Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Lição de Astronomia

Posted by Sem em março 25, 2010

Dedicado a Sem

que gosta de Rembrandt e

de dissecar com palavras:

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Numa situação confusa, de perturbação, o que fazer?

Por favor, não faça nada. Você criou uma confusão por causa do seu fazer excessivo. Você é um tamanho fazedor, você confundiu tudo à sua volta – não somente para si mesmo, mas para os outros também. Seja um não-fazedor; isso será compaixão para consigo mesmo. Seja compassivo. Não faça nada, porque com a mente falsa, com uma mente confusa, todas as coisas se tornam mais confusas. Com uma mente confusa, é melhor esperar e não fazer nada de forma que a confusão desapareça. Ela desaparecerá; nada é permanente neste mundo. Você só precisa uma profunda paciência. Não seja apressado.

Vou lhe contar uma história. Buda estava viajando através de uma floresta. O dia estava quente. Era exatamente meio-dia e ele sentiu sede; assim, disse para seu discípulo Ananda: “Volte. No caminho, nós atravessamos um pequeno riacho. Volte lá e traga um pouco d’água para mim”.

Ananda voltou, mas o riacho era muito pequeno e algumas carroças estavam atravessando-o. A água estava agitada e tinha ficado suja. Toda a sujeira que estava assentada nele tinha vindo para cima e a água não era potável agora. Assim, Ananda pensou: “Eu tenho que voltar”. Ele voltou e disse para Buda: “Aquela água se tornou absolutamente suja e não está boa para se beber. Permita-me ir à frente. Eu sei que existe um rio a apenas alguns quilômetros de distância daqui. Eu irei e buscarei água para você”.

Buda disse: “Não! Volte ao mesmo riacho”. Como Buda tinha dito isto, Ananda tinha que seguir a ordem. Mas ele a seguiu sem entusiasmo pois sabia que aquela água não podia ser trazida. O tempo estava sendo desnecessariamente perdido! E ele estava com sede, mas como Buda disse para ir, ele tinha que ir.

Novamente ele retornou e disse: “Por que você insiste? A água não está potável”. Buda disse: “Vá novamente”. E como Buda havia dito para voltar, Ananda teve que ir.

A terceira vez que ele chegou no riacho, a água estava tão clara quanto ela sempre esteve. A sujeira tinha ido embora, as folhas mortas tinham ido embora e a água estava pura novamente. Então Ananda riu. Ele trouxe a água e veio dançando. Ele caiu aos pés de Buda e disse: “Seus meios de ensinar são miraculosos. Você me ensinou uma grande lição – que apenas a paciência é necessária e que nada é permanente”.

E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório – assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve ter mudado. Nada permanece o mesmo. Apenas seja paciente: vá novamente e novamente e novamente. Apenas alguns momentos e as folhas terão ido embora e a sujeira terá se assentado novamente e a água estará pura novamente.

Ananda também perguntou a Buda, quando ele estava voltando pela segunda vez: “Você insiste que eu vá, mas eu não posso fazer alguma coisa para tornar aquela água pura?”.
Buda disse: “Por favor, não faça nada; do contrário você a tornará mais impura. E não entre no riacho. Apenas fique do lado de fora, esperando, na margem. Sua entrada no riacho criará uma confusão. O riacho flui por si mesmo, assim deixe-o fluir”.

Nada é permanente; a vida é um fluxo. Heráclito disse que você não pode pisar duas vezes no mesmo rio. É impossível pisar duas vezes no mesmo rio porque o rio fluiu; tudo mudou. E não somente o rio fluiu, você também fluiu. Você também é diferente; você também é um rio fluindo.

Veja esta impermanência de todas as coisas. Não tenha pressa; não tente fazer nada. Apenas espere! Espere em um total não-fazer. E se você pode esperar, a transformação estará presente. Este próprio esperar é a transformação.

Osho, The book of the Secrets, V3, #38

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I Ching: Hexagrama 62: Trovão sobre a montanha: A imagem da preponderância do pequeno:

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O vídeo “O Pálido Ponto Azul”, postado por Luiza, meses atrás, que motivou o título desse post:

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11 Respostas to “Lição de Astronomia”

  1. Elielson said

    Tudo é redutivel ou sublimavel, tudo se consegue e se perde, tudo é sentenciado e revogado. Vida é caos. Todo sentimento é um instrumento para lidar com o convivio necessário pra se viver, sem convivio só se morre, e quanto mais convivio, mais caos, o que não quer dizer que a vida em si tenha de se anular em nome de algo que só existe na inação, inação que é bem diferente da espera, a espera é uma ação, oh yes, porém sem ação, sem ao menos esperança, prevalece o… “caos dos outros-inferno na terra”, pois a vida dá a oportunidade de usar cada vez melhor os instrumentos, nem que seja com os meios-termos que são: a razão que compra idéias e a sobrevivência que as vende. Esperança é confundida com inação enquanto somente habita no corpo que espera. Que ajamos para o todo, o que pode equivaler a uma inação mesmo, porém, é uma inação perante a manutenção da forma. Atos conscientes e inconscientes se misturam nisso que se pensa ser uma macroconsciência ou macroincosciência, mas tendo a responsabilidade do sabe-se-lá-o-que-é, respeitamos o mistério, o que pode ser ruim é um mistério apontado, esse quando enganoso é um instrumento mal usado por alguém que raciocina sobrevivência e sobrevive raciocinando, integralmente, sem querer os riscos intrinsecos aos que se fazem deuses, em meios termos digo eu, pois sobrevivência acaba em morte, e razão, ahh a razão, SEMPRE sai correndo. danaaaada.
    Deuses em Deus que só sabem por si se dividindo.
    Uma admoestação paliativa quando interpretada sem amor, é um humor que não dissolve, é uma rispidez de quem sempre alerta prefere a paranóia, em vez de dissolver o fruto que a serpente, apresenta ou presencia, dissolver o fruto só com o olhar.
    A lei fisica imutavel e a gravidade das ações agem no centro reconhecedor. Prefere-se coisas abaixo do custo, mas nada se compra sem propaganda.
    Temos que fugir desse mercado, onde só se compra se for mais do que é dado, onde só se dá o que não pode vender.

  2. Sem said

    Oi Elielson,

    “Vida é caos”

    A vida é uma tremenda confusão meu amigo, estamos mergulhados na vida, todos nós. Apesar disso é preciso tolerância com todos, isto é, se acreditamos que a tolerância é melhor que o confronto. Vc é de libra, não? Eu quase, só mais algumas poucas horas, e seria tb, por isso acho que sou meio assim, do jeito que sou, e sempre entendi o seu espírito contemporizador, que é a cara desse signo de alma venusiana. Mas alguns, e não poucos, podem ver nesse nosso espírito um tremendo defeito, e deve ser mesmo, se for usado em tudo e sem critério, estou ponderando que em algumas ocasiões o mais sábio é cortar… consegue imaginar situações que é mais misericordioso cortar?

    Eu acredito mesmo em atitude, na ação, que não podemos ou não devemos nos furtar da ocasião qd ela aparece. Como o treinador teve o timing certo ao ficar do lado da menina na hora do branco… alguns segundos depois e já seria tarde demais. Babau. A vida é assim, vai num segundo. Por outro lado, e por isso “me dediquei” esse post (brincadeira, né? =)), temos de nos afastar para ter perspectiva dos fatos. Fatos? Da vida que estamos mergulhados, isto sim…. e se nada para, tudo passa em velocidade vertiginosa…

    Tá acontecendo um momento assim aqui no blog, um certo pessoal, à parte, deve estar deliberando o formato que isso daqui deverá ter nos próximos breves tempos anoitãs. Desse grupo, não sei, mas a minha posição é conhecida , só eu é que ainda não sei a posição deles. Eu não sei qd ou se vou voltar a postar e comentar por aqui, por isso vou te deixar essa poesia que fiz agora pouco – é uma poesia útil, para ser usada, do tipo vide bula a vida, mas é só um modo de escrever, eu não acredito em conselhos – não sigo conselho e nem dou, aliás, eu tenho horror a conselho, sabe no que eu acredito? em trocas, do tipo “pegue o que quiser”. Lembra, é familiar? =) Pois é parecida com esse seu jeito de falar, por enigmas, aliás, precisa ter curso em psicanálise e PA, estou até pensando em dedicá-la a Freud e Jung… esses dois grandes…

    Circumambulando

    Se algum dia você se deparar com o mal pela frente:
    não resista,
    contorne.
    Escuro é o núcleo mais seco
    e
    frio.
    Seio duro e impenetrável.
    Apenas fora
    brilha
    linda
    a luz luciferina:
    não se deixe cegar por essa luz.
    Mire enviesado;
    tome lições com astrônomos sob eclipses.
    Tenha por meta uma curva
    o mal não se enfrenta
    seria insanidade
    o são sabe
    loucos não se contrariam.
    Siga contornando
    faça a curva
    cuidado: não se curve
    não se misture
    não combata
    observe
    apenas
    e
    siga.
    O mundo é grande;
    a imensa via nunca termina.

    O mal é eterno apenas enquanto combatido;
    seu núcleo vazio – inexistente- ganha corpo apenas quando encarado de frente.
    Inflado
    de frente
    o mal assombra
    e a sombra
    de fora
    fica dentro.
    Como tudo é sempre
    por fora
    e por dentro.
    Dentro e fora
    eternamente.
    Mas existe o ir além,
    e, outras miras: –
    não perca a estrada de vista.

    Não despreze o mal; não o perca de vista.
    Não cultive o mal; não o encare.
    Contorne de frente
    não se misture
    não combata
    observe
    e agora sim siga de lado
    resoluto
    só do outro lado
    siga em frente
    não se volte mais
    olhe à frente
    aproveite a paisagem
    seja feliz.

  3. Elielson said

    Sem, amiga Poetisa.

    Sabe que quando Alice retorna, só se passaram alguns minutos.
    Nossa mente é a melhor e a mais potente sonda existente no espaço.
    É panorâmica, periférica, e segue a filosofia do tudo ao mesmo tempo agora, só que ouvindo a ordem gravitacional, tá sempre desviando da rota. Mas as vezes é como Buda com sede mesmo.
    Então nosso buda está com sede e ananda não tem laranjas (rs).
    E conselho quase sempre é ruim mesmo, mas um ponto de vista oferecido é bom. E acredite Sem, vc já me ofereceu pontos de vista do tipo que eu peguei por que quis, que tão sempre me rendendo auto-realização. Eu já devo ter falado por aqui, o terceiro olho a gente não tem, então de onde vem a visão que de vez em quando chamam de intuição? Vem desse terceiro olho doado de outro, que faz com que nossa visão veja mais nitidamente.

    Sem, nos inspiramos, e o ponto de vista, em atitude, vem no exato instante em que o fogo precisa ser soprado, quando o que aquece, começa a queimar. E somos fogueira tbm.

    Eu não tive tempo de dizer que gostei duma musica que um amigo aí apresentou. oia só que bonito.

    http://www.youtube.com/watch?v=7h3HlYZsPzo

    Bjo.

  4. adi said

    Sem, ficou muito bacana seu post, sério!!

    Sabe, está corrido agora, mas amanhã comento com mais calma.

    Sua poesia muito bonita, a-d-o-r-e-i, mesmo, mesmo.

    Elielson, vc é um poeta “livre”, livre em ser você mesmo!! Eitcha, ainda há, ainda há, muitas pessoas lindas, muito lindas no mundo fazendo a diferença.

    Que os anjos protejam e abençoe essas lindas almas.

    bjs e abs

    adi

  5. Elielson said

    A margem é um suicidio inconsciente quando magnetizado pela superior importância após adesão, pois a partir de certo ponto é o imã que tem que desistir de ser magnético.
    Terra é o lixo da Terra, então ela é cara dela, mas olhemos nossos sacos de lixo, pô, mas minha cara não é assim 😦 . Essa idéia de não se parecer com o subproduto de nossas ações, está nos levando a querer despairecer, desparecer, desaparecer.
    Mas o que é a irreverssibilidade do produto? (não se assustem, um dia eu entro numa aula de português :D)
    Tempo de observação, isso é toda irreversibilidade, previsão no tempo de observação.
    Mas cadê a logistica nessa observação?
    Quando não se dá o trabalho logistico, é mais facil dizer que a hegemonia deve sempre ter duas bandeiras.
    A estocagem do que é fertil acontece em todo lugar, mas a intensidade no aproveitamento faz uma hegemonia parecer fantástica. Será tbm que nenhuma responsabilidade é mais suficiente pra informar-mo-nos? (um dia eu aprendo português) ;(.
    Já viram uma criança brincando com um boneco? É uma experiência muito louca ficar observando as primeiras falas que ela dirige ao boneco. Ela tenta se refletir.
    Corpo de Cristo é maçonaria de pobre, como sou pobre…
    Todo mundo dá mais valor ao elemento do que a sua descrição.
    Mas a descrição que controlar o elemento magnetiza.
    Qual lei divina está deixando de ser divina?
    Será que o próprio divino deixa de ser divino achando que o divino está atrasado?

  6. adi said

    “E este é o ensinamento básico de Buda: nada é permanente, tudo é transitório – assim por que ser tão preocupado? Volte ao mesmo riacho. Então, tudo deve ter mudado. Nada permanece o mesmo.”

    Tudo é transitório mesmo, tudo está em mudança o tempo todo, e acho que a causa de sofrimento da vida mesmo é o apego, é não aceitar as mudanças, querer fixar e prender o movimento. É daí que surgem conflitos.

    Tudo passa, tudo se renova, morre e nasce, e deixar seguir esse fluxo, sem oposição, fluir junto, gera um estado de paz e concordância com a vida, harmonia com o movimento.

    Faz tempo eu havia comentado aqui num post sobre as Deusas Moiras, e era sobre destino. Bem, destino pra mim são essas correntes e fluxos da própria vida, que acredito que caso houver um objetivo do fluxo, seria o de quebrar a falsa realidade, por isso a inconstância, porque nada é fixo e real, tudo se modifica… mas há um estado imutável e permanente dentro de nós, é aquele ponto imóvel no centro da roda, e se você deixar a vida seguir seu próprio ritmo, seu curso, sem tentar conter, um dia o indivíduo perceberá essa falsa realidade e encontrará esse centro.

    Se deixarmos as coisas acontecerem naturalmente e sem oposição, não há motivo pra sofrimento algum e nem conflitos, pois não há opostos e nem contrários, nem certo ou errado, há somente o fluir…

    E isso tudo, apesar de nos parecer tão simples, nos é muito complicado “ser”, se soltar, ser livre, porque não conseguimos “soltar”, deixar ir, seguir o curso. Temos medo do que pode aparecer na próxima curva do rio…

    É, vai saber?? 😀

  7. Sem said

    Elielson, Adi,

    Água, bençãos e alegria torrencial sobre a África:

    Tenham um bom dia! 🙂

  8. adi said

    Perpetuum Jazzile é bom demais, principalmente essa chuvinha que nem dá pra acreditar feita com as mãos, muito especial.

    Obrigado Sem, e um ótimo dia pra você também! 🙂

  9. Sem said

    Adi,

    Eu tô vendo as coisas hoje de um modo muito profundo, Essa música aqui, e a outra – dos Beatles – lá no Sopoesia, têm força arquetípica… não é nada pessoal, é amor à Gaia….

    Vc assistiu o filme “Across the Universe”? para quem é fã dos Beatles, é meio imperdível… bom, não sei, sou pouco mais velha que vc, mas acho que podemos dizer que somos da mesma geração, e, para a “nossa” geração, Beatles e Chico Buarque são meio incontestáveis… “Because” é pra mim uma das músicas mais bonitas dos Beatles, principalmente essa versão do álbum “Anthology”, sem instrumentos, só vozes… No filme tb, a parte dessa música acho um dos momentos mais bonitos…

    Já “África”, do coral esloveno “Perpetuum Jazzile”… prestou atenção na letra da música? é a ‘alma’ que tá chegando, no voo da meia-noite… quem sabe na forma de uma borboleta… vem anunciada por tambores (trovões), na noite africana (noite ancestral da humanidade)…. Mas quem espera a alma? só pode ser o Amor….. quer dizer, é todo aquele papo de Eros ‘et’ Psiqué….

    Frases como “vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos”; e “não há nada que uma centena de homens ou até mais não possa fazer”, pra mim, se referem a um outro tipo de vida, coisas diferentes que (a humanidade) precisa fazer…. sustentabilidade, alteridade, etc… o que implica, é claro, fazer o casamento da “alma” com o “espírito”… Seja esse o projeto Gaia para a humanidade, é isso, ou vamos – não é nem morrer, é – nos extinguir enquanto espécie….

    Desculpe, estou escrevendo um pouco apressada agora…

    Mas olha a tradução da música:

    África – Toto
    Composição: Toto

    Eu ouço os tambores ecoando nesta noite
    E ela ouve somente sussurros de alguma conversa bem longe
    Ela está chegando no voo das doze e trinta
    Asas do luar refletem as estrelas que guiam para a salvação
    Eu parei um velho no caminho
    Na esperança de encontrar a letra esquecida ou melodias antigas
    Mas ele se vira para mim como se fosse falar, “Depressa garoto, tudo está te

    esperando lá”

    (Refrão)
    Precisa de muita coisa para me tirar de perto de você
    Não há nada que uma centena de homens ou até mais não possa fazer
    E eu abençoo as chuvas que caem na África
    E vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos

    Os cães selvagens uivam na noite porque ficam inquietos esperando ter uma

    companhia solitária
    Eu sei que devo fazer o que é certo
    Na certeza que o Kilimanjaro ostenta-se como o Monte Olympus sobre a mata do

    Serengeti
    Parece que consigo curar o que está bem aqui dentro
    Com medo desta coisa que me tornei

    (Refrão)
    Precisa de muita coisa
    Para me tirar de perto de você
    Não há nada que uma centena de homens
    Ou até mais não possa fazer
    E eu abençoo as chuvas que caem na África
    E vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos

    Depressa garoto, ela está esperando por você lá

    Precisa de muita coisa para me tirar de perto de você
    Não há nada que uma centena de homens ou até mais não possa fazer
    Eu abençoo as chuvas que caem na África,
    Eu abençoo as chuvas que caem na África,
    Eu abençoo as chuvas que caem na África,
    Eu abençoo as chuvas que caem na África,
    Eu abençoo as chuvas que caem na África
    Vai levar algum tempo para fazer as coisas que nunca fizemos

  10. adi said

    “Eu tô vendo as coisas hoje de um modo muito profundo, Essa música aqui, e a outra – dos Beatles – lá no Sopoesia, têm força arquetípica… não é nada pessoal, é amor à Gaia….”

    Deve ter mesmo uma força arquetípica. A música “Because” dos Beatles é como um exercício de respiração – inspiração… pausa … expiração … – o som e o silêncio.

    ” Vc assistiu o filme “Across the Universe”? para quem é fã dos Beatles, é meio imperdível… ”

    Eu adoro os Beatles, mas ainda não assisti esse filme. Boa dica.

    Linda a letra da música “África”. Sabe, tem dias que a gente acorda inspirada e vê alma em todas as coisas, todas as coisas se tornam belas e mágicas, como se um canal interior estivesse aberto onde nossas percepções se alteram, tudo vibra e brilha diferente aos nossos olhos, ao nosso observar, vibrando dentro da gente também, quase como se a música ou outro objeto qualquer interagisse com o corpo/emoção/razão… não resta dúvida de que isso é “alma” ligando as coisas.

    ” Seja esse o projeto Gaia para a humanidade, é isso, ou vamos – não é nem morrer, é – nos extinguir enquanto espécie….”

    De fato há uma grande possibilidade disso acontecer, e seremos somente mais uma das tantas espécies que já se extinguiram nessa Terra abençoada, melhor mesmo a gente fazer nosso melhor já que estamos aqui, porque como tudo muda o tempo todo já é de se esperar que nosso prazo de validade já está quase vencido. 😀

  11. Elielson said

    O moleque cantando let it be no across the universe grudou na minha mente. 😀
    O lance de culto a gaia soa como religião natural, por ser prático. É bom, terra é mãe mesmo, conforme caminharmos vamos vendo o que dá pra fazer por ela, temos que saber qual a verdade e o ponto de equilibrio dela pra uma boa estadia por aqui.
    Mas na vida, basta eliminar as praticas fascistas que tudo se encontra. A consciência no começo acha que é uma grande descoberta, descobrir que vai ser consumida, voltar ao pó, daí a imaginação imagina a natureza como um monstro devorador, daí ser parte da natureza pra muitos passa a ser parte de um monstro devorador. Mas não é nada disso, o “processo vida” não é só dor, e sabemos disso, daí quando é pra ser prazer todo mundo pensa em benção, mas quando é dor, todo mundo só quer passar a vez. Mas ninguém pensa que a nossa vez vem por que alguém passou pra alguém, nem que seja em forma de recipiente understanding?. Tipo, até tem a natureza selvagem, mas natureza selvagem errática é só no coração do homem mesmo. E essa parte errática não nasce espontaneamente, o oportunismo a vai e vem, mas a falta da boa intenção no oportunismo que vai, erra no que vem. Não temos a obrigação de ficar medindo palavras paranóicamente, e se fazemos isso sem interrupção, uma hora ou outra não poderemos fazer o movimento contrário, então se houver uma vigilância, que seja em estar podendo ser o que se quer ser. Mas ai que tá, se se quer ser algo que impeça o outro de ser o que se quer ser, no final estaremos arrastando a corrente histórica, aí que o dialogo tem que ter efeito, aí que a religião metalinguistica que seja, tem que valer a pena, pois se as letras e ordens de letras disponiveis não são suficientes pra romper o comportamento maquinario, então os códigos só são disfarce do comer-beber-cagar-mijar-dormir-acordar…. e SE ser humano é ser só um animal com estilo, estilo de fingimento animal, que seja um animal digno pelo menos para estar grato por ter uma natureza que funciona como meia resposta, (pelo simples fato de calar à noite), que pode te livrar da hipótese de um sistema que é a subprodução de miséria exclusivamente existente pela falha linguistica do que supostamente se produz para não criar miséria, ou pelo menos para incriá-la (mas tudo isso acaba sendo só uma desculpa pra roubar comida), ou sei lá, que trabalhemos aos poucos sonhando com uma linguagem infalivel, já que até agora ela não nos impediu de fato. Etâ caixa de pandora.

    Bjo Sem e Bjo Adi
    Tô sempre lendo tudo aê. 😀

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