Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Diálogos de anima contra declarações de animus

Posted by Sem em maio 27, 2012

Anima e animus são os princípios do feminino e do masculino próprios à dinâmica da psicologia de arquétipos de Carl Gustav Jung.
Como pertencentes ao nosso mais profundo psiquismo inconsciente, pessoal e coletivo, são a ponte de ligação de cada ser humano até o mais recôndito meneio de alma.
Não há individuação ou opus alquímica sem esse encontro com a “função” anima-animus.

 

 

 

– Já começou mal. O titulo por princípio já semeia a dicotomia dos contrários entre a alma e o espírito, o que levará ambos até a inevitável cisão final. Mas, uma coisa esse título tem de verdadeiro: o espírito não dialoga, declara.

 

– Eu só estou aqui porque quero saber da sua verdade.

 

– A minha verdade? [um pouco irritado] Busque a etimologia da palavra diálogo, examine o quanto ela pode ser diabólica, um instrumento do diabo, constituída que é pelo princípio da oposição, a oposição que faz nascer a ideia do Dois a partir da ideia do Um, o “ser segundo” que surge como elemento intruso à origem e planta a dúvida no nascedouro da ideia.

 

– Ideia?

 

– Ideia ou acontecimento. Qualquer coisa.

 

– Mas isso não é bom. Quer dizer, ter um segundo olhar sob Tudo?

 

– Nem sempre. Algumas coisas devem ser ditas, e ditas de modo inequívoco. Algumas coisas não podem ser negociadas.

 

[a alma não diz nada, mas sorri]

 

– O que eu tenho é um absoluto respeito pelo ser humano e nenhum respeito por Deus. A tal ponto que posso afirmar que a minha religião, se eu tenho alguma, é o homem. Sim, o homem com as suas mazelas e não Deus ou os deuses são a minha religião.

 

– Você é o seu próprio Deus?

 

– Não. De onde foi que você tirou essa ideia? Uma coisa é Deus e outra muito diferente é a religião, que é a forma de se relacionar com o Sagrado, e eu não sou nenhuma dessas duas coisas. O que eu disse é que tenho o homem como a minha religião e, complemento agora, nem faço parte disso, não sou homem que está no mundo.

 

– Quem é você?

 

– Alguém que busca. Alguém que vê o que busca e diz o que vê.

 

– E o que você vê?

 

– O que você vê?

 

– Algo muito diferente de você. Você não vê Deus?

 

– Vejo Deus nos homens e somente isso é real e faz sentido para mim. Assim, eu não respeito Deus e nem os deuses do mesmo modo que não respeito a literatura e os livros. A não ser os livros e a literatura se pensados como representantes do leitor e do escritor, que estão por trás desses engenhosos instrumentos de se fazer arte com a capacidade humana de pensar e refletir a vida. E é só isso, o que merece e o que não merece o meu respeito, os homens são a minha religião e não os seus fictícios inventos. A saber: os livros, os poemas, as letras, os símbolos, a literatura, os deuses, a própria religião e os rituais religiosos.

 

– São reflexos…

 

– Sim, são reflexos. Não são o homem, que é outra coisa, bem diferente e real. E, sabe, a maior invenção do homem nem foi a literatura mesmo, foi Deus. Deus é que é a maior ficção do homem. Por isso a minha religião é o homem, e com isso quero afirmar a minha ética, que é também a minha conduta moral de respeito pelo próximo, o próximo que muitas vezes sou eu travestido de outro, um outro que vem do desconhecimento que tenho de mim, porque, afinal, também eu tenho em algum ponto desconhecimento de mim próprio.

 

[sorri]

 

– Deus não precisa dos meus cuidados, Ele a si se basta, isto é, se é que Ele existe, se existe, se basta, não precisa de mim para existir. Já o homem…

 

– Mas nesse ponto, de todo, não sei se concordo…

 

– Mas é assim, quem precisa que eu seja justo, fiel, harmônico, bondoso, é o meu próximo humano e não o meu próximo divino; é o homem que necessita da minha justiça, da minha lealdade e da minha caridade; Deus não precisa da minha justiça, a sua linguagem é a da Natureza, que é justa e exata por si.

 

– Você tem tantas verdades. Como podem tão contrários se amar?

 

– Precisam se entender.

 

– Nem entender, antes existir.

 

– Precisam se complementar.

 

– Tantos “precisam”.

 

– Precisam ser.

 

– Tantos “ses“…

 

– Então, amor…

 

– Quem disse isso…

 

– Se importa. Isso.

 

– Se vem de você.

 

– Vem de você.

 

– Sim.

 

– É. Sim.

 

 

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10 Respostas to “Diálogos de anima contra declarações de animus”

  1. adi said

    Oi Sem,

    Muito bacana o diálogo. O engraçado são as sincronicidades. Ontem mesmo estava conversando sobre isso, não no sentido psicológico da coisa, mas no sentido físico mesmo, do ying e yang, quando percebemos aquele calor interno forte, ou internamente aquela sensação de frio, é a expressão desse desequilíbrio, por isso os chineses utilizam certos tipos de comida e chás pra trazer esse equilíbrio. E percebemos como esses opostos atuam em tudo na vida, no corpo, em nosso temperamento, e em nossa mente também, como ideias.

    Ainda por acaso ontem assisti o filme “A dangerous method” sobre o começo da carreira do Jung. Gostei do filme, bem interessante, vale a pena assistir.

    Ahh!! Games of Thrones estou amando, difícil parar de ler, ou esperar o próximo capítulo da HBO. É um retrato bem fiel da vida com todos seus reveses, a realidade é bem mais cruel do que se pode imaginar. 🙂

    Bjs

  2. Sem said

    Oi Adi 🙂

    Isso aqui foi uma obra de ficção, no que ela pode ter de semelhante com um exercício de imaginação ativa, é a participação do “animus”… é que, “ele”, tinha algumas pra falar… o texto nasceu dessa necessidade, e no começo eu nem sabia o que era, mas era essa coisa bem existencialista de fazer do humanismo uma religião.

    Sabe, não precisa muito para fazer esse meu personagem interior falar… ele se assemelha bastante a um filósofo iracundo… é o meu Hermes filósofo interior, o meu Marte a zero graus de Gêmeos, o maior problema mesmo é fazer ele calar a boca. rsrs

    Estou brincando, claro, mas é tudo verdade. Só digo que não foi um exercício de imaginação ativa porque faltou aquele clima de numinosidade, característico de uma experiência verdadeira com o inconsciente.

    As minhas experiências com o “meu” animus mais profundo são de que ele fala bem menos e convence muito mais. rs É a sua presença que é mais eloquente, menos o seu discurso…

    Em relação o isso, eu tenho pesquisado o vajrayana, que o budismo tibetano desenvolveu, e, pois, não há de se ver, que é exatamente isso!, como diz o Lama Samten, “a realidade é vajra”, quer dizer, ela é mágica, ou, magicamente construída…

    O vajrayana é justamente essa linguagem de aproximação com mundo arquetípico, uma linguagem pura, daí sua numinosidade, ou, magia…

    E claro que tudo isso é tremendamente perigoso. 🙂

    Ah, eu assisti e tb gostei muito de “Dangerous Method”. O roteiro é fiel com o que li da correspondência do Freud, que contém cartas do Jung, da Sabina, da Emma, em relação uns aos outros… O Jung é o protagonista, mas gostei especialmente da interpretação ironica que eles deram a várias falas de Freud, o senso de humor sutil de Freud foi bem captado no filme – aquela frase famosa dele a Jung, interpretada depois com tanta literalidade por Jung, no navio, qd da viagem deles aos EUA, “não vou contar o meu sonho para não perder a minha autoridade”, é perfeita, se entendida no contexto do que Freud sabia… um filme muito bem feito e que pode abrir alguma luz ao relacionamento conturbado de ambos.

    E Game of Thrones, não tive tempo de ler os livros ainda, penso que as minhas próximas férias vão ter o clima e me dar a oportunidade ideal… mas ao assitir agora a segunda temporada, que já está indo para o final, talvez o roteiro mais apressado do que o da primeira temporada, a história abre muitas lacunas, têm personagens que eu gostaria de saber mais profundamente suas histórias, me deu muito mais vontade de ler os livros…

  3. adi said

    Oi Sem,

    “mas era essa coisa bem existencialista de fazer do humanismo uma religião.”

    Me lembrou muito um personagem do Games of Thrones isso acima (olha só; a série não sai da minha cabeça, rsrs), esse personagem chamado Davos é o braço direito de Stannis Baratheon (irmão mais velho do Rei morto e primeiro na sucessão ao trono), e ele sempre diz que não existe deus, que Stannis é o deus dele pois ele deve tudo o que tem na vida a Stanis e não a um deus.

    E se dizem foi deus quem criou o homem, porque não pode ser o contrário?

    “Só digo que não foi um exercício de imaginação ativa porque faltou aquele clima de numinosidade, característico de uma experiência verdadeira com o inconsciente.”

    Não sei se toda imaginação ativa vem carregada de numinosidade ou com uma carga emocional de vivência real, algumas vezes sim, mas muitas vezes essa prática pode atuar como somente um diálogo mesmo com o inconsciente. Acho que atua com maior poder quando libera algum conteúdo profundo. Então acho que vc pode considerar como um exercício de imaginação ativa sim, pelo menos, foi o que me pareceu.

    Sobre o animus, ou essa força masculina desconhecida na mulher, e seu oposto nos homens, há tantas lacunas, tanto a ser desenvolvido. Não me parece tratar somente da psiquê como assim aprendemos, há ainda algo mais além da própria imaginação que é a característica maior da psiquê, há um lado sombrio, poderoso e misterioso desse inconsciente que nos liga ou nos situa no campo do coletivo, do principio único individual e impessoal ao mesmo tempo. Talvez o animus/anima seria o primeiro traço de manifestação como uma das polaridades desse princípio universal, traço esse que designa o próprio inconsciente ou o próprio imanifesto, com seu traço oposto manifestado, portanto, perceptível, consciente… sei lá? os sonhos nos dizem tanto, e ainda assim, há tanto mistério, sabemos tão pouco…

    E claro que tudo isso, mesmo o ying/yang, ou seja essas polaridades em todo ser, está totalmente relacionada com a energia sexual, com a kundaline, etc; mas não podemos ainda desconsiderar, que essa força totalmente inconsciente nos parece ameaçadora, por isso se relaciona com os íncubos e súcubos, vampiros, etc…. carregam a ameaça e ao mesmo tempo sedução juntos, prazer e dor… e não seria assim nossa psiquê?

    Imaginação é o veículo, ou o primeiro meio de que tudo venha à realidade, imaginação que no budismo pode ser chamada de mundo dos sonhos ou o corpo Sambhogakaya de Buda, e que por isso, no induísmo é simbolizado por Vishnu. Vishnu é o símbolo do princípio de ALMA ou consciência do ser, o aspecto filho. É um assunto que vale a pena muita pesquisa.

    Ando com vontade de voltar escrever, mas meu tempo anda curto demais ultimamente, faz 2 semanas que voltei pra Rússia e parece que foi ontem, no Brasil o tempo voa também… mas está tudo ótimo assim, do jeito que tem que ser, isso é o mais importante. 🙂

    Só tenho os 2 primeiros livros do Game of Thrones, mas faz toda a diferença na hora de compreender a série. Posso dizer que vale a pena ler os livros também.

  4. Sem said

    Adi, muito obrigada pela troca de ideias, até tinha me esquecido do qt era bom conversar com vc… ah, deixa eu te elogiar um pouco, que a gente não acha logo ali na esquina outro ser humano que tenha interesses semelhantes aos nossos e que misture, ainda por cima, isso tudo com inteligência e sensibilidade. :p

    Eu não sei como eu vou te responder, sei não, acho que nem vou responder, vou só jogar conversa fora, pontuando aqui e ali algumas das coisas que disse… que tenho um tempinho para escrever hoje e, já viu, seus breves comentários juntaram aqui a fome com a vontade de comer. (rs)

    >>>”Imaginação é o veículo, ou o primeiro meio de que tudo venha à realidade, imaginação que no budismo pode ser chamada de mundo dos sonhos ou o corpo Sambhogakaya de Buda (…)”

    Essa é uma valiosa informação. Obrigada.

    Bem, Adi, é tudo isso mesmo, são personagens… a realidade da psique como um todo não constrói apenas as personas para nos relacionarmos com o mundo exterior, dentro de nós, tb, existem populações de personagens, muitos contraditórios, e que povoam a nossa subjetividade…

    Como disse o Quintana certa vez: “alguém que não se contradiz deve estar mentindo”.

    É de se perguntar como isso tudo de seres diversos pode não nos enlouquecer. Pois eu acho que justamente a sanidade é a aceitação de que temos esse infinito universo interior – 7 bilhões de seres humanos vivendo no mundo do lado de fora é pouco para a população de seres – muitos fantásticos – que temos no mundo inconsciente…

    Não é enlouquecedor porque a visão de todos eles formam uma só unidade, como as incontáveis estrelas no espaço fora, divididas entre incontáveis galáxias, formam o UNIverso. Não só não é enlouquecedor como é Belo.

    “A mais bela harmonia cósmica é semelhante a um punhado de coisas atiradas.” Heráclito, um dos seus aforismos.

    Só que é PLURIverso.

    E justamente por isso é que não é enlouquecedor, sabendo que moramos numa plurirrealidade, não levamos tão a sério quando alguém surge dentro de nós e diz “a realidade é assim, assado”, “você é isso, aquilo”, essa voz será apenas mais uma voz entre uma realidade que é imensamente mais ampla que um mero discurso, por mais convincente que ele seja.

    Como a realidade é magicamente construída – e não é que PODE ser que ela seja, ela realmente É magicamente construída -, quando uma situação se apresentar insuportável, se temos o mínimo de entendimento disso, podemos mudar o foco e construir outro olhar sob aquilo…

    Re-construindo a realidade, incessantemente, podemos até rir das mazelas do nosso pequeno ego e, de quebra, já não ficamos mais tão monolíticos… apenas contorce-se de dor até a loucura aquele que não consegue olhar a realidade de outro modo, – naquele momento mesmo, fica impossibilitado de construir outras e novas realidades…

    Mas isso tudo está muito bonito de se dizer, em teoria, é fácil falar, pq na prática, certas coisas, certas pessoas e situações nos perturbam tanto, para o bem e para o mal… todos temos limites, é claro, ditados desde o exterior, da nossa condição de ser que está no mundo… só que é de dentro dos pontos frágeis e que não conseguimos nos desapegar onde se encontra a verdadeira causa de nossos sofrimentos…

    E é aqui que o budismo entra em cheio, para nos liberar. Buda aponta para a lua cheia na imagem da Roda da Vida, nos mostra o caminho de saída do samsara… mas – até parece brincadeira – não ver o dedo de Buda e sim ver a lua, essa é a liberdade que devemos nos dar…

    >>>”Não sei se toda imaginação ativa vem carregada de numinosidade ou (…)”

    Realmente, eu tb não sei… porque eu não sigo as técnicas de escrever os diálogos como são recomendados por alguns junguianos que estudaram essa técnica – porque o meu sistema de relacionamento consciente-inconsciente é, sempre foi, anárquico -, como é toda a minha relação que envolve questões espirituais, não consigo ser convencional nesse aspecto…

    Na minha experiência pessoal com imaginação ativa, considero apenas aquelas que tive, que foram numinosas em alguma medida e espontâneas… assim, provavelmente, só eu entenda como o meu “sistema” funcione, só eu saiba qd as coisas estão por vir, e talvez ele só sirva para mim…

    Eu acho que imaginação ativa é algo natural, espontâneo mesmo, que acontece desde os primórdios da humanidade e que se realiza com toda a naturalidade para todo aquele que estiver aberto e sensível para um diálogo respeitoso com o seu interior. Nesse caso, acho que é sempre uma experiência positiva.

    E acredito que essa visão está de acordo com a teoria de imaginação ativa proposta por Jung, embora eu não saiba bem onde ela está descrita, em que parte de sua vasta obra – o que eu já vi descrito, foram alguns de seus pensamentos esparsos, aqui e ali, e, através de alguns poucos outros teóricos, como o Robert Johnson – do “He”, “She” e “We”, que escreveu um livro inteiro sobre esse assunto.

    Eu nunca escrevi e pra falar a verdade nunca busquei as experiências que tive, simplesmente elas me aconteceram, sem registro e controle de minha parte nesse sentido de um diário orientado. Eu não sou sequer do tipo que registra os sonhos. Meu sistema acho que é não ter sistema. Não escrevi, mas elas repercutem na minha vida, nos meus textos e agora nas minhas poesias, como nada que nos impressione fortemente poderia deixar de repercutir, ficar fora da nossa vida…

    >>>”(…) não podemos ainda desconsiderar, que essa força totalmente inconsciente nos parece ameaçadora, por isso se relaciona com os íncubos e súcubos, vampiros, etc….”

    E sereias, e bruxas, do lado masculino… são os clássicos parceiros do inconsciente, as nossas contrapartes sexuais no aspecto negativo, mas, tudo isso são os tais dos constructos interiores, e que podemos desconstruir, com tempo, paciência, carinho, e, se entendermos os seus mecanismos, ou, a sua origem…

    Eu, por exemplo, qd criança, tinha pesadelos frequentes com uma figura masculina assustadora e fascinante, que me perseguia, invariavelmente, era uma figura nebulosa e de muita força, em sonhos de muita angústia, em que eu tinha a clara sensação de dano físico e até eminente risco de morte… todas as minhas fugas se davam num sentido descendente e tinham um conteúdo sexual oculto… posteriormente, evoluíram, nem a figura era mais tão nebulosa e nem o conteúdo sexual era tão reprimido, qd eu examinei esses conteúdos sob análise. Até recentemente essa figura se transformou em um outro “clássico”, um ladrão sorrateiro, criativo, que de muitas outras formas ainda me persegue e quer me prejudicar… eu já tentei conversar com ele, movi muitos esforços no sentido de transformá-lo em algo e nós numa relação benigna, mas parece que ele pertence ao terreno das minhas sombras mesmo e de lá não quer sair… então, eu respeito, algumas coisas não podem ser modificadas e é melhor que aceitemos isso… mas como o meu entendimento agora é outro, a angústia que esse sujeito, ainda fascinante, me causa é passageiro, logo interpretado, ele se transforma… a última vez que eu me lembro de ter sonhado com ele, vai um bom par de anos nisso, mas tb se ele nunca mais aparecer, não vou sentir saudades…

    Acho que eu já escrevi demais, desculpe se escrevi demais, a tarde passou rápido aqui, já está anoitecendo…

  5. adi said

    Sem, muito, muito obrigada!! Não vou negar que um elogio desse faz um bem enorme ao coração, e como faz. Vc é uma daquelas pessoas que tem um efeito agregador em mim, acho que vc diria um “bom encontro”, principalmente vindo de uma pessoa inteligente e sensível como vc.

    Só posso dizer que afinidades e a sincronicidade proporcionaram esse encontro aqui nesse espaço invisível que é a internet, realmente um mundo de conexões, talvez como um mundo plasmado, cópia do nosso mundo mental e mesmo emocional, pois aqui encontramos ideias e sentimentos expostos….

    Enfim, tô viajando um pouco; ou não… como diria Caetano :). Sabe, nunca foi tão claro pra mim perceber as sincronicidades de muitas coisas acontecendo cá comigo, essa coisa de estar ligado a outros eventos e de tudo ter um significado, não porque sejam uma continuidade, mas eventos que a princípio nada se relacionam, se mostram totalmente relacionados, e assim a vida vai se moldando e fica muito mais fácil fazer escolhas com consciência, mudar padrões e sistemas antigos, desconstruir hábitos, fazer diferente… o que não quer dizer que seja fácil, normalmente é sempre muito dolorido, mas é a realidade se construindo magicamente como dito por vc. Minha última ida ao Brasil, que aconteceu por acaso e sem eu saber por qual razão definida, se mostrou totalmente dentro de um esquema maior, onde pude deixar assuntos inacabados; resolvidos, terminados e acabados literalmente, uma mudança total de paradigma como nunca imaginei ter coragem. Mudar é bom, e me caiu a ficha, ou seja, fiquei consciente que MUDAR está totalmente relacionado com o conceito de CARMA, do ponto de vista do budismo, onde carma é o equivalente a padrões de comportamentos repetitivos e condicionados, ou seja, também equiparado com a SÍSTASE do gnosticismo. Pois é, assim são as coisas, basta ter olhos pra ver, está acontecendo a todo instante. Mudar é muito bom, é desfazer ou anular carma.

    De fato, interiormente nós também somos um PLURIverso, o que vemos fora também está dentro de nós e vice-versa, assim como “o que está acima é como o que está abaixo” de Hermes Trismegisto.

    “quando uma situação se apresentar insuportável, se temos o mínimo de entendimento disso, podemos mudar o foco e construir outro olhar sob aquilo…”

    É isso mesmo, também entendo assim. Essas situações desagradáveis justamente nos forçam a mudar o olhar, o foco, é a transformação tão necessária que a própria vida nos impõe, é a impermanência de todas as coisas, internamente e exteriormente, tudo está de desvanecendo e se refazendo diferente a todo momento. Se relaciona totalmente com CARMA, no sentido que citei acima. A realidade é impermanente, mas carma nos limita dentro de um único foco, ou vá lá, poucas possibilidades de “ver” a coisa mais além, ou seja, faz com que reprisemos o mesmo capítulo da vida todos os dias, mesmo que acontecimentos externos, assim como um rio, estão fluindo continuamente em mudança. E essa é a causa do sofrimento, porque não conseguimos mudar de atitude, de ponto de vista. Não aceitamos o diferente e novo, queremos manter o velho e desgastado e esvaziado daquela “alegria”, daquilo que foi um dia e que já não é mais. Precisamos reconhecer esses padrões e mudar o foco.

    “Eu nunca escrevi e pra falar a verdade nunca busquei as experiências que tive, simplesmente elas me aconteceram, sem registro e controle de minha parte nesse sentido de um diário orientado. Eu não sou sequer do tipo que registra os sonhos.”

    Eu também sou assim, não tenho disciplina pra essas coisas. As coisas simplesmente me acontecem. Sonhos também não anoto, só lembro pela manhã e tento decifrá-los, alguns mais significativos e até numinosos a lembrança nunca se apaga.
    É uma liberdade mesmo seguir a natureza interior, o importante é ter intuição pra captar os significados e não tentar moldá-la diferente. Interessante que os lamas e também os sábios e experientes monges chineses, já realizados, sequer meditam mais, a vida como um todo já é o próprio retrato da essência, manifesto é imanifesto ao mesmo tempo. Eles tem a mente limpa de condicionamentos e podem ver sem limitações.

    Quanto a sonhos com o animus, e estes tem sido a razão dos meus questionamentos, quando criança sonhava muito com vampiros, depois, essa figura se tornou como ladrões, assassinos, etc, às vezes, no mesmo sonho também aparecia como o herói que me ajudava contra ele mesmo. Tempos atrás, essa figura evoluiu como amante, em atos sexuais muito unidos e grudados como um corpo só, nunca pude ver seu rosto, sempre estávamos unidos um de frente com o outro, com nossos rostos unidos pela lateral oposta, como num abraço muito, muito apertado. Tive um outro sonho muito louco onde eu tinha um pênis ereto grudado em mim e uma vagina ao mesmo tempo e não sei como, testei pra ver como seria, e me senti completa e plena.

    Agora os sonhos tem sido muito diferentes e esses aconteceram recentemente. Vou relatá-los porque sinto que ao descrevê-los posso ter um pouco de compreensão. Um sonho eu comecei a fazer sexo com o que supunha ser meu marido e estava muito claro como dia ensolarado, mas estava com os olhos fechados, e eu o beijava muito e sentia seu corpo junto ao meu, e ainda de olhos fechados sentia os fios de cabelos dele em sua nuca onde eu segurava entre meus dedos, então eu abri os olhos para vê-lo e não havia nada nem ninguém, nem mesmo minhas mãos existiam e compreendi que era a imaginação quem criava e dava vida a tudo, que tudo existia na imaginação, eu imaginava e isso fazia eu sentir como real. Então eu pensava: é a imaginação, tudo existe na imaginação.

    O segundo sonho, foi o que me intrigou com relação ao lado sombrio ou descontrolado dessa força. Eu estava deitada na cama sozinha e em situação erotizada comigo mesma, então comecei a imaginar, e no sonho sabia que era imaginação, uma figura masculina sem corpo, somente o sentir, que estivesse fazendo sexo comigo, nesse momento, no sonho a cama começou a balançar com o ato imaginativo, então eu pensei em parar porque sabia que era a imaginação, não quero continuar com isso, e parei no mesmo momento de imaginar o ato, então uma força tremendamente grande, sem que nada pudesse ser visto, me levantou ao ar pelos pés, me virou de ponta cabeça e começou a me chacoalhar como se eu fosse de papel. Sabe, igual esses filmes de terror, fiquei muito assustada e queria gritar e acordar, tanto que acordei com o som dos meus gritos abafados porque não conseguia abrir a boca. Foi esse sonho que me levou a fazer analogia com todas essas figuras assustadoras que povoam o imaginário coletivo.

    O último sonho eu estava presa por um abraço apertado que me envolvia na altura de meus braços e me impedia de movimento, era uma figura masculina, mas novamente sem forma e sem corpo, só podia sentir que me prendia. Eu queria escapar daquilo e me soltar e fazia força, mas aquilo era muito mais forte. Então eu disse pra ele, você não pode me prender porque eu não tenho corpo, meu corpo não é real, meu corpo não existe, eu sou somente um fio de luz dourada que irradia luz branca, vc não pode me conter. Mas aquilo ainda estava bem firme, eu sabia que eu não tinha corpo, mas continuava presa, então eu percebi claramente que ele era a SÍSTASE, e repetia: Ah!! Você é a sístase, você é a sístase.
    Acordei, e claro que pensei, eu tinha que ter compreendido que a SÍSTASE também não existe de fato, assim como o corpo é projeção e existe e não existe ao mesmo tempo, a sístase é tão somente projeção distorcida da realidade, é essa que de fato não existe. Quem sabe no próximo sonho, mas são sementes importantes pra eu me analisar, são diálogos direto com o inconsciente.

    Moral da história, mais questionamentos, e talvez, talvez, porque naturalmente nada pode ser afirmado, seja como descrito pela Maria no comentário dela, a alma ou psique de alguma forma se desestruture pra poder ir além, claro, isso tudo incluindo seus vários complexos (ego, sombra, animus) ao qual conhecemos e tanto já comentamos aqui.

    Sem, eu é que peço desculpas pelo comentário imenso que fiz, e pela enorme paciência em lê-lo. É que ler seus comentários, também me desperta novas lucubrações e uma coisa puxa a outra… 🙂

  6. Sem said

    Oi Adi, estou meio sem tempo para comentar dos sonhos e os seus, principalmente, tão densamente significativos… numa outra oportunidade, quem sabe na semana que vem, gostaria de voltar ao assunto.

    Agora só queria falar um pouco de sincronicidade, e as palavras “encontro” e “silêncio”.

    >>>”Só posso dizer que afinidades e a sincronicidade proporcionaram esse encontro (…)”

    O que será que é sincronicidade? Acho que a resposta mais adequada é de que é um fenômeno de percepção da psique, da conexão dessa psique com a alma do mundo – que é tudo, pedras, seres, vento, firmamento, ou, melhor, é a interligação de tudo, desde as areias do deserto até o último átomo de hidrogênio lá pelos confins do universo.

    Mas onde fica o confim do universo? Não fica, está em todo lugar… apenas localiza-se como lugar no mais distante ou próximo pelo percebimento de uma individualidade, que necessita dessa noção de lugar para existir, quer dizer, para se perceber existindo…

    E não deixa de ser um paradoxo, também, que para que os fenômenos sincrônicos possam ser percebidos, as próprias individualidades precisam ser relativizadas, pois, para a manifestação da sincronicidade, nem o tempo e nem espaço existem, quer dizer, é como se eles não existissem, já que é tudo aqui e agora ao mesmo tempo…

    Não creio que isso seja a manifestação de um fenômeno místico, a não ser do ponto de vista de um materialista radical. No entanto, talvez seja… misticismo, sim, já que é o percebimento da realidade para além de um humano localizado, talvez seja a realidade o ponto de vista da espiral de Deus…

    Bem, acho que já mencionei com vc em outra ocasião que a palavra de ordem desse ano para mim, por indícios da sincronicidade, justamente, é “encontro”… mas acho que só vou saber o que realmente ela significa ao final desse ciclo, quando saberei então o que ela quer me dizer, qd vou poder voltar a falar desse assunto.

    Devo ter mencionado que a palavra do ano passado foi “silêncio”… disso posso falar agora, pois, o que ela mais me ensinou foi que – abrindo um pequeno parêntese de introdução antes, qd adentramos nessa rede dos fenômenos interligados, de percebimento da sincronicidade, achamos em princípio que o poder de mudar os acontecimentos está em nós, nesse caso somos tomados de uma certa inflação e é muito comum e normal que assim aconteça num primeiro momento, imaginamos que somos nós que possuímos a magia de controlar os deuses, temos a sua simpatia (qd não nos confundimos com os próprios), e de que basta um desejo nosso para que algo aconteça e faça o universo conspirar em nosso favor, mas, não é bem assim… – feita essa introdução, que é uma advertência, o que eu aprendi com o “silêncio” foi de que, se não nos manifestamos em nossos desejos e não trabalhamos para “conspirar” em favor deles, em causa própria, e, ao contrário, simplesmente ficamos calados e deixamos que as coisas rolem, incrivelmente, elas rolam… o Sol continua a nascer, o nosso time a perder ou ganhar, do mesmo modo que antes achávamos que nossa ação tinha um papel decisivo no rumo do campeonato, percebemos pelo “silêncio” que o mundo continua como deve ser, independente de nosso esforço… Isso quer dizer, enfim, de que não somos nós que fabricamos a sincronicidade, nós simplesmente a percebemos…

    Será que isso ficou confuso? rsrs

    Bjos e
    Bom final de semana.

  7. adi said

    Oi Sem,

    Sobre os sonhos estou ainda a decifrá-los, e claro que toda colaboração é sempre bem vinda, mas fique a vontade de comentar ou não. Comecei de novo a pesquisar em torno desse assunto – Eros, Psiquê, Shakti Kundalini, Bodhichita, animus/anima, imaginação, alma, sístase/demiurgo – e claro gostaria de escrever um post, mas é assunto tão denso, um racha cuca, rsrsrs. Vou comendo pelas beiradas no juntar de peças e ver se sai alguma coisa. :p

    ” Devo ter mencionado que a palavra do ano passado foi “silêncio”… disso posso falar agora, pois, o que ela mais me ensinou foi que – abrindo um pequeno parêntese de introdução antes, qd adentramos nessa rede dos fenômenos interligados, de percebimento da sincronicidade, achamos em princípio que o poder de mudar os acontecimentos está em nós, nesse caso somos tomados de uma certa inflação e é muito comum e normal que assim aconteça num primeiro momento, imaginamos que somos nós que possuímos a magia de controlar os deuses, temos a sua simpatia (qd não nos confundimos com os próprios), e de que basta um desejo nosso para que algo aconteça e faça o universo conspirar em nosso favor, mas, não é bem assim… – feita essa introdução, que é uma advertência, o que eu aprendi com o “silêncio” foi de que, se não nos manifestamos em nossos desejos e não trabalhamos para “conspirar” em favor deles, em causa própria, e, ao contrário, simplesmente ficamos calados e deixamos que as coisas rolem, incrivelmente, elas rolam… o Sol continua a nascer, o nosso time a perder ou ganhar, do mesmo modo que antes achávamos que nossa ação tinha um papel decisivo no rumo do campeonato, percebemos pelo “silêncio” que o mundo continua como deve ser, independente de nosso esforço… Isso quer dizer, enfim, de que não somos nós que fabricamos a sincronicidade, nós simplesmente a percebemos… ”

    Perfeito!! É exatamente esse o problema que o “ego” causa, por esse motivo o budismo é tão enfático na inexistência do ego. Porque nesse sentido, tanto sincronicidade, bem como “imaginação” criadora, não é da ordem do eu, ou da ordem do pessoal, mas sim do arquétipo, e de fato, o que nos resta é conspirar em favor disso, sem remar contra a maré, é se soltar, liberar e observar admirados a maravilha dessa força atuando em nós e no mundo. E é aí que entra o desapego e a desconstrução do modelo mental que torna real uma entidade, um “eu” em separado. A questão toda mesmo, e razão de muitas discórdias religiosas, é que tudo gira em torno de “PERCEPÇÃO”, limpar e abrir a mente e VER. Nada nem ninguém vai salvar/libertar alguém ou ao mundo, porque não há nada nem ninguém a ser salvo/liberto, nada a ser modificado, é como dito por vc outro dia de acordo com o budismo, tudo já é Buda.

    “Será que isso ficou confuso? rsrs ”

    Nem um pouquinho, rsrs

    Bjs e bom final de semana.

  8. Sem said

    Oi Adi,

    Agora vai, vamos ver, talvez fique um pouco longa a minha resposta, mas, quem é que aqui vai a algum lugar? Até vai, mas que volte depois, para continuar a leitura, porque não há outra maneira de se abordar assunto em si tão intrincado e complexo. Depois, é a nossa velha questão de sempre, e devo adiantar e resumir de que versará a respeito de algumas das minhas conclusões atualizadas desse processo de análise e autoconhecimento. Justamente, na questão de Eros, que entre a ascensão do espírito e a descida da alma, é o movimento de forja ou alquimia entre os princípios masculino e feminino e que, sem serem nunca descaracterizados, quero crer, resulte na encarnação da alma e na circulação de amor no mundo…

    Meu Deus! Por onde começar? 🙂

    Em relação aos sonhos, aos seus sonhos mais especificamente, não tenho uma interpretação para eles, mas tenho um ponto de vista, e agradeço e fico lisonjeada com a sua confiança em minha pessoa, com a liberdade que me deu para comentá-los… Não pretendo abusar de sua confiança, é claro, e, sabe, nem acredito muito nisso de interpretações fechadas de sonhos, como vc mesma deve saber pelos nossos papos antigos a esse respeito… Eu prefiro pensar e acho mesmo que os sonhos são obras em aberto. Como nós próprios, somos obras em aberto – nós e todas as nossas construções, de sonhos a poemas, da casa que moramos às relações que temos. Somos seres plásticos e passíveis de mudanças como maleável e mutante é toda a realidade que nos cerca, mas não apenas pela impermanência própria do samsara, também pela natureza mágica de nossas construções… Assim é, ou pelo menos até o momento de nossa morte, quando tudo então cessa, e as possibilidades do presente aberto se fecham, e o que foi já não é mais e o que quer que nos tenha acontecido se solidifica, quando só então podemos nos voltar ao passado e dizer “foi assim”, e na vida que tivemos não podemos mais interferir. Portanto, é isso, não só não acredito em interpretação de sonhos como em definições fechadas para os próprios símbolos, sou avessa a todo manual desse tipo enquanto existir vida pulsante e circulante entre os indivíduos. Além do mais, os símbolos e todas as nossas construções, devem ser mais é “desrespeitados”, foi o que disse mesmo, com esse post por uma voz de decreto de um certo “animus” aqui ficcionado…

    Sonhos antes são diálogos em aberto, enquanto conversamos com eles, igualmente, eles nos respondem, são plásticos como nós e nos modificamos mutuamente nesse esforço de querer comunicar algo ao outro…

    Acreditar que existe o inconsciente é saber da existência desse mundo subterrâneo vivendo em nós, que de muitas maneiras é outro mundo mesmo, com leis e mecanismos distintos. Estou me dando conta de que os que os budistas chamam de “mente” é o rico mundo da psique, das psicologias profundas, cuja maior porção está se desloca pelas leis do inconsciente. Os sonhos são um vislumbre privilegiado desse outro mundo oculto da nossa consciência, e o que eles querem nos dizer, e o que efetivamente eles nos dizem, devemos escutar com muita atenção, tal qual a fala de outra pessoa vinda de outra cultura, até de outro tempo, quem sabe, outra cor de pele, outro sexo, outro planeta… Devemos escutar com os ouvidos e os olhos bem abertos para a realidade tangível deles e não a nossa, porque não vamos compreendê-los se eles tiverem que se adequar à nossa realidade exterior e consciente, se dermos para eles tão somente o foco unilateral de um ego cartesiano, pois, a realidade dos sonhos fala a nós desde o ponto de vista do arquétipo, invariavelmente, e porque deseja se cumprir nesse mundo, não é por outra razão que dialoga conosco… Muitos dos nossos sonhos escondem mensagens de nossa Verdadeira Vontade…

    Sabe o quanto se tem de desentendimento entre sociedades humanas oriundas de culturas diversas, e tanto mais desentendimento quanto mais diversas são as culturas? É o mesmo que existe entre nós e os nossos sonhos, a princípio o mesmo estranhamento, a tal ponto que um pode falar “pau” e o outro entender “pedra”. A questão com os sonhos e a nossa consciência é a mesma que há no choque entre as civilizações de nossa história, antiga e atual, quanto mais fechadas ou centradas em si são as culturas, maior é o estrago no confronto com outras que circulem valores e costumes diferentes. Tamanho é o desconforto, a ameaça, o medo e o ódio resultante, que o completamente Outro pode provocar, que alguns logo concluem pela luta armada e aberta contra Eles. Enquanto outros, menos francos, ou talvez os mais “pacíficos”, podem se resolver pela indiferença, quer dizer, optam por ignorar e desconsiderar a realidade da Diferença. O que é péssimo, também. Quer dizer, nenhuma dessas duas “soluções” são capazes de proporcionar o autoconhecimento verdadeiro; nenhuma jornada espiritual é possível enquanto houver luta contra essa parte de Deus que nos fala; muito menos, é claro, será possível a descoberta e a realização da Verdadeira Vontade…

    Mas afinal o que quer o Arquétipo? Pois vou me valer de uma sincronicidade para responder a pergunta, na verdade irrespondível, mas é que me caiu nas mãos durante a semana passada, “sem querer”, um livro da excelente coleção Amor e Psique, da editora Paulus: “Incesto e Amor Humano: a traição da alma na psicoterapia”, do analista pós-junguiano Robert Stein.

    Por que o livro é uma sincronicidade? Porque ele contém respostas bem específicas para algumas das questões que aqui foram formuladas. E não é que esse livro, que eu ainda nem acabei de ler, seja completo ou perfeito, não é isso, porém, acredito que ele é correto na sua abordagem, e a mim é exato, ao se corresponder sincronicamente com o meu momento, em que tenho que decifrar o enigma da palavra “encontro”, o livro em parte já me respondeu essa questão. Depois, creio que ele traz ainda algumas das peças que faltavam no intrincado quebra-cabeças que estamos montando. De mais a mais, o autor está me trazendo um novo entendimento de Hillman, que a relação entre o nosso processo interior e o mundo dado desde o lado de fora, quer dizer, nós em meio ao mundo contemporâneo, nossas almas com a alma do mundo, um mundo real e não apenas imaginado – não que haja antagonismos entre o “real” e o “imaginário”, o mundo da forma conturbada como o temos, injusto, desequilibrado, insustentável, doente…

    Vou tomar a liberdade de citar longamente o Robert Stein, os cinco últimos parágrafos quando falará a respeito da transferência e totalidade interior, a quinta e última parte do seu livro, quando ele dá algumas respostas que no meu entender estamos precisando escutar… Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, veio me relembrar e complementar o que disse o James Hillman em “Cem Anos de Psicoterapia… e o mundo está cada vez pior”.

    É um longo trecho, ao qual vou me dar a tarefa de copiar, espero não incorrer em violação de direitos autorais, porque considero importante repercutir a mensagem que o autor encerra, fundamento para um bem sucedido casamento de alma e espírito. Depois, por mais bem acabada que seja a nossa obra interna, resta sempre essa questão de como consumá-la no exterior, ou, de como vamos colocar em prática no mundo o nosso movimento interno de Eros, posto que sem esse dado, nem existe sentido para a Obra e nem o trabalho interno pode se considerar realizado…

    Depois, devo fechar, voltando aos seus sonhos, Adi, com as mensagens que no meu entender eles me parecem igualmente encerrar…

    Para não inflacionar o espaço aqui, resolvi publicar o trecho em um post à parte. Até porque os comentários nem todos leem… Por outro lado, claro que ler o trecho referido não dispensa ninguém de buscar a abra completa, que tenho certeza proporcionará grandes insights. E, se violar possíveis direitos autorais, estou considerando ser por uma boa causa, cujo saber e não o comércio de ideias é a finalidade. Depois, temos que nos acostumar a questionar e colocar em prática a violação das regras do mundo velho, do Copyright, em troca de um exercício para mundo novo, com regras, digamos, mais Creative Commons…

    Aqui o link: https://anoitan.wordpress.com/2012/06/06/revolucoes-de-eros-de-dentro-para-fora-e-de-fora-para-dentro/
    … quase dispensável, mas como devo colocar lá referência à resposta que dou aqui, gosto dessa ideia de “espelho no espelho”, que a mim evoca uma compreensão quase infinita. Se acontecer isso a alguém, tá ótimo…

    Pois, então, o mais interessante desse livro foi de que ele me revelou nitidamente coisas a respeito do amor que eu já sabia…. :p

    Assim, que o amor que nos permeia é o movimento agregador da minha teoria das relações, isso tinha já com bastante clareza, e, de que ele é um deus e como tal ingovernável, também, o que é expresso com muita beleza e força por Carmen, a cigana da ópera de Bizet que leva o seu nome, quando ela canta Habanera o amor na figura de um pássaro rebelde, que pousa ao nosso lado quando não lhe prestamos atenção e que voa, se o tentamos agarrar. Mas ninguém em minha opinião definiu melhor o amor do que Diotima, em “O Banquete”, de Platão, nas palavras da velha pitonisa confiadas a Sócrates, de que antes que um deus, o amor é um filósofo, a prova está em que busca a sabedoria e que só busca o que não se tem; assim, o amor concebido por Diotima, é filho de “Recurso” com “Necessidade”, um deus e uma humana, rico e pródigo em espalhar de suas benesses, como o pai, e sempre carente de necessidade, pobre e miserável como a mãe…

    Tudo somado, essas várias visões de amor que trago da arte e da filosofia, podemos refletir juntos sobre elas agora, tanto da caminhada como do seu objetivo, envolvem esse descobrir do amor e de como ele pode ser realizado, não são visões contraditórias, antes, são complementares. Essas questões do amor não estão no livro, mas fazem parte do cenário geral em que o autor revela, sim do livro, o caráter hermafrodita do amor, pois, tanto o amor é masculino quanto é feminino…

    O amor, mais que um ser, deus ou filósofo, ficou claro para mim que ele é um movimento…. Um paradoxal movimento para a agregação dos seres, que tanto almeja penetrar a alma do outro, quando então revela o seu caráter fálico e masculino de Eros, quanto é vaso receptivo, se permitindo ou mesmo incitando em ser penetrado, como quer o seu caráter feminino de deusa Afrodite. Em síntese, no meu entender, o amor é esse duplo movimento, de penetrar e de ser penetrado, e somente quando as almas se interpenetram é quando o amor vive e o trabalho ou a experiência espiritual nos acontece…

    Tudo isso foi introdução para chegar nos seus sonhos, Adi. rs

    Enfim, chegando, percebo que vc já está num adiantado grande do seu trabalho interno, apenas por essa visão hermafrodita que nos deu do amor, ao qual se identifica e vê como partes integrantes de si mesma. Considero a sensação de completude que vc nos descreve, do que a imagem do pênis e da vagina juntos te causa, muito reveladora do quanto o seu trabalho interno já vai bem adiantado.

    Aqui suas palavras:
    “Tive um outro sonho muito louco onde eu tinha um pênis ereto grudado em mim e uma vagina ao mesmo tempo e não sei como, testei pra ver como seria, e me senti completa e plena.”

    Acho que se vc nunca tivesse me falado que era introvertida, eu saberia agora pelos seus sonhos… Eu, que sou extrovertida, embora não extremamente extrovertida – penso cá comigo, reconheço-me quase como tendo sonhos de outra natureza que os da sua, pois, nos meus sonhos, são mais comuns as paisagens do que eu própria, sinto que eu é que estou no cenário e não o contrário… Isso é um mistério, porque o Jung diz em “Tipos Psicológicos” de que o nosso inconsciente tem uma disposição contrária ao nosso consciente… Então, não sei… Mas voltando para os seus sonhos, selecionei algumas descrições suas, pequenos recortes, nem sei se são os melhores exemplos da introversão a qual me referi, mas foram os que me pareceram mais significativos nesse aspecto:

    “(…) mas estava com os olhos fechados, e eu o beijava muito e sentia seu corpo junto ao meu, e ainda de olhos fechados sentia os fios de cabelos dele em sua nuca onde eu segurava entre meus dedos, então eu abri os olhos para vê-lo e não havia nada nem ninguém, nem mesmo minhas mãos existiam e compreendi que era a imaginação quem criava e dava vida a tudo, que tudo existia na imaginação, eu imaginava e isso fazia eu sentir como real. Então eu pensava: é a imaginação, tudo existe na imaginação.”

    Outro:

    “(…) Eu estava deitada na cama sozinha e em situação erotizada comigo mesma, então comecei a imaginar, e no sonho sabia que era imaginação (…)”

    E outro:

    “(…) Então eu disse pra ele, você não pode me prender porque eu não tenho corpo, meu corpo não é real, meu corpo não existe, (…)”

    Claro que seus sonhos são melhores que a descrição que me fez deles, e suas descrições ainda melhores do que os meus recortes deles…

    Mas outra coisa que dá para perceber de suas descrições é que do modo como vc se relaciona com as imagens, é do modo de quem tem sonhos lúcidos. O budismo tibetano incentiva-nos a ter sonhos lúcidos, não? Acho que no sentido de treinamento ou preparatório para o momento da nossa morte, quando na passagem dessa vida para outra, que é como um sonho, quando se dá essa passagem, tendo a experiência de sonhar lúcido, teremos algum controle de onde e quando vamos reencarnar ou para onde temos que nos dirigir, até o ponto que se atingimos durante essa vida o estado do “não-apego” total, atingimos a liberação nesse momento…

    Agora quero comentar o que mais me impressionou nos seus sonhos, foi esse momento. E, se vc me permitir, vou me atrever a uma pequena interpretação nesse ponto, porque é a única coisa que vejo com alguma clareza uma mensagem oculta, mas, claro, talvez a mensagem fale algo mais a mim do que a vc…

    “(…) me levantou ao ar pelos pés, me virou de ponta cabeça e começou a me chacoalhar como se eu fosse de papel.”

    Aqui a minha natureza extrovertida pergunta se ele simplesmente não estava querendo te dar um chacoalhão mesmo e dizer “vamos, acorde, existe um mundo aqui fora, o mundo não é só imaginação, porque vc não vem?”

    Sabe que essas imagens de nossa natureza interna, estou considerando nesse momento que todas elas são a natureza de Buda – estou cada vez mais convencida de que a tal da “mente” budista é a psique dos junguianos -, e o que elas mais querem em princípio é nos impressionar, sem pudor ou temor se vão usar de demônios, ladrões ou vampiros, tudo para nos fazer acordar para essa outra realidade interna e da urgência de entendê-las como a nossa natureza real. Se não vai por bem vai por mal, sabe como é? Já ouviu falar em ação irada? Claro que sim, então vai ver o quanto os súcubos e sereias podem ser budas irados…

    Será, então, que a mim, pessoalmente, o meu maior mestre será aquele ladrão de dentro, que quer me ensinar como devo aprender a me valorizar e guardar o meu interior, como extrovertida que sou e tendo por isso a colocar Deus no outro e não em mim? E o seu mestre, o que te chacoalha e usa do seu conceito de sístase e de dor, como introvertida que é, para te chamar para a realidade do mundo de fora, que Deus se faz nessa relação com o outro ou os outros?

    “Moral da história, mais questionamentos, e talvez, talvez, porque naturalmente nada pode ser afirmado, seja como descrito pela Maria no comentário dela, (…)”

    Bem, o comentário da Maria, na íntegra, foi esse:

    “O ser humano está perdido em suas conjecturas. Há tanto querer entender, sem que haja entendimento da verdade. Carnalidade e espiritualismo são combinações antagônicas, que só funcionam quando o princípio é pervertido por uma consciência execrável. Quando a humanidade conhecer a verdade, sua psiquê será aniquilada.”

    Nesse ponto eu discordo, e discordo veementemente, não só considero uma regressão voltarmos ao estágio da dicotomia indissolúvel entre a mente e o corpo, entre a alma e o espírito, como, nesse caso, se admitida a dicotomia, não existirá as bodas sagradas senão como fruto da imaginação dessa natureza execrável, a qual a Maria se refere, e o trabalho interno, no meu entendimento, e de todo o que segue uma orientação pós-junguiana jamais existirá em outro lugar que não fora dessa imaginação… E não só isso, o que disse o Jung, ao longo de sua extensa vida, ele deverá estar errado em suas concepções e toda a sua teoria será inválida; penso nesse caso que a simbólica da eucaristia católica, como a comunhão em Cristo, tão bem esclarecida por ele, não faz o menor sentido…

    Agora, o que acontece depois de nossa morte, falem o que quiserem os teólogos, fico com o poeta Quintana que disse que a teologia é apenas o caminho mais comprido para se chegar a Deus. E faço como Buda, que nunca se ocupou ou pre-ocupou-se dessas questões… E penso como Spinoza, e como Nietzsche, que de modos diferentes afirmaram a mesma coisa, de que a separação da alma e do corpo estão presentes nos que acreditam na ideia de que a natureza intrínseca ao homem é má, por isso muitos desses acreditam tb em recorrer a meios de controle… E por fim eu sei que essa é a mais massacrante divisão que podemos sentir, a do corpo com a mente, e, enquanto a tivermos, não só nos impede a experiência da felicidade e paz interior, como a nossa ação mais equilibrada e amorosa no mundo fica impossibilitada.

    Então, deu pra sentir, discordo mesmo da separação corpo-mente, alma-espírito, com a consequente demonização da Natureza num extremo e no outro o embarque no consumismo e na coisificação dos seres…

    Mas, afinal, não há o que temer, o amor quando é verdadeiro tem essa característica, de coragem e de persistência, ele não desiste nunca, volta, e volta sempre, não teme discordar, nem nos magoar e ferir, só não quer é a nossa indiferença, ele quer nos atingir… Mas como ele vai nos atingir, se como deus ingovernável, como ser hermafrodita, um filósofo ou um pássaro, talvez dependa mais de nós do que dele, que é só puro movimento.

  9. adi said

    Sem,

    Que posso dizer por enquanto? MUITO OBRIGADA pela resposta, pelo post e pelo trabalho e tempo dispensado, tempo hoje em dia tão raro pra quase todos.

    Li tudo com muita atenção, inclusive o post, e gostei demais, mas aqui já é quase dia 07 e quero muito fazer um comentário decente, sem correria.

    Amanhã eu volto, obrigada de novo.

    bjs

  10. adi said

    Voltei,

    Sem, antes de mais nada gostaria de agradecer novamente pela disposição em ajudar. Ajudou bastante a organizar essa caixola aqui. Muitas coisas ficaram mais claras, e até mesmo um post que faz tempo vinha ensaiando, parece que está tomando corpo, fazendo mais sentido.

    Eu admiro muito a forma como vc escreve, com começo, meio e fim, sem deixar as coisas surgindo do nada e sem conexão no contesto geral. Eu por outro lado tenho uma mania de achar que todo mundo já sabe meus pensamentos, e acabo colocando tudo pela metade, sem começo e sem continuidade, além de outra mania de reduzir, fazer resumo… talvez seja os tempos atuais onde percebo uma necessidade de coisas curtas e rápidas, ninguém tem mais tempo ou paciência em ler um texto longo e meio que acabei entrando nessa onda perdendo um pouco em essência. Fica difícil me acompanhar, eu acho. Vou tentar prestar mais atenção e tentar ser mais precisa. :p

    Bom, ontem te lendo e principalmente em suas colocações sobre o Budismo, antes de dormir me deu uma vontade de ler aquele livro fantástico (recomendo a todos) da Francesca Fremantle, VAZIO LUMINOSO – por sorte ainda estava com ele aqui, os dos Jung, M. Coniunctionis, ficaram no Brasil.

    E encontrei pérolas que esclarecem bastante esses meus questionamentos de agora, sobre a estrutura psicológica sem forma, sem imagens, mas ainda totalmente ilusória. Há esse espaço na mente quando se medita também, é um estágio perigoso do caminho, porque ainda é ilusório, ainda há um “EU”, ou seja, se ainda há um eu, há o outro, e todo um mundo em separado. Sobre esses sonhos, eu realmente havia deixado de lado em tentar compreender, intuitivamente e também pelo tempo de aprendizado de vida eu meio que já sabia ao que se referia, mas gosto de ir fundo nas coisas, muito embora é como dito por vc e concordo plenamente, das coisas do “arquétipo” não podem ser fechadas e concluídas, elas se mantém em aberto, é sempre uma obra inacabada, muito embora o Budismo acrescenta que sim, pode ser realizada a obra toda, ao transcender totalmente o mundo ilusório.

    Mas como as coisas não caminham sozinhas, essa série de posts que vc nos tem presenteado tanto sobre o budismo bem como sobre animus/anima, me trouxe de volta algo a ser repensado e analisado, e que não deve ficar de lado e retornar ao inconsciente novamente.

    Quanto ao sonho hermafrodita, eu intuo que há vários estágios de coniunctio e realização interior, como vários níveis, e este é apenas mais um degrau desse processo interior. Talvez, o degrau que leve para um nível um pouco mais profundo da psique onde não exista tal identificação com a forma, onde a identificação se dá de outra maneira – e esse plano, ou nível o budismo explica muito bem – mas tenho plena consciência que a jornada é longa e escorregadia, não é ainda a realização final, muito pelo contrário, é um estágio cheio de armadilhas.

    Mas do que vou continuar talvez faça mais sentido como comentário do post que vc fez, REVOLUÇÕES DE EROS.

    Sobre o sonho, virada de ponta cabeça, eu encontrei 2 boas dicas em AUSTIN OSMAN SPARE, porque estava pesquisando justamente sobre EROS e sobre conceitos NETI-NETI ou NEM-NEM, que trago aqui pequenos trechos retirados daqui: “Neither-Neither, Austin Osman Spare and the Underworld, by Marcus M. Jungkurth”

    – ” Como Erich Neumann (5) mostrou, a experiência do lado negativo ou mal da anima é parte do mistério da transformação interior pela aniquilação da consciência masculina ou patriarcal e a reencarnação subseqüente fora do útero feminino. Mais uma vez o motivo da redução ou regressão brilha, aqui até por volta de alas para o nível celular do início da própria vida. A destruição dos valores tradicionais ocorre durante este processo, os ideais de beleza e harmonia que são muito frequentemente, mas um subproduto de gostos atuais da sociedade, são viradas de cabeça para baixo, a fim de liberar a anima ou feminino dentro ”

    – ” como nós sabemos da clássica mitologia, a intervenção de Hades invariavelmente torna o mundo de ponta cabeça. Agora os fenômenos são vistos não somente através dos olhos de EROS e da vida humana e amor, mas também através de THANATOS: ” Entrando no submundo” se refere à transição do material para o ponto de vista psicológico. ”

    Claro, que levando em consideração que foi escrito do ponto de vista da anima, por isso se refere a desconstrução de conceitos como patriarcal, e do feminino, etc.

    Uma coisa que venho observando, é que é uma raridade encontrar textos claros que abrangem a parte sexual do caminho espiritual. Esses textos são mais secretos e reservados. Se fala muito em magia sexual, mas totalmente sem fundamento e nada embasado com a transformação da parte psicológica do processo. Se foca muito em “poderes”, em criar servidores, etc.

    Apesar dessas dicas, não desconsidero de forma alguma sua dica, tenho observado sim que estou ainda mais pra dentro, nem sei se é do mundo da imaginação, mas do interior. Nesse momento, minha vida tem me levado a isso, vivendo aqui na Rússia me tornei um pouco mais introvertida, é um processo que venho passando e acho que vai se equilibrar mais pra frente.

    ” Então, deu pra sentir, discordo mesmo da separação corpo-mente, alma-espírito, com a consequente demonização da Natureza num extremo e no outro o embarque no consumismo e na coisificação dos seres…”

    Bem, comecei falando como admiro a forma como vc se coloca, porque me referia única e exclusivamente a parte final do comentário da Maria: “Quando a humanidade conhecer a verdade, sua psique será aniquilada” – mas claro que no meu comentário deixei em aberto isso, não deixei claro :p. Muito embora não acredito dessa forma tão drástica, de forma alguma, mas, alguma coisa vem me mostrando não uma aniquilação, mas uma desestruturação da forma que ela é organizada e ainda limitada. Claro que isso se mostra factível, porque como já percebemos, lemos, comentamos, e também vivemos um pouco disso tudo, nessa assimilação dos complexos da sombra, da anima, nós percebemos que isso desestrutura e desestabiliza a identificação da consciência com o ego, ou seja, desestrutura a psique. Num sentido totalmente libertador, o estado mais puro de consciência, é o VAZIO, só que com um sentido de fertilidade.

    É sobre esse assunto mesmo que havia começado desde o ano passado juntar pedaços pra fazer um post, mas que havia parado totalmente e que estou retomando agora.

    Sem, eu vou fazer o post, acho que vai trazer bastante esclarecimento sobre esse assunto, como “primeiro” há essa necessidade sim de separação corpo-mente, alma-espírito, pra depois ser refeito essa união e renovação do SER totalmente livre. A alquimia explica isso usando linguagem antiga e muito simbólica, o Budismo também trata desse assunto, e na psicologia, nos nossos sonhos, também percebemos essa desconstrução, essas mortes em partes, etc…
    Faz parte desse processo primeiro separar o que está junto, depois unir de novo mas de forma diferente. O problema é que a maioria parou no primeiro estágio da separação e ainda cheia de preconceito contra o corpo e ao que é da natureza e do instinto.

    Enfim, adorei poder voltar e retomar agora com muito mais clareza,

    bjs

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