Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Meditação

Posted by Sem em junho 10, 2012

 

 

 

Dá o nó & Desata

Devíamos tornar as rosas as nossas mestras.

As rosas que trabalham em oposição as suas pétalas, silenciosamente.

Uma pétala não briga com outra

e fica somente se achando

que as outras são invasoras alienígenas

e que ela sozinha faz a rosa.

Sabe apenas a pétala que compõe harmonia.

E a rosa

simplesmente

dispõe beleza

no mundo.

A rosa não briga com nenhuma de suas pétalas

porque não renuncia sua natureza de rosa;

ao redor do seu eixo-miolo

ela trabalha,

pacientemente.

Devíamos aprender com as rosas a morrer;

há tantas formas de morrer e só uma de viver…

Bashô disse: O que diz respeito ao pinheiro,

aprenda do pinheiro;

o que diz respeito ao bambu,

aprenda do bambu.

Devíamos aprender com a Natureza

a nos dispor ao redor do nosso próprio eixo:

Oposição & Complementaridade;

Parte & Totalidade;

Solitários & Coletivos.

Devíamos aprender a fazer do & o nosso eixo

a nossa única forma de viver.

Que o resto é a amplidão da morte num cosmo sem estrelas.

Quinhentos anos antes de Cristo, Heráclito disse: o arco tem por nome a vida, e por obra a morte.

O arco

de onde uma seta dispara tão breve e sem volta; nossas vidas.

Gibran disse: que o seu disparo na mão do arqueiro seja para a alegria.

E no século XII, o monge beneditino, Bernardo Moliacense, fez um poema em latim que acabava com a seguinte sentença: stat Roma pristina nomine, nomina nuda tenemus. Algo como: “da Roma Eterna nós temos apenas o nome, resta-nos apenas o nome”.

De onde Humberto Eco disse ter colhido o significado e a inspiração para a última frase do seu romance O Nome da Rosa.

Stat rosa pristina nomine, nomina nuda tenemus.

Cuja melhor tradução é: “a rosa permanece fresca apenas no nome, e nós temos apenas o nome”.

A cidade pela flor; a flor pelo nome da mulher; a mulher pelo ser desejado; o ser desejado pelo amor; o amor como o significado da vida plena.

Triste e belo, como a vida.

Verdadeiro.

Em outras palavras, do Arquétipo só vivemos o seu símbolo, e não experimentamos de sua numinosidade senão o reflexo.

Que em outras palavras quer dizer que temos a água e a sede, mas bebemos apenas a palavra

“água”

e seguimos sedentos.

Por outro lado, por que haveria de brigar uma verdade com a outra,

se é verdade, também.

O mesmo ser que ata, desata.

Quando, em Romeu e Julieta, Shakespeare diz: aquilo que chamamos rosa, com outro nome teria igual perfume.

O que é um nome? È algo.

Que algo? Algo que esconde algo.

O que esconde? Algo ainda mais profundo e que vive por trás do nome.

Por vezes parece que há uma guerra em curso entre o nome das coisas & as coisas;

entre Imaginação & Realidade;

mas

verdadeiramente

não há.

O mesmo ser que tem pensamentos, tem corpo, faz poemas, sente, vive.

Não há guerra e sim um confronto complementar entre as pétalas das coisas.

Não há meios de alcançar a realidade senão através da imaginação.

Uma & Outra.

Vida & Morte.

Conclusão: “A neve e as tempestades matam as flores, mas nada podem contra as sementes.” Khalil Gibran.

Enquanto existir rosa, há esperança.

 

 

PS: Fiz esse poema estranho, quase um não-poema, para publicar no meu blog de poesia, parte de uma sequência a qual pretendo levar a cabo com o nome de, quer dizer, poderia se chamar, “rosa-pensamento”. Depois, me dei conta de que ele poderia ser publicado aqui, pois se situa exatamente sobre as questões aqui abordadas, e se não foi justamente esse o motivo do seu nascimento.

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