Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

STALKER

Posted by adi em agosto 13, 2010

Eu assisti o filme “Stalker” que o nosso amigo Timóteo Pinto indicou, já faz algum tempo aliás, e por isso já não me lembrava exatamente de todos os detalhes. Mas esse filme não me saía da cabeça, por isso achei melhor escrever um post sobre ele, então assisti novamente, e de fato não me lembrava como é muito bonito, sensível, místico, triste também… o tipo de filme que quanto mais se assiste mais se revela, e mais agrada.

Pra quem gosta desse tipo de filme que tem uma mistura poética visual, é bastante interessante, e recomendo. Bom, este post não é bem uma resenha, mas um pequeno estudo de sua simbologia, contém muitos “SPOILERS”, então quem gosta do fator surpresa, melhor assistir o filme primeiro antes da leitura. Dá pra baixar o filme na net.

Tomei a liberdade de copiar este pequeno trecho do wikipedia, como segue:  ” Stalker (em russo: Сталкер) é um filme de 1979 do cineasta russo Andrei Tarkovsky, vencedor do prémio especial do Júri do Festival de cinema de Cannes de 1980. Foi filmado, em sua maior parte, na Estônia, então integrante da União Soviética. Stalker é um termo inglês que significa, em tradução livre, “o espreitador”, “aquele que se esgueira”. Tarkovsky, os três atores principais, além de outras pessoas que se envolveram na produção, morreram poucos anos depois, em razão de tumores presumivelmente originados da exposição às instalações industriais (radiotivas) da Estônia, onde várias cenas do filme foram gravadas. É uma adaptação muito livre da novela de ficção científica Roadside Picnic, dos irmãos Strugatsky. Numa entrevista, Tarkovsky chegou a declarar que as semelhanças do filme com esta novela restringiam-se ao uso das palavras “zona” e “stalker” apenas.”

O diretor diz que o filme é sobre a busca do paraíso perdido, e  conta a trajetória de três personagens principais, o Professor, o Escritor e o próprio Stalker. Os dois primeiros contratam os serviços de um “stalker”, um tipo de guia, o único capaz  de vencer as armadilhas da zona, a conduzi-los  até e no interior da “Zona”, região isolada por forças militares. Diziam que na zona, 20 anos atrás, havia caido um meteorito que destruiu a vila. Procuraram o meteorito, mas nada encontraram, e as pessoas que iam para a zona desapareciam e não voltavam mais. Concluíram que o meteorito não era meteorito, mas ninguém sabia ao certo o que foi, então cercaram a área para que ninguém entrasse. Surgiram boatos de que na zona havia um cômodo, um quarto, onde os desejos mais íntimos e profundos se realizavam. Por isso, a zona passou a ser muito mais vigiada pelos militares, pois “as pessoas podem ter muitos sonhos”.

Stalker é um guia, nascido com este destino, como uma vocação, o de guiar as pessoas sem esperança através da “zona”, pra que essas realizem seus mais profundos sonhos. Pessoa humilde e sofrida, foi preso várias vezes devido a essa atividade irregular, sofreu acidentes na zona, e tem uma filha “mutante” vítima da zona.

O Escritor é cético, alcoólatra, filosofa o tempo todo sobre questões profundas da vida. Já é um escritor de sucesso, rico e diz que está indo pra zona porque perdeu sua inspiração.

O Professor é físico e cientista, não diz qual o seu motivo de ir pra zona, apenas que como cientista pretende estudá-la.

O filme começa em tom de sépia, quase em preto branco, com o som de um trem e música clássica ao fundo. Trem representa atividades habituais. Com encontro marcado num bar, Stalker, o Professor e o Escritor dão início a sua jornada, em uma aventura cheia de riscos de vida pra cruzar o cerco dos militares, e novamente e lentamente são  conduzidos por uma vagonete sobre os trilhos do trem, passando a ideia de que tudo que está fora da zona é como uma repetição, como o cotidiano da vida, as atividades sempre se repetindo, sempre em tom de sépia, sem vida. Ao chegarem no perímetro da zona, tudo se torna colorido. Há essa linha divisória bem clara no filme, fora da zona e dentro da zona. Desde o início há muita água, dizem que Stalker é o filme mais molhado da história do cinema. Mas água é sempre o símbolo da matéria primordial de onde surge toda a vida, comparada ao inconsciente.

Pra mim o filme todo se refere a um processo iniciático, de individuação mesmo, e a maioria de seus símbolos indicam esse processo. Na simbologia a trindade representa um processo de desenvolvimento que se desenrola no tempo, pode ser indicada como símbolo da individuação enquanto processo.

A zona é um complexo sistema de armadilhas mortais, tudo se move o tempo todo, nada é seguro. Ela exige respeito, não se pode caminhar por ímpeto ou trilhar o caminho mais curto na  zona, tem que ir com cuidado, pois a zona deixa entrar não os bons ou os maus, mas aqueles que já não possuem mais esperanças, os infelizes, aqueles que já não encontram mais satisfação em suas vidas. Na zona tudo remete ao inconsciente, há água o tempo todo, barulho de água pingando, cachoeira, poços.

Tanto o Professor como o Escritor, estão em busca de algo, mas que não sabem exatamente o que é, em busca de algo interior que não pode ser nomeado, e mesmo que não soubessem estavam em busca de si-mesmos.

E assim o Stalker vai conduzindo-os aos mistérios da zona, como um psicopompo, cuja  função é de conectar uma pessoa a um sentimento de seu propósito último, sua decisiva vocação, o destino. E se confirma isso também a cada vez que é lançada “a porca” por Stalker, há o cantar do pássaro “cuco”, que representa o tempo e o destino. Há rodeando eles uma atmosfera de medo, de respeito ao mistério, e sabemos que em muitos rituais iniciáticos, cria-se essa mesma atmosfera pois é uma forma de produzir um senso de significado elevado e superior para o indivíduo, o qual o envolve completamente, facilitando a liberação de conteúdos inconscientes e de transformação. Stalker reforça o tempo todo essa misteriosa atmosfera.

Tarkovsky ressalta sempre o chão da zona, sempre com muita água, e que, mesmo fora das instalações, é de ladrilho branco octagonal que se junta com outros por meio de um ladrilho preto pequeno e quadrado, lembrando sempre o infinito (numeral 8 ) que se separa e se conecta novamente através da forma (numeral 4).

E numa passagem brilhante no filme, o Escritor diz: ” Voltarei do quarto já como gênio, para a vida esquecida por Deus. Ora, o homem escreve porque sofre, porque duvida de si. Tem que provar a ele próprio e a quem o rodeia … que tem algum valor. E se souber de antemão que sou um gênio?  Para que então escrever? ”

Exatamente, qual o propósito da vida? O que nos impulsiona a ir sempre adiante?

E seguindo, chegam ao lugar mais terrível da zona, o “túnel”, porque muitos morreram lá, eles tem que fazer essa travessia para chegar ao quarto. Túnel representa “paredes de realidade”, como limites ou uma fronteira; travessia simboliza as mudanças de uma identidade de ego, como uma prova iniciática de grande proporção. No final do túnel, há uma porta a ser aberta e transposta, depois um foço de água suja e então como um pequeno deserto de pequenas dunas de areia, e todo esse cenário nos faz lembrar de “Daath” e da travessia do abismo, a parte mais perigosa de todo o processo iniciático.

Muito interessante que depois disso, o Escritor que passou por grande teste,  levanta-se e diz: “Antes pensava que meuslivros faziam alguém se sentir melhor. Mas ninguém precisa de mim. Quando eu morrer, após dois dias, começam a devorar outro. (…) Esperava refazê-los, mas refeito acabei por ser eu! à  imagem e semelhança deles!  Antes o futuro era apenas uma confirmação do presente. Agora, porém, o presente e o futuro fundiram-se. Estarão eles prontos para isso? ”   Depois com uma corôa de espinhos na cabeça (lembrando do Cristo), o Escritor diz que não perdoa o Stalker por tê-lo mandado à frente no túnel. O filme é todo repleto de imagens simbólicas desse processo interior de auto-conhecimento. Há o cão que os segue, um casal de cadáveres num beijo, bolas plásticas como bolhas sobre a água, e infelizmente não dá pra ir fundo (o post já está enorme), somente que são símbolos do processo iniciático.

Chegando em frente ao quarto, como numa ante sala, o limiar, Stalker se emociona, ouve-se o canto de passarinho que vem do quarto, então diz: “Este é o momento mais importante da vida de vocês, aqui se cumprirá o seu desejo mais querido, mais sincero, mais sofrido… (…)  O importante, é ACREDITAR. ”

Bom, o final é emocionante, nem há nada a ser dito, as imagens, os diálogos falam por si só; ao mesmo tempo ficou tanto a ser dito…

Só há uma pergunta: Até onde estamos dispostos a ir fundo no desconhecido de nós mesmos, a enfrentar todos os nossos medos e angústias, e realizar o nosso desejo mais íntimo, aquele que nem mesmo sabemos ao certo?

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29 Respostas to “STALKER”

  1. Elielson said

    Sobre o filme em si, me basta dizer que é uma obra de arte atemporal. Tudo é tão forte ao ponto de mostrar-se inutil, tão preciso que há um determinado momento em que se prova a imprecisão de tudo. E acho que é disso que se trata o filme, dos saltos de tudo que sentimos de formas extremas. Como a extrema alegria que invalida a alegria, ou o extremo medo que invalida o medo. Um segmento de imagens para desnudar… o mortal.

    Me lembra uma estória que um amigo me contou, vou tentar recontá-lo ao meu modo 🙂

    Um homem quebrava pedras e desejava não mais fazer aquilo, queria algo diferente pra ele.
    Queria ser rei! – pensou o homem.
    Eis que seu desejo lhe foi concedido misteriosamente e via-se agora trajado como um rei, em majestosa carruagem guiada por cavalos, rodeado de súditos. Mas o Sol estava forte e lhe ofuscava a vista para o que recém havia conquistado, então o homem desejou ter a imponência do Sol e desejou ser o Sol.
    E era agora o Sol.
    Mas ao iluminar a terra não pode transpassar algumas nuvens que turvavam sua luz e imaginou-se como uma nuvem, e sendo nuvem foi puxado pelo vento, então quis ser o vento, mas sendo vento não penetrava as rochas e quis ter a força da rocha, sendo rocha, algo lhe batia, ele quis ser esse algo, acabando por voltar a quebrar pedras. (É… previsivel assim!) 🙂

    Discorramos…

    Conformismo e inconformismo, estes termos são o conhecimento, o conhecimento que julga conhecer não conhece, é uma ilusão de conhecimento, acho que foi o stephen hawking que disse que ilusão de conhecimento é ignorância. Tudo é um paradoxo ao mesmo tempo que nada é um paradoxo, e a descrição extrai de modo mortal, incluindo ou excluindo no chato jogo binário. É o piui-piui do trem rotineiro 😀 némesmo?. “Talvez” é uma palavra verdadeira, mais certa que duvidosa, que ironicamente indica duvida. Mas pra ser homem vale os sims e os nãos que equivalem ao exercicio continuo de existência consciente.

    Discorramos…

  2. adi said

    “Me lembra uma estória que um amigo me contou, vou tentar recontá-lo ao meu modo”

    Sabe, o homem está sempre em busca de algo que desconhece, sempre em busca de algo que o preencha, como dito pelo escritor, como que só soubessem “devorar”, e não percebem que há algo preciosíssimo dentro de si, que está tão próximo. Nessa busca parece que se anda em círculos, como na sua estórinha, mas nunca satisfeito…

    “Conformismo e inconformismo, estes termos são o conhecimento, o conhecimento que julga conhecer não conhece, é uma ilusão de conhecimento, acho que foi o stephen hawking que disse que ilusão de conhecimento é ignorância”

    É verdade, é ilusão mesmo dessa forma muito bem colocado por você. O Tao que é explicado não é o verdadeiro Tao…

    ” “Talvez” é uma palavra verdadeira, mais certa que duvidosa, que ironicamente indica duvida. Mas pra ser homem vale os sims e os nãos que equivalem ao exercicio continuo de existência consciente. ”

    Tudo é possível, estamos experienciando o tempo todo possibilidades diferentes dentro de um jogo que muitas vezes se repete. E me pergunto porque se repete, porque o homem muitas vezes fica vivendo o passado continuamente e não consegue sair disso? Porque pra algumas pessoas há somente sims e pra outras que são do contra há somente nãos??

    discorramos… 🙂

  3. Lucas said

    Assisti esse filme semana passada, gostei do filme, mas muita coisa eu não pude compreender, lendo um pouco mais sobre o filme, pude entender algumas cenas, que são simbólicas.

    Mas ainda há muitas cenas que são um enigma para mim. Como a cena em que a filha “mutante” do Stalker move aquele copo e aquela outra coisa de vidro com algum poder.

    Estava esperando por esse post kk.

    Adorei, ficou ótimo.

  4. Elielson said

    Durante muito tempo precisa-se da coincidência pra considerar o mistério de todas a coisas, e explorando estes espaços estão os humanos que usam seus arbitrios para travestir os mistérios com os civismos que lhes isentem dos esforços do serviço fosco ao comum mistério. As transferências emocionais com base em identidades comportamentais habitam dentro dos conceitos e das regras do acordo que individualmente não existe, mas se dois individuos ou mais concordarem que a busca pela potência deve ser uma caminhada conjunta, de fato, o acordo por si só, nunca escolherá pelo individuo. Abaixo das leis, como participantes do processo de apodrecimento dos acordos, os individuos martirizam-se por movimentos legislativos e fundamentos de ladainhas. A virtude na lei é a dissolução dela. A dissolução da lei não é a NECESSIDADE dela. As instruções dos simbolos, mesmo quando aparentemente diretas, não dizem nada. O que há em mim que causa essa afetação é a minha pouca fé. A presença divina como limitante moral faz com que a falta da presença divina seja a falta de moral. Mas quem falou em divindade? Quem falou em moral? Quais as autoridades que cairam para centralizarem em si as morais divinas usando palavras que surgindo apagam seus sentidos? O que é um animal argumentando uma não-animalidade? O que é o contrário? O que é isso? -> ? O que é isso? -> ! …?
    A coisa que leva a outra É o individuo. As antecipações das retribuições e os principios impulsivos não caracterizam nada. Então não há pq desse ou daquele sofrimento ser relativo a qualquer queda mortal ou eternidade prometida. Se assim o individuo não perceber a fuga do equilibrio entre o que se faz próximo sem que haja uma necessidade de avanço ou retrocesso (que pense o individuo, sabe-se lá pq, conduzir a um equilibrio contorcionista), será causa do próprio dessaranjo. O futuro é um passo, a frente do que está se vendo e do que se consegue imaginar. Os interesses pelo proibido só são possiveis pelo auspicio do individuo.

  5. adi said

    Oi Lucas,

    “Mas ainda há muitas cenas que são um enigma para mim. Como a cena em que a filha “mutante” do Stalker move aquele copo e aquela outra coisa de vidro com algum poder.”

    Pois é!! o filme é meio enigmático mesmo. Pode ser interpretado de várias maneiras, mas o que entendi com relação a essa passagem é o seguinte: Sabemos que no filme a filha do Stalker “não anda”, ou só com o auxilio de muletas. Esse é o primeiro aspecto mostrado. Há um diálogo bem no final do filme entre o Stalker e sua Esposa, ele diz que não levará mais ninguém pra zona, ela diz que iria com ele, Stalker diz que não; ela diz: “Acha que não tenho nada para pedir?”, ele diz: “Impossível, e se falhar outra vez?”.

    Esse diálogo sugere que ele próprio, o Stalker, já entrou no quarto, e muito provavelmente pediu pra sua filha ser curada, mas ao invés disso, a menina tem o poder de “telecinese” (mover objetos com a força da mente). A grande questão que não cheguei a colocar no post, mas que foi bem explorada no filme, é que ao entrar no quarto, o desejo que se realiza não é o da mente consciente, não é aquele que pensamos e pedimos, não são nossos desejos que conhecemos na nossa vida diária; mas “aquele mais íntimo, bem profundo, o da Alma Humana”, e esse desejo do âmago não é conhecido pela nossa parte consciente do “eu/ego”, daí onde advém o profundo respeito e “medo”, daí o motivo pelo qual tanto o Escritor como também o Professor não quiseram entrar no “quarto”, porque desconheciam os desejos de sua Alma, desconheciam o que iria se “realizar”.

    Foi esse mesmo ocorrido com o “Porco Espinho”, mestre do Stalker.

    E a questão filosófica do filme é justamente essa; Quem de fato conhece os desejos da alma? Entraríamos no quarto sem essa certeza??

    “Adorei, ficou ótimo.”

    brigaduuu! 🙂

  6. adi said

    Oi Elielson,

    “Mas quem falou em divindade? Quem falou em moral? Quais as autoridades que cairam para centralizarem em si as morais divinas usando palavras que surgindo apagam seus sentidos? O que é um animal argumentando uma não-animalidade? O que é o contrário? O que é isso? -> ? O que é isso? -> ! …? A coisa que leva a outra É o individuo. ”

    Exato. E me lembrei da Cabala, num livro de Dion Fortune, onde ela diz que o homem pra poder explicar o mistério, inventou Deus. Sim, faz parte do homem ter que dar aspectos humanos, qualidades e não qualidades até (a moral), para o “mistério”, que diga-se, esse mesmo mistério por seu aspecto arquetípico, contém uma mágica inebriante de imenso poder. Está certo que o homem inventou toda esta história, o épico de sua criação, mas não tão somente porque precisava de muletas, mas para “materializar” de certa forma a divindade interior, apenas sentida do seu inconsciente para o consciente, como numa transferência, a verdade sempre se revelou. Mas a verdade é muito grande pra um homem só, e sua cruz é querer dividi-la com todos, mas a mesma não pode ser explicada, apenas vivenciada… e o que vemos são as infinitas mitologias, as quais só terão “valor” apenas se forem preenchidas com o sopro divino que existe no espírito humano. Alguns chamam o sopro de Fé, outros de Verdade, outros de Vontade, outros de Chama, outros de Amor, Fogo,… acontece que nenhum nome pode expressar todo o significado daquilo que não pode ser explicado, apenas vivenciado…

    E não é que como numa roda “quase, quase” retornamos no mesmo ponto… Coincidência, ou modelo mental?

    Abraços!

  7. Sem said

    Oi pessoal,

    Um prazer ler vcs…

    “Navegar é preciso; viver não é preciso.” Discorrer, então, se esta é a proposta, mas há tanta precisão no falar como em viver…

    Adi, estou com uma sensação de cumprimento de promessa… mas kd o Timóteo Pinto? vai ver ele foi visitar o guaco lá na terra dele…

    Citações e brincadeiras à parte, Stalker é um filme muito difícil de comentar, compreendo a dificuldade, qualquer análise que se faça desse filme parecerá superficial, parcial, perante a profundidade que nos propõe o Tarkovsky. Como num sonho complexo, não há interpretação definitiva que dê conta desse filme…

    Eu gostei muito dos diálogos, profundos e reflexivos, foram eles que me tornaram marcante esse filme… Penso em rever qd possível e anotar algumas falas só para trazê-las aqui para a nossa análise. Talvez pontuar algumas passagens torne mais nítida a importância que estou atribuindo aos diálogos – penso que há uma linearidade neles, apesar do teor hermético pela própria natureza do tema, somados porém os diálogos, suponho que resultem todos num único grande monólogo. Sustento enfim que há um tripé de complementação sendo engendrado pelos desesperançados aventureiros para a construção de uma singular jornada interior… Não fosse uma aventura introspectiva na União Soviética stalinista do século 20, bem poderia ser a busca pelo Graal de cavaleiros da idade média na inglesa corte do rei Arthur…

    Adi, eu fiquei chocada que os três atores principais junto a alguns outros integrantes da equipe tenham falecido em decorrência da radioatividade a que estiveram expostos durante as gravações… Que água pesada aquela, por todos os lados. Lastimo e rendo tributos a eles, pelo bom trabalho realizado. Bem, não vamos ser ingênuos a ponto de acreditar que podemos controlar as deusas moiras, também é fato que, de um modo ou outro, todos morremos em decorrência da vida que levamos, apenas que a sorte nos seja mais favorável para permitir que nossas escolhas sejam tanto quanto possível voluntárias, e que até onde nosso conhecimento alcance não permita que exemplos de tragédias semelhantes a essa se repitam.

    Bom, voltando ao filme, agora com esse adendo de morbidez bastante real, vou apenas me concentrar no que o filme me evocou e partilhar isso com o que vcs já disseram sobre o filme. Claro que Stalker trata da vida inconsciente, e todo filme que buscar tratar a questão de modo consistente terá de lidar com a questão da depressão – já havia comentado isso na análise do “Anticristo”…

    Há esse sentimento de solitude da alma em Stalker igualmente, e não foi abordado com leviandade pelo diretor, quer dizer, não foi resolvido com os costumeiros tiros, explosões, perseguições e luta entre bandidos e mocinhos do cinema americano – vale dizer que têm bons filmes americanos que se resolvem desse modo. Mas em Stalker a abordagem é outra, a alma pesa, embora seja mais leve que o ar… Pesa naquele lugar em que as palavras se tornam quase incomunicáveis e são mais dirigidas ao interior, como se não tivessem força (libido) de se dirigir para fora, para se expressarem. As palavras mudas em realidade moram naquele lugar em que estamos completamente sozinhos, ou onde assim nos sentimos, abandonados em companhia apenas de uma sensação de menos valia. Esse sentimento de abandono, próprio da alma, motiva a introspecção necessária para o encontro com o nosso imaginário mais profundo – Freud não representou esse imaginário num lugar ou numa pessoa, disse se tratar de uma instância psíquica, uma porção significativa do inconsciente pessoal (lembrando que para ele inconsciente é sempre pessoal, intransferível e incomunicável – ou quase, já que existem complexos familiares que são herdados por gerações), chamou de “pulsão de morte” a esse impulso, quase como um instinto… E a “Sombra”, em Jung, como instância psíquica igualmente, apenas é o umbral para outro encontro mais interior e profundo, com a “anima” – a que os gregos nos ensinaram a chamar de alma (são almas na verdade, no plural, pois o feminino interior de cada ser humano parece não se conjugar nunca no singular). É ela, ou elas, melhor dizendo, que nos despertarão do sono que o nosso ego dorme (repetindo aquela clássica máxima do Jung: “quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta”)… Esse “lugar”, na sua depressão mais profunda, pode tb ser confundido com o Hades grego – é o próprio, principalmente se dele abstrairmos o inferno cristão que traz conotações desagregadoras entre corpo, alma e espírito, que o Hades propriamente não tem, ou não faz. Outra referência é a tal da “jornada da alma” a qual os junguianos se reportam como o fio condutor do trabalho terapêutico, é rumo a esse interior sombrio que o ser como um todo se dirige – como diz o Hillman, no seu conhecido texto “Picos e Vales”, em que faz a clara distinção entre trabalho espiritual e psíquico… e pela “enésima” vez que reli esse revelador texto do Hillman, no meu entender ele não diz ali que um trabalho deva anular ou combater o outro, apenas que são diferentes e em vários momentos combateram-se sim. Embora seja frequente observar a alma, o corpo e o espírito tendo objetivos conflitantes, o verdadeiro trabalho interior é que podem se complementar, ou devem se complementar, em momentos distintos – o SER afinal é uma UNIDADE. Eu acho que esse movimento de sobe e desce do ser (na Cabala) é o trabalho alquímico das bodas internas entre a alma e o espírito. É a individuação – o processo – e que bem pode ter Hermes (Mercúrio) como patrono e guardião, já que ele – meio deus, meio homem – sabe dos caminhos verticais como nenhum outro deus desse panteão.
    Por fim o Jung tem aquela outra frase que expõe como nenhuma outra o significado do trabalho da individuação na Psicologia Analítica: “Ninguém se ilumina projetando figuras de luz”. Mas, se o trabalho de terapia junguiana é o trabalho de acolher a alma, não quer dizer que negue a luz do espírito… A beleza prática da psicologia do Jung é justamente dar essa base para o encontro da “alma” com o “espírito”, com símbolos, significados… É um Grande Mistério mesmo a comunhão do ser, é o puro fazer/encontrar do Self, do Amor, de Deus…

    Agregar é fazer os dois trabalhos e dar valor para tudo na vida – “caminho do meio” como ensinou Buda… embora não se possa estar lá e cá, subir e descer ao mesmo tempo, a consciência dos dois movimentos e o respeito mútuo, ao direito e ao esquerdo, é o que dá valor de unidade a uma pessoa, torna-a um indivíduo. Antes dessa “coniunctio” sempre se precisará da ajuda de “terceiros” para se sentir uma unidade.

    A conquista do “ouro alquímico” parece uma jornada definitiva e sem volta, e uma vez conquistada a técnica, o fabrico das riquezas será inesgotável e a vida um eterno usufruir, mas isso é mais fantasioso do que real. Na prática o que acontece é que existem casamentos e casamentos, nenhum é definitivo, pois estamos em processo eterno com a vida, pelo menos enquanto na vida estivermos. Claro que aqui continuo falando das bodas interiores, nada a ver com o advento institucional de reunir uma pessoa com outra, embora esse casamento institucional tb tenha se revelado cada vez menos definitivo… Mas o que estou dizendo é que existe muito trabalho a ser feito até sermos uma unidade de fato.
    Acredito que depois de muito trabalhar com os opostos, a unidade, ou a sensação dela, é irrevogável, ela nos cai de repente no colo como uma iluminação – vem de repente, como disse o Krishnamurti a respeito da verdade -, como algo que recebemos como uma graça e que nada no mundo poderá aquebrantar… Só percebemos que não é definitivo e completo pelo tanto que nos deixamos perturbar em outras situações, novos conflitos. Mas sempre se vai a algum lugar e algo se aprende… No entanto, enquanto houver algum tipo de conflito, haverá ali uma divisão. Penso que só um iluminado total, um buda, esteja livre de conflito interior e totalmente capaz de ajudar os outros a vencerem seus próprios conflitos… Para reles mortais, como eu, fazemos o trabalho da comunhão como nos for possível, no estágio que nos encontramos interiormente… Posso garantir que no estágio que estou, é muito difícil me imaginar tornando um buda nessa vida, porque eu “creio” piamente nesse movimento conflituoso entre alma e espírito, entendo isto como sinônimo de vida, como o fogo do entusiasmo, da alegria e do amor – quando o movimento é de agregação, é claro.

    Sintetizando, para concluir, dentro da psicanálise e da Psicologia Analítica, o conflito resulta nos conceitos de “libido” e de “energia psíquica”, respectivamente – ou seja, tanto para a psicologia de Freud, como de Jung, não há vida sem eles. A questão fica então em quais conflitos investir… isto é, se pudermos escolher… Não resta dúvida que é uma grande arte viver e deixar viver…
    O oriente – pensando no budismo e no taoísmo como filosofias e práticas milenares – conflitua com o modo ocidental de conceber a vida, mas é o tipo de conflito que pode gerar muito bons frutos.

    ………………………………….

    PS:

    Adi, só uma coisa, eles entraram na sala, não foi? ou estou equivocada ou é aquele quartinho pequeno, com piso de madeira (?)(preciso rever essa parte), e foi uma espécie de anticlímax o que aconteceu durante e após, já que se esperava muito dali. A parte mais “emocionante” da jornada aconteceu pouco antes, depois a reação do engenheiro foi querer explodir o local – cheio de boas intenções ele iria implodir-se apenas, ainda bem que desistiu…

    Quanto à paranormalidade da filha, achei enigmático porque o filme acabar daquele modo. A única coisa que me ocorre seria uma abordagem pela psicologia transcendental, que conheço bem pouco, mas seriam os estados alterados de consciência proporcionados por contato estreito com conteúdos do inconsciente… Pensando assim, faz sentido, só ao final do filme e da jornada como um todo é que a menina revela seus “poderes”, uma espécie de consequência do que foi realizado.

  8. Elielson said

    Em varias ocasiões no filme foram deixados espaços para o ceticismo, e em grande parte aí está a arte. Pois essa possibilidade de desconstrução de tudo é bom pra todos. Existe fé em ser cético, pq não? Porém a fé reclamada de um individuo para com outro é sempre uma chamada a despertar para o sonho de um deles, ou para a nossa conhecida realidade, mas quando o sonho é individual, cada um usa sua fé como pode, mesmo para alegar não tê-la, nessa alegação ela começa a fazer falta. Pois a linha de produção da realidade requer o uso indiscriminado de nossos instrumentos de separação do que se quer e se aproveita, ela não para de produzir realidade, e a gente tem que separar e rotular mesmo que seja fatigante e renda pouco, não ficando afetado pelo conteudo que passou direto ou distante de nossas seções, mas se fica, daí o conflito.
    No momento penso na dimensão da objetividade no uso do espaço entre nós, o qual podemos chamar de verdadeira transcendência, já que há transferência real descompromissada e sem função orgânica de reprodução, fazendo com que os entendimentos e influências sejam fenótipicamente comportamentais, porém a disposição de escolha, e por ser esse espaço livre, há isenção de culpas ambientais devido a consciência ser dubia (não o individuo), e é como eu digo pros meus amigos com Jesus no coração: depois do genesis vem o exodo. Os elementos que compõe esse espaço passivo que une transformando e acumulando utilidade moram todos dentro da nossa cachola, obvio que a materialidade ao redor é fruto do movimento individual, mas existe algo não-manifesto materialmente que rege as coisas dentro do que é visto como a consciência especifica racial (pecados e tal, impulsos desnecessários e sem função orgânica nem mesmo pra adaptação), e é dessa coisa que os publicitários se apossaram, e não seria ruim se a publicidade não servisse ao delirio de poder, mas serve, pois sem delirio de poder a publicidade não faria sentido nenhum, pois a constância do movimento nesta esfera descaracteriza a consciência desta esfera, e a sujeição do fenomeno percebido pela lei fisica percebida deve contar com a atenção de dois para ser concebida por dois, jogando a verdade resultante nesta esfera, mas não querendo dizer que a partir daí integra a consciência individual que não percebe o mesmo, a não ser por outras conveniências muito mais cabiveis ao que a consciência individual percebe sem que as outras percebam, como verdades que ficam por que não incomodam.
    Existe a zona cinza, o pleno acordo, o qual não vem a publico, mas é o exemplo pratico de que se precisa de duas verdades para que se venda uma, e quem compra essa uma não representa necessariamente quem acredite nessa uma, só que serve ( com ou sem a crença nela), então deixa ela lá.
    Até sabedoria só vai até certo ponto, tudo vai até certo ponto, e é ciente dessa incompletude que as pessoas se completam.
    Acredito em duas camadas de transcendência, pela socialização desconstrutiva e pelas gerações, a primeira são esses dialogos que enlouquecem desenlouquecendo e a outra pra ser mais claro cito alguém não recordo quem que diz assim: O Pai é para o filho aquilo que o filho é para o mundo. Pois a camada de transcendência que diz respeito a ascendênciaxdescendência são observadas as inerências ou quase-inerências a se resolver no outro estágio de transformação que é o da socialização desconstrutiva. Genótipo-fenótipo. O que acontece com esse território imaginativo insuflado é que aumenta a meta-materialidade do que vai ser formulado/formado. A sensação de continuidade ciclica é percebida pela sensação de estar subindo, dai quando não sobe mais PARECE estar descendo, querendo perceber os estados abstratos força-se a mente a buscar um resultado. O resultado é o circulo.

    ………………………………………..

    Está certo que o homem inventou toda esta história, o épico de sua criação, mas não tão somente porque precisava de muletas, mas para “materializar” de certa forma a divindade interior, apenas sentida do seu inconsciente para o consciente, como numa transferência, a verdade sempre se revelou.

    ….

    “Ninguém se ilumina projetando figuras de luz”.

    Bah.

  9. adi said

    Oi Sem,

    “Adi, estou com uma sensação de cumprimento de promessa… mas kd o Timóteo Pinto? vai ver ele foi visitar o guaco lá na terra dele…”

    Demorou pra cumprir, mas tudo tem o momento certo. É, acho até que o Timótinho está de mudança pra outros cantos, se já não se mudou!! Beijão pra ele onde estiver.

    “Como num sonho complexo, não há interpretação definitiva que dê conta desse filme… ”

    De fato, é um filme bem rico nesse sentido, muitas vezes lembra mesmo um sonho, e como todo bom filme deixa muitas possibilidades abertas…

    ” penso que há uma linearidade neles, apesar do teor hermético pela própria natureza do tema, somados porém os diálogos, suponho que resultem todos num único grande monólogo. ”

    Eu pensei nessa possibilidade também, de como num sonho, todos os personagens serem aspectos de um único personagem. E muito bem colocado por você, com certeza se refere a busca pelo Graal.

    “eu fiquei chocada que os três atores principais junto a alguns outros integrantes da equipe tenham falecido em decorrência da radioatividade a que estiveram expostos durante as gravações…”

    É chocante não é? Que alto preço eles pagaram, inclusive o diretor. É triste saber que houve esse ocorrido. Excelentes atores, atuação perfeita, direção perfeita… Agora, você tem total razão quanto as Deusas Moiras, quem é que sabe do destino ao certo?? só podemos achar que fazemos as melhores escolhas.

    ————————–

    Ao filme:

    Sem, você foi tão profundo na escuridão da Alma, que me foi como um “retrospecto/recaptulação” de muitos momentos que já vivi!! E quem nesse caminhar não os viveu?? E indo lá no fundo, nós recolhemos como que pequenos pedaços do puro ouro, pequenas recompensas, esse que vamos juntando pra dar forma ao “indizível” dentro de nós, ouro como amálgama que vai ligando e juntando “um indivíduo”.

    “A conquista do “ouro alquímico” parece uma jornada definitiva e sem volta…”

    Muito interessante é que essa conquista é o próprio auto-conhecimento. No começo do processo nós praticamente não sabemos/conhecemos quase nada de nós. Tudo ainda é muito projetado fora de nós. Nossos Deuses e nossa sombras (nossas qualidades e não qualidades)são muito bem projetados nos Cristos/Jehovás/Santos, bem como nos Diabos/Satans/Lúcifers que estão por aí povoando o imaginário. E isso é tão real na mente na mesma proporção da graça ou do medo que “afetam”. E conforme vamos caminhando rumo as nossas próprias profundezas vamos nos dando conta de que tanto o Deus lá do céu, bem como o diabo lá do inferno, igualzinho concebido pela própria mente, são aspectos antropomorfizados do próprio indíviduo. A concepção do “céu” e do “inferno” como lugares distantes, são nada mais, nada menos que estados de consciência. E o que é esse “caminho sem volta” além da “conscientização” ou do “saber/conhecer” de tudo o que está bem entranhado nas profundezas de cada psiquê (medos, angústias, sonhos…). Não há mais volta quando somos “conscientes”, quando damos de cara com nossa própria escuridão e temos que reconhecê-la, admiti-la, ou quando também a imagem de Deus resplandece diante de nossos olhos mentais e lá um dia sabemo-lo nossa própria Luz, ou melhor como causa e princípio. Ou seja, esses aspectos são “trazidos” do que estava fora e distante, bem projetados no mundo, quer seja, no profundo vale das sombras/umbral/Hades/ou zonas infernais, bem como nos altos picos/montanhas/céus, e trazidos de volta para “a pessoa”, para ir se tornando “um indivíduo”, na medida de seu reconhecimento, ou conscientização, despertar, de que o que antes pertencia ao umbral e ao céu, pertencem a ele próprio. E a isso não há retorno possível, pois a “verdade” lhe foi revelada…

    E a Alma vai se tornando grande, na medida do que lhe é conhecido/vivenciado. E este é o peso do mundo Sem, ele proporciona o auto-conhecimento, o que está fora revela o interior. E como sugerido pelo “Escritor” no filme, “se soubéssemos de ante-mão que já somos plenitude, porque então realizar/materializar os sonhos?”, é porque não sabemos, porque não sabemos!! mas vamos sabendo na medida das possibilidades que achamos que escolhemos pra se tornarem reais em nossas vidas. Sim, porque muitas coisas nós não escolhemos, normalmente evitamos as coisas desagradáveis, mesmo quando elas ocorrem…

    E esse auto-conhecimento é um fator de desconstrução enorme, pois inevitavelmente destrói tudo o que havíamos concebido de ante-mão, nossas crenças e projeções são derrubadas por terra, e somos obrigados a fazer uma nova união, nova amálgama do que restou, e desfazer mais adiante e refazer diferente, e desfazer e refazer, como dito por você, casamos muitas vezes interiormente, mas a cada novo enlace, criamos união mais “precisa”, mais ampla, chegamos mais perto da verdade, como no limiar…

    “Para reles mortais, como eu, fazemos o trabalho da comunhão como nos for possível, no estágio que nos encontramos interiormente… Posso garantir que no estágio que estou, é muito difícil me imaginar tornando um buda nessa vida, porque eu “creio” piamente nesse movimento conflituoso entre alma e espírito, entendo isto como sinônimo de vida, como o fogo do entusiasmo, da alegria e do amor – quando o movimento é de agregação, é claro.”

    Todos somos reles mortais, afinal estamos todos aqui no mesmo barco :)! Esse movimento conflituoso dito por você é chamado no meio místico como “fricção”, e é justo como você falou, é o que causa a vida, que inevitavelmente também nos leva ao “conhecimento”, e devagar Sem, um dia leva ao cessar, porque já não há o que ser conhecido, pois o futuro e o presente, o desconhecido e conhecido se tornam um só e mesmo princípio. Eu creio que é possível essa realização de união total. E não que seja ainda esse o motivo de minha busca, não vou mentir que já foi, já me iludi com essa fantasia de “poder” que inebria no contato com a LUZ. O motivo agora é diferente. É simplesmente porque cada um têm um destino a ser cumprido, eu sei qual é o meu e vou levar isso adiante, não importando mais o fator “tempo”, se nesta vida, outras vidas… vou trilhar o meu caminho e essa é minha unica alegria, a que me da satisfação no coração, de continuar vivendo e acreditando que cada acontecimento, cada fato é com relação a esse despertar, então vou seguindo.

    —————————

    “Adi, só uma coisa, eles entraram na sala, não foi? ou estou equivocada ou é aquele quartinho pequeno, com piso de madeira ”

    Não, eles não chegaram a entrar na sala. Aquele quartinho pequeno do telefone, foi só um cantinho pra filosofar mais um pouco. Depois que eles passam o pequeno deserto de areia, eles vão como que pra uma ante-sala, grande, com água e bolhas plásticas a flutuar nela, pois bem, nesta ante-sala tem como que entradas/aberturas pra outros compartimentos/cômodos; um deles é onde fica o cachorro chorando e atrás dele o casal de cadáveres, no outro fica a salinha do telefone, mas voltando pra essa ante-sala onde flutua as bolhas e onde ocorre a briga, pode-se ver tanto o cômodo onde estava o cachorro, bem como a saleta do telefone, verifica-se que eles não saem mais dali, e bem em frente deles, há uma outra abertura, maior que as outras, essa é a que leva para o “Quarto”. O “Quarto” onde e eles se recusaram a entrar, onde depois da briga, o Escritor bem de frente a essa entrada, filosofando como sempre, se desequilibra e quase cai dentro do quarto, não fosse o Stalker puxá-lo de volta pelo casaco. Então todos ficam sentados ao chão, juntinhos, e de dentro do quarto cai muita água, como chuva. O Quarto é este que se vê de dentro pra fora na ultima foto do post, e eles todos sentados ao chão,bem em frente a entrada, no limiar a um passo de estar lá dentro.
    Então, ele não é engenheiro, ele é físico e cientista. O outro é escritor e filósofo. Então vemos esses aspectos em conflito também. Como ciência que é contrária a religião/fé/crença e esta que talvez também seja contrária a filosofia…

  10. adi said

    Oi Elielson,

    Puxa, me desculpe! Só pude responder agora seu comentário.

    “Ninguém se ilumina projetando figuras de luz”

    Pois é verdade, “ninguém se ilumina projetando figuras de luz”, e eu diria ainda, que talvez se ilumine, ao menos um pouco mais de luz, ao reconhecer sua sombra; por que convenhamos que tudo começa aí, na projeção. Tudo a princípio, ao primeiro momento é projetado no mundo, tudo, tudo mesmo o que vemos é criado a semelhança do criador, ou seja, daquilo que vai a mente daquele que projeta. Mas não é que se ilumina com a projeção, mas que é através disso que ao menos nos reconhecemos depois de um longo tempo.

    “Os elementos que compõe esse espaço passivo que une transformando e acumulando utilidade moram todos dentro da nossa cachola, obvio que a materialidade ao redor é fruto do movimento individual, mas existe algo não-manifesto materialmente que rege as coisas dentro do que é visto como a consciência especifica racial (pecados e tal, impulsos desnecessários e sem função orgânica nem mesmo pra adaptação), e é dessa coisa que os publicitários se apossaram, e não seria ruim se a publicidade não servisse ao delirio de poder, mas serve,…”

    É complicado esse assunto, porque envolve aqueles padrões comportamentais que segundo Freud são herdados pela raça, ou família. Já segundo Jung, são padrões que num primeiro momento foram arquetípicos mas que foram esvaziados de seu poder, tranformando-se em cascas vazias, repetidas e copiadas, e que sobrevivem de retirarem seu poder das mentes que creditam ou acreditam nessas idéias como realidade, sim, são os memes espalhados por todos os cantos, idéias como vírus que contaminam e se popularizam… e que se mantém as custas da grande “ilusão”, se alimentando da necessidade de coisas novas a todo momento, a todo e qualquer custo… mas o que é novo de fato?? tudo se copia, tudo se recria, e sobrevive disso…

    “A sensação de continuidade ciclica é percebida pela sensação de estar subindo, dai quando não sobe mais PARECE estar descendo, querendo perceber os estados abstratos força-se a mente a buscar um resultado. O resultado é o circulo.”

    Na maneira como vejo a coisa, e cá entre nós, são meus achismos, né? rsrsrs. Bem, eu “não” diria hoje, que nosso caminhar é um subir acima, ou descer abaixo (olha o meu pleonasmo 🙂 ),muito embora, na relação com os chacras que estão situados em nossa coluna vertebral e no cérebro, nos passa essa impressão de subida e/ou descida. Mas veja, tudo isso se passa em nosso corpo físico, em nossos estados mentais, onde?? oras, na mente/cérebro e na psiquê, no corpo e na vida… estamos aqui encarnados e não temos como fugir disso, tudo acontece aqui mesmo, no nosso meio de contato e de percepção que é físico e material junto com o sentimental/mental e claro o espiritual, não há outro meio de percepção ou de concepção, pelo menos, como reles mortal, eu desconheço. 🙂
    Pois bem, mas nós temos “estados de consciência” que se caracterizam nos nossos chacras, ou seja, no nosso próprio corpo físico e material, pois os mesmos estão ligados a um certo tipo de padrão de percepção e de atitude, quando estão bloqueados refletem, ou fazem perceber o mundo exterior de acordo com seus próprios bloqueios; quando estão livres e sem bloqueios, passam a refletir a realidade “DA VIDA” tal qual ela é; sem filtros, sem projeções, deturpações, etc e tal…
    Mas essa liberdade tão grande é, muito mesmo, que nos parece divina, de outro mundo, dos céus e dos deuses, inexplicável, incomparável, nada, nada mesmo que for dito a esse respeito pode significar essa verdade e realidade, portanto o “Tao que pode ser dito, não é o Tao”… é isso, portanto, não existe linguagem ou palavras que pode descrever esse estado de consciência e percepção, há tentativas de descreve-la como subida, elevação, etc, mas não passam de tentativas…
    Eu creio que as situações parecem rodar em “circulos”, e se repetem enquanto o modelo mental for o mesmo. Se for situação que cause sofrimento, será mais fácil reaver as próprias concepções, e claro, mudar o modelo mental. Mas muitas vezes, certas situações nos parece confortável, nesse caso, os conflitos não são tão perturbadores, e a tendência é continuar da mesma maneira, sempre repetindo os mesmos padrões, sempre criando as mesmas situações de vida, talvez como dito por vc, em circulo. Mas para aquele que busca auto-conhecimento, será mais fácil sair do ciclo que se repete.

    Abraços.

  11. Sem said

    “… e bem em frente deles, há uma outra abertura, maior que as outras, essa é a que leva para o “Quarto”. O “Quarto” onde e eles se recusaram a entrar, onde depois da briga, o Escritor bem de frente a essa entrada, filosofando como sempre, se desequilibra e quase cai dentro do quarto, não fosse o Stalker puxá-lo de volta pelo casaco.”

    Tem razão, Adi. Eu ainda não revi o filme, mas a sua explicação me convenceu de que fiz uma certa confusão nessa parte com a geografia do lugar. O filme é tão pesado, acho que eu “divaguei” um pouco nessa hora. Então, o quarto é aquele “janelão”… A impressão que eu tive é que havia ali um precipício para o exterior, como se estivessem num lugar muito alto… mas não lembro de ter ouvido passarinhos. O quarto é realmente numinoso e de uma natureza diferente de tudo o mais no filme – que é escuro, pegajoso e pesado, dá a impressão de que se pode “morrer” caindo ali… Mas não é justamente isso? morrer e nascer para outra vida? sabe aqueles treinamentos “jedis”, que se faz com afinco até conseguir “ver” o invisível ou ter a “fé” suficiente para dar o passo no vazio, no que se supõe ser o vazio, mas sem ser? O passo que se dá deve ser consciente, cair ali (no “quarto, no “vazio”) não é nada bom – pode representar a perda total da esperança pelo Graal. Ele foi um bom Stalker em ter segurado o escritor…

    Agora, Adi, mudando de assunto, mas na continuidade é o mesmo, algo que vc disse ao Elielson e me ficou confuso, o seguinte:

    “…envolve aqueles padrões comportamentais que segundo Freud são herdados pela raça, ou família. Já segundo Jung…”

    Mas vc não está projetando a sombra de Jung em Freud?
    Jung é que falou dessas coisas – de raças e padrões – e por conta disso sofreu inúmeras críticas e por alguns acredito até teve o pensamento e as intenções deturpadas. Freud ao que me consta jamais falou em raça e nem nunca esteve interessado em “padrões comportamentais” a serem rompidos… o que antes o interessava e era objeto do seu estudo era o que havia por trás de classificações deste tipo… Isso é importante para distinguir um trabalho do outro e fazer-lhes justiça. Em Freud nunca houve um anseio demonstrado de ir em busca do Graal – ao contrário, demonstrou inúmeras vezes não acreditar nisso -, ele não foi um místico, nem idealista, foi antes um cético que não nutria esperanças quanto à possibilidade de uma “natureza humana” melhorada. Vamos lembrar que seu “modelo” de homem foi Édipo, isto para qualquer homem, independente a cultura, a “raça”, religião, até o sexo, fazendo as devidas adaptações… Podemos acusá-lo então de um trágico absolutista, pode ser, e eu vejo nele um temperamento saturnino, claramente, com todos os prós e contras disso, embora nunca tenha faltado a ele sensibilidade e, doçura, até. Freud foi um homem charmoso, isso é importante para entender seu legado e seu fascínio, inclusive sobre o jovem Jung. Freud tinha o domínio das palavras e eu acho até que fez mais sucesso com as mulheres do que o Jung fez, embora junguianos de carteirinha jamais vão entender ou admitir isso. Freud foi simplesmente um homem instruído do seu tempo, inteligente, ateu, materialista, prático. Tô eu aqui defendendo o Freud no que eu acho que ele merece, que ele é passível de críticas, mas outras…

    Bjos e divaguemos… 🙂

  12. adi said

    “O quarto é realmente numinoso e de uma natureza diferente de tudo o mais no filme – que é escuro, pegajoso e pesado, dá a impressão de que se pode “morrer” caindo ali… Mas não é justamente isso? morrer e nascer para outra vida? sabe aqueles treinamentos “jedis”, que se faz com afinco até conseguir “ver” o invisível ou ter a “fé” suficiente para dar o passo no vazio, no que se supõe ser o vazio, mas sem ser? O passo que se dá deve ser consciente, cair ali (no “quarto, no “vazio”) não é nada bom – pode representar a perda total da esperança pelo Graal. Ele foi um bom Stalker em ter segurado o escritor…”

    O filme carrega mesmo essa atmosfera densa e pesada, de um mistério que assusta. Natural essa apreensão já que estão dentro de uma área (a zona) da qual não tem domínio, tudo ali é desconhecido, cheio de armadilhas. E o novo sempre assusta mesmo. É como um morrer mesmo Sem, e nascer, creio eu, para uma nova concepção de mundo. E você falou numa coisa certa, e talvez seja bem por aí mesmo, para chegar de frente ao “quarto”, ou usando da mitologia do Graal, ou diante de “Deus”, e adentrar na vastidão, há a necessidade de ir pouco a pouco construindo essa imagem, de ir “acreditando” que o mistério é verdadeiro, a tal da “fé” que move montanhas; porque aparentemente a primeira imagem que nos chega é de “vazio”, de aniquilamento… e haja confiança pra enfrentar isso, então muito provavelmente transposto o medo, e usando da confiança, o que encontra ao invés do vazio é a “plenitude” da vida, de tudo que há, nada mais é necessário…
    Mas há que se ter muito cuidado, pois se houver dúvida, o que se encontrará pode muito bem ser a completa desordem.

    “Mas vc não está projetando a sombra de Jung em Freud?”

    Sem, você tem totsl razão. Elielson, me desculpe mesmo pela minha confusão, e talvez até em tê-lo confundido, fui pesquisar sobre isso, e de fato nada consta com relação a Freud nesse sentido, parece que para Freud só há o inconsciente pessoal. Caso eu não esteja confundindo novamente, isso se refere as primeiras ideias de Jung, que posteriormente foram melhor formuladas, e o inconsciente coletivo que vinha por herança ficou equivalente ao arquetípico, do qual compartilha toda a humanidade.
    Em termos de charme, ali ambos foram muito charmosos em seu tempo. Também ambos bem vaidosos, dá pra perceber pela postura nas fotos, pela impecável aparência. Muito provável Freud ser mais charmoso e ter tido mais fascínio até que Jung, haja visto o alcance de sua obra e popularidade.
    Que bom que aqui estou sempre aprendendo com vocês, obrigado. 🙂

    beijos e divaguemos 🙂

  13. Elielson said

    Elielson, me desculpe mesmo pela minha confusão…

    Isso é imperdoavel… 😀

    e falando em confusão… divaguemos…

    A existência util do inconsciente pessoal na forma de uma memória inativa ou de uma carga psiquica aprioristica (arquétipo mesmo), não isenta o individuo do mal uso desta substância imaterial pelo material, esse mal uso que digo, acontece na desconsideração deste mistério de transferência do que é sentido na area de troca de informações.
    A coleção de padrões que cada ser humano faz e a pilhagem da razão como se alguma coisa assim fosse nos salvar da visão de verdades e tempos em auto-destruição, não retiram a percepção da irrealidade contida nelas, porém a inadmissão dessa irrealidade é uma escolha jacta (na minha opinião), pois é da irrealidade delas que depende até mesmo a atualização delas.
    Fica como se as causas individuais passassem a responsabilidade pelas divisões ideológicas às circunstâncias de territórios (geopolitica, tradição blá blá blá) e a sorte universal, quando na verdade ao perceber algum fenomeno são simplesmente os individuos a par da observação que vão decidir se vão querer brincar de bem versus mal ou vão querer sondar mais dessa realidade recém-criada. No caso de quererem brincar maqueiam a situação devido a uma carência que requer retroobservações, e nasce a vaidade, dai tudo é vaidade, excetos as vaidades que explicitam a vaidade, estas impedem a imersão num sistema como ser desonesto que falará toda a podridão e abominação possivel somente para ter poder sobre outro ou outros individuos, impedindo o individuo de fazer-se a si mesmo ferramenta adaptavel para as necessidades de si mesmo.
    Assim funciona continuamente a sacralidade que sobrepõe a sacralidade, seja pelo centro que não se vendo sagrado concede o sacramento exclusivamente ao exterior ou pelo centro que sacramentando unicamente ao interior finge a si mesmo ser uma luz caida no inferno ou uma luz a subir pro céu. Mas na hora de colocar ordem social, os que gostam do poder sobre outro, reorganizam a natureza dos comportamentos por que o pesadelo começa a beirar suas portas.

  14. Sem said

    Adi,

    “Mas há que se ter muito cuidado, pois se houver dúvida, o que se encontrará pode muito bem ser a completa desordem.”

    Eu lembrei de “A História Sem Fim”, do Michael Ende, e não é a primeira vez nesse post… vc leu esse livro?

    Lá tem uma parte, qd Bastian ainda está lendo no sótão da escola, acompanhando Atreiú a vencer as três portas para chegar até Uiulalá… o que acontece é que a terceira porta do Oráculo do Sul é a mais difícil de passar, mas é aquela que finalmente dará acesso até Uiulalá que detém a resposta de quem poderá salvar o mundo de Fantasia… bem, essa porta só poderá ser vencida se a pessoa que o fizer conseguir se despojar de sua personalidade ou do que conhece de si… quer dizer, ele precisa se despojar do seu ego, pois para entrar naquele mundo, do lado de “lá”, o ego, que pertence ao mundo de “cá”, não tem serventia… se a pessoa não conseguir se desvencilhar de sua identidade egóica, é pq ainda não está preparada, e o que vai acontecer é que a porta não vai abrir, ou se abrir, o mundo será o mesmo do que já é do seu conhecimento e nada se revelará de novo ao sujeito, pois ele verá tudo com os olhos do seu “ego”… esse livro é fantástico! creio que é a melhor história de “jornada da alma” que eu já encontrei na literatura, e não estou brincando. Bom, o próprio senhor Koreander, de quem Bastian “roubou” o livro no começo da história, ele diz ao Bastian, lá no final, que há muitas idas e voltas ao mundo de Fantasia, aquela foi só a primeira vez de Bastian… assim, Fantasia (o mundo da alma) se alimenta e se constrói desse diálogo com pessoas que podem ir e voltar desse mundo (ah, sim, voltar é outro problema). E em nenhuma delas e para ninguém a viagem é igual, a cada nova vez somos testados ao máximo de nossa capacidade, e a cada nova vez conseguimos aprender outras coisas e presenciamos coisas terríveis e maravilhosas, ao mesmo tempo que nos preparamos para outras futuras jornadas. É uma história que não tem fim. Na verdade, o mundo de Fantasia é aqui e o seu tempo é agora.

    “Em termos de charme, ali ambos foram muito charmosos em seu tempo. Também ambos bem vaidosos, dá pra perceber pela postura nas fotos, pela impecável aparência. Muito provável Freud ser mais charmoso e ter tido mais fascínio até que Jung, haja visto o alcance de sua obra e popularidade.”

    Charme ou… uma grande razão porque hoje Freud é mais conhecido é que sua teoria serve melhor ao sistema individualista e materialista que vivemos. Mas nós estamos em mudança desse mundo em crise… o futuro ainda é incerto, eu torço e com alguma base na realidade para um outro sistema mais holístico, mais espiritualizado como o cosmo, que é um só para todos. E dá-lhe “Avatar” e redes sociais… Nesse outro mundo a bola da vez é Jung, e o mundo junguiano parece mesmo fervilhando com os pós-junguianos e as boas controvérsias lançadas entre Hillman e Giegerich…

    Divaguei mesmo, né? 🙂

    Bjos

  15. Sem said

    Elielson,

    “Isso é imperdoavel…

    e falando em confusão… divaguemos…”

    “Os Imperdoáveis”… filmaço, já é um clássico, com o Clint Eastwood, que só faz filme bom. 🙂

  16. adi said

    Oi Elielson,

    Que bom que é imperdoável do seu jeito bem simpático de ser, a gente fica feliz e sorri 🙂 .

    “quando na verdade ao perceber algum fenomeno são simplesmente os individuos a par da observação que vão decidir se vão querer brincar de bem versus mal ou vão querer sondar mais dessa realidade recém-criada. ”

    Está aí um assunto bem espinhoso, bem x mal, qualquer dia a gente faz um post sobre isso pra divagar bastante. Por um tempo como que fiquei fascinada pra tentar entender sobre isso, era só o que me interessava pra pesquisar e ler sobre. Vai ser bem interessante conversar sobre isso. 🙂

  17. adi said

    Sem,

    “Eu lembrei de “A História Sem Fim”, do Michael Ende, e não é a primeira vez nesse post… vc leu esse livro?”

    Ler o livro ainda não li, mas já assisti o filme um tempo atrás, mas não deve ser a mesma coisa que o livro. Pelo que você descreveu parece ser super interessante essa história, me chamou a atenção o fato do livro descrever sobre a perda do ego, como no budismo e nas filosofias orientais, porque acredito nisso também. Além do que essa história se parece muito com nossa realidade, com o que vivemos; não é assim sempre um eterno aprendizado??

    Sobre Freud e Jung, naturalmente minha preferência é pelo método junguiano, muito mais holístico, como dito por vc. Sabe, eu ainda não li Hillman como se deve. Outro dia na Fnac encontrei livro dele acho que sobre sonhos, mas não me recordo exatamente agora, mas como o preço estava meio salgado, deixei pra outro dia… talvez valha a pena ler Hillman mais a fundo.

    “Divaguei mesmo, né?”

    E é bom, não é?

    bjs

  18. Sopoesia said

    Adi, estou eu aqui pra postar a tradução que eu fiz daquela poesia do Octavio Paz e vc falando de sonho… acontece que eu tb acabei de ler um texto muito bom sobre a interpretação dos sonhos pela perspectiva junguiana, do Igor Fernandes, e é como eu penso os sonhos devem ser tratados… vc vai gostar, e abaixo os reducionismos freudianos!, e tem Hillman:

    http://dialogosjunguianos.wordpress.com/2010/08/17/como-trabalhar-com-sonhos-na-perspectiva-junguiana/

    Vou dividir tb um site com vc e com se interessar pelo Giegerich, que é considerado a 3ª onda de Jung (o Hillman seria a 2ª). Tudo isso é muito novo e fervilhante nesse mundo de pensadores pós-junguianos, como eu tinha dito, ainda em fase de construção e passível de críticas… e me faz lembrar do Lacan, num dos raros seminários seus que eu li em 1900-e-bolinhas, só guardei de memória ele falando para a plateia, algo assim, estou citando de memória: “senhores, regozijemo-nos, nós estamos fazendo psicanálise!”… disse isso a título de que eles não estavam simplesmente “estudando”, mas, “construindo” a teoria… e eu acho que o mundo junguiano vive hoje um momento assim…

    Bom, esse site é muito bom, no site pessoal do Eskenazi vc pode até escutar suas aulas. Eu o descobri fuçando por aí, a não muito tempo atrás, mas é em espanhol (deve ter outros excelentes em inglês, mas eu tenho dificuldade em ler o inglês). Vc vai achar aqui bastante coisa do Hillman tb:

    http://homepage.mac.com/eeskenazi/Menu21.html

    Adi, pode crer que eu tenho o mesmo entusiasmo que o seu e a preferência pela linha junguiana, apenas eu não gosto de falar mal de Freud, seja pelo prato que comi (já fiz análise por essa linha), e depois, acho um horror junguianos falando mal de Freud… a teoria do Jung deve falar por si, impor-se por si própria e não em contraposição ao outro…

    Minha amiga, acho que vc vai ter que liberar esse comentário. Estou logada como Sopoesia e coloquei 2 links…

    Muito bom divagar, e com pessoas simpáticas e queridas como vcs, é sempre melhor. 🙂

  19. adi said

    Sem,

    Muito, muito bom os sites que vc passou pra gente aqui. Nossa, o pior é que sou um pouco demorada pra escrever, ainda mais quando tenho novidades pra ler como os sites que vc passou, e pra ajudar amanhã vou começar o curso de russo… não vai sobrar muito tempo pra atualizar o blog, rsrsrs. Brincadeiras a parte, apesar de eu ser lenta pra fazer um post, acho que vai dar pra conciliar tudo, assim espero… porque o melhor do blog é sempre nossas conversas descontraídas aqui, mesmo que falamos de coisas muitas vezes densas, é sempre um enorme prazer pra mim essa troca, esse compartilhamento de idéias e de informações…

    … bom estou com os sites abertos e gostei do visual, achei interessante e vou ler um pouco mais.

    Obrigada, tá! 🙂

    bjs

  20. Sopoesia said

    Russo?! queria ser um passarinho para te ouvir… 🙂 deve ser complicado – digo isso porque não tenho muita facilidade para aprender línguas, mas para quem compreende o chinês, nada é tão difícil.

    Conta depois suas experiências… vc sabe, é um grande prazer para mim igualmente essa troca que fazemos aqui no blog.

    Como é que se diz “beijos” em russo? rs…

  21. adi said

    Sabe, eu acho que não tenho facilidade pra idiomas não, aprendi um pouco mais do básico de chinês, entendia igualmente também, mas porque morei lá. Então a gente acaba aprendendo mesmo.

    E olha só, em 2001 e 2002 nós moramos na Alemanha, aprendi o básico aqui e estava empolgada até, mas a experiência que tive lá foi diferente, eu me retrai, primeiro porque meu jeito é introvertida mesmo, depois porque ficava envorgonhada, com medo de errar, também porque meu marido servia de intérprete 🙂 ; resultado, lá eu “desaprendi” alemão, voltei falando menos do que quando fui pra lá. rsrsrs

    Meu inglês é uma catástrofe rsrs. O meu defeito maior é que não sou disciplinada, eu não estudo fora das aulas, então já viu né?

    Vamos ver agora como vai ser?? 🙂

    tselúyo (um beijo), esta é a pronúncia, como se escreve é completamente diferente rsrs

  22. Sem said

    Adi,

    Vc e o seu marido devem ter um Júpíter poderoso no mapa astral de vcs… isto é, segundo a astrologia, este é o planeta q rege as viagens longas e distantes. Ele é o regente do meu ascendente, e eu já viajei muito mesmo, mas nunca fora do Brasil, acredita? isto é, Paraguai e Argentina na fronteira com Foz do iguaçú, não estou contando. Minhas maiores viagens foram verticais, para dentro…

    Qd vc for, me avisa… eu sei que por essa época vai estar tão ocupada com a mudança e com se estabelecer na nova casa, novo país, novo tudo, que não terá muito tempo para o Anoitan – por essa época eu posso publicar alguns posts (nem que seja poesia), só para não deixar o blog abandonado de todo, e liberar os comentários que houver… depois desse tempo de adaptação, eu sei que será uma benção vc ter o Anoitan para se “preocupar”… nossa, até eu já estou ficando ansiosa com a sua viagem, imagina vc…

    um tselúyo procê. 🙂

  23. adi said

    Oi Sem,

    Ai que bom que posso contar com essa força de você tocar aqui o Anoitan, de fato vai estar meio corrido mesmo. E o Anoitan, depois que a correria da mudança passar, vai ser uma benção mesmo, não tenho dúvidas. Acho que vai ser em Novembro.

    No mapa astral eu não cheguei a verificar, mas deve ter algo muito forte nesse sentido, na numerologia eu sei que tem, a somatória da minha data de nascimento dá o nr. 5, a dele também, além dele ter mais um ou dois números 5 em outras somatórias. Esse número eu sei que representa viagens. Nossa vida é bem interessante nesse aspecto de mudanças de casa e de País. Depois da volta da Alemanha em final de 2002, logo em 2003 houve convite pra morarmos na Índia em Bangalore, fomos pra lá conhecer, mas ainda não estávamos preparados, era muito diferente, a Índia é muito pobre e uma realidade difícil de conviver diariamente, então não aceitamos. E olha como a vida é estranha, me lembro como se fosse hoje, numa noite, no restaurante do Hotel na Índia, havia alguns chineses jantando perto de nossa mesa, eles têm um costume de fazer muito barulho pra comer, muito mesmo; então brinquei com meu marido e disse: melhor a gente aceitar aqui a Índia se não vão acabar mandando a gente pra China! aí vai ser difícil demais :D. Em Setembro de 2004 ele teve novo convite, adivinha pra onde?? rsrsrs
    Começo de 2005 estávamos mudando pra lá, e posso dizer que foi a melhor experiência da minha vida. Em 2007 quando estávamos voltando da China, houve um novo convite pro México, em Mexicali na fronteira com os USA, mas ele também não aceitou. Precisávamos voltar pra casa.
    Mas agora já é tempo de seguir, se soltar de novo no fluxo rsrs. Eu já viajei muito, conheço muitos Países (17), até pro Tibet já fui (gosto de achar que ainda é separado da China), mas no Brasil conheço só Rio, um pouco de Minas, e São Paulo porque sou paulistana, rsrs. É um pouco estranho tudo isso. Mas hoje, eu moraria na Índia sem problemas.

    Eu gosto de pensar que essas mudanças, são como a materialização de uma mudança interior que está “emergindo”, e no decorrer de todo o processo, de toda experiência vivida, aquilo acaba brotando. É uma viagem interior bem profunda, e quando voltamos já não somos os mesmos. Conhecer e viver novas culturas amplia os horizontes, abranda nossa natureza impulsiva de querer que as coisas saiam exatamente como previmos. Não é assim, tudo tem seu ritmo de ser, e aprendemos a respeitar essas diferenças.
    Fora que é um exercício de desapego bem grande, é sempre um largar, soltar e ir, pegar de novo, largar, soltar… rsrs

    Meu marido fala que ele tem sangue cigano, não se aquieta, e que eu sou “meio louca” no bom sentido, aí é isso que dá. rsrs

    tselúyo

  24. Sem said

    Adi,

    Os comentários aqui no Anoitan devem ser um horror para quem espera objetividade da parte dos comentadores. Esse tipo de leitor não deve demorar muito por aqui. Veja, só aqui nesse tópico, começamos discutindo cinema e acabamos dando em numerologia, sabe-se lá como e onde isso ainda vai nos levar….

    Bem, para mim o papo está bom e não posso me furtar de dizer que acho a sua experiência de vida fascinante. Acho que ela condiz com o seu modo respeitador e ágil de lidar com a alteridade. Podem ter sido as viagens, ou não, esse facilitador de empatia, mas talvez seja apenas a sua capacidade interior de se colocar no lugar do outro que faça de vc uma “viajante” nata.

    Sim, eu acredito que em tudo exista uma relação íntima entre exterior e interior. São polos que no seu aspecto mais positivo podem se complementar e agregar, e no negativo, bem, separam os seres e negam a vida.

    Se vc quiser saber mais precisamente a importância de Júpiter no seu mapa, Adi, vá ao site “astro.com”. Na seção “horóscopos gratuitos” procure por “Seleção alargada de Mapas”. Escolha o método de mapa “Pullen/Astrolog” e na caixinha que aparece selecione o último item, “Delineação de Mapa Simples por Walter Pullen”. Clique em “clique aqui para ver o mapa”, rs… Não vai aparecer mapa nenhum, e sim uma interpretação repetitiva, exaustiva, dos aspectos que formam seus planetas natais. Lá para a metade final das estatísticas é que vão aparecer alguns gráficos, que, de acordo com esse sistema, dão a influência em porcentagens exatas, dos planetas e dos signos no seu mapa, incluindo os elementos e a energia das casas. Vou colar o meu:

    Planet: Position Aspects Total Rank Percent
    Sun: 50.0 ( 4) + 20.0 ( 5) = 70.0 ( 3) / 10.6%
    Moon: 30.0 ( 8) + 30.6 ( 2) = 60.6 ( 6) / 9.2%
    Mercury: 88.5 ( 1) + 14.7 ( 8) = 103.2 ( 1) / 15.6%
    Venus: 41.0 ( 6) + 12.9 ( 9) = 53.9 ( 8) / 8.2%
    Mars: 15.0 (10) + 33.8 ( 1) = 48.8 ( 9) / 7.4%
    Jupiter: 40.0 ( 7) + 26.8 ( 3) = 66.8 ( 4) / 10.1%
    Saturn: 57.5 ( 2) + 16.8 ( 7) = 74.2 ( 2) / 11.3%
    Uranus: 52.0 ( 3) + 3.0 (10) = 55.0 ( 7) / 8.3%
    Neptune: 10.0 (11) + 25.8 ( 4) = 35.8 (10) / 5.4%
    Pluto: 45.0 ( 5) + 17.6 ( 6) = 62.6 ( 5) / 9.5%
    Chiron: 7.0 (12) + 0.0 (11) = 7.0 (12) / 1.1%
    Node: 22.0 ( 9) + 0.0 (12) = 22.0 (11) / 3.3%
    Total: 458.0 + 201.9 = 659.9 / 100.0%

    Sign: Power Rank Percent – Element Power Percent
    Aries: 37.0 ( 8) / 5.6% – Fire: 141.4 / 21.4%
    Taurus: 23.1 (11) / 3.5% – Earth: 259.3 / 39.3%
    Gemini: 48.8 ( 6) / 7.4% – Air: 150.0 / 22.7%
    Cancer: 16.3 (12) / 2.5% – Water: 109.3 / 16.6%
    Leo: 45.4 ( 7) / 6.9%
    Virgo: 147.5 ( 1) / 22.3% – Mode Power Percent
    Libra: 23.4 (10) / 3.5% – Cardinal: 165.3 / 25.1%
    Scorpio: 68.0 ( 4) / 10.3% – Fixed: 214.3 / 32.5%
    Sagittarius: 59.0 ( 5) / 8.9% – Mutuable: 280.3 /42.5%
    Capricorn: 88.7 ( 2) / 13.4%
    Aquarius: 77.7 ( 3) / 11.8%
    Pisces: 25.0 ( 9) / 3.8%
    Total: 659.9 / 100.0%

    Já na numerologia, eu não sei exatamente o que os números significam… sei que tenho 3 números que se repetem ‘ad nauseam’ – no meu nome, em todos os meus documentos importantes, em conta de banco e mais recentemente eu descobri a sequência no meu mapa astral, quer dizer, na hora sideral do meu nascimento. Fantástico, não é? eles se repetem sempre juntos, 695, mas não necessariamente seguindo essa ordem. Já faz tempo que eu sei disso, mas nunca descobri o significado. Acabei de reparar que o total do rank dos signos da tabela que colei é 659.9… impressionante. Ou, não sei, depois que vc repara numa coisa, não é que a “coisa” tenda a se repetir, mas é que vc repara nela toda a vez que ela acontece, porque a maioria das coisas acontecem estando nós inconscientes delas…

    Qual sua teoria?

    Eu tenho teorias próprias a respeito dos números, basta observar como eles criam formas – triângulos, quadrados – e podemos dizer que as formas são arquetípicas, são ‘a priore’ aos sujeitos e geram uma percepção que é básica, que contamina todo o modo de sentir e pensar das pessoas, se apercebam elas das formas ou não. Porque independente de como as pessoas cheguem, a atmosfera descarada ou sutil do ambiente contamina e modifica a percepção interior delas… É que as formas (como as cores) criam atmosferas irresistíveis (arquetípicas) e só com o conhecimento do que elas provocam é que podemos encarar a atmosfera de um lugar sem nos sentirmos intimidados por ele. Ou seja, só com o conhecimento das formas evocarem percepções, para não ficarmos empacados perante um quadrado imobilizador, por exemplo. A esse respeito disse o Jung, só conhecendo o que anda implicado no seu destino (autoconhecimento) é que estará livre para o seguir alegremente… ah, a frase não é essa, é mais impactante e bonita, citando de memória, ele disse algo parecido com: “livre-arbítrio é fazer bem feito o que deve ser feito”…

    Os artistas, como sempre, são os mais sensíveis a perceber as formas da natureza e a evocar os sentimentos de uma plateia, dispondo-as de forma a melhor colaborarem com a obra realizada. A pintura desde sempre evocou esse despertar, provocando harmonia no repetir da mesma forma várias vezes, evocando mobilidade com os círculos, espiritualidade com triângulos, beleza com o retângulo áureo…. Já a arte contemporânea faz um trabalho interessante de desconstruir o que existe e fazer que a obra se construa a si, às vezes até ao artista, passamos às obras inacabadas, onde muitas vezes é o espectador envolvido a construir ele próprio a obra…

  25. Sem said

    hahahahahaha!!!! na tabela, onde tem uma carinha com óculos, é o número oito seguido de parênteses final… o wordpress interpretou como carinha com óculos… essas máquinas, são literais o tempo todo…

    Bjos

  26. adi said

    Sem,

    “Os comentários aqui no Anoitan devem ser um horror para quem espera objetividade da parte dos comentadores. Esse tipo de leitor não deve demorar muito por aqui.”

    Puxa vida!! é verdade, não somos nada objetivos. Peço desculpas a todos pelo bate papo, pessoal até, mas é nosso jeito de ser nós mesmos… e é tão bom isso!! 🙂

    Eu acho admirável você entender esses montes de números na astrologia e saber interpretá-los. Honestamente, eu não consigo entender principalmente quando eles se misturam. Isoladamente eu entendo até, mas já quando vai pra casa tal, no grau tal, etc… nossa fico perdida. rsrsrs

    Olha só o que o nr. 3 significa na numerologia: “O número 3 representa o princípio manifestado, Espírito, A Trindade de todas as tradições, o triângulo equilátero, o Verbo Solar, Mundo dos Efeitos, três mundos, Imperatriz, três esferas, o Sol do Pai-Mãe-Filho, equilíbrio universal, a palavra pensada, dita, Lei Maior, expressão, comunicação, escrever, falar, representar, harmonioso, simpático, alegre, pintura, teatro, sensibilidade, clareza, paz, entendimento, harmonioso, intelectual, tranquilidade, etc.” – Acho que tem tudo a ver com você.

    ———————

    Meus aspectos na astrologia, conforme vc sugeriu, são esses aí embaixo:

    Planet: Position Aspects Total Rank Percent
    Sun: 55.0 ( 3) + 11.1 ( 7) = 66.1 ( 4) / 11.0%
    Moon: 30.0 ( 9) + 1.0 (10) = 31.1 (10) / 5.1%
    Mercury: 83.5 ( 1) + 17.7 ( 5) = 101.2 ( 1) / 16.8%
    Venus: 31.0 ( 8) + 28.4 ( 1) = 59.4 ( 5) / 9.8%
    Mars: 32.5 ( 6) + 5.2 ( 9) = 37.7 ( 7) / 6.3%
    Jupiter: 38.5 ( 5) + 18.2 ( 4) = 56.7 ( 6) / 9.4%
    Saturn: 15.0 (11) + 14.4 ( 6) = 29.4 (11) / 4.9%
    Uranus: 60.0 ( 2) + 22.6 ( 2) = 82.6 ( 2) / 13.7%
    Neptune: 23.5 (10) + 10.1 ( 8) = 33.6 ( 8) / 5.6%
    Pluto: 45.0 ( 4) + 21.6 ( 3) = 66.6 ( 3) / 11.0%
    Chiron: 32.0 ( 7) + 0.0 (11) = 32.0 ( 9) / 5.3%
    Node: 7.0 (12) + 0.0 (12) = 7.0 (12) / 1.2%
    Total: 453.0 + 150.4 = 603.4 / 100.0%

    Sign: Power Rank Percent – Element Power Percent
    Aries: 54.1 ( 6) / 9.0% – Fire: 139.1 / 23.0%
    Taurus: 19.2 (11) / 3.2% – Earth: 135.5 / 22.5%
    Gemini: 55.7 ( 4) / 9.2% – Air: 225.1 / 37.3%
    Cancer: 8.6 (12) / 1.4% – Water: 103.8 / 17.2%
    Leo: 65.0 ( 3) / 10.8%
    Virgo: 96.5 ( 2) / 16.0% – Mode Power Percent
    Libra: 29.4 ( 8) / 4.9% – Cardinal: 111.9 / 18.5%
    Scorpio: 40.0 ( 7) / 6.6% – Fixed: 264.3 / 43.8%
    Sagittarius: 20.0 ( 9) / 3.3% – Mutuable: 227.3 / 37.7%
    Capricorn: 19.8 (10) / 3.3%
    Aquarius: 140.1 ( 1) / 23.2%
    Pisces: 55.2 ( 5) / 9.1%
    Total: 603.4 / 100.0%

    Parece que tenho menos júpiter em termos de % que você, Sem. Talvez tudo isso venha do meu marido mesmo. Infelizmente, o mapa dele vou ter que esperar um pouco, ele não lembra a hora em que nasceu, minha sogra também não lembra bem ao certo, vou esperar ela ter certeza, então vou especular melhor sobre Júpiter no mapa dele.

    bjs

  27. adi said

    “hahahahahaha!!!! na tabela, onde tem uma carinha com óculos, é o número oito seguido de parênteses final… o wordpress interpretou como carinha com óculos… essas máquinas, são literais o tempo todo…”

    Eu tinha entendido que aquilo ali representava muita sombra e água fresca ao estilo de férias, também muita alegria de alguém que veio a passeio realizar o seu destino. 😀
    Como nada é por acaso, quem sabe não está representando seu momento. rsrsrs

    ——————————–

    Falando mais sério, e com relação aos leitores do blog, está saindo um post sobre “bem X mal”, por sugestão do Elielson até (bjs pra ele). Acho que vai ficar bacana, pra gente discutir e discordar bastante sobre esse assunto bem espinhoso.

    bjs

  28. Sem said

    Oi Adi, olha eu aqui de novo, domingo no computador e sem grandes planos, e a nossa conversa sobre astrologia está rendendo… e que bom, sinto falta de ter com quem conversar sobre esse assunto que é tanto do meu interesse…

    >>>”Falando mais sério, e com relação aos leitores do blog, está saindo um post sobre “bem X mal”, por sugestão do Elielson até (bjs pra ele). Acho que vai ficar bacana, pra gente discutir e discordar bastante sobre esse assunto bem espinhoso.”

    Opa! esse assunto promete. 🙂

    >>>”Eu tinha entendido que aquilo ali representava muita sombra e água fresca ao estilo de férias, também muita alegria de alguém que veio a passeio realizar o seu destino.
    Como nada é por acaso, quem sabe não está representando seu momento. rsrsrs”

    Vou me expressar pela própria astrologia e, não sei, talvez pelo meu ascendente ser alegrinho (sagitário), eu passe uma imagem mais fantasiosa do que real e de que vim no mundo a passeio. Mas nada é mais distante da minha realidade, quem tem 22.3% de virgem e 13.4% de capricórnio indica uma porcentagem bem grande de pé no chão, de tempo e de preocupação dedicada ao trabalho… oh, sim, o trabalho talvez seja o meu maior prazer, a parte que eu dedico ao estudo é, realmente. Mas se eu tenho sorte de ter tomado algumas decisões acertadas na vida, com ou sem ajuda de ascendente, não estou satisfeita como a minha vida está organizada neste momento… e eu sei que se eu não fizer nada, o mundo vai fazer, deixar seguir não me parece ser o melhor caminho… preciso tomar algumas decisões e orientações que no momento não vejo como, tenho dúvidas ainda do melhor caminho para resolver algumas questões, estou ainda amarrada, amadurecendo o que fazer e como fazer… seria exagerado talvez dizer que eu vivo num momento de crise existencial, mas não seria nem um pouco admitir que o meu momento é crítico… por outro lado, interiormente, me sinto em bodas comigo, como nunca estive. Essa segurança interior é que me tira da crise que estaria se não estivesse em paz comigo mesma. Pessoalmente vivo um bom momento, em parte colhendo os frutos do autoconhecimento ao qual me dediquei praticamente a vida inteira.

    >>>”Eu acho admirável você entender esses montes de números na astrologia e saber interpretá-los. Honestamente, eu não consigo entender principalmente quando eles se misturam. Isoladamente eu entendo até, mas já quando vai pra casa tal, no grau tal, etc…”

    Interpretar os planetas é fácil, cada um tem um deus, com uma mitologia característica, vc conhece a simbologia até melhor do que eu… fazer a relação entre eles é como cruzar esses personagens ou o que eles representam.

    Agora, quanto aos números e aos ângulos, eu não entendo. Apenas consigo visualisar algo simples imaginando um bolo fatiado em 10 partes (a percentagem) para 12 convidados (os planetas ou signos)…. A percentagem que cada convidado vai receber é bastante desigual, alguns vão receber um bom bocado e outros vão ficar na vontade.

    Veja que nós duas servimos com bastante generosidade a Mercúrio, temos isso em comun, ele é o convidado que recebe de nós a maior porção – na verdade é ele que é generoso conosco… Será que isso explica sermos prolixas?

    Quanto aos signos, olha que bacana, temos outra coisa em comum, Virgem e Aquário são bem fortes a nós duas. Pra vc, somando os dois, dá quase 40% do seu bolo reservado só para eles. Do meu bolo eu dou para eles 33%, isto é, 1/3 do total. Outra coisa em comum que temos é que o signo de Câncer não tem vez conosco, eu dou 1/4 de uma fatia regular para ele, e olha lá, – vc consegue ser mais sovina do que eu, dando a migalha da metade que eu dou…

    Sei lá, eu gosto muito, muito mesmo de ficar em casa e de fazer da casa um lar, mas não gosto nem um pouco de cultuar o lar como templo sacro e de ter relações sufocantes dentro dele, será isso?

    Uma diferença que temos, e diferenças são sempre positivas pela possibilidade de complementação, é que a importância que vc dá para Peixes, eu dou para Capricórnio. Na mesma medida o que um é para vc, o outro é para mim. Seu misticismo se revela aqui, e o meu teimoso ceticismo, talvez…

    >>>”Olha só o que o nr. 3 significa na numerologia: “O número 3 representa o princípio manifestado, Espírito, A Trindade de todas as tradições, o triângulo equilátero, o Verbo Solar, Mundo dos Efeitos, três mundos, Imperatriz, três esferas, o Sol do Pai-Mãe-Filho, equilíbrio universal, a palavra pensada, dita, Lei Maior, expressão, comunicação, escrever, falar, representar, harmonioso, simpático, alegre, pintura, teatro, sensibilidade, clareza, paz, entendimento, harmonioso, intelectual, tranquilidade, etc.” – Acho que tem tudo a ver com você.”

    Mas de onde vc tirou o número 3, Adi? eu falei em 3 números e, interessante, nunca pensei neles como unidades antes, e nem em somá-los, mas, se somados, dariam resultado 2. Quer dizer, 6 + 9 + 5 = 20, e, 2 + 0 = 2. Não é assim que se faz? estou perguntando com a maior inocência, que eu conheço praticamente nada desse assunto. Realmente, eu nunca me associei ao número 2, e nem ao 3 (já pensei no 5 e no 6), só que, veja, o 3 tem bastante fundamento… e já que estamos falando de astrologia, no meu mapa astral, o primeiro desenho que salta à vista é de um triângulo equilátero bem perfeitinho – meus Sol, Lua e Marte fazem trígonos entre si. E a minha carta do tarô para os próximos 6 meses, tirada pelo meu filho, é, nada mais, nada menos, que… A Imperatriz. Tudo encaixa no 3 então…

    >>>”Parece que tenho menos júpiter em termos de % que você, Sem. Talvez tudo isso venha do meu marido mesmo. Infelizmente, o mapa dele vou ter que esperar um pouco, ele não lembra a hora em que nasceu, minha sogra também não lembra bem ao certo, vou esperar ela ter certeza, então vou especular melhor sobre Júpiter no mapa dele.”

    Para as viagens longas e demoradas podem ter outras explicações astrológicas que não Júpiter e que não são do nosso conhecimento… Astrologia é um conhecimento muuuito antigo e vasto, nem um pouco exato. Depois, sabe como é, nessas coisas de interpretação subjetiva, erramos nós, por inabilidade ou desconhecimento, nunca os símbolos que apenas existem.

    Já ouvi falar que é possível fazer uma estimativa da hora de nascimento de uma pessoa estando de acordo com a personalidade dela e com alguns fatos marcantes que aconteceram ao longo da sua vida – é preciso entender dos trânsitos planetários para isso. Para astrólogos experientes dizem que é possível até estimar a data, se não houver outro meio… só que nunca se saberá com certeza, será apenas a melhor estimativa.

    Aguardando seu post para a semana… 🙂

  29. Sem said

    Adi,

    Eu estou arrepiada, lembra qd eu falei de três números (695) que se repetem na minha vida ad nauseam e que não sabia o significado? pois eu estava lendo sobre a Cabala hoje bem cedinho e descobri! então, eu tenho no meu mapa astrológico esse triângulo de que tinha falado, é a figura mais marcante no meu mapa, outros desenhos se estabelecem, mas, todos à partir desse triângulo formado pelo Sol, Lua e Marte. E na Cabala 6 é Tiphereth o Sol, 9 é Yesod a Lua e 5 é Gevurah Marte. Estou abismada, eu não sei qtos anos da minha vida eu perdi sendo cética, e agora eu tenho um campo de pesquisa… simplesmente isso não é coincidência, é algo do qual eu precisava tomar consciência, não apenas saber, realizar… é um grande mistério! Sincronicidade, foi isso o tempo todo esses números que me apareciam. 🙂

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