Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Sobre a prática

Posted by adi em setembro 29, 2011

Embora o assunto vez ou outra tem sido sobre os rituais, há uma gama enorme de práticas disponíveis. Em termos de rituais, além dos tão já bem conhecidos RMP ou RPM, pode-se encontrar tipos similares de magia imaginativa e invocativa. Meditação de vários tipos também, com respiração controlada ou com visualização, com movimento e respiração, com semente, sem semente, mente vazia, enfim, há vários tipos de práticas meditativas. E claro que todos esses métodos são muito válidos, e se pode obter excelentes resultados com essas práticas, inclusive podendo levar à realização final.

É ilusão acharmos que há uma prática melhor ou mais importante que a outra, simplesmente há a prática mais adequada ao tipo de pessoa e ao momento em que esta se encontra. Uma prática não exclui outra. Naturalmente, pessoas com disposição introvertida, muito provavelmente se adaptam melhor à meditação ou lidando com as forças arquetípicas de forma interior, enquanto indivíduos com disposição extrovertida se adaptam melhor ao ritual ou lidando com essas mesmas forças de forma exteriorizada, nada impedindo que se adote ambas as práticas conjuntamente.

Também compreendo que cada tipo de prática está destinada a um certo propósito, ou resultado a se obter. Se você deseja secar lençóis molhados com o calor do seu corpo, tal qual os monges tibetanos, não vai adiantar praticar um ritual de banimento, nem mesmo uma meditação sem semente. Se faz necessário anos de prática em meditação, ter os chacras abertos e então conduzir a energia espiritual através da imaginação e respiração em simultâneo.

Muito embora, as práticas terem aparentemente finalidades diferentes, no fundo  elas se destinam ao despertar da potencialidade e realização espiritual no indivíduo. E sendo um pouco reducionista agora, esse despertar espiritual implica em abrir ou despertar os chacras, que é a mesma coisa que integrar os bloqueios/complexos psicológicos que por consequência estão ligados as tensões corporais, deixando o caminho livre entre o corpo físico, a psiquê e o espírito, assim a energia espiritual flui em simultâneo nas esferas de percepção ou pode ser direcionada de acordo com a intenção. E então percebemos  que  também se encaixa perfeitamente como prática a Psicologia Analítica, visto que o despertar espiritual envolve a resolução dos conflitos pessoais e internos em relação com o exterior.

Por este motivo se diz que meditação e ritual no fundo são a mesma coisa, ambas visam a concentração e o despertar daquela imaginação que não é a mesma que, e não pode ser comparada ao pensamento. Esta concentração leva além da mente intelectual, onde se pode contatar a força espiritual.

Algumas pessoas em relação às práticas, ou da magia/ritual ou meditação, visam principalmente estabelecer contato com a essência espiritual. Já outras pessoas  buscam desenvolver poderes psíquicos, ou efeitos sobre o material, e isso também é possível, mas não significa que quem tem poderes psíquicos desenvolvidos é mais espiritualizado do que outro que não tem. Os poderes psíquicos são de natureza do plano astral, está inserido nessa faixa de vibração onde a força espiritual é de natureza de maya, ou seja, da forma ilusória, por isso, exerce sobre o praticante enorme fascínio. E pode-se perder muito tempo impressionado com seus efeitos, tomando-os como a realidade espiritual sendo que não passam de um símbolo da mesma.

Uma outra prática, não tão conhecida ou difundida, mas adotada em Psicologia Analítica, consiste em se trabalhar com os sonhos. Ao acordar e antes mesmo de levantar, o indivíduo se foca em memorizar todo o conteúdo onírico, ou quem tem dificuldade em lembrar dos sonhos pode anotar os sonhos logo ao acordar; depois o indivíduo vai trabalhar com a interpretação da mensagem do inconsciente através de simbologia, porque a linguagem do inconsciente é metafórica e simbólica, uma boa dica que facilita bastante é consultar o manual de simbologia de Mircea Elíade – muito recomendado – depois, já sabendo melhor da mensagem, pode-se obter melhores resultados se utilizando da imaginação ativa e dando continuidade ao sonho, mas agora participando e dialogando com os personagens que caracterizam simbolicamente aspectos da psiquê. Pois como sabemos, todos esses personagens oníricos são partes constituintes de nosso próprio inconsciente. São partes de nós mesmos buscando consciência e integração, ou trazendo compensação a nossa parte consciente. A linguagem do inconsciente através dos sonhos é direta e na maioria das vezes muito esclarecedora. Vale a pena dar a devida atenção aos conteúdos oníricos como prática diária.

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2 Respostas to “Sobre a prática”

  1. Muito bom Adi

    eu acredito muito nisso tambem =D

    e uma vez escrevi até algo relacionado sobre isso

    http://inconscienteflutuante.blogspot.com/2011/08/o-pitar-do-preto.html

    se quiser dar uma olhadinha fique a vontade.

    End Fernandes

  2. adi said

    Oi End,

    Feliz em te ler aqui. 🙂

    Ficou muito bom seu post End, parabéns.

    Percebemos sim um preconceito velado com certos tipos de tradições espiritualistas e com certas práticas. O que o sujeito que critica não percebe é que as pessoas são completamente diferentes umas das outras, ainda por cima, dentro de nossa personalidade há aspectos culturais que nos induzem a ter mais afinidades com determinado tipo de prática. E nisso tudo, acrescentamos as diferenças das várias etapas do próprio caminho.

    A meditação funciona? claro que funciona; o ritual funciona? também funciona; a alquimia funciona? funciona também. A psicologia funciona? totalmente. No fundo todas buscam o mesmo objetivo: a transformação do indivíduo.

    É importante não ter apego a prática, não achar que a meditação por ex. seja melhor e mais correta que qualquer outra, ou que outro tipo de prática o seja. Eu penso que há a prática “mais adequada” ao momento, nada mais.

    Mais importante ainda é saber que a prática é “como um mapa que ajuda” a consciência a ter acesso a percepções além do nosso estado limitado de percepção. Mas não deve ser confundida com a própria percepção. Ou seja, o mapa não é o território.

    Abs
    adi

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