Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Comportamento

Posted by Sem em dezembro 29, 2010

 

A grande Consciência Coletiva move-se por sobre a própria inconsciência como um homem atirado de surpresa ao alto-mar: debate-se a princípio, depois afunda, boia, nada, é resgatado ou afoga-se, conforme sua experiência, sorte ou presença de espírito; e navega, se possuído de instrumentos; ou naufraga, se tomado pela natureza interior do pânico ou do destino selvagem alheio ao seu íntimo.

 

Como o homem aprendeu com o mar, a grande Consciência Coletiva aprendeu a diferenciar-se do grande Inconsciente Universal e a dali tirar o seu primeiro sustento. Primeiro vem a sobrevivência, depois a vivência.

 

Como o homem, a grande Consciência teme e ama a vastidão do mar inconsciente. O mar aqui é tomado como o Grande Absoluto para ambos.

 

Como o homem a Consciência faz do mar trabalho e lazer, reflexão e descanso, vida e morte. Ali igualmente experimentam os seus infinitos em estado líquido.

 

No mar surfa-se, pesca-se, mergulha-se; a concha, a onda, a areia, o peixe, o óleo, o gelo, o lixo; em estreita relação com o sol, com a pedra, com o vento, com o firmamento.

 

Do mar vem muito do que é visível à vida, mais ainda vem o que é invisível – como o oxigênio da imensa floresta de plânctons.

 

O homem e a Consciência têm como verdade uma certeza: de que ou se está na crista ou no caldo. Para a Consciência, como para o homem, ir ao fundo é a morte.

 

Espertos, só vão aos abismos com os devidos cuidados, munidos de instrumentos e de pelo menos um Manual de Escafandrista. Assim até hoje dominaram a terra.

 

Perguntas que ficam no ar:

 

  • Seriam esses abismos a morte, seriam mesmo?

 

  • Seria de outra feita errada a luta de um ser para se manter na crista da onda? Lutar desse modo pela vida seria assim um mal instigado por Lúcifer ou outro correligionário seu qualquer?

 

  • Aliás, seria a grande Consciência Coletiva um demônio pronto a nos enganar ou a negar para si própria o seu eu desconhecido?

 

  • Entenderia a Consciência Coletiva o desconhecimento que tem de si como o completamente Outro, assim como faz o homem?

 

  • Seria a Consciência um ser em sofrimento, como o homem?

 

  • Ou seria a grande Consciência outra coisa, a consciência que a humanidade tem de si mesma, a sua própria história?

 

  • Seria então a Consciência um ser múltiplo, como as diferentes histórias que podemos contar ao adotarmos variadas perspectivas?

 

  • Seria a morte natureza de quem? Instigada por quem? Quem faz a Grande Consciência?

 
Para entender o Zeitgeist do nosso tempo, ou para saber um pouco melhor das personas que vestimos, ou das ideias do tempo que compramos e consideramos nossas legítimas, assista:

 

We All Want to Be Young

 

 

Basta clicar no título. O vídeo de aproximadamente 10 minutos foi concebido a partir de pesquisas de mercado realizadas por 5 anos pela Box 1824, empresa voltada a detectar tendências de comportamento e consumo.

Tem roteiro e direção de Lena Maciel, Lucas Liedke e Rony Rodrigues.

Licença aberta pelo Creative Commons.

 

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4 Respostas to “Comportamento”

  1. adi said

    Que lindo Sem,

    Meu dia foi cheio, e, só agora pude ver o post novo e o vídeo. Mas aqui já está tarde, ou melhor muito cedo, afinal já é dia 30.

    Só adianto que gostei demais e que tenho muita coisa pra dizer…

    Mais de manhã comento melhor,

    bjs

  2. adi said

    Grandes questões!!

    Na minha opinião abismo, morte, é o significado de uma profunda transformação. E toda transformação, o desconhecido, assusta… assusta muito

    O “desconhecido” é o constante movimento, a parte inconsciente, o mar de possibilidades, mas não se enquadraria chamá-lo de eu desconhecido, pois não pode ser personificado, é um profundo mistério; o “eu conhecido” é o ego, construído a partir da consciência coletiva, uma parte dessa história toda. Mas eu acho que a consciência em si, não é nem uma coisa nem outra. O que é chamado de “consciência coletiva” talvez seja um nome inadequado, eu não interpretaria dessa forma, mas pra mim o mais adequado seria “padrões de comportamento”, como no título mesmo do seu post…

    Nesse sentido, a coisa toda muda. Pois a consciência não pode ser comparada aos padrões de comportamento, mas a consciência é aquilo que têm a percepção, é o observador.

    No meu entender, a “consciência” está nesse meio termo, espremida entre o que já está manifestado pelo coletivo e entre o desconhecido, que este mesmo pra vir a ser, precisa que coisas cristalizadas sejam dissolvidas…

    Isto se relaciona totalmente com a “Alquimia”.

  3. Sem said

    Oi Adi, aqui ainda é bom dia, aí já é boa tarde? temos uma diferença de fuso horário entre nós (de qt mesmo?) e vc chegará antes que nós em 2011. 🙂

    Acabei de ver uma foto sensacional nos arquivos “pictures of the day” da NASA, montagem feita acredito por um astrônomo amador, daí de pertinho de vc (Hungria)… posições do Sol ao longo de 2010, tendo como principais referências os solstícios de verão e inverno e os equinócios da primavera e do outono. Imagina qual a forma disso? pois é daquele “oito deitado”: a imagem do infinito….. bom, vou fazer um pequeno texto e publicar aqui para os leitores do Anoitan maravilharem-se como eu, talvez – supondo que todos somos amantes das coisas do espaço e das revoluções planetárias, das reais às simbólicas. O real e o simbólico desse ponto de vista se confundem…

    Adi, sim, são pertinentes suas objeções ao meu texto… tenha em conta que não pretendi com ele ser muito objetiva, escorreguei sem querer – e de propósito – para o lado das imagens poéticas, que o mar nos convida a ter… mas para que fique menos nebuloso a vc, saiba que todas as vezes em que falo de “Consciência”, acompanhada de um substantivo, de um adjetivo, ou de nada, estou me referindo sempre ao Consciente Coletivo tomado como Demiurgo pelos Gnósticos, ou a Realidade da queda de Sophia… no caso, entre outras coisas, é uma dúvida sincera que tenho, e que talvez soe pueril a alguns e heresia aos gnósticos, mas, será mesmo que “o diabo é tão feio quanto pintam”? não seria tudo, mas, TUDO mesmo, apenas um Ser?

    Bom 2011 a todos.

  4. adi said

    Minha querida Sem, meus queridos, feliz 2011 a todos,

    “Adi, sim, são pertinentes suas objeções ao meu texto… tenha em conta que não pretendi com ele ser muito objetiva, escorreguei sem querer – e de propósito – para o lado das imagens poéticas, que o mar nos convida a ter… mas para que fique menos nebuloso a vc, saiba que todas as vezes em que falo de “Consciência”, acompanhada de um substantivo, de um adjetivo, ou de nada, estou me referindo sempre ao Consciente Coletivo tomado como Demiurgo pelos Gnósticos, ou a Realidade da queda de Sophia… no caso, entre outras coisas, é uma dúvida sincera que tenho, e que talvez soe pueril a alguns e heresia aos gnósticos, mas, será mesmo que “o diabo é tão feio quanto pintam”? não seria tudo, mas, TUDO mesmo, apenas um Ser?

    Bom 2011 a todos.”

    Bom… eu nem tenho o que dizer… só sei dizer que estou tão feliz e realizada… e você está completamente certa, pra dizer a verdade o “diabo” pode ser lindo, e é!! e é, num outro prisma, num ponto de vista além, TUDO MESMO, é apenas um ser, e tudo convém…

    Sem, eu já virei o ano, estou muito feliz, já dancei muito aqui comigo mesma, e só posso desejar a todos, UM FELIZ 2011.

    bjs mil,
    adi

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