Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Sobre Egrégoras

Posted by adi em maio 28, 2010

Desde o último post, venho pesquisando sobre plano astral segundo algumas tradições, e também em termos da psicologia junguiana, com o objetivo de fazer uma analogia entre elas, o que, pra minha surpresa, não é que uma coisa leva a outra, que se emenda com outra, e assim, o post mesmo sobre plano astral vai ficar mais pra frente, talvez como uma continuação deste aqui.

Uma das coisas que acho bem interessante no meio ocultista é a importância que se dá para a egrégora, ou ao grupo ao qual se pertence, e sobre os benefícios de ficar sobre a égide de tal força. Aos que buscam a total realização espiritual, tal força pode até ser um empecilho.

Mas o que são egrégoras exatamente, e como essa força pode nos ajudar ou atrapalhar em nossa caminhada?

Direto do Wikipédia:  Egrégora, ou egrégoro para outros, (do grego egrêgorein, Velar, vigiar), é como se denomina a entidade criada a partir do coletivo pertencente a uma assembléia. Segundo as doutrinas que aceitam a existência de egrégoros, estes estão presentes em todas as coletividades, sejam nas mais simples associações, ou mesmo nas assembléias religiosas, gerado pelo somatório de energias emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. Assim, todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características: as empresas, clubes, igrejas, famílias, partidos etc., onde as energias dos indivíduos se unem formando uma entidade (espírito) autônomo e mais poderoso (o egrégoro), capaz de realizar no mundo visível as suas aspirações transmitidas ao mundo invisível pela coletividade geradora, ou seja, sua ideologia. Em miúdos, uma egrégora participa ativamente de qualquer meio, físico ou abstrato.

Como vimos então, egrégoras são formadas pelas formas-pensamentos criadas a partir da união do mesmo pensamento em comum de uma assembléia, de um grupo, ou seja do coletivo reunido com o mesmo objetivo. Quanto mais forte e mais frequente for essa egrégora, mais força vai acumulando, se tornando uma entidade autônoma.

Pensamentos e sentimentos fracos criam egrégoras mal definidas e de pouca vida ou duração, porém pensamentos e sentimentos fortes criam egrégoras poderosíssimas e de longa duração. Existem egrégoras positivas que protegem, atraem boas energias e afastam cargas negativas, e egrégoras negativas que fortalecem o pensamento negativo, os vícios do qual o sujeito quer escapar mas como uma força maior que ele, o compele a sempre repetir o mesmo padrão de comportamento.  Está aí, a origem dos espíritos  obsessores, porque a egrégora pela força que possui se torna uma entidade autônoma, o qual ainda, nossa psiquê só interpreta através de imagens, por isso a personificação, e a tendência a crermos que o plano astral é povoado por entidades e espíritos os mais diversos, desde espíritos ou almas repugnantes e sombrias, espíritos de luz que nos protegem, até mesmo anjos e devas, demônios e outros seres elementais.

Verificamos que são as formas-pensamentos que dão origem a egrégoras, egregóras essas que também podemos chamar em outras palavras, de “memeplex” (memeplex é um conjunto de memes ou formas-pensamentos). Tem um post interessante sobre isso, aqui, onde verificamos que memes são o equivalente aos condicionamentos.

Pois bem, então egrégora é equivalente de certa forma a condicionamentos, que como já visto em outros posts, são os condicionamentos que nos impedem de perceber a realidade tal qual é. O problema maior, é que pelo visto, tudo o que se relaciona com a sociedade e cultura de um povo, estão relacionados com algum tipo de egrégora. Estamos inseridos na sociedade, somos cidadãos, e nos relacionamos com o mundo.

Segundo Jung, a identificação do indíviduo com o grupo (egrégora) é um caminho simples e mais fácil, na egrégora nos sentimos protegidos por sua força, o indivíduo pode obter um entusiasmo e incentivo que o leve a praticar ações nobres, solidariedade, etc.  Mas no grupo ou coletivo, devido a grande força de sugestão,  a experiência tende sempre a ser num nível de consciência inferior ao do indivíduo, pois é inevitável que a psicologia de um grupo de pessoas desça a um nível mais baixo, por esse motivo é duvidosa a moral de grandes organizações.  O indivíduo na multidão torna-se facilmente uma vítima de sua sugestionabilidade. Só é necessário que algo aconteça, por exemplo, uma proposta apoiada por todos para que cada um concorde, mesmo que se trate de algo imoral. Na massa não se sente nenhuma responsabilidade, mas também nenhum medo. Por isso também a multidão humana, ou grandes grupos, egrégoras, como de uma nação por ex., time de futebol., etc., são grandes incubadoras de epidemias psíquicas, tal como a projeção de conteúdos reprimidos do coletivo (sombra) serem projetados em outras nações, em outros grupos, do qual o indivíduo não participa, e verificamos isso em guerras e grandes perseguições de um grupo a outro.  Os acontecimentos da inquisição, da caça as bruxas, da Alemanha nazista, da atual guerra santa, são os exemplos desse fenômeno.

Egrégoras (ou memeplex), se equipara ao que na psicologia junguiana é conhecido por complexos. E devido a tudo isso exposto acima, verificamos que egrégoras também são o mesmo que o sistema de aprisionamento que rege a sociedade como um todo, a matrix ou sístase,  ou seja, são os condicionamentos que distorcem a nossa percepção do real.

Na continuação desse post sobre egrégoras, outras comparações com o plano astral, Cabala, ego e karma.

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12 Respostas to “Sobre Egrégoras”

  1. Anarcoplayba said

    Meh. N concordo em grande parte.

    A egrégora como guia da massa eventualmente pode ser negativo. Mas que tal pensar na Egrégora como uma obra coletiva?

  2. adi said

    Na continuação desse post, além de colocar outras analogias sobre egrégora, pretendo esclarecer como podemos, através da magia ou mesmo meditação, nos utilizarmos dessas mesmas energias positivamente como instrumento pra “desvincular do fascínio e atratividade” que tais egrégoras exercem sobre nós.

    É uma tendência da gente ir se apartadando da psicologia de massa e ir adentrando, se iniciando num outro tipo de egrégora, porém ainda de maior poder grupal devido ao controle da força do pensamento dos indivíduos que ali participam ( do tipo que não se deixa levar pelas forças, mas que utiliza da própria força). Mas ainda assim, do ponto de vista da Mônada/Centelha/Kether há ainda uma “limitação” enquanto a consciência se identificar com grupos, que inevitavelmente nos separa de outro grupo.

    O objetivo seria dizer como o Apóstolo Paulo: “Estar no mundo mas não pertencer a ele”.

  3. Elielson said

    O que penso ser ruim nos grupos em questão é que um individuo pode creditar ao grupo uma extensão de seu individuo, porém os individuos dentro de grupos, ao permitirem ou agirem como se um individuo prevalecesse sobre outro, prejudicam o grupo e prejudicam o individuo. A observação esperando a convêniencia como uma seleção do que se deve observar ou a determinação da aplicação que se fará com os frutos da observação são poderes individuais, pelo menos eu acredito que sejam, porém o grupo pode refletir isso em força, pode potencializar somente no que se refere a força, aumentando a observação individual em muitos casos, mas em muitos outros, infelizmente, limitando. Então até que ponto o individuo afetaria a egregora e até que ponto a egregora afetaria o individuo? Tomemos a magia como exemplo, a ritualização, os principios e quebras de circulos, o movimento inefavel, bem, se chegar meia duzia de politicos no meio de um grupo acostumado a tentar lidar com magia, relativizam o alvo (a etimologia de alvo é ironica pra caramba também), convertendo o valor do que categoriza o individuo, individuo que assume que em nenhum momento a ordem impressa em folhas ou no pleroma é maior do que aquilo que se é, daí eles relativizam até que se obtenha uma verdade que vai ferrar com o cara e fazê-los heróis que poderão comprar coisas legais pra eles e pros chegados deles, botando toda egregora em questão para funcionar agora abaixo do individuo( porém, através de um discurso que a põem acima)? Agora, se assassinato e martirio é simbolismo de reentrada no um, dai não sei, mas é pano pra manga de relativismo também. Agora, em vez de grupos projetarem rejeições em individuos dentro deles ou grupos externos (isso se não fizerem do individuo uma coisa externa ou exclusivamente interna…), bem, poderiam esses grupos exaltarem o grande ponto de interrogação até que os apocalipses aconteçam, ou poderiam coletar dados sabendo que não há um numero de dados x que se pode ser coletado.
    Eu sempre assisto educadores falarem, po, tem uns que botam pra quebrar mesmo, mas quando eu vejo um ou outro dizendo algo sobre determinada instituição ou determinado individuo sobre os quais e somente ao redor dos quais pode se desenvolver alguma coisa, daí eu penso, ta aí, depois reclamam da falta de freio, nenhuma parede vai vir te guiar em jornadas a você, e nenhuma coisa morta por assim dizer vai te tornar melhor ou pior além do que você mesmo pode fazê-lo, mas isso é crença pessoal.

  4. adi said

    Oi Elielson,

    É um assunto um pouco complicado sobre as “egrégoras”, porque percebemos que tudo de certa forma é algum tipo de egrégora, por ex., aqui mesmo no Anoitan é um tipo de egrégora que se formou, do pessoal que mesmo não comentando, vem diariamente ler o blog, e se de certa forma, estamos aqui reunidos em torno de um pensamento em comum, ou de alguma coisa que concordamos, então é uma egrégora também.

    E há vários e vários tipos de egrégora, como está no post, a família é uma egrégora, a cidade que moro é uma grande egrégora, quando os indivíduos se reúnem na igreja se forma uma egrégora, no comício, numa passeata, os funcionários de uma empresa, os alunos de uma escola… enfim, não temos como escapar muito disso, afinal vivemos em sociedade.

    No caso das egrégoras religiosas, que de certa forma, são sim formadoras de opinião, o que vemos na maioria delas são os “limites e proibições” impostos sobre seus participantes em troca de momentos agradáveis que a egrégora proporciona. E é exatamente através das “proibições” que a egrégora retira e fortalece seu poder. Observamos que esse sistema repressor é exatamente igual à sístase ou sistema de repressão interiorizado em cada indivíduo.

    Acontece que os menos preparados não se importam com isso, e parece que a grande maioria da população não se importa em ter algum dirigente, de entregar suas escolhas nas mãos de uma entidade que resolva e decida por ela o que é moral, certo e errado, etc. O estado também cumpre esse papel, quando escolhemos/votamos num político pra nos representar, estamos entregando de certa forma nosso direito de decisão e escolha nas mãos daqueles que nos representam, que nos identificamos, que achamos ser o melhor no momento. Como nesse caso é a ideologia da massa que tem a força, vemos um governo extremamente corrupto e a maioria não se importa porque no fundo é o que todos fariam se estivessem lá.

    O problema das egrégoras, especialmente as que visam o desenvolvimento espiritual, é que elas de uma certa forma são sempre limitantes, porque algum indivíduo que “supostamente” tem mais conhecimento (poder), sempre decide “por você” quando você está pronto pra receber algum ensinamento ou o próximo ensinamento; mas quem de fato é preparado pra decidir se você está pronto ou não? É complicado, eu particularmente sou um pouco avessa com relação à hierarquias.

    Agora o ponto que achei interessante sobre isso, é que a “ideologia” (formas-pensamentos) de uma egrégora, quando ainda essa ideologia é “nova” pro neófito de certa forma é libertadora, porém, quando isso já não oferece mais que o apoio ou suporte, podem ser equiparados com condicionamentos, condicionamentos que queiramos ou não são de certa forma limitantes, limites são sempre de natureza repressora, são equivalentes a sístase. Na medida de nosso desenvolvimento nós mudamos de egrégoras várias vezes, porque mudamos nossa maneira de pensar, então somos introduzidos seja por semelhança vibratória, ou os iguais que se atraem, numa nova egrégora… e faz parte da natureza humana participar de um grupo, talvez por necessidade de acolhimento, de suprir a solidão espiritual, que não é solidão por falta de pessoas ao seu lado, mas por falta de ter alguém que pense igual, que te diga eu sei como é isso porque já experienciei isso também… e acho que é essa a parte boa da egrégora, o opoio de alguém “mais experiente” que te conduza por um caminho cujo o próprio já caminhou e conhece portanto, mas com um porém, de que “esse mais experiente” só pode te levar até onde ele mesmo já foi, não além, a partir daí é uma barreira, um limite, um empecilho…

    Eu imagino essa mudança até a consciência abarcar a esfera do mundo, onde em simultâneo é cada um dos pontos que estão em todos os lugares e em lugar algum…

    Mas, também tudo isso que falei, é crença pessoal. 🙂

  5. adi said

    Ahhh, esqueci de te dizer que concordo com o que você disse Elielson.

  6. Elielson said

    Como num combate contra a solidão todos em algum momento cedem. Cedem a união com o diferente, a união contra o diferente, a união dos iguais, no mais das vezes o tédio faz até união contra o iguais. Não se sabe ser vivo após muito tempo morto, mas é questão de esperar, engatinhar… ver qual é que é, mesma coisa para quem é alforriado, apenas por estar livre de uma ordem, que a palavra imita muito bem, e quem sabe pode até sê-la em longo prazo… Já que é ordem quando se trata de dizer que a herança foi pouca e além de tudo quem ficou com a grama mais verde foi Deus, ou qualquer arquétipo de ordenador, desde o big bang até a covardia de duração humana milenar antepondo miseros 70 e poucos de expectativa de vida, pô, nesse caso é tentador ficar com o lado que tá durando tanto tempo (mesmo que tenhamos que desenhar uma linha pra frente), daí a aceitação como humano no tempo faz com que criação seja coisa do passado, mas a ironia é que pra isso, se cria um passado, então a ordem se torna util quando vem dizer como se deve dizer o que se sente, mesmo que para isso tenha que apertar ou alargar o que se é, para descrever segundo os patronos,e assim eles poderem dizer: ok, permitido se movimentar, permitido viver. Mas a ordem não é tão efetiva e legal quando não anda de carona na tradição, quando alguém vê que tá saindo ordem individual exclusa pelos cantos da boca, mesmo enquanto repetimos os clássicos. Não, não é obrigação de ninguém trocar a ordem pela própria ordem (nova ordem individual) como se renovasse uma aliança inquebrantavel (mas vai que é né?), nem também é obrigado a ir pegando um novo conjunto de regras de um cara bem sucedido na relativização e substituir pela ordem que serviu como a base pra se chegar ao momento da experiência pura, pela qual vaza sua ordem individual, experiência que deixa o individuo na solidão da mais pura verdade, no caos e na paz, no deserto da imediatez do poder sobre a realidade. Mas pelo bem do uno em nossos umbigos, precisamos da primeira coisa que pareça com a verdade de dois.
    Há intenção em usar palavras no estar :S, Essas palavras estando ou não em todos os espaços, estão no individuo, que não peca quando vê iguais, nem quando vê diferentes, mas que peca quando deixa de fazer algo com medo do que os outros vão achar ou fazendo contanto que achem, mesmo que o fazer ou não-fazer em questão signifique matar a verdade em homenagem a ordem, que é muito mais útil a referência memorial do que a vida na integra, muito mais util a repetição da ordem que nos diz o que é o nosso coração, que diz ao individuo o que ele é… essa ordem que imprime coisas entre o se lê e o que se escreve, entre o que se ouve e o que se diz… entre o que se sente e o que sente, entre as vidas individuais, fazendo-as piores ou melhores, essa ordem que termina com a palavra morte.

  7. Sem said

    Adi,

    Que eu posso dizer? bom te ler? sensacional é pouco. Ainda mais num sábado de sol assim, quase já finzinho de tarde, conversar de um assunto assim, assunto de verdade com gente de verdade, quando venho de uma semana meio moída por pressões das “egrégoras”… tô brincando, mas é que são tantas as solicitações que nos vêm de fora que às vezes nos sentimos mesmo como esmagados por um rolo compressor.

    >>>”Eu imagino essa mudança até a consciência abarcar a esfera do mundo, onde em simultâneo é cada um dos pontos que estão em todos os lugares e em lugar algum…”

    (rsrsrs) como é que é, a esfera de Pascal, por Borges: “Uma esfera espantosa, cujo centro está em todas as partes e a circunferência em nenhuma.”? Ah! 🙂

    Bom, o mais bacana é que estou, por caminhos paralelos, lendo sobre o mesmo assunto – vc sabe, o tal do “bode expiatório”. Estou no fim do livro do Girard – do qual gostei bastante e teria muito a dizer, mas só vou fazer um comentário parcial agora. Girard só cita Freud para dizer que não pensará pelos parâmetros psicanalíticos, mas, o que ele faz é pensamento embasado em psicanálise o tempo todo, queira ou não queira… Girard só é inteligível hoje justamente pq temos essa noção primeiramente desenvolvida por Freud dos mecanismos do inconsciente. O que estou me referindo aqui é a conceitos psicanalíticos puros, da luta interna de cada ser humano e que se manifesta em atitudes no exterior, atitudes que para Freud eram compreendidas como a luta eterna entre a “pulsão de morte” e a “pulsão de vida”. É o movimento que Freud chamou de “libido”, o motor do homem, e que faz raiz no corpo, por isso insistiu que a psique tinha como princípio a sexualidade… Um materialista e tanto foi esse Freud… De fato, sem o conceito de pulsão de morte seria difícil compreender de todo as tramas subjacentes da – vou chamar de advento – escolha e sacrifício de um bode expiatório… Jung falou numa outra linguagem, semelhante e diferente, transcendeu a perspectiva da sexualidade exclusiva da psicanálise e por isso viu algo que Freud não imaginou, uma realidade psíquica que nos conecta, mais próxima de um paradigma quântico do que newtoniano… O conceito de Psique Objetiva de Jung é igualmente fundamental para a minha compreensão do pensamento do Girard. Mas eu sempre vejo as duas teorias (Freud e Jung) uma em complemento da outra…

    Como estava dizendo, ando meio p da vida com algumas coisas e por isso nem quero falar sobre elas, para não engrandecê-las ainda mais nessa semana. Vou sair pela tangente, vou pela arte… a arte sim tem o poder de nos salvar. Vou deixar para outro momento em que esteja mais forte falar da malevolência no coração do homem, ou do controle das instituições sobre os nossos atos. Eu fico deprimida, sabe?, com o uso do homem pelo homem, tal como mercadoria, da qual se dispõe como a um objeto e não se observa a subjetividade.

    Existe uma dicotomia negativa entre indivíduo e sociedade que precisamos transpor, como o Jung fez, e transformar em outra relação mais positiva, ou seja, transpor do X para o &, do ‘versus’ para o ‘et’, como naquele meu esquema didático de discorrer a respeito do que ou quem compete e colabora entre si… Ah, sim, a questão é somar nas relações, são INDIVÍDUOS em RELAÇÃO afinal… e, sendo nós sujeitos de relações, o outro ganha poder de nos afetar…

    Lembrando dos bons afetos do Spinoza, em sintonia com a arte, isso a meu ver é o que faz viver a alma do mundo – só possível através de um pensamento holístico sobre a realidade. Essa é a matriz do conhecimento no meu linguajar capaz de agregar, o pensamento ecológico onde tudo está em relação e tudo interfere em tudo.

    A rede do mundo em conexão (aquela imagem que vc gostou no post do Borges) não é para ser uma má egrégora, não mesmo… Agora, não há como negar o evidente combate pela vida que há em Gaia. Sim, pq é da vida de Gaia que se trata… e porque é vida, é violenta, ou gera violência. É muitas vezes pelo movimento brusco e radical que Gaia demonstra estar viva, pela sucessão cíclica e renovada dos elementos que ela mostra sua vital exuberância. O que compõe Gaia é água, terra, fogo e ar. Nada de novo se está dizendo (disse o Borges), e grandes vivas a Empédocles e aos pré-socráticos que já disseram isso por primeiro entre os gregos. Antes deles disse o oriente, com a sabedoria do milenar I Ching, que nasceu com a cultura chinesa praticamente. A luta em Gaia – a boa luta – é a renovação constante de um elemento pelo outro. Enquanto essa harmonia for possível, existirá o planeta. Esse que chamamos Terra e é a única casa que temos e teremos para viver… O homem é só uma pequeníssima parte nessa história de vida em Gaia, começou sem a nossa presença e vai acabar sem o nosso testemunho. O que cabe ao homem é se reconhecer como integrante desta natureza, quer dizer, somos indivíduos (os átomos não divisíveis de Demócrito) em conjunto (o Ser uno de Parmênides). Não é uma coisa OU outra, é uma E outra. Bom, para concluir meu pensamento, se há uma relação entre indivíduos, haverá naturalmente interesses divergentes nessa relação. Mas por haver divergências, não precisamos moralizar os lados, separando o bom do mal. É verdade que cada um deve ter e ser fiel a seus valores, quanto mais sejam seus, legítimos, e não os da “egrégora”, mas por fim moralizar é sempre escolher conforme os interesses próprios, nada muito diferente disso… Afinal sempre haverá dos mais variados interesses qd duas ou mais pessoas estiverem reunidas, e isso não faz necessariamente as pessoas boas ou más nas suas essências, quer dizer apenas que os interesses são múltiplos em qualquer relação, e justo isso faz a riqueza ou a vida da relação… Voltando, pra encerrar esse pensamento, é da vida de Gaia que se trata… então, o leão não é “mau” por comer a gazela, a gazela ruim por viver do capim, o capim por sugar da terra, a terra do fogo, o fogo da água. Essa relação vida & morte é apenas a troca de um elemento pelo outro, e de fato é paradoxal e desconcertante ao homem, que se pensa como homem e sabe que é limitado e mortal. Pelo menos isso, o homem tem essa grandeza de ter consciência de sua pequenez… A vida é assim, para o homem, um paradoxo. Fora do paradoxo é do campo das “certezas”, são do campo das especialidades e das teorias dicotômicas que recortam a realidade até o ponto de as mutilar. Não tem o meu apoio como as grandes teorias que sustentam a vida, pois jamais podem dar conta de explicar a complexidade que é a vida, além de parciais, algumas até envenenam o homem contra Gaia…

    Se o desequilíbrio dos elementos for insistente, durante muito tempo, será capaz de matar a vida? o homem sofreria no mínimo; e, valha-me, que a alma do mundo tem uma relação estreita com o homem… e isso é muito triste ver morrendo…

    Por isso temos responsabilidade em construir boas egrégoras por aí. Juntos podemos nos consolar e talvez com sorte e bom trabalho até nos salvar, quem sabe…

    “Quando duas ou mais pessoas estiverem reunidas em meu nome”

    Isso vale para qq evocação, do Cristo ao demônio. Egrégoras são poderosas pq é sonho conjunto, e como disse um certo camarada, sonho sonhado junto vira realidade.

    Como vc disse, e bem, existe um lado bom e construtivo nas comunidades, e complemento, às vezes é o próprio lado ruim que nos leva a refletir e procurar viver o bom…

    Ou seja, como existe o cidadão existe o indivíduo, existe a multidão e a comunidade. São aspectos negativos e positivos de fenômenos assemelhados, mas não idênticos.

    Será que nós aqui temos uma egrégora? se temos, ela é forte ou fraca? positiva ou negativa? as duas primeiras nem penso em responder, mas da terceira posso dizer que me esforço para que se houver algo a ser construído aqui, que eu seja um agente o mais positivo possível dentro desse contexto de blog.

    Amor é uma palavra tão desgastada que tenho até medo de empregar, mas é disso que se trata, de amor pela vida. Eros ‘et’ Psiquê. O espírito ascende e a alma desce. É o movimento natural que fazem, não importa a explicação que se dê, é esse o movimento… Isso é Cabala ou Tantra? É errado dizer que o amor está em eros apenas, na subida, o amor está é na relação, no movimento interessado de um em direção ao outro. E o amor acontece no corpo humano, melhor, quando o espírito encarna num corpo de homem, e só pode se encarnar se o corpo estiver vivo e se permitir habitar por deuses, e deve ser por isso também que só num corpo consciente é que é possível receber a iluminação…

    Tem uma artista e fotógrafa australiana que é bárbara: Emma Hack. Não sei como conceituar seu trabalho, arte contemporânea talvez? mas ela é doce demais para que o seu trabalho seja considerado conceitual ao gosto da escola Duchamp, falta-lhe a ironia… ela pinta corpos e depois os fotografa, chama-se body painting. De uma beleza do mais puro mimetismo, do bom:

  8. adi said

    Bom dia Elielson,

    “mesma coisa para quem é alforriado, apenas por estar livre de uma ordem, que a palavra imita muito bem, e quem sabe pode até sê-la em longo prazo”

    E eu diria ainda, que se trata da servidão interior. A verdade é que nós mesmos é que nos liberamos, ou nos libertamos, ou melhor, na verdade já somos todos livres, já somos a mais pura expressão do Grande Ser, mas não percebemos.

    Jesus disse: “Quem conhece o Todo, mas está privado de si mesmo, priva-se do Todo.” …. Não é uma questão de dizer: ‘eis que ele (o Reino) está aqui’ ou ‘eis que está ali’. Na verdade, o Reino do Pai está espalhado pela terra e os homens não o vêem.”

    É sempre uma questão de percepção, temos que alterar nossa percepção, aquilo que Don Juan ensina pra Castaneda: “Ver é diferente de olhar, porque VER encerra todo um processo no qual um homem de conhecimento percebe a Essência das coisas do mundo”.

    “desde o big bang até a covardia de duração humana milenar antepondo miseros 70 e poucos de expectativa de vida,”

    E você me falando em big bang me fez lembrar que a ordem da manifestação cósmica, para o surgimento da vida, é o agrupamento. Desde o agrupamento das partículas no microcosmo, até sistemas solares, constelações, galáxias, aglomerados… 🙂

  9. adi said

    Oi Sem, bom dia também.

    “Que eu posso dizer? bom te ler? sensacional é pouco. Ainda mais num sábado de sol assim, quase já finzinho de tarde, conversar de um assunto assim, assunto de verdade com gente de verdade, quando venho de uma semana meio moída por pressões das “egrégoras”.”

    Obrigado, eu também adoro conversar sobre esses assuntos. Eu tenho comigo, que aqui na nossa pequena egrégora é mais ou menos como uma mesa redonda, pra filosofar e trocar e acrescentar… é sempre uma soma pra mim. Verdade, vocês não imaginam o quanto tenho aprendido com todos vocês, sempre me fazendo ver além do meu próprio mundo. Mas de fato, egrégora de certa forma, ou principalmente às do contexto da sociedade, as instituições, nos cobra a “libra de carne” simplesmente por estarmos nela, somos obrigados a seguir suas regras…

    “A rede do mundo em conexão (aquela imagem que vc gostou no post do Borges) não é para ser uma má egrégora, não mesmo… ”

    E não é mesmo, se vista como que “ANTERIOR” à própria concretização/manifestação da rede, ou seja, é ANTERIOR “& (et)” é REDE/CONEXÃO em simultâneo, o problema é que só vemos uma parte dela, a parte manifesta aqui, e assim vemos tudo em separado, não vemos sua parte de conexão…

    “Voltando, pra encerrar esse pensamento, é da vida de Gaia que se trata… então, o leão não é “mau” por comer a gazela, a gazela ruim por viver do capim, o capim por sugar da terra, a terra do fogo, o fogo da água. Essa relação vida & morte é apenas a troca de um elemento pelo outro, e de fato é paradoxal e desconcertante ao homem, que se pensa como homem e sabe que é limitado e mortal. Pelo menos isso, o homem tem essa grandeza de ter consciência de sua pequenez… A vida é assim, para o homem, um paradoxo.”

    Sem, todo esse parágrafo que vc escreveu, me fez lembrar de Joseph Campbell. Lá no “Poder do Mito” ele explica sobre isso. Ele compara Gaia como o Urobouros, a serpente que morde a própria cauda, sugerindo que a VIDA OU GAIA como manifestação se alimenta de Si-mesma, ela gera a vida e devora a vida. Nesse sentido é como Saturno, como Binah a Grande Mãe geradora e progenitora, que ao mesmo tempo é como Saturno com sua foice, ceifando a vida, ou trazendo a morte. A eterna transformação dos elementos, o eterno movimento que só cessará no Kali Yuga…

    ” Por isso temos responsabilidade em construir boas egrégoras por aí. Juntos podemos nos consolar e talvez com sorte e bom trabalho até nos salvar, quem sabe… ”

    Eu acho que nós como homens que somos, e como Gaia é a totalidade da vida como um todo, somos “umas das” expressões da própria vida. A VIDA como homem, busca auto-consciência. Ela a VIDA/GAIA como essência que é, é infinita/eterna, então entendo que se não der certo sua manifestação como “homem”, ela assumi nova forma, talvez algum outro tipo de macaco possa vir a ser a expressão da Consciência dO IMANIFESTO no MANIFESTO… pois é, e o paradoxo continua.

    “Será que nós aqui temos uma egrégora? … posso dizer que me esforço para que se houver algo a ser construído aqui, que eu seja um agente o mais positivo possível dentro desse contexto de blog.”

    É uma grande possibilidade de que o Anoitan seja sim uma pequena egrégora, e eu acho que é uma egrégora mais do tipo de “livres pensadores”, assim espero, onde “somamos” e agregamos. Tem sido assim do meu lado. Acho que já disse isso antes, mas participar aqui, quando coloco minhas idéias, e quando vocês colocam seus pontos com relação a isso, só posso agradecer, pois ao assimilar ainda outros pontos, mais coisas se ligam, novas idéias surgem… é, tem sido minha maneira de continuar aprendendo e desenvolvendo meu espiritual. Todos aqui tem sido meus mestres, pois sempre deixam um ensinamento, um aprendizado.

    É, parece que o principal papel das egrégoras e justamente trazer mais “consciência” de si através do grupo. Cada participante é como um espelho que reflete o interior do outro, seja o interior que apreciamos ou o que não apreciamos, mas independente, são projeções de nós mesmos, e que ainda não conseguimos aceitar, nos conscientizar em nós. A partir do momento que somos conscientes disso, mudamos de egrégora, como uma assimilação de novas coisas, de novos complexos, vamos resgatando o que “nos pertence” e individuando-nos…

    Lindo o trabalho de Emma, a arte é sempre critatividade, é a expressão do novo, por isso embeleza a vida. 🙂

  10. Sem said

    >>>”Eu acho que nós como homens que somos, e como Gaia é a totalidade da vida como um todo, somos “umas das” expressões da própria vida. A VIDA como homem, busca auto-consciência. Ela a VIDA/GAIA como essência que é, é infinita/eterna, então entendo que se não der certo sua manifestação como “homem”, ela assumi nova forma, talvez algum outro tipo de macaco possa vir a ser a expressão da Consciência dO IMANIFESTO no MANIFESTO… pois é, e o paradoxo continua.”

    Pensando friamente é o que deve acontecer no longo prazo mesmo…

    Mas nesse caso não acredito que nos substituirá nenhum primata, sequer outro mamífero… talvez a mais realista opção não seja biológica… mas, se for, aposto nos insetos, parecem ter maior resistência e tamanho mais ergonômico. As baratas, por exemplo, estão entre as criaturas que aguentam frio e calor extremo, até radiação, o problema é que são burras… por isso é mais provável que a terra seja colonizada num futuro distante por outros insetos mais inteligentes, colônias de abelhas ou formigas, quem sabe?

    Mas o destino do homem ainda é uma incógnita, pode acontecer que nós mesmos nos reinventemos e sejam essas nossas mutações a nova espécie a dominar a terra.

    Parece ficção científica, mas, nem tanto, é uma realidade cada vez mais tangível… através da manipulação genética, da nanotecnologia, da inteligência artificial… tudo isso é real, em expansão acelerada e online…

    Já que estamos especulando, penso que será uma questão de tempo inventar computadores que pensem e tomem decisões melhores do que nós… primeiro que calcular eles já calculam melhor do que nós faz tempo… mas falta aprimorar tomar decisões complexas, baseadas não apenas em cálculo, mas em estratégicas realmente complexas, para além dos jogos… além do Deep Blue… é a decisão criativa que ainda precisa avançar, esse é o passo para a inteligência artificial propriamente dita… a partir disso chegará o dia em que o computador poderá até fazer arte, estou falando em criar, não executar um sotware programado… quem sabe com o criar venha o sentimento junto, ou depois… o computador terá intuições?

    Hoje nós programamos os computadores para pensar, são capazes de rodar os softwares que igualmente criamos… até agora somos nós os criadores e os computadores são dependentes de nós para tudo, da manutenção, da energia que fornecemos, mas será que vai ser sempre assim? nós mesmos não estamos providenciando que eles próprios se auto-regulem, para que não precisemos mais pensar nessas coisas chatas, mas que são estruturais para que a vida aconteça… Um bom exemplo de independência é o acesso pela Internet via Wireless, a conexão já está no ar…

    Por outro lado o homem se aprimora tb, o computador tem deixado o homem mais ágil e inteligente em muitos aspectos… enquanto torna deficiente outros… a Internet é essa tremenda revolução que traz mudanças estruturais na nossa forma de pensar, agir, se relacionar… agora mesmo estão acontecendo mudanças de valores em várias partes do globo, por conta do homem estar conectado de um modo como nunca esteve antes…

    Acho que aposto nisso, quem vai herdar a terra é homem que nós estamos inventando hoje, como disse naquele meu post, não será homem, nem máquina, será meio homem e meio máquina…

  11. adi said

    Nossa!! fiquei pensando num monte de possibilidades depois de te ler…

    Lembrei do filme “Blade Runner, o Caçador de Andróides”. Mas se ainda há o homem, mesmo que hibrido, não há necessidade da consciência começar tudo outra vez numa nova forma…

    Eu pensei no homem e seu aniquilamento. Por ex., só foi possível a evolução do homem, depois que os dinossauros foram extintos.

    Papo de louco!!! 🙂 – e ainda se pensarmos, que no atual desenvolvimento da consciência humana, e partindo do pressuposto da física quântica, onde é a consciência que projeta o mundo que percebemos, e ainda, que ela, a consciência é “anterior” a manifestação, portanto atemporal, nada mais certo que tentarmos evoluir pra um outro estado de percepção, além da necessidade de estarmos aqui nessa dimensão temporal…

    Eu ainda tenho uma outra interpretação que se soma, no meu entender, isso que é “anterior” ao homem, é puro SER, é esse Ser quem vivência tudo isso aqui de acordo com seu despertar. Eu não consigo explicar direito como entendo, mas seria como que A VIDA, ou essa Consciência Metafísica se projetasse no mundo, originando todas as imagens/formas, essa Consciência Metafísica como se tornasse consciente de Si-mesmo através dessas imagens, como se o Puro SER estivesse olhando no espelho da vida, e contemplando e se conhecendo através de seu reflexo. Nós homens tal qual percebemos somos o reflexo, mas também somos esse Puro SER, inconsciente ainda, tomamos a imagem pelo real, o SER não percebeu ainda que as imagens são somente o reflexo, não a realidade…

    É igual ao Mito da Caverna de Platão, e então, tanto faz a imagem/forma que tal SER/Consciência assumir, porque tudo só vai acabar quando o SER despertar totalmente, ou seja, em cada um de nós…

    Agora, uma questão, Essa Anima Mundi, que é como uma grande egrégora, será que as centelhas despertas sairiam de seu âmbito de influência??

    Questões surreais mesmo!! 🙂

  12. […] Sobre Egrégoras […]

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