Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

O Vento, A Concha, A Super Lua e o Trânsito

Posted by Sem em junho 25, 2013

Parafraseando…

Para não dizer que não falei dos lírios: a neve mata
as flores, mas nada pode contra as sementes

Branca, branca, branca, branca
Enxuta, a concha guarda o mar
A minha, a nossa voz atua sendo silêncio

Mãe, o vento vai mudar
Mãe, minha mãe, me deixa seguir o vento

 

 

Tanto pra falar

E calamos… Calamos por tanto tempo, esquecendo os sons da nossa voz

Uma profusão de gritos arranhando as gargantas por dentro, nos fazendo sentir doentes

E tomamos xaropes, fazemos chás, atribuindo a culpa aos vírus, ao mau tempo

 

Uma enciclopédia para escrever

Uma vida para contar, duas vidas se entrelaçando, três, mil, milhões…

Experiências e pensamentos se acumulando, tomando corpo e forma depois de tantos livros, encontros, pessoas

Os sentimentos permeando tudo, dando valor de unidade a tudo o que foi visto, pensado, vivido

E a dúvida de por onde começar, a ordem em que as experiências devem ser narradas

E o mais difícil, eliminar o supérfluo e selecionar apenas o imprescindível

 

Tanto, e apesar, seguimos vivendo para fechar as contas no final do mês

Por inúmeras vezes nos perdendo da boa vida, achando que a vida, quando muito, é essa coisa mediana variando os custos da planilha entre o azul e o vermelho

E nunca soubemos bem aproveitar os momentos de crise para nos reencontrar: as derrotas, os empregos perdidos, as separações amorosas, as mortes prematuras, as mortes inesperadas, as mortes…

Seriam oportunidades, tivéssemos tempo de viver o luto

Mas, temos pressa

A vida é curta e demonstrar fraqueza diante do tigre do inevitável poderia nos desmontar

Então, engolimos a ansiedade com ansiolíticos e disfarçamos as dores com sorrisos brancos de peróxido de hidrogênio

E, se por acaso alguém se colocar em nossa frente, atropelamos

Qualquer um, entre nós e a meta…

Mas para onde estávamos indo mesmo?

 

Perdidos, compramos roteiros próprios para turistas

Pelos 10 Mandamentos, o primeiro confirma: o consumidor tem assegurado o seu direito inalienável de consumir

E suspiramos, aliviados… Livres consumidores

E compramos carros para exercer a nossa liberdade de consumir

Chegar primeiro

Mas perdemos tanto tempo parados nos congestionamentos que resolvemos financiar outro, ainda mais veloz, luxuoso e confortável

Resultado: consumidores cada vez mais presos e endividados

Culpa do trânsito, é claro

 

Há quanto tempo isso vem acontecendo?

O silêncio, a bola de neve, os sagrados 10 mandamentos do bom consumidor

E colocamos o dedo indicador na têmpora e olhamos para o alto em busca de onde foi que começou

Quando nossas más escolhas foram se acumulando e pressionando perigosamente o dique das incertezas

Culparemos as águas, se rebentar a represa

 

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Uma resposta to “O Vento, A Concha, A Super Lua e o Trânsito”

  1. adi said

    De novo, ficou muito bonito e poético o post, parabéns!!

    Pois é!! de um modo geral, estamos meio no escuro, sem saber ao certo onde tudo vai dar. Acho que a humanidade está atravessando uma certa crise, e não me refiro só à crise financeira, mas interior. Estamos em transição, no meio da metamorfose, mas não sabemos em que vamos nos transformar.

    Parece que estamos no auge da era da artificialidade, a começar pela comida – geração coca-cola e Mc Donald’s (quer coisa mais artificial)-, depois com nosso próprio físico, podemos colocar silicone onde quisermos, botox, mega hair, lentes de contato azuis, alisar o cabelo ou encrespar, hoje temos tudo isso disponível e ainda mais…

    O mundo está se adaptando ao modelo consumista americano. mas não culpemos os americanos, se eles são a vanguarda de nosso tempo (como já foi descrito por alguns esoteristas), só captaram primeiro esse modelo.

    O seu post anterior nos traz de volta a uma questão interessante e de difícil compreensão: sobre o arquétipo. As vezes ele nos toca e nos faz ver de forma ampliada a coisa toda. É aquela dança da manifestação, tem seu nascimento, auge, desvanecimento e morte, e de novo toma forma mas de modo diferente.Nós somos peças desse quebra cabeçal, mas “quem” ( se é que podemos personalizar tal coisa) o monta não somos nós.

    Falando um pouco sobre astrologia, estamos no começo da era de aquário, onde as energias aquarianas estão se fazendo sentir. Me lembrei que no começo do blog conversávamos sobre essas energias, o qual me levou a compreender que essas forças cósmicas se manifestam independente de nosso querer. Em termos de humanidade, tudo o que já fomos ou somos hoje, se dá muito em função da manifestação dessas energias.

    Por esse motivo quando se olha com a mente expandida, o que se vê é que tudo está de acordo com o que tem que ser, tudo convém e é bom.

    Mas também é possível sair do joguete dessas forças e ir para o centro, ou seja, deslocar a consciência para o Si-mesmo e sair da dualidade.

    Abs

    Ahh!! eu estava precisando voltar a atenção pra esse lado meu que estava meio de escanteio, é onde está minha força e minha confiança, onde o mundo fica menos hostil, e onde mesmo sozinha me sinto acompanhada. 😉

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