Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

O proibido de fato – por Elielson

Posted by adi em novembro 29, 2011

Existiu o modelo perfeito de felicidade, um Paraíso, que só é encontrado em crianças livres, livres para ir e vir e livre de idéias adultas. Essa foi a primeira condição da vida humana, quando a inconsciência e a consciência eram uma só.

A verdade por trás dos mitos derruba a interpretação livre e derruba o literalismo. Há mesmo uma fluência em que as informações formam um estado interpretativo infalível, essa interpretação está ligada a moral e as ataduras que envolvem a prática de tal moral, e a moral que se segue após atos imorais, que não libertam a vida para uma imoralidade inconsequente, nunca.

Primeiro ato imoral: Sexo. Vão dizer que não, que sexo é bom, dá prazer e não mata, não desrespeita mandamentos, e assim se justifica que não é de todo um mal. Mas quem disse que o sexo é proibido por ser um mal que foi praticado? A proibição visa consequências de atos, não o ato em si, então a partir do sexo como pedra fundamental do pecado, podemos analisar por suas consequências a ligação entre o ato em si e o mal do ato em si.

 

 

 

 

Quando o sexo é praticado sendo um ato consensual, é lícito, são os efeitos que o sexo gera que apresentam responsabilidades que colocam em risco não a liberdade da alma, mas sim a liberdade moral, que a partir daí estará sujeita a pertencer a qualquer mecanismo de defesa disponível para guardar aquilo que a natureza lhe dá como responsabilidade através do sexo. Sexo é meio de proliferação.

O fato de que todos gostam de sexo consensual é o fato que bloqueia crer que de algum modo o sexo seja prejudicial mesmo que consensual. Porém o que faz o sexo não sendo imoral, se tornar imoral?

Há, antes de ingressarmos na terra, um poder, o status quo, do qual podemos participar ou não comprometer nossa vida com ele. Esse poder é tido como o conhecimento do bem e do mal, e nos permite transitar entre as condições necessárias para em determinadas ocasiões conservar nossa vida ou a do próximo, acabar com nossa vida ou com a do próximo, até então, esse é um caminho, é o conhecimento da morte.

Ao participar desse poder não estamos colocando um fim a chance de redenção, mas iniciando uma redenção só obtida através dele.

Existe um poder institucional hoje, que permite nossa imersão, mas a história aponta que não foi sempre assim. A força bruta só ganhou o status de violência legítima após a persuasão de uma consciência que já habitava o poder. Essa consciência por ser dúbia (já que está no poder anteriormente a consciência alheia que ela quer submeter ao bem e ao mal) aparece ao inocente como uma consciência que serpenteia no conhecimento, levando a consciência pura a tomar a decisão que lhe fará submissa ao poder, que por sua vez pertence a consciência que toma decisões baseadas na imediatez da vida, fazendo conhecer sua brevidade, baseada na morte.

A adesão ao grupo, a dinâmica do bando, dá inicio a um poder que anda pelo mundo num formato de modelador de conceitos e idéias, um deus dentro de seu próprio sistema, que seleciona e descarta as coisas conforme as necessidades desse bando, que é formado por consciências aliadas, unidas em prol de suas perpetuações, munidas da violência capazes de praticar, estendendo o conhecimento sobre as possibilidades de ação na Terra e buscando agregar qualquer consciência que pareça capaz de contribuir para a causa do poder.

Hoje existe uma infinidade de instituições com a proposta de poder, todas sob o comando de consciências que de forma dual se acordam entre si, respondendo ao bem uma da outra, ao mal uma da outra, ou respondendo ao bem com o mal, ou respondendo ao mal com o bem que dizem possuir. Enfim, existe a retirada, e a retirada aos que passam a vida adulta só é possível através da utilização do bem independente da morte, este pertencerá ao sistema contra o qual colidirá, mas vencerá a morte.

 

 

 

 

O bem salvador seria um retorno a consciência pura que não seria aceito pelo sistema vigente do qual os adultos participam. Seria este bem sistêmico, pois sofreria a consequência do mal como resposta, já que o adulto obteve sua consciência dentro do sistema, e uma vez absorvido o conhecimento, se fixa nessa binariedade.

Quanto a criança, se seus aspectos de inconsciência são conservados junto com sua consciência pura, ela terá a opção de passar despercebida pelo poder, não significando estar livre de seus efeitos, porém estaria livre de participar conscientemente como agente causador através da irresponsabilidade de atos proibidos, como o sexo que insere um novo ser no sistema do qual certamente o adulto passa a ser responsável, ou pela busca sexual que envolva algum tipo de exploração, assim como qualquer uso da força bruta para contribuir com o poder que submete pessoas para captar coisas ao poder, ou seguindo adiante na lógica e no mito, tocar a vida. O sexo que for praticado perante a binariedade do sistema é respondido com a binariedade do sistema.

Segundo ato imoral: Matar.

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21 Respostas to “O proibido de fato – por Elielson”

  1. adi said

    Oi Elielson,

    Ficou muito bom seu texto, exatamente do jeito que vc me enviou. Nem retirei o ” segundo ato imoral : matar”, porque é claro que esperamos que vc nos traga aqui essa continuação.

    Sobre sexo, é assunto que dá pano pra manga. A começar porque está relacionado com poder, e proibido porque como energia que se conduzida apropriadamente, nos liberta do sistema. Aliás eu acho que essa estória de proibição foi muito bem elaborada pela “instituição” cristã, especialmente a Católica, e a partir de então ele se tornou “pecado”, justamente pra desvincular sexo, ou energia sexual da espiritual.

    Com relação a criança, esse poder nela ainda não desabrochou em toda a sua forma de expressão (sexual), que só poderá se manifestar depois do processo iniciático, da transformação da criança em adulto. Entendo a essa a diferenciação ou transformação da própria energia pra um potencial mais gerador e de criação.

    Meio que nós ainda somos as crianças do sistema, porque somos mais ou menos inconscientes e por isso não somos totalmente responsáveis. Somos irresponsáveis e inconsequentes e por esse motivo colhemos maus frutos em todos os sentidos, não é castigo divino, são consequências de atos. Se pudéssemos compreender a extensão de nossas atitudes, certamente, faríamos com maior consciência e responsabilidade.

    Ai, ai!! Acho que entendi dessa forma…

  2. Elielson said

    Adi, tô muito feliz por ter aceitado publicar aqui o texto.
    Obrigadão. 😀

    “Ficou muito bom seu texto, exatamente do jeito que vc me enviou. Nem retirei o” segundo ato imoral: matar”, porque é claro que esperamos que vc nos traga aqui essa continuação.”

    – Sem prazo e está combinado! 😀

    “Sobre sexo, é assunto que dá pano pra manga. A começar porque está relacionado com poder, e proibido porque como energia que se conduzida apropriadamente, nos liberta do sistema. Aliás, eu acho que essa estória de proibição foi muito bem elaborada pela “instituição” cristã, especialmente a Católica, e a partir de então ele se tornou “pecado”, justamente pra desvincular sexo, ou energia sexual da espiritual.”

    – Sim, sexo é até um primeiro degrau para o poder, mas não um poder “próprio”, por que poder “próprio” não poderia chamar-se poder, enxergo como pleonasmo, rs, é um primeiro degrau para envolver-se com o poder externo (única forma que o poder existe), que adentrando a consciência então lhe agrega a essa força (poder), tirando a autonomia que a consciência tinha sobre suas ações. Mas enquanto a consciência pertencia à essência, a idéia de propriedade não era o que é quando aliada ao conceito de poder, a propriedade era um bem comum, então não se tinha a idéia de propriedade (para os seres que surgiam com consciência), a consciência tinha o corpo como referencial, como régua, unidade de medida de sensações, então pela sensação que o corpo tinha se media o que se fazia. As experimentações que elevam o ser aos papéis de dominador e dominado começam na infância, vemos os animaizinhos brincando, testando reflexos, acontece nas pequenas representações infantis humanas tbm, a medida do corpo se explora, porém na humanidade, mesmo em crianças, há consciência, não digo racionalidade, que é algo mais frio e pode pertencer aos animais tbm acho eu, (megalomaniacamente e antiacadêmicamente, rs,se os animais não calculam seus movimentos, seus instintos são um cálculo!), mas consciência. Então uma criança humana com aptidões para matar presas, é rara, na verdade acredito que sempre vão precisar senão de treino, de exemplos indiretos para estarem praticando a morte pelas próprias mãos. Essa escolha de consciência se reduz drasticamente quando a idade avança para o ser humano, e tendo o corpo como medida, exercitando suas funções sexuais, corre o risco de trazer outro ser humano ao mundo, após isso, havendo a gestação, começa um processo delicado para manter a consciência longe do poder, pois não só o ser humano passa a ter que aumentar sua captação de recurso, como se tornará responsável pelo que co-criou, e inevitavelmente a vida trazida passa a ter VALOR, coisa que até então não era reconhecida pela consciência pura (não me refiro somente ao valor econômico, digo que sentimentalmente tem valor para uma consciência pura). Essa vida que ingressa através dela, vale sentimentalmente mais do que a vida dela, então temos a idéia de proteção potencializada, temos o poder, e para evitar o que o poder pode evitar, procura-se o poder sobre propriedade.
    Eu acho que os intérpretes pseudo-cristãos (pois cristão, não sei não), nunca se deram ao trabalho de desvincular o mito do literalismo, a não ser por conveniência aos seus sistemas de poder, por que deixam muita coisa mal explicada e explicam demais o que parece claro. O sexo bem praticado, além de no momento certo funcionar como ponte para uma consciência pura, que poderá ajudar a colapsar o sistema de morte, pode também, ser um exercício prazeroso que proporciona a saúde vital, porém, devido a esse caos imenso, é sempre aconselhável a monogamia, que já é difícil administrar por tudo isso ai que eu falei acima.

    “Com relação à criança, esse poder nela ainda não desabrochou em toda a sua forma de expressão (sexual), que só poderá se manifestar depois do processo iniciático, da transformação da criança em adulto. Entendo a essa a diferenciação ou transformação da própria energia pra um potencial mais gerador e de criação.”

    – É um preparo para outro estágio, é como toda dinâmica que não se perde na própria dinâmica, mas trabalha sua parte consciente, usa seu corpo como medida.

    Meio que nós ainda somos as crianças do sistema, porque somos mais ou menos inconscientes e por isso não somos totalmente responsáveis. Somos irresponsáveis e inconsequentes e por esse motivo colhemos maus frutos em todos os sentidos, não é castigo divino, são consequências de atos. Se pudéssemos compreender a extensão de nossas atitudes, certamente, faríamos com maior consciência e responsabilidade.

    – A consciência absorve a causa e o efeito, e vendo isso sabe seus papéis na causa e sabe os efeitos de tal causa, quando esses frutos são colhidos estamos irremediavelmente mais conhecedores. O castigo divino no mito é uma magnífica anunciação poética até, dos efeitos, e entendendo o efeito, sendo este “maldito”, teremos que entender a redenção. Conseguiríamos nos educar ou reeducar para amar, e derrubar essas fronteiras com sabedoria que impedisse novos efeitos malditos?

  3. adi said

    Elielson,

    “Adi, tô muito feliz por ter aceitado publicar aqui o texto.
    Obrigadão. ”

    Além de ter ficado muito bom, veio em muita boa hora. É que ando totalmente sem tempo até mesmo de comentar. Tenho tanta coisa pra fazer aqui nesse período curto de férias, estou aproveitando pra fazer rotina nos médicos, dentista, etc. E claro que eles pedem um monte de exames, e tudo isso demanda muito tempo…

    Tenho que visitar alguns familiares e ainda não sobrou tempo pra isso. Eu achei que estaria muito tranquila aqui nesse período, e que teria tempo suficiente pra atualizar o blog e terminar os posts, ao menos sobre “thelema, vontade e poder”, e que gostaria de fazer uma comparação com o termo “bindu” do budismo tibetano, mas tenho que pesquisar melhor, fazer as conexões certas… bem e talvez (espero que não) terei tempo só quando voltar pra Rússia mesmo.

    Além, é claro, que temos que colocar energia mental nisso, ou seja, concentração, e se a mente está pensando num monte de coisas ao mesmo tempo, fica difícil sair alguma coisa interessante pra leitura, rsrsrs.

    No mais, e pra variar estou de saída, volto mais tarde pra deixar uma resposta ao seu comentário…

    obrigada também,
    adi

  4. Sem said

    Hoje eu tenho a manhã livre – só a manhã, e acordei cedinho e vim aqui pro computador escrever poesia… nem conectei como de costume, tamanha a minha necessidade de colocar no “papel” algumas inspirações urgentes… estou escrevendo duas poesias ao mesmo tempo, delas por enquanto tenho apenas o esboço dorsal e os títulos “poesia para passar o tempo” e “bruxaria para libertar almas”, são ideias complexas, sentimentos complexos, parte de inspiração e parte de reflexão da minha vida pessoal e ainda análise conjuntural… alguns sentimentos são tão particulares, mas como tudo o que é legítimo de um único indivíduo faz parte dos comuns universais, é isso o que eu pretendo, tornar simples e inteligível a qualquer um que possa me ler, tornar comum a minha experiência, ainda ambiciono a beleza própria do respirar poético…

    Porque que estou falando tudo isso? Que eu entro aqui e com esse enorme prazer leio o Elielson, e alguma surpresa me deparo com esse assunto explosivo (opa! pecados capitais) e essas imagens… acho que tem tudo a ver com as poesias que estou escrevendo, e que, se tem ou não, e se as poesias vão ficar boas, vcs poderão conferir depois… 🙂

    Adi, acho que vc como a administradora atual do Anoitan, deveria convidar o Elielson para fazer parte do time dos escritores do blog… assim isso aqui ficaria um pouco mais movimentado e bem mais polêmico… rs o Elielson teria assim maior liberdade para publicar seus herméticos e controversos pensamentos…

    Elielson, nesse caso, vc teria que se dispor a aguentar o rojão – todos que se expõe, de uma maneira ou de outra, são chamados a responder por aquilo que realizam por palavras ou atos… e não é assim que a gente ganha as marcas da vida? mas é claro que cada um sabe das suas escolhas, eu só acho que vale se expor, pq muito mais aprendemos quando nos expomos do que qd ficamos quietinhos no nosso canto… sabe que eu seria incapaz de brigar com vc? e nem brigaria com as suas ideias, pq prefiro me deixar inspirar por elas, mas muita gente lê aqui, apesar de que poucos comentam, e suas idéias pouco usuais talvez venham com esse convite à discussão…

    O que vcs acham?

    Não posso me alongar muito mais agora, em relação a esse assunto ainda estou amadurecendo as conclusões que tirar… mas não há nada do que vcs tenham dito que eu discorde, há sim é muito o que comentar: como o sexo pode ser jugo ou libertação, como o sexo é a expressão do poder de um corpo – do que pode um corpo, e que pode ser prisão ou templo, e eu não sei se essas escolhas são bem nossas – só serão nossas se formos livres (esse é tema de minhas poesias), quer dizer, de iniciados no processo de individuação, que é a paradoxal separação e encontro com tudo aquilo que nos vem de fora… sendo isso só mais uma forma de dizer do mesmo…

  5. adi said

    “Adi, acho que vc como a administradora atual do Anoitan, deveria convidar o Elielson para fazer parte do time dos escritores do blog… assim isso aqui ficaria um pouco mais movimentado e bem mais polêmico… rs o Elielson teria assim maior liberdade para publicar seus herméticos e controversos pensamentos…”

    Sem, e se acha que já não convidei? Coisa que ele muito polidamente recusou, não tá querendo compromisso. Mas ele sabe que as portas aqui estarão sempre abertas pra ele publicar seus textos.

    “todos que se expõe, de uma maneira ou de outra, são chamados a responder por aquilo que realizam por palavras ou atos… e não é assim que a gente ganha as marcas da vida? mas é claro que cada um sabe das suas escolhas, eu só acho que vale se expor, pq muito mais aprendemos quando nos expomos do que qd ficamos quietinhos no nosso canto… sabe que eu seria incapaz de brigar com vc? e nem brigaria com as suas ideias, pq prefiro me deixar inspirar por elas, mas muita gente lê aqui, apesar de que poucos comentam, e suas idéias pouco usuais talvez venham com esse convite à discussão…”

    Lindo isso que vc escreveu Sem. Estou num momento de muita reavaliação do que vale a pena continuar em minha vida, está sendo dolorido fazer escolhas, mas a vida muda sempre e nós mudamos. Tem coisas que não posso e não devo mais aceitar em minha vida, e nunca foi tão claro pra mim como as atitudes geram consequências, como principalmente atitudes e palavras estão carregadas de intenção (energia) e de como isso pode ferir e machucar. Sou totalmente responsável pela minha atitude e intenção, e quando fazemos bem conscientes disso não há arrependimentos…
    É que vc tocou nesse assunto que nem se relaciona com a minha situação, mas que ao mesmo tempo se relaciona totalmente, rsrsrs…

    bjs

  6. Elielson said

    Sem, 😀

    “Elielson, nesse caso, vc teria que se dispor a aguentar o rojão – todos que se expõe, de uma maneira ou de outra, são chamados a responder por aquilo que realizam por palavras ou atos… e não é assim que a gente ganha as marcas da vida? mas é claro que cada um sabe das suas escolhas, eu só acho que vale se expor, pq muito mais aprendemos quando nos expomos do que qd ficamos quietinhos no nosso canto… sabe que eu seria incapaz de brigar com vc? e nem brigaria com as suas ideias, pq prefiro me deixar inspirar por elas, mas muita gente lê aqui, apesar de que poucos comentam, e suas idéias pouco usuais talvez venham com esse convite à discussão…”

    – Ah, Sem, é bom saber que vcs querem que eu dê esse passo, sempre estive livre aqui graças a vocês. O Anoitan foi interessante justamente por causa disso, multiplicidade, posts para se ler e posts para se ler e comentar, e a ideia de várias pessoas irem escrevendo e se enconrando ideológicamente, e colocando as idéias nessa arena virtual, …é diferente e eficiente. Uma vez a Lu fez o convite para que quem pudesse mandar textos, mandasse e contribuisse, eu achei isso muito bom, e assim eu me sentiria útil, essa é a segunda vez que mando algo, e a primeira já faz… anos, apesar da sensação relativa de que faz pouco.
    E assim como contribuinte muitississimo ocasional, me sinto como um extensor do convite que a Lu tinha feito há tempos, de que quem pudesse contribuir, contribuisse, e sei que tem pessoas que só leem aqui e que teem pensamentos interessantes, que participam manifestadamente mais raramente. Então, se eu ficar aqui, mandando textos que vocês postem com a mesma periodicidade habitual, rs, uma vez por era :), estaria servindo de exemplo pra que essas pessoas mandem seus textos tbm, e assim eu deixo o círculo Anoitan aberto. Posso até continuar com o segmento desse post, já que comecei né, e ir até onde a inspiração permite, mas pra eu escrever algo e dizer, – pô, relevante! Vixi! :D, é muito, muito raro, sei que pessoas bem mais frequentes que eu com os pensamentos e com a evolução de pensamentos mais contundente, não estão longe, estão aqui, e vc e a Adi deveriam deixar um link aí pra contato justamente para receber esses posts, e as pessoas começarem a enviar pra vcs, anonimamente ou assumidamente, transferir o conteúdo super inspirado de seus próprios blogs e tal, pq sei que essas pessoas tem esses textos, e é isso, adoraria ver isso. Quanto as discussões levantadas, tbm adoraria ver contrapontos do que penso, mas é tão dificil eu pensar com a mente de lá… Se eu topasse com algo que abalasse minhas certezas, meu intuito com qualquer contribuição que eu possa dar estaria sendo atendido, é bom mesmo esse negócio.

    Adi, tbm tô na correria, tô sempre assim, tô dormindo muito pouco, é a busca de poder nas esferas né?! Espero então tu voltar a normalidade!

  7. adi said

    “E assim como contribuinte muitississimo ocasional, me sinto como um extensor do convite que a Lu tinha feito há tempos, de que quem pudesse contribuir, contribuisse, e sei que tem pessoas que só leem aqui e que teem pensamentos interessantes, que participam manifestadamente mais raramente. Então, se eu ficar aqui, mandando textos que vocês postem com a mesma periodicidade habitual, rs, uma vez por era , estaria servindo de exemplo pra que essas pessoas mandem seus textos tbm, e assim eu deixo o círculo Anoitan aberto.”

    Adorei a sua proposta Elielson, vou providenciar esse meio de contato e o link. 😉

  8. Elielson said

    Vou desenvolver um pouco o assunto 🙂

    A puerilidade tem seu prazer, mas aquém dos prazeres extremos que o adulto conhece. Após atingirmos o extremo das sensações do corpo, nossas referências buscam permanência no estado prazeroso, e conhecendo o caminho para tais prazeres, algumas pessoas não desistem da consciência enquanto outras desistem.
    Esse é o risco do sexo mesmo que este não vise procriação, mesmo que não tenha condições de procriação, porém ainda não estamos lidando com o fim da liberdade moral. O fim da liberdade moral começa quando as informações são absorvidas pela cognição, processadas, significadas e direcionadas as regiões motrizes do impulso sexual. A psique passa a conter um conjunto imagético capaz de conduzir o fluxo sanguineo as zonas erógenas, esse conjunto é publicitário, e confere o valor dos atributos fisicos propícios aos intuitos dessa natureza, cerceando-os com as chaves de acesso ao poder, para que encaminhando-se a satisfação sexual, encaminhe-se ao mesmo tempo a sacralidade necessária para que o poder seja perpétuo.
    Nascendo como necessidade, todo impulso natural, não só o sexual, encontra sua degenerescência nos excessos, quando a necessidade encontra o capricho, fazendo o vício substituir a necessidade. O poder é retroalimentado por si devido a superconsciência que aparenta ser, por isso não é simplesmente contribuir com o poder e esperar que o poder devolva algo para o individuo após sua reprovação pelo individuo, já que a participação irreversivel no poder depende de uma escolha e não de uma transferência de poder que o indidivuo alguma vez havia tido, como estamos tentados a acreditar. Pois o individuo só experimenta a sensação de poder, quando usufrui do poder ou sofre seus efeitos, como poderá acreditar. Fora do poder somos invisiveis para ele, e não tendo identidade, registro, reconhecimento por parte de alguém que pertença a sociedade ou familiaridade com o modus operandi, somos neutros, e essa neutralidade e anonimato não tardaria a ser capturada pelo sistema binário, não só fornecendo registro, mas fornecendo a forma de lei sobre ação observada por qualquer membro do sistema. É justamente a segurança moral prometida pelo sistema que retroalimenta-o, e realmente, parece que há uma segurança no ar, leis morais que nos atravessam e que pertencendo as consciências, agem sobre o comportamento do observador e observado.

    Onde o poder passa a ser um agente de queda?

    Não é possivel antropomorfizar o poder. O simbolo de serpente, bem, conhecemos caduceu, veneno, cura… Sabemos até que a promessa messiânica se trata de uma serpente entre serpentes. É um lance alegórico que está repleto de sentido real, mesmo que o homem se utilize do poder vergonhosamente, ele não seria o poder sem o poder, se é que me entendem.. :D:D:D
    O poder está acima do indivíduo na administração da DUALIDADE, só assim pode haver poder, pois o homem perante o poder “pode” com sua linguagem que bebe da fonte do poder, fazer comparações entre bem e mal, justiça e injustiça, mas para que o poder se mantenha e não voltemos ao estado animal-consciente a deriva da natureza, pouco liga para um senso de justiça individual que tente aplicar-se a ele e que não seja conveniente, para um bem individual que tente aplicar-se a ele e não seja conveniente, assim como injustiças e males que não sejam convenientes. Quando se trata de poder, o sistema que perdura depende do que lhe potencialize e só para esse sentido caminha, independente da vontade dos indivíduos, se for a necessidade do poder perdurar através de uma injustiça, ele o fará.
    Mas dentro do sistema existe a anomalia que é o pensamento crístico ( 🙂 quase crítico né?), pq o modelo de Jesus é o modelo que colapsa o poder, fazendo-o cumprir pela sua manutenção uma injustiça que lhe abre uma chaga impossivel de encobrir e que denunciará o sistema para sempre como território de egos, superego que trabalha automaticamente, uma máquina em que os homens viciados se sentam e dão uma volta, que as vezes dura um montão de anos.
    São as influências circunstanciais que atravessando a essência fazem a consciência notar o erro em conviver inexpressivamente com o poder sendo que existe a morte, e que as pessoas não sabendo nada sobre a morte, preferem achar que a vida é conviver com o erro já que não podendo ser inocentes a única opção é viver.
    Daí vem aquele vaticínio, profecia épica, de que há de um justo morrer pelo povo, e a dica de que aquele que quiser sua vida perdê-la-á.

    Continuo…

  9. Elielson said

    Fanatismos muitas vezes são repreensões por distanciação do poder, ora vivido, ora imaginado, restando como única possibilidade de sensação intensa no poder, a reverência para o usufruidor central do poder. Dor e prazer são efeito sobre matéria, o corpo dolorido abraça qualquer conhecimento de causa capaz de livrar o corpo da dor, assim como facilmente abraça quaquer convite ao prazer.
    A comunhão, agregação, é uma possibilidade oferecida pelo poder para repetição de efeito, e facilitação do conhecimento sobre efeito e causa, aos poucos, próprio mesmo, nesse sentido de consciência, nem mesmo as idéias que vão surgindo. O corpo se alimenta de matéria da Terra, enquanto a mente se alimenta de idéias do poder, na ordenação de palavras que contam com antinomia, e uma infinidade de elementos que precisam desse “crédito acumulado” para funcionar nas consciências.

    As pessoas sempre se perguntam, Pq a árvore no Paraíso? Ora, o Paraíso é a consciência pura, pois a árvore esta lá para os animais tbm, tem até cobra enroscada nela. 🙂 🙂 , porém só a consciência humana tem um alerta sobre essa árvore, só a consciência humana sabe que colherá nela dependência emocional do sistema.
    Quando se fala em tirar o homem da terra, não estamos falando de um processo que fazemos com massinha ou o processo do golem, estamos falando sobre um processo de formação que nos cria tbm, pois somos barro, pelo menos enquanto não conheciamos os elementos e nutrientes um por um que haviam naquilo que é barro, éramos só barro. Se esse simbolo de arvore representa algo, significa opção de livre arbitrio e determinismo, anteriormente ao sistema não haviam também essas noções, então após a absorção do conhecimento já se fazia possivel não só saber o fim do resultado da cópula como se acionava os mecanismos naturais que estimam o objeto de atração por sua utilidade, só que essa utilidade sendo a utilidade do sistema, cria uns gostos meio estranhos, pois toda novidade do sistema que tire o povo da monotonia e fortaleça o mercado parece bem encorajado não só pela publicidade como pelos organismos imersos no poder.

    Por enquanto é isso.

  10. Sem said

    Adi, Elielson,

    Em relação a Adi ter convidado e o Elielson ter educadamente recusado, bem, eu sou como mulher traída, sempre a última a saber… 🙂

    Está tudo certo, amigos, estamos aqui, não é… essa constância – de era em era – do Elielson me é confortadora. Já a Adi, ando meio “desesperada” pelos posts que anunciou, aquele das proximidades de antes e de depois do abismo de Daath, e agora esse de Thelema e em aprofundar-se nessas questões do poder e da vontade. São assuntos que quero muito discutir. E tudo me soa de modo bastante agradável, é muito bom estar aqui com vcs…

    Bem, Adi, eu não sei exatamente o que vc está passando nesse momento, mas, se precisar de mim, no que eu puder ajudar, conte comigo…

    Sim, as palavras são energias que direcionamos aos outros… e a bem da verdade não temos nenhum controle sobre as palavras que os outros nos direcionam… isso a maturidade nos faz ver, que são da exclusiva responsabilidade do outro as suas palavras, porque afinal é ele que vive em meio a aquela “energia”, não nós… e se as palavras alheias nos forem dirigidas com certa malícia venenosa, o cuidado que devemos ter é que nenhum “gancho” em nós nos amarre ao que foi dito… pq é só o nosso interior (do que ele é feito, seu conteúdo) que tem a capacidade de nos atar ao que foi dito, é a energia que nós próprios estamos emanando ao outro… o efeito das palavras do outro é então de nossa total responsabilidade, e somente isso pode nos atingir, quem verdadeiramente somos em essência… em síntese, o autoconhecimento liberta 🙂

    Pus essa carinha de alegria, mas como ela é falsa… deveria ser uma carinha chorona e que já derramou mais lágrimas de tristeza do que de alegria com relacionamentos frustrados, furados, decepcionantes… como se fosse fácil… a vida é real e não uma conquista teórica, não é fácil dizer adeus a quem se amou um dia ou dentro da própria família não encontrar apoio… a vida vai nos formando ou deformando, e faz isso com todos, e é mais triste ver quem gostamos sofrendo do que sustentar o próprio sofrimento… apesar disso um sorriso verdadeiro vale mais que 1 milhão de desencontros…

    A questão toda está bem colocada aqui nesse post… isso tudo é energia sexual – estou me referindo a Wilhelm Reich e sua energia “orgone”….

    Tenho aqui o “Análise do Caráter” dele, estava revendo ontem à noite esse clássico e pensando aqui no post, e embora eu ache um tanto complicado aceitar integralmente suas teorias, o Reich é precioso em desvendar parte desse intrincado novelo entre corpo, alma e espírito. Sendo que somos uma unidade inalienável, a ideia toda é essa…

    Procurei na Internet em vão a respeito do capítulo XVI em que ele fala da “peste emocional”… como epidemia mesmo. Todos os textos que eu achei deturpam um pouco ou falam com palavras menores como o próprio autor colocou claramente o que é essa gradação “perversa” da neurose (já como sístase) levada ao seu extremo.

    Correria eu aqui tb, meus caros, e estou sem tempo para desenvolver melhor o meu comentário de agora, mas com muitas coisas a dizer… creio que só no final de semana terei tempo pra voltar aqui… por enquanto quero lançar esse conceito bastante oportuno do Reich, de “peste emocional”, e saber de vcs se possuem já algum conhecimento dele e opinião a respeito.

    Até….

  11. Elielson said

    “por enquanto quero lançar esse conceito bastante oportuno do Reich, de “peste emocional”, e saber de vcs se possuem já algum conhecimento dele e opinião a respeito.”

    Sem.

    Baixei há um tempo “Escuta Zé Ninguém”, um ensaio breve, mas um amigo meu me falou que é revelador, fui na casa desse meu amigo, ele tava com isso na mão, e falou que se eu lesse eu iria adorar, ainda não li, mas ele já tinha me falado sobre orgone e peste emocional, e pelo que eu entendi ele é um dissidente de Freud, e um cara maldito, o que me fez vir aqui e baixar pra não esquecer de ler, e agora que vc falou, vou dar uma lida hoje a tarde… daí tiro alguma conclusão a respeito, mas é uma coincidência legal, vc falar de um livro dele, sendo uma rara coisa pela qual me interessei de verdade.

  12. adi said

    Sem, Elielson,

    ” Em relação a Adi ter convidado e o Elielson ter educadamente recusado, bem, eu sou como mulher traída, sempre a última a saber… ”

    Não se sinta assim, jamais trairia sua confiança :). É que como já houve comentários sobre isso antes, como sei que você concordaria plenamente, cogitei com ele essa hipótese quando ele me perguntou sobre o texto, e ainda disse que tinha certeza que você iria gostar muito, e claro que iria falar com você, mas logo ele já descartou essa possibilidade. 🙂

    Aqui, na minha opinião sobre energia e sexo, eu entendo como sendo energia uma só, circulando por todo o corpo, e que nós podemos direcionar isso, quando já somos conscientes, ou ela flui inconscientemente. Se pensarmos em sexo, em imagens desse tipo, claro que a energia vai se concentrar mais no chacra sexual, e vamos estar mais atentos a essas partes em nosso corpo. Se estivermos emocionais, a energia vai mais pro chacra do estômago, etc. São os centros em nosso corpo que são ativados e dão características a essa energia.

    Eu tenho um livro sobre Pathwork, e que cita Reich, ou parece que é voltado para o trabalho dele, mas está lá em Saratov 😦 .

  13. adi said

    Continuando ainda no assunto sobre sexo, ao mesmo tempo, não podemos esquecer, a energia se manifesta no físico como excitação, no emocional como desejo sexual ou libido, e no mental como imagens.

    Acho que a libido, que pode se traduzir como vontade ou desejo, está relacionada com o emocional. É como o sal da terra, o sabor da vida, não é mesmo?

    Porque se diz que no êxtase sexual é como uma pequena iluminação? Seria porque essas três funções estão totalmente unidas, porque a energia não está divida e não se distingui em mental, emocional e física?

  14. Elielson said

    Sem..

    Reich, apaixonante na medida que é chocante, em suas palavras corre declaradamente um tom nietzscheniano, e encontrei a todo momento consonâncias com o texto aqui e com textos que venho escrevendo durante os últimos anos, tenho que agradecer-te Sem, por me dar um empurrãozinho para essa leitura, e não posso também deixar de agradecer meu amigo quando for na casa dele de novo… 🙂

    Não encontrei descrições completas nesse texto dele sobre o orgone e sobre a peste emocional, ainda assim as comparações que podem ser feitas são o orgone como energia vital/sexual e peste emocional como resultado moral da frustração sexual, que age corruptivamente no comportamento do individuo que ajuda a manter o nivel de sexualidade ao seu redor em conformidade com o resultado de suas experiências sexuais. Vc Sem, falou uma vez que gostou do Oldboy, ali tem um exemplo de peste emocional em andamento com conclusão bem alegórica no filme.

    Duas do Reich que me foram surpreendentes:

    “Nem sequer te apercebes de que a opressão das leis que regulam a tua vida matrimonial decorre naturalmente do teu espírito pornográfico e da tua irresponsabilidade sexual.”

    “Tu devoras a tua felicidade. Nunca foste capaz de a gozar com plenitude. É por isso que a devoras avidamente, sem sequer assumires a responsabilidade de a assegurares. Nunca te foi permitido aprenderes a cuidar das tuas alegrias, a alimentar. a felicidade, como o jardineiro o faz com as suas flores, como o homem da terra com as suas colheitas.”

    Só lendo mesmo! E ler me faz pensar no quão importante a linguagem para transmitir sensação. E como são bons escritores esses caras que eram pra ser técnicos! Pq cá pra nós, os melhores escritos fogem da técnica, a não ser que a técnica nestes caso seja se emocionar.

  15. Elielson said

    A criança e o brinquedo.

    – Papai, eu vou poder levar esse brinquedo pra escola?
    Nesse momento o pai pensa:
    … -Tenho que colocá-lo a par da realidade!
    E já começa a se sentir uma serpente enrolada na árvore do conhecimento, mesmo assim prossegue…
    – Filho, – Diz o pai. – Esse brinquedo é muito diferente do que as outras crianças estão acostumadas a ter, se você levá-lo pra escola e dizer que seus pais te deram, a criança que não tem o brinquedo igual o teu vai ficar com raiva dos pais dela por que não tem um também, mas como ela não entende que ficou com raiva dos pais, vai ficar com raiva de você.
    – Mas pq então você não compra um igual pra criança que não têm? – Pergunta o filho.
    O pai se sente egoísta, mas prossegue:
    – É que é preciso mais dinheiro do que o pai tem, pra poder dar estes brinquedos pra outras crianças!
    Nesse momento filho tem uma idéia simples.
    – Então papai, a gente faz uma máquina de dinheiro, e consegue dinheiro pra comprar presente pra todo mundo. A gente embrulha e entrega!
    Agora o pai que pensava ser serpente, vê que é só um Adão enfastiado com frutos, e pondera se vai falar da serpente, … ele prossegue. Mas enquanto isso, o filho dá continuidade ao seu projeto…
    – … Por onde sai o dinheiro a gente pode colar uns adesivos de caranguejinhos e dos bichos que vc mais gosta!
    O pai pensa consigo: – Quanto mais cedo ele souber, melhor! Deixa eu ver o que acontece!Vai que ele tem a solução pra esse problema! Então diz:
    – Filho, pra gente fabricar uma máquina de dinheiro, a gente primeiro tem que ter um País.
    – O que é um País?
    – País é um terreno bem grande, que tem bandeira…
    O filho interrompe!
    – Eu sei o que é bandeira, é uma coisa que quando o vento bate, ela mexe…
    O pai se ri, e continua:
    – …Precisa de população.
    – O que é que é isso?- O filho pergunta.
    – São as pessoas que moram nesse terreno bem grande. – Responde o pai, e continua:

    – Precisa também de lei.
    – O que que é lei? Mais uma vez pergunta o filho. No que o pai responde:
    – Lei é… Quando as pessoas que moram nesse terreno quebram um vaso… – E o pai aponta para um vaso na estante. …E não podia quebrar o vaso! Então a pessoa que quebrou o vaso fica de castigo, isso é uma lei.
    – Pensei que lei não existia… – O pai ouve, mas decide prosseguir trazendo o poder a consciência de seu filho:
    – Hmmm, Então…, a gente mora num País…, e o dinheiro é do País, e a lei é que cada um vai receber o que merecer…, e pra merecer a pessoa tem que trabalhar e estudar pra trabalhar em algo que vai dar o dinheiro que ela precisa.
    – Pq o dinheiro é do País? o filho pergunta. No que o pai responde:
    – Pq o dinheiro não pode ser só nosso, se fosse só nosso, a gente não poderia distribuir pra tanta gente…
    – Eu já vi uma máquina de dinheiro! – O filho surpreende o pai com essa afirmação. O pai nunca viu tal máquina, a não ser pela TV.
    – Onde? Pergunta o pai dessa vez.
    O filho diz:

    -Quando eu fui com a mamãe na cidade, tinha uma máquina de dinheiro…

    O filho nem termina de se pronunciar e o pai já entende a que ele se refere. O filho ainda está falando:

    – … Era num lugar… – O pai interrompe:
    – É o banco filho, o dinheiro é colocado ali, mas é fabricado em outro lugar… – O pai volta a um pensamento anterior.
    – Pra gente ter bastante desse dinheiro a gente tem que conseguir ganhar mais e só então comprar brinquedos, entendeu?
    – Entendi.
    Ao final da conversa o pai fica satisfeito, o filho preserva sua paz de criança! E assim nada muda e tudo muda! O pai segue pensando que seria bom se a tal ilusão perante o capital pudesse se manter, mas ela tem que ser destruída! Infelizmente, o problema é…, como destruir a ilusão garantindo que o mundo não arrasará a boa intenção? O pai fica tentado a ensinar o ‘pai nosso” para o filho, mas não é o momento…

  16. adi said

    Elielson,

    Adivinha? encontrei o texto do Zé Ninguém!! Vou começar a leitura hoje a tarde. 🙂

    Sem,

    Fui procurar livro do Hillman na Saraiva. Não encontrei nenhum, :(. Talvez na Fnac do Dom Pedro encontre algo.
    Acho que só por encomenda mesmo. Vou aproveitar comprar pra ler com tempo ano que vem.

  17. Sem said

    Elielson,

    Zé Ninguém somos todos nós. Carregamos todos essa possibilidade de entregarmos a nossa individualidade em troca de sermos mais um no sistema, porque é muito difícil nos sentirmos isolados por vezes, e a vida de um indivíduo com pensamentos e valores próprios requer coragem, pode ser assustadora… e nos dias em que a solidão aperta, mais fácil é nos entregarmos ao sistema, que já vem todo ele pronto de fora, com a sua moral fast food, com os seus valores e estética, certezas definidas e definitivas… O “sistema” sabe bem como se vender a nós nesses dias, fala-nos fundo, ao nosso sentimento de “rebanho”, que todos temos em proporções variadas quando queremos tão somente “pertencer”… e para alguém aterrorizado com a responsabilidade de comandar a própria vida, ter alguém que tome conta de nós, como um pai ou mãe que cuide, pense e assuma a responsabilidade por nós, parece confortador… a vida regrada parece mesmo desde esse ponto de vista um modelo de paraíso – têm metas objetivas a cumprir no final do mês, ideais para uma vida mais “produtiva” e “feliz”, estéticas que nos definem o que é belo e desejável, nunca dúvidas, sempre certezas, um mundo redondinho… porém, quadrado…

    A gente precisa ter ternura pelo Zé Ninguém – o nosso e o dos outros – e ao mesmo tempo jamais confiar ou se entregar a ele… lembrando que foi ele que crucificou Cristo mas foi por ele perdoado… O Zé Ninguém comeria o nosso fígado se pudesse, sem pestanejar, dada a sua entrega a esse seu caráter medíocre vendido ao sistema (à Matrix)… porque as maiores atrocidades são realizadas não pelas pessoas que têm dúvidas, mas pelas que têm certezas, e não pelos comandantes responsáveis, mas pelos comandados que põem a mão na massa…

    A única garantia que a gente pode ter de não virar um Zé Ninguém nessa vida é a nossa consciência dele próprio – em nós, no outro -, e viver na sua antítese, que é a nossa entrega ao fluxo da Vida, que o Reich chama de “potência orgástica” do ser, a nossa capacidade de entrega (aqui biofísica mesmo) sem defesas neuróticas… Reich chega inclusive a fundar um instituto com aparelhagens para medir o “orgone” – que é esse élan vital do ser, sendo que existem patamares dessa “energia”, conceituada biofísica por Reich, e que podem ser medidos. O grau máximo seria um hipotético “orgasmo cósmico”.

    Imagina agora alguém totalmente entregue ao seu caráter “Zé Ninguém”, essa pessoa estaria tomada, nos dizeres de Reich, da “peste emocional”… algo bastante semelhante, ou na verdade idêntico, ao que eu chamo de “movimento de desagregação”- se vc estiver lembrado daquelas minhas teorias das relações, em que cheguei até a desenhar gráficos, naquela minha resposta a Adi qd da discussão a respeito do Bem X Mal…

    Pois é, o Reich é um dos dissidentes de Freud, como o foram Jung e Adler… só que Reich radicalizou a biologia de Freud, quer dizer, o aspecto físico da libido concebida originalmente por Freud. Tanto que se formos verificar nas raízes do que conhecemos hoje por “psicologia comportamental”, vamos encontrar sempre Reich na sua base.

    Psicologia comportamental se distingue bastante da psicanálise (de Freud), da Psicologia Analítica (de Jung), da psicologia arquetípica (de Hillman) ou das psicologias desenvolvimentistas (de Adler). Todas estas concebem, embora de modo bastante diverso, a subjetividade como a característica principal do psiquismo humano. Já a psicologia comportamental define-se por analisar antes o comportamento – ou apenas ele, objetivo, exterior -, desconsiderando a subjetividade humana – algo como não entrar no mérito da existência ou não de Deus e se preocupar tão somente com a vida prática do aqui e agora material.

    A psicologia comportamental é a linha mais estudada nas universidades hoje, influência dos americanos e seu consequente pragmatismo. Do mesmo modo é a linha da psicologia que mais influencia e é tb a mais estudada em educação, porque hoje educação só se verifica e mede pelo “comportamento”…

    Descartando o pior da linha comportamental, que é a medicalização radical e a negação da alma, existe a bioenergética, que possue um espectro amplo de vertentes, mas toda linha bioenergética é derivada diretamente de Reich e muitas são interessantes… eu gosto especialmente de uma linha conhecida por “análise transacional”, derivada de Eric Berne, autor de Games People Play (Os jogos da Vida), que foi seguidor direto de Reich…

    O círculo se fecha…

    Eu acho que isso tudo, advindo das ideias de Reich, está muito de acordo com a filosofia oriental no que diz respeito ao tantrismo e que como sabido influenciou tremendamente o movimento hippie. E as semelhanças com Thelema na subida pela árvore da vida são óbvias tb… pressuponho que Aleister Crowley soube das teorias do Reich, já que eles foram contemporâneos, mas não sei o quanto ele foi instado por elas em sua prática de magia sexual e se deixou algo escrito a respeito…

    Sabe, Elielson, só pra finalizar, eu não acho que o Reich seja um autor muito fácil de ler, não nos seus escritos mais técnicos – nos manifestos políticos do tipo Escuta Zé Ninguém ele realmente é apaixonante e sua verve transparece mais nítida, sinto o mesmo que vc ao ler Reich nos seus manifestos… mas como eu gosto de psicologia e sendo o assunto da minha área de estudos, considero-o mais um pensador moderno do que pós-moderno, na minha opinião ele é mais “moderno” até do que Freud. Acho, por exemplo, que ele se pretende “científico” demais, buscador de uma única verdade (orgone), e por isso comete alguns pecados, radicalizar a biologia é apenas um deles… ele é um pensador do qual eu não desgosto e que de modo algum pode ser descartável por quem quer que seja, tamanha é a sua importância, porém, quando eu leio Reich sinto falta de alma…

    PS: esse conto, eu não sei se fiquei com mais peninha do pai ou do filho… é duro o pai querer ensinar como funciona o mundo organizado dos adultos… se ele conseguir, quer dizer, se tiver êxito, o que vai acontecer é simplesmente adequar o seu filho ao mundo.
    Parece que o sistema capitalista funciona assim, é uma máquina que trabalha engolindo e digerindo para transformar em dividendos lucrativos absolutamente tudo, é capaz de transformar tudo “amor”, “religião”, “ecologia”, que passam a azeitar a máquina sendo já outras coisas…

  18. Sem said

    Adi,

    Olha que eu te agradeço muito a administração aqui no Anoitan, e exatamente da forma como vem conduzindo, que eu seria incapaz de fazer de outra forma melhor. Portanto, faça e aconteça, aqui vc manda e a gente obedece. 🙂

    Tudo é brincadeira qd estamos entre amigos…

    O Hillman deve ter edições esgotadas que somente em sebos mesmo são encontráveis… isso ou encomenda, para a gente que é do interiorrr 🙂

    E ai, gostou do Zé Ninguém?

  19. adi said

    Acabei de ler Zé Ninguém hoje a tarde. Uma crítica muito boa ao sistema incorporado dentro de cada um, gostei bastante, embora pareça um pouco radical e direcionada ao mesmo tempo aos que perseguiram Reich e ao sistema como um todo.

    Sem você escreve muito bem, esse seu comentário acima ao Elielson não acrescentaria nem uma vírgula, :).

    Reich se aprofundou no estudo da bioenergia orgone e mapeou os bloqueios que impedem o fluxo normal dessa energia pelo corpo, o que ele nomeou de couraça muscular do caráter. A energia orgone se equivale ao que também conhecemos como prana, e a couraça muscular do caráter equivale no nível físico aos bloqueios que na psicologia conhecemos como sombra. Couraça então equivale a própria sístase – termo usado pelos antigos gnósticos para designar o sistema de aprisoamento causado pelos arcontes.

    O sistema atua no psíquico como formas pensamentos e conceitos ultrapassados e limitados, no físico como rigidez muscular e dor, mas tem sua raízes em camadas profundas da psiquê humana. É a manifestação distorcida do próprio espírito, ele está em estado de sístase adormecido…

    Acho que isso!!

  20. INDECISÃO quando você sabe muito bem o que quer, mas acha que deveria querer outra coisa.

  21. Elielson said

    O querer parece uma coisa indefinida também, se o querer não é querer em parte, como uma colheita de coisas plantadas por outras mãos ou sem a consequência que é parte do querer completo. Mesmo o querer reformado e viabilizado, não se sabe se ainda despertaria o interesse desse querer, que muitas vezes não quer o que pode ter. Se o “dever querer”, é não querer o que trás más consequências, talvez seja questão de que o que se “deve querer” só não foi totalmente visualizado ao ponto de também não ser quisto, por que apesar das proporções que cada vontade tem, a realidade é um unissono delas. Os principios são sim, importantes, e só se chama de decisão o que parte de um principio consciente dos efeitos, caso contrário não é bem uma decisão, mesmo que aparente muito ser. Decisões que se afastem do querer objetivo, talvez sejam o entedimento não só do próprio querer objetivo como do subjetivo. Não significando que o entedimento nos dê autoridade ou controle do que age nas coisas, no máximo é uma bóia concebida pela benção sobre a vontade que insiste. Saber o que se quer, parece muito imediatista, … pena, pois nem o tempo é imediato.

    https://anoitan.wordpress.com/2010/08/13/stalker/

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