Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

O Céu do Momento

Posted by Sem em abril 10, 2011

E eu vos direi: “Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Olavo Bilac

 

 

 

 

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*   *

 

 

 

Para todos os loucamente apaixonados pela noite do Universo e a quem a paixão pelos céus cobre os contornos do corpo nada abstrato do seu desejo, o site,

 

Solar System Scope

 

– ainda em construção, é uma dica e tanto para se curtir.

Como numa webcam, ele aproxima, em tempo real e projetado, infinitas imagens do céu noturno. São fotografias do firmamento, belíssimas, que para os amantes mais frios podem ser apenas um preciso posicionamento – astronômico – de astros a serem observados ou contidas interpretações simbólicas – astrológicas – do que os mesmos astros têm a revelar sobre nós,  mas, para os amantes verdadeiros, sempre em busca de sentidos ocultos não percebidos – apenas – com a razão, para os aproximados da loucura pela paixão, como os poetas e os místicos, são retratos do bailado cósmico dos deuses comandantes dos nossos destinos.

Então, para escolher de onde irá observar o céu, vá em “View Selection” na parte esquerda da tela – estão disponíveis o ponto de vista hélio e geocêntrico do sistema solar, e também o céu noturno de qualquer lugar da terra. Já para projetar a imagem no tempo passado e futuro, na parte de baixo da tela há um calendário e um relógio que podem ser ajustados na data e horário desejados. E com os cursores do mouse ou do teclado, ou movendo a régua na parte direita da tela, é também possível girar a imagem e dar zoom.

 

 

Veja a imagem do céu desse momento: dia 10 de abril de 2011, aproximadamente às 19h50. Movimentei a imagem para aparecer o Brasil ao centro e de modo a que todos os planetas (incluso o planeta anão Plutão) aparecessem.

 

 

Esta é a visão geocêntrica do céu momento (clique na imagem para ampliar):

 

 

 

 

E a visão heliocêntrica do mesmo momento:

 

 

 

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23 Respostas to “O Céu do Momento”

  1. adi said

    Nossa que bacana Sem, lindo!!

    Eu sempre gostei de ver o céu noturno, mas antes (uns 7 anos atrás)eu não conseguia identificar as constelações, só identificava as 3 Marias, como é popularmente conhecido o Cinturão de Órion, mas observando o mapa do céu, e tendo como referência justamente Órion, aprendi a identificar Touro e as Plêiades ali pertinho, Gêmeos, Cocheiro, claro Cão Menor e Maior, o Cruzeiro do Sul, a falsa Cruz, e chegando o inverno dá pra ver Escorpião. Essas são as mais bonitas pra mim, ainda não consigo identificar as outras constelações a olho nu.

    Me lembrei de uma vez que fui num Mosteiro Zen em Ouro Preto/MG, lá no alto da montanha, e tinha bem pouca iluminação, era Setembro e o céu estava lindo, completamente limpo de nuvens, mas havia uma grande nuvem como uma névoa que cortava o céu limpo, eu achei diferente aquilo, e então me falaram que era a Via Láctea, fiquei fascinada em ver daquela forma, foi inesquecível, inesquecível!!!

    Campinas normalmente tem o céu muito bonito e claro, muitas vezes ficava até muito tarde da noite observando o céu… é fascinante…
    Quando morava na China era o que mais sentia saudade, de ver as constelações. Lá o céu é mais poluído, também tem muitas luzes, só dava pra ver uma ou outra estrela sozinha, mas raramente identificar uma constelação.
    Aqui o céu é bem limpo, como Campinas, e mesmo com as luzes da cidade dá pra ver bem as constelações. A luz da Lua cheia entra dentro de casa e fica claro quase como o dia, e dá pra ver Órion de pé, no Brasil eu via de cabeça pra baixo ou meio de lado…

    Obrigada por compartilhar,

    adi

  2. Sem said

    Nem me fale, Adi, com algumas coisas eu não consigo viver sem, a noção de sermos meros habitantes passageiros em um cosmos infinito, tanto em tempo quanto em espaço, é uma delas… desde sempre isso me dá um certo centro, em outras palavras, mais discernimento para saber o meu papel nisso tudo, ou, quem eu sou… tenho por exemplo necessidade de saber onde nasce o sol, esteja onde estiver, para que eu tenha direção – pra falar a verdade eu não tenho um senso muito apurado de direção, erro feio muitas vezes, mas a necessidade de saber onde está o sol continua… e saber da lua, qual fase ela está, a lua é minha companheira de jornada – e creio que de todas as mulheres em geral, somos ou percebemos mais sensivelmente a presença da lua em nossas vidas, regente dos líquidos – lembra aquele meu poema? fora isso, me perco nas constelações… vc sabe, o que eu mais gosto de morar aqui em São Carlos é o céu, é igual Campinas – mesma região, já vi pôr-do-sol aqui cor de rosa, lilás, violeta, azuis de todos os tipos… quando eu mudar daqui sentirei falta dessa amplidão de horizonte que eu nunca vi em outro lugar…

    Adi, estou tendo alguns insights em relação àquelas minhas teorias de relacionamento… não sei se foram minhas releituras de Jung ou o seu post “Unus Mundus”… tem a ver com polos que não podem ser integrados (essa palavra integração eu não acho muito boa)… bom, eu preciso amadurecer algumas questões antes de poder explicá-las a contento… desgraçadamente (ou não, a gente nunca sabe dessas coisas) essa semana vou ter zero de tempo para me dedicar a esse assunto… só estou comentando que considero tem tudo a ver com nossas conversas por aqui… sem querer vc fala umas coisas que me levam a outras, é muito bom isso…

    Ah, quem montou esse site é um pessoal aí do leste europeu… 🙂

  3. Sem said

    Olha o céu é como o mar… nele nós podemos projetar o desconhecido e, portanto, o inconsciente… uma vez eu publiquei uma poesia do Neruda que falava do escafandrista, e eu coloquei uma imagem de um astrônomo… pois a mim parecem profissões assemelhadas – poeticamente falando…

    Aqui o link, bela poesia:

    http://sopoesia.wordpress.com/2010/04/21/ode-ao-escafandrista-neruda/

  4. adi said

    Por falar em Lua, ela está linda hoje, metade super iluminada e a sombra da Terra bem aparente na outra metade, bem marcante, mas eu não entendo direito das fases dela, nunca sei quando é minguante e ou crescente, só conheço a fase cheia. rsrsrs

    Agora o Cosmos tem tudo de arquetípico mesmo, a começar pela simbologia do Sol e da Lua, dos planetas do nosso sistema, e claro das constelações do zodíaco. E não dá pra ignorar o fato de que estamos inseridos nesse Universo, mesmo que como poeira de estrelas, ainda assim, nós estamos aqui e fazemos parte disso tudo.

    Pra mim, nossas conversas aqui no Anoitan tem também esse mesmo efeito, sempre foi assim. É aqui nessas trocas que “escarafunchando” 🙂 respostas, o novo surge, ou seja, bons insights, e algumas vezes uma grande vivência/experiência da realidade muito além da minha normalidade…
    Eu creio que é a combinação das coisas que faz desabrochar aquele botão que já estava ali praticamente pronto, e na medida das leituras, releituras, conversas, aquilo amadurece mais rápido e vem a superfície da consciência. É um processo muito bonito.

    Adorei o poema do Neruda.

  5. Sem said

    Adi, vou falar da lua, o que eu conheço… mas agora aqui eu não a vejo, está chovendo… aliás, hoje o céu estava lindo, qd estava vindo para casa na hora do almoço, tão lindo, que tirei uma foto, azul com nuvens – já há algum tempo eu venho tirando fotos de nuvens, penso em um dia fazer alguma coisa com isso, um trabalho com desenhos, desenhar em cima das nuvens o que elas sugerem como naquela brincadeira de criança de ficar imaginando figuras nas nuvens… a Helena Kolody, poeta da minha terra, que disse certa vez, num dos seus haicais: “no poema e nas nuvens cada qual descobre o que deseja ver”… algo assim, ou seja, projeção pra variar… rs

    Bom, voltando à Lua… ela gira em sentido anti-horário ao redor da Terra, que gira em sentido anti-horário ao redor do próprio eixo e em sentido anti-horário ao redor do Sol… aliás, todos os planetas do Sistema Solar, até onde eu sei, giram nesse sentido… sabe aquela coisa de que todo redemoinho de água escoar no hemisfério sul em sentido horário e no norte em sentido horário? pois eu acho que nós estamos em uma determinada região do espaço, o Sistema Solar, que giramos assim… quer dizer, deve ser algo assim, diz a minha lógica de leiga….

    Voltando à Lua (rs)… acho que é uma regra que vale, mas não garanto que não possa ter exceção, pois essas coisas de movimentos de planetas são muito complicadas, pois existem vários acontecendo ao mesmo tempo… bom, a regra é que quando a lua tem um formato de C, significa que ela está na sua fase crescente (C = crescente), e o contrário é minguante… mas eu acompanho no calendário, uso para cortar cabelo (só na nova), e repare a menstruação, o humor, a libido, ladeira acima e ladeira abaixo, tudo a lua regula…

    Aqui um calendário com as fases da lua para esse ano:

    http://www.astronomia.org/2011/fasesluna.pt.html

    Continuando com a lua, ela é o astro não só dos poetas… na astrologia a fase da lua em que se nasce, alguns interpretam… nasci na crescente, mas não sei bem o que isso significa… enfim, para muitas coisas é importante saber a fase da lua… para coisas práticas como cortar cabelo, palntar, e, outras mágicas… na alquimia, vc há de recordar, alguns elementos só se misturavam, quer dizer, a mistura só dava “samba” nessa ou naquela fase, cada processo e lua um resultado diferente… a coniunctio mesmo, só acontece na lua nova, qd a lua está “fraca” e o mais oposta ao Sol, paradoxalmente…

    Depois tem as deusas, acho que cada uma está associada a uma fase, as fases mais “malditas” são a nova (Hécate) e a cheia, essa última, a lua dos “loucos”… enfim…

    Boa noite, bons sonhos! 🙂

  6. adi said

    Agora deu pra entender melhor o movimento da sombra da Terra sobre a Lua e suas fases.

    Estamos agora na fase crescente, então a sombra da Terra está se retirando da Lua, ou passando pela Lua da direita para a esquerda. Vejo a sombra no lado esquerdo da Lua, e cada dia seu lado direito em direção ao esquerdo aumentando e ficando mais iluminado, indo pra fase cheia. Depois começa a minguar, porque a sombra da Terra começa entrar novamente pelo lado direito da Lua, então a parte que fica iluminada pelo Sol é a esquerda da Lua ( o contrário da crescente) aumentando a cada dia até entrar na Lua nova, onde a sombra da Terra encobre toda a Lua.

    Então a Lua crescente é a parte iluminada que começa pela direita, quando da retirada da sombra até a Cheia, e a minguante é quando após a fase cheia, a sombra vai entrando até encobrir totalmente a Lua na fase nova.

    Elementar, meu caro Watson!! 🙂

    Agora ficou claro, rs

    bjs

    PS: Parece que a rotação de Vênus é no sentido horário.

  7. Sem said

    Adi, me desculpe, eu acho que me expressei mal e te levei a um erro de entendimento…

    “…até entrar na Lua nova, onde a sombra da Terra encobre toda a Lua.”

    Eu disse que na lua nova a lua está oposta ao Sol, mas é qd ela está mais próxima do Sol – no caso seria em ordem o Sol, a Lua e a Terra, é lua nova nessa faixa qd não iluminada pelo Sol, pois essa linha é meio perpendicular… se acontecer de estarem os três astros alinhados, ocorre um eclipse do Sol… ao contrário, a lua cheia, a sequência é Sol, Terra e Lua (então é aqui que a Lua está o mais oposta ao Sol) – e qd alinhados ocorrem os eclipses da Lua, sempre na sua fase cheia…

    Achei esse site que explica de uma maneira bastante didática tudo isso que estamos falando… inclusive descobri que no hemisfério norte, a forma da lua é diferente mesmo, qd a lua está em “C”, aí é fase minguante… há uma tabela que demonstra:

    http://www.astrothon.com/Planetas/SubPlanetas1189801615It001

    “Parece que a rotação de Vênus é no sentido horário.”

    Mas o que pensa da vida essa menina? rs…
    Acho que aqui vc está se referindo a rotação de Vênus sobre ela mesma, realmente, pode ser, mas a rotação dela em torno do Sol estou bastante segura de que é em sentido anti-horário como todos os demais planetas…

    São tantos movimentos que a gente fica confusa… rs

    Olha, a Via-Láctea, ela mesma é um redemoinho que parece estar “escoando” em sentido anti-horário (como os fluxos do hemisfério norte – aliás, outro erro meu, me desculpe novamente, eu esqueci de digitar o anti ao me referir ao hemisfério norte, mas já confirmei e são as direções como tinha apontado mesmo)…
    Voltando à Via-Láctea, sei que nós (a Terra) estamos em um dos braços periféricos da Via-Láctea… ainda bem, temos um tempinho de alguns bilhões de anos-luz antes de sermos tragados pelo hiper buraco negro que se supõe seja o centro de nossa galáxia…

    Sephiras giram? 🙂

    Bjos!

  8. adi said

    Que bacana, então Lua Nova é quando ela está de costas pra nós e de frente pro Sol, rsrsrs

    Entendi agora, com esse site que vc passou deu pra entender melhor. E bem interessante, porque aqui dá pra ver sempre ao contrário do que é visto no Brasil. Só vou ter que me lembrar disso quando estiver aí, no sentido do que parece ser a fase crescente registrado na minha memória, na verdade é a minguante… Assim como as constelações que são vistas ao contrário também.

    Quanto a Vênus, parece que é isso mesmo, “rotação” é sempre o giro sobre o próprio eixo, já “translação” é o giro dos planetas em torno do Sol. Então, foi isso mesmo que quis falar, ela gira em torno de si mesma no sentido horário. Bem interessante isso, né??

    “Voltando à Via-Láctea, sei que nós (a Terra) estamos em um dos braços periféricos da Via-Láctea… ainda bem, temos um tempinho de alguns bilhões de anos-luz antes de sermos tragados pelo hiper buraco negro que se supõe seja o centro de nossa galáxia…”

    O que é mais bacana é constatar que a natureza universal segue uma certa ordem, sua própria harmonia que lhe dá certa forma e movimento nesse vasto espaço. Mas apesar de que a gente esteja distante do centro da galáxia, não acho que o sistema solar dure até lá, muito provável colapsar antes e se tornar uma anã branca, de qualquer forma, muito, muito antes disso, nós humanos corremos perigo de extinção por nós mesmos… agora mesmo com essa grande crise nuclear. Precisamos encontrar esse equilíbrio com a nossa Mãe Terra. Ela se refaz por si mesma, e vai continuar até ser engolida por nosso Sol, se dissolverá nele… mas nós como humanidade, com certeza teremos pouco tempo nessa jornada.

    “Sephiras giram?”

    Well!! Na Árvore da Vida elas são consideradas como expressão de certas energias… e estão sim relacionadas com os planetas e também se relacionam com os “chacras”, os chacras são os centros de energia do nosso corpo e tem o mesmo movimento em espiral, tal qual uma galáxia, tal qual um redemoinho.
    E divagando um pouco, aliás, por estarem relacionadas com os planetas, no meio esotérico se diz que no macrocosmo, o Sol é o nosso Deus e o sistema solar seu corpo de manifestação, e os planetas são seus chacras, e tal qual é acima é abaixo, no microcosmo, que somos nós, temos as mesmas correspodências… Mas claro, são os mitos arquetípicos, o que muito provavelmente deva existir alguma verdade muito além de nossa compreensão, afinal tudo é consciência, imagina a consciência de um grande corpo celeste… 🙂

    bjs

  9. Sem said

    Oi Adi,

    “Mas apesar de que a gente esteja distante do centro da galáxia, não acho que o sistema solar dure até lá, muito provável colapsar antes e se tornar uma anã branca, de qualquer forma, muito, muito antes disso, nós humanos corremos perigo de extinção por nós mesmos…”

    Sobre bilhões de anos-luz… ah, eu estava brincando, :p rs… essa semana é a minha semana campeã de mal entendidos… eu ando pensando muito poeticamente e faço afirmações que as pessoas têm tomado ao pé da letra o que digo… realmente eu nem sei a distância estimada de nós até o centro da galáxia, mas sei que a Terra vai morrer como planeta bem antes (e bota antes nisso) de ser tragada por esse buraco negro central, que se supõe exista no centro de todas as galáxias… e, claro, antes da Terra (e bota antes) o homem… e falando sem poesia nenhuma, não estou entre as pessoas que acreditam que iremos povoar o Universo – infelizmente – nossa história tem demonstrado que existe um conflito humano insolúvel, ao qual o homem teria de transcender para, literalmente, alçar outras esferas… a ciência do modo como está armada nos levará muito antes à destruição do que a colônias habitáveis fora daqui… não há realmente hoje como afirmar que vamos “chegar lá”, a realidade tem demonstrado justo o contrário… infelizmente, pq eu tb acredito no papel do homem, o papel de sua consciência perante um Cosmos que carece de seres conscientes de si… acho que tudo isso irá morrer, o que de belo e de bom e de justo ou injusto e de feio e terrível existe no homem, mas, sejamos otimistas, será para ceder espaço a um outro tipo de complexo material mais eficiente do que foi ou pôde ser o homem (a humanidade)… acredito que temos ainda centenas de anos pela frente, quem sabe alguma coisa muda…

    Eu li esses dias uma prece linda da Monja Coen, pedindo para atentarmos ao bem que se faz e não ao mal sempre exaustivamente noticiado – não achei agora, se eu achar depois te trago – ela fala a respeito das últimas tragédias, o terremoto no Japão, junta os assassinatos e o suicídio na escola do Realengo no Rio… fala daquele experimento (não científico dentro dos padrões da ciência ocidental) com a água de Masaru Emoto, e por isso pede perdão ao que o homem tem feito com a água (a água radioativa de Fukushima especialmente), e concluí que precisamos lembrar do bem praticado, dos bons encontros que são a verdadeira dimensão do viver humano, pq, ela diz, e muito poeticamente, existe sempre alguma nova despedida sendo engendrada em algum lugar, é da natureza da vida, mas não será por isso que a vida deve deixar de ser celebrada hoje…

    Adi, se as sephiras giram em torno de si mesmas, em qual sentido (horário, anti-horário) elas giram? e giram elas igual a todos os seres ou é diferente a cada um em particular? orbitam umas as outras? variam ou existe uma ordem imutável?

    Visto como um sistema vivo, a árvore da vida não é nada estática, não é?

    “afinal tudo é consciência, imagina a consciência de um grande corpo celeste…”

    Se ele tiver consciência… provavelmente seria de uma natureza diversa da nossa… gozado, parece que os grandes astros (os deuses) têm muito menos livre-arbitrío do que nós… nós, mortais humanos, parecemos ter mais liberdade em torno do que vamos orbitar em vida, ou seria essa uma percepção errada da nossa verdadeira condição, essa falsa liberdade que acreditamos ter seria nada mais que uma espécie de inconsciência nossa…

    Imagina esse ser imenso parte de um ser maior, parte de outro maior, e outro, e outro, ad infinitum, e dentro de nós, ad infinitum, quem poderá valorar se vale mais o pequeno ou o grande, sobre que parâmetros valorar algo justo a todos os seres? se tudo é um só ser? 🙂 Nossa, preciso dormir… quem sabe sonhe outras perguntas… rs

  10. adi said

    Oi Sem,

    “…pede perdão ao que o homem tem feito com a água (a água radioativa de Fukushima especialmente), e concluí que precisamos lembrar do bem praticado, dos bons encontros que são a verdadeira dimensão do viver humano, pq, ela diz, e muito poeticamente, existe sempre alguma nova despedida sendo engendrada em algum lugar, é da natureza da vida, mas não será por isso que a vida deve deixar de ser celebrada hoje… ”

    Eu li um post da Luiza sobre a monja Coen, e também um e-mail sobre as águas de Fukushima. É como eu creio também, mais vale viver com otimismo cada momento. A vida é um constante movimento, e sofremos quando não aceitamos as mudanças, mas independente disso, a vida é um tesouro, e quanto não aprendemos todo dia da forma como as coisas se apresentam e de como conseguimos lidar com isso.

    “Adi, se as sephiras giram em torno de si mesmas, em qual sentido (horário, anti-horário) elas giram? e giram elas igual a todos os seres ou é diferente a cada um em particular? orbitam umas as outras? variam ou existe uma ordem imutável?”

    Na verdade não é que as Sephiroth giram ou se movem, nos sistema cabalístico elas estão estáticas na Árvore, você não vai encontrar escritos sobre isso, ao mesmo tempo que elas são representações simbólicas das nossas energias, e essas que se movimentam pelo nosso corpo. Por outro lado, no sistema oriental, há a constatação dos centros de forças em nosso corpo, também conhecidos como chacras, esses assim como as sephiroth também representam aspectos de nossas energias, só que
    são vórtices de energia em constante movimento e se localizam desde a cabeça, ao longo da coluna até o coccix, são sete. Há também os centros menores que se espalham por todo o corpo. Se diz que os chacras giram no sentido horário, e que quando eles estão em desarmonia giram em sentido oposto projetando a energia pra fora.

    “Visto como um sistema vivo, a árvore da vida não é nada estática, não é?”

    Não, não é. Mesmo porque as energias opostas estão em constante movimento pelas colunas laterais, sendo as informações processadas na coluna do meio, e essas são nossas próprias mudanças e percepções de nossos humores, e da própria vida, em nossa relação com a realidade que nos cerca e que vivenciamos.

    “Se ele tiver consciência… provavelmente seria de uma natureza diversa da nossa”

    Ah, com certeza seria totalmente diferente, incompreensível pra nossa razão. Mas tenho essa mesma sensação que vc, parece ser um tipo de existência mais limitado, bom do nosso pequeno ponto de vista né, rsrsrs. O “espaço-tempo” para os astros comparado com nossa pequena existência ou percepção dela, nos parece atemporal, e muita coisa pode acontecer nessa “eternidade”. 🙂

  11. Sem said

    Oi Adi,

    Bom dia! 🙂

    “Eu li um post da Luiza sobre a monja Coen”

    Que a Luíza pôs no Mayhem eu tb li. Pois a mim tudo o que a Monja Coen diz é meio maravilhoso. Mas o texto dela ao qual me referi é outro. Tinha dito prece, é uma poesia, é uma combinação de prece e poesia. Achei, tá aqui, não há só uma só palavra dela com a qual eu não concorde, não considere, não aprenda…

    …………………………….

    “Sorria, o coelhinho está na lua, trabalhando, suando, batendo o motchi (bolinho de arroz especial).
    Confie e aprecie a vida.”

    http://www.asiacomentada.com.br/2011/04/poema-de-monja-coen/

    …………………………….

    “Na verdade não é que as Sephiroth giram ou se movem, nos sistema cabalístico elas estão estáticas na Árvore, você não vai encontrar escritos sobre isso, ao mesmo tempo que elas são representações simbólicas das nossas energias, (…)”

    Tenho lido muita coisa sobre Cabala, das mais variadas fontes – de Dion Fortune, Crowley a Del Debbio… acontece que ao mesmo tempo em que tenho aprendido muito com a rica simbologia – que é realmente bastante representativa desse Ser Universal do qual vimos falando tanto, e no qual estamos inseridos sendo parte… ao mesmo tempo eu vejo (sinto, percebo) a Árvore da Vida como nada simbólica e sim verdadeira – a própria realidade, por isso é que a Árvore da Vida não pode ser estática, e pq ela não é estática, não pode ser descrita… nem a teoria do caos poderia, seria apenas outro sistema diferente do convencional – embora mais condizente ao nosso entendimento hoje do que seria a realidade… não quero ir contra nada o que já existe, a crença ou o entendimento de cada um, compreendo e até admiro o esforço em se estudar, de meditar, de fazer exercícios sobra a Cabala, mas, com igual ênfase e clareza eu tenho que nada disso é para mim… eu vou continuar estudando a Cabala pq há toda essa sabedoria construida no tempo e da qual não pretendo me afastar… mas entendo esse estudo e até mesmo a prática dele como fotografias, pequenos detalhes congelados no tempo, que ajudam a tomar algum contato ou conhecimento com a forma escorradia e incapturável do ser universal que se persegue… ainda estudo procurando por algo mais representativo disso, desse ser que eu sei que é vivo… o que eu sei é que as sephiroths não são estáticas e não são simbólicas, e digam o que disserem papas, monges, rabinos, psicólogos ou intelectuais, elas se movem… entendo o que vc diz sem concordar de todo, pois a mim energias não são simbólicas, são coisas vivas… agora, vc sabe, o diabo é descrever isso: quando se diz, já passou…

    Aqui eu adorei o que vc disse – sabe, dou muito valor as coisas que vc diz, talvez ainda mais ao seu esforço de dizer o mais claramente possível e o qt que vc mesma sabe que são só fotografias…

    “O “espaço-tempo” para os astros comparado com nossa pequena existência ou percepção dela, nos parece atemporal, e muita coisa pode acontecer nessa “eternidade”.”

    Muita coisa mesmo!
    E bota relatividade aos seres mergulhados no espaço-tempo (da sua percepção, das leis), é algo do qual não podemos “esquecer” se queremos uma teoria que dê conta da realidade – que hoje sabemnos múltipla.

    Bjão e bom final de semana!

  12. Sem said

    Eu voltei, Adi, dinovo… 🙂

    Sincronicidade… esse texto que eu vou compartilhar com vc e com todos que acompanham o blog fala das mesmas coisas pelas quais insistimos, só que com outras palavras, mas, que boas essas outras palavras…

    http://sergyovitro.blogspot.com/2011/04/casamentos-jose-miguel-wisnik.html

  13. adi said

    Nossa!! muito linda essa prece/poesia da Monja Coen. Sabe Sem, eu percebo que no mundo de hoje em dia parece “loucura” ser positiva, ter esperança, achar e ver um bem maior. Há muito preconceito contra, quando se fala em beleza da vida, em sonhos possíveis.
    Querem nos fazer acreditar que são palavras vazias, ideal de sonhadora. Há que ter muita força interior pra não desistir e continuar no que se acredita.

    Sobre a Cabala, é bem por aí mesmo, o mais importante é o seu entendimento e sentimento sobre isso, o mais importante é a sua interpretação, é o que te serve e te facilita no seu caminhar.
    Eu entendo também como nossas próprias energias se relacionando dentro da gente, e conforme passa pelo chacra, ou sephira, cada um, vai te mostrar o mundo de acordo com as impressões que estão lá registradas, e eu entendo que essas impressões são como filtros que nos mostram o mundo ou a nós mesmos através dessas marcas (bloqueios/complexos). E é isso, eu também entendo as sephiroh assim comos os chacras como estados ou níveis de consciência.

    “Aqui eu adorei o que vc disse – sabe, dou muito valor as coisas que vc diz, talvez ainda mais ao seu esforço de dizer o mais claramente possível e o qt que vc mesma sabe que são só fotografias… ”
    Você é muito gentil Sem, e adoro conversar com vc, é um prazer mesmo em nossas discordâncias, pois eu estou sempre aprendendo.

    Ah, vou ler o texto “casamentos” com mais calma e depois comento.

    Beijos e bom final de semana também.

  14. Sem said

    Bom, já que estamos falando de criação e destruição no cosmos, projetando o que acontecerá ao Sol e consequentemente a todos os planetas do Sistema Solar… partilhando mais uma vez um vídeo dos arquivos da NASA com vcs… aqui uma animação do Universo feita por uma equipe especialista em efeitos especiais para a BBC… embora seja uma animação, as imagens são reais, ler os créditos e demais explicações no link…

    http://apod.nasa.gov/apod/ap110418.html

    Minha impressão: o grande agente do universo é o fogo, assim como é na alquimia… todo o movimento aparente do universo se dá apenas nessa transmutação matéria-energia, ou pelo menos é só isso que “vemos” e damos por real… mas, lembrando que a alta física que hoje calcula esse montante como nem 5% do universo… então, toda essa festa de São João acontece sob uma camada “invisível” de matéria escura – é a matéria escura que aglomera a matéria que vemos, e, outra maior ainda, de misteriosa energia escura que faz afastar as galáxias… não sei se vou dar um salto agora, mas é perfeitamente possível fazer uma analogia entre o inconsciente psicanalítico e junguiano com as energia escura do universo, é o mesmo jogo entre o visível e o oculto em nossas vidas… sendo assim, o que realmente comanda as nossas vidas é o vazio e o silêncio, o “sem-luz” que dá cama a tudo o que de brilhante pode acontecer conosco… podemos entender e chamar de energia escura, inconsciente, arquétipos (não as representações arquetípicas, que é de outro departamento, já que ela são “visíveis”), D’us, Ser – temos muitos nomes para o mesmo “fenômeno”….

  15. Sem said

    oh, por favor me desculpem os erros de concordância, é a pressa com que escrevo agora inimiga da “perfeição”… tenho por costume escrever um texto e voltar para corrigir alguma coisa, acabo sempre mudando uma palavra, que considero mais conveniente, mas, na pressa com que escrevi, não mudei a frase… considerem hoje mais o sentido menos a forma. 🙂

  16. adi said

    Eu fiquei pensando no que vc disse, e talvez aqui em minha própria analogia do que vc nos trouxe, e não discordando de vc, mas somente me extendendo sobre o assunto, eu fico entendendo “energia escura” ou “arquétipos” (em sua analogia), como o desconhecido. Sim, também arquétipos como bem colocado por vc, mas na minha linguagem chamaria isso de “desconhecido”.

    Porque “desconhecido”? bom, porque eu me lembrei do físico Amit Goswani, onde segundo a teoria da física quântica, é a consciência que projeta o mundo manifesto, no sentido de que é a consciência ou o “observador” que provoca o colapso da função de onda, que transforma a partícula em matéria concreta, trazendo o “novo” à manifestação.

    O que eu entendo de tudo isso, é que a matéria escura ou energia escura ou porque não, o inconsciente; só nos parece desta forma porque ainda nossa mente não conseguiu captá-la e trazer à luz da consciência.
    Faz tempo eu li um post no Saindo da Matrix, onde dizia que os índios americanos não conseguiram ver os navios espanhóis no mar porque nunca haviam visto coisa igual antes, ou seja, como também o cérebro não tinha uma imagem dos navios formada ou de antemão registrada, os navios ficaram como invisíveis no mar.

    E eu fico matutando do meu jeito, não estaria tudo aqui já feito e formado, no sentido do futuro estar todo a nossa volta, acontecendo nesse mesmo momento, e só não somos capazes de perceber porque justo ainda não temos a imagem formada em nosso cérebro?

    Eu entendo isso no sentido de que a matéria escura e também a energia escura só não é compreensível, bem como o inconsciente, e ainda mesmo tudo estando à nossa volta, e justo porque nosso equipamento de cognição ainda não está preparado, ou ainda não consegue interpretar, ou ainda não há uma “forma’/imagem” dentro de nosso cérebro pra reconhecer toda a luz que já existe no universo.

    E se tudo já for luz, mas nos parece escuro por causa de nossa incapacidade física??

    Séculos atrás nossos mares eram impregnados por sereias e monstros marinhos, séculos atrás nosso planeta era o centro do universo, a terra era quadrada… O tamanho de nossa ignorância determina e molda nossa realidade, assim me parece…

    Talvez essa dualidade escuro/claro, matéria/anti-matéria só exista em nosso padrão de cognição, só exita em nossos limites mentais, vai saber?

    Sei lá?? divaguei bastante… 🙂

  17. Sem said

    Interessante especular com nenhum compromisso com nenhuma verdade absoluta anterior ou a ser atingida, com nenhuma linha de pensamento antes já estabelecida, com nenhum dogma… se o campo é do desconhecido, ainda está inteiramente aberto às nossas especulações… não vamos ser rigorosos com acertar de primeira, na segunda ou na terceira, vamos ser rigorosos com caminhar, acertar é ir em frente com coragem e responsabilidade – por nós e por todos… compromisso sempre com a verdade (sim, a nossa), com o que já percorremos – o que não podemos negar, isso será mesmo a nossa “fundação”, a nossa segurança, mas da qual temos de nos basear para dela nos desapegarmos em dar passos em direção ao desconhecido… a verdade é que não existe ainda nenhuma estrada segura, sequer existe uma estrada, apenas um campo mal e vagamente explorada por alguns pioneiros, que nos dizem e mandam dizer suas impressões, como os cegos tateando o elefante um a cauda, outro a tromba, outro a barriga… a verdade é que nossa estrada ainda não existe, o caminho no desconhecido é virgem, nós é que temos de achar e fazer o nosso próprio caminho… sabe que não tem volta? (eu sei que vc sabe) se estamos nesse campo do desconhecido, se a vida nos colocou aqui, temos de ir em frente… a outra alternativa é perecer… mas perecer antes do tempo, pq no final vamos sempre perecer… hoje eu já desconfio que isso nem é mais ruim, o vazio tb é Deus…

    Mas, então, Adi, quero te colocar uma questão bem difícil, pois foi a conclusão que cheguei a partir de suas especulações, vc quase diz… ou a mim ficou subentendido no seu texto, que a “consciência” cria “matéria”… cria? foi isso que vc quis dizer?

    A mim consciência gera consciência… o igual gera o igual… acho que qd observamos um evento, um ser, um objeto mesmo, modificamos o observado pq entramos na mesma rede de influências mútuas que ele e é o que os budistas chamam de “interdependência”… isso é bem demonstrado no experimento da quântica das partículas, que são tb ondas, pq, tenho cá para mim, no mundo micro algumas leis que permeiam tb o mundo macro são mais visíveis ali – nessa caso a relação estreita entre observador e observado… não creio que a observação possa criar o observado; pode, isto sim, revelar o que já existe, mesmo que apenas exista em potencial… o diabo é que tudo existe em “potencial”…

    Só que vc levantou algumas questões que podem mudar tudo… se existe em algum lugar esse momento de consciência gerar matéria – só especulando: isso seria uma ponte entre o vazio e a matéria, espaço tão inexplicado qt o Tao…

    Imagina eu pensando essas coisas e preciso sair pra dar aula pra criança… rs… eu volto depois…

  18. Sem said

    Talvez eu escreva bastante agora, é que vc disse coisas MUITO interessantes e que eu não quero deixar passar sem os meus comentários… o que eu esquecer, fica para depois – nesse papo que já vem se estendo por dois anos entre nós duas, ou, sei lá, já vai para três…

    “O que eu entendo de tudo isso, é que a matéria escura ou energia escura ou porque não, o inconsciente; só nos parece desta forma porque ainda nossa mente não conseguiu captá-la e trazer à luz da consciência.”

    È verdade, mas tb não vejo nada de errado se o escuro permanecer escuro ou for escuro mesmo. Depois da física que estuda anti-matéria, multiversos, matéria e energia escura, o escuro é a nova luz… rs

    Brincadeirinha, mas eu sinto talvez um pouco diferente de vc como resolver o problema da dualidade humana… não vejo mais muito problema no escuro, no imóvel, no silêncio, no desconhecido, no inconsciente, no Tempo, em Deus – são, assim para mim, já há algum tempo, fenômenos meio assemelhados e que eu aprendi a ver dessa forma aqui mesmo no Anoitan, quando discutindo Cabala com vc…

    Veja, eu estou tentando recolher todas as minhas projeções possíveis, as mais grosseiras em não humanizar o Universo… assim, eu percebo, ou o tanto quanto consigo me colocar fora dessa questão, de que há essa luta, que do nosso ponto de vista é eterna, entre as trevas e a luz – só para ficar nessa dualidade bastante eloquente ao destino do Universo… o que eu realmente observo é que isso não é “mau”, quer dizer, o Universo acabar no gelo ou no fogo, é um fato que deve ser aceito… talvez simplesmente seja o movimento de um organismo maior, que nós chamamos universo, mas que bem pode ser apenas um organismo vivo movendo-se em outro sistema maior…

    Esse afastamento das galáxias, é isso que nós observamos e conceituamos como o vetor da energia escura atuando sob a matéria, e que prevemos como o fim do Universo conhecido em gelo, mas, isso tudo, apenas pode ser o breve momento de um respirar desse organismo inflando seus pulmões, poderia ser apenas isso… e não há dualidade nisso, se é o movimento de um organismo coeso…

    Bom, se quisermos ir fundo nessa questão, dualidade sempre vai haver no movimento… é só no silêncio vazio do Tao que a dualidade parece não “existir”…

    Pois é, usei para o movimento do Universo a metáfora de pulmões humanos… é que nós não conseguimos deixar de usar como ponto de referência aquilo que já conhecemos, por isso para me fazer compreender, usei “pulmões”, mas poderia ter usado outra coisa, o crescimento de uma célula, por exemplo… qualquer outro mecanismo não conhecido por nós teria de ser tanto mais explicado quanto menos comum ele fosse a nós…

    Acho que no fundo, Adi, eu sou uma otimista incorrigível, não consigo desbancar essa teoria do Universo acabar em gelo e vai ver é por isso que estou buscando motivos para festejar a forma de como o Universo vai acabar no vazio escuro e gelado… esse é o melhor lado de ter um ascendente em sagitário…

    “Faz tempo eu li um post no Saindo da Matrix, onde dizia que os índios americanos não conseguiram ver os navios espanhóis no mar porque nunca haviam visto coisa igual antes, ou seja, como também o cérebro não tinha uma imagem dos navios formada ou de antemão registrada, os navios ficaram como invisíveis no mar.”

    Sei não, não é que eles não viram, eles viram, mas não avaliaram corretamente o que viram, porque julgaram os outros por eles mesmos, não conseguiram avaliar “quem” eram os espanhóis de fato – pq julgaram tinham as mesmas motivações que as suas, e as caravelas tomaram as formas de suas canoas… o absolutamente desconhecido pode causar em nós essa espécie de encantamento, que vai desde o mais negativo horror ao mais positivo enamoramento…

    Em Tristes Trópicos, há uma passagem em que Lévi-Strauss faz esse mesmo tipo de raciocínio:

    “Os brancos invocam as ciências sociais, enquanto os índios tinham antes confiança nas ciências naturais; e, enquanto os brancos proclamavam que os índios eram animais, os segundos se contentavam com desconfiar que os primeiros eram deuses. Em igualdade de ignorância, o último procedimento era certamente mais digno de homens.”

    Nas ciências humanas é que aprendemos o quanto há essa necessidade de relativizarmos, tanto as culturas quanto nossos relacionamentos, tanto a história da humanidade quanto a nossa pessoal familiar, para não confundirmos as coisas, e acharmos que tudo têm a medida do nosso “côvado”… ou ainda, literalmente, da nossa sombra… e sermos tomados por uma projeção cega…

    Por outro lado, não há como anular de vez com as projeções – sempre vai haver alguma, pois em alguma medida estaremos em algum canto fazendo do outro e do mundo um espelho para nós…

    A projeção em si, antes de ser um mal, é uma característica humana… o que pode é ela muito facilmente se tornar um mal quando e se nos conduzir a dualidades insolúveis… para isso o melhor antídoto ainda é o bom e velho oráculo de Delfos: “nada demais” e “ conhece-te a ti mesmo”… isso, pois, num primeiro plano, apenas o autoconhecimento nos livra das distorções projetivas grosseiras – a tendência é, quanto mais nos conhecermos, menos atribuirmos ao outro o ônus da nossa inconsciência… depois, o amor cura, pq só o amor faz aceitar aquelas coisas que não conseguimos mudar em nós e nem no outro, faz com que amemos o outro do jeito que é, e exatamente por isso faz com que nos amemos tb com todos os defeitos próprios de nossa espécie humana.

    Eu temo pessoas que só criticam os outros, que procuram antes o lado ruim das coisas, que botam defeito em tudo, culpam os outros, atribuindo-lhes a maldade, os demônios do mundo, sempre nas costas “largas” dos outros e das coisas é que jogam o peso de suas vidas… fico só imaginando o inferno que deve ser ali dentro, no âmago de uma pessoa assim dividida, o quão separada ela deve se sentir dos outros e desse mundo tão “sujo”… qd o desfrutar de uma vida espiritual é justamente o contrário, a comunhão… quanto mais comunhão, mais elevada é a vida espiritual de alguém, eu acredito…

    Eu disse que temo pessoas assim, temo na verdade é encarar em mim a minha incapacidade de poder “ajudar”, quer dizer, ficar do lado, de sentir alegria em estar junto de alguém que talvez precise mais de mim do que outro mais auto-suficiente, isso tudo me faz sentir muito pequena, por não conseguir deixar de impor limites entre eu e elas…

    “Talvez essa dualidade escuro/claro, matéria/anti-matéria só exista em nosso padrão de cognição, só exita em nossos limites mentais, vai saber?”

    Pois é, vai saber… mas sabemos que existe entre todos os homens patamares diferentes de vivência dessas dualidades… como disse a pouco, qt maior é a “evolução” espiritual de um ser, menos ele experimenta essa separação, dele do mundo, dele de Deus, dele dos outros… essa palavra “evolução” não é muito boa, porém, me parece adequada dentro desse contexto de “autoconhecimento” (argh, quero outras palavras)…

    Adi, no fundo eu não acho que essas dualidades sejam assim tão prejudiciais ao homem, se, e somente se, um polo reconheça o outro – o reconhecimento ao diferente é na minha teoria das relações o movimento de agregação, que aliás só pode acontecer com o “diferente”… então, pelo contrário, há crescimento, enlaçamento amoroso… e isso nós verificamos quando há respeito às diferenças, tanto internas qt externas, há paz num ser em movimento assim…

  19. adi said

    “Interessante especular com nenhum compromisso com nenhuma verdade absoluta anterior ou a ser atingida, com nenhuma linha de pensamento antes já estabelecida, com nenhum dogma… se o campo é do desconhecido, ainda está inteiramente aberto às nossas especulações…”

    Exatamente, pois é uma maneira muito mais livre de pensar e compreender, à sua própria intuição… até onde a imaginação pode levar…

    “Mas, então, Adi, quero te colocar uma questão bem difícil, pois foi a conclusão que cheguei a partir de suas especulações, vc quase diz… ou a mim ficou subentendido no seu texto, que a “consciência” cria “matéria”… cria? foi isso que vc quis dizer?”

    É exatamente o que diz a física quântica. Na física quântica, a partícula antes da medição existe em estado emaranhado de possibilidades ou de propriedades a assumir, a partícula é a soma dessas propriedades, a isso eles chamam de superposição coerente. Mas à partir da medição, ela a partícula assume uma única possibilidade e se torna concreta. Enquanto a partícula não for medida, ela não tem nenhuma característica concreta, ela não existe de verdade, é somente um potencial à vir à manifestação ou existir depois da observação ou medição. Deduzimos então que o mundo só se torna manifesto porque há a observação, ou, que é a observação que cria a partícula.
    Quem é o observador que faz a medição? Segundo Goswani, é a consciência o observador quem faz a tal da medição ou percepção, mas não a nossa consciência normal do dia a dia, mas a consciência é aquele percebedor que existe a priori no ser e é a consciência impessoal, que é anterior a própria divisão dos opostos, e dá pra interpretar como o Self da psicologia. Tudo isso faz total sentido pra mim.
    A medição “cria”, no sentido de que entre uma diversidade de possibilidades, como se escolhesse apenas “uma”, e é essa “uma” que a partícula vai assumir a forma.
    Na idéia que tenho de tudo isso, é que do começo ao fim da existência (o Alfa e o Ômega) tudo já existe lá em “potencialidade” de existir, essa é a temporalidade e a eternidade, e o limite é quando tudo se esgotar aqui na temporalidade (manifesto).

    ” se existe em algum lugar esse momento de consciência gerar matéria – só especulando: isso seria uma ponte entre o vazio e a matéria, espaço tão inexplicado qt o Tao… ”

    Sem, eu me lembrei de um sonho, talvez o mais maravilhoso e arquetípico que já tive, foi em março de 2001. Bem, é muito longo, mas tenho cada detalhe aqui comigo, mas eu me lembro principalmente da sensação de extremo e máximo poder de criação, eu senti que podia criar tudo que fosse imaginado, exatamente tudo que fosse imaginado, mas junto veio uma advertência (aquela voz poderosa na mente) pra não fazer mau uso do poder. Eu demorei um tempo pra compreender todo esse sonho, ainda o tenho bem vivo. Hoje eu tenho perfeita compreensão que esse poder pertence ao Self e que se manifesta através da “imaginação” que é o processo de “Alma” ou a própria alma. É a Alma/imagem/imaginação/consciência que traz à manifestação o mundo das potências.
    Só não podemos confundir essa imaginação com os devaneios da mente, é um outro tipo de imaginação… Essa é a “ponte” entre o vazio (pleroma/mundo potencial) e a matéria.

    “Imagina eu pensando essas coisas e preciso sair pra dar aula pra criança… rs… eu volto depois…”

    Pois é!! nós estamos no mundo e precisamos fazer a nossa parte. 😉

  20. adi said

    Vamos dialogar então como que por partes, :). Pra ficar mais coeso também.

    “Pois é, usei para o movimento do Universo a metáfora de pulmões humanos… é que nós não conseguimos deixar de usar como ponto de referência aquilo que já conhecemos, por isso para me fazer compreender, usei “pulmões”, mas poderia ter usado outra coisa, o crescimento de uma célula, por exemplo… qualquer outro mecanismo não conhecido por nós teria de ser tanto mais explicado quanto menos comum ele fosse a nós…”

    Esse tipo de analogia é muito usada também no meio esotérico, ou entre os teosofistas. Se diz que todo esse mundo visível e material (luz) é como a exalação “Daquele que nada pode ser dito”, porque está muito além de nossa compreensão. E que o nosso agora, já faz parte de do movimento de “inalação” do mesmo, porque tudo já está voltando pra fonte de onde foi exalado, estamos na fase de retorno.
    Eu também talvez seja uma “tola” otimista, 🙂

    “Sei não, não é que eles não viram, eles viram, mas não avaliaram corretamente o que viram, porque julgaram os outros por eles mesmos, não conseguiram avaliar “quem” eram os espanhóis de fato – pq julgaram tinham as mesmas motivações que as suas, e as caravelas tomaram as formas de suas canoas… ”

    É eu acho que é bem por aí. Com certeza eles não puderam interpretar o que viram, muito menos avaliar. Talvez não tanto ao ponto de relacionar os homens brancos aos deuses, pois eles já tinham bem definidos os seus deuses, tanto que os brancos não conseguiram convertê-los aos seus próprios deuses, mas deve ter sido um “ponto cego” (erro de avaliação) como o do retrovisor do carro, :).

    “Por outro lado, não há como anular de vez com as projeções – sempre vai haver alguma, pois em alguma medida estaremos em algum canto fazendo do outro e do mundo um espelho para nós… ”

    Eu entendo a retirada das projeções quando se chega naquele ponto de total conscientização do Self, ou de total despertar do mesmo. Nesse ponto, o próprio retira as projeções porque já é praticamente a “medida” do coletivo no sentido da “psiquê objetiva”.

    ” … conhece-te a ti mesmo”… isso, pois, num primeiro plano, apenas o autoconhecimento nos livra das distorções projetivas grosseiras – a tendência é, quanto mais nos conhecermos, menos atribuirmos ao outro o ônus da nossa inconsciência… depois, o amor cura, pq só o amor faz aceitar aquelas coisas que não conseguimos mudar em nós e nem no outro, faz com que amemos o outro do jeito que é, e exatamente por isso faz com que nos amemos tb com todos os defeitos próprios de nossa espécie humana.”

    Parece tão simples não é mesmo? parece tão básico, que a maioria até ironiza o oráculo. Pois é, quanto mais nos enxergamos e principalmente nos amamos, esse é o grande “boom”, verdade, quando conseguimos nos olhar verdadeiramente, nos aceitar e ainda amar a nós mesmos do jeito que somos, então poderemos amar ao outro do jeito que ele também é, com todas as suas falhas, exatamente como nós também o somos. É nesse momento Sem, de nossa aceitação, quando conseguimos nos olhar nús diante do espelho, e nos aceitarmos como somos, é a aceitação de nossa sombra, é quando o ódio deixa de ser o oposto do amor, oposto a nós, a energia retorna, não está mais separada, e assim o próprio indivíduo está mais inteiro, mais pleno…

    ” […] fico só imaginando o inferno que deve ser ali dentro, no âmago de uma pessoa assim dividida, o quão separada ela deve se sentir dos outros e desse mundo tão “sujo”… qd o desfrutar de uma vida espiritual é justamente o contrário, a comunhão… quanto mais comunhão, mais elevada é a vida espiritual de alguém, eu acredito… ”

    O sofrimento é da pessoa, porque não resolve seu próprio conflito interior ao projetar no mundo. Mas faz parte do processo de autoconhecimento, alguns conseguem resolver mais rápido seus próprios conflitos, outros demoram um pouco mais. Uma pessoa em verdadeira comunhão, ou quanto maior for esse sentimento, está em muita paz, harmonia e liberdade de sentimento com relação a si próprio e ao mundo… Vê beleza em toda existência…

    “… ficar do lado, de sentir alegria em estar junto de alguém que talvez precise mais de mim do que outro mais auto-suficiente, isso tudo me faz sentir muito pequena, por não conseguir deixar de impor limites entre eu e elas… ”

    Mas é normal isso, por outro lado, felizmente ou infelizmente, enquanto nós mesmos não estivermos totalmente bem conosco, não há como fazer alguma coisa, ou pouca coisa que seja, pelos outros. Muitos ainda vivem nessa grande “ilusão” que é a de ser salvo por alguma força exterior, ou iludido por vaidade de se tornar um “salvador”. Cada um é o único responsável pelo próprio caminho, pelas próprias atitudes e escolhas. Na verdade, a própria vida é o grande mestre e iniciador, em nossos muitos relacionamentos por aí afora, há sempre uma troca, já o uso que irá se fazer (aprendizado) desses encontros, é alguma coisa de totalmente pessoal, e é aqui que uma maior percepção da própria vida faz toda diferença, ou maior aproveitamento. Os limites vão sendo retirados de acordo com a retirada dos limites de nossa própria percepção com relação a nós mesmos.

    “Adi, no fundo eu não acho que essas dualidades sejam assim tão prejudiciais ao homem, se, e somente se, um polo reconheça o outro – o reconhecimento ao diferente é na minha teoria das relações o movimento de agregação, que aliás só pode acontecer com o “diferente”… então, pelo contrário, há crescimento, enlaçamento amoroso… e isso nós verificamos quando há respeito às diferenças, tanto internas qt externas, há paz num ser em movimento assim… ”

    Também não acho prejudiciais, muito pelo contrário, faz parte de nossa maturação como ser humano. E também acho como vc, o movimento só se dá por causa desses opostos. Por outro lado, eu sinto que faz parte dessa mesma maturação do ser humano ir além da dualidade, realizar aquilo que estamos destinados em nossa existência, que é Ser pleno. Sabe, talvez nenhum ser humano é capaz de realizar toda a totalidade desse “mundo potencial do primeiro dia da criação”, mas não importa isso, importa que realizemos um pouco disso em nós mesmos. Parece que fisicamente estamos limitados pra suportar essa “grandeza de ser e existir”, então é como se cruzássemos essa linha, e num único momento pudéssemos sentir ou ter um vislumbre da eternidade em cada célula, mas não podemos manter essa grandeza por muito mais que alguns minutos, isso nos custaria a vida… então temos que voltar pra nossa vida de sempre, e fazer disso uma vivência em nós mesmos primeiro. Mas eu entendo que viver em harmonia no coração, de alguma forma traz harmonia pra nosso entorno, sem mesmo ser dito uma só palavra…

    Sem, posso te fazer um elogio?? Vou fazer mesmo assim, 🙂 … Você me faz exteriorizar e sentir o melhor de mim…

    Obrigada,

  21. Sem said

    “… Você me faz exteriorizar e sentir o melhor de mim…”

    Fico encabulada e até perco o rumo do que eu iria dizer… rs… mil vezes obrigada, Adi! vc provoca o mesmo efeito em mim. 🙂

    Sabe, ontem à noite eu terminei com um livro de poesias da Adélia Prado que vinha mastigando há uma semana, em que ela fala com tanta ternura de suas perdas, estou ainda tão emocionada… vou admitir que foi o único livro de poesias em que eu chorei a não conseguir continuar com a leitura, eu lavei foi é a alma… entendo as perdas dela como a de todos, que nem por isso perdem ou perderam a sensibilidade, como as minhas, já perdi pai, mãe, irmão, cidades, amores… colocando tudo isso à flor da pele, eu entendo quando ela diz em “toada”:

    ……..

    Cantiga triste, pode com ela
    é quem não perdeu a alegria.

    ……..

    Vou ver se faço um arranjo coeso das poesias mais emocionantes e coloco lá no Sopoesia, não deixa de ler…

    Aqui eu só queria fazer um último comentário… uma frase que se diz muito por aí e que certamente todos já ouviram em algum contexto:

    ….. “à luz da consciência” …..

    Não é?

    Essa coisa de consciência gerar matéria, pelo “semelhante gera semelhante” do pensamento hermético, vemos que uma é a outra… consciência é luz – o tal do jogar luz sob a escuridão > luz é energia > energia é matéria… tudo semelhante…

    Trocando a palavra “gerar” (que dá a impressão de criar do nada) por “revelar” (que é literalmente iluminar o que já existe) é um pensamento perfeito…

    E tudo isso acontece sob o pano de fundo da noite escura do Universo…

    Bjão!

  22. Pessoas, boa noite… torço para que algum de vocês leia!

    Buenas, eu sou Zen Budista e não entendo nada de Zodíaco, mas acredito que vocês vão gostar disto:

    http://www.deldebbio.com.br/index.php/2011/11/15/a-astrologia-e-casher/#more-7968

  23. adi said

    Oi Lex,

    Bacana o texto que vc nos trouxe, eu li e achei interessante, obrigada.

    Quando se fala em astrologia e zodíaco as pessoas logo pensam no horóscopo de jornal :), por isso atualmente anda tão desacreditada. Do Zen eu não posso dizer nada, pois conheço superficialmente, mas já o budismo tibetano tem um estudo muito profundo sobre astrologia e valorizam bastante essas influências. Não deve ser por acaso que algumas tradições espirituais dedicaram vários estudos sobre esse assunto, muito pelo contrário… 🙂

    Gashô

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