Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Cisne Negro, um amargo retrato da sombra

Posted by adi em março 1, 2011

Demorou, mas enfim, aqui está uma pequena análise do filme “Cisne Negro”.  O post está cheio de spoilers, por isso, quem ainda não assistiu o filme, e gosta do fator surpresa, já sabe o que vai encontrar. 🙂

Cisne Negro, em inglês Black Swan, é um filme de drama psicológico e suspense dirigido pelo diretor  Darren Aronofsky, estrelado por Natalie Portman, que merecidamente ganhou praticamente todos os prêmios de melhor atriz da temporada, incluindo o Oscar, por sua atuação fantástica nesse filme. O filme ainda conta com as excelentes atuações de Mila Kunis, Vincent Cassel, Barbara Hershey e Winona Ryder.

Natalie Portman interpreta a doce e delicada bailarina Nina, que pertence ao corpo de balé de uma companhia de Nova York. Totalmente dedicada e devotada a dança, ainda mora com a mãe Erica (B. Hershey), ex-bailarina que dá apoio total à carreira da filha. Thomas Leroy (Vincent Cassel), o diretor artístico da companhia, substituirá a bailarina principal Beth (Winona R.) para a nova temporada de apresentações que se iniciará com a nova versão do Lago do  Cisne. Nina é perfeita para interpretar o cisne branco Odete, que representa a beleza, fragilidade e graça,  mas a bailarina que for escolhida para interpretar Odete também terá que interpretar a irmã gêmea, a perversa e maliciosa Odile, o cisne negro, o qual esse papel se encaixa perfeitamente na novata Lilly (Mila Kunis).

Aronofsky nos transporta com genialidade ao mundo disputadíssimo do balé, nenhum detalhe escapa à sua câmera, ao seu olhar, nem mesmo os detalhes dos movimentos e passes de balé em câmera lenta… imagens ricas que traduzem a disciplina, o rigor, a prática extenuante  até a dor. O filme se constrói acompanhado pela trilha sonora do próprio Lago dos Cisnes de Tchaikovsky, e nos mostra  a dualidade inerente do ser humano, o branco e negro, bem e mal, quase sempre num belíssimo jogo de espelhos onde há sempre o duplo. O diretor foi fundo na alma humana, e questiona de modo brilhante a idéia ou  o significado de “perfeição”.

O filme começa com o sonho de Nina dançando o Lago do Cisne no momento em que é lançado o feitiço. São os nossos sonhos que sempre nos revelam, em primeira instância, o material inconsciente que está emergindo,  nos antecipando, muitas vezes, sincronicidades da vida.

Thomas escolhe e anuncia Nina como a Rainha dos cisnes, aquela que interpretará a pura, virginal e meiga Odette, mas também a sensual e maliciosa Odile, sabendo de antemão da dificuldade que Nina teria para interpretar Odile, não descartando, por isso, a possibilidade de substituí-la por Lilly. Depois desse ocorrido, apesar da imensa alegria,  o lado sombrio e reprimido de Nina começa a aparecer de forma muito mais pronunciada. Conquistar o sonho e papel de sua vida foi o start que desencadeou  todo o dolorido processo de autoconhecimento e transformação. À partir desse momento ela não tinha mais como  esconder de si mesma  seus conflitos e complexos profundos, seus maiores medos.

Jung definia a sombra como “a coisa que o sujeito não tem o desejo de ser”, é o lado negativo da personalidade, a soma de todas as qualidades desagradáveis que o indivíduo quer esconder, o lado inferior e primitivo da natureza do homem, a “outra pessoa”  em um indivíduo.  Quanto menos a sombra está  incorporada na vida consciente de uma pessoa, mais negra e densa ela é. Como todo conteúdo inconsciente, no início aparecem na projeção, e quando a consciência se vê numa situação ameaçadora, a s0mbra se manifesta como uma projeção irracional sobre o próximo, esse é um dos motivos das antipatias e desafetos. Nina incapaz de lidar com seu lado sombrio, projeta sobre Lilly tudo aquilo que nega e reprime em si mesma, ainda mais que, para Lilly viver seu lado sensual e sedutor é absolutamente natural e espontâneo. Nina se sente perseguida por Lilly, em sua insegurança, teme por perder o papel de sua vida para Lilly.

Nina é uma garota  superprotegida pela mãe que ainda a trata como criança, que não mede esforços em mimá-la como forma de ter poder e controle sobre a filha. Por outro lado, Nina nunca conseguiu impor limites, para ela, mesmo aos 28 anos, era conveniente estar nesse ambiente seguro infantilizado e não ter que se tornar mulher e dona de si própria. Seu quarto em tons de rosa e branco é cheio de bichinhos de pelúcia, sua mãe ainda a ajuda a se vestir, mesmo Nina não concordando totalmente com esse controle, ambas são cúmplices desse relacionamento doentio. Para Nina se manter nessa redoma segura e infantil, ela tem que reprimir totalmente seu lado sensual, sedutor, sexual, que uma criança ainda não desenvolveu. Para a mãe, Nina é a “doce garotinha”, meiga, suave, ingênua, além de projetar em Nina sua frustração por não ter sido uma bailarina de sucesso e ter abdicado da carreira devido a gravidez, ao mesmo tempo que espera que Nina realize aquilo que não foi capaz, no fundo sente inveja por Nina ter conseguido se tornar a primeira bailarina da companhia. Nina, por se sentir culpada, tenta de todas as formas alcançar as expectativas da mãe.

Para tanto, além de toda repressão, sobretudo de caráter sexual, ainda exerce extrema disciplina e controle pra se tornar a bailarina “perfeita”, perfeição que também é projetada na veterana Beth, seu ídolo. Tanto controle têm seu preço, para aliviar essa enorme pressão interna, Nina recorre à automutilação. Além de arranhar e machucar sua pele, ela é bulímica. Normalmente, quem recorre à automutilação é porque não encontrou escapes saudáveis de aliviar a angústia e ansiedade, e Nina recorre a isso como válvula de escape sempre que se sente pressionada.

Pressão é o que não falta, Thomas desafia Nina a liberar todo seu lado sexual reprimido pra interpretar Odile. Exigente e provocativo ele tenta fazer com que Nina solte esse lado instintivo, sexual, espontâneo, agressivo, sensual e malicioso. Ele instiga Nina a não se prender, a não se controlar tanto. Para Thomas perfeição não é somente controle, mas se soltar, se permitir ao prazer.

Tanta rigidez e controle psicológicos se manifestam no corpo em forma de sístase, pois os complexos são radicados no corpo e expressam-se somaticamente. E percebemos isso na hora da massagem em Nina, ela está toda presa, cheia de dores em seu diafragma, em suas articulações e tendões.

Há todo um trabalho e esforço para que Nina consiga liberar e interpretar a essência de Odile. Mas enquanto Nina não liberar e trabalhar seu psicológico reprimido, tudo parece ser em vão e, Nina sente como que essa oportunidade de viver o papel de sua vida escorrendo por entre seus dedos e indo em direção à Lilly. É uma luta terrível com ela mesma, se por um lado para Nina perfeição significa controle, quanto mais ela controla, mais sua sombra se fortalece. Ela já não obtém mais o controle, e inconscientemente os fortes conteúdos reprimidos se tornam autônomos, de caráter obsessivo e possessivo, capazes de possuí-la a tal ponto de distorcer totalmente a realidade. Ilusões e fantasias para Nina não se distinguem mais da realidade.  Ainda que não de toda consciente, seu lado obscuro vai se fazendo presente em sua vida, e Nina começa sua transformação interior. Ela ousa enfrentar o controle da mãe, se permitindo fazer coisas que antes não considerava correto. Sai com Lilly e “chapada” libera suas  fantasias sexuais reprimidas, mesmo que somente em sua mente, ela se permite vivenciá-las pela primeira vez. Depois se desfaz de seus bichinhos de pelúcia, e ainda desafiando a mãe tem uma briga terrível onde possuída pelas fortes emoções diz tudo o que sempre teve vontade de dizer. Ela já não tem mais 12 anos, ela já não é mais a garotinha da mamãe…

Essa é a pior forma de tomar conhecimento dos aspectos sombrios da alma, através da obsessão e possessão. Pela enorme dificuldade em aceitar seus aspectos inferiores, Nina se torna ela própria sua pior inimiga, se boicotando o tempo todo, criando dificuldades e empecilhos em sua visão de mundo. Mas mesmo assim, determinada a viver o sonho, o papel de sua vida, com coragem ela enfrenta seu terror. Para Nina não há espaço para a sombra, para a sombra não há espaço para Nina…

O desfecho de tudo isso só poderia resultar catastrófico, porque Nina só se torna plenamente consciente de sua sombra através de um ato extremo, igual ao final reservado à própria Odete no Lago dos Cisnes, e por esse meio, ela se sente plena, não dividida, e por esse fim, ela sente e capta a essência da tão almejada “perfeição”.

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Ref.: Carl Gustav Jung e Rubedo

Desenho Artístico: “Black Swan Study”  by Eduardo Souza

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19 Respostas to “Cisne Negro, um amargo retrato da sombra”

  1. Adi,

    me surpreendi muito ao ver seu comentário lá no deviantart! Eu estou altamente lisonjeado de ter um trabalho meu aqui, ilustrando um post tão bom como esse!
    Fiquei muito feliz, também de ter dado algum incentivo para que você visse o filme!

    Uma coisa que eu notei, foram muitas pessoas falando que esse filme “é um filme sobre ballet”, o que eu acho uma injustiça desmedida. Sim, o filme se passa nesse meio, que também tem uma participação decisiva na construção da personalidade de Nina, e a intenção do diretor, como ele mesmo declarou era fazer quase que uma continuação de “O Lutador”. Mas é diminuir muito, mas muito mesmo, dizer que esse filme se trata de ballet. Trata de coisas muito mais profundas, inerentes ao ser humano e à psique, como você perfeitamente explicou no post.

    E o que mais me tocou no filme foi como, do mesmo modo que Anticristo de Von Trier, o diretor conseguiu nos puxar para dentro da mente de Nina, nos mostrar o que há de mais cru na realidade individual.

    Obrigado novamente por ter colocado meu trabalho aqui, e parabéns pelo post!

  2. adi said

    Oi Eduardo,

    “me surpreendi muito ao ver seu comentário lá no deviantart! Eu estou altamente lisonjeado de ter um trabalho meu aqui, ilustrando um post tão bom como esse!”

    Como te falei lá no deviantart, você é muito talentoso, sua arte é bela. E estando relacionado com posts (assuntos) daqui, não tenho dúvida de onde buscar imagens. Aquela sua pintura “Prometheus Bound” está muito, muito boa.

    “Fiquei muito feliz, também de ter dado algum incentivo para que você visse o filme!”

    Foi motivador sim Eduardo. Pra te falar a verdade, o tempo estava curto, mas a inspiração menor ainda, rsrs. E foi muito bom ter assistido o filme, primeiro porque gostei demais, segundo porque me deu vontade de voltar a escrever. Só não o fiz logo depois do dia 13 porque estava com viagem marcada dia 14 e voltei só dia 24.

    “Uma coisa que eu notei, foram muitas pessoas falando que esse filme “é um filme sobre ballet”, o que eu acho uma injustiça desmedida.”

    De fato, o enfoque da maioria foi sobre o mundo competitivo do balé, e não perceberam que o balé foi usado mais como cenário onde é ambientado o mundo dividido de Nina. Eu ainda não assisti o filme “O Lutador”, agora está na minha lista, rsrs. Eu li também comentários falando que Nina era esquizofrênica, ou psicótica, etc, não sei até onde isso se aplicaria, visto que ela tinha uma carreira sólida, caso contrário, não teria sido escolhida pra se tornar a “primeira bailarina”, pra mim, fica evidente que a enorme responsabilidade, ou o peso de ter se tornado a mais importante, fez com que Nina aumentasse mais sua exigência pessoal de ainda ser melhor, ou mais perfeita, e isso foi o que desencadeou a obsessão, foi como a gota no copo cheio de água.

    “E o que mais me tocou no filme foi como, do mesmo modo que Anticristo de Von Trier, o diretor conseguiu nos puxar para dentro da mente de Nina, nos mostrar o que há de mais cru na realidade individual.”

    Esse assunto sobre a sombra é “sedutor”, atrativo, não é? Seria interessante ir até mais fundo, nesse assunto sobre a sombra, num futuro post talvez, porque eu tenho comigo, uma certeza até, de que só se alcança mais luz, ou só se progride através do (bom) confronto com a sombra. Não há outra forma, é como Jung diz, só se toma mais consciência pelo que é inconsciente, ou o que nos é desconhecido nos vêm à luz da consciência.

    “Obrigado novamente por ter colocado meu trabalho aqui, e parabéns pelo post!”

    Eu que te agradeço!

  3. Sem said

    Oi Adi, como está?

    Oi Eduardo, seu desenho ficou bárbaro, parabéns!

    Pois é, Adi, assisti Black Swan e lembrei de sua análise aqui e vim comentar… antes de qq outra coisa, parabéns tb pela análise caprichada de sempre… é um filme e tanto mesmo, merece toda crítica bem fundamentada… mas vc não achou que Nina é tb uma heroína? louca, mas heroína… aliás, como todos os heróis são fora do normal, ela teria que ter algo fora do senso comum mesmo…

    A história de Nina me lembrou demais os “personagens” do James Hillman em “O Código do Ser”… quer dizer, casos de pessoas reais sendo inspiradas fortemente por seus “daimons”, cumprindo o “seu” destino, invariavelmente à custa das próprias vidas… nesse sentido, creio que Nina incorpora algo que vai além de uma batalha contra a “Sombra”, a sua e a do próprio espetáculo… a mim pareceu um caso de “coniunctio” trágica… olha a coincidência, relendo pouco antes do filme o “Alquimia”, da von Franz, onde ela enfatiza o quão perigoso é o casamento do Sol com a Lua, pois nem sempre os eclipses têm desenlace feliz, tratam-se de opostos afinal e um tende a fazer “mal” ao outro… então, pra mim, Nina é uma heroína trágica, como trágicos são os deuses que arrastam o destino de todo aquele que sai do lugar comum dos mortais para realizar algo de sagrado, como as suas bodas alquímicas…

    Bom, uma vez eu falei, não sei se vc lembra, comentando o “Idade da Razão”, do Sartre, que só vale a pena viver se for por uma causa que valha a pena morrer… penso que é exatamente esse o caso de Nina… não sei dizer se feliz ou infelizmente o preço de uma “coniunctio” para alguém dividida como a personagem seria a morte – não simbólica – de pelo menos uma de suas partes… agora para nós, como expectadores, eu tenho certeza que é felizmente poder assistir a uma grande obra assim, para nós mulheres especialmente, que estamos acostumadas a ter como “heroínas” mulheres um tanto medíocres, que buscam que outro as complete de fora, depositando nisso o sentido de suas vidas – o caso da mãe de Nina.

    Vc não acha que nós mulheres temos falta de exemplos de mulheres que se realizam por si mesmas? sendo quase um atributo de “feminilidade”, a dependência de alguém, a falta?

  4. adi said

    Que saudade de você Sem,

    Estou assim, quieta demais, como um silêncio maior que eu mesma… lutando pra voltar aqui. Mas estou feliz, de verdade, de poder continuar, e ainda mais feliz de você também estar aqui, obrigada pelo “caprichada”, ;). Só pra seu conhecimento, tenho visto sempre o Sopoesia, mudou as caras de novo, ficou black marmorizado, lindo.

    Sabe, muito interessante seu ponto de vista, me abriu uma nova perspectiva. Infelizmente eu nunca tive o prazer de ler diretamente James Hillman, só li por outros, e ainda não o compreendo da forma como gostaria, mas de Jung li um pouco mais, por isso o tomo como referência de meus achismos, mesmo porque, no fundo, bate com minhas próprias experiências. Foi em Jung que encontrei forte embasamento e completamente seguro pra lidar com a sombra… e por incrível que pareça, a sombra é um aspecto que vêm em ordem primeira ou que antecede ao “animus/anima”.

    Apesar disso, não deixa de ser uma coniunctio (a primeira fase), claro uma união de opostos. E Nina é uma heroína, no sentido que o caminho da individuação se compara a jornada do herói.

    ” nesse sentido, creio que Nina incorpora algo que vai além de uma batalha contra a “Sombra”, a sua e a do próprio espetáculo… a mim pareceu um caso de “coniunctio” trágica olha a coincidência, relendo pouco antes do filme o “Alquimia”, da von Franz, onde ela enfatiza o quão perigoso é o casamento do Sol com a Lua, pois nem sempre os eclipses têm desenlace feliz, tratam-se de opostos afinal e um tende a fazer “mal” ao outro… ”

    Mas o confronto com a sombra também têm sérios riscos caso não haja uma boa retaguarda que ampare a consciência. Nos livros de magia há a necessidade de primeiro estabelecer um canal de comunicação direta com o Self, pra então poder ter um confronto mais direto com a sombra. Porque a sombra, devido seu caráter arquetípico, possui tremenda força psíquica, atuando como aparece no filme, distorcendo a realidade de Nina e possuindo a consciência, em casos mais graves levando a loucura.

    ” para nós mulheres especialmente, que estamos acostumadas a ter como “heroínas” mulheres um tanto medíocres, que buscam que outro as complete de fora, depositando nisso o sentido de suas vidas – o caso da mãe de Nina. ”

    Por causa da projeção. No fundo muitas pessoas (a grande maioria) não conseguem levar a cabo a realização de um sonho, ou seguir a inspiração de seu daimon como vc falou, e concretizar isso em suas vidas. Essa frustração acaba por ser projetada no outro, como cobrança e como inveja também, no caso da mãe de Nina.

    ” Vc não acha que nós mulheres temos falta de exemplos de mulheres que se realizam por si mesmas? sendo quase um atributo de “feminilidade”, a dependência de alguém, a falta? ”

    Eu acho que tanto os homens como as mulheres, ainda buscam exteriormente a completude que existe a priori no ser humano, esse elo perdido do Ser, está bem no amâgo de cada um, mas como inconsciente, sempre projetado no outro. Não é só a sombra que o inconsciente projeta, mas também as qualidades que admiramos nos outros e achamos que não possuímos.
    Como toda a manifestação do arquétipo, isso vem sendo vivenciado de várias formas. Contudo, me parece, que nos dias atuais, as mulheres estão buscando seu próprio espaço num universo até então masculino, como por ex. a política. Acho que porque está se tornando independente em primeiro lugar não do homem, ou independência financeira, mas independente da sua própria ideologia imposta pela cultura e sociedade.

    Creio eu que a verdadeira realização é tão interior, independente do gênero, e que nós mulheres estamos descobrindo um universo rico de possibilidades de se realizar, lado a lado com o homem, de igual pra igual, e isso é muito recente, por isso nos faltam exemplos desse feito. Nossa independência “mental/ideológica” está começando, e isso nos dá experança de que talvez daqui algumas gerações vamos ter um mundo mais equilibrado e coerente.

  5. adi said

    Oi di novo Sem,

    “Vc não acha que nós mulheres temos falta de exemplos de mulheres que se realizam por si mesmas? sendo quase um atributo de “feminilidade”, a dependência de alguém, a falta?”

    Eu lembrei também da tal da pirâmide de Maslow, onde auto realização se encontra no topo da pirâmide. Primeiro no ser humano há muitas, muitas outras necessidades mais importantes a serem supridas, então se passa boa parte da vida buscando satisfazer essas necessidades, quando já se está tranquilo com isso é que irá atrás de auto realização. E convenhamos, a grande maioria populacional tem como preocupação maior ganhar o pão de cada dia, infelizmente essa é a maior necessidade do ser humano e que ainda não é suprida suficientemente, quanto mais o resto…

  6. Alessandra R. said

    Também gostei muito do post…tinha ficado com algumas dúvidas depois de assistir ao filme mas agora tudo ficou mais claro.

    Parabéns.

  7. Sem said

    Oi Adi!

    “Que saudade de você Sem,

    Estou assim, quieta demais, como um silêncio maior que eu mesma… lutando pra voltar aqui. Mas estou feliz, de verdade, de poder continuar, e ainda mais feliz de você também estar aqui, obrigada pelo “caprichada”, . Só pra seu conhecimento, tenho visto sempre o Sopoesia, mudou as caras de novo, ficou black marmorizado, lindo.”

    Idem! Tb tenho saudade, igualmente ando quieta, e, do mesmo modo, bem…

    Sabe o Sopoesia, não é que eu queira mudar, pelo contrário, eu até faço força para não mudar, mas, as mudanças acontecem… rs
    Eu ando sem tempo agora, mas ainda quero fazer outro fundo diferente daquele padrão marmorizado… algo mais pessoal, menos frio, porém, ainda escuro – foi pelo escuro que mudei… o blog vai bem, com dezenas de visitas diárias – acho que ele caiu nas malhas do Google pela poesia diversificada, mas, independente disso, eu o manteria com prazer só para mim se fosse o caso – a verdade é que a poesia tem sido tudo na minha vida, ou, quase tudo… 🙂

    Falando de alma…

    “Apesar disso, não deixa de ser uma coniunctio (a primeira fase), claro uma união de opostos. E Nina é uma heroína, no sentido que o caminho da individuação se compara a jornada do herói.”

    Vc bem que poderia nos presentear com a segunda parte do “Mysterium Coniunctionis” do Jung… ainda não li, e – bem egoísta – seria sincrônico com as minhas releituras do momento, do “Alquimia” da von Franz e do “Psicologia e Alquimia” do Jung… aliás, esse último, num outro nível de leitura, estou relendo e adorando…

    Qt ao filme, a sua análise psicológica foi bárbara, concordo com tudo o que disse no tocante a forma projetiva de Nina lidar com a sua Sombra… e como ela foi absorvida pela Sombra, o desfecho seria inevitável e previsível, ou a morte ou a loucura, ou ambas… super humano, mas a mim a maneira como a personagem deu-se conta no final, realizou o que sempre esteve em busca e nem sabia – ser una, foi isso que possibilitou a sua performance “perfeita”… no final é que nos damos conta da coragem de Nina, pelo menos a mim o final revelou uma saga – maior que uma história comum – a qual uma heroína se viu tragicamente envolvida pelo destino… ao tomar consciência de si, Nina tb nos revela o preço que se paga, e que muitos com razão temem pagar, pela ousadia da unidade… a história de Nina pode ser apenas a história de Nina, mas todos nós temos um preço e a grande maioria sequer deseja existir de verdade… Grande Sertão Veredas, dizia o Riobaldo, “viver é muito perigoso”… tão perigoso que alguns preferem não viver.

  8. adi said

    Oi Alê,

    “Também gostei muito do post…tinha ficado com algumas dúvidas depois de assistir ao filme mas agora tudo ficou mais claro.

    Parabéns.”

    Que bom que vc gostou, brigaduuu.

    bjs e bjs

  9. adi said

    Oi Sem,

    – o blog vai bem, com dezenas de visitas diárias – acho que ele caiu nas malhas do Google pela poesia diversificada, mas, independente disso, eu o manteria com prazer só para mim se fosse o caso –

    Que alegria quando as coisas vão de vento em popa, tudo acontece simplesmente da melhor maneira…

    – Vc bem que poderia nos presentear com a segunda parte do “Mysterium Coniunctionis” do Jung… ainda não li, e – bem egoísta – seria sincrônico com as minhas releituras do momento, do “Alquimia” da von Franz e do “Psicologia e Alquimia” do Jung… aliás, esse último, num outro nível de leitura, estou relendo e adorando… –

    Pois é Sem, a sengunda parte até já tem aqui no blog, é um resumo bem curtinho de um capítulo do livro de Jung, está faltando a terceira parte, o Unus Mundus. Como estou meio sem energia, acho que é isso, ou sem libido suficiente pra voltar a escrever com “emoção”, não posso prometer nada. Tenho 2 posts meio em andamento mas não consigo terminar. Interessante que muitas vezes quando vou dormir, já estou deitada, vem um monte de idéias, tudo faz sentido, tem um post inteiro na minha cabeça, mas já esta tarde, não quero levantar pra escrever e digo pra mim mesma, amanhã vai estar tudo na minha mente e ok, rsrs… que nada, acordo sem o mesmo entusiasmo, e aí já não é a mesma coisa, não têm mais aquele sentido bonito… Mas sabe que eu tenho esses dois livros que você está lendo, vou dar uma lida novamente. Boa pedida.

    – ser una, foi isso que possibilitou a sua performance “perfeita”… no final é que nos damos conta da coragem de Nina, pelo menos a mim o final revelou uma saga – maior que uma história comum – a qual uma heroína se viu tragicamente envolvida pelo destino… ao tomar consciência de si, Nina tb nos revela o preço que se paga, e que muitos com razão temem pagar, pela ousadia da unidade –

    O filme é lindo, eu achei. E é só no final que Nina se dá conta de que sempre era ela mesma, de que sempre fora somente ela mesma… e não é assim com a gente também, muitas vezes é como um susto, uma grande surpresa se dar conta disso. Realmente é por a mão no fogo e muitas vezes se queimar, no mínimo sair chamuscado, rsrs. Mexer com o inconsciente não é tão simples como parece, é um caminho sem volta, ou se vai devagar comendo pelas beiradas, ou invariavelmente as consequências podem ser terríveis…

    Sabe, eu fico pensando, e de fato, nós não estamos de todo. Somente por partes se alternando, ora somos mais emoção, ora mais racional, ora mais corporal, ora mais sensações, e raramente somos tudo sincronizado e junto, quando há esse evento de todas as nossas funções se manifestarem ao mesmo e um só tempo, aí está o Todo de nós, é o puro êxtase de percepções da coisa em si, do real de todas as aparências, é a perfeição se manifestando seja no que for, é a percepção da perfeição da realidade em tudo que é, do jeito que é… Mas pra isso nós temos que resgatar nossas partes que estão em nossa escuridão inconsciente, e é como você citou acima o Riobaldo, “viver é perigoso”, e muito provavelmente o único propósito do viver é tornar-se plenamente consciente… é, de fato faz total sentido sua citação à Sartre.

  10. luramos said

    Para mim, Cisne Negro é análogo ao Clube da Luta, mas é a versão feminina da história.

    Conheça sua Sombra (e o que encontra pelo caminho antes dela) e a Existência- experiência(ção) de Deus- será perfeita, completamente sentida e finalmente sem mais razão de ser…

    Os personagens são todos constituintes da Totalidade fragmentada que é Nina, assim como sempre vi os personagens de Clube da Luta, assim como somos nós mesmas(os) e aqueles que nos rodeiam. Nos rodeamos daqueles que refletem nossos constituintes, pois este é o mais próximo que chegamos do Todo de forma inconsciente.

    Tudo o que está fora, está dentro, desde a mãe repressora até o velho pervertido que nos abusa. Do diretor que nos manipula, da rival que nos ameaça, até a Lilith de olhar profundo que nos hipnotiza e seduz. Do Príncipe que personifica o Grande Encontro das Dualidades, ao feiticeiro que nos amaldiçoou incompletas.

    Eu me esforço para agradecer aqueles que odeio, pois todos eles também sou Eu.

    E Chico Buarque, que já sabia tudo isso, (inclusive a renegada coceira da bailarina) colocou música e letra a serviço desta ideia assim:

  11. adi said

    Antes de ir dormir, afinal aqui já passa da uma da matina, rsrs, bem, porque não podia deixar pra depois…

    Luiza, muito, muito bom. Não havia feito essa conexão com o clube da luta, mas concordo plenamente com vc.

    Aliás concordo com tudo o mais, todo o nosso entorno está relacionado com nosso interior. Todas as pessoas, nossas vivências, nossas experiências estão relacionadas com nosso interior. São nossas próprias projeções, inconscientes, algumas vezes conscientes, mas todas relacionadas conosco.

    Fiquei emocionada com a música do Chico, muito emocionada, como criança de novo!!

    Muito obrigada pela contribuição. 😉

  12. luramos said

    Eu fico aqui pensando que comecei a escrever no Anoitan no tempo que morei em Seattle, talvez uma referência geográfica não tão distante de sua Rússia de agora, Adi.

    Lá eu conheci outros níveis de realidade e descobri a parte de mim que sobrevive às circunstâncias de tempo e de espaço, além daquela parte que sobrevive às pessoas e as diferentes realidades que criamos.

    Eu sempre releio o Anoitan, porque encontro meu melhor aqui também e persevero em busca de estar sempre com ele.

    Mas escrevo para lhe dizer que me vi refletida em você, que poderia muito bem eu mesma ter postado o clipe do menino chinês bonitinho e eu mesma me emocionado – como já estive tantas vezes – pela música da bailarina, que nos coloca iguais na condição humana.

    Espero que você aí, tão longe e tão perto, esteja em Paz e se expandindo como sempre.
    Um abraço, and I mean it.

    Luiza

  13. adi said

    Seattle! deve ser bonito lá. Morar fora representa pra mim sair da área de conforto interior, quando somos obrigados a desconstruir ou deixar aquilo que era nossa referência de vida, e se adaptar numa nova realidade. E como dito por você, toda essa mudança é um reflexo do interior criando uma nova realidade.

    Sabe, às vezes é como estar meio sem chão ainda, porque tudo aquilo que me era conhecido se foi de novo. Eu gosto disso, porque entendo que é sempre uma expansão, mas é um processo dolorido também.

    Bom, eu ainda continuo aqui no Anoitan, acho que é karma, rsrsrs. Na verdade, porque tenho aqui como uma terapia. É aqui no Anoitan que dá pra abrir a alma e ter uma troca tão boa, as pessoas estão sempre acrescentando.

    Só pra seu conhecimento Luiza, sua participação aqui, seu comentário me fez um bem tão grande, você não imagina quanto!!

    Obrigada de coração.

    bjs
    adi

  14. Sem said

    Adi, Luiza,

    Conheci vcs no Anoitan e sempre entendi a natureza de nossas amizades por aqui como “virtual”. Com todo negativo e positivo flutuantes, característicos dessas relações, o lado bom da coisa toda foi o que sempre valeu pra mim – como vcs já devem ter percebido, sou uma entusiasta dessa fantástica, tremenda, revolucionária ferramenta de comunicação que é a Internet…
    Pois é, afinidade de interesses foi o que sempre nos reuniu por aqui, e não há outro motivo para nossa permanência…
    Assim, eu valorizo o que cada um dá – não julgo e sim aproveito a contribuição de cada um, é suficiente pra mim.
    Encaro o Anoitan como ponto de encontro dessas nossas trocas.
    E para tornar claro o papel em que me vejo nisso tudo e o que eu ainda espero de vcs, saibam, aprendi muito com vcs, e pretendo aprender mais no futuro, pois pra mim vcs dominam um campo que ainda é um tanto nebuloso pra mim… tão misterioso que eu não sei que nome tem: magia? espiritualidade? misticismo? abrindo o meu jogo, estou em busca de relacionar Cabala, Tarô e Astrologia… minha intuição diz que dará em alguma coisa que tem um nome que abrirá uma porta de algo hoje absolutamente ainda impensável… sei que vcs podem me ajudar em algum aspecto dessa descoberta, ou busca, sei que não estarei errada em se afirmar que essa procura é recíproca… sei de muita coisa, rs… sei por fim que ninguém aqui é uma folha de papel em branco, em que tudo será inscrito – falando por mim, eu não sou, tenho quilômetros de vivências e conhecimento adquiridos dos quais não pretendo abrir mão… o conhecimento que vier terá de ressoar com o que está inscrito, o que já foi construído, até para o desconstruir…
    enfim, eu nada sei de vcs além do que aqui vcs me revelaram, mas pela natureza de nossas relações, não vejo necessidade de mais…

    Acho que isso foi de minha parte uma declaração e um pedido de amizade e trocas. 🙂

  15. adi said

    “Acho que isso foi de minha parte uma declaração e um pedido de amizade e trocas.”

    Sem, de minha parte é reciproco também. Ainda continuo achando que o melhor aqui do Anoitan são os comentários, é a contribuição de cada um, trazendo um pouquinho de si que torna vivo esse espaço.

    Muitas vezes aqui acontecem sincronicidades tão boas, sabe quando a coisa vem em boa hora. Pois é, foi assim que senti com o que a Luiza trouxe aqui, todos sempre estão enriquecendo, mas nesse momento a Luiza trouxe um sentimento de identificação como um alento pra mim, como um sinal…

    Antes do Natal te responder me trouxe novos entendimentos, abriu uma porta, vc sabe disso Sem. Sabe, em Janeiro passado fiz niver aqui, mas apenas quem sabia era meu marido. Bom eu havia encomendado em Dezembro 5 almofadas, que iriam ficar prontas até final de Janeiro. Dois dias antes do menu aniversário ela ligou confirmando que iria entregar na quinta, dia do meu aniversário, ok, nem estava lembrando. Na quinta, claro que lembrei que era meu niver.Quando ela chegou trazendo as almofadas disse que fez uma almofada a mais, mas que eu não precisava pagar, era presente pra mim. Mas ela não sabia que era meu anivesário. Fiquei tão feliz, eu sei que é uma coisa tão singela, mas é o significado que teve pra mim, e foi o melhor presente que eu já ganhei em toda a minha vida.

    E todas essas conexões só me traz uma ótima certeza, nós estamos todos conectados naquela malha de rede, nós somos elos da Vida/Força em constante movimento, em constante “relacionamento”, uma troca em simultâneo… não importa a distância, tudo atua, e sem uma causa ou motivo “aparente” palavras te dão força, palavras podem desencadear um processo que está ali pululando, presente surge do nada… enfim, nós atuamos sim no universo que nos cerca e o universo atua em nós.

    Estou feliz por fazer parte disso tudo. 😀

  16. Sem said

    “Estou feliz por fazer parte disso tudo.”

    Eu tb, Adi! 🙂

    Apesar dos pesares – dos desentendimentos e cisões que houveram -, de eu ter te dito uma vez que achava isso aqui uma canoa furada, qual blogue ou empreendimento humano não é uma canoa furada afinal? De tudo vaza água um dia, diz o sábio tempo… mas o modo confiante como vc com a sua “canequinha” continua esvaziando o barco, faz com que eu sinta alegria por dividir o mesmo espaço com gente de tanta coragem… já te falei um dia e renovo o meu compromisso de te fazer companhia, atravessar jornadas ou ir ao fundo… disse uma vez um poeta “pelo sonho é que vamos”, e um outro respondeu “o que importa é partir, não é chegar”… estou pensando agora, tanto faz!, tudo é válido se a meta for conhecimento – não há como perder, só ganhar vivência que faz e fortalece amizades.

    Não se sinta sozinha por estar na Rússia, sozinhos estamos nós em qualquer lugar, ou… não… há esses elos da rede da vida como vc mesma disse, são indestrutíveis e nos mantém conectados… pelo menos enquanto vivos estivermos – são os mesmos pontos que podemos conectar em estruturas diversas… lembra do vídeo a respeito de redes sociais do prof Augusto de Franco? ( http://vimeo.com/10175173 )Os pontos não mudam de lugar, nem de tamanho ou quantidade, mas se ligam em estruturas que podem ser hierárquicas, isolacionistas ou em rede, resultando relacionamentos dramaticamente diversos conforme se conectem… gosto de imaginar que estamos conectados numa rede holística, assim eu nos imagino e me esforço para que o mundo seja esse lugar… em parte o mundo é aquilo que nós decidimos que ele seja.

    Bom, renovo o meu pedido pela, er… terceira parte do Mysterium Coniunctionis do Jung. :p

    ………………………………………….

    Os poetas citados, não por acaso tenho aqui as poesias, elas valem 10 gramas de ouro cada palavra dita.

    ….

    Pelo sonho é que vamos,
    Comovidos e mudos.
    Chegamos? Não chegamos?
    Haja ou não frutos,
    Pelo sonho é que vamos.

    Basta a fé no que temos
    Basta a esperança naquilo
    Que talvez não teremos.

    Basta que a alma demos,
    Com a mesma alegria,
    Ao que desconhecemos
    E ao que é do dia-a-dia.

    Chegamos? Não chegamos?

    – Partimos. Vamos. Somos.

    Sonho – Sebastião da Gama

    ….

    Aparelhei o barco da ilusão
    E reforcei a fé de marinheiro.
    Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
    O mar…
    (Só nos é concedida
    Esta vida
    Que temos;
    E é nela que é preciso
    Procurar
    O velho paraíso
    Que perdemos).

    Prestes, larguei a vela
    E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
    Desmedida,
    A revolta imensidão
    Transforma dia a dia a embarcação
    Numa errante e alada sepultura…
    Mas corto as ondas sem desanimar.
    Em qualquer aventura,
    O que importa é partir, não é chegar.

    Viagem – Miguel Torga

    ….

  17. adi said

    “Apesar dos pesares – dos desentendimentos e cisões que houveram -, de eu ter te dito uma vez que achava isso aqui uma canoa furada, qual blogue ou empreendimento humano não é uma canoa furada afinal? De tudo vaza água um dia, diz o sábio tempo… mas o modo confiante como vc com a sua “canequinha” continua esvaziando o barco, faz com que eu sinta alegria por dividir o mesmo espaço com gente de tanta coragem…”

    Aí, tá vendo, eu fico emocionada dinovo :). Só posso agradecer do companheirismo de jornada… é um caminho solitário em todos os sentidos, porque não só pelo fato de estar distante geograficamente… mas é muito, muito reconfortante saber do apoio de você e todos aqui, porque afinal isso aqui, o Anoitan é de todo mundo, de todos nós, de todos que vierem e que já fazem parte… e nesse aspecto nunca estaremos sós. Afinal, são em “média” 160 visitas diárias, chegando algumas vezes bem mais de 200. Então, nesse sentido, nós podemos dizer que somos que companheiros de uma certa solidão…

    “Não se sinta sozinha por estar na Rússia, sozinhos estamos nós em qualquer lugar”

    Foi o Lúcio que me disse uma vez no F-A, nós nascemos sós e morremos sós. É verdade… (continua)

    ” há esses elos da rede da vida como vc mesma disse, são indestrutíveis e nos mantém conectados…”

    Exato Sem, eu creio que a gente passa por uma batalha por se separar do coletivo/massa/inconsciente, e entrar num outro tipo de coletividade. É isso que tenho percebido, é um coletivo do qual você dentro dele é um “indivíduo” onde cria e participa ativamente da sua própria realidade. É uma coisa totalmente diferente, e há uma percepção dessa atuação de rede, exatamente como você nos trouxe no link…

    “Bom, renovo o meu pedido pela, er… terceira parte do Mysterium Coniunctionis do Jung. :p ”

    Ok, eu vou tentar, juro que vou me dedicar essa semana e vamos ver o que sai, rsrsrs…. bem, porque afinal eu creio mesmo, que nós estamos relacionados em todos os sentidos, e que isso talvez, seja uma forma de aprendizado pra todos nós…

    By the way, lindos os poemas, eu fico encantada com esses presentes em versos e poesias pra todos nós…

    bjs e bjs
    adi

  18. Olá Adi. Li três interpretações do filme ‘Cisne Negro’ contando com a sua, e das três, a sua é mais coerente e centrada na questão. Esse filme tem um grande significado para mim, pessoalmente.
    A minha dúvida à respeito do lado “negro” que possuímos, é que o equilíbrio é um aspecto importantíssimo da perfeição. Eu pessoalmente discordo da afirmação de que o “lado negro” da Nina tivesse de ser totalmente reconhecido e aceito, pois nem sempre são características que nos fazem bem. Concordo que ela precisava se soltar mais sexualmente, e que ela reprimia deveras esse lado. Mas e se ela deixar somente o ‘Cisne negro’ atuar? Será que é realmente essa a evolução que buscamos? Será que é esse o equilíbrio pelo qual eu luto?

    Eu posso dizer, por experiências pessoais, que aqueles que se permitem sucumbir ao total ‘Cisne negro’, aqueles que permitem tornar-sem inteiramente este lado sombrio que há muito somos incentivados à fazê-lo pois este é tido como correto, acabamos imergindo demais na nossas concupiscências e podemos acabar nos dando muito mal.

    De qualquer maneira, esse é apenas meu pensamento. O fato de temos um lado reprimido não significa que devamos deixá-lo sair a tona. Creio que devemos sempre vigiar nossas atitudes buscando corrigir qualquer comportamento perigoso.

    Muito obrigado pelo maravilhoso texto esclarecedor.

  19. adi said

    Olá Rômulo, seja bem vindo aqui no Anoitan.

    Fiquei feliz por você ter gostado do post, muito obrigada. 🙂

    Muito interessante sua colocação. Na teoria junguiana, que é a que tenho afinidade, diz que quando um conteúdo reprimido emergi à consciência, o que de certa forma, ele emergirá como aspectos sombrios, como sendo o lado negro, deve ser tornado consciente, ou seja, deve ser assimilado ou integrado à consciência. Integrar um conteúdo reprimido não necessariamente significa vivenciá-lo, mas simplesmente aceitar nossos sentimentos considerados negativos.

    Naturalmente, no caso do filme, há uma dramatizaçao do que seria as ultimas consequências de uma repressão absoluta, no caso da Nina pela busca unilateral do que ela considerava “perfeição”, em detrimento total da naturalidade de ser, onde pela extrema repressão, esses conteúdos se tornaram “monstruosos”. Essa é a medida ou tamanho da própria força dispendida na repressão, ou seja, quanto mais colocamos energia pra reprimir aquilo que não aceitamos em nós, maior o poder que esse mesmo conteúdo adquiri sobre nós inconscientemente. Em sentido oposto, se dá o mesmo, quando aceitamos e deixamos de lutar, o conteúdo perde força, e essa energia retorna pra nós.

    Na minha opinião, o que eu pessoalmente acho, é que de fato não devemos mexer com nosso lado sombrio somente por curiosidade. Só que quando estamos prontos, o próprio inconsciente se encarrega de trazer esses conteúdos espontâneamente à superfície de nossa consciencia para serem integrados, e quando isso acontecer, não devemos reprimir esses conteúdos novamente, mas sim fazer um trabalho interno de aceitação e amor próprio. Eu entendo que essa aceitação tem exatamente o sentido oposto da repressão, não significa vivenciar o lado negro ou deixar que o lado negro se incorpore em nós nos tornando pessoas egoísta e maldosas, o que no caso seria equivalente a uma possessão, mas sim trazer esse potencial de volta pra nós em termos de energia criativa.

    E não tiro sua razão, devemos ir com muito cuidado adentro no inconsciente, e interpretar corretamente a liguagem (imagem) do inconsciente, que normalmente é totalmente simbólica. Liguagem através de imagens que normalmente conscientemente entendemos literalmente, esse é grande perigo em se lidar com o inconsciente, pois nossa consciência racional tem a tendência a literalidade, e a linguagem do inconsciente é totalmente simbólica. Entendendo assim, já há uma boa margem de segurança.

    Eu que agradeço sua participação Rômulo.

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