Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Idealismo Monista

Posted by adi em julho 5, 2010

A antítese do “realismo materialista” é o “idealismo monista”. Segundo a filosofia do idealismo monista, a “consciênca” é fundamental, e não a matéria. Tanto o mundo da matéria quanto os dos fenômenos mentais, como por exemplo o pensamento, são criados pela consciência. Além das esferas material e mental (que juntas, formam a realidade imanente, o mundo da manifestação), o idealismo postula um reino transcendente, arquetípico, de idéias, como origem dos fenômenos materiais e mentais. Importa reconhecer que o idealismo monista é, como o nome implica, uma filosofia unitária. Quaisquer subdivisões, como o imanente e o transcendente, situam-se na consciência. A consciência, portanto é a realidade unica e final.

No ocidente, a filosofia do idealismo monista teve em Platão seu proponente mais conhecido. Platão em A REPUBLICA, deu-nos a famosa alegoria da caverna. Essa alegoria ilustra com clareza, os conceitos fundamentais do idealismo. Platão imagina seres humanos sentados imóveis numa caverna, em tal posição que estão sempre voltados para a parede. O grande universo no lado de fora é um espetáculo de sombras projetadas na parede e nós,  seres humanos, somos observadores de sombras. Vemos sombras-ilusões que confundimos com a realidade. A realidade autêntica está às nossas costas, na luz e formas arquetípicas que lançam suas sombras na parede. Nessa alegoria, os espetáculos de sombra são as manifestações imanentes irreais, na experiência humana, de realidades arquetípicas que pertencem a um mundo transcendente. Na verdade, a luz é a unica realidade, porquanto ela é tudo que vemos. No idealismo monista, a consciência é como a luz na caverna de Platão.

As mesmas ideias básicas reaparecem com grande frequência na literatura idealista de várias culturas. Na literatura Vedanta da Índia, a palavra sânscrita nama é usada para denotar arquétipos transcendentes e, rupa, sua forma imanente. Para além de nama e rupa brilha a luz de Brahman, a consciência universal, a unica sem um segundo, o fundamento de todo o ser.  “Todo este universo sobre o qual falamos e pensamos nada mais é  do que Brahman. Brahman existe além do alcance de Maya (a ilusão). Nada mais existe.”

Na filosofia budista, os reinos material e das ideias são chamados de Nirmanakaya e Sambhogakaya, respectivamente, mas, acima deles, há a luz da consciência unica, Dharmakaya, que ilumina a ambos. E na realidade só há Dharmakaya. “Nirmanakaya é a aparência do corpo de Buda e de suas atividades inescrutáveis. Sambhogakaya possui potencialidade vasta e ilimitada. O Dharmakaya de Buda está livre de qualquer percepção ou concepção de forma.”

Analogamente, a Kabbalah judaica descreve duas ordens de realidade: a transcendente, representada pelos Sephiroth como Teogonia, e a imanente que é a alma de-peruda, o “mundo da separação”. De acordo com o Zohar, “se um homem contempla as coisas em meditação mística, tudo se revela como uno.”

No mundo cristão, os nomes dos reinos transcendente e imanente — céu e terra — são partes de nosso vocabulário diário. Não obstante, o linguajar comum não consegue reconhecer a origem dessas ideias no idealismo monista. Além dos reinos do céu e da terra, há a divindade, o Rei dos reinos. Os reinos não existem separados do Rei: O Rei é os reinos. Dionísio, o idealista cristão, escreve a propósito: “Ela (a consciência – o fundamento do ser) está em nosso intelecto, alma e corpo, no céu, na terra, enquanto permanece a mesma em Si Mesma. Ela está simultaneamente em, à volta e acima do mundo, supercelestial, superessencial, um sol, uma estrela, fogo, água, espiríto, orvalho, nuvem, pedra, rocha, tudo que há”.

Em todas essas descrições, nota-se que se diz que a consciência unica nos chega através de manifestações complementares: ideias e formas, nama e rupa, Sambogakaya e Nirmanakaya, céu e terra. Essa descrição complementar constitui um aspecto importante na filosofia idealista monista.

Quando olhamos em volta, vemos geralmente apenas  matéria. O céu não é um objeto tangível de percepção comum. Mas não é só isso que nos leva a referirmo-nos à matéria como real, mas também o que nos induz a aceitar a filosofia realista materialista, que proclama que a matéria ( e sua forma alternativa, a energia ) é a unica realidade. Numerosos idealistas sustentaram, contudo, que é possível experienciar diretamente o céu se procurarmos além das experiências mundanas do dia-a-dia. Os indivíduos que fazem essas alegações são denominados místicos. O misticismo oferece prova experiencial do idealismo monista.

O realismo materialista nasceu de nossas percepções na vida diária. Em nossas experiências do dia-a-dia no mundo, é abundante a prova de que coisas são materiais e separadas umas das outras e de nós. Evidentemente, experiências mentais não se ajustam bem a essa formulação. Experiências dessa ordem, como o pensamento, não parecem ser materiais, que é o motivo porque criamos uma filosofia dualista que relega mente e corpo a domínios separados. Os defeitos do dualismo são bem conhecidos. Principalmente, ele não consegue explicar como uma mente separada, não material, interage com um corpo material. Se há essas interações mente-corpo, terá que haver trocas de energias entre os dois domínios. Em um sem número de experiências, descobrimos que a energia do universo material em si permanece constante (a lei da conservação da energia). Tampouco qualquer evidência demonstrou que energia seja perdida para o domínio mental ou dele retirada. De que maneira pode isso acontecer, se interações acontecem entre os dois domínios?

Os idealistas, embora sustentem que a consciência é a realidade primária e , portanto, atribuam valor às nossas experiências subjetivas, mentais, não sugerem que a consciência seja mente (é necessário e importante fazer uma distinção entre mente e consciência).  Sugerem os idealistas, que os objetos materiais (tal como uma bola) e os objetos mentais (como pensar numa bola) são ambos objetos na consciência. Na experiência, há também o sujeito, aquele que experiencia. Qual a natureza dessa experiência? Essa é uma pergunta da mais alta importância no idealismo monista.

De acordo com o idealismo monista, a consciência do sujeito em uma experiência sujeito-objeto é a mesma que constitui o fundamento de todo o ser. Por conseguinte a consciência é unitiva. Só há um sujeito-consciência, e somos essa consciência. “Tu és isso!”, dizem os livros sagrados hindus, conhecidos coletivamente como Upanishads.

Porque, então, em nossa experiência comum, nós nos sentimos tão separados? A separatividade, insiste o místico, é uma ilusão. Se meditarmos sobre a verdadeira natureza de nosso ser, descobriremos, como descobriram os místicos de muitas eras e tempos, que só há uma consciência por trás de toda diversidade. Esta consciência/sujeito/ser recebe numerosos nomes.

A filosofia idealista nasceu das experiências e intuições criativas de místicos, que frisam constantemente o aspecto experiencial direto da realidade subjacente. Pois, “O Tao do qual se pode falar não é o Tao absoluto”, disse Lao Tzu. Os místicos alertam que todos os ensinamentos e escritos metafísicos devem ser considerados como dedos apontando para a Lua, e não como a própria Lua.

Ou, como nos lembra o Lankavatara Sutra: “Esses ensinamentos são apenas um dedo apontando para a Nobre Sabedoria… Destinam-se ao estudo e orientação das mentes discriminadoras de todas as pessoas, mas não são a Verdade em si, que só pode ser autocompreendida no mais profundo estado de nossa própria consciência.”

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Retirado do livro: O UNIVERSO AUTOCONSCIENTE, de Amit Goswani

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16 Respostas to “Idealismo Monista”

  1. Elielson said

    Sugerem os idealistas, que os objetos materiais (tal como uma bola) e os objetos mentais (como pensar numa bola) são ambos objetos na consciência. Na experiência, há também o sujeito, aquele que experiencia. Qual a natureza dessa experiência? Essa é uma pergunta da mais alta importância no idealismo monista.
    ……………………………………………………

    Essa parte aqui merece destaque. A moldagem do objeto na consciência e os caminhos pelos quais ele é criado provem da condução sentimental e a condução sentimental provem da experiência da memória, da experiência pura e da expectativa sobre a experiência, que mescla o conteudo da experiência da memória com a experiência pura, a expectativa pode estar mais agarrada na experiência da memória ou aberta(por conta e risco do observador) para a experiência pura (mas não livre da memória), a intensidade da experiência é determinada pela oscilação sensorial, a oscilação sensorial nos parametros humanos é descrita como aproximação de polos, dá pra resumir esses polos como potência e impotência, agora, se tratando de potência e impotência do que sobre o que, é que nos embananamos.
    O armazém cognitivo é tudo que se é, e a crença na igual existência de armazéns cognitivos é tudo que somos, a visualização dos processos de armazéns cognitivos condicionados a sobrevivência ilude-se numa separatividade no que tange ao modo natural como o ser é nutrido pela experiência e o modo esforçoso em acompanhar o processo que apesar de ter origem natural concede ao intelecto uma função semi-divina, mesmo assim a potencialização de algo elevado pelo intelecto só se dá quando há uma conjunção ou reconjunção dos aspectos que foram divididos em prol da aplicação das visualizações vantajosas no alargamento da linha que causa a potência e a impotência dos seres. A referência para a analise coerente do complexo de vibrações que formam o momento é caótica, implicando ai via dupla no que diz respeito a dicotomia de destinoxlivrearbitrio, pois quando mesmo é que se pega a redea da vida e se decide algo? Digo algo relevante a verdade… e não a verdade do segmento de modelos sociotemporais para a boa apresentação do sujeito como objeto de cópula ou um extremo ascetismo que paralise a potência deixando que o fluxo e decorrência de um organismo não nutrido colapse e morra ( e as duas alternativas não se diferenciam, se vistas como adoção de modelo).
    Para tentar entender algo da irrealidade que compõe o universo e seu movimento podemos fazer um esforço pra lembrar um momento, pode ser algo que ocorreu hoje de manhã mesmo,… veja que a imagem rarefeita foi formada a partir do efeito bifocal no qual o processo imaginativo se baseia, a prova disso é que se usamos essa mesma base para visualizar um possivel amanhã de manhã, temos igualmente uma imagem bifocal, só não podemos confundir a imagem que forma a memória com a imagem que se baseia na memória para formar a possibilidade do amanhã, ou do outro, do outro ser, do outro momento… pois é o armazém cognitivo dele que vai estalar outros estalos se quiser causar qualquer transformação, transformação digo eu, que está além do esforço de um ponto de vista que separa pessoas que pensam de quem diz que não pensa.
    Curioso é considerar que o objeto a ser moldado fisica/ideologicamente diferencia-se por animação e inanimação, mas independente de conhecimento da origem, sabemos que alguns manifestam-se e outros não, conforme os movimentos que usamos para nos manifestar. Mesmo os homens mais sinceros em relação ao plano em que se encontram ainda conseguem ser estupidos dentro dessa sinceridade quando esperam bebês sairem por seus respectivos canais apenas para lhe apresentarem ossos para desde já imprimirem uma tal verdade que mesmo sendo verdade é limitada, pois a consciência não fura a membrana da vida e se põe de volta pra dizer algo sobre o “lado de lá” a não ser se for por experiência da memória influenciando na expectativa. Nesse caso quando o metodo da imposição real falha vemos todo mundo lutando pela verdade limitada da morte e mais, para quem não encontra outra verdade unica, essa passa a ser a unica, assim observo.

    Super post Adi.

  2. adi said

    Oi Elielson,

    Bem interessante o que vc escreveu, estou de saída agora, e não dá pra responder na pressa… 🙂

    Assim que voltar quero ler com atenção.

    té +

  3. adi said

    Voltando,

    Eu não sei se entendi tudo o que vc quis dizer, mas só pra gente entender melhor, e pra gente usar a mesma linguagem, no post, há alguns pontos que não podem se misturar, por ex.:

    – Consciência no post significa a “causa” de manifestação, aquela que é anterior até mesmo ao pensamento e ao sentimento. Se equipara ao Self junguiano, ao Atman hindu.

    – Sendo assim, consciência não pode ser comparada com a mente intelectual/racional.

    Eu entendi que você quis dizer com armazém cognitivo como sendo o plano arquetípico, e armazém de memória condicionada como sendo o inconsciente pessoal.

    > pois a consciência não fura a membrana da vida e se põe de volta pra dizer algo sobre o “lado de lá” a não ser se for por experiência da memória influenciando na expectativa. Nesse caso quando o metodo da imposição real falha vemos todo mundo lutando pela verdade limitada da morte e mais, para quem não encontra outra verdade unica, essa passa a ser a unica, assim observo.

    Sendo a consciência como exposto acima, ela é anterior a essa membrana (se é que há uma membrana, uma divisão talvez só em nosso imaginário), sendo a consciência tudo que há, não existe lado de lá e lado de cá, nossas percepções é que estão distorcidas e percebemos somente uma parcela da realidade, e ainda assim essa realidade é moldada pelos nossos condicionamentos.

    > A referência para a analise coerente do complexo de vibrações que formam o momento é caótica, implicando ai via dupla no que diz respeito a dicotomia de destinoxlivrearbitrio, pois quando mesmo é que se pega a redea da vida e se decide algo?

    Lembra aquele post que estou devendo sobre karma? pois é, da parte que compreendo na leitura de outros autores, principalmente baseado num post do Lúcio sobre o karma, está tudo muito claro sobre nossas construções mentais de crenças e condicionamentos de acordo com o karma numa visão inserida no espaço tempo, e entendo sobre livrearbitrioXdestino, acho que podemos ter controle sobre nossas construções depois de recuperado/integrado o karma individual, ou pelo menos uma boa parcela dele; minha questão do momento é sobre a questão levantada num post do Andrei, de como é possível conciliar karma numa visão atemporal, onde os eventos não acontecem de forma linear/sequencial, então já fica complicado karma como causa e efeito… bem, porque também, o tempo não existe de fato tal qual percebemos, o espaço/tempo contínuo é quadridimensional e sem movimento, portanto parado; é o cérebro que divide o espaço em 3 dimensões espaciais e uma temporal…
    Porque falo sobre isso, porque tem tudo a ver do porque percebemos tudo em separado, do porque o que vemos é uma ilusão e não a realidade em si…

    É, assunto de doido de novo né?? 🙂

    té +

  4. Elielson said

    All right. 🙂
    Obrigado por responder Adi.
    Tenho um amigo que me chama de queijo suiço, ele é entendido sabe, a gente discute bastante sobre a origem das coisas, ele diz que o juizo de valor é racional, eu digo que é emocional pois me baseio no lance de apego ao objeto, daí, pelo fato de haver memória, sendo a origem das lembranças racionais ou sentimentais, há um armazem criado a partir do primeiro contato com o objeto, mesmo que o objeto seja uma idéia, penso que o armazem apreende o objeto de maneira que ele se torne mais intimo da consciência. Então aí sim, a consciência a partir daí pode estar criando.
    Quanto a anterioridade da consciência na criação, pode ser que devido a falta de racionalização sobre muitos aspectos da criação (talvez pela incapacidade não do raciocinio, mas da razão como falsa prioridade), tenham que criar não só novas peças pra subdividir o movimento e explicá-los afim se potencializar, como tenham que criar até mesmo a noção espiritual para abarcar a incognoscibilidade(ai!) do extrasensorial.
    Quando eu me refiro a condução sentimental eu falo da minima potência de atuação dentro da consciência.
    A membrana é metafora pra expectativa não só do pós-morte, como do futuro e do passado. Se tratando de consciência qualquer posicionamento real nela aumenta nossos niveis de ser e não ser e dos estados que não podem ser simbolizados, então quando digo que a consciência não fura essa membrana metaforica, bem, é melhor dizer que a mentira é quem o faz.
    Quanto a questão do karma, temos todo o tempo dos nossos mundos 😀
    Com certeza, assunto de doido. Adoro.
    Abraço.

  5. Fiat Lux said

    Oi Adi, Elielson, adorei o post, parabéns.

    Gostaria de perguntar, após esse papo de louco…rs o que vcs realmente pensam a respeito do pós morte. O que, nas suas opiniões, baseando-se em todo o conhecimento intelectual que possuem, entre ciencia, psicologia e religiões comparadas, ocorre qdo o corpo físico perde suas funções vitais?

    Será q essa consciência(não a intelectual) se expande e sai da caverna carregando em sua memória todas as experiencias desta vida, que entrarão em choque com a verdadeira realidade do lado de lá, criando outras dimensões de “existência” de acordo com a carga energética da percepção de cada indivíduo?

    E o que seria esse lado de lá? A consciencia infinita do Criador? Queria trocar uma idéia a respeito, se não for pedir demais!
    Bjs

  6. adi said

    “Obrigado por responder Adi.”

    Eitcha!! e precisa agradecer? se sabe que também gosto muito de falar pelos cotovelos esses assuntos. 🙂

    ” Tenho um amigo que me chama de queijo suiço, ele é entendido sabe, a gente discute bastante sobre a origem das coisas, ele diz que o juizo de valor é racional, eu digo que é emocional pois me baseio no lance de apego ao objeto, daí, pelo fato de haver memória, sendo a origem das lembranças racionais ou sentimentais, há um armazem criado a partir do primeiro contato com o objeto, mesmo que o objeto seja uma idéia, penso que o armazem apreende o objeto de maneira que ele se torne mais intimo da consciência. Então aí sim, a consciência a partir daí pode estar criando.”

    Nos tipos psicológicos junguianos, sua função principal deve ser “sentimento”, com função inferior “pensamento”, mas independente de ser sentimento ou pensamento, entendo o que você quer dizer, há sim uma forma de se relacionar com as coisas/objetos, um certo tipo de apego seja mental ou emocional, e talvez com relação ou por causa desses apegos, nossas percepções cognitivas se distorcem de acordo com o que já temos memorizados em nosso banco de memórias cerebral ( o armazém dito por vc ), porque são os “afetos” aos objetos que lhes dão o devido valor, e isso é muito relativo, ou pessoal, pois cada um determina o que lhe é importante, ou não lhe é importante; talvez criamos sim à partir desses pressupostos, ou seja, do que está inserido dentro de nós…

    E continuando nesse mesmo assunto e falando do sentido “apriorístico” da consciência (anterioridade), tudo indica que padrões profundos de comportamento, bem interiorizados, portanto inconscientes, mas daquele tipo de inconsciente que é anterior ao inconsciente pessoal, e que por isso mesmo irá determinar: quais serão suas predileções de escolha, de apego e afetos ou desafetos, e criar a partir disso. Essas predileções eu diria que são kármicas, e que irão determinar a construção de “um ego/eu/personalidade” nessa vida.

    “A membrana é metafora pra expectativa não só do pós-morte, como do futuro e do passado.”

    Entendi; é o véu que oculta o conhecimento.

    “Quanto a questão do karma, temos todo o tempo dos nossos mundos ”

    É uma questão que tenho pensado bastante, nesse sentido mesmo de entender além de nossa “temporalidade” (se é que seja possível entender), eu fico imaginando o tempo sem o tempo, sem passado, nem futuro, como seria tudo acontecendo em simultâneo… enfim, fico divagando por aí… 🙂

    abraço.

  7. adi said

    Oi Fiat Lux,

    “Gostaria de perguntar, após esse papo de louco…rs o que vcs realmente pensam a respeito do pós morte. O que, nas suas opiniões, baseando-se em todo o conhecimento intelectual que possuem, entre ciencia, psicologia e religiões comparadas, ocorre qdo o corpo físico perde suas funções vitais?”

    Papo de louco mesmo :). Em minha modesta opinião sobre o pós morte, que é praticamente adotada do Budismo Tibetano, e usando um pouco de Cabala, a “consciência individual”, que é a Alma e o que se pode chamar de “rosto menor” (post Plano Astral), quando da morte do corpo, vai direto pra Luz Branca sem forma do Puro Ser (tríade fora da manifestação, Kether), mas como a “consciência/Alma” ainda está identificada com os planos da forma, não reconhece a Luz do Puro Ser, vai retornando através dos planos de manifestação (estados de consciência) de acordo com suas próprias crenças/condicionamentos/karma que restaram, até que por “similaridade/semelhança” energética, escolha os pais que irão proporcionar: meio ambiente apropriado (País, cidade, cultura, sociedade, etc) para o desenvolvimento do próprio karma – e aqui pra mim karma é que determinará o novo “ego/personalidade”, pois eu acho que a cada morte do corpo físico a personalidade/ego também se desfaz, o que continua é a consciência com suas crenças arraigadas, e são essas crenças (karma) que determinará uma nova personalidade/ego, e através das experiências que serão atraídas e construídas a partir dessas próprias crenças inconscientes, descobrir a ilusão das mesmas, o que poderíamos chamar de “desfazer o karma”, ou resgate kármico.

    “Será q essa consciência(não a intelectual) se expande e sai da caverna carregando em sua memória todas as experiencias desta vida, que entrarão em choque com a verdadeira realidade do lado de lá, criando outras dimensões de “existência” de acordo com a carga energética da percepção de cada indivíduo?”

    No meu entender, a “consciência” já “é” toda a realidade, a consciência é o imanifesto e o manifesto em simultâneo, é a causa e o efeito; por isso entendo que não é uma questão da consciência se expandir, mas justo de quebrar as amarras (crenças, condicionamentos, ego) que a limitam e a impedem de perceber a realidade que já “é”, e por paradoxo que pareça, o que é impedimento e limitação, por mais ilusório que seja, é o que leva ao auto-conhecimento e percepção do real. Por ex., nós nos conhecemos por nossa imagem refletida no espelho, ela não é o real, mas é a única forma que podemos nos ver/conhecer.
    Ou seja, todas as experiências da vida (manifestação) é a forma pela qual a “consciência causal ( Deus, Brahman, Self, Pai, etc)” conhece a Si-Mesmo.

    Nossa, o tempo passa muito rápido, e tenho que sair sem falta, mas volto pra dizer como imagino esse lado de lá… 🙂

    até jájá rsrs

    bjs

  8. Elielson said

    🙂

    tudo indica que padrões profundos de comportamento, bem interiorizados, portanto inconscientes, mas daquele tipo de inconsciente que é anterior ao inconsciente pessoal, e que por isso mesmo irá determinar: quais serão suas predileções de escolha, de apego e afetos ou desafetos, e criar a partir disso.

    ……………………………………………………….

    Daí voltamos aquela parada que a Sem tbm colocou sobre genetica/biologia, se bem que essa analise aprofundada de movimento assim como toda a gama cientifica levada ao extremo esbarra na anomalia que impede a penetração da cognição que se apoia nos metodos impessoais para descrever formas e reproduzir essas formas como uma verdade qualquer. O mecanismo que carrega os dados certos que complementam a expectativa certa, se cerceado por uma vontade de ver lógica relativa ao merecimento e ao balizamento compensatório ou punitivo do que o ser humano ou qualquer foco de vida esteja fazendo com sua parcela de autonomia dinamica perde a consistência empirica e simplesmente pode optar passar para os terrenos da fé correndo todos os riscos deste terreno ou pode empreender uma nova pesquisa e criar um metodo novo para vislumbrar mesmo que pessoalmente uma aproximação da justificativa para as ações dos seres vivos (mas para isso tb, vai precisar de fé, ou seja, pode buscar ou esperar os resultados das buscas). Mas o agente em si, se por um momento existe, lega a dinamica ao corpo, a cada corpo, independente do status quo que o corpo perceba ou das alterações que o corpo busque no ambiente para o conforto do seu ser (lega digo eu, pois a consciência se apercebe da vontade sobre o movimento e da voluntariedade da ação), haverá a impressão que imprimiremos como anfitriões de novos seres e como seres, o estudo da consequência das impressões se amplia conforme o numero de seres e a variedade de impressões em cada um. A visualização de cada conceito/modalidade/setor/complexo que faz a idéia e a contra-idéia (se essa vier a existir tbm), elevada ao fluxo do que desaparece e do que vem a aparecer e enraizada numa expectativa ciclica torna-se questão de fé, podendo ou não ser verdade assim como qualquer hipotese arremessada no infinito.

  9. Elielson said

    Oi Fiat Lux.

    Sou leviano pra cacete pra dizer qualquer coisa sobre o que virá, pois quando se trata disso o que eu quero se mistura com o que eu não quero baseados no pouco que pude experimentar do mundo.
    Tipo, é lógico que eu queria encontrar Jesus, mas se Jesus tava do lado da verdade ninguém precisa necessariamente encontrar ninguém. Então resta a nós fazer a idéia boa do porvir ser construida aqui nem que seja na base do enfretamento do sintoma externo da doença social, pois se não há fuga do fascismo, que sejamos fascinados pela busca da verdade. 😀
    Conforme for nossa divagação insana continua…

    Abraço.

  10. adi said

    Oi de novo Fiat Lux,

    Relendo hoje, ficou meio confuso acima; é a pressa… rsrs

    ” E o que seria esse lado de lá? A consciencia infinita do Criador? ”

    Normalmente o que as pessoas tem idéia como sendo o lado de lá, a primeiro momento é o plano Astral, cheio de imagens e também do que chamamos de seres desencarnados, é a parte mais acessível de contatar; depois, ou acima disso, está o que chamaríamos de céu, um plano de luz onde as formas são bem sutis, abstratas, simbólicas e numinosas, também conhecido como “plano das imagens arquétipicas” na psicologia. Porém, há uma distinção entre imagem arquetípica e o próprio arquétipo, porque o arquétipo em si é irrepresentável, não pode ser conhecido diretamente, mas somente por meio de suas imagens. Eu entendo então, “Arquétipo” como sendo esse lado de lá, do puro Ser ou Kether, o plano das Potências ou Pleroma, de acima do abismo de Daath, e sim, também a Consciência infinita do Criador, mas do qual não podemos ter acesso diretamente, porque está além do espaço-tempo tridimensional do qual nosso cérebro está acostumado a perceber o mundo.

    O bom é que alguns poucos místicos nos deixaram relatos de que é possível transcender o que conhecemos como realidade, mas que é apenas como sombra do REAL.

    É assim que entendo por agora. E pra você, como seria esse lado de lá??

    bjs
    adi

  11. adi said

    Oi Elielson,

    “Daí voltamos aquela parada que a Sem tbm colocou sobre genetica/biologia,…”

    De minha parte, eu não creio muito nessa idéia de herança genética de padrões “comportamentais”, muito embora esteja relacionado, eu ainda falo de uma estrutura anterior a essa herança, e que irá determinar qual o tipo de herança genética é adequada; e então eu volto novamente pra esse assunto de Karma 🙂 (vc percebeu que é o meu assunto do momento?), mas karma não como punição do tipo “causou um mal recebe um mal”, mas sempre no sentido de desenvolvimento da consciência…

    Olha, minha cabeça dá um nó (rs) – porque do lado de lá do abismo não existe karma, existe toda a potencialidade de manifestação, e inclua-se nisso tudo mesmo (bem e mal e tudo que há), então karma me parece a “medida” que cabe a cada “centelha” SER o manifesto de sua potência, até a Centelha tomar pleno conhecimento/consciência de Si-Mesmo, chamado Auto-Consciência, ou Individuação. Vendo o processo de cima pra baixo, ela toma um significado completamente diferente, porque é o Si-Mesmo/Centelha quem se individualiza no próprio mundo das Potências ou Pleroma, do qual nunca saiu, sempre esteve lá mas inconsciente; se projetou (mas em nenhum momento saiu do Pleroma) no mundo e de Si-mesmo criou o espaço tempo e como num sonho criou todas as imagens e formas, até o despertar e trazer a “consciência” ou aquele que Observa de volta pra Si e se retirar das próprias projeções, se retirar do mundo… Nossa!! sabe aquilo que a gente sempre lê no hinduísmo que o mundo é um sonho de Vishnu, de repente ficou tão claro na caxola, fez total sentido agora… 🙂 🙂 🙂

    Por isso que adoro ficar falando, escrevendo, as coisas vão saindo melhor… pra mim mesma …

    bjs

  12. Fiat Lux said

    Nossa, esse papo dá um nó na cabeça mesmo…rs

    Pois é Elielson e Adi, tem momentos em que eu quero parar de pensar tanto nestas questões pq muitas vezes eu vou viajando, e tudo começa a ficar muito maluco pra filosofar sozinha.

    Esse dias caiu em minhas mãos, o livro do Dr.Brian Weiss
    (A divina sabedoria dos Mestres), um psiquiatra americano que trabalha com terapia de vidas passadas.

    Achei interessante, pois esse médico era muito cético nas questões espirituais, e de repente viu seus paradigmas sendo destruídos um a um, até chegar neste estágio de transformação interior, e hoje, sem nenhum proselitismo religioso, ele divulga os ensinamentos apreendidos, segundo o próprio, dos Mestres que habitam os planos mais elevados de existência.

    O lado de lá e os conceitos de karma que ele comenta no livro, tem muito a ver com a sua definição Adi, logicamente em outras palavras.

    E a minha definição do lado de lá ainda está em construção, pois ultimamente estão acontecendo situações no cotidiano, que me desviam de uma linha de raciocínio que estava seguindo, por isso, no momento estou seguindo os sinais, sonhos e sincronicidades e aguardando aonde isso vai parar.

    Inclusive, esse post veio bem a calhar com tudo o que venho pensando e vivenciando ultimamente.

    Desculpe não me expressar bem com as palavras como vcs, eu garanto que eu era melhor antes…rs, mas de uns tempos pra cá, eu estou tendo uma grande dificuldade de traduzir minhas percepções, fazer as associações corretas, enfim, estou travada para desenvolver um assunto, só consigo ler muito. Embora eu tenha sugerido trocarmos idéias sobre o assunto, acho melhor eu me manter como observadora…rs Obrigada pela atenção de vcs, vou estar por aqui comentando sempre q possível.
    Bjs aos dois =)

  13. Elielson said

    Me expressar é a maior dificuldade que tenho, sério, mas se calado eu ainda tô errado então não faz diferença eu tentar me expressar. E se todo mundo só quer o que quer se eu trouxer algo que ninguém quer fica como não trazido 😀

    Independente da decisão que tomamos no momento estar encadeada ao que na base torna-se inconsciente, existe a decisão consciente. No meu caso fica em aberto a possibilidade de direcionamento por parte do que não conheço, porém dentro de tudo que conheço e controlo (mesmo que ilusoriamente), o que chamo de meu controle e meu conhecimento só entra em serviço do que tbm é serviço, isso segundo a lógica primordial das coisas, tipo, há uma contribuição dada para suprir as faltas humanas e somente devido a esse discurso e utilidade existe alguma forma de governo, então mesmo que o governo se desvie dessa função, a caridade não só mostra a falha na função do governo, como prova dentro da lógica deste existir, que este existe desnecessariamente. Então vamos ao andamento das coisas, a lenda da verdade absoluta nasceu como corretivo da má-utilização do processo imaginativo, tipo, alguns caras do bem criaram as primeiras idéias reprodutivas de mente pra mente, e logo após isso foi dado espaço para a opção de contemplar personalidades… Assim as idéias quase que por autonomia, estavam explorando através do processo imaginativo o que mais tarde viria a ser a fisica e as demais ciências como instrumentos de submissão de um ser a outro ser, não só no que diz respeito a fagia como tbm o predominio de personalidades sobre personalidades, sendo assim a mentira é má-utilização do processo imaginativo no que diz respeito a esse processo ser usado como transferidor não de uma idéia, mas, de culto a uma idéia, já já explico melhor… As verdades fragmentárias são mentiras que são usadas exclusivamente para o centro vivo ser servido. Qualquer serviço que vise servir ao que não retribui factualmente no que diz respeito a saude e potência do corpo é a tal idolatria tão repugnante que se trata apenas de dar bola pra irradiações de uma manifestação que domina e centraliza em si a causa da servidão mutua. É arriscado delirar se levarem o delirio a sério, e nada pior do que a instabilidade pra tornar a pessoa séria, isto é uma ironia séria. Delirio de dois em sintonia é perigoso como os sith, isso divide o mundo até hoje, lado b, lado a… mas cria palavras em português pra gente se comunicar tbm… O reformador social aponta pecado, mas pô, o pecado é ilógico mesmo, soa dogmático por que uma industria cresceu em torno disso, mas tipo… a partir do momento que o pecado é revelado só vai haver culpa se o procedimento insiste. Na falta de reconhecimento do corpo central como causa, mora a licensiosidade para que o pecado torne-se o patrão. Então o perdido é que é o comandado, e o que firma-se em sua percepção decisiva ergue a cruz da liberdade. Me atento tbm para a possibilidade de que a vontade que anseia por maiores explicações ainda mais quando se tratam de explicações póstumas possa estar se originando de meu vicio por instrução dentro dessas idéias reprodutivas (mal que deriva da incapacidade de descartar informações com a mesma freqüência que as coleta e aqui está o culto a idéia), e não da preguiça mental (como qualquer ativação acidental de mecanismo de sobrevivência aliado ao intelecto prefere denominar). Que tudo que é chamado divino seja representação arquetípica, mas a verdade absoluta é uma arma até conveniente para que a criatura ainda esteja viva em meio ao fascínio pelas representações dos criadores, e nisso incluo qualquer idéia que pra mim é só uma desvirtuação do arquétipo do numero 1, ou do 2 como um amigo aí dá a entender, … Quer coisa mais arquetípica do que a matemática?
    Mas esse simbolismo, na capacidade de simbolizar sofre a alteração incoerente, pois podemos inventar coisas pra nos potencializar, mas um quer se potencializar e outro quer nos potencializar, daí nasce a divisão entre loucos admitidos e não admitidos. De acordo com esse principio de criação de sistemas pra cada céu haverá um inferno, então haverá quem diga que o em cima igual debaixo é só uma maneira mais bonita de dizer foda-se e haverá quem veja isso como a possibilidade de relativizar a cura e não adoecer.

  14. adi said

    Oi Elielson e Fiat Lux

    Como o tempo anda corrido mesmo, só deu tempo de atualizar o blog, mas volto mais tarde pra ler com atenção e responder. 🙂

  15. adi said

    De novo Oi Fiat Lux,

    “Pois é Elielson e Adi, tem momentos em que eu quero parar de pensar tanto nestas questões pq muitas vezes eu vou viajando, e tudo começa a ficar muito maluco pra filosofar sozinha.”

    Por isso não, estamos aqui loucos pra filosofar e viajar juntos. 🙂

    “Esse dias caiu em minhas mãos, o livro do Dr.Brian Weiss”

    Brian Weiss não me é estranho, achei até que já tinha lido algum livro dele, mas pesquisando na internet, não li ainda. Muito interessante a experiência dele conforme você relatou, no fundo,eu acho, nós estamos aqui sempre a quebrar paradigmas, parece uma eterna transformação até talvez não ter mais o que transformar…

    “Desculpe não me expressar bem com as palavras como vcs, eu garanto que eu era melhor antes…rs, mas de uns tempos pra cá, eu estou tendo uma grande dificuldade de traduzir minhas percepções, fazer as associações corretas, enfim, estou travada para desenvolver um assunto, só consigo ler muito.”

    Ó xente!! você se expressa muito claramente, e dificuldades pelo visto, todos nós temos com a linguagem, eu também estou numa fase de “leitura” e complicado de organizar idéias e exteriorizar. Acho que temos fases de “ingerir” conhecimento, então assimilar e ainda outra de utilizar ou por em prática, essa por sinal a parte mais difícil, rsrsrs.

    bjs
    adi

  16. adi said

    Elielson, meu caro, ainda tenho que te ler 2x ou mais, rsrsrs, mas não te culpo não, é meu modelo mental de interpretação, acho que ainda “analógico”, e você já está na era digital ultimo modelo turbinado. 🙂

    “Mas esse simbolismo, na capacidade de simbolizar sofre a alteração incoerente, pois podemos inventar coisas pra nos potencializar, mas um quer se potencializar e outro quer nos potencializar, daí nasce a divisão entre loucos admitidos e não admitidos. De acordo com esse principio de criação de sistemas pra cada céu haverá um inferno, então haverá quem diga que o em cima igual debaixo é só uma maneira mais bonita de dizer foda-se e haverá quem veja isso como a possibilidade de relativizar a cura e não adoecer.”

    É verdade, e pelo visto, enquanto tivermos essa interface do “ego” (principio de criação de sistemas), a “verdadeira” natureza do símbolo vai ser mascarada por todas as crenças que existem em cada indivíduo (o céu e inferno de cada mente). Ai, ai!! e nessa divisão entre os loucos, em qual categoria nos encontramos, hein?? rsrsrs

    Eu acredito que é nas dos loucos provisórios recuperando a sanidade 😀

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