingmob em dezembro 12, 2008

Tu e Eu

Feliz o momento em que nos sentarmos no palácio,

dois corpos, dois semblantes, uma única alma

– tu e eu.

E ao adentrarmos o jardim, as cores da alameda

e a voz dos pássaros nos farão imortais

– tu e eu.

As estrelas do céu virão contemplar-nos

e nós lhes mostraremos a própria lua

– tu e eu.

Tu e eu, não mais separados, fundidos em êxtase,

felizes e a salvo da fala vulgar

– tu e eu.

As aves celestes de rara plumagem

por inveja perderão o encanto

no lugar em que estaremos a rir

– tu e eu

Eis a maior das maravilhas: que tu e eu,

sentados aqui neste recanto, estejamos agora

um no Iraque, outro em Khorassan

– tu e eu.

Encontro de almas

Vem.

Conversemos através da alma.

Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos.

Sem exibir os dentes,

sorri comigo, como um botão de rosa.

Entendamo-nos pelos pensamentos,

sem língua, sem lábios.

Sem abrir a boca,

contemo-nos todos os segredos do mundo,

como faria o intelecto divino.

Fujamos dos incrédulos

que só são capazes de entender

se escutam palavras e vêem rostos.

Ninguém fala para si mesmo em voz alta.

Já que todos somos um,

falemos deste outro modo.

Como podes dizer à tua mão: “toca”,

se todas as mãos são uma?

Vem, conversemos assim.

Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma.

Fechemos pois a boca e conversemos através da alma.

Só a alma conhece o destino de tudo, passo a passo.

Vem, se te interessas, posso mostrar-te.

in: (Poemas Místicos – Divan de Shams de Tabriz, tradução: José Jorge de Carvalho, Attar Editorial).

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Anjos Caídos

Posted by Lúcio em outubro 17, 2008

 

Harold Bloom às vezes é um velho ranheta, sobretudo quando se mete numa de suas frequentes diatribes spenglerianas contra a decadência da civilização ocidental ou quando veste o manto do esnobe e, confundindo gosto pessoal com juízo de valor, se recusa a ver os méritos de autores populares que o desagradam, como Stephen King e J. K. Rowling. Outras vezes, confesso que tenho mais simpatia por seu mau humor, como quando ele investe sua verve sarcástica contra a praga dos estudos culturais, um filho bastardo do pós-modernismo que dominou a crítica literária nas últimas décadas, reduzindo tudo a um documento sociopolítico.

Independente de aplaudirmos ou discordarmos, ler Bloom é sempre uma experiência enriquecedora, que nos arrasta para um turbilhão de referências, provocações e idéias instigantes, uma metralhadora giratória ágil, impelida por um impulso daimônico capaz de atravessar milênios de cultura literária em um único parágrafo, às vezes uma única linha. Não bastasse sua erudição em carne viva, ele é ainda um autoproclamado “gnóstico dos nossos dias” que, ao arsenal habitual dos críticos, junta conceitos extraídos da cabala, do sufismo e do gnosticismo como ferramentas para iluminar e amplificar a nossa compreensão da experiência.

Anjos Caídos, seu último livro lançado no Brasil, é Harold Bloom em sua melhor forma, um azougue gnóstico que, a pretexto de examinar uma figura literária, interroga a essência da condição humana: “Anjos – caídos ou não caídos – para mim só fazem sentido se representam algo que foi nosso e que temos o potencial de nos tornar de novo.”

Para mim também.

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O conto das Areias, por Idries Shah – Ensinamentos Sufis

Posted by luramos em outubro 14, 2008

Os ensinamentos sufis podem ser transmitidos em rodas sagradas, onde alguém conta uma história pra começar. São metáforas simples, como as que podemos ouvir de um caboclo, exu ou preto-velho… Têm tantos níveis de compreensão quanto formos capazes de alcançar. Ninguém replica de imediato, sempre se reflete primeiro. Quando alguém tem uma pergunta ou um comentário , qualquer coisa que acha que deva ser compartilhada, a pessoa se manifesta. Uma vez lançada a história ou o comentário, eles não pertencem mais a voce. Voce dá (doa) a sua impressão. E fica livre pra aprender o que floresce, sem precisar defender suas idéias, porque não são mais suas….

E foi assim que aprendi essa linda história:

O Conto das Areias

Um rio, vindo da sua fonte de montanhas distantes, ia passando por todas as paisagens até alcancar finalmente as areias do deserto. Assim como ele havia ultrapassado todas as outras barreiras de seu caminho, o rio tentou atravessar mais esta, mas ele descobriu que assim que ele corria pelas areias, suas águas desapareciam.

O rio no entanto, estava convencido que o seu destino era cruzar o deserto, mas ainda assim, não havia jeito. Uma voz escondida, vinda do próprio deserto, sussurou: “o Vento pode atravessar o deserto, então o rio também pode”.

O rio se opôs. Ele estava se lançando nas areias e apenas sendo absorvido: o vento podia voar, e era por isso que ele podia cruzar o deserto.

‘Empurrando-se pela maneira como você está acostumado, você não pode atravessar.  Ou você desaparecerá ou se tornará um pântano. Você deve permitir que o vento o carregue ao seu destino. ‘

Mas como isso poderia acontecer? ‘Permitindo a você mesmo que seja absorvido pelo vento.’

A idéia nao era aceitável para o rio. Além do mais ele nunca havia sido absorvido antes. Ele não queria perder sua individualidade. E uma vez a perdendo, como alguém poderia saber que ela poderia um dia ser recuperada?

‘O vento’, disse a areia, ‘faz esta função’. Ele pega a água, a carrega pelo deserto e a deixa cair de novo. Caindo como chuva, a água de novo se torna um rio.’

‘Como eu posso saber que isso é verdade?’ Continue lendo »

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