Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Entre esferas a caminho do Portal

Posted by adi em fevereiro 16, 2012

Para quem tem acompanhado os textos do Anoitan, esse post aqui é como uma sequência do post sobre A união com o anjo em Tiphareth. Sendo também um assunto muito rico e pra não ficar muito extenso, achei melhor dividir em duas partes ou mais, já que serão assuntos relacionados entre si.

Recapitulando: até Tiphareth, o sujeito lidava com aspectos do seu próprio inconsciente pessoal, que na verdade se trata de aspectos que um dia já foram conscientes, mas que rejeitados e não aceitos pelo eu consciente foram relegados ao inconsciente novamente. Se faz necessário antes do conhecimento e conversação com o SAGA (Anjo Guardião) a aceitação desses aspectos do inconsciente pessoal.

Depois da visão e conversação do Anjo, começa uma nova empreitada na psiquê do indivíduo: ele vai lidar com aspectos do inconsciente coletivo (não confundir com consciente coletivo) – Jung denomina como contato com o animus-anima, porque é este o arquétipo que simboliza aspectos do inconsciente coletivo. Começa a desenvolver e a emergir do inconsciente o aspecto dos opostos, das polaridades, mas primeiro como sendo o aspecto sombrio do inconsciente coletivo em contra posição a luz de Tiphareth, primeiro como sendo o aspecto escuro e maléfico da anima-animus. Antes da anima-animus se tornar o amante, mesmo como psicopompo e guia, ele lhe guiará a conhecer os aspectos sombrios da psiquê objetiva.

Ao menos em nossa mentalidade ocidental, construída em cima dos preceitos cristãos de bem e de mal, nós vamos ter de encarar essas forças no caminho de retorno.

Portanto os primeiros contatos com as forças arquetípicas (psiquê objetiva), ou seja, forças impessoais de além da esfera pessoal, são com as forças da “sombra” do inconsciente coletivo, conhecidas como demônios, Satã, Anticristo, e também como as qliphoth da Cabala entre outras denominações. O indivíduo tem que adentrar o inconsciente sombrio, também conhecido como inferno, Hades, Amenta, etc.

Em Nightside of Eden, Kenneth Grant  diz que há uma realidade subjacente com a realidade percebida: “Aquilo que era percebido pelos cabalistas como a Árvore da Morte era de fato o outro lado da Árvore da Vida, e as qliphoth eram forças “demoníacas”, os antipoderes ocultados nos túneis de Set que formavam a rede interior e o reflexo reverso dos caminhos”.

Nas antigas tradições esses ensinamentos sempre foram muito velados, o que o indivíduo sabe e pode aprender é somente sobre os aspectos do consciente, da luz e do bem, e o mal é colocado por traz da porta cerrada, bem escondido no inconsciente. Mas o principal motivo desses ensinamentos serem velados é que, por ser uma etapa perigosa do caminho e que incorre em sérios riscos pra sanidade mental, se faz necessário o contato com o Anjo, ou o desenvolvimento dessa etapa deve ser acompanhado por um mestre, guia ou guru experiente, também nos dias de hoje, um psicólogo experiente que pratica nele mesmo o processo de individuação pode representar esse papel. De forma alguma é recomendável a prática de rituais de invocação ou evocação dessas energias sem essa retaguarda.

Fica claro que no caminho da involução como é chamado no misticismo, ou de quando a consciência busca experienciar a forma, essas forças atuam como construtivas, no sentido de ir se diminuindo/limitando e se encapsulando em formas cada vez mais concretas. O processo inteiro de Kether a Malkuth é o de coberturas sucessivas acompanhado de uma perda crescente de consciência daquele Princípio Real de Consciência incondicionada e ilimitada, este mesmo que fica adormecido na forma da serpente enrodilhada no chakra muladhara, ou seja, a Kundalini.

Nós já sabemos e cansamos de ver esse velho clichê e mesmo sendo assim, é bom relembrar: A causa do mistério, glamour, maya ou ignorância como os budistas o chamam, é a identificação inicial e mal entendida do eu com seus objetos. Segundo a sabedoria oculta, a consciência Cósmica se manifesta na humanidade como sensibilidade que se concentra em um centro ou ponto individual de consciência e se divide em sujeito e objeto. O sujeito se identifica com o princípio consciente como ego, e o objeto é o seu mecanismo de consciência. Esta identificação de consciência com o ego é ilusória e portanto o Princípio de consciência é velado. O ego se imagina como sendo uma entidade distinta do objeto que ele sente e, ao invés de pura sensação, audição, visão, gustação, conhecimento, etc., existe a falsa suposição que “eu sinto, eu ouço, eu vejo, eu conheço, etc”. É assim que o mundo fenomenal ou mundo das aparências é apresentado para nós como Malkuth.

O ponto em questão que quero chegar, e da tremenda importância de se ter realizado primeiro o contato com o Saga, é porque a partir deste ponto, as energias chamadas como demoníacas são forças desconstrutivas e de dissolução. São forças dissolventes daquela estrutura que a consciência ou psiquê está identificada.

No livro Ancoratus, séc. IV dc, Epifânio de Salamis dá essa mesma importância: ” Uma vez que os santos tem a graça que o Espírito Santo habite neles (Tiphareth, SAGA), tão logo tenha erguido neles sua morada, Ele lhes dá o carisma de perscrutar as profundezas da divindade, para que eles o louvem das profundezas, como também Davi o confessa: ‘ Das profundezas clamo a vós, Senhor ‘ ” .

Sendo o pleno propósito da vida como um todo a “redenção” e reintegração do Princípio perdido, verificamos que no caminho da evolução, ou também conhecido como caminho de retorno à fonte/origem, se dá o contrário do que acontece no processo de manifestação da vida, essa é a via de dissolução e nesse caminho se faz necessário a desconstrução das “coberturas” e a recuperação gradual do que conhecemos como inconsciente, e o próprio vai se tornando consciente. Essa via se dá através do caminho reverso ao da Árvore da Vida, ou seja, através da Árvore da Morte, seu oposto, e o portal está situado em Daath, no sentido que essa etapa só se realiza depois de Tiphareth.

Mas isso tudo tem uma boa razão de parecer que assim é, como nós vimos no  texto introdutório desse  post, é completamente natural o medo e terror das energias do desconhecido, o inconsciente.

Kether é o foco da consciência cósmica e a sua primeira manifestação é “luz” símbolo da consciência, no microcosmo essa luz da consciência é a que ilumina a forma e torna as coisas conhecidas. Kether surge do “Ain”, sua fonte; Ain não é escuridão, mas é ausência de luz, ou seja, ausência de consciência, ou consciência pura e indiferenciada, portanto representa como símbolo o próprio inconsciente. A consciência/Kether emergiu do inconsciente, se separou e essa é a simbologia da expulsão do paraíso ou da queda de Sophia, pois representa a perda do princípio original. Enquanto ainda a consciência não se encontra muito bem estabelecida ou completamente desenvolvida dentro das fronteiras do eu, corre um sério risco de retornar a fonte da inconsciência e se perder em escuridão quando desse confronto, ou seja, voltar a inconsciência. As forças do inconsciente coletivo representam essa dissolução das fronteiras e barreiras – o ego propriamente – e ao ego representa a aniquilação e morte, portanto sempre foram vistas e representadas como forças destruidoras e malignas, e num certo sentido, ou seja, visto do ponto de vista do “eu”, são exatamente isso. Nesse sentido se faz a necessidade de já se ter desenvolvido e integrado a ” imagem” do Anjo em nós, pois este é a força/ponto através do qual a consciência se fixará quando o sentido de “eu” se dissolver, pra não se perder em inconsciência novamente de onde emergiu com dificuldade.

A esfera do Ain ou reverso da Árvore da Vida é a esfera do Não-Ser, do negativo, do numênico, que é a realidade subjacente da existência fenomenal, Vazio que não é Vazio no sentido exato da palavra, mas que contém as potencialidades do ser.

A partir de Tiphareth, é o próprio Si-mesmo (Anjo) quem conduzirá  o indivíduo ao contato com seu próprio aspecto sombrio e escuro. Vai surgindo crescentemente, principalmente através dos sonhos a imagem do oposto de tudo o que o Anjo representa, ou seja, a imagem do Anticristo. O indivíduo começa a tomar conhecimento que o próprio Anjo contém seu lado oposto e maléfico, que aquilo que representava somente a luz e consciência também contém a parte sombria e inconsciente.

Em psicologia quando a consciência se torna unilateral, o próprio inconsciente atua com imagens contrárias de modo a compensar a unilateralidade. Como elemento de compensação há a exigência por parte do inconsciente de perscrutar  o seu oposto, nesse caso, a imagem do Anticristo irá se formar como elemento compensatório em oposição a imagem do Anjo. O objetivo do processo compensatório parece ser o de ligar como uma ponte, dois mundos psicológicos através de um terceiro elemento, o símbolo, que para ter validade deve ser compreendido e integrado pela consciência.

Num próximo post (ou talvez no próximo) investigaremos o “Portal”.

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Fontes e ref.: Nightside of Eden, K. Grant; Mysterium Coniunctionis, C.G. Jung; Rubedo.

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19 Respostas to “Entre esferas a caminho do Portal”

  1. Livio said

    Oi Adi

    Impossível não lembrar do trecho da animação “Branca de Neve”, quando ela foge, após ser ameaçada pelo hesitante caçador, e se perde na floresta, sombria, assustadora e ameaçadora, antes de se encontrar com os amistosos animais de lá.

  2. adi said

    Oi Livio,

    Pois é, parece mesmo, muito bem lembrado… mas olha como esse caminho não é fácil como parece, e é ao mesmo tempo enganador, pois Branca de Neve escapou do caçador mas, mesmo na floresta encantada comeu a maçã envenenada, adormeceu como morta num sono inconsciente e só despertou com um beijo do amado. Os contos de fada dizem tanto da nossa psiquê, e por aí percebemos a universalidade dos mitos, ou melhor, dos arquétipos.

  3. Sem said

    Adi,

    Tenho a impressão de que aqui no hemisfério sul o tempo não poderia estar mais diferente do que o do hemisfério norte. Agora, no Brasil, está fazendo todo o calor que em dezembro e janeiro as chuvas de “La Ninã” não permitiram, e, acresce, aqui se comemora o Carnaval.
    No entanto, nós somos um só mundo, uma só Gaia, que na sua extrema diversidade e aparente desmembração, atua em conjunto – o clima que o diga, e assim vamos juntos, para um só destino. Como naquela velha história dos homens cegos que apalparam um elefante, um as orelhas, outro as patas, outro a tromba, cada um descrevendo um animal diferente, porque todos acreditaram apenas no que os seus sentidos diziam – e quem os poderia censurar? E é assim que o todo é compreendido pela grande maioria das pessoas, normalmente visto de forma parcial, como uma colcha de retalhos frankensteiniana desconectada. Mas, para quem sabe, suposto de sua razão ou fé, que se trata de um único animal que tem por nome elefante, é capaz de reunir a descrição dos fragmentos recebidos em um único componente orgânico e funcional, e formar uma imagem de elefante bastante aproximada de um suposto elefante verdadeiro – se é que existe isso de “verdadeiro elefante”, mas, não deixa de ser ainda uma colcha de retalhos frankensteiniana, no entanto, já conectada – o que faz uma grande diferença…

    Pois é, nesse sentido, o seu post aqui me é muito precioso, encaro-o como uma oportunidade de ouro, para a discussão de assuntos que, em parte compreendo, em parte não, – sei é que tenho como um dos desejos mais marcantes dessa vida vislumbrar essa “árvore” inteira…

    Sabe, Adi, às vezes essa coisa da repetição dos temas de nossas conversas aqui no Anoitan também me incomoda, pois, de fato, parece que estamos sempre patinando em círculos, sempre no mesmo lugar, mas, pensando bem – pensando com Jung, não é de nós que advém esses círculos, é da própria natureza de nossas conversas, que apenas segue o curso mandálico do “Si-mesmo”, do arquétipo que constelamos com as nossas conversas e que faz com que naturalmente a nossa aproximação da “verdade” se dê por círculos; esse é também o caminho mais seguro e recomendado por Jung, para não sermos cegos (enlouquecidos) pela numinosidade do arquétipo, por isso intuitiva e instintivamente nós duas vamos nos repetindo, circumambulando, pois essa é uma conversa que teve um começo, tem muitos meios (oportunidades), mas, é sem fim…

    Então vou me permitir ser redundante sem me censurar, ok? vou dizer o que vc já sabe, que a maneira como vc descreve a compreensão do mundo arquetípico encaixa-se perfeitamente em minhas teorias das relações, que essa é a minha maneira de entender os caminhos da cabala mística, pela aproximação do outro pela vertente agregadora ou desagregadora, e, de modo competitivo e/ou colaborativo a ele…

    Do meu ponto de vista, também, é tudo uma questão de “consciência”, de como vamos lidar com a alteridade, ou, de como vamos nos relacionar com o absolutamente Outro, que invariavelmente incorpora para nós o desconhecido…

    Então, sendo colaborativos, nos somamos ao outro, e nos compreendemos como componentes de uma mesma realidade, interdependentes, até por vezes em relação de conflito, mas, sempre complementar, sempre para uma mesma unidade, assim nos sentimos, e o nosso modo de compreensão do universo será holístico; já pela vertente competitiva, a nossa visão será analítica, as partes tomadas e descritas isoladas, estrategicamente, eficientemente organizadas em blocos, muitas vezes como pertencentes – mas não necessariamente – a realidades distintas.

    Os dois modos são capazes de nos esclarecer a realidade, e, havendo equilíbrio na análise e na aplicabilidade, conforme a ocasião, acredito ser o melhor procedimento; mas o equilíbrio não é o mais fácil, porque requer reflexão constante; o mais fácil mesmo é adotar um método unilateral para qualquer ocasião, como seguir uma cartilha de regras x, de vez em quando menosprezando ou demonizando qualquer outro tipo de abordagem, o que dispensa a criatividade e o pensamento, ou, que tipo de arte será necessária para sistematicamente repetir o mesmo procedimento dia após dia, semana após semana, ano após ano?

    É um perigo realmente passar a vida se batendo em duelos com o Outro, tomado como um antagonista bélico, e constituir a nossa identidade pelo negativo desse oponente; assim como é perigoso, no outro extremo, não nos diferenciar do Outro e do Todo, pois com isso deixamos de cumprir a nossa maior missão nessa vida, que é realizar a nossa preciosa individualidade, que no corolário thelêmico está descrito como a descoberta e a aplicação da nossa Verdadeira Vontade…

    Entre esses dois extremos, como entre abismos, é que nós estamos – nem estamos separados em ilhas e nem deixamos de estar – e é nesse lugar onde construímos as pontes da individuação…

    Aceitar o processo de individuação como um grande paradoxo pode tornar as coisas mais claras e, por vezes, mais simples de serem entendidas; talvez até em algum ponto doloroso de integração de opostos o paradoxo seja a única explicação e o único conforto que possamos encontrar; mas, claro, nada disso é muito simples, as coisas todas se misturam na realidade dos fenômenos; nada é absolutamente positivo ou negativo, bom ou mau, verdadeiro ou falso, anima ou animus, yin ou yang, porque, na realidade crua da vida, dos relacionamentos verdadeiros que temos, nenhum acontecimento é puro, tudo se mistura, contamina e se transmuta em outra coisa. Parece que a radicalidade de uma postura de psique apenas faz é na prática puxar o seu inverso, chamar ao seu oposto, que pode vir amorosamente ou brigando, talvez porque a realidade última da Psique Objetiva (= inconsciente coletivo) tenda ao equilíbrio no Si-mesmo (= Self), exatamente assim como postulou Jung.

    Adi, a realidade é uma só, não existe uma realidade para a psique, uma para o inconsciente e outra para o cotidiano, as coisas se interpenetram… Pagar as contas e fazer poesia, tomar banho e escrever no Anoitan, fazer comida para quem se ama, o tempo dos deuses e dos mitos, nós os vivemos todos os dias. O que acontece é que nem sempre nos damos conta do quanto a alma está presente em tudo.

    Mas o Absoluto pra mim ainda é outra coisa, é como D´us, indefinível. Do Absoluto tenho a impressão de que apenas podemos afirmar, de que tudo o que ele NÂO é, é uma parte sendo entendida como o Todo. Porque uma parte sendo tomada como Todo meramente é a mentira, ou, é ignorância, ou, usando de palavras menos carregadas, ilusão da verdade. A ignorância não necessariamente é o mal, no entanto, pode causar – e frequentemente causa – bastante mal e sofrimento…

    Já falar que existe o Absoluto, e ainda falar em realidade última a ser atingida, nada disso quer dizer que as polaridades não existam, ou, que a relatividade dos fenômenos não seja real, pois, se, justamente, esse mecanismo é o nosso modo de nos apercebermos da grande realidade por trás de tudo…

    A questão é que num sentido prático, existencial, e fenomênico, as polaridades são bastante reais…

    Outra questão importante, emaranhada disso, é que, nunca, palavra nenhuma, poderá um dia encontrar um modo de dizer o que é a verdade – no mundo fenomênico nós vivemos de verdades com prazo de validade onde apenas o vencimento garantido. E não é questão do tempo líquido que vivemos, o momento pós-moderno apenas evidencia a velocidade das mudanças e a relatividade de nossas escolhas; a questão é que as verdades são profanas e relativas mesmo, sempre pertinentes a uma cultura, a um método de abordagem científico, etc., por isso nunca ninguém encontrou uma verdade que servisse para toda a humanidade, em qualquer tempo e lugar, e sempre em nossa história teve uma nova “verdade” surgindo, mais adequada a um novo modo de experimentar e de ver a realidade…

    É um fato, a realidade está aí é para ser experenciada, o que pode ser sentido como iluminação se unificado ao cosmos; no fim das contas, tudo o que dizemos – e fazemos, é aproximação, pela arte, pela poesia, pelo intelecto, pelas disciplinas do corpo e do espírito; são conceitos abstratos e experiências vividas, que podem ser, umas mais, outras menos, reveladoras da realidade última e una de… [Deus?], mas nunca é a própria realidade do Absoluto; e, claro, também, que tudo o que dizemos e fazemos com o “outro”, é a nós próprios que estamos dizendo e fazendo; o que eu estou dizendo – pra finalizar – é que eu não acredito em palavra ou experiência capaz de, em nossa realidade finita, revelar o Absoluto. O Absoluto é de outra instância que não humana…

    Obrigada pelo post! 🙂

  4. adi said

    Eu havia feito um comentário anterior, mas apaguei porque não estava bem relacionado ao assunto e nem ao seu comentário. Agora, acho que está melhor.

    Ah! mas é que sou uma tagarela da escrita e claro que fiquei pensando em tudo o que você escreveu.

    Realmente eu ainda continuo achando que a Árvore da Vida é um símbolo completo como representação da existência, do que é manifesto, acho se equiparando com a Mandala.
    E está lá nela montado o quadro todo; a primeira tríade das supernas, representando nosso espírito livre e incondicionado, a segunda tríade representando esse mesmo espírito em estado arquetípico como imagem sutil e a terceira tríade representa esse mesmo espírito já em imagem/forma mais concreta (essa segunda e terceira tríade é a psique) e Malkuth é o espírito em forma totalmente concreta. Mas tudo é espírito, em nenhum momento deixou de ser espírito, só foi tomando imagem e corpo como manifesto.
    Em Cabala há 2 véus que separam a percepção: um véu (Paroketh) que separa a terceira tríade da segunda, e o outro véu é Daath que separa a segunda tríade da primeira.

    Essa é a Árvore inteira, e pra vê-la em sua real forma, em sua totalidade, tem que romper metaforicamente esses véus.
    Essas 3 tríades, podemos relacionar com os 3 corpos no Budismo, o Nirmanakaya é o corpo de manifestação do Buda, o Sambhogakaya é como o corpo no mundo dos sonhos, representação da psique, e o Dharmakaya como espírito puro e incondicionado, corresponde a consciência pura que no budismo eles chamam de “mente”.

    Sim, as polaridades existem e sempre vão existir na manifestação. Equilíbrio total de forças é não existência. A coisa toda a ser compreendida e claro vivenciada, (e isso falando do meu limitado ponto de vista) é que rompendo esses véus, o indivíduo pode perceber a um só e mesmo tempo, que espírito é matéria e matéria é espírito. E nesse sentido tudo já é sagrado porque é o próprio espírito divino em tudo.

    Continua existindo polaridades, mas já não se vê por partes, fica a percepção do quadro todo. Polaridades de opostos que já não lutam entre si, mas que se complementam.

    E essas polaridades não lutam em realidade. Esse imbróglio todo só acontece na psique, distorcendo a percepção da realidade.

    Agora, falar é muito fácil!! difícil é viver essa realidade diariamente, ou no momento presente. Difícil não se identificar com o que consideramos problemas; não se identificar e querer corrigir o que consideramos como falhas alheias, etc; e a vida ou realidade nos mostra todo dia a imagem distorcida que temos dela e por isso mesmo nos dá a oportunidade de a cada momento mudar o foco.

    Estamos tentando, 🙂

  5. Sem said

    São tantos mistérios, Adi. Concordo com cada colocação sua, embora não tenha entendido muito bem a parte dos três corpos no budismo – essa “aula” eu faltei… rs juntaria mais o tarô e a astrologia, para se somar à cabala, e nos explicar da realidade do Todo. Melhor que isso só Jung.

    Essa coisa dos véus e das tríades, são puro mistério. Sabe, talvez eu esteja equivocada, mas acho que passei, há exatos 11 anos e meio atrás, uma experiência pelas imediações de Daath. Na época, sem saber qual nome dar e sem nenhum conhecimento de cabala, foi uma experiência de morte e de renascimento pra mim. Felizmente, como pode ver, eu não morri. E nem enlouqueci, embora tenha o que a psiquiatria clássica pudesse classificar como um episódio isolado de esquizofrenia, pois tive uma visão real de uma caveira, literalmente, foi a visão da morte. Isso posso até explicar melhor outra hora, o que sei é que na minha história foi uma experiência que realmente significou um portal, onde renasci, metaforicamente, para outro tipo de vida… Ali acho que algum oposto foi, no jargão junguiano, e no subsolo do meu psiquismo, integrado, – creio que foi a dupla vida-morte. Minha vida desde então tem outro significado mesmo.

    No momento estou loucamente tentando entender o que significam os triângulos do meu mapa astral, aquele que já falei, que acontece na passagem das minhas casas de terra para o ar – Sol, Lua, Marte, e outro, que acho nunca mencionei aqui, sobreposto a este, nas minhas casas de fogo, que é mais complicado, pq envolve pontos focais da astrologia cármica – e é muita coisa em trígono: Saturno e ascendente; Urano e MC; roda da fortuna, lilith e nodo lunar sul (a cauda do dragão). A esse respeito estou lendo um livro muito bom sobre trânsitos planetários, que fala sobre progressões, revoluções solares e lunares. A coisa toda é muito técnica mesmo e, como esse é um tipo de conhecimento que não me atrai muito, sempre evitei, mas, tá valendo o esforço, estou entendo um pouco melhor e, entre intrigada e fascinada, descobrindo o quanto progressões podem nos dizer de nossas predisposições emocionais, de espírito ou de alma, tal qual os “arquétipos” ou “deuses” nos conduzem ao nosso “destino”.

    Fiz uma poesia sobre isso. Está aqui:

    http://sopoesia.wordpress.com/2012/02/21/10-000/

    Por favor continue escrevendo sobre os caminhos da cabala… significam a diferença entre a vida e a morte pra mim… 🙂

  6. adi said

    Sobre essa parte do Budismo uma hora faço um post explicando mais detalhado, mas quer dizer a mesma coisa, ou seja, é correspondente as três tríadas da Cabala, e quando o indivíduo já está integrado (iluminado), fica o “trikaya”, ou seja os três corpos unificados, funcionando conjuntamente. Mais ou menos isso.

    Achei tão bacana você ter compartilhado sua experiência mística, queria saber com mais detalhes até, se você quiser nos contar ou claro pode ser no particular.

    Eu sou muito tonta nesse sentido e fico encanada do que podem pensar, no sentido de compartilhar. Mas eu sinto tanta falta de alguém pra poder contar e trocar ideias, porque eu sinto que depois da experiência precisamos chegar numa resolução interna, numa compreensão do que nos ocorreu. A gente sempre fica pensando “será” ? será isso mesmo? mas não foi igual como contaram. Nós temos que juntar muitas peças do quebra cabeça pessoal, e as vezes o outro nos ajuda a encontrar o fio da meada.

    Nos dias de hoje, só na Índia (talvez) podemos encontrar adeptos, iogues, ascetas como antigamente. E mesmo assim, não acredito que aqueles que foram chamados iluminados mantivessem a consciência 24 horas por dia unificado, ou em estado de êxtase. Tenho a impressão que eles voltavam do transe ou voltavam ao estado normal da consciência junto com o término da meditação.
    Segundo o Budismo, importa que estados alterados de consciência (ou ás vezes iluminação) se possa ver/perceber a realidade “exatamente” como “é a realidade”, como um Buda vê. Então mesmo que tenha sido uma vez, já se sabe/conhece como é o real da vida.
    A continuação da prática depois disso, visa se acostumar com o que eles chamam de “luz/claridade” da mente, ou seja, sem pensamentos, sem imagens, sem conceitos, sem eu. Mente pura/vazio (só pra esclarecer, o que no Budismo eles chamam de mente, significa consciência), luminosidade. Mas quando já tiver se acostumado, quando tiver essa percepção de nirvana e samsara são as mesmas coisas, não precisa mais de prática, não precisa mais de meditação, etc.

    Antes um iluminado já havia deixado tudo, aliás, umas das pré condições era o retiro da sociedade, eles se retiravam pros Mosteiros ou em Ashrans, ou na floresta, cavernas, e viviam da prática (leitura, jejuns, cantos, exercícios, oração, meditação, etc). Hoje os tempos são outros, temos que transcender nossa própria realidade de dentro dela mesma. Se por um lado parece fácil/comodo, de outro temos um infinito de distrações, e isso já não nos exige muito mais concentração se queremos viver nossa espiritualidade? Pois é!! nada é profano, a vida diária não é profana…

    Tem um monte de ilusão e apego ou distorção também com relação a esses estados alterados de consciência. Há uma falsa ilusão, e claro do próprio ego, de se sentir alguém especial porque teve algumas experiências desse tipo. É normal até a inflação no começo, nas primeiras experiências isso é normal. Mas depois, quando acontece de perceber a própria ilusão do ego, a percepção muda. É como dito por você, há aquela sempre sensação de que não somos nós que vivemos, mas algo que se realiza em nós, ou melhor, o arquétipo, o Self. Por isso o apóstolo Paulo disse: ” já não sou eu quem vivo, mas o Cristo quem vive em mim”.

    Sabe, eu sei que usar da Cabala e de outros mapas, meio que cria um pouco mais de conceitos sobre, mas não há outro jeito, pois temos que utilizar da linguagem sem complicar muito, mas é complicado do mesmo jeito, rsrs.

    Já de astrologia só entendo o básico do básico, mas gosto de ler meu mapa de vez em quando. Algumas coisas batem. Entendo um pouco como um oráculo e também como tendências.

    Eu gostaria de ir mais longe, como eu disse antes, tenho tanto pra dizer, rsrs. Não que interesse, mas… por isso vou continuar com o Anoitan por mais um tempo, ou sabe-se lá?

    Vou lá no Sopoesia. 🙂

    Ah!! muito obrigada por ler minhas elucubrações. Vou continuar com esse assunto no próximo post.

  7. Sem said

    Bom, Adi, eu não tenho problema nenhum, medo ou pudor, em partilhar experiências pessoais – acho que estamos nesse mundo é pra isso, e nos enriquecemos com a troca de experiências, mas, claro, desde que não haja invasão de privacidade de ninguém, constrangimento para ninguém, incluindo o nosso espaço íntimo, em primeiro lugar… depois, vamos analisar, há modos e modos de se contarem as coisas, então, é só uma questão de método, de como vamos nos revelar, porque, nos revelar, bem, isso fazemos o tempo todo, até involuntariamente, pois mesmo os silêncios mais profundos querem dizer alguma coisa… claro também que para avaliar isso tudo vai do critério pessoal de cada um, as sensibilidades e os temperamentos variam, mas, a ética, a conduta do respeito no trato com o outro, essa não é variável, e é a ela que devemos nos conduzir para saber dos limites…

    Afora isso, e continuando a trocar impressões desse assunto, eu não gosto de nenhuma exposição pública – identifico-me aqui plenamente com o meu sol em virgem, e daquela exposição que é desenecessária, que busca a fama pela fama, realmente, essa eu abomino, mas, para que se criem pontes entre nós – que é o que eu e o que o meu caput draconis em libra queremos, alguma exposição temos que sofrer… e esse é precisamente o meu limite, e é como eu entendo o contexto de trocas aqui no Anoitan. Nós não estamos aqui gritando em nenhum alto-falante para um público alheio e desinteressado. Estamos, em primeiríssimo lugar, conversando uma com a outra, na “intimidade” de um blog, que é público, mas onde existe um contexto de construção coletiva, de amizade, de interesse e respeito mútuo, de aprendizagem… em nome disso é que eu acho que a gente deve vez ou outra abrir a guarda…

    As coisas não são frias, não é? as experiências acontecem com as pessoas, e isso diz do caminho, quem são essas pessoas…

    Sabe, Adi, eu não entendo como experiência mística nada do que passei. Sobre isso eu tenho o sentimento de que a gente “sofre” as coisas do modo que somos capazes de aguentar. “Deus dá o frio conforme o cobertor”. Nesse sentido, eu sou bem pé no chão, e a coisa toda pra mim já é explicável no campo da psicologia – da psicologia da alma, bem entendido, que só ela sozinha já dá bem conta dos sentidos, dos significados, das metas, sem precisar inventar mais fantasmas.

    Putz, como falar sem revelar… rs

    O que me aconteceu é muito simples, mas para entender, as razões do porque, de quando, como e onde foi que aconteceu, isso é complicado, e, o mais revelador de tudo, acho que vou pular essa parte… rs

    Na época eu estava me separando do pai do meu filho, de um casamento bom e feliz que durou 10 anos, e ninguém mais do que nós dois estávamos surpresos com a velocidade com que tudo estava se desmanchando, e, como as coisas verdadeiras me atingem de um modo muito profundo, eu estava bastante deprimida então, triste, e todo aquele básico do manual do deprmido, sem vontade de trabalhar, de comer, dormindo muito pouco, mas, a minha depressão nunca chegou a atingir o meu entendimento das coisas, pelo contrário, nasceu (ou renasceu) uma necessidade de ler tudo o que eu até então vinha adiando. De fato, era mais do que uma vontade – no sentido de desejo, era uma necessidade de entender o que estava acontecendo comigo. Lembro que eu li O Ser e o Nada do Sartre, deitada na cama, duas vezes, uma em seguida outra, e o meu prazer era imenso em entender tudo… No aspecto intelectual, acho que nunca em outra ocasião da minha vida tive tanta agudeza, tanto discernimento, mas, estou falando de entendimento no aspecto intelectual…

    Foi uma época que eu desenhei muito também, e foi quando comecei a escrever poesia… E, uma coisa que ainda não compreendo direito até hoje, é, porque, desenhar começou a se tornar um processo doloroso (já ouviu falar que dói desenhar? rs). A poesia, ao contrário, tem outro significado, é prazer, coloca tudo no seu devido lugar, no seu eixo, no sentido de agregar, quanto mais se fale em tristeza até, poesia é sempre uma festa, uma alegria, uma celebração de vida…

    Bom, mas voltando ao tempo, a situação do meu casamento avançou ao ponto da efetiva separação, e já quando eu estava sozinha, foi que eu atingi o fundo do poço. Numa noite, eu estava deitada na cama, pensando em tudo, e já era tarde, estava com insônia, virei para o outro lado e vi, assim, do nada, um cadáver putrefato deitado do meu lado – vi a caveira, que se virou na minha direção e fez menção de me abraçar, e eu senti tanto medo, sai correndo do quarto e liguei para uma amiga do xadrez, que tinha retomado contato a pouco (pelo ICQ – lembra do ICQ?). Acho que foi para ela, pq com ela eu tinha ligação com a pessoa que era antes de casar… E ela foi maravilhosa em me acolher, nós conversamos muito, ela me falou de coisas de sua vida pessoal (que não era nenhum mar de rosas) e depois nós até rimos – a verdade é que, é uma máxima, enquanto não se atinge o fundo do poço não se tem impulso para subir, e ali, eu sinto, foi o fundo do meu poço de tristeza. Posso dizer que a minha amiga, de longe, me salvou naquela ocasião, sendo que me deu a sua mão naquela escuridão, e a minha gratidão a ela será infinita, atestou também a minha sanidade, pois, paradoxalmente, depois desse episódio, não tenho medo de enlouquecer, de nenhum “fantasma”. O mais gozado, Adi, é que essa minha amiga morreu poucos meses depois disso – ainda muito jovem, ela teve um enfarte fulminante e faleceu. Essa foi na verdade a última e a única vez que conversamos reais intimidades. Então, será que eu liguei a ela sentindo-a próxima da morte? Que Deus a tenha sempre!

    Não sei se eu falei tudo o que devia e se minha história fez sentido – talvez tenha ficado uma colcha de retalhos frankeinsteiniana, mas, agora, o Carnaval c´est finito, e eu volto a trabalhar nessa tarde.

    Volto depois…

  8. adi said

    Sem,

    Muito obrigada por compartilhar de sua intimidade. Por vários motivos não é fácil uma separação, seja ela qual for. Criamos laços profundos com o outro. Aliás qualquer rompimento é muito doloroso e dependendo da profundidade e da relação que temos, ou seja, do quanto isso é importante pra nós, nos leva a depressão. Até mesmo um rompimento com o emprego nos leva a depressão.

    E a depressão é sempre um estado de morte, onde a libido desaparece totalmente. Temos que ir ao fundo do poço e exatamente como vc falou, de lá do fundo do poço pegar impulso pra subir novamente a superfície, ou de volta a vida literalmente. É uma transformação bem profunda.

    Eu creio que cada um tem sua própria travessia do abismo, cada um vai ter de enfrentar seus maiores temores. Pra cada pessoa vai ter um significado bem diferente mesmo, mesmo que não seja um significado místico. De certa forma sempre estamos lidando com o oculto em nós, naquele sentido que conversamos aqui, do qual espírito é psique e corpo, tudo junto e vice-versa.

    E nesse sentido, existe por trás do problema em si, algo muito maior, um aprendizado imenso, literalmente como um novo nascer. Não é de nós esse desejo, é algo incompreensível de onde vem esse impulso, essa força que nos move em determinada direção, ou que movimenta, cria situações que nos direcionam pra algo inimaginável.

    Agora, você ver a caveira na cama indo te abraçar foi bem interessante. Muito provavelmente foi uma parte de vc mesma que se foi, que morreu. Acho que vc já leu os livros de Jung sobre Alquimia, sobre o Rei doente, depois a morte do Rei e renovação como filho. Tem tudo relacionado com sua experiência.

    Que triste sobre sua amiga. Sabe, eu fico imaginando nossos papéis aqui na vida, nessa atuação arquetípica por de trás das cortinas no grande palco da vida. Ela te ajudou tanto primeiro e depois se foi. Foi como um anjo, cumpriu seu papel. Talvez vc também a tenha ajudado a realizar esse papel. Ela fez diferença muito positivamente em sua vida e vc nunca mais esqueceu dela. Mas pode ser que além de tudo, vc sentiu ela próxima da morte sim, por isso se aproximou, e do outro lado da história, você deve ter feito uma diferença muito positiva na vida dela.

    Muito bonita a sua história, um pedaço da sua vida aqui desvelado foi, :).

    Acabou o feriado aí, começou o feriado da Maslenitsa aqui, vai até Domingo.

    Minhas experiências sempre foram totalmente no campo da mística, todas foram tão profundas e tão marcantes e claro transformadoras, mas não saberia dizer qual teve maior significado, porque cada uma teve seu significado próprio, na sequência que deveria ser. Com certeza hoje sou uma pessoa muito melhor que antes. E isso é importante pra mim, Qualquer dia eu conto mais em detalhes, se interessar claro. 🙂

  9. Sem said

    Oi Adi, eu estou absolutamente emocionada e já vou te dizer pq… eu te li aqui, e nem iria te responder hoje… estava mais é pensando em como assistir um documentário que perdi do HBO, feito pelo Martin Scorsese, sobre o George Harrison, o meu beatle preferido, enfim… mas, eu lembrei que “Here Comes the Sun” do Harrison é o que vc comentou aqui: “Maslenitsa” – não é a volta do sol?

    O que me fez lembrar de uma outra do Harrison, que é a sua cara:”My Sweet Lord”. E, eu pensei em procurar no YouTube a melhor versão dessa música, que eu acho foi feita pela maravilhosa NIna Hagen. E olha o que eu achei, uma montagem louca da versão que eu gosto da Nina Hagen com o Loka Nunda, que é absolutamente deslumbrante e é a nossa cara, de uma profusão símbolos (pagãos e sagrados), e, tudo é sagrado! Vai aqui como um presente para vc viajar….

    Mas, o melhor, não acabou, é a frase final – a frase mais verdadeira que eu já “ouvi” na vida, ou, a segunda melhor, depois daquela sua aqui, uma vez, conversando com o Elielson… lembra?

    A frase é do Arthur Clark e está em espanhol, se precisar que eu traduza… acho que não será necessário, mas, não vou dizê-la aqui, bem, pq ela é o fechamento perfeito de algo que eu acho está para acontecer em nosso tempo… o momento pós-moderno, no que ele pode ter de mais positivo, e, é isso…

    E outra coisa me derrubou de vez (eu sabia que o Harrison faria aniversário por esses dias e fui consultar na Wikipédia, – será amanhã, mas, eu descobri tb o dia de sua morte) e isso me fez vir aqui conversar com vc… não sei o que pensar a esse respeito, são muitas sincronicidades, muitas, e, com morte e vida, como estávamos falando… Veja, será coincidência? Vou citar apenas algumas pessoas que eu gosto e vc sabe que eu gosto, todas elas têm uma data a ver com datas relacionadas com minha família. Começando pelo George Harrison, ele morreu no dia de nascimento do meu pai (29 de novembro); o Jung morreu no dia de nascimento do meu irmão (6 de junho); o Hillman nasceu no mesmo dia que o meu ex-marido (12 de abril); já o Freud se atrasou um dia, morreu um dia depois do meu nascimento (23 de setembro)…

    Bom, vamos deixar assim…

    Não tenha medo de se emocionar e… viajar… Isso é pra vc, com carinho:

  10. adi said

    Priviet Sem,

    Fiquei arrepiada aqui…

    Sim, a Maslenitsa é exatamente a comemoração ao retorno do Sol, como na música do Harrison “Here Comes the Sun”…

    Quantas coincidências em sua vida, ou melhor sincronicidades, e o melhor é que a gente sente, no caso da sincronicidade, a gente sente uma coisa totalmente diferente dentro da gente, como estar em sintonia mesmo com o Universo.

    Nossa, sobre a música acima, estou sem palavras. Mais uma coincidência: quando eu era criança, devia ter uns 6/8 anos, minha mãe comprou um LP do Ray Conniff, me lembro até hoje , com o título “Love Story”, uma coletânia de belas músicas, e ouvia o dia todo, todo dia. Nem precisa dizer que quase me lembro de todas as músicas dele, mas a que eu mais gostava era essa ” My Sweet Lord”. Claro que na época não entendia nada, mais adorava a música.

    Essa versão da Nina Hagen não conhecia, muito linda. Adorei. Adorei o presente, me emocionei e viajei inclusive no tempo.

    Spasibo bolshoi (Muito obrigada). 🙂

    Aqui é a versão que escutava quando criança.

  11. Sem said

    Adi,

    Bom dia! 🙂

    Para bem começar, duas poesias do mestre, Eugénio de Andrade, do seu livro de poemas de 95, “Sal da Língua”:

    “Não sei porque diabo escolheste
    janeiro para morrer: a terra
    está tão fria.
    É muito tarde para as lentas
    narrativas do coração,
    o vento continua
    a tarefa das folhas:
    cobre o chão de esquecimento.
    Eu sei: tu querias durar.
    Pelo menos durar tanto como o tronco
    da oliveira que teu avô
    tinha no quintal. Paciência,
    querido, também Mozart morreu.
    Só a morte é imortal.”

    “Quando o ser da luz for
    o ser da palavra,
    no seu centro arder
    e subir com a chama
    (ou baixar à água)
    então estarei em casa.”

    Agora, que os vivos vivem, continuamos…

    Feliz aniversário para o George Harrison! E para a minha mãe (falando em mães), que fará anos, também, lá do outro lado, daqui há três dias…

    É gozado (falando em sincronicidades), no livro que estou lendo sobre trânsitos astrológicos, que fala em progressões, a autora afirma que a pessoa morre, mas não a sua carta natal, que continua viva, atuante, pelo menos aos familiares mais próximos e a quem ela tenha tido importância. Somos interdependentes, por essa visão holística da astrologia, como no budismo. O nome do livro: “Seu Horóscopo, Seu Destino”; Marion D. March e Joan McEvers. A autora cita o exemplo de Van Gogh, que em vida vendeu apenas um único quadro, por menos de 30 dólares, mas que tendo alguns de seus trânsitos progredidos, e sempre que circunstâncias semelhantes eram repetidas, seus quadros atingiam nos leilões somas de dezenas de milhões de dólares.

    Talvez alguma coisa esteja ativa no mapa do George Harrison, para ele ser relembrado no documentário do Scorsese, e, de tabela, por nós… Talvez uma mensagem importante de sua vida, e ainda não completamente absorvida por seus admiradores, esteja sendo ativada nesse momento…

    É muito interessante estudar o nosso próprio mapa progredido… Examinar, no baile dos astros, quando mudamos de ascendente, e, quando planetas importantes, como o Sol e a Lua, mudam de signo, ganhando novo colorido de energia, principalmente quando passam por trânsitos relacionados com o mapa natal… Eu estava verificando no meu mapa progredido que estou para mudar de ascendente – para aquário, essa é boa hein – rs mas, isso é conversa para outra ocasião…

    No tempo e espaço cósmicos tudo é cíclico, a morte se transforma em vida, o velho em novo, a tristeza em alegria… No espaço e tempo humanos tudo são experiências alquímicas, que nós sofremos e, na grande maioria das vezes, sem compreender bem o sentido profundo, vistas que são do lado de dentro da retorta. E qual o sentido em sermos esfolados, amassados, queimados, depurados, filtrados e jogados fora? Deus bem que poderia nos dizer onde vai dar, qual é disso tudo, ele que é o grande arquiteto, se, há muito, ele não estivesse morto… Talvez, então, seja o tempo Dele renascer…

    E como sabe estou aguardando com a expectativa de sempre pelo que dirá depois do abismo de Daath… No entanto uma parte eu já adivinho, a frase do Arthur Clark me adiantou, vamos ter que inventar o que virá pela…

    E… já indo para a tarde…

    Haja metáforas!

  12. Elielson said

    Mesmo a linguagem é uma curva na verdade.
    Ao que a mente se expõe quando se abala?
    A verdade?
    E ela nunca é o que se espera, alias a verdade pouco tem a ver com espera, no sentido de poder prever o que somos, ou pouco tem a ver com inteligência, se inteligência é palavra suficiente para designar deciframento de finalidades, então vê-se que finalidade é coisa mesmo da inteligência. Ainda assim, se não tem a ver com consciência, …o que se manifesta? O que controla esses conteúdos que não dizendo nada, ainda assim criam uma forma de efeito perante a inteligência. Um ajuste, rearranjemanto emergencial do organismo visando reequilibrio?

    Sem e Adi, possui muita riqueza os relatos trazidos aqui, fico tentando interpretar tudo também, mas as reguas objetivas creio q vão ficar cada vez mais falhas, então não me prendo as reguas objetivas, mesmo as reguas dos processos oniricos agindo sobre a realidade, só mantenho as reguas objetivas por sobrevivência, mas não sei se visões e “anormalidades” podem estar inclusas no processo de manutenção vital. Tem a hipotese de que tudo está limitado a funcionar sobre frequências, e a alma como a energia dos aparelhos, mas é um modo de pensar objetivo também, e então eu penso na frequência da inocência, e na frequência maxima q pode existir nesse universo, mas é outro pensamento objetivo, circular. Me intrigo e tento imaginar o “fora” do circulo, e não seria isso apenas pensar em mais um circulo?

    A fé trai, quanto mais o conhecimento, o que parecer para o conhecimento como crescimento, só é crescimento quando o orgulho é ferido, mas ai q tá.
    Essa semente, é o problema, sabe q acho q amor vem do orgulho, sabe, … que gostaria de ser orgulhoso, se pudesse.
    Muitas respostas são guiadas pelo orgulho, então falo em vaidade quando o orgulho quer notar-se, e falo em ego quando o orgulho é irreversivel.
    O crescimento aqui, a descontrução causada pela tragédia, vem na forma de flajelo do orgulho, não querendo dizer coisas que as pessoas dizem pra si e poem pra repetir na interpretação q fazem do outro, não estou dizendo q domar o orgulho é fazer o q pensa q não quer, digo q se é orgulho mesmo o q vai se apagando, a imagem se ajusta, até o que é pra ser o fim.

    E sabe, acho q tem a ver, mesmo q desordenado tudo isso q digo, é o que me vem a cabeça.

  13. adi said

    Sem, minha querida, o que posso dizer? Ainda estou sem palavras. Hoje o dia começou muito bem, 🙂

    Eu diria como se diz pra representar um estado de muita felicidade: “Yes, Yes, Yes, I feel so good” :).
    Ás vezes a vida é uma festa and ” Here Comes the Sun”.

    Muitas sincronicidades, muitas mesmo, bem, minha alma “riu” de pé, deitada e chorando. Bem, foi o que me veio em mente pra descrever meu estado de alegria… 🙂

    Só posso dizer que no radio daqui que escuto- radio ciem (excelente) – puxa, só tocou músicas muito significativas pra mim o dia todo. Tocou outa música desse LP antigo que falei, umas três dos Beatles e ainda outra que tem um marco de conquista em minha vida… nem sei o que dizer, realmente foi um dia de muitas sincronicidades e emoções extremas. Claro, nem preciso dizer que chorei de alegria…

    Sabe o que é pior, ou melhor? claro que melhor neste caso: conforme ouvia essas músicas, conversava exatamente com meu marido sobre “destino” maior, no sentido de ter um “algo” significativo e profundo por trás de nossas vidas. Eu sei, com muita confiança, que não estamos por acaso aqui na Rússia.

    Fiquei pasma com o seu “ascendente mudando para aquário”, “ri de pé”, again. 🙂

    Gostaria muito de que vc pudesse estudar meu mapa algum dia desses. Dessas coisas não entendo nada.

    Já está a caminho a continuação de Daath, primeiro vai ser “indo fundo na toca do coelho”, no sentido de decifrar um pouco a própria travessia e sua relação com a concentração da mente, do controle (que não é controle) dos pensamentos, ou seja, está relacionado com a concentração no sentido de um ponto que não se dispersa, ou que viaja nos pensamentos desconectados, alguma coisa assim. Eu tenho uma ideia, um sentimento sobre isso, estou traduzindo e juntando as peças. Isso seria em referência a travessia. Depois disso, vem a união “sexual”, seria a união num estado mais adiantado, diferente de Tiphareth. É preciso romper com muitos conceitos, desfazer, matar, morrer, desconstruir (a travessia)… pra seguir adiante de Daath e se unir sexualmente a sua contraparte polar depois do abismo. É a subida da Kundalini. É muito lindo esse processo.

    Então, estou já fazendo a continuação, mas primeiro é sobre o abismo mesmo e depois vai ser sobre a parte da união sexual.

    Agora, aqui já estamos indo pro Domingo. Foi um Sábado de muita alegria pra mim. 🙂

  14. adi said

    Meu caro e querido Elielson,

    Muito bom te ler sempre, aqui então, muito mais prazeroso pra mim. 🙂

    Você não vai acreditar!! Por 2 vezes, estava quase com meu comentário resposta ao seu prontinho e, por alguma “caca” que fiz, deletei tudo. Ok, aqui estou de novo…

    Sobre “a verdade”: ultimamente, do meu pequeno ponto de vista, verdade está relacionada totalmente em ser o que se “é”, livre de conceitos, livres de ideias ultrapassadas, livre de sentimentos pequenos. Verdade é ser honesto consigo mesmo, com os sentimentos. É assumir responsabilidade total de cada ato perante a vida.

    ” O que controla esses conteúdos que não dizendo nada, ainda assim criam uma forma de efeito perante a inteligência. Um ajuste, rearranjemanto emergencial do organismo visando reequilibrio? ”

    Bom, o “arquétipo” está aí para criar e não criar nada em simultâneo. O paradoxo do paradoxo. 🙂

    Ahhh Elielson, você está certíssimo em não se prender a nenhuma régua, nenhum conceito. Tudo na verdade não passa de mapas, mas o mapa de forma alguma é o território, como já disseram muito antes de mim. 🙂

    ” Me intrigo e tento imaginar o “fora” do circulo, e não seria isso apenas pensar em mais um circulo? ”

    Depende. Eu acho que não se for depois de Daath…

    “Essa semente, é o problema, sabe q acho q amor vem do orgulho, sabe, … que gostaria de ser orgulhoso, se pudesse.”

    Divagando sobre isso, são intensidades diferentes, embora intensidades vividas. Você levantou uma questão muito interessante: orgulho relacionado a amor. Vale investigar a psiquê, porque não podemos ignorar o fato de que relacionado ao caminho espiritual, e do se representar um papel, normalmente o de bonzinho, há por trás disso (desse papel), todo um desejo de poder. A questão toda é se de fato é amor. O verdadeiro amor é duma outra categoria; não pode ser medido ou enquadrado, nem mesmo comparado…

    Abs pra ti.

  15. Sem said

    Olás!!

    Oi Elielson 🙂

    Adi, eu tive um pensamento um pouco “astronômico” essa manhã, assim que acordei, interpretando um sonho que tive – que poderia ter sido um pesadelo há anos atrás, mas, hoje, roladas já tantas águas, não representa mais o pesadelo e a angústia de antes, as circunstâncias agora são outras, encaradas de outra forma, de outro ângulo, com mais calma, como coisas passageiras pelas quais simplesmente se deve passar…

    O sonho em si não é relevante ao que quero dizer, por isso nem vou contá-lo aqui, mas, fiquei pensando, em um pequeno “víés”, e que nunca me ocorreu analisar dessa forma antes…

    O mundo da imaginação, Adi, sempre foi muito real pra mim, nunca duvidei do que para outros é apenas uma hipótese da ciência ou mera ilusão de maia; no entanto, esse mundo sempre se constituiu a mim de uma natureza quase incomunicável; como nunca duvidei de que cada um tivesse o seu mundo próprio – bom, isso é a própria realidade do mundo psíquico e que eu sempre busquei compreender através da psicologia; sendo que alguns são mais conscientes desse espaço do que outros, cuidam do seu mundo interno melhor, fazendo o que do meu ponto de vista se vistam mais “coloridos”, mais “vivos”, mais “belos” ou “originais” do que outros, da minha mirada mais “fakes”, mais “monótonos”; claro, tudo isso é muito relativo de interpretações subjetivas como a própria imaginação é volátil; até hoje, esse mundo, interpretei-o sempre como em ilhas, cada homem sendo uma ilha, individualidades em particular, e como disse, ilhas incomunicáveis; no entanto, ou, por isso, pela natureza subjacente às ilhas, são ligadas pelo mar, de água e ar, que os une e separa, com os homens em consequência mandando garrafas uns aos outros – na forma de poemas, de músicas, de ideias, de gestos…; por fim, apesar dos pensamentos, ações e sentimentos de incomunicabilidade, pelas vísceras da terra subterrânea estamos irremediavelmente unidos – é a Psique Objetiva de Jung, onde formaríamos um só continente, o Unus Mundus.

    Pois até hoje a incomunicabilidade desse mundo de imagens sempre foi tão real a mim quanto a própria realidade de minhas imagens, – mas, se ele é real, se eu nunca duvidei de sua existência, se a psicologia da alma está aí para comprová-lo, se eu não estou simplesmente imaginando que existem outros mundos, e outros mundos diversos do meu existem no imaginário de outras pessoas, e se nem suponho que esses outros são frutos de minha imaginação narcísica e passo a imaginar-me com o Outro, melhor, se o outro passa a existir no meu mundo como fato externo, como o Sol, que não controlo, mas que existe objetiva e independentemente de mim, então, o mundo da imaginação decorrente de nós existe de fato, com ele e comigo; existe um mundo de imaginação que vive dentro e fora de nós, que se interpenetra, e que de algum modo, em mistério ou não, se comunica, e tudo isso faz o mundo das almas vivas ser realidade…

    Acho que estou dizendo algo extremamente banal do ponto de vista de um místico, mas, nunca me ocorreu antes ir por esse caminho antes; como nunca senti tanto quanto hoje o mundo das almas tão real, a ponto de ele quase se materializar na minha frente…

    Vc está subindo na árvore, e eu resolvi voltar um pouquinho, e descer, chafurdar na lama, só pra provar o quanto tudo isso vem da terra, das raízes onde se funda o nosso psiquismo…

  16. Sem said

    Elielson, o que vc quis dizer com o amor vem do orgulho? Li, reli, não entendi… acho que talvez seja porque o meu maior pecado reconhecido seja o do orgulho… então, eu tenho essa visão de que o orgulho nos separa dos outros, mais do que outros sentimentos até, e não analiso o orgulho com tanta benevolência…

    Já ouviu falar em Eneagrama? Tem nove tipos de personalidade, é um assunto muito vasto, mas se interessar dá uma olhada aqui:

    http://www.fredport.com/enea.htm

    A base é que cada pessoa tem o seu ponto forte e fraco – são vinculados, pq toda qualidade sustenta o seu defeito, e vice-versa… Esse aspecto das características pessoais de cada um é muito verdadeiro, a ideia toda do Eneagrama é se trabalhar em autoconhecimento até idealmente transmutar qualidade negativas em positivas, como a inveja trabalhada até o seu lado luminoso (através da consciência) pode se transformar em admiração…

    Lembrei disso, que acho tem a ver com o seu modo de encarar a dualidade em qualquer pensamento e sentimento… nem preciso dizer do quanto tb me valho dessa ferramenta de análise…

    Fiz uma vez um teste, e o meu tipo deu 2, em outra vez, ao que me lembre, deu 4… hoje não tenho mais vontade de repetir esse teste, nem tanto pq não acredite na validade, mas pq não encontro nenhum teste que confie. O que vejo pela internet são testes em geral mal formulados, com visões reducionistas de personalidade, e eu estou vivendo mais é num momento para me ampliar do que para me reduzir…

    O Eneagrama entendido como mais uma tipologia, como um modo de nos empequenar ao nos definir num único tipo, nesse sentido, é realmente uma furada. Mas como os tipos de personalidade do Jung, e a própria astrologia, são tipologias tb, onde de alguma “forma” nos “enquadramos”, então, tudo depende do modo aberto como encaremos essas definições…

    O assunto é vasto como disse, fica aqui apenas a sua menção…

  17. adi said

    De repente dá um clik e uma nova percepção se faz, uma nova compreensão se abre dentro de nós… e é tão bom quando isso ocorre, dá uma renovada, como uma lufada de entusiasmo e alegria.

    Sábado eu estava num estado de muita alegria, é que juntou com um acontecimento muito bom em minha vida que ocorreu na sexta. Muitas vezes, parece que estamos embaixo daquela serpente levantada com o capuz aberto, e quando assim, sentimos que podemos tocar o firmamento com as mãos, parece que o Céu desce à Terra, e tudo parece “bom”.

    Sabe, eu não sei se sou mística, na verdade nem sei o que sou e, ultimamente isso não tem nenhuma importância. As experiências que tive, posso dizer que foram místicas, disso tenho certeza, mas é só isso. 🙂

    E é interessante você tocar nesse assunto, porque em Novembro passado tive um sonho que me marcou muito, tanto que não me esqueci, eu dizia pra uma amiga: – Com as asas nos céus mas com os pés no chão -. E é esse o sentido da vida atualmente pra mim, tentar ser simplesmente essa ponte, a conexão desses dois mundos que se parecem distintos, mas que não são.

    Sobre a imaginação, eu também vejo e compreendo como você, só com uma pequena diferença. Eu acho que não somos nós que imaginamos a realidade, mas que a captamos de algo que a torna realidade através de nós, mas que não vem de nós. E podemos perceber exatamente esse sentido através de nossos sonhos, que é onde o eu onírico é só mais um participante nessa psiquê. Percebemos através dos sonhos algo desconhecido e ” engendrador” de uma mensagem através das imagens.

    ” então, o mundo da imaginação decorrente de nós existe de fato, com ele e comigo;”

    É o mundo no qual vivemos. Tudo o que existe hoje da forma que percebemos, surgiu primeiro como imaginação na mente de alguém. Toda a realidade concreta, ou seja, nosso mundo material, Malkuth, é exatamente a psiquê manifestada. Ou melhor entendendo, a psiquê manifestada é equivalente ao que é consciente, já não é mais igual a “psiquê objetiva” (inconsciente), porque se diferenciou dela.

    “existe um mundo de imaginação que vive dentro e fora de nós, que se interpenetra, e que de algum modo, em mistério ou não, se comunica, e tudo isso faz o mundo das almas vivas ser realidade…”

    É também entendo assim, como um mundo de ideias totalmente novas, que atua como força motivadora, vivificadora, água da vida. Do qual vez ou outra estamos bebendo em sua fonte, e que essa fonte sempre existiu, existe e sempre existirá.

    “Vc está subindo na árvore, e eu resolvi voltar um pouquinho, e descer, chafurdar na lama, só pra provar o quanto tudo isso vem da terra, das raízes onde se funda o nosso psiquismo…”

    E aí está o segredo na subida da Árvore, porque essa subida é simplesmente um romper dos véus da consciência e unificação entre os mundos material, psicológico e espiritual, no sentido da psiquê ou mundo da imaginação ser a ponte entre a ” fonte da vida” de onde tudo emana e a “vida manifestada” a tal da lama ou da Terra. É trazer o Céu em união com a Terra, e isso só pode ser feito através da psiquê, ou do mundo dos sonhos como é descrito no Budismo, ou com o aspecto crístico ou do filho em Tiphareth. Quando se rompe o véu de ” Paroketh” logo acima de Yesod, é o mesmo que romper uma barreira do rio, ligando dois mundos, onde esses dois trechos do rio que antes separados, agora se tornam como só um rio, Então o mundo da Terra se torna unido ao mundo da imaginação. Mas ainda não se está ligado à “Fonte da Vida”, não é ainda o Unus Mundus, porque ainda há outra barreira ou como um portal a ser rompido/aberto: Daath. É ali em Daath que o indivíduo vai transpor toda essa separação – que de fato não existe – existe em nossa percepção da realidade. Bom, é logo depois de Daath que se dá o “Casamento do Céu com a Terra com a Lua aos seus pés”, porque Malkuth é o reino e também a noiva virgem, símbolo de que não está contaminada pela ilusão ou efeito que Yesodh causa na percepção, com a Lua aos seus pés porque Yesodh é o ponto máximo de manifestação como psiquê, por isso é também equivalente ao inconsciente pessoal e como compilador do emocional e racional, que causa a ilusão de um falso “eu”, esse sim é maya no sentido de distorcer nossa percepção da realidade.
    É muito importante lembrar que Kether está em Malkuth e Malkuth está em Kether mas de um modo diferente como dizem os Cabalistas.
    Pra mim é muito bom saber que Nirvana é Samsara e Samsara é Nirvana. Quando se chega em Kether na subida da Árvore, abarca toda a realidade a um só tempo, visto que a energia ou Kundalini não se retira de Malkuth, muito pelo contrário, ela busca união ao abrir caminho e romper limites e fronteiras entre esses mundos pra que a água da vida flua livremente. Você já imaginou quantas coisas novas iriam surgir? é o futuro se tornando presente a todo instante, ou seja, o eterno agora.

    É que a linguagem é muito limitada pra descrever estados alterados de consciência. Por mais que ocultistas tentaram e místicos também, nada pode ser comparado à experiência em si. Aliás, embora se diga que a energia sobe, nas primeiras iniciações, ou seja, mesmo em Tiphareth a energia vem da fonte, ou o que parece externo ao indivíduo, entra pela cabeça e desce pela coluna e se concentra num chacra específico pra depois se espalhar pelo corpo. Com os canais desbloqueados, aí sim a Kundalini desperta e sobe até Daath e tenta abrir caminho até o chacra coronário ou de mil pétalas que é equivalente a Kether, acho que esse é o caminho da flexa.

    Na verdade tudo que escrevi, são minhas próprias elucubrações baseadas em estudo e também em minhas experiências pessoais, muito embora, certezas e verdades tenho poucas, ainda estou procurando por elas, e claro, provavelmente pessoas diferentes tem outros entendimentos e percepções. 🙂

  18. Sem said

    Adi,

    As palavras são traiçoeiras, muitas vezes elas nos pegam por trás e invertem o sentido daquilo que queríamos dizer. Mas, quem sabe, nesse sentido mesmo, elas nos sirvam como mestres, ao nos mostrar o que nem nós sabíamos que sabíamos…

    >>>”Sobre a imaginação, eu também vejo e compreendo como você, só com uma pequena diferença. Eu acho que não somos nós que imaginamos a realidade, mas que a captamos de algo que a torna realidade através de nós, mas que não vem de nós.”

    Sim, corretíssimo! Acho que me expressei mal, foi a minha retórica do “eu” – que uso e abuso da didática para a identificação do leitor, desculpe, deve ter sido isso que te fez acreditar que eu acredito que somos nós os criadores das imagens, mas, penso como vc, e me pergunto, o que faz as pessoas serem veículos tão diferentes de captura assim umas das outras, e, se captamos, assim, do “inefável”, quem é em nós que faz essa “captura”?

    Eu nem me atrevo a falar em reencarnação, mas, parece, já nascemos com um conhecimento dado, com uma certa “abertura” prévia, que facilita ou atrapalha umas e outras coisas, e, a nossa compreensão, a passar melhor ou pior por determinadas experiências…

    Olha, se me falassem há dez anos atrás que hoje, em 2012, eu entenderia a astrologia como um método super válido para o autoconhecimento, como método simbólico de interpretação do mundo, eu diria a essa pessoa que, no mínimo, ela estaria sonhando…

    Mas acontece que as águas rolam, e me aconteceram coisas no meio desse caminho, que, de lá para cá, me fizeram inverter os panoramas, de modo que hoje vejo a realidade, e a mim mesma, diferente…

    O que mudou? Sem dúvida tudo mudou: eu mudei, o mundo mudou, nada é estático… mas, na essência, não foi o mundo e a astrologia o que mudou, foi o meu modo de entender ampliado dessas coisas que mudou, fui eu que me “melhorei” no ínterim, que, na minha percepção da realidade, tornei-me um veículo mais límpido, mas, por quê?

    Em parte é a gente que faz o mundo, mas o que eu quero dizer com “a gente”, para não haver mais confusão com os termos… “gente” e “nós” e “eu”, não é “ego”, puramente, esse coitadinho, não… é uma mistura de tudo que faz o mundo ser o que é – é a gente no mundo ou o mundo na gente? – tirar a alma é tirar o sentido profundo das coisas, tirar as personas é tirar as nossas melhores ferramentas para atingir nossas metas, tirar a Sombra é ver o mundo pela metade – em 2D, tirar “Deus”, bem, é tirar a causa última de tudo… mas, e se tirar o ego, pois o “ego” sem dúvida faz parte dessa história também, mesmo sendo coadjuvante ele tem um papel principal nessa história, e, muitas vezes execrado como o vilão, sem ele nem tem história…

    Bjos

  19. adi said

    Sem,

    As palavras são muito traiçoeiras, principalmente quando escrevemos, porque na mente normalmente o que temos é uma imagem agregada ao sentimento, e temos que transformar isso em palavras… não é fácil mesmo. Mas deu pra entender o que vc quis dizer.

    Sabe, sobre o ego, é uma longa estória. Não tiro a sua razão em pensar assim, nenhum pouco. É um assunto que merece mais “um post” até.
    É complicado imaginar um estado de consciência sem autorreferência, ainda na vida, pois é o que somos, nossa identidade. E de novo se entra na mesma linguagem traiçoeira, porque temos que usar “eu” quando nos expressamos, não há outra forma…

    Por outro lado, as filosofias orientais, os místicos e ocultistas ocidentais sempre deram esse mesmo testemunho, de que na realidade o “eu/ego” é uma ilusão. Eles não inventaram tal coisa, eles experienciaram em seu ser. E eu não acredito nisso só porque eles falaram, isso também já aconteceu comigo por duas vezes. De repente acontece alguma coisa em nossa percepção, dá um click, e como se a mente se abrisse, e não existe “eu”. O que há é simplesmente alguma coisa que antecede ao “eu”, é esse OUTRO ou ALGO em nós que é real, mas que não é eu. E neste estado de percepção, não há separação entre as pessoas, num sentido totalmente diferente, não é que se torna essas pessoas, mas se É esse algo que “antecede” ao eu em mim e também no mundo, e que é a causa primeira, anterior ao próprio efeito, portanto é também o efeito, e nesse sentido é tudo que há. “ISSO” não é Deus, porque não pode ser chamado, porque não há uma identidade, não há um ser, uma entidade, nem mesmo uma forma, é a mais pura liberdade de ser e existir. É o NADA E TUDO em simultâneo. É claro que voltei pra normalidade de um “eu”, mas essa experiência é real em mim, eu sei disso, não só porque disseram que é.

    A questão pra mim agora, é do quanto isso de fato pode ser mantido, é do quanto de fato pode “manifestar” como ponto de consciência num ser humano? Eu não sei, eu não tenho respostas. Minha questão agora, não é mais se o “eu” é uma realidade ou não. Como manifesto ele é real, nesse lado da moeda ele é real, mesmo que ele seja uma ilusão ou um efeito na percepção; mas em realidade ele não passa disso, uma ilusão, não é a realidade ultima, é somente um “instrumento” como muito bem dito por você acima se referindo á persona, mas o instrumento não é o músico, a ferramenta não é o mecânico, o instrumento cirúrgico não é o cirurgião. Não é uma demonização do “eu” que estou fazendo , tudo faz parte saudavelmente, até o momento que o botão tem que virar flor, que a borboleta tem que sair do casulo, que o bebê tem que sair do útero. Essa transformação é da própria natureza do SER, e negá-la, também é ir contra a natureza interior, é aprisionar a essência, é não estar saudável, em desarmonia.
    Bom, como posso dizer, sem de novo tropeçar nas palavras,rsrs – que essa paixão, ou melhor, motivação, mas também outra palavra que me fugiu agora, não é da “adi” que brota, mas é da minha natureza, ou daquilo que vive em mim.

    Na verdade, é de escolhas que estamos falando, de escolher viver em acordo com a natureza que está dentro da gente ou não, e cada um tem sua própria natureza. A água nunca vai ser pedra ou fogo e vice versa…

    Depende do que cada um escolhe segundo o coração, e essa é a alegria da diversidade. Porque nem todos serão místicos, e nem músicos, e nem todos serão artistas, nem poetas, também não serão ocultistas ou religiosos. Há tantos talentos.

    E olha que interessante, falando em astrologia, tempos atrás vi no Mayhem sobre espiritualidade inata, segundo a posição de determinados planetas e seu graus de separação, bom segundo consta lá tenho essa facilidade a espiritualidade. É nesse sentido que disse o acima, negá-la é ir contra minha natureza.

    A cada um sua própria natureza, e se o “eu” faz parte disso, assim tem que ser, assim é o certo, negá-lo é ir contra a natureza do coração.

    Na verdade, tudo convém e tudo já é como tem que ser…

    Bjs

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