Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Plano Astral

Posted by adi em junho 24, 2010

Continuando nosso assunto que começou no post Fenômenos Psíquicos, depois Sobre Egrégoras, aqui nós vamos entender um pouco mais sobre o plano de manifestação desses fenômenos, ou seja, sobre o Plano Astral.

Eliphas Lévi descreve a Luz Astral como sendo um agente que é natural e divino, material e espiritual, um mediador plástico universal, um receptáculo comum das vibrações cinéticas e das imagens das formas, um fluído e uma força, que podem de certo modo ser chamados de Imaginação da natureza, e diz que essa força é o grande arcano da magia. Já a definição que muitos esoteristas dão ao Plano Astral, é que se trata de um estágio de substância plástica refinada, menos densa e grosseira que a matéria, de natureza magnética e elétrica, servindo como o fundamento real sobre o qual as formas e o acúmulo de átomos do universo físico se ordenam a si mesmos. É dito também que o Plano Astral é povoado por vários tipos de espíritos, desde os desencarnados, até por espíritos de luz, de anjos e demônios a elementais, que esse plano compreende desde as faixas mais densas vibratórias (infernais) até as mais elevadas e sutis, que há cidades como as daqui do plano material, e que é pra esse plano que os desencarnados vão depois da morte.

Nós já sabemos que a Cabala é um dos sistemas mais completos de estudo e prática de magia, e tenho que concordar, de fato  a ÁRVORE DA VIDA é completa em suas correspondências. Pois bem, é a Árvore da Vida que vai esclarecer pra nós sobre o plano Astral.

Antes, vale lembrar que as Sephiroth não são lugares, mas estados de consciência. Resumidamente, na Árvore da Vida, verificamos que os planos de manifestação se dão da seguinte forma: Primeiro temos as três Sephiroth superiores, ou três princípios supremos, Kether, Chochmah e Binah, é o primeiro triângulo de energias que representam o Ser Puro, são os princípios fundamentais, são a base de nossa manifestação, e que estão além de nossa compreensão. Aqui está o macroposopos ou macrocosmo, o rosto maior.

Abaixo do triângulo Supremo, está o mundo formativo, o “plano astral” é compreendido pelas seis Sephiroth seguintes, ou seja duas tríades (triângulos) de energias, em cujo  mundo tudo é preparado para a manifestação visível em Malkuth.

O segundo triângulo na Árvore, logo abaixo das Supremas, e que consiste em Chesed, Geburah e Tiphareth, são as potências ainda abstratas que dão “expressão” à manifestação. Podemos dizer que as três Supremas são latentes e que as três inferiores ou rosto Menor são potentes, por isso se diz que essas três inferiores são como o reflexo do grande rosto, é o filho, a alma  em Tiphareth.

Já as Sephiroth abaixo de Tiphareth, a tríade que compreende Netzach, Hod e Yesod, representam  a personalidade, a unidade de encarnação.

Um ponto importante que Regardie destaca, é que esses dois triângulos de forças abaixo das Supremas, compreendem o “plano Astral”, essa luz Astral contém o planejamento ou modelo do construtor, projetado em sentido descendente pela ideação ou imaginação do Ser Puro, e que a tríade formada por Chesed, Geburah e Tiphareth no meio ocultista representa o Astral Superior, é a mais pura expressão do céu ou do Devachan, por isso é chamado de Divino Astral e de Alma do Mundo, na terminologia de Jung corresponde à “Psiquê objetiva”. Netzach, Hod e Yesod compreendem a esfera da ilusão, de Maya, porque é a partir dessa tríade que as forças edificam a forma, e  fazendo também uma analogia com a psicologia, corresponderia ao inconsciente pessoal.

Netzach representa os instintos e as emoções e Hod simboliza a mente concreta ou intelecto, elas simbolizam respectivamente os aspectos da força e da forma da consciência. Na esfera de Thiphareth as forças são percebidas intuitivamente, com percepções de símbolos altamente abstratos. Na esfera de Netzach, nossas percepções atuam diferente, a mente humana que formula imagens começa a operar sobre eles, moldando a luz astral em formas que os representarão à consciência. É muito importante  compreendermos que essas Sephiroth inferiores do plano da ilusão são densamente povoadas pelas formas mentais ; que tudo o que a imaginação humana foi capaz de conceber, embora confusamente, tem uma forma revestida de substância astral, e que, quanto  mais a imaginação humana idealizar essa forma, mais definida essa forma se tornará.  Em Yesod, que é a esfera onde tanto Netzach como Hod se equilibram, e que por isso é concebida como o receptora dessas emanações, também é chamada como ” fundação ou fundamento”, é o depósito das imagens do inconsciente, mas não daquele inconsciente arquetípico e abstrato, e que é conhecido como  Astral Divino, mas é o depósito de imagens velhas e esquecidas, reprimidas desde sempre. Yesod é a esfera da ilusão, as imagens astrais refletidas no espelho do inconsciente, são realidades, e não serão interpretadas em termos de um plano superior e sob o aspecto de seu significado ou representação. O indivíduo permanecerá na esfera da ilusão e será iludido pelos fantasmas de sua própria projeção inconsciente.

Cada pensamento que temos, grava uma impressão nessa substância plástica e impressionável do plano astral. Observamos então, que ao tratar do plano astral em suas esferas abaixo de Tiphareth, que é essencialmente o nível de função dos aspectos mais densos da mente humana, que as forças e fatores desse plano se apresentam à consciência como formas etéreas de um tipo distintamente humano; Sempre que o homem entra em contato com o astral, seja como um sensitivo ou um mago, ele cria as formas à sua semelhança, para representá-las como forças sutis, fluídicas, a assim entrar em contato com elas.  Os seres dessas esferas não são inteligências propriamente ditas, mas encarnações de idéias. É aqui que a forma antropomórfica é conferida à inspiração espiritual que tanto desorienta os sensitivos.

Vemos, assim, que todo ser celeste ou não, concebido pela mente humana tem como base uma força natural, mas que sobre a base dessa força natural, se ergue uma imagem simbólica que lhe corresponde e que é animada e ativada pela força que representa.

A arte da magia consiste em se desvincular da parte ilusória que as criações mentais exerce sobre o indivíduo, e que esse percebesse as idéias arquetípicas subjacentes, das quais essas imagens mágicas são apenas as sombras e as representações simbólicas, e poderia se tornar então um mestre do tesouro das imagens em vez de ser alucinado por elas, permitindo ao transcendental expressar-se em termos de simbolismo, e que o simbolismo se expresse em termos de metafísica, unindo assim o psiquismo com o espiritual por meio do intelecto.

A imagem, portanto, é apenas um modo de representação adotado pelo espírito humano para a sua própria conveniência, mas a força que a imagem representa e que a anima é uma coisa muito real, e que, sob certas circunstâncias, pode ser extremamente poderosa.

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Fontes e ref.: “A Cabala Mística” – Dion Fortune; “A Árvore da Vida” – Israel Regardie.

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9 Respostas to “Plano Astral”

  1. Sem said

    Que existe alguma coisa além da materialidade absoluta, só sendo muito cego para não ver, obtuso para não sentir…

    Matéria escura? arquétipos? espíritos? deuses? luz astral?

    Só sendo muito doido para responder, e mais doido ainda para acreditar na resposta… mas que fique claro, sem a loucura o homem é menos da metade do que ele poderia vir a ser… menos da metade das metades do que ele é, melhor dizendo, pois a doideira de se permitir ver – o que não pode ser visto, é o que faz dele homem… e como ele não tem outra natureza, visto que é homem, só isso é o que o pode realizar – suas escolhas…

    O que eu chamo de transcendência é o desapegar-se dessas visões – e não é diferente para ninguém, algumas são bastante caras e difíceis de se desapegar – mas é reconhecer que são meras visões (imagens) a verdadeira transcendência, ou o ir de encontro a essência do que se É, que é a vida… Nesse sentido, o “eu”, o “ego”, (o sentido por vc empregado nos três textos referidos) é uma espécie de ficção mesmo, uma boia que se inventa e na qual se agarra para não morrer afogado no fluxo da vida, no tempo que se sente escorrer, – esse mar que é a vida selvagem…. e de ser engolfado pelas ondas, dilacerado pela correnteza, agarra-se a ele – ao “ego”, como a um salva-vidas – como se ele fosse a vida e não o mar… é preciso mesmo desapegar-se deste ego místico (não psicanalítico), da mera ilusão de ter um eu no controle das tempestades, para curtir a vida como um fluxo benigno, no tempo, e se deixar levar pela vida em realidade… Há muitas analogias possíveis de serem feitas entre mar/universo/vida/psique/homem…

    Mas mesmo o mais inteiro dos homens, como ele é pequeno, mesmo o mais doido, ou o mais são entre nós… só se engrandece ao reconhecer sendo parte, – mola de engrenagem, ponte, veículo… que o objetivo não é “ele”, mas o cosmo…

    Deve se chamar MAGIA mesmo…

    Símbolos, só podemos falar do inconsciente por símbolos, visto que o inconsciente é, afinal das contas, inconsciente. :p

    Parabéns pelo post, Adi! Tomara que apareça alguém aqui para discutir Cabala no seu nível…

  2. Elielson said

    O que está fora não parece de modo nenhum estar contido em nós.
    Seria como estar envolto por Deus, mas no que este nos atravessa, não nos faz nada além de filhos. Será mesmo que cada elemento que compõe a vida sabe tanto assim sobre os próprios rumos e funções? E a vida acaba sendo ilusão até mesmo quando percebe o padrão (não digo inventa-lo)?. Sempre que faço uma descoberta destas que já foram descobertas por outros é como se uma mente acima de mim e dos outros dissesse: bobinho!(não é paranóia) Pq no mais das contas o céu ainda está aí, terra, vida e o escambau tbm. E a lamentação em relação ao tempo não é nem mais ponto de vista, é blasfêmia pura, e toda vez que olho pro relógio penso: Continue assim, obrigado.
    Tempo de vida, olhando para o prazer diz: Dure.
    Tempo de vida, olhando para dor diz: Passe.
    Apoiado em duas mini-verdades a lógica leva a crer que em custa de uma dor passageira vale o preço do prazer passageiro e que mesmo o prazer mais intenso poderia ser afastado dos sentidos se em troca disso levasse toda a dor.
    Quem disse que um mistério desvendado deixa de ser mistério?
    A conexão que garante que algo seja sentido quando visualizada não vêm a publico dizer com palavras pq criou tal forma. A gente vê e compara o novo processo a um velho processo. Há mesmo os processos mais completos, tem a cabala, tem a fisica quantica, tem até onde a vista alcança. Mas quando tudo falta, vejo uma natureza analfabeta. No entanto fracassamos enquanto um regime menor, porém armado de sinalizações humanas/mentais, quer exercer-se sobre ela e não nela. Talvez quem muito viu tanto não viu que achou que sendo centro do universo ou sendo sujeira na unha de um deus que nos desdenha a consciência adquirida sobre a possibilidade maior de causar e a possibilidade maior de escolhas entre quais causas vamos ser não era nada mais do que a maior sorte do universo, quando vista essa sorte, adões, evas, serpentes, todos fizeram da imperceptibilidade um deus. Se não fosse uma voz dizendo bobinho para cada um que aqui passava, tanto ninguém se agarraria no sistema como ninguém lhe prescreveria, então a hipocrisia me é imagéticamente parecida com aquele joguinho que os macaquinhos ficavam pendurados um no outro. Imperceptibilidade, que grande vacilo. Será mesmo que os olhos dos animais irracionais também não sentem o que representamos e ajudam o universo com seu sonho a devolver o desenho conforme a moldura? Pensamento é ameaça. O medo se traveste de pensamento desde o inicio, tira os pares para uma dança, e quando a dança acaba, um desses cai no chão sem nem mais uma gota de sangue no corpo. Mas o pensamento que pensa em verdade testa, porém o pensamento que mente até mesmo na admissão do medo, este se confronta com quem? Este só se confronta com o que lhe permite, pois todo pensamento sincero sabe que morre aos pés de quem fingindo pensar sinceramente, serve a imperceptibilidade, por medo, ou por que realmente acredita nesse deus.

    Abraço 🙂

  3. Sem said

    Elielson,

    >>>”Será mesmo que cada elemento que compõe a vida sabe tanto assim sobre os próprios rumos e funções?”

    Parece impossível… é como as células do nosso corpo, cada uma parece apenas exercer sua função e nada mais… não sei, talvez essa analogia não seja de todo boa… pois a célula, uma única célula, apesar da vida individual, de pensar e de realizar sua função de célula única, age de acordo ao todo e parece corresponder ao organismo maior toda a sua vida, e não é apenas por depender desse organismo, mas pelo organismo dar o propósito de sua existência mesmo…. seguramente então podemos dizer que uma única célula tem mais “consciência” do organismo ao qual pertence do que nós da simbiose que fazemos com o planeta no qual estamos… nem todos se apercebem ainda dessa simbiose… e antes do planeta, com a cidade que moramos, e com a rua, com a casa, e todos os organismos – sistemas animados e inanimados – inseridos uns nos outros, tudo interage, é motivo, causa, consequência, efeito, uns dos outros… quantos de nós humanos temos consciência disso? afora isso, o que pode uma única célula saber do corpo que está muita além do seu tempo, do seu tamanho e compreensão, o que pode ela saber daquilo que está fora do seu “universo” particular? não sei, mas algo no código genético de cada célula a faz saber… ali ela carrega a sua “história”, não a sua história pessoal, mas de onde ela veio… as células se comunicam, tem inteligência e memória, e podemos aqui brincando dizer que seja o código genético o “inconsciente coletivo” das células… pois ele determina de onde vem, o que fará e o tempo de vida de cada célula… estou dizendo tudo isso, apenas levantando questões e expondo alguns fatos, mas sem entender muito de biologia, não quero ser tomada ao pé da letra… outra coisa interessante, permanecendo nessa seara biológica, os seres clonados tem o tempo de vida da célula que foram clonados e não o tempo que foram clonados… quer dizer, a ovelha dolly tinha, sei lá, 3 anos de vida quando foi clonada, e o seu clone tinha exatamente esses 3 anos e com a mesma expectativa de vida da célula matriz e não no dia que “nasceu”… as células têm memória, nós homens temos? o Jung disse que sim: e que poderia ser capturada na Psique Objetiva… pois é, isso levanta muitas outras instigantes questões, as quais não saberia dar nenhuma resposta conclusiva, mas o grande barato aqui é levantar as perguntas e não respondê-las…. depois, sempre surge um “louco” que responde e com isso cria um novo sistema de interpretação do mundo… já falei que sou a favor dos loucos, desde que eles não sejam tomados de suas loucuras?

    >>>”Tempo de vida, olhando para o prazer diz: Dure.
    Tempo de vida, olhando para dor diz: Passe.”

    Minha mãe dizia: não há mal que sempre dure e nem bem que nunca se acabe… ou era o contrário talvez… 🙂

  4. adi said

    Oi Sem,

    “mas é reconhecer que são meras visões (imagens) a verdadeira transcendência, ou o ir de encontro a essência do que se É, que é a vida…”

    No meu achismo aqui, eu acho que só vamos de encontro com a nossa essência/centelha, a própria vida, muito bem dito, depois que reconhecemos que aquilo que tomamos por real e verdadeiro (imagens) são representações simbólicas do que de fato é real e verdadeiro (a essência/centelha).

    “Nesse sentido, o “eu”, o “ego”, (o sentido por vc empregado nos três textos referidos) é uma espécie de ficção mesmo, uma boia que se inventa e na qual se agarra para não morrer afogado no fluxo da vida, no tempo que se sente escorrer, – ”

    É bem isso mesmo, e também no sentido disso que falamos acima, nós tomamos o ego (que é a sombra, o reflexo do real) como a real unidade de manifestação, como sendo a “consciência” que projeta a vida, e não, na verdade o “ego/eu” é somente a própria projeção de uma “força primordial” ou desse fluxo da vida, mar infinito… e não é que o “ego/eu” seja o “mal” ou ilusão o tempo todo, não é esse o caso, é que a “bóia” é somente necessária até que a “consciência” aprenda a nadar nesse mar de incessante fluxo…

    “é preciso mesmo desapegar-se deste ego místico (não psicanalítico), da mera ilusão de ter um eu no controle das tempestades, para curtir a vida como um fluxo benigno, no tempo, e se deixar levar pela vida em realidade… Há muitas analogias possíveis de serem feitas entre mar/universo/vida/psique/homem… ”

    E por causa desse apego nas próprias imagens, em nossas próprias construções mentais que sempre constroem novamente o “mesmo” padrão, estamos sempre repetindo os mesmos pensamentos diariamente e não mudamos, não conseguimos por isso “captar” novas “idéias” do abstrato e renovar a nós mesmos. Pra mim MAGIA é renovação, deixar o fluxo atuar em nós, fluxo de eterno movimento…

    Seria isso então a MAGIA de uma mente LOUCA?? ahhh! seria só loucura se não houver transformação, se o simbólico for real na mente e o real ser irreal… e se for assim, então não estaríamos todos loucos pensando iludidos que somos sãos?? os loucos reconhecem sua loucura??

    de novo, questões surreais 🙂

  5. adi said

    Oi Elielson,

    Ai, ai!! ultimamente ando escrevendo a prestação, é que o tempo anda muito curto mesmo, mesmo… 🙂

    “O que está fora não parece de modo nenhum estar contido em nós.
    Seria como estar envolto por Deus, mas no que este nos atravessa, não nos faz nada além de filhos. Será mesmo que cada elemento que compõe a vida sabe tanto assim sobre os próprios rumos e funções? E a vida acaba sendo ilusão até mesmo quando percebe o padrão (não digo inventa-lo)?. Sempre que faço uma descoberta destas que já foram descobertas por outros é como se uma mente acima de mim e dos outros dissesse: bobinho!(não é paranóia)”

    Ainda ontem conversei bastante com uma amiga minha a esse respeito, ela sempre me diz que se for de acordo com essas coisas dos últimos posts, é como se nós fôssemos um joguete, uma marionete dessa força maior. Do ponto de vista da nossa percepção limitada aqui no espaço tempo, na quarta dimensão, do pequeno ego, é assim que a coisa toda nos parece. Mas não somos nós que sonhamos a vida, nós somos o sonho daquele observador que sonha, nós como ego e que pensamos ser a coisa toda, na realidade não passamos de imagem, de sombra projetada de forças e energias que estão além de nossa compreensão. Exatamente assim nos parece, porque esquecemos completamente que por trás de nossa própria imagem, essa mesma que se reflete no espelho, há essa mesma Força ou energia que nos move e nos vivifica, que é o real, que é Quem projeta o mundo para obter auto consciência.

    abraço. 🙂

  6. Sem said

    Adi, eu vou dizer pq eu te entendo e concordo 100% com o que vc diz…

    Nas minhas palavras o que vc diz é que o real é a vida que existe no inconsciente (e tome o conceito junguiano de inconsciente que é mais abrangente que o inconsciente freudiano)… que a centelha divina, que a nossa essência, não reside em outro lugar que não ali, nesse espaço que pode ser entendido como (ou confundido com o) absoluto, encontro com todas as nossas possibilidades, futuras, passadas, presentes – sem tempo, visto que o tempo do inconsciente, para toda psicologia profunda que tem por pai o velho Freud, o tempo não conta, é sentido como da ordem do sagrado, vivido como perene…

    A iluminação é cair misticamente nessa realidade, de presente absoluto, de tempo e espaço unificados, em comunhão com o Todo, ou seja, é a realização do Unus Mundus… o fazer análise, e a individuação, é o processo de consciência dessa realidade, dá-se através do auto-conhecimento, mergulho dentro de si para encontrar ali o Todo, mergulho e retorno ao cosmos: “quem olha para fora sonha; quem olha pra dentro desperta.” (Jung)

    Ego (aqui eu incluo o ego psicanalítico), persona, sombra, tudo o que podemos falar de psique (alma), são negativos da realidade… não são a realidade, são constructos que usamos (mas quem usa? é surreal mesmo) para lidar com a realidade… são como os deuses, são símbolos e representações da realidade… a realidade – estou com o Jung aqui – são os arquétipos… mas existiria (não apenas em conceito, mas realmente) um arquétipo maior que unificaria todos os demais, seria então o Self, Deus? Podemos supor, conceituar, falar a respeito, jamais ter certeza sem experimentar… (só a loucura proporciona certezas e esse tipo de experiência fora de si…) e observando atentamente a Realidade podemos comprovar que nos arquétipos puros não existe nem o bem e nem o mal, simplesmente o que existe é a realidade… nós (quem somos mesmo?) é que valoramos as pessoas, as coisas, os eventos, etc., ao nos relacionarmos com eles… se eles aumentam a nossa potência de existir, dizemos que são bons, se eles diminuem, dizemos que são maus (aqui me refiro ao Spinoza)…

    O ego não é demônio mesmo, nem as personas, nem a sombra, embora possam ser sentidos como demônios se não “integrados”… (coloquei entre aspas que é uma palvra que vc gosta de usar, mas eu tenho um pouco de receio dessa palavra, se ela significar que existe uma instância em nós que vai açambarcando a realidade, dá a impressão que somos nós infinitos e não a Realidade, dá a impressão que somos nós Deus, quiça o universo – e nós somos homens, parte disso tudo; mas a palavra deve estar correta mesmo, se quer significar um ser mais íntegro, mais inteirado do conhecimento, dessa realidade intangível que é Deus.)
    Para o homem do cotidiano, preocupado com a sobrevivência básica do animal (todos somos na base), mas esse homem mais interessado em ganhar a vida, conquistar seu espaço, isto é, interessado nas relações de poder, o inconsciente é um estorvo e sentido como um inimigo… algo para perturbar a rotina racional e programada como a um relógio… acontece que o inconsciente é o próprio caos… e quando se vive mais anos, ou se aprende a mudar e dar valor para a vida como ela é, ou se vive infeliz e se enterra em qualquer buraco… no final das contas não existe isso de vida programada, isso é a morte programada na verdade… mas de onde vem a força para mudar e encontrar novos caminhos sempre? onde é o mar de possibilidades e onde estão enterrados os tesouros mesmo?

    Eu lembrei de um aforismo de Blake que diz algo assim: “existe o conhecido, existe o desconhecido, e entre eles existem portas”… pois é, “se as portas da percepção fossem limpas”…

    Os poetas, os artistas em geral, alguns intelectuais, parecem ter esse trabalho constante de polir o material translúcido e maleável que separa o conhecido do desconhecido… e por isso ao nos aproximarmos deles, nos engrandecemos; claro que às vezes eles nos fazem inflar e atingir estados que de outro modo seriam imperceptíveis… existe perigo sempre e um preço a pagar, mas não é muito considerando as outras alternativas…

    Adi, nada disso que vc está dizendo é realmente achismo, nem o que eu falo é… pensamentos semelhantes são registrados por pensadores, místicos, poetas, cientistas, cada um a seu modo… e aqui são citados nomes que podem ser investigados na fonte, são da mais alta sabedoria a que um homem pode chegar, ou o que se pode produzir de melhor dentro desse limitado invólucro (mortal, humano) de percepção que são os nossos sentidos… que vão muito além de cinco… é bom trocar aqui essas impressões com vcs e nos levarmos muito a sério, avisar quando somos tocados e nos permitir essa troca tão boa… de humanidades a abismos.

  7. adi said

    “Nas minhas palavras o que vc diz é que o real é a vida que existe no inconsciente (e tome o conceito junguiano de inconsciente que é mais abrangente que o inconsciente freudiano)… que a centelha divina, que a nossa essência, não reside em outro lugar que não ali, nesse espaço que pode ser entendido como (ou confundido com o) absoluto, encontro com todas as nossas possibilidades, futuras, passadas, presentes – sem tempo, visto que o tempo do inconsciente, para toda psicologia profunda que tem por pai o velho Freud, o tempo não conta, é sentido como da ordem do sagrado, vivido como perene…”

    Sem, é exatamente dessa maneira que entendo também, perfeita sua descrição.

    “A iluminação é cair misticamente nessa realidade, de presente absoluto, de tempo e espaço unificados, em comunhão com o Todo, ou seja, é a realização do Unus Mundus… o fazer análise, e a individuação, é o processo de consciência dessa realidade, dá-se através do auto-conhecimento, mergulho dentro de si para encontrar ali o Todo, mergulho e retorno ao cosmos: “quem olha para fora sonha; quem olha pra dentro desperta.” (Jung)”

    É, eu imagino que a iluminação final, daquela de total transcendência, é como descrito por você, e quando desse acontecimento do Unus Mundus, o verdadeiro Ser (centelha) desperto aqui nesse corpo espacial físico, uniria a imagem com a força/energia (espírito) em total consciência de SI-Mesmo, em simultâneo todas suas formas de SER, ou seja matéria e espírito são um Só na Psiquê (Alma). Imagem e Causa se tornam UM na Consciência desperta. O triângulo se torna UM no despertar. Agora imagina um SER plenamente consciente olhando para o mundo, todos os falsos conceitos, formas pensamentos e projeções seriam desfeitos, ele veria todas as formas e imagens como sendo o revestimento da força/vida que a anima, não há mais divisão entre matéria e espírito, está tudo unificado na Psiquê que é a Alma ou consciência. Por isso se diz no Budismo que o Nirvana é o Samsara e que o Samsara é o Nirvana, por isso se diz que esse processo na alquimia é como a espiritualização da matéria e a materialização do espírito, e por isso Jung diz que o processo de individuação do ponto de vista do Espírito ou Centelha, ou visto do ângulo da imagem de Deus é um processo de encarnação; no ocultismo se diz que os demônios se transformam em anjos. Por isso eu discordo completamente daqueles que entendem o Nirvana ou a iluminação como a retirada da vida, muito pelo contrário, é a completa realização da vida pela vida inserida nela mesma … 🙂

    “Ego (aqui eu incluo o ego psicanalítico), persona, sombra, tudo o que podemos falar de psique (alma), são negativos da realidade… não são a realidade, são constructos que usamos (mas quem usa? é surreal mesmo) para lidar com a realidade… são como os deuses, são símbolos e representações da realidade… a realidade – estou com o Jung aqui – são os arquétipos… mas existiria (não apenas em conceito, mas realmente) um arquétipo maior que unificaria todos os demais, seria então o Self, Deus? Podemos supor, conceituar, falar a respeito, jamais ter certeza sem experimentar…”

    Sobre a parte do ego na psiquê, eu entendo o ego (persona/sombra/personalidade/karma) ou ego como constructo, aquele que é construído a cada vida de acordo com o karma (condicionamentos mais profundos), mas o ego não é a Psiquê em seu estado de consciência como emanadora das forças arquetípicas. O ego no post se situaria na ultima tríade de emanação, corresponderia ao astral inferior, as energias densas e ilusórias desse plano da Psiquê, ou melhor corresponderia as formas pensamentos que se transformam em imagens e que são perpetuadas e repetidas e repetidas pela humanidade, em outras palavras representam a cultura e padrões da sociedade. Essas imagens/formas-pensamentos que se perpetuam pela repetição (condicionamentos) impedem que o novo arquetípico chegue à consciência. O ego faz parte do inconsciente pessoal, no sentido que é um tipo de complexo mais forte que veio à consciência, mas que se desfaz a cada morte…

    “O ego não é demônio mesmo, nem as personas, nem a sombra, embora possam ser sentidos como demônios se não “integrados”… (coloquei entre aspas que é uma palvra que vc gosta de usar, mas eu tenho um pouco de receio dessa palavra, se ela significar que existe uma instância em nós que vai açambarcando a realidade, dá a impressão que somos nós infinitos e não a Realidade, dá a impressão que somos nós Deus, quiça o universo – e nós somos homens, parte disso tudo; mas a palavra deve estar correta mesmo, se quer significar um ser mais íntegro, mais inteirado do conhecimento, dessa realidade intangível que é Deus.)”

    Entendo que o real em nós é que somos centelhas espirituais buscando auto-consciência através de sua própria manifestação ou projeção em materialidade, Ela a Centelha quando se manifesta abaixo de Tiphareth (ou chacra situado no peito/coração) se divide como num prisma, o ego (um ponto dessa refração) quando formado, se torna como o centro de personalidade, e que por isso, reprime os outros aspectos dessa refração provinda da Centelha, esses aspectos ficam reprimidos no inconsciente pessoal, e sim, esses conteúdos precisam ser integrados à consciência para compor a totalidade da centelha no qual ela se refratou. Esses aspectos sombrios, se apresentam assim à consciência identificada com o ego, justamente porque possuem o caráter de quebrar a identificação da consciência com o ego, com aquele único complexo que se tornou dono absoluto dessa realidade pessoal e que não quer abrir mão disso; a vida é fluxo, eterno movimento e renovação, e o ego está sempre se prendendo ao que já está estabelecido, nesse sentido é opositor…

    “é bom trocar aqui essas impressões com vcs e nos levarmos muito a sério, avisar quando somos tocados e nos permitir essa troca tão boa… de humanidades a abismos.”

    Eu me empolgo facilmente com nossas trocas aqui, tem sido tão enriquecedor e transformador de minhas ideias, só tenho a agradecer. 🙂

  8. Elielson said

    Poderia eu até pensar em aceitar o frenesi, mas mesmo eu tendo vivido relativamente pouco, fico abismado como é possivel que algumas coisas abstratas sejam tão comuns enquanto que o que poderia ser verdade fica refém das interferências que compoem o mar de manifestações, a atitude é desperdiçada ou é muito bem aproveitada, dessas duas alternativas acho que a coisa não sai. Sempre que eu me pergunto o pq do entretenimento estar enganando, em seguida penso, não… somos nós que temos essa necessidade mórbida de se enganar. Não me aflige de maneira nenhuma o desvio de foco, nem me diferencia de quem supostamente acompanha os frenesis, mas não dá pra ser conivente, mesmo sabendo que é pratico usar dessas informações pra se ter uma interação menos perigosa com quem doa seu ser pra acontecimentos abstratos-objetivos, isso não significa que especificamente comoções idolatras bastem, ou pelo menos não significa que isso baste pra mim nem como preenchimento nem como valvula. Sinto que todos os motivos de se estar vivo tenham que ser reforçados com oposições (não seria necessário isso pra raça humana né? mas é! pq ainda não sei.), mas eu não me perco mais nos pqs disso ou daquilo, quando eu vejo uma futilidade servindo de ninho para carências tão ficticias ou mesmo a fermentação da fleuma que leva a pessoa a pensar que há um desnivel entre a futilidade de um ou a futilidade de outro, penso que é muito bom haver essa possibilidade de desmanchar a idéia e dormir um pouco, essa possibilidade de desconceitualizar e desconceituar seja lá o que quisermos, mas eu não vejo a mesma “vantagem” em conceituar e conceitualizar algo apenas pra ter algo pra se viver de acordo. Eu fico mais ligado (ou desligado) pra tentar dar orientações ao meu próprio ser dentro dessas rarefações que estão presas por determinações impressionantes, as coisas e os lugares das coisas, a influência que eu tenho e o mais louco de tudo: de onde vem o alimento?
    Ego no meio disso é problema, e tem jogadores que se fazem percalço a quase todo momento, e perscrutam quais suas preferências e afeições, achando que alguma oferta tenha valor em frente a duvida, que comprada não é desfeita, mas muitos dizem que a duvida é comum e isso responde a tudo, de resto é só esperar alguém avançar a tecnologia e se não o matarmos antes compramos o produto final. Então muito da possibilidade de estar negociavel nesse mercado frenético de sensações que nos rodeiam vem da decomposição de tudo que não resiste dentro do individuo, vem da condição que mantém duas duvidas nem que o preço seja sacrificar uma resposta simultânea para elas, ou de duas respostas para uma duvida que sinceramente não está respondida.
    A mente criativa de fato é um provocador de sombras, e o futuro é a sombra mais desgraçada nesse sentido. Querer, poder, fazer, sem um trabalho continuo sobre o que se é, e sem a busca incessante por um apoio cósmico vigilante em relação ao apego por um espaço menor do que o que se sabe que cerca os sentidos, não é necessariamente um querer, nem poder, nem fazer, é desperdicio de vida, suicidio inconsciente, ou, ego criando vórtice que vira egoismo.
    É isso aí moças…
    A conversa de vcs tá inspiradora, não tem como não imprimir aqui um pouco da viagem associativa que bagunça meu cerebro. 😀

    Abraço.

  9. adi said

    “A conversa de vcs tá inspiradora, não tem como não imprimir aqui um pouco da viagem associativa que bagunça meu cerebro.”

    A casa está sempre aberta pra impressões de viagens imaginativas alucinantes, é uma forma de viajarmos todos juntos, e quem sabe organizar um pouco nossa própria bagunça mental. 🙂

    Abração

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