Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

As Faces do Budismo no Ocidente

Posted by Sem em abril 11, 2012

Dois dos maiores mestres budistas que temos no Brasil encontraram-se recentemente em São Paulo para discutir a quantas anda o budismo no mundo e perspectivas  do budismo para o nosso país. Vindos de duas escolas distintas – do budismo tibetano, que tem o Dalai Lama como mentor espiritual, o Lama Padma Samten; e do Zen japonês, a Monja Coen – foi com muita serenidade e discernimento que abordaram questões difíceis, como a tradição religiosa e as mudanças no mundo contemporâneo.

Achei o diálogo tão proveitoso, realizado em meio a tanta amorosidade, num ambiente de respeito construído pelos monges, que pensei em divulgá-lo aqui, a quem tem interesse nessas questões, que extrapolam em verdade o âmbito religioso e dizem respeito a nós todos que vivemos no mundo e com ele nos ocupamos e preocupamos, religiosos ou não, budistas ou não.

 

 

As Faces do Budismo no Ocidente – Parte 1/3 – a fala do Lama Samten

 

 

As Faces do Budismo no Ocidente – Parte 2/3 – a fala de Monja Coen

 

 

As Faces do Budismo no Ocidente – Parte 3/3 – perguntas e respostas

 

 

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8 Respostas to “As Faces do Budismo no Ocidente”

  1. adi said

    Oi Sem,

    Que ótimo post, muito embora ainda não consegui ver todos os vídeos, está uma loucura a correria. Estou na metade do segundo, mas está interessante demais.
    Depois eu volto pra comentar melhor.

    Bjs

  2. adi said

    Voltei,

    Puxa, estava finalizando meu comentário e não sei que aconteceu que perdi tudo, ai, ai… vamos lá de novo, rs.

    Muito, muito bom, nem tem o que dizer, tudo tão claro, tão acessível. Gostei demais da fala da Monja Coen de um modo geral, mas o que mais me tocou foi a parte onde ela fala da adaptação da tradição ao nosso tempo e não o contrário, porque hoje nós somos diferentes, muito da tradição antiga foi feita para uma época onde havia muita discriminação, um tempo de muita limitação para o ser humano. O nosso tempo é o agora, epoca de grandes mudanças, onde percebemos muito claramente a impermanência de todas as coisas, nada mais natural do que utilizarmos a sabedoria antiga em adaptação ao nosso tempo contemporâneo com responsabilidade e consciência.

    Adorei tudo, obrigada por trazer aqui essa pérola e compartilhar com todos,

    bjs

  3. Sem said

    Oi Adi 🙂

    Estava lendo esses dias que adi significa buda, o que está muito correto: todos somos budas, alguns manifestos, muitíssimo poucos manifestos o tempo todo, a grande maioria dormindo… em vc eu já percebi um buda várias vezes: vez ou outra um buda de sabedoria, outras de compreensão, outras de empatia, de compaixão… mas sabe que estamos aqui nessa “lama”, então, nenhum “jogo” está ganho, precisamos praticar, e praticar muito, antes de alcançarmos o estado de budas plenos – afinal não existe jogo, nem lama, apenas a vida e a nossa incapacidade para percebê-la fora dessa roda, de impermanência e de paixões, e que gira e gira, alucinada, nos expulsando do centro, movida por alguma lei que ainda não compreendemos bem, pq, se compreendêssemos, permaneceríamos no centro…

    Os vídeos são um tesouro mesmo – Lama Padma Samten e Monja Coen brilham como diamantes, eles são as próprias pérolas, talvez porque como as ostras tenham transformado seus sofrimentos com camadas de madrepérola, de rudes grãos de areia em pérolas macias. E definitivamente o budismo é a minha religião, apesar de eu não ter religião nenhuma. O que eu tenho é uma grande necessidade de profundidade espiritual – Netuno em conjunção de zero grau com Júpiter, em escorpião, ambos em sextil de zero grau com Plutao…

    Essa semana e a outra passada assisti muitos vídeos de Lama Samten, por isso acabei descobrindo esse vídeo – aliás, existe um acervo bem grande de seus ensinamentos, disponível no Youtube e no site do Lama, a quem quiser – todo tempinho que tinha eu vinha para o computador como a curso de espiritualidade, ou retiro virtual noturno, sei lá – o que me fez perceber tanta coisa… mas é tanta coisa, mesmo, que eu não sei o que dizer… o importante é a prática – o budismo é muito enraizado na vida prática, aqui a gente vai dizendo aos poucos…

    Bom Domingo!
    Está fazendo uma linda manhã de sol aqui.

  4. adi said

    Oi di novo,

    Sabe, quando eu adotei esse nick foi a junção de 2 coisas: primeiro porque era a abreviação do meu próprio apelido “Adri” retirado o “r”, depois porque eu já tinha lido sobre isso não no Budismo propriamente, mas eu sabia que era coisa boa, como um potencial que pode desabrochar e que vale a pena “cultivar”como dito pelo Lama. Mas foi bom vc ter trazido esse significado aqui, eu não sabia ou não lembrava mais.

    “em vc eu já percebi um buda várias vezes: vez ou outra um buda de sabedoria, outras de compreensão, outras de empatia, de compaixão”

    Minha amiga, você me superestima, quisera eu ter essas qualidades mesmo, talvez vez ou outra, muito raramente eu sinto “alegria”da vida, mas tem sido muito raro ultimamente . Eu agradeço seu relato, as vezes a gente se sente incompetente e é bom saber que temos algo de valor que pode ser notado de vez em quando.
    De fato todos somos budas e estamos diariamente na labuta aqui na lama do Samsara tentando viver o Nirvana, livres e desimpedidos.O grande trabalho e o mais difícil libertar nossa mente.

    Eu gosto demais do Budismo,especialmente o Tibetano, foi minha grande paixão todas as coisas do Tibet. Eu raramente falo sobre isso, mas quando eu tinha uns 27 anos e o “Mestre” apareceu pra mim pela primeira vez, era um Lama Tibetano. Era bem cedinho umas 5:30hs, eu estava dormindo e acordei do nada e virei olhando para o lado e lá estava ele flutuando no ar em posição de lótus, estava com a cabeça coberta com o manto vinho e vestia laranja, dava pra ver suas rugas profundas ao redor dos olhos. Ele ficou olhando pra mim mas não dizia nada, eu fiquei com medo e sai do quarto, mas sua imagem ficou gravada em minha mente. Ele nunca mais apareceu dessa forma, só em sonho. Sempre sonhei com ele. Mas tem uns 5 anos que nunca mais sonhei, quando me dei por conta que o Mestre é num certo sentido a imagem do próprio Self ou SAGA, então não tive mais sonhos com ele. A minha maior alegria foi ter ido para o Tibet e ter subido e entrado no palácio Potala e também ter visitado Tashilhumpo na cidade de Shigatse e outros monastérios em Lhasa. Então eu sou suspeita pra falar do Budismo, porque é muito forte esse sentimento, como o seu, que não é pela religião em si, mas por uma filosofia de vida, por sinal ainda muito atual.

    Vou procurar pelos vídeos do youtube,

    Bom final de Domingo pra vc também, 🙂

  5. Sem said

    “Minha amiga, você me superestima, quisera eu ter essas qualidades mesmo, talvez vez ou outra, muito raramente eu sinto “alegria”da vida, mas tem sido muito raro ultimamente . Eu agradeço seu relato, as vezes a gente se sente incompetente e é bom saber que temos algo de valor que pode ser notado de vez em quando.
    De fato todos somos budas e estamos diariamente na labuta aqui na lama do Samsara tentando viver o Nirvana, livres e desimpedidos.O grande trabalho e o mais difícil libertar nossa mente.”

    Sinto muito, Adi, mas eu vou ter que discordar de tudo o que disse. :p
    Vc tem essas qualidades, sim, e um defeito muito grande em negá-las, não reconhecê-las em si… ou o que foi que vc fez no Anoitan esse tempo todo, escrevendo e se relacionando, que não tenha esses valores? e digo “anoitan”, que é por aqui que te conheço… claro, qd a gente diz “vc tem”, “vc é”, estamos nos referindo antes ao que manifestamos, já que pouco sabemos de nossa própria essência – o caminho do autoconhecimento é justamente para essa descoberta… e acho que não preciso explicar que os méritos do que manifestamos são sempre de buda… ou, do “arquétipo”, da Psique Objetiva de Jung… mas nós somos o veículo onde essas maravilhas todas podem ser percebidas, e em nós elas podem ser manifestas, de modo mais límpido ou menos, de forma positiva ou não… a escolha, e, o veículo, somos nós…

    Uma das coisas que andei pensando essa semana é que nós só nos embrenhamos por esse difícil caminho de individuação por sofrimento, não há outra razão… e isso é a primeira nobre verdade do budismo: “a vida é sofrimento”… pois se estivéssemos plenamente satisfeitos com a nossa vida, jamais iríamos querer questionar ou mudar o que está bom… a vida nos empurra a isso, querendo ou não, tudo é passageiro, e podemos lamentar a nossa condição ou fazer dela trampolim para o que os budistas chamam de “liberação”…

    Lembra que uma vez eu falei que não tinha por meta a iluminação, como eu a entendia e me parecia uma coisa distante e não almejava para a minha vida… mas acho que entendia de modo equivocado a iluminação budista, como uma meta individual, e, realmente, isso me parecia mais uma cenoura na frente do burro do que algo verdadeiro e substancial… só que depois de ver esses vídeos do Lama Samten, eu percebi que liberação é algo muito diferente, não é algo para si, em primeiro lugar, e é possível, e urgente e necessário, é liberação do sofrimento para melhor poder ajudar outros seres a também se liberarem…

    O caminho do autoconhecimento, a observação da própria mente, isso eu sei fazer e ajudar outros a também fazerem. Minha vida é dedicada a isso, então, como eu não conseguiria fazer o que já me proponho a fazer e faço desde sempre? Não sei o que é que vem antes, nós ou os outros, e se ajudar nos faz ajudar mais a eles ou a nós, é como ensinar e aprender, são processos interdependentes, um está emaranhado no outro de tal forma que um não se dá sem o outro. disse o Guimarães Rosa, “mestre é quem ensina e, de repente, aprende”, algo assim, bem paulofreiriano.

    A verdade é que não há fronteiras no Cosmos – uma imagem linda de Cosmos é um Buda meditando. Por essa visão holística da realidade, o que se faz aqui, ali colhemos; o que fazemos ao outro é a nós que fazemos. Essa é a visão da agregação – dos arquétipos, dos opostos – pelo Amor, na minha teoria das relações.

    Outra imagem impactante deu o Lama Samten em um dos seus vídeos, de que no Cosmos não há dia nem noite, isso, simplesmente, somos nós que vemos o sol levantar-se no horizonte todas as manhãs e se pôr todas as tardes, nós que vivemos nessa realidade de dia e de noite e por ela pautamos nossas vidas, separando a luz das trevas – dá o que pensar, não? Agora tb não podemos viver aqui na terra como se não houvesse o dia e noite – essa é a nossa realidade, o samsara-nirvana dual que temos, mas, a realidade sem fronteiras que pertence a buda, podemos, sim, vislumbrar….

    Eu não sei ainda como colocar em palavras o que sinto em rosário já vem vindo… a minha proposta é que continuemos juntas nessa caminhada, ou vc acha que aqui já deu o que tinha que dar?

    Essa sua resposta é fundamental pra mim agora.

    Mas eu volto depois…

    Achei linda a sua imagem de lama meditador, gostaria de comentá-la… depois… 🙂

  6. Sem said

    “…mas quando eu tinha uns 27 anos e o “Mestre” apareceu pra mim pela primeira vez, era um Lama Tibetano. (…)”

    Impressionante isso! E impressionante que a gente tenha tanto medo assim e não consiga nos primeiros contatos se entregar ao “””sobrenatural”””. Tenho certeza que se vc pudesse voltar no tempo, não teria assim, tão fácil, saído do quarto, teria isto sim iniciado uma conversa com o Lama, perguntado quem ele era e o que ele queria, no mínimo… Alguma vez vc já tentou um diálogo com o seu inconsciente pela Imaginação Ativa? Na época que eu lia o Franco-Atirador, lembro de um post muito bom a esse respeito, até com bibliografia, vc deve estar lembrada…

    Por outro lado, sabe, todas as pessoas ao seu redor agora não são mais ou menos reais do que o seu Lama interior… Talvez o Lama seja mais real, se considerar que todos os que estão ao seu lado agora podem de repente sumir da sua vida, infelizmente é assim a vida, a dura condição da impermanência não poupa nem as nossas relações mais queridas… no entanto, enquanto vc viver, o seu Lama estará com vc, assumindo talvez outras formas, como bem disse, e, essa é, enfim, a sua relação mais eterna…

    Como eu tb tenho uma relação muito viva com o meu inconsciente e ele já assumiu até algumas formas com as quais me relaciono, ou com que pude me relacionar, eu descobri que a sensação é tudo nessa hora, para saber quem é quem… Nesse aspecto, acho que a forma como nos relacionamos com o inconsciente tem tudo a ver como estamos organizados no consciente, ou, como a nossa personalidade foi e está disposta, ou seja, a tipologia do Jung pode ajudar, e muito, nessa hora… sobre isso tem tb post no antigo Franco-Atirador, o nome do post é, se não estou enganada, e muito apropriadamente diga-se de passagem, “Todos os Caminhos”… então, vc que tem função pensamento principal, o sentimento será o seu gatilho disparador para o relacionamento com o inconsciente, será tb o “selo de qualidade” dessa sua relação…

    Depois, tem aquele aspecto do numinoso que nós conscientemente não conseguimos construir – essa atmosfera que dizem os magos sabem construir, que para os comuns mortais é só observar… a atmosfera ajuda, e muito, a revelar quem pode estar diante de nós, se são “boas” ou “más” suas intenções… não sei, apesar do numinoso pertencer à Psique Objetiva, eu sempre entendo como relacionada ao nosso inconsciente pessoal; afinal só podemos travar contato com o Outro a partir de nós próprios…

    A mensagem que eu quero deixar é de otimismo, pois a maioria das pessoas teme o inconsciente, mas nós podemos nos relacionar muito bem com ele, se ele for tratado com respeito, devolve respeito, tb não é preciso pisar em ovos para falar com ele, afinal é a relação mais íntima que podemos ter, e de quem não podemos esconder nada…

    Enfim, eu estou falando tudo o que vc já sabe e provavelmente já pratica…. trocando figurinhas apenas, que te senti um pouco pra baixo – mas não fique, a coisa toda é horrível mesmo, no final a morte, no entanto a gente pode realmente se divertir em viver profundamente, e, deixar luz…

    Bjão

  7. adi said

    Sem, você é uma raridade, verdade uma pessoa muita rara e especial, com muita sensibilidade e percepção, daquele tipo de pessoa que consegue fazer diferença positivamente e elevar o astral, do tipo que consegue nos lembrar do melhor que há em nós. Elevou meu astral, muito obrigada, de coraçao.

    Quanto ao sofrimento, é por aí mesmo. De um modo geral, o que nos move de uma situação a outra é essa busca por satisfação e prazer, que na verdade dura pouco quando estamos nesse estado, tudo de fato é impermanente, parece que tudo tem que ser compensado pelo seu oposto buscando sempre o equilíbrio, oscilando como numa gangorra. Só o centro é imóvel.

    “Lembra que uma vez eu falei que não tinha por meta a iluminação, como eu a entendia e me parecia uma coisa distante e não almejava para a minha vida… mas acho que entendia de modo equivocado a iluminação budista, como uma meta individual, e, realmente, isso me parecia mais uma cenoura na frente do burro do que algo verdadeiro e substancial… só que depois de ver esses vídeos do Lama Samten, eu percebi que liberação é algo muito diferente, não é algo para si, em primeiro lugar, e é possível, e urgente e necessário, é liberação do sofrimento para melhor poder ajudar outros seres a também se liberarem…”

    Eu lembro sim. E este caminho é o caminho do Bodhisativa. Pode até a princípio ser uma busca egoísta, e é; porque há ainda um ego muito centrado buscando uma meta individual, mas conforme esse processo vai se desenvolvendo, e vai se apercebendo de uma outra realidade através da experiência, o próprio ego vai se desfazendo, se desrealizando, e nessa medida vai aumentando o desejo de não ser só para si, mas que todos pudessem compartilhar da liberdade, porque o outro também é você num sentido diferente.

    “Não sei o que é que vem antes, nós ou os outros, e se ajudar nos faz ajudar mais a eles ou a nós, é como ensinar e aprender, são processos interdependentes, um está emaranhado no outro de tal forma que um não se dá sem o outro.’

    Como a teia, como aquela rede de conexões. De um certo modo estamos evoluindo todos juntos num grande processo onde um evento tem uma certa reação no conjunto.

    “Outra imagem impactante deu o Lama Samten em um dos seus vídeos, de que no Cosmos não há dia nem noite, isso, simplesmente, somos nós que vemos o sol levantar-se no horizonte todas as manhãs e se pôr todas as tardes, nós que vivemos nessa realidade de dia e de noite e por ela pautamos nossas vidas, separando a luz das trevas – dá o que pensar, não?”

    E como dá. Isso que o Budismo descobriu faz tempo, só agora a neurociência vem comprovando, que a realidade é construída em nossa mente, ou melhor, é o nosso cérebro que interpreta os sinais quimícos e elétricos do corpo e transforma em imagem, sentimentos e sensações – gosto, cheiro, tato, visão, audição – são interpretados pelo cérebro. Dia e noite, Sol e Lua, como consciência e inconsciente…. mas a plenitude deve ser sem forma, e sendo mãe de todas as coisas também é forma, tal é o paradoxo.

    “Eu não sei ainda como colocar em palavras o que sinto em rosário já vem vindo… a minha proposta é que continuemos juntas nessa caminhada, ou vc acha que aqui já deu o que tinha que dar?

    Essa sua resposta é fundamental pra mim agora.”

    Definitivamente estamos juntas :). OLha, vc sabe que eu ando um pouco sem inspiração pra escrever, estou em tempo de renovação pessoal, de vida mesmo, como se muita coisa que já não tivesse mais sentido se desfez, desmanchou como tudo o mais nessa dança da impermanência. Estou sendo muito julgada negativamente pelas minha atitudes diferentes, e não tem sido fácil sustentar minha posição, mas estou redescobrindo uma força de leão, uma determinação muito boa no novo rumo que estou direcionando pra mim. Mas o Anoitan continua em minha vida e caminhada, sinto que ainda não terminei aqui, tem sido minha maneira de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Essa troca me faz muito, muito bem à Alma. Fico muito feliz de poder caminhar ao seu lado. 🙂

  8. adi said

    “Impressionante isso! E impressionante que a gente tenha tanto medo assim e não consiga nos primeiros contatos se entregar ao “””sobrenatural”””. Tenho certeza que se vc pudesse voltar no tempo, não teria assim, tão fácil, saído do quarto, teria isto sim iniciado uma conversa com o Lama, perguntado quem ele era e o que ele queria, no mínimo”

    Foi tão inesperado, e eu era muito tola e medrosa. Estava ainda muito condicionada a ter medo do sobrenatural. Com certeza hoje seria muito diferente, teria tantas perguntas. Mas ele nunca me abandonou, ao longo desse caminho sem ele dizer quase nada foi me conduzindo e me mostrando tantas coisas, até se revelar o próprio Arquétipo, a imagem do Self interior, e então o mestre morreu, todos os mestres morreram. E começa a travessia do abismo de extrema solidão, sempre há mais um limiar a ser ultrapassado, onde se caminha as cegas, as certezas se desfazem e temos que continuar.

    “Por outro lado, sabe, todas as pessoas ao seu redor agora não são mais ou menos reais do que o seu Lama interior… Talvez o Lama seja mais real, se considerar que todos os que estão ao seu lado agora podem de repente sumir da sua vida, infelizmente é assim a vida, a dura condição da impermanência não poupa nem as nossas relações mais queridas… no entanto, enquanto vc viver, o seu Lama estará com vc, assumindo talvez outras formas, como bem disse, e, essa é, enfim, a sua relação mais eterna…”

    Sem, extamente isso, vc falou tudo!! porque é nesse sentido mesmo que que a coisa toda funciona nesse mar de conexões. Tudo se renova, se faz e se desfaz com exímia rapidez, mas o arquétipo sempre está lá, tudo o que se faz necessário pra experiência acontecer, pro evento ser, aquilo que está lá por trás tecendo o pano, continua tecendo dentro da malha interagindo com nós mesmos conforme vamos tomando consciência disso vamos nos transformando também no tecedor, mas o mais importante, o novo que te chega, as novas relações e as novas conexões também é o próprio arquétipo, o Lama (como seja) assumindo formas diferentes, e interagindo uns com os outros. Nossa essência é Buda, todos somos Budas vivenciando exatamente o necessário para o despertar, assumindo formas em conexões com outras formas e tudo tendo o efeito sobre o outro necessário para o despertar… Não há desperdicio no Cosmos, tudo é feito sobre medida…
    Puxa vida, é que me deu uma clareza desse processo, ficou tudo tão fácil, com tanto sentido, mas que não consigo por em palavras, 🙂

    Vou dar uma relida de novo nos textos do Lúcio, sempre vale a pena “ler” de novo, 🙂

    “Depois, tem aquele aspecto do numinoso que nós conscientemente não conseguimos construir – essa atmosfera que dizem os magos sabem construir, que para os comuns mortais é só observar… a atmosfera ajuda, e muito, a revelar quem pode estar diante de nós, se são “boas” ou “más” suas intenções… não sei, apesar do numinoso pertencer à Psique
    Objetiva, eu sempre entendo como relacionada ao nosso inconsciente pessoal; afinal só podemos travar contato com o Outro a partir de nós próprios ”

    Essa atmosfera é mais como uma ponte, o numinoso é da Psique Objetiva, mas uma vez a ponte estabelecida é mais fácil essa conexão, que claro está relacionada ao inconsciente pessoal. Eu acho até que o inconsciente pessoal atua como essa ponte, é um assunto interessante…

    “Enfim, eu estou falando tudo o que vc já sabe e provavelmente já pratica…. trocando figurinhas apenas, que te senti um pouco pra baixo – mas não fique, a coisa toda é horrível mesmo, no final a morte, no entanto a gente pode realmente se divertir em viver profundamente, e, deixar luz…”

    É como te falei acima, estou num momento de mudança interior que está se materializando, se fazendo em realidade, é preciso e se faz necessário, e é difícil de ser compreendida, de ser aceita e não ser julgada, claro que isso me deixou sem chão, muita coisa se desconstruiu e ainda me sinto um pouco insegura com relação a mim mesma. Na alma eu sinto que é assim que tem que ser, que é isso mesmo. Sem, eu diria que sou relativamente desapegada as coisas materiais, e até sobre família eu aprendi a ter uma boa relação de desapego, o amar sem sofrer e sem cobrar. Nesse momento estou vivenciando o ter de largar “uma idealização” muito profunda sobre amizade, veja bem, eu abri os olhos e percebi que o que eu vivenciava de um antigo relacionamento era “um ideal criado por mim” mas não a realidade em si, foi de certa forma uma ilusão e é preciso deixar isso ir, não faz parte mais de mim, e esse largar não tem sido um processo simples. Enfim, o pior já passou e hoje vc trouxe luz e alegria aqui no Anoitan e me alegrou imensamente o coração.

    Bjão

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