Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Just – Living

Posted by Fy em setembro 18, 2009

Just  –  Living

Soon she’s down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up

As animações feitas em stop motion, se produzidas com alguma imaginação fornecem efeitos verdadeiramente excepcionais. A técnica consiste basicamente em montar uma cena onde o vídeo é feito fotograma a fotograma, entre os quais, os objectos são movimentados ligeiramente. O resultado final é um filme que dá uma nova perspectiva a todo o tipo de objectos, onde estes assumem novas formas e ganham vida, desafiando todas as leis da fisica, bem como a nossa própria percepção do mundo.

Fy

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17 Respostas to “Just – Living”

  1. Fy said

    Sun been down for days
    A pretty flower in a vase
    A slipper by the fireplace
    A cello lying in its case

    Soon she’s down the stairs
    Her morning elegance she wears
    The sound of water makes her dream
    Awoken by a cloud of steam
    She pours a daydream in a cup
    A spoon of sugar sweetens up

    And She fights for her life
    As she puts on her coat
    And she fights for her life on the train
    She looks at the rain
    As it pours
    And she fights for her life
    As she goes in a store
    With a thought she has caught
    By a thread
    She pays for the bread
    And She goes…
    Nobody knows

    Sun been down for days
    A winter melody she plays
    The thunder makes her contemplate
    She hears a noise behind the gate
    Perhaps a letter with a dove
    Perhaps a stranger she could love

    And She fights for her life
    As she puts on her coat
    And she fights for her life on the train
    She looks at the rain
    As it pours
    And she fights for her life
    As she goes in a store
    With a thought she has caught
    By a thread
    She pays for the bread
    And She goes…
    Nobody knows

    And She fights for her life
    As she puts on her coat
    And she fights for her life on the train
    She looks at the rain
    As it pours
    And she fights for her life
    Where people are pleasently strange
    And counting the change
    And She goes…
    Nobody knows

    O sol esteve distante por dias
    Uma linda flor em um vaso
    Um chinelo perto da lareira
    Um violoncelo deitado em seu estojo

    Logo desce as escadas
    Sua elegância matutina. ela usa
    O som da água faz seu sonho
    Despertado por uma nuvem de vapor
    Ela derrama um sonho em um copo
    Uma colher de açúcar adoça-o

    E ela luta por sua vida
    Enquanto coloca seu casaco
    E ela luta por sua vida no trem
    Ela olha para a chuva
    Enquanto ela cai
    E ela luta por sua vida
    Enquanto ela vai a uma loja
    Com um pensamento que tinha pego
    Em um fio
    Ela paga pelo pão
    E ela vai …
    Ninguém sabe

    O sol esteve distante por dias
    Uma melodia de inverno, ela toca
    O trovão faz ela contemplar
    Ela ouve um barulho atrás do portão
    Talvez uma carta com uma pomba
    Talvez um estranho que ela poderia amar

    E ela luta por sua vida
    Enquanto coloca seu casaco
    E ela luta por sua vida no trem
    Ela olha para a chuva
    Enquanto ela cai
    E ela luta por sua vida
    Enquanto ela vai a uma loja
    Com um pensamento que tinha pego
    Em um fio
    Ela paga pelo o pão
    E ela vai …
    Ninguém sabe

    E ela luta por sua vida
    Enquanto coloca em seu casaco
    E ela luta por sua vida no trem
    Ela olha para a chuva
    Enquanto ela cai
    E ela luta por sua vida
    Enquanto vai a uma loja
    Onde as pessoas são prazeirosamente estranhas
    E contando o troco
    E ela vai …
    Ninguém sabe

  2. Eliane said

    Maravilhoso!!!

    Nossos sonhos…
    Living…
    Percebe-se
    Os relacionamentos, os alto-baixos
    Marés
    Mares
    Amares
    no jogo dos lençois

  3. Fy said

    Eliana,

    Que lindo vc escreveu!

    Voce também “leu” o que eu senti quando assisti e “falou tão bonito” : thank’s.

    Incrível como é possível ler,- “ler” esta “conexão espontânea” entre alma e corpo : uma coreografia simbiótica, a interação de ambos através do Movimento: é intrínseco, simbiótico…

    uma reciprocidade total de intensidades, emoções que significam – apresentam – uma leitura tão simultânea da alma e do corpo. [ mente, espírito,como preferirmos: …mas não fica tão bonito, ahahah]

    Uma dança onde as múltiplas relações, do Ser com a Vida coexistem, mesmo nas diferentes formas em que são absorvidas.

    Esta unicidade gera um mutualismo plural, uma harmonia semelhante a dos diferentes sons em uma sinfonia.

    Conta-se que, quando perguntaram a Isadora Duncan, em que época começou a dançar, ela teria respondido: “No ventre de minha mãe”.

    Eu, cácomigo, penso que o corpo, é a expressão da alma. Mais até, é a forma como ela encontra seu meio de expressão e sua fonte de inspiração. E o corpo tem uma estreita ligação com a Vida. Alem de ser Vida.

    Esta poesia de Drummond, [ pra mim ] – especialmente linda – traduz este post:

    A Dança e a Alma

    A dança? Não é movimento,
    súbito gesto musical
    É concentração, num momento,
    da humana graça natural.

    No solo não, no éter pairamos,
    nele amaríamos ficar.
    A dança – não vento nos ramos:
    seiva, força, perene estar.

    Um estar entre céu e chão,
    novo domínio conquistado,
    onde busque nossa paixão
    libertar-se…. por todo lado…

    Onde a alma possa descrever
    suas mais divinas parábolas
    “sem fugir a forma do ser”,
    por sobre o mistério das fábulas.

    Viola de bolso(1950-1967)
    Carlos Drummond de Andrade

    Vou arrematar com Whitman:

    O próprio ser eu canto (…)
    A vida plena de paixão
    força e pulsão,
    preparada para as ações mais livres
    com suas próprias leis divinas (…)

    – …Para ser grande – e “viver” – sê inteiro….

    E, como vc disse, é mesmo impossível não lermos tudo isto no jogo dos nossos lençóis.

    Bjs

  4. Gustavo said

    Muito legal.
    Vida, uma coreografia única para cada alma/corpo.

    diante de um futuro que vos improvisou, bata em qualquer porta antes de entrar, e quando a porta se abrir de par em par, não entre, espreite e depois de vos ser oferecido qualquer taça redentora do brinde, desvie-se de tais cursos.

    E mesmo antes de o dia findar, ajoelhe-se diante do pecado não cometido.

    E após, corra para as mãos do sonho que não terminará mais.

    A loucura não acaba aqui e por nós aprende-se, quando não somos por bem vindos na manhã daquele dia.
    E não aceites os remédios que te obrigam a estar bem de um dormir falseado.

    Reis e rainhas, coroados de um ouro metalizado que os derreterá frente a frente de um outrora. E porque agora é já agora!

    Passeia pela tua avenida.
    Descalça-te na praia e corre frente ao espraiar das ondas. Eleva-te nos céus e cobre-te das nuvens soalheiras que te aconchegam.
    Brilha com o sol e não esperes mais por esses, por todos esses que não te saberão ver e descobrir.
    Abre a janela da casa em teu interior e avista a única paisagem luminosa de todas as tuas estações.

    E acima de ti cobrir-te-á o sono que te agasalha por aí todos os dias da tua mesma e ainda por morrer, noite com vida.

    da Alice

    When you do dance, /and dance/dance/dance/ I wish you

    I wish you
    A wave o’ th’ sea, that you might ever do
    Nothing but that; move still, still so,
    And own no other function.
    (Shakespeare, The Winter’s Tale IV.iv)

    TocaYo

  5. Fy said

    Aloha Tocayo,

    Mto boa a ligação Oren Lavie > Alice.

    Foi com o trabalho:

    “- o Corpo: a assinatura-mundo. – ”

    – não foi?

    Lindo trabalho: A ênfase posta no corpo – sobre um fundo (ir)representável – à partir da: recuperação da experiência do sensível .

    a liberação de um trânsito, onde se bifurcam indivíduos, meio e devires. transgressões temporais -.
    deslocamentos : Vida.

    Devir

    Deleuzando e Vivendo. Como não?

    E que mais é a Vida que não um devir – bailarino?

    Nossos Corpos e Almas se aventurando nas Intensidades desta sinfonia > só assim, propõem-se a pensar o corpo que dança ou a vida que vive.

    Um corpo vivo é um corpo que dança as complexidades deste tempo dançante – não é?

    – que exige novos gestos, que compõem novas imagens, e, para tanto, é preciso que se desprenda > contínuamente …. em atravessamentos, trajetos, devires

    Devir é areia movediça que desequilibra mapa e rota planejada; – e marca no corpo desvios, passagens, transgressões.

    A intensidade do que está por vir é sempre um fogo que derrete o mutismo; uma dança onde os pés são consumidos pelo calor do contato. – Não há outra forma de voar.

    E não há rotas no céu.
    E nem ritmo que impeça o mar de cumprir o seu devir.

    Mais devir do que a experiência do sensível? –

    A vida: um devir escritor, que se deixa atravessar para compor uma escrita inventiva, – um “escritor feiticeiro”, como diria Deleuze e Guattari -1997 ?

    – E não aceites os remédios que te obrigam a estar bem de um dormir falseado. > Tocayo

    – Dive- in – it.

    Bjs

  6. adi said

    Fy,

    Lindo!! uma forma muito criativa e divertida de animação.

    O efeito dá vida a objetos, e ainda faz com que questionemos a forma com que percebemos o mundo…

    A vida é um sonho bonito, estamos sonhando o tempo todo….

    bjs

  7. Elielson said

    Os sonhos, estas manifestações noturnas, possuem, sem dúvida, tanta realidade quanto as têm aquelas imagens mais grosseiras do dia, nas quais podemos tocar com as mãos e as quais, não é raro, nós sujamos

    Heinrich Heine

  8. Mob said

    Fy,
    >O sol esteve distante por dias
    Uma linda flor em um vaso
    Um chinelo perto da lareira
    Um violoncelo deitado em seu estojo

    Lindo vídeo. Cheio de sutilezas, carinhos… encantamentos surpreendentes com a vida . Deixo um poema em resposta: Just — Living:

    VII
    by Wendell Berry

    I would not have been a poet
    except that I have been in love
    alive in this mortal world,
    or an essayist except that I
    have been bewildered and afraid,
    or a storyteller had I not heard
    stories passing to me through the air,
    or a writer at all except
    I have been wakeful at night
    and words have come to me
    out of their deep caves
    needing to be remembered.
    But on the days I am lucky
    or blessed, I am silent.
    I go into the one body
    that two make in making marriage
    that for all our trying, all
    our deaf-and-dumb of speech,
    has no tongue. Or I give myself
    to gravity, light, and air
    and am carried back
    to solitary work in fields
    and woods, where my hands
    rest upon a world unnamed,
    complete, unanswerable, and final
    as our daily bread and meat.
    The way of love leads all ways
    to life beyond words, silent
    and secret. To serve that triumph
    I have done all the rest.

    “VII” from the poem “1994” by Wendell Berry, from A Timbered Choir: The Sabbath Poems 1979–1997. © Counterpoint, 1998. Reprinted with permission.

    And that song sings my soul.

    bjo, bjo.

    Mob.

  9. Gustavo said

    Fy

    Isto.

    que o Devir é a inexistência de fronteiras, onde são traçadas linhas de fuga que não se sabe onde começam ou acabam. É uma contínua construção e desconstrução de conceitos onde excessos e limites se atravessam em panoramas espontâneos.

    alma que atravessa corpo que atravessa alma

    A questão do devir é simplesmente uma aceitação. Quando resistimos apenas criamos represas, sujeitas à corrosão entre outros fatores também devires.

    A vida: um devir escritor, que se deixa atravessar para compor uma escrita inventiva, – um “escritor feiticeiro”, como diria Deleuze e Guattari -1997 ?

    Isto me lembra a evidência de um leitor feiticeiro. Pra aquelas linhas de fuga que se quebram em cadências (dês) ritmadas, geralmente vestidas de azul sem fim, elegia ( lembrei Caetano) que se (des) substancia em amanhecer. como diria TocaYo – em tempo que atravessa espaço que atravessa tempo

    É, deleusiar!

    Bem lembrado, a do poeta do Kentucky, bueno !

    When despair for the world grows in me
    and I wake in the night at the least sound
    in fear …..
    I come into the peace of wild things
    who do not tax their lives with forethought
    of grief. I come into the presence of still water.
    And I feel above me the day-blind stars
    waiting with their light. For a time
    I rest in the grace of the world, and am free.

    – Wild Thing, Here Wendell Berry gives himself over to nature.
    Amazing too.

    Isto aí Fy, muito legal, mesmo, devires, onde o tempo nos leva e consegue tudo aquilo que o espanto quis e não pôde.

    Diving in it

    TocaYo

  10. Fy said

    Mob,

    I would not have been a poet
    except that I have been in love

    where my hands
    rest upon a world unnamed,
    complete,

    I am silent.

    – from me : to you, Lucky Man:

    http://www.orenlavie.com/

    [ Clica – e em seguida clica em Videos.]

    Bjs

  11. Bob said

    Gostar é simples assim
    Ares de contemplação
    Na cegueira dos mais sublimes sentimentos humanos

    Mais que os manjares dos ricos
    É o inconfundível cheiro do café ainda a passar
    É gosto de fruta madura

    A imagem da mesa posta
    O cheiro das manhãs frescas de verão
    /como se as manhãs tivessem cheiro/

    O mágico fascínio de coisas simples e cruas
    Autênticas
    É o descanso de um abraço
    No soberano espaço de um olhar

    É um querer
    Um prazer sem sentido

    Santa Maria da Simplicidade
    Perdoai aqueles que não sabem
    Da graça em abundância
    Do supremo luxo
    Que é o simples gostar

    (Georgiana de Sá – .overmundo.com.br)

  12. Fy said

    Bob,

    Que coisa mais bonita isto!

    O cheiro das manhãs frescas de verão
    /como se as manhãs tivessem cheiro/

    Ah, mas como tem!

    ….Just – Living…!

    Mas é preciso e só é preciso ter corpos suscetíveis pra que alma respire,

    [Preciosa e rara] Santa Maria da Simplicidade
    Perdoai aqueles que não sabem….

    – que existem crianças cor de romã!

    – Bocas de açaí e capim rosa chá !

    A franja na encosta
    Cor de laranja
    Capim rosa chá
    O mel desses olhos luz
    Mel de cor ímpar
    O ouro ainda não bem verde da serra
    A prata do trem
    A lua e a estrela
    Anel de turquesa
    Os átomos todos dançam
    Madruga
    Reluz neblina
    Crianças cor de romã
    Entram no vagão
    O oliva da nuvem chumbo
    Ficando
    Pra trás da manhã
    E a seda azul do papel
    Que envolve a maçã
    As casas tão verde e rosa
    Que vão passando ao nos ver passar
    Os dois lados da janela
    E aquela num tom de azul
    Quase inexistente, azul que não há
    Azul que é pura memória de algum lugar
    Teu cabelo preto
    Explícito objeto
    Castanhos lábios
    Ou pra ser exato
    Lábios cor de açaí
    E aqui, trem das cores
    Sábios projetos:
    Tocar na central
    E o céu de um azul
    Celeste celestial

    – Vem sempre, vc é tão bem vindo !

    Bjs

  13. Bob said

    hehe…legal, Fy! É isso aí 🙂

    Just-living

    Bj

  14. Fy said

    Adi,

    O som da água faz seu sonho
    Despertado por uma nuvem de vapor
    Ela derrama um sonho em um copo
    Uma colher de açúcar adoça-o

    E ela vai …
    Ninguém sabe…

    Também achei lindo Adi; – e, me chamou a atenção a sensibilidade, sobretudo pra nós mulheres, que geralmente, mesclamos mesmo sonho e realidade, realidade e sonho em nosso cotidiano com mais freqüência.

    – A vida é um sonho bonito, estamos sonhando o tempo todo…. > Adi

    “We are such stuff as dreams are made on.”
    “Somos da mesma substância que os sonhos.”
    > Shakespeare

    Bjs

  15. Fy said

    Elielson,

    “Há quem diga que todas as noites são de sonhos.

    Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.

    No fundo, isto não tem muita importância.

    O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.

    Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”
    Shakespeare

    [ – andei lendo vc no SDM: fantástico seu último comentário – ]

    Bjs

  16. Fy said

    Adi,

    – Quando encontrei este trabalho do Lavie, fiz uma conexão imediata com o ensasio desta psicóloga. – Gostei mto; se vc voltar aqui, dá uma olhada:

    “Somos da mesma matéria de que são feitos os sonhos;
    nossa breve vida está rodeada por um sono.”
    W. Shakespeare.

    “Até onde podemos discernir, o único propósito da existência humana
    é acender uma luz na escuridão do mero ser.”
    C.G. Jung.

    Como transpor algumas ignorâncias e trazer esclarecimento, luz para o nosso existir?

    E, para começo de conversa, o que todos nós andamos sonhando? Quais os nossos sonhos mais particulares e quais aqueles que respiramos coletivamente?

    Essas são indagações dignas de respostas o melhor possível elaboradas, mas por não serem objetivo de tal escrito, serão um dia organizadas (com a colaboração de vocês interessados no tema, é claro).
    Mas mobilizada por uma preocupação, acredito que se faz necessário um resgate.

    Partindo do pressuposto que Espontaneidade caminha lado a lado com a Criatividade, observo que muitas das queixas sentidas por pacientes, familiares e amigos devem-se a uma “desautorização”, “bem construída”, para lidar com aspectos incompreensíveis do ser.

    Afixo o cartaz PROCURA-SE.
    Por onde anda essa tal Espontaneidade?

    Ora se, segundo Shakespeare, somos feitos do mesmo material que o sonho, e, já para Aristóteles, os sonhos são uma afecção do coração, criando um axioma a là fast food, poderíamos perguntar: o que afetam nossos corações?

    Ou, mais apropriadamente: o que estamos fazendo com o resultado das afecções em nossos corações?

    É certo de que estaremos sempre (muito pretenciosamente) metendo o bedelho aqui e ali, fuçando até achar o que parece ser o mais agradável, ou protestar, engabelar até ouvir o que queremos.
    Senão, não veríamos uma avalanche de pequenos dicionários de sonhos (alguns distribuídos pela Avon), uma enchurrada de pseudo-videntes dispostos a contribuir para esse mercado (uma mão lava a outra).

    Certo, muito bem, os ânimos foram aquietados, confortados: não preciso mais me preocupar com o que diabos aquele sonho queria dizer, mas a máquina que produziria, a partir do sentimento despertado, algumas representações, expressa as conseqüências por esse ato.

    Pagamos um preço. Não percebemos que aceitando a receita vinda de fora, do estrangeiro, ferimos a camada que protege o que entendemos por capacidade.

    Delegando a um outro a responsabilidade pela decifração de alguns enigmas, claro, utilizando algumas desculpas como: ‘não tenho tempo’, ou (a que mais gosto): ‘afinal, estou pagando para isso, não é?’ distorcemos o que de fato nos trouxe, desviamos o foco, despotencializamos a nós mesmos por simplesmente nos distanciarmos de nosso mais íntimo vizinho, nosso inconsciente.

    A lei do uso e do desuso é implacável! O preço a se pagar é o atrofiamento da máquina da representação.

    Mas é só o representar que se atrofia, a mente, ao contrário, perde todos os controles, dispersa-se em níveis estratosféricos ( graças ao mecanismo de compensação, aquele que regula a psique) em miúdos: > o inconsciente engole o indivíduo.

    E não importa o quão forte ele (o coração) pode bater, correr, apressar, temos um anestésico, uma dose a mais, um sossega leão para driblá-lo, controlá-lo, derrotá-lo.

    Para acompanhar o que pretendo construir, permitam-me um ir e um voltar um pouquinho.

    O que você acha que mobiliza mais o ser humano?

    – O sentimento de incapacidade (pelo fato de não conseguirmos lenitivo por nós mesmos)

    – ou o que intrigou, despertou do tranqüilo sono, e que foi habilmente construído pelo material inconsciente?

    – Pretenciosos como somos e intoleráveis para sensações de desamparo, angústia, e principalmente deslocamento (sentir-se um peixe fora d’água), (o inconsciente nos tira o solo!) qual o confronto a ser ‘escolhido’?

    E nos rejubilamos por ‘escolher’ (estou no comando). Não tenham dúvidas: confrontamos, bravamente, o sentimento da incapacidade. Até porque não nos afasta do que é familiar, afinal nós o criamos. Mais apropriadamente o elevamos ao grau de representação.

    Para o bom acompanhador: O que é isso? O que está acontecendo aqui? Não faz sentido falar agora de um sentimento que foi criado, manipulado.

    Certa vez escutei de uma colega, também psicóloga, que não veríamos mais um Freud, um Jung nos dias de hoje.
    Aquele comentário me intrigou. O que esperamos? O que estamos fazendo afinal? O que sofremos com o efeito da secularização do conhecimentos da psicologia?
    E por que imaginar que tal efeito pode estar interferindo, interceptando a maior de todas as características de nossa mente? A de pertencente à Natureza.

    Em 1934, Jung já dizia: “os sonhos são natureza pura; eles nos mostram a verdade natural, sem maquiagens, e por isso se prestam, como nada mais, a dar-nos de volta uma atitude que está de acordo com nossa natureza humana básica, quando nossa consciência se desviou demais de seus fundamentos e chegou a um impasse.”

    O que estamos fazendo com o próprio conhecimento de que dispomos, e que alardeamos possuir? Para todos: não nos enganemos, ele (nosso conhecimento) é o responsável por muito desse impasse.

    Citando Fernando Pessoa:

    “veja a vida de longe, nunca a interrogue, ela nada pode dizer. Pois as respostas encontram-se além dos deuses.”

    Quem sabe não pode ser um começo não confundir apreensão com distorção e compreensão com escravidão. Jung já nos alertava:

    “A arte de interpretar sonhos não pode ser aprendida nos livros. Métodos e regras só são bons quando podemos prescindir deles. Só o homem que é capaz disso é realmente competente, só o homem compreensivo realmente compreende”. (CW 10, Jung)

    Como não submergir a uma fórmula e manter viva a experiência do sonhar como um caminho para a compreensão da simbologia pessoal de cada um de nós?

    Minha idéia, e objetivo desse escrito, é mesclarmos atitude (aquela que Jung comenta, escrita na citação quatro parágrafos acima), aquela que nos lembra de nossa natureza básica: a humana, com a compreensão citada logo acima.

    A propósito, que compreensão é essa?

    Como entender, despertar uma compreensão que prescinde de fórmulas, métodos, e principalmente garantias (eu incluiria)?

    Que atitude humana pode fazer tal mistura?

    Schopenhauer disse que há uma atitude, uma qualidade que sentida pelo homem possui o mesmo efeito que o calor na cera.
    E acredito ser essa a atitude para nós necessária.

    Trata-se da Gentileza. Senão vejamos:

    Como responder, ajudados pelo Sentimento da Gentileza, à pergunta: o que estamos fazendo com as afecções em nossos corações? Ah! Não se interpõe mais uma necessidade nem de apreensão, muito menos de resposta.

    Sobrevêm sim um sentimento que automaticamente une imagem onírica com representação nos capacitando a um simples sentir (espontaneamente), um passear com as cenas, movimentos, desafios, encantos, intensidades, incompreensão, angústia, respeito, dúvida, menosprezo… enfim, um manancial imenso, inesgotável de imagens/representações que por simplesmente serem sentidas geram sentido, transmitem, comunicam, criam outros sentidos, enfim nos interligam com o nosso lado inconsciente, lembrando que essa é a principal função do sonho.

    Luciana Ruth Amaro

    Bjs

  17. adi said

    Fy,

    Que lindo isso que vc colocou, concordo em tudo com a Luciana, eu gosto de analisar meus sonhos, porque as mensagens são exatas, precisas, perfeitas….

    Eu volto mais tarde, pra reler com tempo e comentar melhor, porque este assunto muito me interessa.

    Ontem meu notebook pifou e acho que perdi tudo, inclusive a continuacão do post “As transformacões…” estou escrevendo do computer da minha filha; não por isso, mas acordei cheia de questionamentos, não sei explicar Fy, e meio que tudo que vc colocou bate bem com isso que estou sentindo também.

    inté mais,
    bjs

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