Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Tempo de Espera Tempo de Vipassana – By “zanofu”

Posted by adi em março 4, 2010

Dica não é minha mas É MUITO BOA:

O filme* Tempo de Espera, Tempo de Vipassana (“Doing Time, Doing Vipassana” – India/Israel, 50min), relata uma experiência ocorrida no Presídio de Tihar, Nova Déli, 1993 e em diversas prisões da India, com aplicação da técnica de Meditação Vipassana, com o intuito de abrandar o sofrimento dos presos, que obtiveram resultados significativos para suas vidas e para o convívio com a realidade da prisão, tornando-os pessoas mais positivas para o retorno à sociedade. O filme demonstra como a prática da meditação silenciosa e da auto-observação pode auxiliar a uma melhor compreensão de si-mesmo e da realidade ao seu redor, melhorando a qualidade de nossas vidas e de todos que convivem conosco.

A técnica acabou por levar ao quase aniquilamento da reincidência, corrupção e uso de drogas nos presídios onde está funcionando. Em razão do sucesso imediato, foi estendida aos funcionários do estabelecimento e proporcionou a proliferação de cursos periódicos em uma área especialmente criada para reflexão. A transformação modelar da prisão Tihar, nos últimos 13 anos da experiência, acabou fazendo-a referência para outros presídios indianos.

Vencedor dos Prêmios Golden Spire – Festival Internacional de Cinema de San Francisco, 1998 e Prêmio Finalista Festival de Cinema de Nova York, 1998

http://www.dhammawheel.com/viewtopic.php?f=13&t=1841

Por Lex Zen

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12 Respostas to “Tempo de Espera Tempo de Vipassana – By “zanofu””

  1. adi said

    Aeee, o Lex inaugurando esse espaço “cinema”!!!

    Foi o primeiro a nos trazer uma dica, mas com “resenha”, ou seja, material pra ser comentado.

    Muito bom, vou assistir ao filme, ou pelo menos me informar sobre no youtube. Parece que é documentário, fatos reais, bem interessante…

    Valeu pela dica.

  2. Lex Zen said

    OBA!!!

    Ja tem completo no You Tube e até legendado em português.

    Bom filme.

    Gasshô!

  3. adi said

    Pra quem se interessar em assistir ao filme, é só clicar abaixo:

    Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=bOoFXOWGC5o
    Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=GxyFMHRazLY&feature=player_embedded#
    Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=cc6w2LyQgJQ&feature=player_embedded
    Parte 4: http://www.youtube.com/watch?v=yzjEc1zHs2g&feature=player_embedded
    Parte 5: http://www.youtube.com/watch?v=2B68wnBweeE&feature=player_embedded
    Parte 6: http://www.youtube.com/watch?v=eVNDLv_ekcw&feature=related

    Não é muito longo, cada parte tem em torno de 10 minutos.

    Vale a pena!!

  4. adi said

    Oi Lex,

    Comecei assistir ontem a noite, e não conseguia parar; mas estava muito tarde e deixei pra terminar hoje.

    Olha muito bom, fiquei até emocionada no final. Tem muitos pontos importantes, muita coisa pra falar, mas me chamou atenção o fato de que a Vipassana fez com que eles olhassem pra dentro de si, e reconhececem o motivo que os levaram pra prisão. Só assim pode haver mudança de fato, recuperar o indivíduo de dentro pra fora, sem punições, sem violência…

    ” Seja a mudança que você quer ver no mundo ” – M. Gandhi

    Está aí uma ótima alternativa de “recuperação” mesmo, porque é sabido que o sistema carcerário não funciona, ao invés de recuperar o indivíduo o transforma totalmente num criminoso.

  5. Livio said

    E em relação à própria experiência desta meditação ? Alguém aqui já teve experiência pessoal ?

  6. Lex Zen said

    Tchê, eu pratico “Zazen” ja a algum tempo (mesmo, mesmo faz dois anos… mas estudo já a pelo menos uns seis). A meditação Vipassana é o que tem de prática na cultura do Budismo Theravāda e no Tibetano mais próximo do Budismo Soto Zen. Tem diferenças.

    Mas no comum entre as duas prática/filosofias começa que ambas são um conjunto de ação física com posicionamento mental “concomitante”, daí a dificuldade de definir o limite entre o que é “prática” com o que é “filosofia”.

    Outra semelhança é a dificuldade de definir verbalmente como se dá o exercício tanto do Vipassana como com o Zazen.

    Nasce aqui outra semelhança: as confusões geradas na tentativa de “explicar” para um não praticante como é praticar.

    Vipassanā (Pāli) ou vipaśyanā (sânscrito) significa “o veículo de insight (visualização) “, Ou “ver as coisas como elas realmente são” (expreção comum no Zazen);

    Discernimento intuitivo claro (insight) dos fenômenos físicos e mentais na medida em que eles surgem e desaparecem, vendo os da forma como eles realmente são – em e por si mesmos – no que se refere às três características de impermanente, insatisfatório e não eu (veja ti lakkhana).

    Esse discernimento intuitivo (vipassana pañña) é o fator libertador decisivo no Budismo embora ele tenha que ser desenvolvido em paralelo como os outros dois elementos de virtude e concentração.

    O Insight não é o resultado da mera compreensão intelectual, mas é conquistado através da meditação observando diretamente os próprios processos mentais e corporais.

    Sobre isto das “confusões” da tentativa de “ocidentalizar” o conhecimento da meditação oriental fala o Professor Theravada Ricardo Sazaki:

    “”(…) Há muita confusão a respeito do que seja vipassana nos dias de hoje, muitas vezes incentivada pelos próprios livros que procuram explicar. A palavra também é utilizada de maneira diferente por esta ou aquela escola buddhista.

    Aquilo descrito em Budismo: Psicologia do Autoconhecimento, um livro que, em que pese seus méritos de ser um dos pioneiros na literatura brasileira, apresenta uma série de deficiências, é apenas um dos quatro ou cinco métodos principais do que hoje se chama vipassana. A apresentação, além disso, é por demais sucinta e “verbal” para descrever o que seja vipassana.

    (…)

    Enfim, todas as escolas e métodos têm seus mitos. Praticá-los, de fato, e no contexto apropriado, e não meramente ler sobre eles, é uma das poucas coisas que pode ajudar a dispersar os enganos e mitos. E, mesmo assim, isso pode não ser suficiente.

    ~ Dhammacariya Ricardo Sasaki (Upasaka Dhanapala) começou sua prática no Buddhismo no começo dos anos 80 com o Zen e hoje é, na tradição Theravada, certificado como Dhammacariya (pronuncia-se ‘dhammatchária’ – professor de Dharma)””

    Enquanto as práticas da meditação variam de tradição em tradição, o princípio subjacente é a investigação e entendimento dos fenômenos manifestados nos 5 agregados (skandhas), nomeados como apego à forma física (rūpa), sensações ou sentimentos (vedanā), percepção (saṃjñā, Pāli saññā), formações mentais (saṃskāra, Pāli saṅkhāra) e consciência (vijñāna, Pāli viññāṇa). Este processo é um caminho para a experiência da percepção direta, vipassanā.

    Num sentido mais amplo, vipassanā tem sido usada como um dos dois polos para a categorização da Meditação Budista, sendo o outro a samatha (Pāli) ou śamatha (Sanskrit). A Samatha visa o desenvolvimento da tranqüilidade através de estados de absorções meditativas, comum em diversas tradições em todo o mundo, tendo se espalhado principalmente através do yoga.

    É normalmente usada como uma iniciação ao vipassanā, tranquilizando a mente e fortalecendo a concentração para tornar possível o “insight”. Esta dicotomia pode ser discutida como “parar e observar.” Na prática Budista, é dito que enquanto a samatha pode tranquilizar a mente, somente o “insight” pode revelar como os distúrbios da mente se iniciaram, guiando o indíviduo ao prajñā (Pāli: paññā, conhecimento) e ao jñāna (Pāli: ñāṇa, sabedoria pura), assim o prevenindo de novos distúrbios.

    O termo é ainda usada para denominar o Movimento Budista Vipassana, moldado após o Budismo Theravāda, que emprega a meditação Vipassanā e ānāpāna como técnicas primárias nos ensinamentos de Satipaṭṭhāna Sutta. Vedanā (sentimento/sensação) é o aspecto inicial da investigação.(Wikipédia)

    Como exercício, a vipassana se pratica parando em uma posição confortável mas não “relaxada” (geralmente em “lotus”) e se atenta aos movimentos da mente “mas” em uma posição de observador.

    Cuida-se de apenas observar os pensamentos e as emoçõess, sem julgar ou reprimir o que vier.

    Quando nos damos conta de que nos “distraírmos” com este ou aquele pensamento voltamos nossa consciência para o exercício de ficar na posição de “observador”.

    É tão difícil que leva-se muito tempo (mesmo) para se conseguir apenas construir um bom “espaço” de observador em nossas práticas.

    Em minha vida como Zazen tenho tido a vantágem de “enxergar” os “vícios” comportamentais operando em mim e nas pessoas a minha volta.

    No começo é bem difícil.

    Sempre é mais fácil com um orientador qualificado. No meu caso devo muito da minha orientadora Monja (Soto Zen) Isshin.

    Espero ter ajudado.

  7. adi said

    Lex,

    Qual a diferença entre a meditação vipassana e a do Zen?

    Que eu me lembre, o zazen se pratica de olhos abertos, mas descansados, olhando sem ver, tentando manter a mente calma sem pensamentos. Sei que tem diferenças, mas não sei quais são.

    Você que é praticante, poderia nos explicar melhor?

  8. o que nada sabe said

    Olá,

    Bom, eu participei de um curso num centro de meditação (Dhamma Santi) que ensina Vipassana da mesma forma que ta sendo ensinada pro pessoal no presídio. Assim, vou falar um pouco (bem pouco!) sobre a Vipassana conforme é ensinada lá.

    A base do que eles ensinam é colocar a mente num estado livre de pensamentos, focando toda a atenção nas sensações corporais, percebendo estas sensações com equanimidade (sem nenhum “apego” ou “aversão”, tanto para as sensações “boas” quanto para as “ruins”), aceitando-as da forma como são e entendendo que todas tem apenas uma característica em comum, a impermanência. A medida em que desenvolvemos a equanimidade e compreendemos (não intelectualmente) o caráter impermanete destas sensações (durante a prática e posteriormente no nosso dia-a-dia) vamos eliminando “Sankaras”, que são nossas predisposições kármicas, nossos condicionamentos.

    De uma forma bem resumida é isso.

    Abraços

    Mais informações http://www.dhamma.org/

  9. livio said

    Não acho que fui claro – sei da dificuldade de explicar uma prática com palavras, mas é muito mais fácil explicar a experiência em si. Mudanças pessoais, na maneira com que as coisas alcançam os seus sentidos, como voce se expressa.

    Encontrei uma referência sobre os vipassana no RJ, onde são ensinados durante dez dias consecutivos de isolamento, e por isto, formulei a pergunta. A coisa é bem intensa.

  10. adi said

    Oi Livio,

    “…mas é muito mais fácil explicar a experiência em si. Mudanças pessoais, na maneira com que as coisas alcançam os seus sentidos, como voce se expressa.”

    Olha, a bem da verdade, eu mesma nunca pratiquei exatamente a “Vipassana” como descrito, nunca fiz o curso; mas aprendi outras formas de meditar lendo livros, etc. Então, nem sei que tipo de meditação pratico hoje (rsrs), só sei que medito de uma forma que traz resultados pra mim.

    Então posso somente falar da minha experiência com a meditação. Até já tentei meditar prestando atenção a respiração, também já fiz meditação com respiração controlada do tipo que inspira contando até 10, segura contando até 10, solta contando até 10. Mas eu prefiro mesmo, sentar em 1/2 lótus, coluna reta, olhos fechados eu vejo uma certa claridade, como quando olhamos pra luz do sol e fechamos os olhos, ainda continua um pouco dessa claridade com cores, e fico prestando atenção nisso. Quando comecei praticar, 17 anos atrás, o mais difícil era parar quieta 40 min., dói a perna, adormece os pés, depois formiga tudo, dá coceira no rosto, sono, vontade de espirrar, enfim, um monte de coisas atrapalha. Depois, quando essa parte fica melhor, são os pensamentos que não param, então difícil é a concentração da mente. Mas com a prática diária, chega um ponto que a concentração é boa que a sensação corporal muda, como se percebesse a energia do corpo, como espuma de sabão que se comprime e se movimenta ao redor do corpo, os pensamentos param, fico só observando essa claridade que se intensifica bastante. Depois que para a meditação, se esclarece determinadas questões com relação ao espiritual, você pode até escrever pra você não esquecer.

    Outra coisa que melhora, por exemplo se alguma coisa te aflige, te chateia em relacionamentos; quando se medita, como se a pessoa visse o problema de fora e percebesse o que de fato ocorre; por exemplo se for distorção da percepção “do meditador” ele vai perceber, a ficha vai cair, ele vai tentar mudar; ou o indivíduo pode perceber que o que incomoda ele é problema da outra pessoa, não tem haver com ele, não tem relação com sua pessoa, não é pessoal… então o ocorrido não vai incomodar mais, vai ficar resolvido com o indivíduo. E acho que isso significa ver a “realidade” sem distorções, ou seja, você começa a identificar o quanto as informações que te chegam são distorcidas pela sua percepção, e percebe também o quanto a informação que você envia é distorcida pelo receptor, e nesse caso, não é problema seu, não tem relação com você, mas com cada um que recebe e interpreta a mensagem de acordo com suas próprias percepções… entende?? e nesse caso não há motivo de se chatear, afinal, nosso verdadeiro alcance de mudanças se refere primeiro a nós.

    Bom, nem sei se era isso que você perguntou (rsrs), me desculpa então por ter escrito tanto 😀 .
    Mas eu acho, que independente de qual tipo de meditação se utilize, os resultados vão ser bem próximos, bem parecidos, ou seja, a mudança interior sempre e pra melhor. Estes reconhecimentos te trazem paz, maior harmonia com o meio, diminui a agressividade pois não há tanta necessidade de atacar nem se defender, diminui a ansiedade, etc, etc, etc….

    E tudo isso aí que escrevi, não é o tal do autoconhecimento? Pois é isso mesmo. E não se trata também de se conhecer e aceitar suas falhas de percepção e distorção? é isso também. A gente só pode mudar em nós mesmos o que conseguimos reconhecer e aceitar, pois enquanto os defeitos continuam sendo dos outros e só dos outros, o que podemos mudar então??

    abs
    adi

  11. timóteo pinto said

    A medida em que desenvolvemos a equanimidade e compreendemos (não intelectualmente) o caráter impermanete destas sensações (durante a prática e posteriormente no nosso dia-a-dia) vamos eliminando “Sankaras”, que são nossas predisposições kármicas, nossos condicionamentos.
    ————–

    síntese rock ´n roll essa do q (diz q) nada sabe! 😀

    no pequeno universo/órbita do microcosmo taoísta isso tb ocorre, verificável no livro taoist yoga, do charles luk, ou no sistema apresentado por chunyi lin, http://avaxhome.ws/ebooks/rtjhefad.html , sistema oriundo da linhagem de lao tzu, http://www.qigongmaster.com . A cada passada com a respiração e a mente em cada um dos doze meridianos, vc elimina o q está em excesso ali, seja o q for bom e oq for ruim (até doenças), pois o bom pede pelo mau e o mau pelo bom! :D. Na verdade, oq aprendi, se é q aprendi algo! 😀 :D, qualquer coisa q se prender, mesmo as sensações boas, uma hora vira ruim, pois ficando presa num dos 12 meridianos, ela fica travada, parada num só meridiano (meio um reflexo do desejo de permanência), e com o tempo gera algo bem desarmônico no fluxo todo de chi, até travar de vez. Dai é tragédia interna.

    Estas meditações indianas tb tem o hábito de coletar e guardar energia ou o equivalente a chi, no ponto/meridiano na área do estômago com o intuito de primeiro, despertar a pineal (algo similar ao desperar permanente da kundalini) e depois se “criar um corpo sutil”, lex? Se não, vc saberia me informar qual técnica indiana há q tenha algo semelhante?

  12. Sem said

    Lex,

    eu estava visitando o seu blog e descobri que nós somos amigos no Orkut, procura lá, sou a Juçana. Mal sabe vc que foi através de um texto que vc colocou na comunidade Budismo que eu descobri o Franco-Atirador… era um texto do Lúcio sobre materialismo dialético e ideologia… algo assim.

    Isso tem, sei lá, 3, 4 anos? mas foi a partir dali que eu cheguei até aqui… Atualmente não frequento mais as comunidades do Orkut, quase não acesso mais o Orkut para falar a verdade, só mantenho algumas comunidades por consideração a algumas pessoas conhecidas ou ter interesse no assunto.

    Budismo é assunto do meu permanente interesse, mas não no sentido de pertencer a alguma sangha. Quer dizer que não sou budista; no entanto a doutrina ética é algo que encontro extrema afinidade, estou falando de prática de vida mesmo.

    Mantenho tb permanente interesse de saber tudo o que diga respeito a meditação. Esse é um dos assuntos mais mal resolvidos na minha vida, apesar de ser simples, seria só sentar solitário, mas não é bem assim… na prática eu somo mais iniciativas isoladas do que uma rotina efetiva na qual eu tenha ou que pelo menos sinta alguma “evolução”.

    Obrigada por tudo e abraço fraterno!

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