Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Fenômenos Psíquicos

Posted by adi em maio 13, 2010

No final de semana passado assisti dois filmes, interessantes no sentido em que  retratam bem sobre aspectos do “psíquico” em nós, assunto esse que tem me interessado já a algum tempo, e assistir os filmes foi o gatilho que precisava pra atualizar essas questões cá comigo. Ao mesmo tempo, precisava fazer as associações certas que fizesse sentido, e  entender (se é que isso seja possível), como tais coisas ocorrem.

Os filmes em questão, Caso 39 e Contatos de quarto grau ( este já havia assistido no cinema), e que não pela história em si, os roteiros são fracos até, fictícios eu sei, mas por tratarem ambos de tipos diferentes de  possessão, no filme Caso 39 de uma possessão demoníaca, e no filme Contatos de quarto grau, excluindo toda a historinha montada pra parecer verídico, sabemos que em casos relatados através de hipnose, de abduções ditas verdadeiras, é mais ou menos como demonstrado no filme, o que nos lembra em muito como possessão de alguma força, que muito embora se manifeste no indivíduo, parece como que vinda de fora, que não  pertence ao indivíduo.

Se juntou a isso, um monte de dúvidas sobre o “plano astral e mental” descrito pela Teosofia,  e também descrito pelo Espiritismo numa versão parecida, entre outras correntes esotéricas que também descrevem, como sendo planos povoados por espíritos desencarnados, ou seres, de todos os tipos, desde  os maléficos até os bondosos e angelicais, mestres ascencionados, etc, etc. De como contatamos esses seres, recebemos mensagens, ou no caso dos maléficos, somos possuídos por eles contra nossa própria vontade, etc.

E tentar entender; porque, pra mim, não é suficiente acreditar que se trata de entidades ou seres desencarnados num plano mais evoluído, que por sinal é uma cópia idêntica daqui, só que mais sutil, e ainda outros tantos planos e divisões hierárquicas (essa palavra sempre me disparou um alerta interior) cada qual mais sutil e elevado; ou que seres extra-terrestres estão a nos contatar, abduzir, fazer experimentos e apagar nossa memória, ou então vieram pra nos ajudar em nossa evolução ou nos salvar. Não que fantasmas, espíritos ou extra-terrestres não existam, há uma hipótese provável que sim, eles existam, bem como há uma hipótese provável de que nada disso exista e que tais fenômenos não passam de fantasias ou ilusões criadas na mente.

Obviamente não é tão simples assim, em se tratando desses assuntos, seria muito simplório e materialista dizer que são somente fantasias de médiuns, ilusões, ou delírios de uma mente perturbada;  faltam peças nesse quebra-cabeça. Pois muitos místicos, sensitivos e médiuns, e também doentes mentais, dão testemunho dessa outra realidade que para eles é tão real quanto a nossa.

Vale lembrar ainda, conforme a física quântica atesta,  o mundo que percebemos é uma projeção da consciência, não bastasse isso, segundo os neurocientistas, tudo o mais que percebemos não é uma cópia fiel do objeto, mas uma imagem construída no cérebro a partir de uma combinação dos sinais de percepção enviados ao cérebro, com as representações que já se encontram armazenadas na memória. Dessa forma, não temos acesso ao objeto real, mas apenas a imagem filtrada e adaptada a nossa realidade interior, conforme nossos condicionamentos.

Sendo assim, podemos deduzir que o mundo lá fora, tal qual  percebemos, pode ser tão ilusório quanto as imagens de sonhos, visões, experiências místicas e delírios, pois tudo afinal de contas, acontece em nossa mente.

TUDO É IMAGEM:  Esse trecho que tirei da Rubedo, mostra como Jung, já em seu tempo, estava em pleno acordo com a física quântica e com as neurociências: “ Jung estava entre os primeiros a apontar que toda a consciência é de uma natureza indireta, mediada pelo sistema nervoso e por outros processos psicossensoriais, isto para não mencionar operações linguísticas. Experiências, por exemplo, de dor ou excitação chegam até nós numa forma já secundária. No léxico de Jung, isso imediatamente sugere imagens e que tanto o mundo interno como o externo são experimentados através de imagens e como imagens. As noções de mundos interno e externo são, elas próprias, imagens, aqui usadas metaforicamente. Tais entidades espaciais não têm existência, salvo na medida em que a realidade psíquica permite, pois não há um elo direto entre o estímulo sensorial e a experiência, mas somente quando o estímulo é transformado em imagem no cérebro. A imagem é que se apresenta  à consciência diretamente. Nós somente nos tornamos conscientes de nossa experiência através do encontro com uma imagem dela.” e diz ainda, ” manifestações somáticas podem também ser consideradas como imagens lado a lado com todo o mundo físico conforme experimentado na consciência.” – Ou seja, tanto o mundo externo quanto o que é percebido internamente, são ambos imagens, e ambos podem ser percebidos como  realidades ou não.

Devido a isso, Jung diz que a realidade psíquica é a única realidade que podemos experimentar diretamente. É na psique (realidade psíquica) que  o reino físico e espiritual se encontram e podem se misturar, portanto ela atua como um mundo intermediário entre o físico e espiritual, e engloba sentimentos e impressões que ocorrem no indivíduo como real ou como realidade, portanto essas dimensões do ser ganham existência na psique.

Montando o quebra-cabeça: Primeiramente, vale fazer uma distinção entre o que é “inconsciente pessoal” e o que é “inconsciente coletivo”, e entender como ambos atuam em nossa psiquê. Nosso inconsciente pessoal é composto por  elementos ou conteúdos esquecidos ou reprimidos ao longo da vida, também elementos ou traços de caráter incompatíveis com a vida em sociedade, e de uma certa forma tudo o que a civilização e a cultura considera desagradável fica reprimido no inconsciente pessoal, esses elementos ou conteúdos (imagens, ideias, afetos…) reprimidos se reúnem em torno de um núcleo arquetípico, formando assim um “complexo”, nosso inconsciente pessoal é formado por vários complexos reprimidos, que quanto mais reprimidos e negados, mais força e autonomia possuem. Esses complexos reprimidos, é o que na psicologia de Jung, se caracteriza como a “s0mbra” de um indivíduo.

Já o inconsciente coletivo é de natureza completamente diferente, porque é composto por complexos, cujos núcleos arquetípicos  nunca fizeram parte da consciência, portanto não são elementos recalcados, reprimidos; mas um complexo do inconsciente coletivo é uma  imagem arquetípica, ou seja, imagem produzida pelo arquétipo, esse que só pode ser conhecido e experiênciado indiretamente através de sua manifestação.

Como não temos acesso diretamente a esses complexos, a tendência da psiquê é sempre a “personificação” dos vários aspectos  de nós mesmos  inconscientes e reprimidos,  como também a personificação do arquetípico/inconsc. coletivo. E verificamos esses aspectos todas as noites em nossos sonhos. Segundo Jung, quando sonhamos, conservamos uma consciência limitada do eu, e neste estado do sonhador, conhecido como eu onírico, experienciamos imagens como vindas de fora e que seguem suas próprias leis.  Todas essas imagens oníricas constituem complexos psíquicos autônomos formados com nossos próprios conteúdos, bem como todos os personagens que  aparecem em nossos sonhos são as personificações desses complexos.

No caso das visões e aparições, são fenômenos psicológicos iguais ao que ocorrem nos sonhos, com a diferença que ocorrem quando a pessoa está acordada. A visão emergi do inconsciente junto com as percepções conscientes, é quando conteúdos do inconsciente irrompem a continuidade da consciência. Os complexos também irrompem como delírios e vozes para os doentes mentais, ou como vozes do além para médiuns e sensitivos.

O que vai dar existência a essas personificações é a “realidade psíquica”, a afetação como o medo, ou outros sentimentos; pois a realidade psíquica abarca tudo que afeta ou impressiona uma pessoa como real ou com a força de realidade. As figuras resultantes tornam-se reais no sentido de que exercem um impacto emocional sobre o ego e passam por mudanças e desenvolvimento. Para Jung, a personificação era uma demonstração empírica da realidade psíquica.

Com relação a possessão, é quando o complexo autônomo invade e se apropria da personalidade do ego, quanto mais o complexo é reprimido pelo eu, mais se torna autônomo e sua força é proporcional ao que é dispendido na repressão, ou negação. Assim também ocorre com forças arquetípicas direto do inconsciente coletivo, forças que nos parecem alheias, como um invasor que chega quando a pessoa está dormindo, entra em seu quarto e uma luz ou força a leva pra um outro lugar, ou quando o invasor se apropria da personalidade do ego tal qual numa possessão por entidades ou mesmo demônios, a pessoa fala idiomas tão antigos do qual nunca teve conhecimento, ouve vozes em sua mente que interpreta como sendo de inteligências extra-terrestres, enfim, os fenômenos que irrompem têm tal força e impacto na psique, que são percebidos como realidade, e o são de certa forma, naquele sentido já descrito acima sobre a “realidade psíquica”.

A questão toda é que por trás de uma “personificação” do complexo, há todo um conteúdo reprimido, ou arquetípico genuíno, que necessita ser integrado à consciência. A imagem é como um símbolo representativo desses conteúdos inconscientes, que se encontram no próprio indivíduo. Quando o indivíduo se dá conta de que essas forças personificadas não lhe são externas, mas conteúdos de sua própria psiquê a serem integrados, os fenômenos são reconhecidos pela consciência, e positivamente podem atuar transformando o indivíduo. Pois Jung sempre advertiu, que enquanto as imagens forem  projetadas ou no mundo, ou entidades, espíritos, ou relegadas ao inconsciente, o indíviduo não participa e as transformações não ocorrem nele mesmo.

Essa irrupção do inconsciente na psique consciente, têm a mesma aparência de uma psicose (fantasias, delírios, possessão, etc), porque o conteúdo é o mesmo, com a diferença de que, enquanto o doente mental se torna vítima desses conteúdos e é devorado por eles, outros indivíduos continuam tomando as imagens e personificações pelo seu aspecto literal (entidades do mundo dos espíritos, ou contato com o Jesus real, ou que Maria lhe apareceu em sonho ou em visão, ou lhe ditando uma mensagem) e não participando das imagens, pois elas são literalmente como se assemelham, entidades externas a eles;   já outros tomam consciência de que essas imagens e personificações são conteúdos próprios seu, compreendem e integram esses conteúdos à consciência, as projeções são retiradas, a perspectiva muda, tais complexos não precisam mais possuir ou invadir, mas liberam a energia neles contidas.

Só pra concluir, sobre a integração do inconsciente pessoal, Jung diz: “Tal pessoa tem verdadeiro direito à autoconfiança, pois enfrentou a profundeza escura do próprio si-mesmo e desse modo conquistou para si o seu si-mesmo. Esta experiência interna lhe dá força e confiança, na capacidade de sustentação do si-mesmo, pois tudo o que o ameaçava provindo do interior, ele o tornou coisa própria sua, adquirindo desse modo certo direito de crer que será capaz de dominar com os mesmos meios tudo o que no futuro ainda possa ameaçá-lo.” – E à partir desse ponto, o indivíduo está preparado a começar integrar forças arquetípicas do inconsciente coletivo, sem ser destruído por ele, é a tomada de consciência do Si-Mesmo.

==========================================================================

Fontes e ref.: Rubedo;  C.G. Jung – Mysterium Coniunctionis;  Franco Atirador.

Anúncios

14 Respostas to “Fenômenos Psíquicos”

  1. o que nada sabe said

    Olá Adi

    Parabéns, muito bom o post!

  2. adi said

    Olá O Que Nada Sabe,

    Obrigado, que bom que vc gostou. Às vezes eu penso: Será que só eu acho assim??? 🙂

    Valeu!

  3. Elielson said

    Sempre é bom abordar esse tipo de exterioridade, exterioridade que devido a exploração teatral de indivíduos que manipulam a credulidade, acaba sendo generalizada como ficção, então fica essa coisa de que a manifestação sobrenatural divide a exterioridade entre seres registrados na realidade social relativa (na memória de convivência e coerência do que permanece interativo) e seres do outro mundo atribuídos a fatores mal resolvidos nesse mundo… O vetor emocional causa o pensamento volitivo, mas não que o pensamento volitivo atue sobre todos os parâmetros fenomenais. A busca da relação entre a vontade e o que emerge na realidade, sendo mal administrada causa sensação de impotência, já a paranóia e o medo estando ligados também ao pensamento volitivo (pois são emoções que originam pensamento também), podem dar sentido e interpretatividade a qualquer coisa, na falta de desejo sobre o fenômeno que se apresenta. Então, o contato que se dá com a manifestação incoerente, se dá, não por saltos ou dilatações no que podemos chamar de ego, nem mesmo por uma abrangência da consciência, o que acontece, dentro de uma especulação temporária minha que cabe ao momento, é como o desenrolar total do que é chamado ai então de realidade psíquica, no momento em que ela se torna insuficiente pra descrever o mundo, mas que eu imagino como algo que mantém os padrões cognitivos alinhados com a interatividade social, que neste caso tem muito a ver com fé, não que faltando fé as coisas se tornem incoerentes, mas faltando fé há uma incontinência do próprio individuo, para digamos, se fazer coerente dentro de contextos conflitantes . Esse desenrolar da realidade psiquica é como uma linha solta no fim de um carretel que ao contrário do que muitos pensam, não foge do circulo racional, mas fica solta e sem base dentro desse circulo, daí muitos pensam que é uma particularidade ser vitima de tal condição, que é uma raridade… ou enfim, pensam que é um caso ou outro que passa por essa …descida… e rateio dentro do circulo racional, mas não é raro, essa perda de controle que faz pessoas interagirem com o que chamaremos de inconsciente(que é só um ponto de referência entre nada e tudo), é a conseqüência momentânea (ou não em alguns casos) da perda da base epistemológica que faz com que aos primeiros indícios de isolamento ideológico ou de inadequação ao mundo casca em que adultos protegem crianças ou mesmo as encarceram nessa casca com o abandono que cometem, baseados em fixações aprioristicas a elas perturbam a sensibilidade do individuo fazendo-o romper essa casca, quase sempre encaminhando-o ao que eu vou chamar aqui de nova infância, que nada mais seria que: a eliminação da inocência dando lugar a malicia que se posiciona em uma base na maioria das vezes aprioristica que proporcione segurança sensorial (sem contar os casos em que a inocência persiste, mas já não se contem a manifestação individual), ou seja, perde-se a inocência ao sacrificá-la no altar do superego, porém não digo numa dissolução completa, pois essa dissolução completa talvez seja o que caracteriza a psicose a qual dizem derivar da avaria de alguma peça psicológica, mas digo de um posicionamento dual. Em outros casos, essa linha solta e sem base, sendo ainda sensível, se segura por teimosia, curiosidade ou simplesmente fé, que não deixam de ser padrões, porém esse individuos, tem plena noção de irrealidade dentro do que pode-se novamente chamar de circulo racional, que é uma aproximação que eu faço desse estado de sistase que vem sendo repetido no que leio, esse circulo racional quer impor realidade coerente dentro de um território misterioso em que se estabelece, mas a relativização como eu disse não abrange tudo que há dentro desse circulo, pelo menos não enquanto se fala de uma relativização padrão a ser usada pela sociedade em que se vive, pois se fosse assim não haveria espanto da mesma maneira como não haveria choque cultural.

    Valeu 😀

  4. adi said

    Oi Elielson,

    “exterioridade que devido a exploração teatral de indivíduos que manipulam a credulidade, acaba sendo generalizada como ficção, então fica essa coisa de que a manifestação sobrenatural divide a exterioridade entre seres registrados na realidade social relativa (na memória de convivência e coerência do que permanece interativo) e seres do outro mundo atribuídos a fatores mal resolvidos nesse mundo”

    Sabe, confesso aqui que ando com problemas de “crenças”, não que não acredite em mais nada, não é isso, mas não acredito mais do jeito que aprendi acreditar só porque falaram que era assim. E quer saber, já vi fantasmas, já vi vultos, ouvi barulhos, mas foi real isso?? hoje acho que tinha a ver comigo mesmo, com meus medos, com minhas questões. Agora, a coisa mais fácil é continuar projetando e achar que são entidades externas a nós. É um assunto complicado este, porque envolve sensações físicas como arrepios, frio, depois envolve sentimentos como medo, ou amor; mas da onde vem isso? Primeiro eu acho que tem a ver com nosso inconsciente pessoal, ou seja, com nosso material reprimido. Já quando se trata de entidades como anjos, seres evoluídos que nos trazem uma mensagem nova, inspiradora, tem a ver com o inconsciente coletivo, no sentido de ser o contato com a Causa, com o que é Primeiro, o Self, que como arquétipo que É, também têm muitas faces, mas não que seja entidades separadas, mas é aquela Causa que te vivifica, e que pra se fazer entender a ti, se utiliza da imagem que representa “algo” que impressiona a consciência.

    No caso de avistamentos de OVnis, ou luzes no céu, e já vi também luzes diferentes que tenho certeza não era avião; mas eu entendo como que está surgindo um “novo” (arquetípico) mito na consciência coletiva. E tudo se justifica, pois é a consciência que cria a realidade percebida.

    “esse circulo racional quer impor realidade coerente dentro de um território misterioso em que se estabelece, mas a relativização como eu disse não abrange tudo que há dentro desse circulo, pelo menos não enquanto se fala de uma relativização padrão a ser usada pela sociedade em que se vive, pois se fosse assim não haveria espanto da mesma maneira como não haveria choque cultural.”

    Essa é a parte “consciente coletivo” que padroniza por aquilo que já é conhecido, na repetição, e de certa forma impedindo e reprimindo o novo…

    complicaaado!!! 🙂

  5. Elielson said

    Oi Adi

    E quer saber, já vi fantasmas, já vi vultos, ouvi barulhos, mas foi real isso?? hoje acho que tinha a ver comigo mesmo, com meus medos, com minhas questões.
    …………………………………………………..

    Sabe, certa vez me propus a acreditar que sendo projetado por mim ou não, há um simbolismo no que se apresenta, já que ele toma forma e forma é um simbolo…, o simbolismo do que se apresenta se torna um alicerce para o pensamento, seja para as fugas que fazemos das considerações que nos prendem em sentimentos pequenos, ou para a concentração em sinceridade, sinceridade que consulta todas essas anomalias inclusive, não como espiritos guias, imagens guias, mas em todo momento que é necessária a orientação em um apaziguamento nas circunstâncias reais, nas da carne mesmo, além de virtualismos. Essas anomalias podem ser um alicerce da analise que faz ressurgir algo que é como um principio de incerteza, mas não é totalmente igual ao principio de incerteza, pq nós, como individuos tbm somos atuantes simplesmente pelo fato de estarmos presente dentro de uma cadeia de fenomenos, dá até para ser indiferente em algumas circunstâncias, e se isso for o que é melhor para a preservação das partes que sabemos terem vida (e tendo vida tem emoções e tendo emoções podem estar se transformando sempre…), a indiferença ou a negligência também pode ser cogitada como possivel atitude, sabendo-se de antemão que teu corpo responde imediatamente pelas atitudes a serem tomadas, e quando eu digo corpo, digo organismo mesmo, movimento energético, seja por chacras sendo bloqueados, glandulas emitindo toxinas… então se algo se faz presente para nossa realidade pessoal, o simbolo desse algo pode ser usado com determinismo ou liberalismo na medida que nosso coração achar que esse algo deve ser usado, ou na medida em que achar que não deve ser usado, todo esse mistério do universo deve ser aceito como mistério, porém não como um mistério limitante do pensamento, e no final, é isso que fazem muitas doutrinas, agregam os relatos da interatividade com esses mistérios e catalogam a realidade destes com principios legislativos baseados em conceitos puramente humanos. Tá, não é ruim de fato, vemos que a espiritualidade acabou sendo responsável por uma porrada de caras que vieram aqui e deram exemplos lindos, porém, se um catalogo de fenomenos é um limitante de realidade assim como um Deus patenteado, se limita o pensamento mesmo, o que chega a ser tão nocivo que das próprias doutrinas as vezes surge uma dificuldade de seguir-se. Essas escabrosidades que vão desde o comportamento padrão até a separação em dois tipos de castas é que de vez em quando faz verbo virar carne, daí caras bons tem que pelejar contra os dragões alados do devaneio social apenas por que se encontram em um estado criado por limitantes de pensamento. Tem idéias que parecem um fantasma só, então que um fantasma só possa dar inumeras idéias…

    Bjo Adi.

  6. adi said

    Oi Elielson,

    “…que sendo projetado por mim ou não, há um simbolismo no que se apresenta, já que ele toma forma e forma é um simbolo…, o simbolismo do que se apresenta se torna um alicerce para o pensamento, seja para as fugas que fazemos das considerações que nos prendem em sentimentos pequenos, ou para a concentração em sinceridade, sinceridade que consulta todas essas anomalias inclusive, não como espiritos guias, imagens guias, mas em todo momento que é necessária a orientação em um apaziguamento nas circunstâncias reais,…”

    Extamente Elielson, é assim que acho também, toda imagem é um símbolo, principalmente aquelas que lhe dizem respeito, ou seja, que são projetados pelo sujeito, ou que se projetados por outros chegam a nos afetar também. O ponto em questão é “decifrar o conteúdo” do símbolo, e se tornar consciente do seu significado, do que aquilo vem “representar” que no mais íntimo de nós, não queríamos ver e saber. Outro dia estava lendo um comentário da Sem muitíssimo interessante, sobre os espelhos, projeções, e sobre o olhar da Medusa… porque de fato quem é que aguenta olhar pra si e se ver “nu e cru” tal como é?? quase ninguém.
    Então nos é muito mais fácil criar “entes”, personificações pra nossos próprios aspectos não aceitos. E o interessante nessa história toda, é que enquanto não reconhecemos em nós mesmos tudo aquilo que não aceitamos e projetamos no mundo, também não teremos consciência de nosso “verdadeiro Ser”. O Self, a Essência, o Espírito divino também será projetado em personificações e outros entes fora de nós.
    É sempre aquela angustia, queremos trazer aquela realidade pra dentro de nós, mas ela sempre está fora, como que longe… é assim que percebemos tal coisa, mas esse estar fora também é ilusão…

    bjs Elielson.

  7. Victor said

    Olá,
    Desculpem-me ser absolutamente impertinente e off-topic, mas o endereço do Franco Atirador foi tirado do ar? Eu sei que há anos ele não postava nada lá, mas os textos antigos sempre permaneceram para consulta. Hoje fui mostrar a um amigo a história do PKD e descobri que o endereço http://malprg.blogs.com dá uma página em branco.
    Por favor, me orientem.
    Grato!

  8. adi said

    Olá Victor,

    Pois é, muita gente sentiu essa mesma falta e, devido às muitas solicitações, há uma Tag “FRANCO ATIRADOR” aqui no blog, lá em cima em CATEGORIAS no canto esquerdo da página.

    Dentro contém o endereço do 4shared, onde estão arquivados todos os textos do Franco Atirador.

    Boa leitura. 🙂

  9. Grato, Adi.

  10. […] Fenômenos Psíquicos […]

  11. Lucas said

    Assisti semana passada “Contatos de quarto grau”. Realmente aquelas cenas, que ocorriam durante a hipnose, lembravam muito uma possessão demoniaca.
    Notei, que mesmo o filme sento completamente ficticio, essas “possessões” aconteciam quando vinha a tona àquelas lembranças, de que certa forma, estavam suprimidas ou ocultadas na cabeça da pessoa.

    Uma vez, ouvi barulhos, que pareciam bater em minha porta, na hora, estava convicto que era um “fantasma” ou qualquer coisa paranormal. Mas depois que venci meu medo e sai do quarto, percebi que era minha cachorra quem fazia o barulho, batendo o seu rabo na cazinha de madeira.
    Por isso, eu acho que os medos e crenças de uma pessoa às vezes podem máscarar a realidade.

    Claro que também há os casos de personificação do “eu” oprimido, mas ainda não tenho conhecimento o suficiente para comentar sobre isso.

    No mais, adorei o post. Parabéns.

  12. adi said

    Olá Lucas, seja bem vindo aqui no Anoitan.

    “Por isso, eu acho que os medos e crenças de uma pessoa às vezes podem máscarar a realidade.”

    Concordo, e isso acontece o tempo todo.

    “No mais, adorei o post. Parabéns.”

    Muito obrigado. 🙂

  13. Em nossa vida onírica, se soubermos aproveitar, poderemos ao mesmo tempo sermos espectadores, diretores e atores no cenário do roteiro onírico, e para tanto, requer-se estratégias, concentração, espírito analítico, e sobreturo muita criatividade, já que sonhar é uma arte.
    Jung anunciava de maneira marota de que não existem sonhos bobos, mas sim pessoas bobas que não entendem seus próprios sonhos. Assim concebia e comentava de forma contundente, até mesmo para sustentar o seu chavão preferido:”Quem olha para fora sonha e quem olha para dentro acorda”.
    De maneira geral, sabemos muito pouco, acerca da dinâmica, estruturação e limites da Psiquê, mas o que temos a concordar, é que a Psiquê é objetiva, ela existe como uma finalidade ampla de dar curso a expansão da consciência,que é Ela própria, ou melhor seja direcionar-se em direção à sapiência divina, e que para o galgamento desta instância sublime, requer-se estratégias distintas, e sobretudo o esforço laborativo, muita paciencia, dircenimento e o abençoado merecimento.
    Poderemos mesmo dizer, que não temos consciência, e sim, que a consciência é que nos tem. Estamos a todos os momentos intercambiando energia psíquica entre nosso inconsciente individual, com a supraconsciência cósmica e infinita, o Inconsciente coletivo a molde da proposta da sábia visão Junguiana.
    A existência de um Ego forte e bem estruturado, são regalias imprescindíveis, na busca do “Santo Gral”, de nosso Eu Superior, que deveria ser o gestor preferencial e fonte norteadora e constante de nossas atitudes imaginativas e pensantes.
    A nossa iniciativa na vida vigil por assim dizer é derivada de um núcleo comando, que por seu turno é caracteristicamente multifacetado. A depender da sintonia que estabelecemos com estes núcleos ou falanges, tomamos um determinado rumo, na práxis vivencial diária. Premente se faz, quando queremos determinar e interferir na escolha de quem é que vai ajudar pilotar nosso aviãzinho mental, melhor seria a mente tranquila e quieta, como bem recomenda os grandes mestres espirituais, que são adeptos inconteste da meditação. Neste contexto teremos que descobrir o nosso Dharma, ou determinação do Self, ou núcleo divino.
    Somente com uma postura existencial condígna, com tais pressupostos é que teriámos condições, de fazer acontecer na prática a suprema realização da Individuação, quando tornamo-nos um só com Deus, enquanto núcleo central e máximo da Psiqê total.
    Nascemos da Luz e a luz retornaremos é a mais séria, a maior e reconfortante promessa, já que sombras e trevas, são tão somente ausência de lumiminosidade. Busquemos então o clarear de um novo dia através da travessia noturna de nossa alma e adeus desvirtuamentos dos enganosos estrategistas a serviço da legião dos imaturos e inapropriados mecanismos de Defesa do Ego, com suas projeções e supressões, dentro de outros malabarismos inconsequentes e infrutíferos, invariavelmente movimentando-se no contra fluxo direcional da triunfante jornada da alma.
    A raiz do sofrimento está ancorada no apego e na ignorância, como bem prescrevem os Iogues e Sábios da Espiritualidade Hindú.
    Então viva mais uma vez o oráculo de Delfos:”conheça-te a ti mesmo”.

  14. adi said

    Oi João Jarnaldo,

    Seja muito bem-vindo aqui no Anoitan.

    Gostei muito de tudo isso que você escreveu acima, é como entendo também todo esse processo de individuação, concordo com tudo.

    Seu blog é muito bom, adorei, têm matérias bem interessantes e já está fazendo parte dos meus favoritos.

    abs

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: