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O conto das Areias, por Idries Shah – Ensinamentos Sufis

Posted by luramos em outubro 14, 2008

Os ensinamentos sufis podem ser transmitidos em rodas sagradas, onde alguém conta uma história pra começar. São metáforas simples, como as que podemos ouvir de um caboclo, exu ou preto-velho… Têm tantos níveis de compreensão quanto formos capazes de alcançar. Ninguém replica de imediato, sempre se reflete primeiro. Quando alguém tem uma pergunta ou um comentário , qualquer coisa que acha que deva ser compartilhada, a pessoa se manifesta. Uma vez lançada a história ou o comentário, eles não pertencem mais a voce. Voce dá (doa) a sua impressão. E fica livre pra aprender o que floresce, sem precisar defender suas idéias, porque não são mais suas….

E foi assim que aprendi essa linda história:

O Conto das Areias

Um rio, vindo da sua fonte de montanhas distantes, ia passando por todas as paisagens até alcancar finalmente as areias do deserto. Assim como ele havia ultrapassado todas as outras barreiras de seu caminho, o rio tentou atravessar mais esta, mas ele descobriu que assim que ele corria pelas areias, suas águas desapareciam.

O rio no entanto, estava convencido que o seu destino era cruzar o deserto, mas ainda assim, não havia jeito. Uma voz escondida, vinda do próprio deserto, sussurou: “o Vento pode atravessar o deserto, então o rio também pode”.

O rio se opôs. Ele estava se lançando nas areias e apenas sendo absorvido: o vento podia voar, e era por isso que ele podia cruzar o deserto.

‘Empurrando-se pela maneira como você está acostumado, você não pode atravessar.  Ou você desaparecerá ou se tornará um pântano. Você deve permitir que o vento o carregue ao seu destino. ‘

Mas como isso poderia acontecer? ‘Permitindo a você mesmo que seja absorvido pelo vento.’

A idéia nao era aceitável para o rio. Além do mais ele nunca havia sido absorvido antes. Ele não queria perder sua individualidade. E uma vez a perdendo, como alguém poderia saber que ela poderia um dia ser recuperada?

‘O vento’, disse a areia, ‘faz esta função’. Ele pega a água, a carrega pelo deserto e a deixa cair de novo. Caindo como chuva, a água de novo se torna um rio.’

‘Como eu posso saber que isso é verdade?’ Continue lendo »

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