Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Alienação, será???

Posted by adi em maio 31, 2010

Semana passada, houve um comentário spam com termos ofensivos em relação a postura adotada pelo blog. Basicamente o Anoitan é um blog sobre espiritualidade e afins, o que no meu modo de entender, é completamente diferente de um blog sobre “religião”, porque não é um blog voltado especificamente pra uma determinada religião, mas nos sentimos livres pra citarmos aqui as mais variadas tradições, desde que ela atenda as nossas necessidades pra descrever determinados aspectos de nossa realidade última. Lembrando sempre, que o mapa não é o território/caminho.

E aqui, falando por mim agora, vou continuar seguindo essa linha, minha motivação em continuar a escrever aqui é, e sempre foi o desenvolvimento espiritual, o qual pra mim tem um sentido particular de ser. Para aqueles que, assim como eu, eram leitores do Franco Atirador, talvez tenham notado, que apesar de diferente, o Anoitan segue uma linha um pouco similar ao antigo blog, naturalmente porque talvez ainda me identifico com os pensamentos  que perambulavam por lá, e ainda hoje, essa mistura toda de tradições, filosofias, psicologia e até física quântica, têm me servido como uma luva pra representar e explicar uma “idéia”, e não digo que nova no mundo, mas nova pra mim, nova na minha maneira de compreender e desfazer minhas próprias crenças e limites.

Nesse estudo todo, em minha pesquisa onde busco apoio (sim) nos versados pra imprimir uma “idéia”, que é nova pra  mim, tenho descoberto somente conexões e similaridades entre  as mais diversas filosofias, religiões e até mesmo na parte científica como a psicologia e física quântica.

Mas, ainda hoje há pessoas que não conseguem entender tal coisa, e se incomodam profundamente com nossa ou minha postura, não conseguem distinguir essa diferença, e por causa de sua dificuldade de compreensão, preferem nos limitar dentro do quadrado de suas próprias percepções limitadas. Elas só conseguem vislumbrar um único aspecto de toda a realidade,  nunca puderam vivenciar dentro delas  além de seus próprios conceitos e pensamentos, nunca vivenciaram além de sua turma ou egrégora, e para elas o mundo se restringe  somente a esse aspecto, tipo, a minha maneira de ser e viver é a certa e tudo o mais são doenças, ou seja, a vida é somente a parte manifesta de sua própria concepção, o resto para elas, é loucura de mentes que buscam fugir da realidade, mentes domesticadas que somente repetem o que aprenderam com as tradições. Essas pessoas nem ao menos conseguem perceber que elas próprias só vivem a repetir suas críticas, vivem a repetir a mesmice de sempre contra tudo que se opõem, a mesmice de sempre contra tudo o que não conseguem compreender, e que, por não compreenderem, acreditam somente que o real e “certo” é a sua maneira de viver, e de forma alguma são capazes de inovar, de conceber uma nova idéia ao mundo, o que sabem fazer é somente continuar a jogar pedras, assassinar o que não compreendem.

As pessoas estão tão limitadas que nem ao menos conseguem ler um texto, o que elas vêem e entendem são sempre seus próprios pré-conceitos, seus próprios limites, e deturpam sempre o real da mensagem. Exatamente iguais aos céticos da turma do  Dawkins, que vivem jogando pedras nos crentes de todas as religiões, e se esquecem que pra jogarem pedras, tem que se apoiar no fundamentalismo de suas próprias crenças contra as religiões.

Aqui no Anoitan, nós sempre seremos livres, pra falarmos sobre budismo, sobre hinduísmo, Cabala, misticismo, ocultismo, alquimia, e todos os ” ismos” juntos, e todos os assuntos, porque os limites não estão simplesmente por usarmos palavras ou mesmo conceitos de determinada religião pra descrever “idéias”, idéias que talvez amanhã já não existam mais, porque tudo se desfaz o tempo todo, a única coisa que permanece e que é real, é um sentido diferente de SER, que queiramos ou não, e mesmo dizendo que é “mentira”, que tal coisa não existe, que tal sentido de Ser e Existir é fugir do real da vida, não importa, Ele ainda permanecerá, e cedo ou tarde, todos irão experienciar essa realidade, realidade além de nós mesmos, realidade que “É” e sempre Será, mesmo que ainda não compreendemos, mesmo que ainda não percebemos…

A cada dia, mais e mais pessoas dão testemunho dessa realidade…

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23 Respostas to “Alienação, será???”

  1. adi said

    E aqui está o Jim Carrey com legendas em português.

  2. Elielson said

    Não vou falar nada com nada. Como de costume.
    Acho que foi o Jim Carrey que escolheu representar as fabulas do dr.seuss, o grinch e o horton e o mundo dos quem, não acredito que deva ter sido um agente dele. Ambos super filmes.
    Um sobre salvar uma epoca, outro sobre salvar um mundo, uma epoca que não é a mesma pra todos, um mundo que não é visto por todos.
    A infancia é pura quando vacila por inaptidão, dificil uma passagem da infancia mesmo, a vida inteira parece estar baseada no que a infancia foi, então, depois tudo se resume em tempos em que não havia alguém para lhe descrever aquele tempo como bom, e tempos em que não havia alguém pra afirmar os outros mundos em que a gente passava. Mas pra vencer a infancia é catada a sensação de que foi assim e assim será. Tudo bem que a infancia não passe, não é um problema, a gente só tem que educar o sustento e não erradicar a infancia, nunca ganhar dinheiro quis dizer que há de se perder a criança, porém a vida de adulto, tipo, e com a palavra adulto quero dizer maquina, essa não sei dizer se é boa ou ruim pros outros, mas pow, tipo, o mesmo pensamento de voltar a infancia com a mente de hoje, pode servir a infancia com a mente de hoje. Sempre tem alguém pra dizer cresça, mas se quando se é criança maleavel já lhe dizem isso e não adianta, imagine dizer isso para uma maquina adulto que instalou um programa que tenta simular a infancia, porém, procurando modos aptos de vivê-la, ahh, e que se maravilha com a possibilidade de uma infancia autosuficiente. Crianças não são más, crianças más são mini adultos. Fugir da responsabilidade também não é coisa de criança, é coisa de adulto. A infância não é o ontem, o nosso corpo cresceu, mas crianças não param de nascer, ta aí, nascer. Se o adulto não parar de nascer quem sabe consegue entende a criança. Quanto a mundos, é mais complicado, mundos são muito diferentes, todos com barreiras conscienciais, tanto de criança para criança, quanto de adulto pra adulto, mas será que só andam nesses brinquedos crianças abaixo de 1,50?

    Já pensou se a criança descobre que há um meio de consertar o carrossel? Caso ele trave obvio…

  3. Fiat Lux said

    Puxa Adi,

    Faz tempo tô ensaiando pra postar um comentário, mas simplesmente não consigo. Esses assuntos são realmente muitoooo surrealistas e não acho palavras para traduzí-las…rs

    Desde que tive minhas experiencias com o DMT dentro de um conceito religioso, senti exatamente o que o Jim Carrey acaba de descrever neste video e talvez um pouco mais.
    Não faço mais uso desse psicoativo, pois ele expandiu tanto as minhas percepções, que agora preciso de um tempo para reconstruí-las!
    Afinal, não é fácil ter todas as suas crenças demolidas ao mesmo tempo em que recebe uma enxurrada de respostas para suas dúvidas interiores! Eu sou tão cabeça dura, que nem consegui me afinizar com essa doutrina que me proporcionou tal experiencia libertadora! (sou avessa aos dogmas)

    Talvez o fato de eu sempre ter estudado essas experiencias na teoria, tenha me ajudado a não me deslumbrar qdo senti tudo na prática! E algo lá em algum lugar me dizia sempre para manter a humildade, pois o Poder da sabedoria universal corrompe os mais desavisados através da vaidade. Esse poder pode ser uma dádiva ou uma maldição, dependendo do individuo!

    É dificil encontrar um blog aonde eu possa ler e debater sobre isso de maneira livre, sem sofrer preconceito ou então, ser alvo de fundamentalismo religioso por parte dessas doutrinas que trabalham com tal substancia.

    Só queria registrar o meu apoio e admiração por esse blog e por vc também.
    Não ligue para essas ofensas, afinal, nem Jesus agradou a todos, né?…rs
    Sinto que, pelo pouco q a conheço, temos muito em comum em relação à essa vontade/necessidade de montar o gigantesco quebra-cabeça universal.

    Confesso que muitas vezes me perco nas minhas divagações, o que causa um certo sentimento de tristeza e depressão por me sentir solitária neste caminho.
    O maior problema de se conhecer o “lado de lá”, é ter que voltar para o limitado lado de cá e manter o pé em cada um, no caminho do meio.

    Eu li em qualquer lugar que, chegar à compreensaõ do Todo através de uma religião é muito mais fácil do que através do autoconhecimento, e eu escolhi este último, ou melhor, este último me escolheu.

    Paulo já dizia que as coisas de Deus são loucura para o homem, mas no meu ponto de vista, mesmo essas loucuras devem ser tratadas com carinho, responsabilidade e principalmente compreensão, pois a maioria das pessoas ainda está adormecida na matrix.

    Um gde bj.

  4. adi said

    Oi Elielson,

    Bom, falando do Jim Carrey, eu sempre achei ele boa praça, parece que está estampado no rosto dele, não só porque ele sempre fez comédia, por ex. o Eddie Murphy sempre fez comédia, mas não parece ser uma pessoa muito agradável, apesar que adoro o burro do Shrek; enfim, alguns filmes que o J.Carrey protagonizou são bem interessantes, como o Show de Truman, O Número 23, O Máscara, O Todo Poderoso, entre outros filmes que tem sempre uma mensagem interessante.

    Ele tem esse lado criança, esse bom humor nato que consegue trazer leveza e riso no cotidiano. Talvez por isso, não estranhei nem um pouco o fato dele ter passado por essa experiência espiritual linda e transformadora.

    bjs

  5. adi said

    Oi Fiat Lux,

    Olha, fiquei super feliz de vc participar aqui, muito mesmo. E aqui não precisa ensaiar pra dizer coisas do coração, a gente diz e do jeito que sair está bom também.

    ” senti exatamente o que o Jim Carrey acaba de descrever neste video e talvez um pouco mais.”

    Sabe, muita gente acaba ficando com medo de relatar suas experiências, porque são sempre taxadas de alguma coisa. E é muito bom que mais e mais pessoas, como o Jim Carrey e a Jill Taylor, pessoas que tem muita credibilidade diante da sociedade, venham confirmar essas experiências, e não são loucos, nem lunáticos, nem psicóticos, nem esquizofrênicos, nem fanáticos… enfim, termos que seriam facilmente usados pra “categorizar” uma pessoa comum que vivênciou a mesma coisa.

    “Afinal, não é fácil ter todas as suas crenças demolidas ao mesmo tempo em que recebe uma enxurrada de respostas para suas dúvidas interiores! Eu sou tão cabeça dura, que nem consegui me afinizar com essa doutrina que me proporcionou tal experiencia libertadora! (sou avessa aos dogmas)”

    Não, não é fácil quando o nosso “mundo” da maneira que aprendemos acreditar, se desfaz diante de nossos olhos, quando os Deuses e mestres como que morrem, e não é que é uma forma literal de morte, mas de nossas crenças, ou melhor da maneira que acreditávamos em determinados Deuses e salvadores. E aí é que está, depois dessa experiência fica difícil seguir qualquer crença imposta de fora, os dogmas passam a ser como “limitações”, encarceramento, prisão.

    ” Talvez o fato de eu sempre ter estudado essas experiencias na teoria, tenha me ajudado a não me deslumbrar qdo senti tudo na prática! E algo lá em algum lugar me dizia sempre para manter a humildade, pois o Poder da sabedoria universal corrompe os mais desavisados através da vaidade. Esse poder pode ser uma dádiva ou uma maldição, dependendo do individuo!”

    É verdade, todo poder corrompe se não houver uma boa base, e a inflação é um risco bem grande ali bem pertinho cutucando, tem que sempre ser vigiada. 🙂

    ” É dificil encontrar um blog aonde eu possa ler e debater sobre isso de maneira livre, sem sofrer preconceito ou então, ser alvo de fundamentalismo religioso por parte dessas doutrinas que trabalham com tal substancia. ”

    Pois é, eu tenho encontrado essa mesma dificuldade, verdade. É uma solidão na alma, parece que o fomos abandonados pelo mundo. Ainda bem que tem o Anoitan aqui, e nossos amigos que estão sempre participando, comentando e dividindo esses assuntos que de outra forma, ficariam presos como um grito em nossa garganta, como um sufoco. Eu acho que falar e botar pra fora nos ajuda a reformular novamente àquelas velhas crenças numa nova configuração mais ampla, com menos limites impostos, portanto mais livre…

    ” Só queria registrar o meu apoio e admiração por esse blog e por vc também.
    Não ligue para essas ofensas, afinal, nem Jesus agradou a todos, né?…rs
    Sinto que, pelo pouco q a conheço, temos muito em comum em relação à essa vontade/necessidade de montar o gigantesco quebra-cabeça universal.”

    Eu te agradeço de coração, e é verdade nem Jesus agradou. Pelo seu relato, temos sim, essa espiritualidade inata em comum, e é isso que muita gente não entende, essa busca ou sentimento não é algo provocamos deliberadamente, vem daquele Centro interior, é uma vontade maior que nós mesmos esse auto-conhecimento, que está sempre em movimento…

    “Confesso que muitas vezes me perco nas minhas divagações, o que causa um certo sentimento de tristeza e depressão por me sentir solitária neste caminho.
    O maior problema de se conhecer o “lado de lá”, é ter que voltar para o limitado lado de cá e manter o pé em cada um, no caminho do meio.”

    Nós aqui do Anoitan, eu principalmente, só viajamos na maionese 🙂 no bom sentido claro, mas é que a imaginação cria novas possibilidades e caminhos desconhecidos de nós mesmos até então. Agora, nem me fale nesse sentimento, que ultimamente não quer me abandonar 🙂 . Eu acho que esse sentimento é devido como que um aparte da sociedade, ou uma retirada; mas não no sentido de retirada da vida (outra coisa muito mal compreendida, pois é sempre interpretada literalmente), mas um aparte ou retirada/exclusão da “maneira de pensar” do coletivo, é quando já não nos identificamos mais com os mesmos pensamentos, ou ideais (ideologia) do grupo ao qual estamos inseridos, ou seja a sociedade, família, cultura, padrões de comportamentos que todos seguem igualmente. Mas isso não quer dizer de forma alguma que deixamos de viver a vida, simplesmente deixa de existir um deslumbramento pelas “formas materiais”, o foco passa a ser outro, é a troca do ‘TER’ pelo ‘SER’. E acho que quando esse mundo interior de cada um, projetado no exterior, se desvanece, se desmancha, “mundo” (eu gosto de chamar de mundo) que são nossas crenças, as formas-pensamentos, ideologia do coletivo imprimido em nós, inevitavelmente estaremos no chão, sem apoio algum, sem muletas… e disso surge o sentimento de solidão. Daí a necessidade da gente reformular nossas crenças, sem dogmas ou doutrinas, e sem regras estipuladas de fora; o que surgir, será do próprio processo interior, individual, daí esse processo ser chamado de “Individuação” por Jung.

    Bom, talvez agora podemos dizer, que sentiremos “solidão”, mas talvez uma solidão menos solitária, compartilhada entre almas solidárias de um mesmo sentimento 🙂 – venha sempre que quiser compartilhar e abrir seu coração aqui, ou deixar um comentário sobre qualquer assunto, aqui todos sempre acrescentam, e é isso que sempre fazemos aqui no Anoitan.

    Um grande bj também.

  6. Sem said

    Minha querida Adi, não fiquei sabendo de nada, eu é que estou alienada, não vc… rs Saiba que tem a minha simpatia na condução do Anoitan, com tudo isso que a Fiat Lux falou, assino embaixo, pois não é fácil achar um lugar em que se possa falar sobre espiritualidade sem os fundamentalismos desta ou daquela crença, desta ou daquela outra ideologia… por isso eu “grudei” aqui, e permaneço, mesmo que pouco tenha contribuído ultimamente.

    Sim, vc não á a dona do Anoitan, donos somos todos nós que participamos, escrevendo ou lendo. Mas é vc que tem aberto as janelas da casa, publicado novos textos e levantado as discussões, nunca se esquecendo de dar boas vindas a quem chega, é vc que tem mantido o ar dessa casa respirável – pq arejado. Não fossem suas contribuições, o Anoitan seria agora um lugar morto.

    Como é que estão as estatísticas? faz tempo que não vejo, tempos atrás eram 600 “fiéis” leitores (sic!) sempre que saía novo post? sem apego a números, mas acho esse número bastante representativo, e nem um pouco desprezível considerando o caráter não popular dos temas… claro que muito, senão todo esse acesso, se deve ao prestígio do Lúcio ou ao que ele construiu com o nome Franco-Atirador. O apoio que eu posso dar a isso é dentro daquela linha que tinha comentado ontem, procuro apenas ser uma influência positiva a esse contexto, claro que totalmente relativo ao que eu considero ser positivo e pertinente.

    A esse tipo de ataque a minha posição é bastante definida: não acredito que valha lutar contra ele, pelo contrário, o melhor é deixar fluir… como as marés, elas vêm e vão… Não adianta combater a esse tipo de ataque, pois é se engajar naquele tipo de guerra que ninguém ganha. “Numa guerra todos perdem”, eu lembro de ter sido essa a última fala de um soldado russo em carta à sua mulher, num filme antigo do Claude Lellouch “Retratos da Vida”… Não adianta contrapor argumentos inteligentes contra trolls, o melhor é aderir como nquela campanha “não alimente os trolls”. Como é sabido, trolls são fenômenos da Internet e que se alimentam de grosserias, de escândalos, pois todo homem por trás de um troll está num momento de sensibilidade prejudicada… é que a “casca” de um troll é grossa, e para ele sentir algo, só com um tranco bem violento, por isso a violência desmedida…

    Por outro lado é bom nos manter informados e dentro da realidade, se houve isso, foi bom que vc nos informasse… refletir sobre o fenômeno é sempre produtivo, mas bem diferente de entrar numa briga. Não quero me tornar repetitiva, mas engajar-se nesse tipo de cruzada é dar valor ou justificar de algum modo a pertinência de lutar contra o Nada (como no “História Sem Fim”, do Michael Ende)… se fizermos isso, paramos de discutir os assuntos que nos interessam para nos centrar naquele ponto em que contendores sempre permanecem… como se de um leque de possibilidades em aberto parássemos nós aqui para discutir como apertar parafusos, quem tá apertando direito, por qual cartilha se rege, pela verde ou amarela… mas quem é culpado do céu ser azul, do Sol nascer no leste, da semente germinar, do espírito ascender? não existem culpados, apenas fenômenos. Moralizar as coisas naturais é revirar as discussões pelo avesso no pior sentido, ao invés de sermos criativos e manter a mente alerta, vamos nos tornar reativos uns dos outros, buscando um culpado para quem grampolou a parafuseta; a busca de um culpado vem apenas da necessidade do homem de se colocar num lugar “certo”, por isso põe o “outro” no lugar errado, para que “ele” esteja certo, o outro vira assim prova da sua integridade e justeza… a realidade é que simplesmente o outro foi fabricado assim, é só uma construção, uma representação… o ser mesmo é mais embaixo, ou melhor, atrás das máscaras dessas personas…

    De qualquer modo, eu acho que haver controvérsias tem aspectos positivos e é nesses que devemos nos focar. Um aspecto positivo bastante evidente é o papel da crítica mesmo: a crítica, por mais amarga que seja, é sempre um ponto de vista a se somar na realidade – críticas negativas revelam no mínimo esse lado da humanidade que ainda não trabalhou direito a sombra, especialmente nos impulsos destrututivos… e isso nos mantém sóbrios, não vivemos mesmo num mundo perfeitinho e povoado de boas intenções… essa é a dura realidade, o homem tem essa necessidade de construir bodes expiatórios…

    Fazendo um pouco uma mistura de dois assuntos, qd vc me respondeu no outro tópico, Adi, a respeito de como a minha resposta te levou a pensar em tantas outras possibilidades. Sua resposta tb me fez pensar em outras coisas, e numa especialmente vou falar aqui… seria mesmo um derradeiro golpe narcísico para a humanidade descobrir que as máquinas além de calcular melhor do que ela (a humanidade, nós), na evolução (das máquinas, o homem mutante) ainda vão ter uma compreensão mais profunda da realidade do que nós. Nós que somos tão ciosos de nossa espiritualidade, de nossa “humanidade”, nem mais isso teremos… – Como é sabido o primeiro golpe narcísico foi Copérnico quem deu, tirando a Terra do centro do Universo e colocando-a na órbita do Sol; o segundo foi Darwin ao dizer que o homem descendia dos macacos e não de Deus (eu não sei pq tanta controvérsia em torno do darwinismo; já que todos nós, homens, macacos, plantas, pedras, descendemos todos de Deus :p); e o terceiro foi desferido por Freud, ao destronar a razão como soberana motivadora das ações humanas.

    Mas voltando ao aspecto positivo das críticas, talvez o mais positivo seja o mais duro de aprender, que só pela conduta dos grandes sabemos, que não podemos agradar a todos e devemos por princípio nos manter fiéis a nós mesmos…. até se queremos ser de alguma valia para o outro. Depois, uma crítica vindo de um idiota é um elogio a nossa pessoa, um indicativo bastante seguro de que o caminho que percorremos está indo na direção certa. rs.

    Portanto, vamos respirar profundamente, e seguir adiante…

    Quer um presente, Adi? Hoje na tua cidade está Elisabeth Roudinesco. A psicanalista francesa que esteve na Flip há uns 2 anos atrás falando a respeito de perversão… (olha o advento do bode expiatório aqui outra vez…) Pois bem, ela vai dar uma palestra hoje, às 19h, “de grátis”, num daqueles eventos promovidos pela parceria CPFL/TV Cultura. O tema da palestra é sobre o pensamento rebelde de três grandes combatentes da normatização da cultura: Foucault, Deleuze e Derrida. Imperdível pra mim, vou acompanhar pela Internet. Informações e direcionamento para ver no local ou ao vivo pela Internet dá para descobrir por aqui:

    http://www.cpflcultura.com.br/evento/campinas/01-06-10/luz-na-crise-foucault-deleuze-derrida-pensamento-rebelde-e-herancas

  7. Sem said

    >>>”Fugir da responsabilidade também não é coisa de criança, é coisa de adulto.”

    Elielson, que grande sacada! É verdade, a criança jamais foge da responsabilidade de ser o que é, de estar completamente dentro do seu momento. É-se sempre criança enquanto se consegue viver no presente puro. Já o adulto que se comporta como criança fora do seu tempo é a imagem da irresponsabilidade… esqueceu de crescer e estar presente no seu momento, que é outro do da infância. Não que o tempo adulto seja a época da sisudez, mas o riso do adulto por semelhante que seja ao da criança, não é igual ao dela… O riso do adulto que eu considero legítimo é o da alegria do bom encontro spinozista e o da potência do estar vivo daquele outro bigodudo que teve enormes sacadas, o Friedrich… não é rir dos outros, é rir-se com a vida…

  8. adi said

    Oi Sem,

    Acho que foi Troll mesmo, ficou preso na malha fina, e seguindo aquele velho conselho do Lúcio, deletei. Na verdade, não é a primeira vez, e nem que fiquei “incomodada”, talvez um pouco, e por isso aproveitei pra fazer uma crítica geral, no sentido que muitas pessoas gostam de generalizar, e dizer que “espiritualidade” é equivalente a fundamentalismo religioso, entorpecimento, alienação, etc…

    Obviamente pessoas que acham dessa forma não conseguem distinguir essa diferença, esses sim, são os verdadeiros limitados em seus próprios conceitos, e o que está além do túnel de realidade desses indivíduos, é generalizado sempre por baixo, pelo que se houve falar, ou o que passa na tv. Mas concordo plenamente com você, não vale a pena perder tempo com situações desse tipo.

    E de fato, nem ia escrever um post sobre isso, mas o interessante é que passeando pela net encontrei esse vídeo com o Jim Carrey contando sua experiência espiritual, e então surgiu essa vontade de escrever e dizer que essas experiências são reais, são acessíveis a qualquer ser humano que se abra interiormente pra esse aspecto, independente de religiões, independente de raça ou credo, de ser homem ou mulher…

    Olha, quanto as estatísticas do site, diria que estão surpreendentes, apesar de serem poucos comentaristas, aumentou muito a visitação diária, numa média de 270, várias vezes ultrapassando 300 visitações diárias, ontem fechou o mês de Maio com um record de um pouco mais de 8.000 visitas, nunca antes um mês chegou a tanto. Ano passado de um modo geral, foi bem mais baixo. Bom, né?

    “seria mesmo um derradeiro golpe narcísico para a humanidade descobrir que as máquinas além de calcular melhor do que ela (a humanidade, nós), na evolução (das máquinas, o homem mutante) ainda vão ter uma compreensão mais profunda da realidade do que nós.”

    Nossa! isso seria, não um golpe, mas uma punhalada bem no meio do peito, com requintes de crueldade. 🙂

    Super bacana essa dica sobre o Café Filosófico, qualquer dia desses vou me programar com antecedência pra assistir diretamente no local, parece que é por ordem de chegada. Hoje vou acompanhar via internet; agora, o tema é imperdível mesmo. 🙂

  9. Sem said

    Adi,

    Já percebeu como a expectativa é uma grande vilã rouba prazeres? Já te aconteceu, por exemplo, de vc esperar muito de um filme e ao finalmente assistir o dito cujo ele não ser nem a metade do que se esperava dele? no entanto um outro, sem expectativa prévia nenhuma, prender a nossa atenção do princípio ao fim?

    Eu gostei da palestra da Roudinesco, pero no mucho. Achei que ela foi excessivamente técnica – o que foi bom – mas ela se prendeu de tal forma em ler o conteúdo do livro que veio lançar no Brasil e foi nisso que se resumiu sua palestra… não é por nada não, seria eu uma professora ranheta? tudo bem que um palestrante elabore uma espinha dorsal do assunto que tenha para dizer e que consulte tópicos durante a palestra, mas o melhor de qualquer palestra é sentir o pensamento vivo do autor, que ele transmite olhando nos olhos da plateia… ouvir um autor ler do papel o tempo todo, preferível seria ir direto ao livro que considero mais produtivo. Mas o assunto foi ótimo, e valeu pela sobriedade da intelectual Roudinesco, nesse aspecto foi impecável…

    Vc gostou?

    Até…

  10. adi said

    Eu também achei que acabou ficando um pouco “chata” pela leitura, não prendeu muito minha atenção, pensei que seria mais dinâmico. Aí no final, com as perguntas dos participantes, pensei, agora vai ficar mais interessante… então foi o som que ficou ruim, a tradução se embolou junto com as perguntas, e entendi menos ainda :), além do que, essa foi a parte mais curta, e logo houve o encerramento.

    Agora, o bom de tudo, é que vai continuar sobre esses três filósofos durante o mês de junho, na próxima terça o assunto será : “Poder, imanência e luto originário: o que o momento do vivente deve a Foulcault, Deleuze e Derrida – por Frédéric Worms”.
    No dia 15, palestra sobre: ” A vida pode ser fora das normas? com Guillaume Le Blanc”.

    Bom, vc viu a programação? todas as terças, as palestras serão sobre o pensamento desse três filósofos sobre alguns assuntos interessantes.

    Terça que vem não vai dar pra assistir. Ainda bem que fica arquivado e podemos assistir depois.

    té +

  11. Fiat Lux said

    “Bom, talvez agora podemos dizer, que sentiremos “solidão”, mas talvez uma solidão menos solitária, compartilhada entre almas solidárias de um mesmo sentimento – venha sempre que quiser compartilhar e abrir seu coração aqui, ou deixar um comentário sobre qualquer assunto, aqui todos sempre acrescentam, e é isso que sempre fazemos aqui no Anoitan.”

    Obrigada pelo carinho Adi, vou comentar mais vezes aqui sim, só estou esperando passar minha fase de pisciana introspectiva!
    Por hora, essas palavras traduzem o meu estado de espirito no momento:

    “Quero me encontrar, mas não sei onde estou
    Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
    Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
    Tenho quase certeza que eu não sou daqui…”

    Bjs

  12. Elielson said

    Um pequeno olho se abriu, não sabia o que era errado e o que era certo, ele não sabia. Mas ele achou, um espelho, ele viu, se gostou, era bom, procurou, quis, ele se colocou.
    O espelho quebrou, ele não viu, achou mal, se odiou, era ruim, queria sair correndo.
    O pequeno olho se abriu.
    O pequeno olho chorou.
    Uma pequena orelha se abriu, ela ouviu:
    – O que vc imaginou ser bom?
    Uma pequena boca se abriu…
    Um pequeno olho se abriu…
    (Vale lembrar que os sentidos são deficientes)

  13. Roberto said

    valea lembrar que os sentimentos são deficientes ou não como diria caetano

  14. Roberto said

    os pensamentos acho que tambem são deficientes e traidores de nos mesmos o comentario a respeito da expctativa fala um pouco disso

  15. adi said

    Oi Roberto,

    “os pensamentos acho que tambem são deficientes e traidores de nos mesmos”

    Pois é, isso está relacionado com “formas pensamentos; memes e mesmo egrégoras”, no sentido de que na maioria das vezes somos controlados por esses pensamentos estranhos e nem nos damos conta…

  16. Voltei.

    Voltei, depois de meses, anos, décadas, desaparecido no turbilhão de frivolidades, raivas, agonias, burocracias e estagnação do dia-a-dia. Tinha escondido minha espiritualidade debaixo da minha “falta de tempo”, do meu cansaço e do meu corpo inteiramente engessado pela sociedade.

    Mas estou aqui, e estou bem melhor, só de ter lido esse post e visto esses vídeos, pois eu me lembrei o que é importante de fato. Me lembrei o porque de termos vindo, de estarmos aqui. Isso me dá forças para passar o meu espírito para minha vida, e não trancá-lo por causa dela. Quero sair do trabalho chato e maçante, quero fazer o que amo, e amar o que faço. Amar aqueles que me rodeiam e os que não. Quero ser maior que minha raiva, meus impulsos ruins, e amar também os que não gosto mais. Amar à distância, preciso admitir, mas ainda assim, amar.

    Fico feliz que Caio Fernando Abreu me tenha sido revelado nesse período, porque ele, com aquela sua amplitude de sutileza metafísica à brutalidade sexual manteve ali em mim aquela faísca que me dizia o que era necessário e bom pra mim.

    Adi, infelizmente, não é possível levar todos nessa Arca para nos salvarmos do dilúvio da materialidade. Há um motivo para “Deus” ter salvo apenas Noé, e isso não é de todo cruel. É só justo. Nós devemos estender a mão, se ela nos for estapeada, tiramo-la de lá. E esperamos. Se ela nos for pedida, oferecemos novamente. Sim, tem um quê de egoísmo e orgulho, mas também há um todo de humildade e carinho. É o yin-yang.

  17. raph said

    Não pude ver o vídeo ainda porque estou no trabalho… Mas me identifiquei com o texto. Sem dúvida, espiritualidade é sobretudo a sagrada liberdade de existir. Religião não é igreja (ou apenas igreja), por isso que sempre digo que minha religião pe meu pensamento…

    Também acho que esse texto tem a ver com o tópico:

    “Buscai a verdade como quem busca o horizonte.

    Pois vós sabeis: o horizonte está sempre à frente. Não adianta se virar para outra direção nem pegar um atalho. O horizonte está além de qualquer atalho, e seu reino jaz no fim de todos os caminhos.

    Mas não vos inquieteis com a imensidão do céu nem com a distância que vos separa da verdade. O infinito é dividido em eras, as eras são divididas em dias dos homens, e tais dias são divididos em momentos…

    A cada momento a sua preocupação, e a sua verdade. Não acheis que algum momento trará “a verdade”, mas ficais satisfeitos se encontrardes “uma verdade”.

    Povo de Orfalés, não busquem a verdade como quem busca um vaga-lume pela noite. Não confundais vaga-lumes com estrelas, nem pretendeis que ao agarrardes um com as mãos, que tenhais dominado uma verdade.

    Que a luz não se detém nem com as mãos nem com a razão. Ela escapa, flui por entre caminhos invisíveis, e só se revela nos sonhos de vossas almas.

    E as estrelas da noite, essas estão muito além do horizonte.

    Cabe ao homem buscar a verdade neste mundo, para somente após se arremessar rumo às estrelas.

    Que todos os dias dos homens são como um piscar de olhos da eternidade. E não há verdade que fuja dela. Toda a luz do mundo irradia da essência que está fora do tempo, além de vossos horizontes, no momento que é para sempre o mesmo…

    Mas não nos demoreis muito em tais pensamentos, nem pretendais serem desbravadores de novas eras. Que todas as eras já foram desbravadas, e todas as verdades já foram descobertas.

    Contentai-vos, portanto, em viver com alegria. Em buscar o horizonte não como quem quer salvar-se do mundo, mas como quem quer abraçar o céu inteiro, e dançar com as estrelas pela noite adentro…”

    http://textosparareflexao.blogspot.com/2010/05/busca-pela-verdade.html

    Abs!
    raph

  18. Sem said

    Raph,

    Eu vou dizer o seguinte, quando a gente pensa que não existe salvação, que o mundo está mergulhado em mediocridade eterna, na roda comezinha – circo, pão, poder, fama; que a humanidade está condenada a chafurdar nessa lama – de que é feita, e na qual se mistura e compraz -, até o último dos seus dias, não muito diferente do que foi o dia da sua criação; porque nada faz muito sentido nesse show de horrores dantesco, a não ser o girar dessa roda inescrutável destituída de misericórdia aos seres pequenos que sofrem… eis que – não Deus – a arte nos salva… não uma arte divina, mas humana, demasiado humana, inspirada ou não por deuses pagãos, pouco importa, vem através de uma música, de uma poesia, de um pensamento, ou de um testemunho, de outra vida que não se contém mais em si, e transborda… não é do delírio de um ser que atua para o próprio engrandecimento que estou falando, mas de alguém que acredita que a vida de todos é uma só e de que todos temos um mesmo destino; quando age, é para o engrandecimento de todos, e nos vem na voz de um reconhecido Gibran, ou de um desconhecido na Internet, não importa, é uma voz que nos dá testemunho de que existe algo além, uma inquietação que palpita igual a nossa, e nos traz esperança de que nem tudo está perdido e nem nós estamos sozinhos… se o nosso destino será trágico, não sei, se existe sentido na vida, não sei, mas, existe a beleza, e a inteligência e a compaixão; com certeza existe uma outra realidade, que se a gente quiser, será testemunha… são coisas reais e nada fantasiosas, são comuns, e, como não canso de repetir, muito humanas; testemunhos que por virem de seres tão frágeis (como nós), são de uma grandiosidade imensa… a consciência disso tudo, a consciência que o homem pode alcançar, me parece suficiente para continuar acreditando… acreditando em quê? nem no homem, nem em Deus, mas na vida… a vida existe, realmente, ela existe, rara ou não, é uma só no universo inteiro e palpita, acho que é isso que a gente escuta, ou sente, se fizer silêncio o suficiente…

    Teu blog é muito bom. Como esses dias eu conheci aqui outro, do Victor Lisboa, que fez um pequeno comentário por aí e eu descobri que escreve coisas muito inteligentes e divertidas, em estilo espiritualista mais literário. Acho que o Anoitan tem esse mérito de ser atrator desse tipo de gente que palpita de insatisfação por esse mundo de materialidade vulgar que querem nos vender como o único existente. Atrator pelo que eu percebo para gente que está a fim de ser melhor não acima ou a custa dos outros, mas ser melhor para os outros, com os outros, com a vida que nos é comum…

    Olha que eu tô enrolando pra dizer que eu tenho um blog de poesia e estou me dando a liberdade de copiar ‘ipsis litteris’ uma do Gibran que eu conheci lá no seu blog… e tão absurda de verdadeira ou bela que sei lá, essa poesia, como um meme que quer se propagar, eu não resisti. É essa aqui ó:

    http://textosparareflexao.blogspot.com/2009/11/na-floresta.html

    Obrigada e abs!

    —————————————————-
    Na floresta

    Na floresta não existe nem rebanho, nem pastor
    Quando o inverno caminha, segue seu distinto curso como faz a primavera
    Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
    Se ele um dia se levanta, lhes indica o caminho, com ele caminharão
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é o pasto das mentes,
    e o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor

    Na floresta não existe ignorante ou sábio
    Quando os ramos se agitam, a ninguém reverenciam
    O saber humano é ilusório como a cerração dos campos
    que se esvai quando o sol se levanta no horizonte
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é o melhor saber,
    e o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas

    Na floresta só existe lembrança dos amorosos
    Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram,
    seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos
    Conquistador entre nós é aquele que sabe amar
    Dá-me a flauta e canta!
    E esquece a injustiça do opressor
    Pois o lírio é uma taça para o orvalho e não para o sangue

    Na floresta não há crítico nem sensor
    Se as gazelas se perturbam quando avistam companheiro, a águia não diz: ‘Que estranho’
    Sábio entre nós é aquele que julga estranho
    apenas o que é estranho
    Ah, dá-me a flauta e canta!
    O canto é a melhor loucura
    e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais

    Na floresta não existem homens livres ou escravos
    Todas as glórias são vãs como borbulhas na água
    Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro,
    não diz: ‘Ele é desprezível e eu sou um grande senhor’
    Dá-me a flauta e canta!
    Que o canto é glória autêntica,
    e o lamento da flauta sobrevive ao nobre e ao vil

    Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
    Quando o leão ruge não dizem: ‘Ele é temível’
    A vontade humana é apenas uma sombra que vagueia no espaço do pensamento,
    e o direito dos homens fenece como folhas de outono
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é a força do espírito,
    e o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis

    Na floresta não há morte nem apuros
    A alegria não morre quando se vai a primavera
    O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração
    Pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos
    Dá-me a flauta e canta!
    O canto é o segredo da vida eterna,
    e o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência

    Gibran Khalil Gibran

  19. raph said

    Que isso, fica a vontade… Se quiser posta o vídeo também, que em todo caso está lá no YouTube para quem quiser ver…

    Muito bonito seu cometário/resposta, bem mais do que eu esperava ler ao retornar hehe, obrigado.

    Realmente, o que existe é a vida, o milagre deste momento:

    “Este é o momento que realmente nos importa, meus irmãos: a vida se vive neste farfalhar de grama, nesta brisa incessante, neste aroma eterno de primavera…”

    Abs!
    raph

  20. Sem said

    Raph, não liga, eu sou meio entusiasmada no discurso às vezes – não é por acaso que sou professora – as palavras vêm, sem pedir licença, se é pra defender algo que acredito…
    Tudo o que eu disso é exatamente como eu sinto.

    Vou ficar leitora do seu blog agora. Essa combinação de assuntos espiritualistas, filosofia com poesia é demolidora. 🙂

    Abs

  21. raph said

    “Vou ficar leitora do seu blog agora. Essa combinação de assuntos espiritualistas, filosofia com poesia é demolidora.”

    Seja bem vinda… Abs!

  22. adi said

    Oi Eduardo,

    Que bom que você voltou! já estava sentindo sua falta, mesmo. Passava lá no Animus Mundus e estava tudo quietinho…

    Olha, te entendo perfeitamente, acontece mesmo da gente se voltar pro exterior, pra fora, e esquecermos nosso lado espiritual, muito embora, faz parte também da gente vivenciar só esse outro lado, difícil é o equilíbrio desses dois pólos opostos, interior/exterior, espiritual/material. Parece que é mais fácil sermos arremessados de um lado pra outro, ora somos totalmente o lado espiritual, ora o material; e isso causa confusão, gera conflito interior, e uma cobrança de nós mesmos.

    “Quero sair do trabalho chato e maçante, quero fazer o que amo, e amar o que faço.”

    Já dizia o grande sábio: “Se você seguir seu entusiasmo, estará se colocando em uma espécie de trilha que já estava ali o tempo todo, esperando por você, e isso fará com que a vida que você gostaria de estar vivendo torne-se realidade. Não importa onde você esteja – se persistir seguindo seu entusiasmo, sentirá esse júbilo, essa vida dentro de si mesmo, todo o tempo”.
    Joseph Campbell (O Poder do Mito).

    “Fico feliz que Caio Fernando Abreu me tenha sido revelado nesse período”

    E você o revelou pra mim, não conhecia esse escritor, gostei dos textos dele.

    Abs 🙂

  23. adi said

    Oi Raph,

    “Não pude ver o vídeo ainda porque estou no trabalho… Mas me identifiquei com o texto. Sem dúvida, espiritualidade é sobretudo a sagrada liberdade de existir. Religião não é igreja (ou apenas igreja), por isso que sempre digo que minha religião pe meu pensamento…

    Também acho que esse texto tem a ver com o tópico:

    “Buscai a verdade como quem busca o horizonte.” ”

    Tem tudo a ver com o post, aliás, bonito demais, lindo mesmo… são coisas belas assim que faz a gente continuar acreditando, continuar mesmo quando tudo nos parece estar indo em direção contrária… é sempre como um frescor na alma, um sopro que rejuvenesce o que nos impulsiona, e então, faz tudo valer a pena. Obrigada!

    abs.

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