Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Ilha do Medo – de volta à realidade?

Posted by adi em outubro 7, 2011

Agora sim, o post mais caprichado sobre Ilha do Medo. Não sei quantos de vocês já assistiram ao filme, em todo caso, aviso que contém spoilers. Aqui, um pouco mais de detalhes sobre o elenco.

Ilha do medo não é um filme fácil de entender, e talvez por essa razão algumas pessoas não gostaram do filme, além do mais, muitos esperavam um filme de terror ao estilo sobrenatural ou coisa do gênero, e se decepcionaram ao perceber que se tratava de um suspense psicológico que lembra os clássicos de Hitchcock.

Martin Scorsese usa de muita genialidade na direção, além da bela fotografia, e claro do elenco primoroso que vem coroar essa ótima produção, ele se utiliza de um cenário onírico enfocando o ponto de vista do personagem principal. A narrativa gira em torno da visão de Teddy e de suas percepções e suspeitas com relação ao que se passa na ilha, tudo muito bem acompanhado por uma trilha sonora de tirar o fôlego.

O filme começa com o agente federal Teddy (DiCaprio) e seu parceiro Chuck (Ruffalo) numa balsa indo para a ilha onde fica o Hospital Prisional Psiquiátrico Ashecliffe, investigar o desaparecimento de uma paciente. O clima é de um cinza pesado e denso e pra ajudar, uma terrível tempestade está chegando à ilha. Seu parceiro de trabalho é novo e inexperiente, eles acabaram de se conhecer. Contando um pouco sobre sua vida, Teddy diz que já fora casado, mas que sua esposa morreu num incêndio no prédio em que eles moravam, causado por um incendiário.

Chegando na ilha, já começam a investigar o desaparecimento da paciente chamada Rachel Solando, que está presa por ter assassinado seus três filhos afogados no lago que ficava atrás de sua casa. Segundo o médico diretor e responsável pelo Hospital, Dr. Cawley (Kingsley), Rachel não acredita que seus filhos estejam mortos, que em dois anos na ilha ela nunca acreditou que estivesse em uma instituição, para tanto, criou uma ficção elaborada na qual todas as pessoas da ilha tivessem papéis a interpretar. O maior obstáculo da paciente era a sua recusa em aceitar a realidade do que havia feito.

Não resta dúvida que ocorreu uma fuga muito intrigante, já que o acesso à ilha só é possível pela balsa que é totalmente controlada pelos guardas. Há três alas no hospital, a ala A masculina, a ala B feminina e a ala C de segurança máxima, para os pacientes de alta periculosidade, ali nem mesmo os agentes podiam entrar e investigar. Houveram buscas por toda a ilha, mas nenhum vestígio da paciente. Interrogando os funcionários, ninguém viu como, nem sabe como ocorreu o desaparecimento da paciente. Naquele mesmo dia, eles são convidados por Dr. Cawley de após o jantar irem à sua casa fumar um charuto e conversarem, lá o agente conhece Dr. Naehring, outro psiquiatra  do Hospital, e Teddy fica com péssima impressão do médico ao descobrir que o mesmo é alemão, o que traz lembranças de seu tempo de guerra na Alemanha.

Teddy é um agente experiente e treinado, inteligente, ex-oficial que serviu na segunda guerra mundial e conduziu a tomada de forças no campo de concentração nazista em Dachau. Por isso ele começa a desconfiar que há outras coisas acontecendo na ilha além do desaparecimento da paciente. Corroborando com suas suspeitas, os guardas que lá trabalham não facilitam em nada a investigação do agente, muito pelo contrário, ele sente como se todos na ilha estivessem escondendo algo. Ele começa a suspeitar que havia experiências e práticas não autorizadas por parte dos médicos, experiências do tipo que os nazistas faziam no campo de concentração para tornar os prisioneiros dóceis, como zumbis, experiências essas de “lobotomia”. Somando-se a isso, Teddy confessa a Chuck que sabe que na ala C do Hospital está preso o criminoso Laeddis responsável pelo incêndio que matou sua mulher.

Esse é o quadro geral da trama que segue até a metade do filme, e à partir desse momento se desenrola um intricado quebra cabeça psicológico envolvendo Teddy e levando o telespectador em várias direções, tendo sua revelação surpreendente no final do filme. Seguindo as pistas e suspeitas do próprio Teddy, tudo indica que há uma conspiração sendo criada por todos para mantê-lo cárcere na ilha.

Desde o momento que Teddy chegou à ilha, vem sentindo fortes enxaquecas e começa também a ter terríveis pesadelos, e desde então, tem recebido medicação diretamente do Dr. Cawley. Para apimentar ou confundir ainda mais, em meio a alucinações Teddy tem um misterioso encontro com a suposta real Rachel Solando dentro de uma caverna no penhasco, que se diz médica psiquiatra e que lhe explica que é o cérebro que controla tudo, controla a dor, o medo, a empatia, o sono, a fome, a raiva, tudo; é no cérebro que a realidade se forma, por isso as cirurgias de lobotomia para controlar os pacientes de Ashecliffe realizadas no farol da ilha. Diz ainda que há fortes indícios de que Teddy vem sendo medicado com psicotrópicos e alucinógenos para confundir seu estado de sanidade.

Mas não podemos esquecer que é a partir da visão de Teddy que vemos o filme, onde alguns dos personagens de alguma forma ocultam e representam aspectos de sua própria psique e que começa a se mostrar muito perturbada nesse momento. E nesse sentido o filme é como uma tela onírica e confusa da mente do próprio Teddy. Em seus pesadelos, sua esposa diz que ele tem que “acordar” e também pra deixá-la ir. Scorsese faz um jogo de evidencias que tanto indicam a insanidade de Teddy, bem como uma possível conspiração contra Teddy.

Há 3 fantasmas que perseguem o personagem principal praticamente desde o começo do filme, e que ele tem que resolver. Primeiro é a personagem de Rachel Solando, a mulher assassina dos próprios filhos. Depois é o problema de saber que o responsável pela morte de sua esposa, o tal do incendiário chamado Laeddis, que o perturba como uma sombra, está internado na ala C da ilha e ele tinha que encontrá-lo, e em terceiro era a suspeita de que havia as experiências ilegais de lobotomia sendo praticada pelos médicos no farol da ilha. Todo esse suspense e investigação em meio a uma terrível tempestade que chegou na ilha, eleva o clima a surrealidade.

Depois de muitas voltas em busca da verdade, Teddy consegue chegar ao farol, único lugar possível de encontrar evidências e provas para suas questões, e dolorosamente tem que confrontar-se com a realidade que há dois anos tem fugido. Independente se Scorsese utilizou de elementos simbólicos, me pareceu muito sugestivo já que “ilha” representa uma área insulada da psique, sobre a qual um indivíduo possui um conhecimento limitado pois não consegue ligação com o resto da personalidade consciente, uma vez que está contida pelo mar, num simbolismo este que se refere a parte inconsciente da psique, é portanto o símbolo do isolamento. Também é muito sugestivo que Teddy desperte de seu surto psicótico no “farol” da ilha, e que “farol” assim como lâmpada indiquem a tomada de consciência e clareza da mente.

Lá Teddy tem um contato brutal com a realidade concreta que o traz de volta a si, encontra quem ele estava procurando “Laeddis” – que é ele próprio, assassino de sua esposa depois que esta matou os três filhos.


Desde o ocorrido, a realidade tem sido dura demais pra ser aceita, o trauma e culpa muito maior do que ele podia suportar, por isso ele entrou em surto psicótico se escondendo atrás do personagem fictício Teddy, que carregava somente o que de melhor e bom havia restado de Laeddis, ou seja, seu condecorado serviço prestado na guerra, seu honrado serviço como agente federal, mas reprimindo totalmente sua parte sombria ao Laeddis, o assassino, o alcoólatra, o culpado e responsável pela morte da esposa e dos filhos. Essa fortíssima repressão desencadeou a psicose, e seu passado reprimido passou a ser seus fantasmas e seus piores pesadelos. Ao mesmo tempo que uma parte dele reprimia todo o passado, de outro lado sua psique buscava a compensação através de sua fantasia, onde em sua estória fictícia ele era o agente a procura dos seus próprios aspectos negados, onde ele inconscientemente sabia que caso não voltasse a si, seria lobotomizado.

No caso de Laeddis a terapia com medicamentos não surtia resultado, ele havia sido muito bem treinado em combate e também como agente federal, um homem educado e criado para a violência, portanto o paciente mais perigoso da ilha. A única e ultima alternativa era trazê-lo de volta à realidade através de uma tentativa inovadora de terapia, o “psicodrama”, ou caso contrário, a lobotomia. Por isso todos desempenharam os papéis da estória que ele vinha repetindo há dois anos. No farol, naquele momento após o confronto, dolorosamente ele aceita sua realidade, ele se lembra quem ele é e do motivo pelo qual ele estava preso.

No outro dia pela manhã, Laeddis ou Teddy está sentado na escada da entrada principal do Hospital, Dr. Sheeham (Chuck) se aproxima e lhe oferece um cigarro perguntado como ele estava? a conversa se desenvolve e o personagem de DiCaprio diz: precisamos sair dessa ilha Chuck. Dr. Sheeham faz sinal negativo aos dois médicos que aguardavam a distância, estes com olhar de decepção trocam palavras com o capitão da guarda, e guardas e enfermeiros vão ao encontro de Teddy.

Teddy diz : – Esse lugar me faz pensar: o que pode ser pior, viver como um monstro ou morrer como um homem bom? e se levanta e vai de boa vontade ao encontro dos enfermeiros.

Scorsese deixa a ultima questão para cada um interpretar a sua própria maneira: No ultimo momento, ele estava de volta à realidade ou não?

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8 Respostas to “Ilha do Medo – de volta à realidade?”

  1. Elielson said

    Vale chamar a atenção tbm para a clara referência da violência como sendo escapismo, o enfretamento violento como sendo fuga. Não acredto que as cisões na mente cheguem a tal profundidade, o drama que o paciente representa pra si mesmo é uma fantasia, mas não acredito que substitua a realidade em 100%, talvez por isso a concordância foi o que fez a fantasia ficar sólida, por que pro ego só existe caminho se outro ego vem ao seu encontro, e nesse caso ok, veio para resgatar, mas no mundo como vejo, eles vem para participar da fantasia e torná-la substituta da realidade. Então o ego a serviço da consciência tem seus efeitos benéficos, se é utilizado para enfraquecer outros egos, mas até onde vai o controle sobre isso?
    Vou tentar me fazer compreender… Existem as cadeias das paixões, paixões por simbolos que são fuga, sempre, e paixão por vida, paixão pelo não-simbolizavel, algo que levado a sério durante toda a vida nunca parecerá são aos circunvizinhos. Para parecer são aos circunvizinhos a pessoa deve não só aderir ao vocabulário como ao espirito do território em que vem a ser. O vir a ser deve observar todo o procedimento social com a lente da normalidade, e considerar termos que se contradizem sem trazer o escandalo. Em meio a isso a opção mais confortavel, é dar as costas ao ponto cego e enfrentar o que puder ser enfrentado, porém quando se enfrenta o simbolo chama-se atenção ao ponto cego, e isso não é recomendavel. O psicodrama social deve dar oportunidade para que possamos mergulhar na fantasia do povo, integrando o monstro, mas devemos saber que as atividades do povo enquanto massa são originadas do trauma em comum.

  2. adi said

    Oi Elielson,

    “Vale chamar a atenção tbm para a clara referência da violência como sendo escapismo, o enfretamento violento como sendo fuga.”

    Acho interessante que no filme os psiquiatras se referem a violência como “mecanismos de defesa” e mais interessante ainda a evidência do personagem de DiCaprio ter sido “educado” para a violência, e daí surge uma questão que pouco damos conta: até que ponto nós somos o que somos simplesmente porque fomos educados para ser?

    ” Não acredto que as cisões na mente cheguem a tal profundidade, o drama que o paciente representa pra si mesmo é uma fantasia, mas não acredito que substitua a realidade em 100%, ”

    Naturalmente no filme há um certo exagero, muito embora, não podemos negar que há relatos de casos verídicos onde o indivíduo aparentemente normal surta violentamente, é internado e depois recupera a sanidade ou normalidade, retornando para a sociedade.

    “O vir a ser deve observar todo o procedimento social com a lente da normalidade, e considerar termos que se contradizem sem trazer o escandalo. Em meio a isso a opção mais confortavel, é dar as costas ao ponto cego e enfrentar o que puder ser enfrentado, porém quando se enfrenta o simbolo chama-se atenção ao ponto cego, e isso não é recomendavel. O psicodrama social deve dar oportunidade para que possamos mergulhar na fantasia do povo, integrando o monstro, mas devemos saber que as atividades do povo enquanto massa são originadas do trauma em comum.”

    Mas como identificar o “trauma em comum” que nos mantém prisioneiros em nossa “normalidade de massa”, que nos cega para a verdadeira realidade de sermos um indivíduo único, pleno e realizado? Me parece justo que muitas vezes a doença psíquica é uma busca por uma realidade fora da realidade padrão e regra geral, uma saída desesperada e quebra da aceitação do padrão e norma imposto pela sociedade, por isso mesmo ele é excluído e mantido à margem dela. Muitas vezes a patologia tem a função auto-reguladora ou transformadora de retirar o indivíduo e trazê-lo de volta com maior plenitude e consciência e fora da regra geral que nos massifica.
    E o ponto mais importante é saber que enquanto o indivíduo está identificado com a mentalidade de massa está mais longe de sua verdadeira identidade. A consciência de massa não tem nada relacionado com o plano arquetípico, que pela nomenclatura do começo dos estudos de Jung, foi designado como inconsciente coletivo, e todo mundo interpreta errado, pois que quando falam dele se referem propriamente ao “consciente coletivo”, e é justamente o contrário.
    E mesmo havendo esse trauma em comum, a saída é individual, é cada um por si, cada vez mais solitário… esse vazio e solidão é o mais difícil suportar…

  3. adi said

    Apesar que, no caso o filme, eu entendo que a psicose é uma tentativa desesperada de fuga da realidade, e isso me remete a uma outra questão: – de certa forma, em menor ou maior grau, cada indivíduo meio que distorce a realidade pra também fugir daquilo que é dolorido de aceitar em si. Geralmente se mascara a realidade do que de fato o indivíduo é, atrás de uma aparência idealizada do que gostaria de ser. Atualmente a “mídia” dita padrões e estereótipos de beleza, moda e comportamentos que fazem as pessoas ir em busca da tão sonhada estética, felicidade e sucesso que a mídia vende tão bem. Mas não é tão simples, e isso traz imensa frustração consigo próprio. E essa é a “norma” ou regra que a cultura quer imprimir na sociedade, e todo mundo tem que seguir, caso contrário é aquele sujeito estranho, solitário, fora de moda, fora do grupinho, portanto desprotegido que todo mundo quer atacar. Os diferentes são sempre marginalizados na sociedade.

  4. Elielson said

    Faz muito sentido tudo que disse Adi.
    Parece que já nascemos com a vaga mental suscetivel a suposições, e ao mesmo tempo que essa vaga é abastecida com informações que nos fornecem a educação para se obter o que é realmente necessário, ela também é abastecida com algo que nos destaca da percepção sobre a necessidade imediata, talvez para que consigamos manter provisões mais duradouras, para que os individuos se preparem para a concorrência animal, para que possamos dançar a dança da natureza.
    Um terceiro item a preencher essa vaga nos leva a suposições menos factuais, chamam de fé aquilo que nos direciona além dos limites do ser, mas a duvida tem mais efeito frente a realidade, porém a eficacia da duvida tbm é limitada, então aonde a fé pode nos levar no que diz respeito as justificativas da existência?
    Ao ter contato com necessidades e suprimentos de necessidades, elevamos a função orgânica a função racional, e nos viciamos em porquês e respostas, assim pensamos na necessidade de termos nascido, e não podemos voltar atrás nessas observações, que até são brandas enquanto a vida não se faz sentir, mas quando a vida se faz sentir, quando ela mostra a impotência do ideal e da matéria, dos mundos possiveis e do milagre, hmm, fica complicado, e então pode o ser entregar-se para qualquer salvação, se reduzindo ao prazer de outro, a justificativa final que interessa a muitos.
    E é assim no que diz respeito a afetação, a fantasia de muitos ditando a realidade de todos, ou a fantasia de poucos, ditando a fantasia de muitos, limitando a realidade de todos.

  5. adi said

    ” Parece que já nascemos com a vaga mental suscetivel a suposições, e ao mesmo tempo que essa vaga é abastecida com informações que nos fornecem a educação para se obter o que é realmente necessário, ela também é abastecida com algo que nos destaca da percepção sobre a necessidade imediata, talvez para que consigamos manter provisões mais duradouras, para que os individuos se preparem para a concorrência animal, para que possamos dançar a dança da natureza. ”

    Isso que vc falou acima é equivalente as nossas pré-destinações cármicas, sem tirar nem por. 😉

    ” Um terceiro item a preencher essa vaga nos leva a suposições menos factuais, chamam de fé aquilo que nos direciona além dos limites do ser, mas a duvida tem mais efeito frente a realidade, porém a eficacia da duvida tbm é limitada, então aonde a fé pode nos levar no que diz respeito as justificativas da existência? ”

    É o que eu acho também. A fé tem esse poder mesmo de direcionar além dos limites do ser, esse é o objetivo da fé que é conduzir à experiência direta que transforma o indivíduo em conhecedor, e então o indivíduo não mais crê, ele conhece. O problema é que a princípio a fé em determinada religião ou crença de certa forma também foi “imposta” pela sociedade, e o perigo da fé no dogma sem a vivência é a literalidade ou o fundamentalismo, que é uma forma de prisão cega. Daí, a dúvida ser muito saudável, questionar sempre, não aceitar simplesmente porque dizem ser assim. Talvez o bom senso, e por isso mesmo o mais difícil, seja caminhar no fio da navalha como se diz, no limite entre crença e descrença.

    ” mas quando a vida se faz sentir, quando ela mostra a impotência do ideal e da matéria, dos mundos possiveis e do milagre, hmm, fica complicado, e então pode o ser entregar-se para qualquer salvação, se reduzindo ao prazer de outro, a justificativa final que interessa a muitos.”

    De certa forma, cair na realidade sem subterfúgios, sem ideal, sem muletas, sem milagres e mestres ou salvadores, é muito complicado como vc diz, aliás o realmente complicado. É caminhar com as próprias pernas, é sair do grupo, por isso é um caminho extremamente solitário. É muito mais reconfortante ter o apoio de alguém mais experiente… mas não muda muita coisa, né? Você apenas deixa de seguir o que o padre diz, pra seguir o que o guru diz…. Sei lá, de qualquer forma é ainda uma muleta… e aí percebemos o quanto a mentalidade de um modo geral, (pra não dizer nós todos, rs) se apega ou se entrega a essas propostas de salvação ou libertação mesmo que seja libertação da própria religião, sejam elas quais forem. Do ateísmo ao panteísmo, e passando nesse meio por todas as crenças, não deixam de ser apoios, estamos todos no mesmo barco. Agora, a questão toda é que por trás das crenças, sejam elas quais forem, há o real e verdadeiro que a utiliza como representação e como símbolo, mas não é a coisa em si. A “Coisa em si” quando expressada é limitada, quando manifestada é limitada, por isso a “Coisa em si” só pode ser experienciada, pois sempre quando a “coisa em si” ganha uma forma ou uma roupagem, ela se torna uma crença, uma mentira por assim dizer, que no fundo, bem lá no âmago esconde o real… este é o paradoxo.

  6. Alê said

    Adorei o Post sobre o filme! Este é com certeza um dos meus filmes favoritos.

    É engraçado como ele realmente apagava tudo de sua mente, mesmo após vivido dois anos como paciente da ilha, ele não reconhecia sequer o médico que tratava dele.

    Chuck, seu parceiro, era o mesmo Dr. Sheeham, que conhecendo muito bem seu paciente, consegue consquistar sua total confiança.

    Em nenhum momento, os funcionários e médicos do Hospital, deixam que ele desconfie que ele mesmo é também paciente. Ele era como um fita, tocando e repetindo a mesma coisa over and over again.

    Na mente de Andrew, ele havia matado muita gente na guerra, e conta que assassinara muitos guardas que haviam se entregado e por isso se tornou alcolatra. Na verdade, ele não matou nenhum guarda, então porque ele tem essa falsa memória??

  7. Elielson said

    É, parece que o filme tem essa hipótese perturbadora, de realmente ser uma arapuca experimental. Outra coisa que me pareceu estranha foi a presença daquele cara do exército, não é tão real quanto as outras, viagem a parte, era diferente, e foi a presença que mais deixou duvida em relação a finalidade da presença do Teddy na clinica, além do Cayce todo lanhado, sem deixar claro de quem realmente levou uma sova, e com uma conversa de conteúdo dúbio. No mais, é só tirar o chapéu pro roteirista, que amarrou todas as pontas com nós frouxos.

  8. adi said

    Tenho estado meio ausente aqui do Anoitan, primeiro por causa de uma gripe muito chata e quando melhorei estou lotada de coisas pra fazer e sem tempo até pra responder comentários…. o bom disso é que estou indo de férias pro Brasil já nessa semana e que gostoso matar a saudade, mas tenho muitas coisas pra fazer aqui antes de ir, por isso meu sumiço.

    bjs pra todos.

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