Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Erro de Português

Posted by adi em julho 20, 2011

Antes de mais nada, esse texto não é meu, é da Sem, na verdade um “comentário” muito bom e muito bem escrito sobre um tema controverso que ultimamente vem sendo muito discutido, inclusive entre os internautas.

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Sobre esse assunto, “erro de português”, assunto em pauta e recentemente discutido na mídia, e por gregos e troianos Internet afora, quando daquela polêmica do livro didático para a alfabetização de adultos, que continha “erros de português”…
Mas o que é o certo e o que é o errado na língua? E qual a relação disso com a pauta aqui discutida? Dói ler um erro – ah, dói!, mas, onde mesmo é que o erro dói? Em nossa falta por “não cumprir um dever”, como o Fernando Pessoa admitiu transgredir em seu poema “Liberdade”? E se eu errei, errei com quem? Se o erro faz parte da vida, de onde vem mesmo essa intolerância para com o erro? Da minha VONTADE de acertar ou do DEVER de acertar que nos foi embutido? Embutido, inculcado, “Inception”? Por “quem”? No xadrez existe um aforismo que diz “ganha quem erra menos”. Isso é muito verdadeiro, tanto no xadrez quanto na vida, mas, apenas, considerando-se os (bons) aspectos competitivos existentes entre as coisas… Então, escrever (ou falar, ouvir, pensar) é uma competição? Vence quem tecla com menos erros de digitação? Ou aquele que acentua as palavras mais corretamente, ou emprega os verbos no tempo e pessoa corretos, acerta na concordância, varia aos vocábulos? Escrever é, afinal, a “Arte da Guerra”, da Gramática ou da Comunicação? Escrever é uma arte, um dom ou exercício?
É tudo isso e mais um pouco ainda: escrever é uma ponte na qual me lanço para o encontro com o outro…


“Quem não se comunica se estrumbica!” Essa era uma das frases mais famosa de um lendário personagem de TV de há duas ou três décadas atrás: o Chacrinha. Todo mundo que tem pelo menos 25 anos deve ter assistido pelo menos um de seus programas… Eu nunca fui muito fã do personagem, mas dessa sua frase sim… Escrever é uma arte que envolve tudo: o escritor, o leitor, a língua, a cultura, a psique, e, geralmente, os ocultos e escassos valores por trás dos seus assuntos muitissimamente variados… Basta que uma só dessas partes se ausente, ou que se anule ou não se realize, para que a magia não aconteça… Acontece que tudo o que é visto para além da aparência, visto de sua perspectiva mais profunda e ao mesmo tempo mais ampla, percebemos as conexões que se faz com o todo…
Nisso quero me demorar ainda mais um pouco…

Assim, trago essa pérola do Oswald de Andrade, que, se estiver lembrado, já coloquei uma vez no Sopoesia, uma das mais belas joias entre tantas de nossa literatura, e que abriu aqui no Brasil a famosa Semana de Arte Moderna de 1922. O mesmo autor que foi o homenageado na Flip desse ano, por sua atemporal irreverência…

Poesia a qual invoco novamente, para que abra nossas mentes agora:

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Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
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Com todas as metáforas possíveis a que a poesia nos permite, muitas cabeças boas ainda hoje em nosso país andam fechadas a esse “erro de português”…

Na questão do livro didático, críticas que tiraram o contexto do livro, os porquês e para quem ele foi escrito, são críticas em geral mal feitas ou, pior, mal intencionadas, no sentido de impor suas agendas políticas ocultas.

Não sou linguista, mas sou educadora. Não li ao livro, mas li a opinião, conservadora ou transdisciplinar, de educadores e de linguistas que o leram. E tenho algo a dizer…

A língua é algo vivo e com ela não se aplica o conservadorismo, embora se aplique a tradição… E dentre esse contexto da tradição, da língua formalmente bem escrita e falada, a aplicação correta da gramática tem o seu lugar cativo. Ninguém melhor do que uma linguagem formal para preencher de contextos precisos a comunicação oficial de uma língua; é ela que nos dá, mais do que qualquer outra linguagem, significados comuns. Vide os Dicionários. Além do que existe a arte, de uma peculiar e sofisticada beleza ao se ler um texto “corretamente” escrito…
Lembrando sempre que o correto de hoje, nas línguas vivas, será o errado de amanhã… E não há problema algum nisso, a tradição viva costuma se adequar perfeitamente aos novos tempos, do contrário, ela estaria já morta…

Agora, contextualizar em educação, a uma fala ou a uma escrita, formal ou informal, essa questão é política. No caso a aplicação da política da transdisciplinariedade. Educação não é algo neutro e atemporal, é a algo que se faz no tempo e com intenção. É isso, será uma educação aproximada de um contexto “construtivista” (a palavra não é muito boa, seu significado é melhor) ou será o que comumente conhecemos por educação “clássica”, ou, “tradicional”. E se alguém não souber diferenciar bem entre uma coisa e outra, até para depois poder conhecer os diversos matizes possíveis entre uma e outra, escute com atenção aos que seus avôs têm a relatar de suas memórias escolares, isso foi a educação clássica no seu auge… Ou assista ao clip “Another Brick on the Wall”, do Pink Floid, e se quiser ainda comparar uma política da outra, as diferenças entre suas abordagens, veja ao excelente – e já um clássico – “Sociedade dos Poetas Mortos”… E não é que eu abomine aos clássicos, ao contrário, adoro todos os clássicos, mas, dentro do seu contexto…

Lembrando que nessa questão do livro didático, ele foi escrito para uma comunidade de adultos semi-analfabetos ou analfabetos completos, portanto, para homens adultos e que anteriormente já haviam sido reprovados pelo sistema formal de educação.
Não questionando os motivos pelos quais esses homens foram reprovados, nem entrando no mérito do livro ter sido bem ou mal escrito, defendo a ideia que ele sustenta de transdisciplinariedade, ou, da contextualização que ele sugere, da aplicabilidade, da utilidade e política por trás de todo ato educativo, em que não se pretende a alienação dos seus sujeitos. No meu entender o livro é, embora nada brilhante, a aplicação do método Paulo Freire de alfabetização – a quem eu admiro como exemplo de um grande educador. Ainda mais como método ideal de alfabetização para adultos, Paulo Freire é reconhecido no mundo inteiro.

Mas para entender a esse palavrão e – desculpe – palavreado todo, é preciso ter formação de educador. O que leva tempo e não se faz sem discutir política, cultura, sociedade, filosofia, história, psicologia…

Além do mais requer o cultivo de alguns valores norteadores, que são as nossas escolhas políticas, do como vamos dar acolhimento à diversidade ou nos fechar em nossos próprios interesses de classe, de cultura, etc…

A única coisa que eu posso fazer nesse momento, a quem desconhece o que seja a essa tal de “transdisciplinariedade”, mas que deseje desvendar e pegar pelos chifres a esse “bicho de sete cabeças”, indico esse texto introdutório e bem definidor do que ela é, cuja carta de princípios foi assinada por Lima de Freitas, Edgar Morin e Basarab Nicolescu há mais de 15 anos. Vale a pena dar uma olhada.

http://www.psicologia.org.br/internacional/ap40s.htm

Transdisciplinariedade é sim uma política de educação, agora dizer que ela é uma política do PT, é estar mais por fora que umbigo na praia. Longe, muito longe de ser do PT, é uma conquista da humanidade.

Quando se faz da língua uma guerra de interesses políticos, já é outra coisa que se está discutindo, não é mais a língua… Essa outra coisa oculta, e que pode ser linda (!), ou feia, magia negra ou branca…

Comecei com um poema e vou acabar com outro, não é do mestre Caeiro, é do pai do Caeiro. rs

————————————-
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é,
Sentir, sinta quem lê!
————————————-

(…) É o que eu penso disso, de falar certo e errado, como resposta a muitas besteiras que tenho lido desse assunto por aí…

Quero concluir com isso, para se saber quem é mestre, perceba a generosidade, no quanto ele é tolerante para com o erro do outro e severo para consigo mesmo… Já para descobrir o charlatão (aquele que quer se passar por mestre), veja no quanto ele é severo com o erro do outro e tolerante (ou cego) para com o seu.
E para saber quem está doente, quer dizer, obcecado com a ideia do mestre, perceba a intolerância, que deve ser generalizada…
Para saber quem é deus, esse não tem erro, é aquele que é tolerante, simplesmente isso…

Texto da Sem.

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7 Respostas to “Erro de Português”

  1. Elielson said

    Classe. E bota classe nisso. Mas é lógico que esse conteúdo aqui escrito tem que ser destacado, nossa, e vocês conseguem manter tudo coerente, e coerência é coisa que me falta, tem um homer em mim, ough! 🙂 Brincadeira a parte, educação é um ponto importante, mas não como tem sido imposta nesse País, como entrada pra mercado de trabalho, e toda escola vai te dar segundo grau, e toda universidade vai te preparar melhor pro mercado de trabalho, e é isso, apenas isso e mais nada, a educação institucional desse País, se não pros educadores, pros investidores de tais instituições, mas não vou dizer que parei de estudar por esses motivos, digamos, que parei de cultivar o alien em mim. Por um tempo, pelo menos enquanto criança, a educação tem que ser o apontamento, o afastamento dos riscos vitais que os seres impôem aos outros pela inocente animalidade, mas como falar em educação se ela já inicia no caos público? Ou seja, aquele animal puro, apenas com caracteristicas geneticas que não dizem respeito ao carater é obrigado a conviver com adultos que perseveram na tradição da morte,(no lar ou até mesmo nas escolas mais punks), e durante algumas horas em um instituto não há possibilidade concreta de bloqueio da influência dessa tradição. Assim a criança e seus “impulsos adquiridos” vão abrindo caminho pra qualquer coisa que a criança vai ser, sorte se cruzar o caminho de “interlocutores dispostos” como alguns que tive, azar se cruzar o caminho de um crapula disposto a dar exemplos mais nefastos, ou um crapula que esteja ai pra colher as flores da miséria, pois tem muito, muito, (e pra quem acha que isso é pessimismo : muitos muitos muitos) dessa espécie rondando o mundo. Crias do sistema? Em parte, não é mesmo. A violência é esportiva, tradicional, convencional quando as palavras acabam, e o animal balbuciante fica nu, mesmo fazendo uso de palavras, nu. Porém há, em toda criança, a chance de amestramento desse animal, e não é um amestramento no sentido: Ei: repita comigo! É um amestramento que diz, Ei : esteja pronto a amestrar-se! E quando o mestre de si mesmo sentir-se grato, só há uma maneira de ser grato!
    Mas isso pra falar apenas de um tipo de educação, que é a escolar, se formos expandir o conceito de educação institucional, vemos coisas bem mais perigosas, e muito mais no que se trata de educação para adultos, mas não to dizendo isso com o minimo de esperança que desistam dessas educações, to só observando que culturas prontas impõem comportamento e comportamento imposto é cartilha pra se ler, e lê quem escreve. Já que estamos falando de escrever né…
    Todos aqueles que se apaixonaram por utopias na juventude sabem que a educação ideal está longe daquela que sabendo do direito que tem sobre as coisas, se empenha mais em saber como aquele que me priva do direito faz para que eu possa fazer também! Sim, pois esse é o direito!
    Assim todos aprendem a caminhar com as pernas do ego, mas se chamar de ego é uma falsa denominação, chames de tu. Já que também é segunda pessoa.
    Será que é impossivel por o simbolo a serviço exclusivo da essência? Será que não é uma questão só de escolher colocá-lo a esse serviço? Será que a essência não sabe que só se serve enquanto viva? Agora, se falta capacidade pra suprir a necessidade de toda a essência, por estar além do que compreendo, então tá tudo certo, sim, simples assim, tudo certo, não tá bem, mas tá certo, viu, bem e certo, dois simbolos, duas palavras, agora, agora se está bem estando errado, eu que não vou nessa mentira. Esse erro, se há, é pior que o meu.

    Sem, pegou pesado com meu cerebro, hein, eu que sô leio Chico Bento e Anoitan, sô!

    Adi, tu não só tem classe como é guerreira, tua base de operação russa tá influindo aqui!

  2. adi said

    -| Assim a criança e seus “impulsos adquiridos” vão abrindo caminho pra qualquer coisa que a criança vai ser, sorte se cruzar o caminho de “interlocutores dispostos” como alguns que tive, azar se cruzar o caminho de um crapula disposto a dar exemplos mais nefastos, ou um crapula que esteja ai pra colher as flores da miséria, pois tem muito, muito, (e pra quem acha que isso é pessimismo : muitos muitos muitos) dessa espécie rondando o mundo. Crias do sistema? Em parte, não é mesmo |-

    E como é assim, não é mesmo? e como ainda é e vai continuar sendo assim. Ainda este final de semana passado assisti um filme bem interessante, e lá tem uma parte que é bem isso: quando crianças nossa imaginação e nossos sonhos são bem mais amplos e possíveis de se tornarem fatos reais, nós acreditamos nele. Mas então vamos pra escola e nossa liberdade imaginativa é tolhida de tal forma que ficamos ou nos sentimos muito envergonhados por ser como somos. Quantas “reprimendas” nos inibiram e nos limitaram, talvez até, em nosso maior potencial de se realizar. Está certo que isso começa muito antes dentro de casa também. Os pais, a escola, a religião institucionalizada, a sociedade quer ter o controle sobre os novos e futuros cidadãos, então a educação e o treino pra nos “domesticar” começa muito cedo.

    -| Todos aqueles que se apaixonaram por utopias na juventude sabem que a educação ideal está longe daquela que sabendo do direito que tem sobre as coisas, se empenha mais em saber como aquele que me priva do direito faz para que eu possa fazer também! Sim, pois esse é o direito! |-

    Parece que hoje em dia as pessoas estão se especializando em usar do direito pra retirar o “direito” do próximo, é aquela coisa do poder, do dinheiro, do capitalismo selvagem e devorador, ou seja, as garras do sistema que está em tudo, inclusive e principalmente muito imbuído dentro de nós.

    -| Será que é impossivel por o simbolo a serviço exclusivo da essência? Será que não é uma questão só de escolher colocá-lo a esse serviço? |-

    Antes fosse tão simples assim ou tão fácil desprogramar nossos velhos hábitos, como se uma programação via hipinose funcionasse. Não, a coisa está muito mais enraizada profundamente do que suspeitamos. É preciso ir bem mais fundo em nossa psique e verificar coisas que nos metem medo até… 🙂

    -| Adi, tu não só tem classe como é guerreira, tua base de operação russa tá influindo aqui! |-

    Ô Elielson, você é muito gentil e “Tоварищ” que se pronuncia “tavarich” e que significa “camarada”. Mesmo assim, muito “спосйбо” obrigada. 🙂

  3. Elielson said

    -Antes fosse tão simples assim ou tão fácil desprogramar nossos velhos hábitos, como se uma programação via hipinose funcionasse. Não, a coisa está muito mais enraizada profundamente do que suspeitamos. É preciso ir bem mais fundo em nossa psique e verificar coisas que nos metem medo até…

    E se fosse o agente psiquico apenas um tumor a se extrair do comportamento né?
    As glandulas do corpo, e os dispositivos para comunicação que lhe equivalem, são acionados reflexivamente, ORDEM, simples assim, daí o não ordenar as vezes só deixa uma força desorientada que outros ordenam sem que o ser perceba, e quando o ser se convence que é Deus ou o Caos quem decide tudo, é ai que a ordem lucra. Duvidas não podem ser deixadas pra depois, porém não podem ser sanadas de maneira absoluta.
    Não se tem mais duvidas? Não! Ou se aprende a duvidar, ou se aprende a mentir, ou se aprende a baixar a cabeça e aceitar a ordem de bom grado, esta ultima hipotese é o mais próximo que os seres humanos chegam de certezas definitivas. Enquanto isso a duvida dos administradores cresce em relação aos meios de como manter a ORDEM.
    Saber duvidar requer…. DON`T PANIC! E assim atrever-se, saltar, lançar todos os luciferes no abismo que eles próprios são, e assim a luz vai pro lugar certo.
    A utilização de simbolos pra isso é superficial, o que não é superficial é a essência dando VIDA ao simbolo, enquanto a VIDA é usada como causa da morte, o que é, mas pode não ser, ( volto a teologar ridiculamente), quando todos os luciferes forem lançados ao abismo deles próprios, quando finalmente a luz entender o que é a escuridão.
    E essa é uma questão daqui, pra ser resolvida com os simbolos daqui, é triste dizer, é claro que não é uma certeza, é uma esperança, e assim as coisas estão mais proximas da verdade, pois a esperança é o único simbolo sagrado de verdade, pq se for pra esperar pelo mal não precisa esperar, é todo da lei…, e fora da lei.
    O que vem pela frente é um desenrolar que mostra a quem consegue manter a sanidade, que isso aqui é muito mais que todas as idéias pobres que cabem no simbolo podem simbolizar, vai além de promessas, pois promessas tem sentido.
    A vigilia e oração são simples, vigiar é se observar, e quando seus fantasmas estiverem roçando em seu coração lhe fazendo ter aquele desejo ou aquela atitude que atropelou o desejo, propor ao seu ser de forma que esse mantenha a fé, pela esperança, que não repita a causa dessa sensação, e isso deve ser feito como se reza, com o auxilio ou não do ritual que for conveniente, para que meu lucifer não encha mais o saco de meu Deus.

    – Ô Elielson, você é muito gentil e “Tоварищ” que se pronuncia “tavarich” e que significa “camarada”. Mesmo assim, muito “спосйбо” obrigada.

    Vejo o trabalho que tem, sempre mantendo o lugar aqui, e isso é importante, acredite ou não.

    😉

  4. adi said

    “A utilização de simbolos pra isso é superficial, o que não é superficial é a essência dando VIDA ao simbolo”

    É por isso que se faz muito necessário a renovação do símbolo. Por exemplo, os símbolos anteriores e muito antigos que representam “ainda hoje” a espiritualidade já estão vazios da essência, já foram esvaziados, por isso também as religiões não surtem mais efeito, por isso as religiões institucionalizadas atuam como “correntes” que ao invés de liberar prende em falsos conceitos, ou em conceitos que já não servem mais pra nossa atualidade.
    E numa escalar menor, em nossa vida, nós precisamos renovar o símbolo, pra isso acontecer, nós temos que deixar e liberar nossos próprios conceitos, nossas crenças antigas, largar muita coisa, pra que elas possam se refazer em um nível mais profundo e mais abrangente, pra também posteriormente largar tudo outra vez e se refazer numa outra configuração…
    São as mudanças necessárias a todo ser humano.
    E assim o símbolo vai se renovando em nós mesmos, até também não haver mais o símbolo como representação, mas se tornar o próprio símbolo.

    “Vejo o trabalho que tem, sempre mantendo o lugar aqui, e isso é importante, acredite ou não.”

    Ás vezes eu penso em jogar a toalha, rsrs. Dá um pouco de trabalho mesmo, mas reconheço que escrever aqui vale muito mais que terapia, é uma prática boa de organizar a forma que ultimamente compreendo e percebo a vida. É uma forma de verificar que também estou mudando, e se além disso, puder servir pra alguém, muito melhor. Fora claro, a agradável companhia e amizade de todos vocês que participam aqui. Esse blog continua sendo como antes, coletivo desde o início, não é meu blog, nunca foi, nem é minha pretensão que seja. As coisas simplesmente foram acontecendo e só ficou eu e a Sem. Eu acho que sou muito teimosa também e não desisto fácil, mas vai chegar um momento que vou sentir que é hora de parar, então vou parar 🙂

  5. Sem said

    Elielson,

    Em educação eu sou tão idealista que chego a distorcer a realidade, muitas vezes esqueço de ver o lado prático da coisa. Porque existe esse lado prático, de formação profissional para o mercado de trabalho e que de modo algum pode ser desprezado, ou é menor do que uma formação mais clássica. O que eu tendo é esticar o meu ideal de educação até os “jardins de Academus”, aqueles da Academia de Platão, acho que ninguém estará “completo” se não souber pensar abstratamente…

    Então, pra mim, educação é muito mais que instrução apenas, aprender o “modus operandi” das coisas, é mais ainda que a “simples” formação de valores comuns, é aprender a SER, o que envolve além da inteligência, a alma… é a arte de viver…

    Por outro lado…

    Como professora eu aprendi a ter foco, pq nada se realiza que não se almeje e planifique. Veja como toda boa aula tem um objetivo, como foi planejada para que naquele curto espaço de tempo e com os recursos físicos disponíveis trabalhar-se determinado conteúdo, com fito ao “domínio” dele próprio ou como preparação para algum outro… Se o professor não tiver muito claro o que e como irá trabalhar, se não passar isso claramente aos alunos, para que todos colaborem sob o mesmo foco, sua aula será no mínimo sofrível… Um curso idem, e com uma “disciplina” é a mesma coisa, tudo acontece sob um “foco”…

    Mas, do mesmo modo que tudo em educação precisa ser planejado, isso de pôr o trem nos trilhos, faz com se empobreça o meu ideal maior de educação, porque o Ser só pode existir em terreno sagrado… então, o “ser maravilhoso” é algo que acontece de forma inesperada, não planejada, nos vem como graça – pelo menos é assim que essas coisas acontecem comigo, quando elas acontecem… A verdade que planejar é profanar o terreno do sagrado, e toda a maravilha do mundo acontece sem planejamento, o aspecto redentor dos verdadeiros encontros é assim, e é onde acontece a verdadeira mágica da educação…

    Não é a razão, é arte e a poesia que nos explicam melhor porque as coisas são assim como são… que lógica pode explicar que “o sol doire sem literatura”?

    Então, Elielson, se vc tem um homer dentro de si, eu tenho dentro de mim um dr. jekyll e um mr. hide, brigando, e só deus sabe como concilio esses dois para que mutuamente não se destruam e nisso me levem junto… rs

    O que pode explicar essa mistura que tenho é um Urano soberano em leão na 9, desconfio que seja ele o maior responsável pelos meus ideais grandiosos, que os tenho de todos os tipos e nem só para a educação. Ao mesmo tempo esse Urano de explosão faz trígono com um Saturno prático, de muita personalidade, na 1, conjunto ao ascendente, em sagitário… tudo no fogo… rs

    No final das contas a graça é toda essa, as coisas não serem fáceis…

    Adi,

    Suas dúvidas, inseguranças, descobertas, alegrias, aqui no Anoitan, são semelhantes as minhas… estamos caminhando juntas aqui, o que mais eu posso dizer? 🙂

    Tem erro de português ainda no texto… sempre haverá algum erro, por mais que se corrija, cuide, conserte… estamos errando, mundo afora…

    LIBERDADE

    Ai que prazer
    não cumprir um dever.
    Ter um livro para ler
    e não o fazer!
    Ler é maçada,
    estudar é nada.
    O SOL DOIRA SEM LITERATURA.
    O rio corre bem ou mal,
    sem edição original.
    E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
    como tem tempo, não tem pressa…

    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto melhor é quando há bruma.
    Esperar por D. Sebastião,
    Quer venha ou não!

    Grande é a poesia, a bondade e as danças…
    Mas o melhor do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar, e o sol que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    E mais do que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças,
    Nem consta que tivesse biblioteca…

    Fernando Pessoa

  6. adi said

    ” Mas, do mesmo modo que tudo em educação precisa ser planejado, isso de pôr o trem nos trilhos, faz com se empobreça o meu ideal maior de educação, porque o Ser só pode existir em terreno sagrado… então, o “ser maravilhoso” é algo que acontece de forma inesperada, não planejada, nos vem como graça – pelo menos é assim que essas coisas acontecem comigo, quando elas acontecem… A verdade que planejar é profanar o terreno do sagrado, e toda a maravilha do mundo acontece sem planejamento, o aspecto redentor dos verdadeiros encontros é assim, e é onde acontece a verdadeira mágica da educação… ”

    Perfeito o que você disse Sem, concordo em gênero, número e grau, 😉

    E sobre o erro de português, lembrei desse trecho da música “meninos e meninas” do Renato Russo,

    ” Eu canto em português errado
    Acho que o imperfeito não participa do passado
    Troco as pessoas
    Troco os pronomes “

  7. Olha ai meu texto eh ver se eu errei muito

    Meu amor faz nove messes que nós estamos juntos, daqui Três messes faz 1 ano e esse amor só cresse apesar de algumas discussão por motivos banais ,de “PESSOAS” que jugam e criticam nosso relacionamento, e eles fazem isso tentando nos separa mais faz com que nos fiquemos mais unidos … Você sabe muito bem que eu não dou motivos de pessoas tarem falando de mim pra você, eles não sabe que nós já temos planos para nosso futuro, você sabe que essas pessoas que querem nos ver separado não vai conseguir nada pois nós temos fé em Deus que todo mal que esta sendo jogado contra nos esta sendo destruído !
    { eu só deixo uma dica para aqueles que querem nos ver separados que eles continue, tentando nos separar que nós continuamos Orando , para que deus abençoe mais a nossa união , que eles sejam derrotados com a nossas vitorias .
    E tão bom ter augem para dividir um amor de verdade.

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