Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

te:mp:o

Posted by adi em abril 29, 2011

Toda a nossa percepção e descrição dos acontecimentos está baseada num sistema de coordenadas tridimensional, a saber, norte-sul, leste-oeste e acima-abaixo (os eixos x, y e z).  Basta conhecer essas três direções para identificar a  posição relativa que ocupamos no espaço, ou que determinado objeto ocupa. Esse sistema têm sido nossa referência de percepção do ambiente que ocupamos e de todo nosso entorno, onde o tempo para nós consiste numa percepção totalmente a parte deste.

Para nós o tempo é uma entidade absoluta que flui continuamente de forma sequencial/linear,  sempre no mesmo ritmo e constância. Em nossa percepção, espaço e tempo são vistos como entidades separadas, absolutas e distintas entre si.

Embora nossa percepção seja desta forma, segundo a teoria da relatividade,  na realidade o que existe é um contínuo espaço-temporal de quatro dimensões, sendo três espaciais e uma temporal. Nessa estrutura quadridimensional para falar de tempo deve-se necessariamente falar de espaço.

A formulação matemática do espaço e tempo como sendo duas propriedades físicas que podem ser unificadas, foi uma criação do matemático Hermann Minkowski logo depois da teoria da relatividade restrita ter sido apresentada por Einstein em 1905. Minkowski  propôs  uma formalização em que tempo e espaço passam a fazer parte de uma única estrutura geométrica e estática, esse novo e surpreendente conceito foi apresentado em um trabalho publicado em 1908, no qual ele ampliava o trabalho de Einstein sobre a teoria da relatividade restrita.

Minkowski: «Cavalheiros! Os conceitos de espaço e tempo que gostaria de desenvolver perante vós erguem-se do solo da Física experimental. Aí reside a sua força. As suas tendências são radicais. Doravante, o espaço só por si e o tempo só por si irão mergulhar totalmente na sombra e somente uma espécie de união entre os dois continuará a ser real.»

Foi Minkowski o primeiro a mostrar que o conceito de espaço e tempo como uma entidade única, ou seja, o contínuo espaço-tempo de quatro dimensões, permitia um melhor entendimento dos fenômenos relativísticos da teoria de Einstein.

Para física, o espaço-tempo é a arena onde todos os eventos físicos acontecem, ou seja, qualquer evento ocorrendo na natureza, seja uma bola caindo ao chão, seja a explosão de uma estrela, deve ser caracterizado pela sua posição nesse espaço-tempo quadridimensional. Sendo assim, haveria uma enorme modificação na forma como percebemos o mundo e a nós mesmos, caso pudéssemos perceber diretamente a realidade no contínuo.

Schopenhauer:  “é por intermédio do espaço e do tempo que aquilo que é um sósemelhante na essência e no seu conceito nos aparece como diferente, como vários, tanto na ordem da coexistência, como na da sucessão”

A quebra da causalidade ou do tempo linear :  Para David Hume, filósofo escocês do século XVIII, a crença na relação causal entre dois eventos decorre apenas do fato de nos habituarmos a vê-los numa dada ordem temporal. Daí viria a “sólida, porém ilusória”  ideia de que toda consequência é precedida de uma causa. No século XX, Hans Reichenbach teceu o conceito de “cadeias causais” para ordenar eventos no tempo. Seguidos em determinado sentido, os eventos ordenam-se de acordo com um princípio de “causalidade“; no sentido oposto, ordenam-se segundo uma “finalidade“. A definição de um sentido do tempo (a chamada seta do tempo) ou a escolha da causalidade em detrimento da finalidade é, na visão do filósofo alemão, uma conseqüência da segunda lei da termodinâmica, segundo a qual a entropia (ou, intuitivamente, o grau de desordem) de um sistema isolado tende a aumentar. O aumento da entropia definiria, portanto, o sentido da seta do tempo.

O ato de observar e medir um evento passou a fazer parte da física com o advento da mecânica quântica, segundo a qual o observador e observado acoplam-se, indissociavelmente, na mensuração de um dado estado físico (descrito por uma função de onda). Muitos filósofos e físicos acreditam que o tempo perceptivo registrado por um observador, possa, portanto, ter papel relevante na determinação da seta do tempo.

Jung começou a dar uma atenção especial aos chamados acasos significativos, nos quais acontecimentos que não têm nenhuma dependência causal estabelecem uns com os outros uma relação que tem um significado. Ele chegou à conclusão de que devia existir no mais profundo do espírito uma força reguladora que ultrapassa as fronteiras do indivíduo para poder criar estas combinações significativas e chamou de sincronicidade.

Fenômenos sincronísticos pressupõe  um princípio não causal de conexão, isto é, não coincidentes no tempo e no espaço, ou eventos que tenham conexões psicológicas significativas, como ligando os mundos psíquico e material no sentido de acasos significativos, nos quais os acontecimentos espirituais estão enigmaticamente ligados a ocorrências exteriores e sem causa aparente. Segundo ele, isto indica que os fenómenos psíquicos e físicos são idênticos na sua essência. Esta área onde o exterior e o interior convergem foi por ele denominada unus mundus: o domínio de toda a dualidade, tal como é também vivido pelos místicos em êxtase, ou seja, a união do espírito e matéria, e atingir esse ponto, em que a realidade externa e a realidade interna (a terra e o céu) se tornam uma só é a meta do processo de Individuação.

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Fontes e ref.: Rubedo, Wikipedia, C. G. Jung, Psicoanalítica.

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