Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

A Terceira Inteligência

Posted by adi em abril 20, 2010

Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade.  Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas  recentes, dos últimos 20 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.
Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ‘o ponto Deus’.

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência desse ‘ponto Deus’ representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse ‘ponto Deus’.

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Texto de Leonardo Boff  (Coluna L. Boff  no jbonline.terra.com.br- – lboff@uol.com.br)

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8 Respostas to “A Terceira Inteligência”

  1. Anarcoplayba said

    Não sei se concordo.

    Pra ser sincero, gosto de pensar no corpo como um reflexo da alma. Ou uma inversão entre causa e efeito: Somos evoluídos porque temos um cérebro desenvolvido, ou temos um cérebo desenvolvido porque somos evoluídos?

  2. adi said

    Oi Anarco,

    “Pra ser sincero, gosto de pensar no corpo como um reflexo da alma”

    Eu também entendo o corpo/cérebro como um reflexo do espírito, ou melhor, eu entendo que o corpo/cérebro (porque o corpo está contido no cérebro) como sendo o próprio espírito em seu “aspecto material”, cristalizado.

    “Ou uma inversão entre causa e efeito”

    Na minha modesta opinião também há sempre uma causa anterior a tudo que existe, e foi isso que entendi que o Leonardo Boff quis dizer como isso : “…até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre estava lá embora não percebível conscientemente.”

    “Somos evoluídos porque temos um cérebro desenvolvido, ou temos um cérebo desenvolvido porque somos evoluídos?”

    Boa questão, a mesma do biscoito crocante, a mesma do ovo ou a galinha :). Talvez a coisa toda foi acontecendo em simultâneo, a própria demanda por sobrevivência, obrigou o homem a desenvolver o intelecto e conjuntamente todo o seu organismo. Ainda se pensarmos pelo lado da “causa e efeito”, podemos deduzir que foi na medida do desenvolvimento da consciência (causa), ou do que podemos chamar de “observador”.

  3. Islan Lex said

    Corpo!

    Mente!

    Alma!

    Nada disto é independente e real.

    Equilibrados como um só operam milagres…

  4. adi said

    Oi Islan Lex,

    “Nada disto é independente e real.

    Equilibrados como um só operam milagres… ”

    Concordo plenamente com vc, e hoje acho muito interessante que a “ciência”, ou melhor, que alguns neurociêntistas e alguns físicos estão “comprovando” essa necessidade do homem pela espiritualidade, ou pela religiosidade no sentido da palavra “religare”, de se conectar ou religar novamente com a fonte.

    Assim como o cérebro capta e interpreta os sinais enviados pelos nossos sentidos sobre o mundo exterior, ele também têm uma região destinada a captar sinais do transcendente ou espiritual. E se há uma região biológica com esta finalidade, muito provavelmente a ciência está muito perto de comprovar outras realidades além desta aqui que estamos “condicionados”.

    Eu fico feliz em saber que estão comprovando que a espiritualidade é tão “natural” – já que temos uma área no cérebro pra essa função – tanto quanto a emoção e o intelecto, e que viver o espiritual não é de forma alguma “alienação”, ou uso de muletas pra dissimular ou fugir do real como muitos julgam, muito pelo contrário, torna a experiência da vida muito mais profunda e abrangente, ou seja, bem menos condicionada e limitada.

    E o que mais gostei do texto do Boff (ex padre, excomungado da ICAR), foi ele dizer que: “A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões”. Porque é nisso que acredito também, está intrínseco no homem o retorno “pra fonte”, e as religiões são somente como mapas que indicam o caminho de acordo com o ponto de partida, mas não é o território, muito menos percorre o caminho por alguém… não há caminho visível, ele é interno, feito por cada um no próprio caminhar…

  5. Ingrid Fernanda Costa said

    Achei maravilhosa essa reportagem.
    Gostaria que me infomassem mais, sempre que puderem atraves do meu email.
    Quero estar atualizada com voces, sobre esses asuntos.
    Por favor me mantem informada.
    Obrigada

  6. adi said

    Olá Ingrid,

    Seja bem vinda aqui no Anoitan.

    “Gostaria que me infomassem mais, sempre que puderem atraves do meu email.”

    Infelizmente no blog não há um dispositivo disponível do tipo “informa automaticamente” quando de um novo post, pelo menos eu desconheço. Então, não sobra outra alternativa, vc vai ter que dar uma passadinha aqui no Anoitan pra veriricar novos posts.

    Mas pra nós aqui, será um prazer recebê-la. 😉

  7. olavo said

    pois é,como são os caminhos não! cheguei a este blog porque fui pesquisar sobre dana zohar de cujo trabalho tomei conhecimento pela revista izunome da Igreja Messiânica Mundial. o que achei lega é saber que uma cientista preparada como ela não fica com aquele falso pudor de abordar assuntos espirituais como ocorre com a maioria dos cientistas que, logo se apressam em esclarecer que são ateus (um direito de qualquer um). ninguém, em sã consciência, tem certeza de nada e nem é isso que importa. acho que o que se pode fazer é nenhuma das partes (ciência e religião, gosto das duas, leio e pesquiso sobre as duas) ser arrogante e se achar a dona da verdade, porque há muito mais coisas sob o véu do que supõem a nossa vã filosofia…

  8. adi said

    Olá OLavo,

    Seja muito bem vindo aqui no Anoitan.

    Eu acho a mesma coisa que vc, tanto a ciência como a religião quando se manifesta arrogante, se combatendo entre si, oferece muito pouco, se mostram totalmente limitadas.

    Ateus bem como os fundamentalistas não percebem que no fundo (tirando suas crenças opostas) são iguais. Ambos são alimentados por uma fé cega, embora o ateu tem fé cega na não existência de um deus e o fundamentalista tem fé cega na existência do mesmo deus como descrito nas escrituras…

    É realmente bonito de ver alguns cientistas das várias áreas abordando assuntos que antes eram apenas de domínio das religiões…

    É muito bom que todos saibam que nenhuma religião possui o monopólio da espiritualidade, mas que isso é inato no ser humano, assim como a emoção e a razão.

    Abs

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