Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

O Belo e A Consolação

Posted by Sem em outubro 23, 2013

A Política e Os Mistérios

 

Lao-tzu disse, (cap. 4):

A sabedoria nada tem a ver com governar os outros, mas é uma questão de ordenar-se a si mesmo.

 

A memória humana é algo traiçoeira, invariavelmente guardamos o que gostaríamos tivesse nos acontecido e nem sempre o necessário para nos relembrarmos o mais aproximado dos fatos… Digo isto porque estou tentando me lembrar, e sem sucesso, quem era a cientista que me marcou profundamente num certo documentário que assisti há anos no National Geographic (ou talvez tenha sido no Discovery). A cientista em questão trabalhava em um campo de pesquisa na África, observando e catalogando populações de gorilas (foi o que guardei, mas pode ser que tenham sido populações de chimpanzés). O que me interessou vivamente nesse documentário foi ela ter dito, após longa e estudiosa observação de gerações de “gorilas”, de que a felicidade de um bando dependia diretamente do temperamento do líder daquele grupo. Se o macho dominante no bando tinha um temperamento violento e era agressivo, o bando invariavelmente sentia-se sempre acuado e vivia com medo, se perverso, os jovens se comportavam de modo mais maldoso que o “normal”, e as fêmeas idem, se o líder era gentil, a benevolência era estimulada e imperava naquele grupo… Apesar de cada animal manter ainda a sua personalidade distinta, o espírito do grupo era influenciado diretamente por seu líder e se vivia, melhor e mais, ou pior e menos, em decorrência disso…

Por que estou relembrando isso agora? Sincronicidades entre o que tenho lido, vivido, assistido, participado…

 

Lao-tzu disse (cap. 159):

Há fatores constantes na arte de governar nações, mas a base está em beneficiar o povo.
Recitar os livros dos reis antigos não é tão bom quanto ouvir suas palavras, e escutar suas palavras não é tão bom quanto compreender aquilo de que eles falavam. Os que alcançam aquilo de que eles falavam descobrem que as palavras não podem expressá-lo. Por isso o Tao de que se pode falar não é o Tao eterno, e um termo que pode ser designado não é um nome permanente.

 

Não. Não quero sustentar aqui a tese de que a felicidade humana dependa exclusivamente de nossos líderes… E em parte não é assim para nós humanos porque sustentamos sociedades mais complexas que nossos parentes primatas mais próximos, além do que nós individualmente comportamos transcendências, porém, na parte que tange à nossa biologia, e na qual nunca deixaremos de ser os animais que somos, é uma questão a ser sempre reflexionada…

 

Lao-tzu disse (cap. 160):

Como é que o mundo poderia ter leis fixas e permanentes? Enfrente os tempos adequadamente, descubra padrões humanitários razoáveis, entre em sintonia com o céu e a terra, e compreenda os fantasmas e espíritos; assim será possível governar corretamente.

 

E a nossa sociedade, humana e global, está vivendo num momento bastante delicado e perigoso, entre o flutuar da nossa sensação de insegurança e infelicidade, em que estamos muito mal servidos de lideranças mundiais…

No Brasil estamos vivendo numa crise de representação, literalmente, numa crise de re-pre-sen-ta-ção. Nossos governantes têm se comportado de modo ainda mais truculento e indiferente com o povo do que o usual, isto é, eles nem se esforçam mais por disfarçar a tão boa (ou má) aclamada fama do brasileiro em ser cordial…

Nossos governantes têm confundindo o exercício crítico da cidadania com desordem social. E o grosso da grande mídia concessionada comprou essa ideia e tem seguido a essas “lideranças”, ou, não sei bem quem segue a quem, já que neste aspecto muitos dos “concessionados” são políticos, com interesses na política, direta e/ou indiretamente…

Para a intranquilidade do povo brasileiro, o que grassa em nosso meio político é a corrupção, a mentira deslavada, a intriga e o costumeiro jogo sujo da busca do poder pelo poder… Portanto, seguindo o estudo antropológico com primatas, é “natural” que muitos brasileiros achem normal, mas sem admiti-lo publicamente, seguir o exemplo desses líderes: roubar para ter o que se quer; mentir para permanecer impune; comportar-se de modo truculento para intimidar e constranger seus adversários; se necessário prender, se possível torturar, até matar se for o caso (como na UPP da Rocinha, em pleno Rio de 2013, no emblemático caso do ajudante de pedreiro Amarildo)…

 

Lao-tzu disse (cap. 168):

O Tao das nações é que os governantes não devem dar ordens cruéis, os funcionários não devem criar trâmites burocráticos complicados, as pessoas cultas não devem comportar-se desonestamente, os artesãos não devem fazer trabalhos decadentes, as funções devem ser delegadas sem agitação, os instrumentos devem ser completos mas não embelezados.
As sociedades caóticas são diferentes. Os que se preocupam com a política pequena elevam-se uns aos outros a posições altas, e os que se preocupam com a etiqueta homenageiam-se uns aos outros com artificialidades. Os veículos são extremamente decorados, os instrumentos são extravagantemente embelezados. Os materialistas lutam pelo que é difícil de obter, considerando que isso é precioso. Os escritores buscam a complexidade e são prolixos, considerando que isso é importante. Por causa da sofisticação, as questões são longamente analisadas sem que se tome qualquer decisão, o que é inútil para a produção da ordem e, ao contrário, gera mais confusão. Os artesãos produzem curiosidades, gastando anos para completar objetos que nem sequer são úteis.

 

Estou lendo Wen-tzu – A Compreensão dos Mistérios, todas as citações em destaque deste texto vêm deste livro. São ensinamentos de Lao-tzu (ou Lao Tsé, o fundador mítico do taoísmo e o atribuído autor do Tao-te King).

O momento histórico em que este livro foi escrito (século 8 a.C., aproximadamente) descreve um momento com perturbadoras semelhanças e paralelos ao nosso, em que uma sociedade decadente entra em crise e vive momentos de incertezas, em que os governantes perderam suas raízes de contato com o Tao.

 

Lao-tzu disse (cap. 156):

Em matéria de aprendizado, se você puder compreender a divisão entre o celestial e o humano, penetrar as raízes da ordem e do caos, manter essa consciência através da clarificação da mente e da purificação da atenção, ver o final e o começo e retornar para a não-coisificação aberta, isso pode ser chamado de vitória.

 

Já o mistério da identidade da cientista, lá no começo em que citei-a, abordando o documentário de minha memória falha, é na verdade uma questão muito simples, se o objeto de estudo da cientista foram os gorilas, o documentário foi a respeito da zoóloga americana Dian Fossey, se chimpanzés, foi com a etóloga inglesa Jane Goodall.

Embora ambas sejam mulheres incríveis, cada uma a seu modo, temperamento e circunstância – e elas guardam mesmo muitas semelhanças ideológicas entre si, a americana teve um desfecho trágico nas montanhas de Ruanda, o lugar em que por 20 anos viveu e trabalhou. Dian Fossey foi assassinada em 1985, após denunciar a caça ilegal de gorilas naquela região. Poucos anos após a sua morte foi feito um filme, um tanto hollywoodiano, contando a sua trajetória de vida, chamado Nas Montanhas dos Gorilas, tendo a atriz Sigourney Weaver representando o seu papel. Embora não seja um mau filme, penso que é o caso em que a vida superou – em muito, em beleza e verdade – a ficção…

 

Lao-tzu disse (cap. 11):

Quando o céu alcança suas alturas e a terra alcança suas profundezas, quando o sol e a lua brilham, quando as estrelas piscam e o yin e o yang se harmonizam, não há nenhum artifício em nada disso. Percorra o caminho correto e as coisas serão espontaneamente naturais.

 

Quanto a Jane Goodall, após assistir ao vídeo que posto a seguir, que vim a descobrir recentemente e no qual ela é entrevistada pelo jornalista holandês Wim Kayzer, para um programa da televisão holandesa de 2001, descobri que é uma das mulheres mais maravilhosas e sábias de que tenho notícia, no verdadeiro sentido taoísta de sabedoria… Perto dela me sinto pequena e com muito a aprender para me tornar num ser humano melhor, porém, estranhamente feliz… Para mim a sua descrição de vida é a verdadeira prática da espiritualidade humana mais elevada que consigo conceber…

Assista a entrevista e tire suas próprias conclusões…
Eu por mim concluo redondo retornando ao começo:

 

A sabedoria nada tem a ver com governar os outros, mas é uma questão de ordenar-se a si mesmo. (Lao-tzu)

 

 

E Viva o Anarquismo!

Liberdade aos presos políticos!

 

 

JANE GOODALL – O BELO E A CONSOLAÇÃO:

 

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5 Respostas to “O Belo e A Consolação”

  1. adi said

    Minha querida Sem,

    Que post lindo, parabéns!!! E que saudades daqui, muitas saudades!!! Mas a vida me cobra nesse momento, muita ocupação física. Meu Deus como tenho trabalhado aqui em casa desde que cheguei, rsrs. Uma pequena renovação em casa (pintura e alguns consertos), pequena mesmo, mas está me tomando tooodo meu tempo, inclusive o de lazer.

    Por esse motivo, não deu tempo de assistir inteiro o documentário sobre Jane Goodall “O belo e a consolação”, só li seu texto que está lindo com citações de Lao Tzé, mas não vou comentar antes de assistir o acima.

    Já assisti tempos atrás um documentário com ela sobre os chipanzés, muito bonito por sinal, mulher admirável…

    Sábado não tem pintor, nem eletricista, nem jardineiro em casa, então vou ter mais tempo de ler com a atenção merecida e comentar melhor seu post.

    Bjs e saudades

  2. Sem said

    Adi, que saudade 🙂 bom saber que está tudo bem com vc, mesmo assim atarefada das coisas mundanas, toda essa trabalheira que é pintar a casa e os incômodos que as reformas, por menores que sejam, nos trazem… essa é a vida, tudo faz parte… são boas notícias as que vc traz 🙂

    Eu deixei esse vídeo aqui pensando em vc, tenho absoluta certeza que ao assisti-lo vc vai se chocar, no melhor sentido de se maravilhar com outro ser humano, acredito que se identificará com a postura da etóloga, que sem dizer uma única palavra de religião, pratica a mais elevada espiritualidade, ou pelo menos aquela que no meu estágio de compreensão atual eu possa conceber…

    Aqui eu ando mesmo muito ligada à natureza (cada vez mais, por conta do taoísmo – não sei se vc recebeu meu último e-mail de uns meses falando nisso) e aos astros…

    Falando nisso, hoje o céu astrológico está lindo!, muitos trígonos e sextis favoráveis em casas de água…

    Mas, o fato de eu estar mais “esotérica” que o normal não significa que estou fugindo do mundo físico e dos problemas sociais, aos quais percebo o Brasil e o mundo andam mergulhados, até a raiz dos cabelos, ao contrário, eu tenho mergulhado de modo radical nos movimentos sociais e na política, porque percebo que, nas bases, as pessoas andam ebulindo… e a metáfora para o momento é bem essa: as pessoas andam fervendo, soltando bolhas… assim como a água começa a borbulhar quando vai se aproximando gradativamente da temperatura dos 100° centígrados, e essa imagem é boa porque ela também representa a transferência de um estado para o outro… pq acredito que estamos a caminho de uma revolução de costumes, de novo modo de nos organizarmos socialmente…

    Talvez, a elevação da temperatura social venha se construindo já há algum tempo, hoje bastante perceptível, vem sendo provocada pelo atrito que o choque entre as “classes” produz, os pobres cada vez mais distantes de uma elite financeira cada vez mais desligada do mundo real, e uma classe média fictícia sendo construída, cujo maior valor de vida é o consumo, e essas coisas todas de conflitos de valores relativos à cada camada social… olha, as pessoas hoje não conseguem mais se esconder, colocar panos frios e disfarçar esse conflito… mesmo sem querer elas revelam a sua posição no mundo, seja através do que consomem, em bens e em ideias, seja no que consideram belo e no que defendem ser justiça… está em tudo, no que dizem ou no que não dizem, no que fazem ou no que deixam de fazer… e se eu ando aqui e no Sopoesia direcionando praticamente toda a minha prosa e poesia apenas para essas questões sociais e políticas, é porque paradoxalmente ando mergulhada fundo na questão espiritual… porque percebo com clareza o quanto o momento que estamos vivendo no Brasil e no mundo é decisivo, na transferência de um estado a outro, não apenas de um mundo físico a outro, mas para todos os mundos astrais que nos cercam… isso é o que penso, esse é o momento que estamos vivendo, histórico e determinante, não apenas no sentido de qual Terra e qual sociedade estaremos legando às próximas gerações, mas nós mesmos estamos agora determinando a vida que teremos depois dessa vida… nem todos acreditam nisso, eu sei, mas eu estou convicta de que estamos fabricando hoje o nosso carma, o que os orientais chamam de carma, para próximos milênios, nesse momento agudo de transição de um estado a outro, com a justiça ou a injustiça que praticamos… e falo justiça num sentido maior, que não é lutar ou buscar apenas pelos “nossos direitos” ou os de “nossa classe”… Justiça verdadeira, com maiúscula, é paz na terra, paz a todos os homens e seres físicos e astrais e que circulam entre nós…

    Apesar do céu lindo que faz hoje nas casa de água – eu fiz o mapa para hoje à noite no Ato contra a Globo e que vai haver no Jardim Botânico -, um trígono perfeito ocorre às 20h40 entre o Sol em Escorpião e Netuno em Peixes, muita coisas boas e ligações metafísicas nesse mapa… apesar disso, temo pelo que acontecerá na manifestação, pois prevejo sem o auxílio da análise dos astros, muita arbitrariedade acontecendo e violência contra os manifestantes, porque a PMERJ e as “inteligências” do Governo do Estado e da Prefeitura do Rio, com o apoio silencioso e oculto do Governo Federal, eles, infelizmente não estão se movendo de acordo à harmonia no Cosmos e sim segundo seus próprios interesses mundanos, pensando em sua própria sobrevivência mundana, com vistas imediatas nas próximas eleições… e tenho a convicção de que a inteligência da PM e dos Governos estão movimentando para hoje uma verdadeira operação de guerra, em que vão colocar todos os seus agentes, desde os infiltrados nos chats, aos disfarçados nas manifestantes, e ao choque mais ostensivo na rua, para desestabilizar o movimento… esse é o lado perverso de uma inteligência de guerra, infiltram-se seus agentes para o cumprimento de um objetivo, não para descobrir o que é a verdade ou para praticar o bem, mas para vencer uma batalha, compreende? e da minha parte não tenho dúvidas de que o objetivo da operação de hoje será – mais uma vez – intimidar o povo com seus olhares furiosos, palavras intimidatórias de acusação, revistas e prisões arbitrárias, com a demonstração de armas em punho, bombas no meio da multidão, e, claro, P2 disfarçados de black bloc vão cometer verdadeiros atos de vandalismo e não atos políticos, para propiciar todo o teatro de repressão justificada da polícia… táticas de uma batalha para vencer a guerra de acabar com as manifestações de rua, para provar que estar na rua é muito perigoso e mais seguro é ficar em casa, acreditando que a política são os políticos que fazem, que os nossos votos é que os controlam, finalmente, fazer acreditar que os que saem hoje às ruas são “vândalos” e “baderneiros”, que não merecem o apoio da população porque são irracionais e violentos… e tudo isso vai acontecer como de costume no horário do Jornal Nacional, para que as transmissões aconteçam ao vivo, para aumentar com imagens espetaculares e chocantes uma audiência que vem gradualmente se esvaziando (sinal dos tempos, e causa e efeito de uma linha editorial equivocada), mas que ainda assim, é o JN, um dos únicos meios de o povo simples se informar e formar opinião…

    Eu quase posso sentir fisicamente o abismo social que está sendo escavado com as visões distintas de mundo, entre os que acreditam na representatividade política direta ou na indireta…

    Onde está Marte, o deus da Guerra? como Marte está em Virgem, eu acho que está na hora dos manifestantes se organizarem com mais inteligência, sem cair em nenhuma tentação de escambar para os movimentos de lideranças verticais, como organização em sindicatos (veja o exemplo do SEPE RJ), partidos, etc… porque afinal a horizontalidade deste movimento – no Brasil iniciado em junho – será no futuro a atribuição de sua vitória… mas eu acho que os manifestantes precisam demonstrar não apenas em atos o que desejam, mas produzirem textos, arte engajada, humor engajado, engajamento virtual, o que for, é preciso afinal, além do coração, ter cabeça… não sei se hoje será bem o dia ideal para isso – devido a ausência completa de planetas em casas de ar, mas Marte em Virgem já é um indicativo de que sim, que os conflitos evoluirão agora para debates ideológicos…. em parte já está acontecendo…

    Vê? não estou nada em cima do muro, e tenho convidado a todos de minhas relações a não estarem também…

    Eu torço pelo lado de “cá”, declaradamente, eu estou cada vez mais e mais, “anarquista”, tenho compreendido, inclusive,
    que todos os grandes líderes espirituais que tivemos, estabeleceram antes dentro de si alguma espécie de jornada anarquista pessoal… porque seria impossível mesmo ser um ser iluminado sem ser livre, sem agir com auto-regulação, e sem um profundo otimismo na capacidade humana para o bem, para a compaixão para com o próximo e não para a exloração do próximo, que todas essas coisas são a base do anarquismo, acreditar que o ser humano comporta dentro de si todas essas capacidades… a coisa toda é tão elevada que muitas vezes apenas pode ser concebida – anarquismo na prática – como um ideal, se projetada para toda a humanidade… mas essa é a meta dos budas…

    E veja as palavras de Lao-tzu, e veja Jesus, Confúcio… chegando até o humano exemplo de Gandhi, todos os grandes líderes espírituais foram profundamente engajados ao seu tempo histórico e político… como não ser? se os nossos destinos e o destino de tudo está interligado….

    Bjão

  3. adi said

    Ai Sem!!! estava com a resposta praticamente pronta, enorme, fui corrigir e acho que bati o dedo no “delete”… perdi tudo, que pena!! Em casos como esse, só rindo + uma pitada de paciência + começar de novo. Mas vamos lá, rsrs.

    Peço desculpas, pois, só pude responder agora. Terminei de assistir ao vídeo hoje de manhã, e digo que foi um momento de paz e introspecção depois de vários dias de correria. É o relato de experiências místicas genuínas e, de fato, sem nenhum envolvimento de algum dogma ou religião institucionalizada. Cada vez mais está comprovado que essas experiências pertencem ao ser humano, está intrínseco em nós, totalmente independente de nossos credos, essa é a maior liberdade onde cabe o maior respeito. Amei seu post, foi um presente que você nos trouxe.

    “Aqui eu ando mesmo muito ligada à natureza (cada vez mais, por conta do taoísmo – não sei se vc recebeu meu último e-mail de uns meses falando nisso) e aos astros…”

    Sem, infelizmente não recebi nenhum e-mail seu, acho que há uma possibilidade de ter ido pra minha antiga conta no yahoo, de uns 2 anos atrás. que pena!!

    “Talvez, a elevação da temperatura social venha se construindo já há algum tempo, hoje bastante perceptível, vem sendo provocada pelo atrito que o choque entre as “classes” produz, os pobres cada vez mais distantes de uma elite financeira cada vez mais desligada do mundo real, e uma classe média fictícia sendo construída, cujo maior valor de vida é o consumo, e essas coisas todas de conflitos de valores relativos à cada camada social…”

    É como compreendo também, tudo o que está se manifestando hoje é sintoma de um descontentamento de tempos atrás, as coisas ficam no ar, como que no astral mesmo, é lá onde tudo fica registrado primeiro pra depois vir a se manifestar. Quanto as classes sociais, eu tenho algumas ideias que a principio possam parecer um pouco frias, sei lá. Nossa base são de valores intrínsecos e nós construímos à partir deles, quando eles são voláteis, estamos a construir castelos de areia. Sim, há uma diferença social muito grande no Brasil entre ricos e pobres, e acredito, e é só uma crença minha, que muito dessa diferença se relaciona com um estado mental, não é só diferença social e de classes, mas se relaciona muito com a maneira de pensar, de se ter uma prosperidade interior. No cosmos há pra todos igualmente, é só uma questão de saber usar dessa energia disponível. Nesse sentido, nós só temos que fazer a nossa parte no mundo e usar o necessário. E é aí onde está toda a diferença das classes.

    ” não apenas no sentido de qual Terra e qual sociedade estaremos legando às próximas gerações, mas nós mesmos estamos agora determinando a vida que teremos depois dessa vida… nem todos acreditam nisso, eu sei, mas eu estou convicta de que estamos fabricando hoje o nosso carma, o que os orientais chamam de carma, para próximos milênios, nesse momento agudo de transição de um estado a outro, com a justiça ou a injustiça que praticamos… e falo justiça num sentido maior, que não é lutar ou buscar apenas pelos “nossos direitos” ou os de “nossa classe”… Justiça verdadeira, com maiúscula, é paz na terra, paz a todos os homens e seres físicos e astrais e que circulam entre nós…”

    Quanto ao carma, eu não sei se entendo direito ainda, no meu entender por agora, há duas maneiras de vivenciá-lo: – 1)como um iniciado, e 2) como um comum. Na primeira posição, e falo de um iniciado total, ou desperto completo, ele já não possui carma, pois está em harmonia com o cosmos. Seus atos são os atos do cosmos ou da divindade, portanto não geram carma negativo ou positivo, este iniciado se uniu ou se tornou o próprio cosmos, já não fala por si mesmo, já não gera consequências, e 2) aqueles que por não estarem conectados, sofrem de uma certa maneira as consequências de seus atos, são irresponsáveis de um certo modo. E falo nesse sentido, independente dos atos serem bons ou ruins, não é essa mais a questão, mas a principal questão é o que precisa ser feito ou estar acontecendo, somo meros representantes de forças cósmicas e temos o nosso papel no mundo. Carma pra mim tem esse sentido.

    Sobre a Globo, é muito engraçado que nada disso passa na mídia daqui, mesmo na internet não se lê nada sobre isso, mas, um pouco mais de um mês atrás, quando eu estava na Rússia ainda, assistindo um canal alemão teve uma reportagem exatamente sobre o primeiro manifesto contra a globo, onde os manifestantes jogaram lama na emissora de São Paulo. Claro que isso não saiu no G1, muito menos no jornal nacional, também não li nada sobre esse último manifesto, porque será? 🙂

    “Eu torço pelo lado de “cá”, declaradamente, eu estou cada vez mais e mais, “anarquista”, tenho compreendido, inclusive,
    que todos os grandes líderes espirituais que tivemos, estabeleceram antes dentro de si alguma espécie de jornada anarquista pessoal… ”

    Bom, você é a mascarada anarquista que mudou até seu avatar daqui em protesto contra esse mundo político sujo e corrupto, tem meu apoio; bom, Jesus, dizem as más línguas, foi o maior anarquista de todos, rs. Então acho que você está no caminho certo e com muita proteção dos anjos da nossa época. Oxalá você esteja fluindo na corrente da vida libertadora em harmonia com as energias do agora, então tudo torna-se o caminho a verdade e a vida…

    Bjão

  4. Sem said

    Oi Adi,

    Eu tb, ando diversificando os meus interesses para outras coisas e acabo ficando sem tempo para essa vida virtual de aqui… mas a gente vai trocando mensagens e, na medida do possível, vamos construindo nossos diálogos… a mim o mais importante é não perdermos contato, é que vc já me iluminou tantas vezes, que não quero perder essa “luz” – estou sendo egoísta 🙂

    Esse assunto de carma é complicado mesmo, a ideia do carma é complicada de a nossa cultura racionalista e voltada às aparências exteriores, absorver… é algo que eu particularmente absorvo mais pela vertente grega – com as deusas moiras e pelo lado poético em se povoar o mundo com deuses e com transcendências – do que com a divisão em castas da tradição hindu… valorizo muito ao hinduísmo, por ser um alicerce profundo do budismo, mas – e vai um enorme “mas” nisso… nesse ponto – e precisamos nos esclarecer sobre isso – eu estranho qd vc diz que a questão social possa ser resumida numa questão interior, no estado mental das pessoas… porque eu não atribuo o enorme fosso social de desigualdades que existe e está crescendo, não só no Brasil como no mundo, ao estado mental das pessoas…

    Vamos lá, então, do meu ponto de vista, primeiro q a riqueza e a pobreza, no sentido aqui colocado, são constructos sociais e como tal são derivados de valores medidos com a régua do capitalismo, isto é, não são de valores espirituais que se tratam, pertinentes que sejam ao Tao, ao Espírito, ao Amor, a Deus… e se, a riqueza interior, medida em abundância material desde o exterior como consequência do estado mental de cada um, esses estados mentais – riqueza de espírito e alma – são extremamente relativos… pois a riqueza interior de alguém não pode ser avaliada por sua aparência externa, um mendigo, por exemplo, pode ser portador de um estado mental mais elevado do que um Eike Batista, um Mark Zuckerberg da vida… rs aliás, para se possuir um estado mental elevado não há que se comungar nem se medir pelos valores mundanos… é o tal de separar o que é celeste do que é humano, na “Compreensão dos Mistérios” do Lao-tzu… sou contra o protestantismo que prega ao pragmatismo ou a essa promiscuidade na prática entre essas fronteiras, dinheiro para mim não é sinônimo de elevação espiritual… aliás, nos exemplos dos mestres maiores, justamente, riqueza material e espiritual se opõem, ou veja a aparência de Gandhi, parecia um mendigo pelos nossos padrões – dizem que quando ele morreu todos os seus pertences cabiam numa caixa de sapato, mas quem pode ser apontado e que tenha sido mais elevado espiritualmente do que ele nesses últimos 150 anos? e se isto não nos convencer, vejamos os exemplos de Sidarta e de Jesus, outra vez, mendigos, pelos nossos padrões atuais…

    Eu acho que o que vc disse não ficou bem explicado a mim, o que entendo é que por trás do seu raciocínio está o mérito de vidas passadas se tornando presentes, nessa vida… nesse ponto eu concordo, o meu entendimento do carma é afinal bem a visão budista de carma e, além da compreensão dos 6 reinos, aquilo o que discutimos a respeito do Bardo Thodol no Sopoesia (estou devendo esse post, acabei deixando pra depois e foi ficando, até que num tilt do computador acabei perdendo alguns documentos e esse foi um deles)… carma é causa e consequência de nossas ações, que derivam de nossos pensamentos, sentimentos ou até principalmente de nossas intenções… isso é para mim o quadro mental de cada um, o melhor retrato que consigo formular a partir do carma pessoal (sem entrar no mérito do carma coletivo, que é mais complicado e rasteiro), não sei como vc chegou em sua afirmação a partir disso, mas isso para mim não provoca a divisão das classes na sociedade, como nós estamos aqui simplificando, entre pobres e ricos… então, o que quero dizer, por fim, é que alguém nascer numa situação melhor ou pior para a prática do Dharma, nem sempre essa questão pode ser restrita às condições materiais que a divisão entre as classes provoca… porque há exemplos e que podem ser colhidos de todos os lados, exemplos positivos e negativos para ambos os lados… ou talvez, e provavelmente, exemplos mais numerosos para o lado dos menos favorecidos materialmente, porque é nessa condição que o desapego, importante fator de prática para o cumprimento do Dharma, se faz mais presente – isto é, o que tem menos recursos tem necessariamente de lidar e viver na compaixão, apesar, ou por causa de, suas carências evidentes… talvez então tudo esteja ao contrário, talvez seja mais fácil ao pobre praticar o Dharma e seja uma questão de mérito anterior seu, nascer nessa condição, feito um monge que nada possui… e vamos lembrar Jesus, que disse, é mais fácil um “camelo” passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus…

    Não aceito achar “natural” que as sociedades se dividam entre párias num extremo e brâmanes no outro, considero injusta essa perspectiva do ser humano, e uma visão opressora – para não falar perversa – que tal divisão aconteça e seja justificada como reflexo de uma hierarquia espiritual… não que hierarquias espirituais não possam existir, mas, se elas existem, são mistérios, e que devemos observar respeitosamente e não parâmetros para nos medir e nos separar uns dos outros – como o Tao que pode ser medido e expresso não é o Tao verdadeiro… enfim, a espiritualidade mais rasa que há, no meu entender, é a que tenta se justificar cravando seus alicerces na vida mundana… acho que é exatamente isso o que aqui já se chamou um dia de cascas do arquétipo sob as quais o demiurgo reina, sei que é o oposto da espiritualidade que vc valoriza, estuda e procura praticar…

    Falando em demiurgo… a Globo, rs… bem, “a revolução não será televisionada”… mas a verdade é que os jovens de 68 voltaram, só que não são mais os hippies de antigamente e que saem às ruas agora, e a queda da bastilha, bem, ela é eminente, só não será a mesma realeza que perderá agora o poder… e nada disso será noticiado nem divulgado pelos meios de comunicação “normais”, que afinal são eles os representantes, ou são mesmo eles uma das faces desse sistema… e nem sempre é por maldade que não divulgam ou noticiam o que verdadeiramente acontece nas ruas e nas “mentes e corações”, é apenas porque vivem em outro mundo mesmo, com outros valores, e por isso se calam frente ao que não entendem ou não conseguem enxergar e dar como existente… assim como a Maria Antonieta, na queda da bastilha, ela não era uma pessoa má e nem mereceu receber o destino que teve – quando ela disse, aquela frase desastrosa, atribuída a ela, “se não têm pães que comam brioches”, não foi por maldade que disse, foi por total desconhecimento da situação do povo e consequência do seu “sucesso” como rainha, de sua total inserção em seu meio e que requeria aquele desligamento da plebe, a total falta de empatia para com as condições de vida do povo – vc assistiu ao Maria Antonieta da Sofia Coppola? muito bom! aparece bem essa alienação no filme e o lado humano e frágil da realeza… bem, a “queda da bastilha” é, evidentemente, uma metáfora… mas, bem lembrada, porque se reparar bem, os valores exigidos pela “plebe” de então são os mesmos da de agora: liberdade, igualdade, fraternidade… não sei o que aconteceu de lá para cá, mas algo se perdeu no caminho e que não se cumpriu… uma nova revolução, tão ou mais significativa do que a francesa, parece estar a caminho, e, eu não sei quando e onde se dará, em quais condições, mas se vc prestar atenção, se vc quiser pesquisar, existem fontes, é preciso ir atrás e se interessar pelo assunto… as melhores indicações estão espalhadas pelas mídias independentes e no meio intelectual que fervilha com ideias novas… não será através da mídia convencional, nem através dos partidos e organizações convencionais, que se darão a conhecer os novos “revolucionários”… por outro lado, interessante que eu não tenho Facebook, mas é pelo Facebook que o pessoal tem se articulado – por enquanto!, convocado e divulgado os manifestos, etc… então, é assim, de dentro do sistema que se combate ao próprio sistema… ninguém está fora mesmo, nunca esteve… e não existe pureza de nenhum lado dentro do samsara (a questão em qual reino/mundo se vive/sonha, se recoloca), o que existe são interesses e valores divergentes, alguns mais justos, alguns mais verdadeiros (ou + coerentes), alguns melhores do que outros… não é isso o que um valor carrega? um julgamento intrínseco? um sentimento agregado? é preciso escolher um lado, qd valores estão em jogo…

    Ai, Adi, eu vou mudar o meu avatar assim que tirar uma foto nova, essa foi no 7 de setembro, qd queriam demonizar as máscaras nos protestos e especialmente queriam atingir aos black blocs… de lá para cá, tenho estudado o que é o black bloc, e cada vez mais apoio e admiro esse pessoal que aderem à tática, mas eu não sou uma integrante dessa tática, então, a foto fica inverdadeira e nesse ponto me incomoda…

    Não existe pureza, minha amiga, em movimentos sociais… o que existe são seres humanos falhos, cada um procurando fazer o seu melhor… o mundo deveria ser, então, no mínimo, um lugar melhor, não é?

  5. adi said

    Oi Sem,

    “a mim o mais importante é não perdermos contato, é que vc já me iluminou tantas vezes, que não quero perder essa “luz” – estou sendo egoísta 🙂 ”

    A mim também é o mais importante não perdermos o contato, pois esse contato é que tem me trazido muita clareza e alma, a luz é sua própria a que te ilumina, e eu é quem sou a egoísta por tagarelar tanto. Obrigada pela companhia em compartilhar e pela paciência em me ler. 🙂

    É complicado falar sobre carma mesmo, mais complicado ainda expressar um sentimento/pensamento em palavras escritas. A minha maneira de entender o carma é bem ao modo do budismo tibetano, onde, por afinidades (carma de vidas passadas), nascemos em determinado lugar, família, classe social, etc (sociedade, cultura específica). Estes, irão de certa forma, moldar nossa visão ou compreensão de mundo, claro que não somente isso, mas fundamentalmente tem seu peso em moldar nossos padrões comportamentais, o que de certa forma, comportamento está intrinsecamente ligado ao modelo mental que temos. Não que isso se relacione exatamente com castas, nem que o rico seja melhor que o pobre, não é nesse sentido que falo sobre o carma como modelo mental, mas num sentido mais amplo, como por exemplo, quando a Rússia era comunista, se passou a régua por baixo e todos eram pobres, tinham o básico, independente de seu próprio esforço, moral da história, todos começaram a se esforçar cada vez menos e exigiam mais do estado, hoje com o fim do comunismo o pessoal mais velho reclama que tem que trabalhar mais e gostava de antes porque o governo dava tudo, ou seja, ninguém quer se esforçar pra mudar de vida, porque é muito mais fácil o governo prover, mesmo hoje com mais oportunidades, a maioria prefere como antes. E só pra citar 2 exemplos aqui no Brasil, sobre a ajuda bolsa família que o governo dá, ou sobre o sistema de cotas nas universidades e mesmo agora no sistema político, como foi aprovado. Isso no meu ponto de vista não funciona, porque indo na raiz da pobreza, o problema é muito mais profundo. Não adianta dividir ou simplesmente dar se não há entendimento ou compreensão por parte de quem recebe sobre os seus direitos, valores e deveres. É aquele eterno estado baba e paternalista e essa mudança tem que ser interior em cada um de nós.

    Eu ainda acredito em aprendizado, em educação, é isso que acredito que ajuda a mudar valores e crenças internas.

    Agora, ainda há outro ponto complicado nessa história, o qual trata do indivíduo que vive a pobreza por opção espiritual e nesse sentido existe um enorme abismo entre esses modelos de vida. Na minha opinião, é impossível comparar a pobreza por opção com a pobreza de nascimento, comparar a pobreza de um monge budista ou católico com a pobreza de um favelado. O monge pratica o desapego as coisas do mundo, já o indivíduo inserido na sociedade, tem desejos, vontades, ilusões comum a todos nós, e não pratica o desapego, mas são conformados com a situação de vida, com seu carma.

    A pobreza por opção é “livre” do sofrimento que a mesma pode causar, exatamente porque este indivíduo está além do carma e de suas causas. Para o “liberto” como Jesus, ou Buda, ou mesmo Gandhi, exatamente por um estado “mental” ou consciencial diferenciado, onde não havia divisão ou diferenciação entre matéria e espírito, possuíam o mundo todo dentro deles, de fato nada precisam pois tudo possuem.
    E falando neles, vale lembrar que Gautama Buda nasceu príncipe realizado materialmente e depois de não encontrar prazer no material é que buscou o espiritual. Vale lembrar também que Gandhi nasceu em família abastada, estudou em Londres e só bem depois, talvez já um iluminado, decidiu pela pobreza. Mesmo Jesus não era de família tão humilde, tinha profissão, era instruído e abandonou tudo por opção.

    Concordo com você que ser “um” Eike Batista da vida não significa de forma alguma um ser evoluído, ou mais evoluído que um mendigo; não tem muito sentido essa relação, principalmente em se tratando do modo como se ganha esse dinheiro, há muita corrupção, desonestidade, falta de honra, degradação, e nesse sentido o valor é totalmente invertido, é mal no mundo, mas o mundo não é mal, nem o dinheiro é mal. Dinheiro é poder materializado, e aqueles que não tem poder pessoal e o querem a qualquer custo, usurpam dos mais fracos.

    No fundo também não gosto e sou avessa a hierarquias, tanto que hoje, prefiro seguir meu caminho sem fazer parte de egrégoras, ou coisa do gênero, muito menos acho natural as castas hindus. Mas a divisão de igualdades financeiras, como no comunismo, só trouxe a decadência e muito maior pobreza.

    “enfim, a espiritualidade mais rasa que há, no meu entender, é a que tenta se justificar cravando seus alicerces na vida mundana… acho que é exatamente isso o que aqui já se chamou um dia de cascas do arquétipo sob as quais o demiurgo reina, sei que é o oposto da espiritualidade que vc valoriza, estuda e procura praticar…”

    Por mais contraditório que pareça, e o paradoxo do paradoxo é que, o divino, ou a mais pura espiritualidade está em todas as coisas exatamente como o são aqui e agora, exatamente no caos aparente da vida mundana está a ordem de todas as coisas, tudo está em harmonia e mesmo as cascas do arquétipo podem voltar a se encher de vida… o velho se tornar novo e o morto se tornar vivo, quando simplesmente, dentro de nós, em nossa mente ou consciência, realizarmos o espírito em carne e carne em espírito, o casamento sagrado. Por isso o Buda disse: “samsara é nirvana e nirvana é samsara”. Oxalá um dia eu desperte, 😉

    Sabe Sem, sobre essa revolução de agora, a que está acontecendo no Brasil e no mundo, e que já aconteceu na França, e que já aconteceu em outros mundos em outro tempo, no meu pequeno ponto de vista, são energias quer sejam: aquarianas, librianas, ou saturninas, não importa – importa que nós somos os atores que as representam, todas elas, as velhas e saturninas e estagnadas, e as novas que estão adentrando e revolucionando e derrubando tabus, desmanchando e refazendo um mundo. Elas irão se fazer, ou melhor, estão se realizando, se materializando, porque são forças arquetípicas, é o próprio arquétipo que se renova a si-mesmo, é o próprio arquétipo que é o mundo todo, como vida que é em sua natureza intrínseca morre e renasce como tudo o mais.

    Cabe a nós, saber quem somos e qual o nosso papel no mundo, representar ou ser um canal da nossa Verdadeira Vontade, essa é maior liberdade que pode existir… Ai, ai, eu fico tão apaixonada pela vida, queria ter sempre essa alegria interior.

    Beijão

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