Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Beijos místicos

Posted by adi em outubro 13, 2011

 

Evangelho de Felipe: “A graça chega a ele da boca, do lugar de onde chega o Logos. A pessoa deve ser nutrida da boca para se tornar perfeita. Por isso os perfeitos são concebidos e nascem por meio de um beijo. Por esta razão nós também nos beijamos uns aos outros. Somos concebidos da graça que nos é comum.”

 

 

 

J. Campbell: “O beijo é um prêmio, um símbolo, um marco, a coroação. Para chegar até ali os heróis e heroínas tiveram que passar por provações e obstáculos a fim de conquistar e selar a união de felicidade eterna.”

“Nos mitos e contos de fadas, o feio, a repulsa, aspectos sombrios e monstruosos são aqueles que, transformados pelo beijo de amor, fazem surgir o belo, e transformados pelo poder da verdade transformam as trevas em luz.”

 

 

Crowley: “Por um beijo tu quererás então dar tudo; mas aquele que der uma partícula de pó tudo perderá naquela hora.”

“Ó Babilônia, Babilônia, poderosa mãe que cavalga a besta coroada, deixa-me embriagar-me no vinho de tuas fornicações, deixa teus beijos levar-me a morte, que até eu, teu portador da taça, possa compreender.”

“Só o verdadeiro amor, representado pelo ato do beijo, fará com que o iniciado logre êxito no temível passo. Esse amor é advindo da realização do primeiro aforismo: “Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei.””

 

 

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8 Respostas to “Beijos místicos”

  1. Kpaxx said

    Post maravilhoso Adi.Impressionante.Parabéns!!!!

  2. adi said

    Oi Kpaxx,

    Puxa, como é bom ler comentários assim… rs – muito embora, não há mérito nenhum meu, só trouxe aqui os entendidos. 🙂

    Mesmo assim, muito obrigada.

  3. Sem said

    Adi,

    Não entendi nada – o que é muito bom! 🙂

    Depois lembrei de Branca de Neve, que renasceu de um beijo… esse beijo de conto de fadas, e que interpreto como no poema “Eros e Psique”, de Fernando Pessoa, quando o príncipe, já cansado, ao final de sua jornada, vê que ele mesmo era a princesa que dormia…

    Então deve ser isso: o beijo é o coroamento da coniunctio. 🙂

    Ou, de UMA coniunctio, pq o fim de uma coisa é sempre o início de outra…

    Adi, eu gostaria que agora vc me tomasse como uma aluna e um tanto incipiente, a quem se deve explicar tudo, com vagar, desde o pricípio… vou aproveitar que vc tocou nesse assunto para dirimir certa dúvida que me acompanha já há algum tempo: qual o real significado dessa Lei de Thelema “faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”, (se tem diferença) “…há de ser o todo da lei”.

    Olha, talvez seja o caso de avisar que tenho do Crowley uma visão não muito lisonjeira de sua pessoa, alguém, assim, um tanto irascível e meio egoísta… não que me apegue a essa visão, sei o quanto ela pode estar sendo ou é distorcida por informações duvidosas. O que depõe a seu favor – à pessoa do Crowley -são pessoas que eu gosto e que gostam dele (seu caso, um exemplo). Por outro lado, têm pessoas a quem eu não confiaria a lasca de uma unha sequer e que igualmente gostam dele… Ou seja, medir o valor de alguém pelos nossos afetos não á algo lá muito seguro e nem o mais recomendável a se fazer…

    Mas a questão não é essa, pouco importa o que eu pense ou a conclusão que chegue lendo os textos do Crowley pela Internet. Veja, não me interessam os rituais e nem a religião, se for religião Thelema. Eu queria era compreender a verdade por trás da Lei de Thelema: esse Amor sob Vontade. Minha intuição me diz que isso sim é verdade, que é uma pedra recorrente no meu caminho, em que tropeço por obras da, digamos, sincronicidade…
    Mas a minha inteligência duvida – cumprindo o seu papel, tem alguma coisa que me escapa nisso tudo e que eu ainda não sei o que é… vc me ajuda? 🙂

    Trocando impressões, injustamente, com o pouco que sei, isso de todo homem e toda mulher ser uma estrela, se o que se quer dizer é que todo ser humano é PÓ de estrela, concordo, rs… e não apenas metafóricamente, literalmente, tb (mas, todo bicho, árvore, grão de areia e partícula no Universo, é uma estrela caída… tb), ou, se se quer dizer, poeticamente, que nós humanos apenas é que temos a “luz da consciência”, que só nós é que somos capazes de iluminar as trevas. Bem, sem ser tão megalomaníacos e antroporeferentes, creio que além de nós deve haver na infinitude do universo muito mais criaturas com “consciência”, ou seja, mais seres portadoras de luz própria, o que equivale dizer, “estrelas”…
    Afinal – eu creio – esse é o nosso papel no Cosmos, doarmos consciência, mas essa – eu acredito – é uma graça que nos foi dada, não pertence de fato a nós, pois antes é o mérito do eterno agindo em nós e não fruto de nossas ações desvinculadas do todo – nós que agimos de modo tão somente finito.

    De mais a mais, essa é graça da vida: vida-morte. Essa dobradinha (arquetípica) paradoxal, para que a eternidade sinta a própria existência.

    E agora, esse último espinho travoso: a Verdadeira Vontade. Já falamos alguma coisa sobre isso e sei que temos uma visão mais ou menos semelhante do assunto. A minha, como já havia dito, está impregnada do que disse Graograman a Bastian, no livro de Michael Ende, “A História Sem Fim”. Disse – o leão ao menino – que seguir o caminho da Verdadeira Vontade é seguir o caminho dos desejos, mas que isso é a coisa mais difícil e a mais perigosa a ser feita. É quando Bastian pergunta sobre o “Aurin” ao amigo, o medalhão mágico que recebeu da imperatriz Criança – em realidade, esse colar foi a Bastian emprestado pela imperatriz Criança, pertence a ele somente enquanto estiver por Fantasia, e o dom do medalhão confere a ele o poder de representá-la (a imperatriz Criança que é a alma, a quem todos em Fantasia respeitam, dependem e amam). Aurin, caso vc não saiba, é um medalhão que tem de um lado a imagem de duas cobras, uma branca e outra negra, uma mordendo a cauda da outra, como num complexo Ouroboro. Do outro lado está escrito, simplesmente, “faça o que quiser”. Por favor, leia-me com atenção agora, que isso é de grande importância, e eu gostaria de saber sua opinião…

    A história prossegue com Bastian adentrando pelo reino de Fantasia. E ele faz isso construindo novos fantásticos lugares, e seres ainda mais fantásticos, e revificando lugares que antes haviam sido devorados pelo Nada – o mal que tinha se abatido sobre Fantasia e que fez a imperatriz Criança adoecer, gerando a vinda de Bastian…

    Mas como Bastian reconstrói Fantasia? Com o poder de Aurin, e, dos seus desejos. São os seus desejos expressados que reconstroem lugares antes devastados, e que tornam rico e sem fronteiras o reino de Fantasia outra vez… No entanto, a cada vez que Bastian cumpre um desejo seu, esquece algo de sua vida do lado de fora, isto é, do mundo do ego vigil, onde ele deixou o pai, um viúvo meio depressivo, e nenhum irmão, nenhum amigo especial, algumas lembranças tênues de uma mãe querida, porém distante e doente, e embaraçosas pendências com alguns colegas de escola – Bastian é um menino de nove anos bastante comum, com todos os problemas característicos de uma criança dessa idade…

    Acontece que nem todos os desejos de Bastian são altruístas, é claro, alguns são até bem egoístas, outros severamente egoístas. Desde a vontade de ser reconhecido por todos como o mais bravo, o mais forte, o mais belo e bem vestido e corajoso ser de Fantasia, até ser a própria alma de Fantasia, o que equivale se proclamar novo “imperador” de Fantasia… Bastian reflete, antes da sua óbvia queda, de que ele foi predestinado pela própria imperatriz Criança quando esta lhe confiou o Aurin. Não preciso dizer mais nada, não é? Na sequência de suas desventuras ele perde as graças das pessoas que mais amava, as que eram verdadeiramente suas amigas, principalmente falta-lhe o seu grande companheiro de jornada, Atreiu, a quem ele fere mortalmente em um equivocado combate…

    Quando Bastian se dá conta, se vê sozinho, e começa seu doloroso retorno… Talvez esteja nesse retorno das partes mais bonitas do livro, pois o próprio Bastian vira o herói de si mesmo. Os lugares pelos quais passa e as aprendizagens que faz, estão entre as mais tocantes da história toda, mas em que ainda precisa deixar um desejo a cumprir e uma memória a apagar…

    Até que ele chega ao lugar mais fantástico de todos: a Mina das Imagens. Bastian chega ali já quase sem esperanças, ali é o seu último lugar possível, destinado apenas àqueles que se esqueceram de tudo, até dos próprios nomes… A dimensão é ser tragado para sempre pelo inconsciente, não dói, não causa desconforto, apenas um vazio imenso, ou, quando a tristeza vira melancolia, como diz Freud da melancolia em “Luto e Melancolia”…

    Nessa mina há um velho minerador, frugal e taciturno, que recebe Bastian em sua casa e que desce todos os dias à mina para extrair da terra filigranas delicadas – que são as memórias e sonhos das pessoas do mundo inteiro. Sim! Aqui é um evocativo direto ao Inconsciente Coletivo do Jung.

    A tarefa principal de Bastian é verificar se entre todas as filigranas dispostas a céu aberto, e nem todas chegam íntegras, se alguma imagem lhe desperta alguma familiaridade, que seja uma memória sua – pois Bastian não pode adentrar nas Águas da Vida sem memória. Olha, Bastian é um menino realmente valoroso, e por isso ele acha uma memória sua: a figura de um dentista no seu ambiente de trabalho (seu pai), sério, pálido, imóvel, envolto que está por um bloco de gelo…

    Não vou contar a sequência, que dá tudo certo, afinal isso aqui não é um conto de terror… rs

    Mas cheguei até aqui para falar da Verdadeira Vontade, que é exatamente isso o que eu penso e não sei como poderia colocar em outras palavras: os desejos são o nosso único caminho possível até a Verdadeira Vontade, assim como indica a pista do Aurin “faça o que quiser”, numa clara relação com a Lei de Thelema. Assim, num sentido amplo e adulto, o sexo (e não estou falando de amor) e o poder estão, necessariamente, envolvidos no caminho de descoberta de nossa Verdadeira Vontade…

    Mas não são os desejos a nossa Verdadeira Vontade, nem a sua realização. Apenas o caminho de descoberta até ele, ou melhor, ela… Pois desejos, no tocante a sexo e poder (que envolve política, relações, dinheiro, trabalho), ao mesmo tempo que nos satisfazem por um lado, por outro revelam os demônios que temos em nosso interior. Assim, com uma mão nos dão algo e com a outra nos tiram – no caso de Bastian, retiravam a memória de quem ele verdadeiramente era.

    Será então que é aqui que os deuses viram arcontes? Não sei, me diga vc, Adi… Mas é mais ou menos assim que entendo a coisa toda, por onde nós chegamos ao cerne do Si-mesmo, nos conduzindo pelo caminho dos desejos, por eliminação dos erros, por tentativa de realização de vãos desejos até chegarmos aonde verdadeiramente importa, nossa Verdadeira Vontade. Que no caso de Bastian em A História Sem Fim foi a única imagem capaz de despertá-lo do torpor do inconsciente, da indiferença indiscriminada reinante no inconsciente, saber que ele precisava derreter a capa de gelo que imobilizava o seu pai – coisa que ele fez, mais tarde, com o amor que sentia pelo pai…

    Será que é por isso que se diz no cristianismo que é preciso morrer para viver na vida eterna?

    Adi, desculpa a extensão das minhas vagas questões, sei que é assunto do seu interessa tb, sei que vc é estudiosa e talvez até praticante de Thelema ou algo semelhante, mas te fiz egoisticamente me ler até aqui, apenas na esperança de uma possível troca… mas não se iluda que eu não me iludo – estou eu aqui apenas cumprindo o caminho dos meus desejos, querendo me valer dos seus conhecimentos… 🙂

  4. adi said

    Oi Sem,

    É exatamente o beijo do despertar, o da coniunctio com o animus/anima, como o do poema do Fernando Pessoa citado por você, e creio também como você, como o despertar para um novo processo, um novo começar, agora o da vivência espiritual, mas não o final, ultimo limiar ou realização última. Na minha opinião é a confirmação do que se diz a “travessia do abismo”, mas o início de uma nova visão mais ampla e mais livre em acordo com a “Vontade Divina” (essa a verdadeira vontade, rs), que à partir desse momento passa a ser sem a interferência do ego.

    “Adi, eu gostaria que agora vc me tomasse como uma aluna e um tanto incipiente, a quem se deve explicar tudo, com vagar, desde o princípio… vou aproveitar que vc tocou nesse assunto para dirimir certa dúvida que me acompanha já há algum tempo: qual o real significado dessa Lei de Thelema “faze o que tu queres, há de ser tudo da lei”, (se tem diferença) “…há de ser o todo da lei”.”

    Fico lisonjeada, mas eu não sei se teria algo pra ensinar, aqui eu mais aprendo pra dizer a verdade e nesse sentido sou uma aluna como todos que sempre está aprendendo, mas eu entendi o que você quis dizer como um compartilhar e dividir “nossas dúvidas” rsrs. Quisera eu ter respostas, um pouco de experiência talvez, mas nada além disso.

    Sobre essas frases de Thelema,como é um assunto muito complexo pra colocar num comentário, achei melhor colocar num post, assim mesmo que ocupar espaço não tem problema, né? Só pra adiantar, no meu entender “faze o que tu queres…” é a mesma coisa que “Verdadeira Vontade”, e praticamente a mesma coisa que “Amor é a lei, amor sob vontade”, mas vai ficar mais claro no post.

    Quanto a pessoa controversa que Crowley foi, realmente não diminui os ensinamentos de Thelema, tem muita coisa boa que não dá pra descartar, mas claro sempre se utilizando do bom senso do tipo: se utilize do que pode ajudar e descarte o que pode ser um peso morto. Acho que em todas as filosofias, religiões, ou o que pode ser considerado “mapa do caminho” tem coisas que acrescentam muito e tem coisas que não fazem diferença alguma, o importante é não se apegar achando que aquilo é “o =único= caminho, verdade e a vida” e nenhum outro, nenhum caminho é, rsrsrs. Eu não sou praticante de Thelema, mas sobre assuntos de além de Tiphareth, pra nossa mentalidade ocidental, tem conteúdo muito bom, das poucas escolas que se presta a esses esclarecimentos. Claro que tem que filtrar, tirar o exagero do soar de cornetas e rufar dos tambores que Crowley floreou em seus escritos a lá livro das revelações tal qual o apocalipse, enfim, fora isso, contém verdadeiras pérolas.

    No final do seu comentário, você tocou num ponto importante e até certo ponto enigmático, por causa dos segredos, dos ensinamentos velados, e por isso mal compreendido e interpretado, um aspecto que segundo consta Crowley praticou e abusou de magia sexual em busca da coniunctio final, enfim, claro que sexo e poder se relacionam e claro nesse meio de caminho se encontra “amor”, mas amor não da forma de drama ou dessa forma menor que conhecemos como apego, amor egoísta e de posse, talvez esse seja apenas um fragmento do significado mesmo do amor, que talvez num sentido mais abrangente seja lei de atração e de junção, de união entre opostos, e que num sentido depois de Tiphareth, já em daath, é amor sexual, ou seja, se trata de união sexual. Por coincidência ou não de você tocar nesse assunto, eu já havia começado um esboço de dois posts de assuntos que gosto muito, um seria depois de tiphareth sobre o seu oposto, aquilo que consideramos como o anticristo, também conhecido como energias dos qliphoth um pouco antes do abismo, pois é ele o guardião da porta do abismo, e o outro assunto pra depois desse, seria sobre daath novamente, mas logo após/depois do abismo, sobre o papel da energia sexual nessa questão, e como está totalmente relacionado com daath. Porque é em daath que se resolve a questão das polaridades ou dos opostos no indivíduo, e claro se relaciona com a subida da kundalini até o chacra visudha, razão desse post aqui sobre o beijo…

    Bom, vou começar o outro post sobre o que entendo sobre verdadeira vontade, acho que fica pronto amanhã, 🙂 … mas de fato não se iluda, não é nada muito diferente da sua concepção.

  5. Vegetal said

    Teh??

    Achei seu blog!!

    Onde esta voce???

  6. Alê said

    Vegetal,

    Isso aqui não é orkut!

    Isso é blog e é para comentar sobre os posts!!

    Para ser sincera, também não entendi muito bem esse negócio de beijo!! 🙂

  7. lilika said

    Legal!!! hihihi…
    … e é interessante notar que o Jesus do cristianismo nasceu, de certa forma, através de um beijo…

    Não fosse o beijo de Judas, o mundo hoje seria outro…. mas isso é complexo…

    Bjokas 🙂

  8. adi said

    Oi Lilika,

    ” Não fosse o beijo de Judas, o mundo hoje seria outro…. mas isso é complexo… ”

    Pois é!! e bota complexo nisso, 🙂

    Bjs

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