Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

As transformações Iniciáticas – primeira parte

Posted by adi em setembro 5, 2009

Ainda  há muito mistério em torno dos rituais iniciáticos, e também muito mistério sobre os segredos revelados ao iniciado. Nas “ordens iniciáticas” ainda se mantém os ritos, esperando-se que o ritual desperte as verdadeiras mudanças no interior do iniciado. Há também aquela transformação ou iniciação que ocorre naturalmente, onde é o próprio Self  quem conduz as expansões da consciência, ou as transformações que se dá no interior, na psique  do indivíduo.

No processo de Individuação (que é o mesmo que iniciação), a transformação ocorre por conta do próprio inconsciente do indivíduo, e nesse desenrolar, é onde o indivíduo vai se tornando quem realmente é, ou seja, vai se apartando da consciência coletiva, ou da consciência grupal,  de massa, ou das tais egrégoras, e se tornando/conscientizando-se  de “Si-mesmo”.

Vou aqui, citar um capítulo do livro de Jung, “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo”, que fala sobre a atuação da consciência coletiva sobre o indivíduo.

“Há uma forma de transformação que pode ser chamada de identificação com o grupo. É quando da identificação de um indivíduo com um certo número de pessoas que têm uma vivência de transformação coletiva. É uma situação psicológica especial e que não deve ser confundida com a participação em um ritual de transformação, o qual é realizado de fato diante de um grupo ou público, mas não depende de forma alguma de uma identidade de grupo.0,,11121328,00 É uma coisa bem diferente vivenciar a transformação no grupo do que em si-mesmo. Em um grupo maior, entre pessoas ligadas ou identificadas entre si por um estado de ânimo peculiar, cria-se uma vivência de transformação que tem apenas uma vaga semelhança com a transformação individual.

Uma vivência grupal ocorre em um nível inferior da consciência em relação à vivência individual. É um fato que, quando muitas pessoas se reunem para se partilhar de uma emoção comum, emerge um alma conjunta que fica abaixo do nível de consciência de cada um. Quando um grupo é muito grande cria-se uma espécie de alma animal coletiva. Por esse motivo a moral de grandes organizações é sempre duvidosa. É inevitável que a psicologia de um amontoado de pessoas desça ao nível mais baixo.

Por isso,  se eu tiver no grupo  o que se chama uma vivência comunitária coletiva, esta ocorre em um nível de consciência relativamente inferior; por este motivo a vivência grupal é muito mais frequente que a vivência da transformação individual. É também muito mais fácil alcançar a primeira, pois o encontro de muitas pessoas tem uma grande força sugestiva. O indivíduo na multidão torna-se facilmente uma vítima de sua sugestionabilidade. Só é necessário que algo aconteça, por exemplo, uma proposta apoiada por todos para que cada um concorde, mesmo que se trate de algo imoral. Na massa não se sente nenhuma responsabilidade, mas também nenhum medo.

inc_coletivoA identificação com o grupo é pois um caminho simples e mais fácil; mas a vivência grupal não vai mais fundo do que o nível em que cada um está. Algo se modifica em cada um, mas essa mudança não perdura. Pelo contrário: a pessoa depende continuamente da embriaguez da massa, a fim de consolidar a vivência e poder acreditar nela. Quando nãoestá mais na multidão, a pessoa torna-se outro ser, incapaz de reproduzir o estado anterior. Na massa predomina “a participação mística”, que nada mais é do que uma identidade inconsciente. Por exemplo, quando se vai ao teatro, os olhares encontram imediatamente os olhares que se ligam uns aos outros; cada um olha como o outro olha e todos ficam presos à rede invisível da relação recíproca inconsciente. Se esta condição se intensifica, cada um sente-se arrastado pela onda coletiva de identificação com os outros. Pode até mesmo ser uma sensação agradável – uma ovelha entre dez mil ovelhas. E se percebermos que essa multidão é uma grande e maravilhosa unidade, tornamo-nos heróis exaltados pelo grupo. Voltando depois a nós mesmos, descobrimos que meu nome civil é este ou aquele, que moro nesta ou naquela rua…, e que aquela história, no fundo, foi muito prazerosa; e esperamos que amanhã ela se repita a fim de que eu possa sentir-me de novo como um povo inteiro, o que é bem melhor do que ser apenas o cidadão X ou Y. Como este é um caminho fácil e conveniente de ascensão a outros níveis de personalidade, o ser humano sempre formou grupos que possibilitassem vivências de transformação coletiva, frequentemente sob a forma de estados extáticos.

A inevitável regressão psicológica dentro de um grupo é parcialmente suprimida pelo ritual, isto é, pela cerimônia do culto que coloca no centro da atividade grupal a representação solene dos eventos sagrados, impedindo que a multidão caia numa instintividade inconsciente. Ao exigir a atenção e o interesse de cada indivíduo, a cerimônia do culto possibilita que o mesmo tenha uma vivência relativamente individual dentro do grupo, mantendo-se assim mais ou menos consciente. No entanto, se faltar a relação de um centro queRaArianaexpresse o incosnciente através de seu simbolismo, a alma da massa torna-se inevitavelmente o ponto focal de fascínio, atraindo cada um com seu feitiço.

Por isso as multidões humanas são sempre incubadoras de epidemias psíquicas, sendo os acontecimentos na Alemanha nazista o evento clássico desse fenômeno.

Contra esta avaliação da psicologia das massas, essencialmente negativa, objetar-se-á que há também experiências positivas como por exemplo um entusiasmo saudável que incentiva o indivíduo a ações nobres, ou um sentimento igualmente positivo de solidariedade humana. Fatos deste tipo não devem ser negados. A comunidade pode conferir ao indivíduo coragem, decisão e dignidade que ele perderia facilmente no isolamento. Ela pode despertar nele a lembrança de ser um homem entre homens. Mas isso não impede que algo lhe seja acrescentado, algo que não possuiria como indivíduo. Tais presentes, muitas vezes imerecidos, significam no momento uma graça especial, mas a longo prazo há o perigo de o presente transformar-se em perda, uma vez que a natureza humana tem a debilidade de julgar que é indiscutivelmente sua tal dádiva; por isso, num momento de necessidade, passa a exigir esse presente como um direito seu em vez de obtê-lo mediante o próprio esforço.

Infelizmente constamos isso com grande clareza na tendência de exigir tudo do Estado, sem  refletir sobre o fato de que este é constituído  por sua vez pelos mesmos indivíduos que fazem tais exigências. O desenvolvimento lógico desta tendência leva ao comunismo, no qual cada indivíduo escraviza a coletividade e esta última é representada por um ditador, isto é, um senhor de escravos. Todas as tribos primitivas, cuja ordem social é comunista, também tem um chefe com poderes ilimitados sobre elas. O estado comunista nada mais é do que uma monarquia absoluta em que não há súditos, mais apenas servos.”

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54 Respostas to “As transformações Iniciáticas – primeira parte”

  1. Elielson said

    Bom dia Adi.

    As multidões são cadavéricas, mas existe um potencial adormecido dentro do poder mutuo capaz de proezas, por vezes administradas em orações ou mutirões. É tanta capacidade no esforço conjunto que o homem atual se nega a ver a legitimidade das antigas obras arquitetônicas, quase como negando a própria engenhosidade.
    A sugestão coletiva é uma ciência muito proveitosa aos lideres, mas poucos lideres usaram essa ciência para amar seus ouvintes como a si mesmo.
    Tirando o lider da idéia comunista, acaba o trunfo dominador, muitas tentativas de aplicações de igualdade acabavam eliminando o individuo, esse é o primeiro passo para queda de qualquer império que se forme sobre a opinião de um servindo ao comportamento de todos. O individuo se restringia ao lider e isso lhe fazia deus.
    O ser humano e suas palavras não são a mesma essência, a palavra busca a essência, então o discurso ditatorial não alcança a essência de quem se deixa influenciar, mas é ao contrário, a essência do ser humano empresta-se ao discurso ditatorial, visando a preservação, mesmo pela ameaça ilusória de ser destruida, isso explica que os pós-crises são o tempo ideal para o levante das novas instalações de regimes e doutrinas.
    Os meios propagatórios da luz da esperança credibilizam o portador da ordem quando o mantra se torna exclusivo, mas logo que a promessa se cumpre, o individuo retorna a sua essência, fazendo que cristos e anticristos estejam sujeitos a essência humana.
    A partir daí começa um movimento politico de zêlo pelo que está instalado. O zêlo é um trabalho de manutenção do estado de espirito de um povo, para equilibrio com o Estado. A politica é isso.

  2. adi said

    Boa tarde Elielson,

    “A sugestão coletiva é uma ciência muito proveitosa aos lideres, mas poucos lideres usaram essa ciência para amar seus ouvintes como a si mesmo.”

    Eu fico pensando a respeito dos lideres, eles como que possuem um magnetismo, são personalidades Mana. Tem essa capacidade de transformar um povo, se assim eles desejassem; mas percebe-se um egoísmo tão grande nesses lideres, e isso falo por conta de todos os tipos, desde políticos até os religiosos…. Se eles ao menos olhassem um pouquinho pra fora de seu próprio umbigo, fariam um bem danado pra humanidade.
    Por exemplo, se os líderes religiosos quisessem abrir a mente do povo, de certa forma eles tem esse poder … e é exatamente aí que a coisa enrosca, “poder”… porque ninguém quer perder o poder, e tornando o povo forte, perde-se o poder de controle sobre ele…

    “A partir daí começa um movimento politico de zêlo pelo que está instalado. O zêlo é um trabalho de manutenção do estado de espirito de um povo, para equilibrio com o Estado. A politica é isso.”

    Exatamente, na política é a mesma coisa, exatamente a mesma coisa. Não há investimento na educação, porque não é interessante de forma alguma que o povo seja “culto, educado, sapiente”. Quem votaria nesse governo corrupto se todos fossem mais escolarizados? ninguém. É assim que o sistema continua se mantendo firme e forte, mantendo seu poder sobre as massas.

    Por isso se tornar um “individuado” é o meio de sair do sistema, de não ser mais influenciado de fora pra dentro, e de ser o senhor de si-mesmo.

    abs

  3. Sem said

    Putz, Adi, lá vou eu outra vez: existem dois tipos de poder. rsrs…

    Grosso modo, poder agregador e poder desagregador, que podem ser visualizados algo assim no procedimento de afirmação ou negação dos sujeitos da relação:

    Agregador: >indivíduo> & <sociedade<

    Desagregador: <indivíduosociedade>

    Aqui estou colocando a relação positiva ou negativa em termos quase absolutos, mas é apenas uma diferenciação didática, na realidade mesmo vão existir quase infinitas graduações entre esses dois extremos. Assim como estão são estados que praticamente inexistem na vida como ela se dá no concreto, pois nenhuma relação, e nem ninguém, é absoluto preto ou branco. Antes somos todos e mantemos relações nas mais variadas gradações de “cinzas”.

    Mas, radicalizando, só para evidenciar as diferenças, o poder que estou chamando de negativo e que está a favor da desagregação, é tudo isso o que o Jung está dizendo, quando se esquece de ser um indivíduo para seguir a coletividade. Só que no meu modo de entender não há problema algum com o coletivo, a sociedade em si não é nenhum demônio, assim como o indivíduo também não é nenhuma espécie de santo – a questão fica antes em se identificar a forma como os sujeitos estabelecem seus vínculos…

    Toda relação mantém os sujeitos mais ou menos dependentes uns dos outros, ou melhor, interdependência seria uma melhor palavra. Só que a dependência negativa é encarniçada na disputa pela destruição do outro. Na verdade “destruir” o outro será a fonte da destruição do próprio sujeito, só que nesse afã de separação, o sujeito não se apercebe como co-responsável na relação. A relação desagregadora pode começar na negação e no afastamento gradual dos sujeitos, mas, sendo constante e bem sucedida, explode na inconsciência negativa, quer dizer, na ignorância do outro – agora sim, desagregação total, o outro vira demônio cada vez mais terrível e mais poderoso tanto quanto mais negado e inconsciente, e nesse estado não existe possibilidade de integridade para o ser… o ser está dividido. Cada um tem um nome para essa “divisão”, a psicanálise em geral vai chamar de neurose, o Jung vi várias vezes atribuindo isso a uma psicose latente, Hillman chama de perda de alma, Marx de alienação, Adler de complexo de inferioridade, Reich de couraça, etc. etc.

    Pois é, mas existe um poder positivo, que é positivação da vida, do ser, de eros: é a potência de existir do Espinosa, que eu não diferencio muito da vontade de potência do Nietzsche. Começa pela afirmação da existência, da vida como ela acontece na realidade, e por se arrogar o direito ao eu de existir, dá direito também ao outro de existência. Seria então a real percepção da interdependência entre os seres, que desembocará numa atitude responsável perante a vida, ou ética, se quisermos lhe dar outro nome.

    Como distinguir uma coisa da outra, o poder desagregador do agregador? eu penso que Cristo nos dá a mais preciosa dica nesse sentido quando nos exorta a olhar para os frutos, pois é pelos frutos que se conhece a árvore… Olhar então para a realidade da existência, para o que de fato há, antes do que se diz que há, pois um discurso de existência não é a existência em si e até bem pelo contrário, pode ser o seu oposto. Mas e quando não há ação ou quando só há discurso, como se faz para diferenciar o poder “bom” do poder “ruim”? uma pista valiosa eu acho é examinar se há afirmação ou negação dos sujeitos no discurso, pois ser agregador ou desagregador é diretamente proporcional aos primeiros. O discurso positivo está sempre se assumindo e se responsabilizando ao invés de culpar e responsabilizar o outro pelo “fracasso” da relação. E claro, o discurso desagregador é o discurso da vítima e da impotência, é o discurso da projeção, que acusa o que o outro pensa, como ele sente, o que deve fazer, que cria um pano de fundo negativo contra o qual pretende se positivar.

    Mas porque será que nós temos mais notícias do poder ruim do que do bom? a política como está estruturada, as notícias que temos dos bastidores do senado brasileiro, as guerras pelo mundo, a destruição da natureza pelo mando capitalista de lucro, a filosofia disseminada do individualismo e da indiferença, a vitimização em detrimento da responsabilidade, tudo isso é o poder negativo atuando para a desagregação da vida… No entanto, se a gente desligar os noticiários, vamos ver que na vida das pessoas existe muito mais amor do que ódio circulando, e que na sociedade há muito mais caridade do que malevolência, e não é nem uma questão de querer que seja assim, mas tem que ser assim, pois de outro modo já nem existiria mais humanidade… É só reparar e contabilizar, no cotidiano da maioria, em média, tem sempre mais bem do que mal, existem sempre mais gestos salvadores, mais palavras de apoio do que de discórdia. Quantos hoje não tiveram o que comer e o que vestir pq alguém em algum lugar fez questão de dividir pão e agasalho, só que isso não está nos noticiários…. e quem trabalha para que a família tenha o que comer, e alguém que fará o jantar hoje para pessoas que vão estar agradecidas… e tem sempre alguém que planeja e executa trabalhos pensando mais no bem comum do que no próprio, e tudo isso é potência de existir e afirmação da vida… certo que o bem não faz alarde, mas por que temos tanto mais notícias do mal, se existe tanto bem circulando?

    Bom feriado procês!

  4. adi said

    Oi Sem,

    “Só que no meu modo de entender não há problema algum com o coletivo, a sociedade em si não é nenhum demônio, assim como o indivíduo também não é nenhuma espécie de santo – a questão fica antes em se identificar a forma como os sujeitos estabelecem seus vínculos…”

    De fato, não é que a sociedade é algo ruim, de forma alguma, o problema é o relacionamento, ou a identificação com aquilo que te leva distante de seu verdadeiro ser. O indivíduo busca força, identidade, segurança no grupo, no coletivo… e essa força é momentânea, fugaz; fica a necessidade constante de manutenção do vínculo… sendo que está dentro de nós esse mesmo poder.

    “…agora sim, desagregação total, o outro vira demônio cada vez mais terrível e mais poderoso tanto quanto mais negado e inconsciente, e nesse estado não existe possibilidade de integridade para o ser… o ser está dividido. Cada um tem um nome para essa “divisão”, a psicanálise em geral vai chamar de neurose, o Jung vi várias vezes atribuindo isso a uma psicose latente, Hillman chama de perda de alma, Marx de alienação, Adler de complexo de inferioridade, Reich de couraça, etc. etc.”

    Não sei se te entendi direito, mas eu acho que a neurose que Jung fala, bem como a perda de alma, se refere a uma desagregação interior, uma desagregação relacionado com si-mesmo. Já a sombra descrita por Jung, bem como a couraça de Reich, dizem respeito a algo que prende, que limita o ser e distorcem a realidade tal qual é. Pra mim quando se fala em integração, ou realizar a totalidade, não significa integrar o coletivo em si, não diz respeito as outras pessoas, mas antes de tudo integrar a sua parte; quando o indivíduo se torna inteiro é como integrasse a essa “força ou poder” da existência que é impessoal, e nesse sentido é a totalidade.

    “é a potência de existir do Espinosa, que eu não diferencio muito da vontade de potência do Nietzsche. Começa pela afirmação da existência, da vida como ela acontece na realidade, e por se arrogar o direito ao eu de existir, dá direito também ao outro de existência. Seria então a real percepção da interdependência entre os seres, que desembocará numa atitude responsável perante a vida, ou ética, se quisermos lhe dar outro nome.”

    Podemos comparar também a realização do Si-mesmo. Esse realizar, essa responsabilidade, essa ética, é assim, porque nessa realização do “impessoal” em si-mesmo, o que a real percepção mostra é que o verdadeiro SER que você realmente é, também é a totalidade da existência, então você sabe que “é também” o “outro” em essência, e é também todos os “outros”; acaba aquela percepção de “eu, meu, teu, dele, você, o outro…” ; a ética vem naturalmente porque você também é o outro.

    “Mas porque será que nós temos mais notícias do poder ruim do que do bom?”

    Sabe, eu entendo que nada pode ser considerado bom ou mal; na minha modesta opinião, não há “poder” bom ou ruim. Nós lidamos com forças e poderes da natureza, forças cegas, forças inconscientes, e somos nós que lhe imputamos o certo e o errado ao fazermos uso indevido ou devido dessas “forças ou poderes”.

    “certo que o bem não faz alarde, mas por que temos tanto mais notícias do mal, se existe tanto bem circulando?”

    Eu imagino que é porque tudo isso que se vê fora de nós é o reflexo da psique coletiva, é o reflexo do interior dessa totalidade da qual fazemos parte. Porque esse mal ainda nos choca e claro ao invés de olharmos pra dentro de nós preferimos observar o mal projetado no mundo, nos outros, fora de nós…

    Cadê a Fy? estou com saudades… beijão pra vc.

    beijão pra todos também.

  5. Cielo said

    Estive ausente devido ao trabalho estudo, mas sempre que posso dou um bisbilhotada :D.

    Os posts estão incriveis, parebens mesmo por que são de grande ajuda

    Bjus a abrçs

  6. Elielson said

    Sabe, eu entendo que nada pode ser considerado bom ou mal; na minha modesta opinião, não há “poder” bom ou ruim. Nós lidamos com forças e poderes da natureza, forças cegas, forças inconscientes, e somos nós que lhe imputamos o certo e o errado ao fazermos uso indevido ou devido dessas “forças ou poderes”.

    Adi.

    O direito e a garantia social, aos olhos do individuo, muitas vezes tornam-se lúdicos, o homem sabe muito bem favorecer-se da consciência individual no que se refere às causas próprias e fortalecimento de sua estrutura de poder dentro do que supostamente seriam os poderes individuais publicados pelo Estado, tornando-os submissos a sua vontade, bastando para isso extrair da fonte na qual poucos se arriscam por receio moral, ou pela baixeza que se submete ao extrator da fonte trevosa e espera nele a sobrevivência (preguiça).
    A capacidade de um ser humano de usar de artifícios intelectuais, como uma espécie de magia negra que centrifuga os pensamentos em símbolos fonéticos e estéticos que massageiam o ego do faminto por qualquer coisa, é uma capacidade usurpada pela raça das víboras, escribas e fariseus, homens de pouca fé que comem o puro e vomitam o impuro, alegando que o campo de visão adquirido pela espécie é a verdade absoluta que lhe permite o pecado. Fazem uso da natureza para negá-la, fazem uso da natureza para pensarem acabar com ela, contendo-a sem antes conterem-se, sendo que assim se acabam. Há algo de sorrateiro no oportunismo vivo que espreita os homens e devora-os em sua cópia barata de Paraíso, em sua perdição. Um acordar dentro desses limites concebe realidade na sua fome, mas não concebe realidade em alimentar, não concebe os atos de seu deus em suas mãos, não concebe a própria concepção sobre o que está realmente acontecendo aqui ( hipocrisia), e se agarra na inverdade dada como em uma bolsa de sangue novo a ser sugado com máxima intensidade e o mais rápido possível. O papel de sondar-se dentro e fora é dito vazio pelos que sondam você, e não se sondam. Então há qualquer coisa de um anjo caído em cada rosto, que está sorrindo como se a promessa de um novo dia fizesse de hoje a escuridão. Se a pessoa vê em si o pior ou o melhor não estará pronta mesmo pra igualdade. O ladrão que anda na noite pode até estar se valendo do que os bons não alcançam logicamente, mas isso não quer dizer que ele vai sobreviver sendo a causa. A natureza contém sua promessa dentro da luz que a humanidade acendeu. Mesmo que essa luz não esteja suficientemente forte, haverá um momento em que os corações arderão sua idéia de Deus, levantarão a cabeça, praticarão a verdade muito além de somente consertar e limpar o rastro da nossa jornada. Sentirão toda a liberdade para que os criminosos não vejam nesta mesma liberdade a oportunidade de perdê-la. Não deixe passar o mal, se vc imputar este valor na ação clara da destruição dos anjos, que não escolheram, e nem querem escolher, e que crescem permitindo aos próximos a mesma opção de não ser ferido. Não deixe passar o mal. Misturando-se para desviá-lo, confrontando-o para matá-lo, vigiando para que não nasça.

  7. adi said

    Valeu Cielo!!!

    bjs e abs também.

    Elielson,

    Você continua um romântico incorrigível. 😉

    “Mesmo que essa luz não esteja suficientemente forte, haverá um momento em que os corações arderão sua idéia de Deus, levantarão a cabeça, praticarão a verdade muito além de somente consertar e limpar o rastro da nossa jornada. ”

    Eis a grande questão, do qual a vida gira em torno; Arder-vivificar no coração a idéia divina – praticar a “verdade”, tudo isso está além dessa dualidade que chamamos de bem e de mal.

    abs

  8. Sem said

    Acabei de ler essa parábola budista e lembrei de nossas conversas por aqui:

    O pássaro de duas cabeças

    Trata-se de um pássaro de duas cabeças (e um corpo), cuja cabeça direita é comilona e hábil em encontrar comida, ao passo que a esquerda, igualmente comilona, é desajeitada. A cabeça direita podia sempre alimentar-se à vontade, e a esquerda ficava sempre com fome.

    Por isso, um dia, a cabeça esquerda disse à cabeça direita:

    – Conheço, pertinho daqui, uma erva deliciosa com a qual te regalarás; vem, vou conduzir-te ao lugar.

    A cabecinha esquerda sabia que, na verdade, se tratava de veneno, mas desejava promover, desse modo, a morte da cabeça direita para, depois, poder comer a seu talante. O que na verdade aconteceu foi que, primeiro, o corpo se intoxicou e, a seguir, as duas cabeças morreram.

  9. Fy said

    Adi,

    Tô aqui mergulhada num livro.

    Muito bom este teu post. [ e ficou lindo]

    – Vc por acaso leu:

    O Livro Tibetano da Grande Liberação > W.Y. Evans- Wentz ?

    – eu pergunto até pq o Mob me disse que é famoso…- e eu nunca tinha lido … – pois é: achei aqui em casa e Jung faz o comentário psicológico do livro.

    Adi: vc ia adorar – é excelente mesmo. Uma comparação entre o pensamento oriental e o ocidental; com uma conclusão simplesmente genial e surpreendente.

    Se vcs não leram, juro q vou tentar fazer uma síntese e postar: vale a pena.

    Bjs

  10. Fy said

    Sem,

    Sinistra e fantástica esta parábola.

    É a síntese mais incrível sobre dualismo que eu já li.

    Um super- resumo da influência platônica no nosso complicado e mimético ocidente.

    Nesta guerra angustiante [ uau de démodé] elaborada por Platão e que explica tão bem toda a decadência e quase que a totalidade da angústia do homem ocidental.

    Platão na veia do Agostinho:
    A afirmação mitológica da maldade inata na natureza humana encontra-se, como se sabe, na Bíblia. Ela está explicitada no episódio de Caim e Abel, como corolário da tese do Pecado Original; e foi “filosoficamente” elaborada por Santo Agostinho.” (PENNA, O.M., O espírito das revoluções: 83)
    Tenho para mim,contudo, que ela é posterior ao grego. O erro, o Mal entra pelo corpo para transformar o divino Bem da alma,” e isso… bem ensinara PLATÃO (cit. KELSEN, 1998: 3)

    “Com efeito, em Platão, a identificação entre Ser e Idéia implica a desqualificação do mundo sensível – cópia imperfeita de um mundo inteligível – com todas as suas manifestações de mutabilidade.”

    E…. daí a idéia do Paraíso Perdido que sempre foi sinistramente fascinante para o ser humano. A vontade de reencontrá-lo parece ter sido substituída por um lenimento na tradição cristã e outras, não é?: aquele tal adiamento post mortem, ou seja, a felicidade seria alcançada num encontro hipotético com deus.

    Um deus que faz parte de um Mundo de Linguagem: uma linguagem específica, pra cada um, claro. Jamais real. – jamais aqui – jamais acessível.

    Daí a perda da PERCEPÇÃO ocidental ,estreitamente ligada ao desenvolvimento desta Linguagem, deste alfabeto fonético que chamam de religião, e que acabou evoluindo em algum tipo de Espaço, construindo um “lugar” “a se alcançar” : sempre no dayafter da existência. E, que existe sómente onde exista uma “facilidade” ou um laço interativo entre os escribas e… as suas palavras…… [ pq ninguém mais, na realidade, “entende”] e que eliminou… a necessidade e a presença da Paisagem.

    E que acabou nos conduzindo ao Mundo, ou Espaço, onde agora nós vivemos: um mundo que resulta de nossa “própria” construção humana, isolado dos significados e das interações fundamentais da existência – e tão isolado, que fazemos escolhas sem coração, porque não ouvimos outras vozes senão… as nossas. Super irônico, isto – quase cômico.

    Na busca desta realidade out-there ; somos vítimas de uma angústia constante:e uma incapacidade de integração: …verificável.

    – Daí: tadinhas: as duas cabeças famintas – uma olhando pra o lado oposto da outra. Uma, louca pra viver neste paraíso: tal qual ele é; e a outra: pra lugar nenhum, esperando ver ou ser…alguma coisa.

    Esta visão de um modelo perfeito e esta busca artificial para se parecer com uma cópia desta “literatura – deus ou divina”: esta concepção imaginária de Perfeição, exigiu tantas neuras e loucuras – e que tanto negam a humanidade e animalidade do indivíduo, ignoram valores ontológicos e mantem uma interpetação de que tais coisas puramente naturais são pecaminosas, malignas, “sempre superáveis” – > acabaram criando um ser tão alienado que busca negar a si mesmo em prol de uma ou várias causas quase inatingíveis em processos dolorosos para a mente: para o corpo: para a alma. Tais buscas causam diversos problemas psíquicos e um fanatismo que distorce a realidade em uma complexa redoma de ideologias complexas demais para a maioria das pessoas. Até mesmo as psicológicas.

    É um tipo de utopia ou esperança artificial plantada como uma célula terrorista em nossos corações, ou como um chip infestado de vírus em nossas almas : a de que nascemos endividados e que a Terra é tudo aquilo que não é o “Paraíso” – e que ….temos que “descortiná-lo” a qq preço. …isto aqui: é uma expiação…

    [. E, de nossa parte, parece que estamos bastante empenhados em fazer dela a confirmação do que disse: uma devastação nas condições de vida que vão das relações do homem com o meio-ambiente até as mortificações das inter-relações.]

    E este é mesmo um veneno estúpido: – como não? – que está e sempre esteve, sim, na prática, envenenando a humanidade. E intoxicando letalmente o ser-humano.

    Desconsiderar a Realidade que é dada no instante e, por isto,uma realidade integrada faz uma diferença tão nociva; tanto em coisas grandes quanto em pequenas nas nossas vidas.

    Perceber que somos mesmo livres; pois que não estamos à mercê de forças ocultas “por traz do mundo”, que o mundo é exatamente como se mostra; e que temos que “vivê-lo” -“existí-lo” – [ nem que seja pra variar um pouquinho! ahahah]

    Não sermos escravos de inconsciente, de ego, de outros atributos instituídos e que estão se tornando exagerados, demonizados, tais quais os velhos fantasmas, e que também acabam se tornando processos inalcançáveis à nossa própria vontade, e dependentes de um obrigatório auxílio daqueles que “detêm” o conhecimento.[?] Can you get it? – ….all is the same….

    So, a litlle taste of: – Existencialismo; Sartre, com uma pitadinha pré-socrática, alegria de viver, coragem, observação, xamanismo, terra, integração com a natureza, com o que naturalmente somos, – Participação – aceitação, e toda uma literatura atual no sentido de urgência – sobre o “ser” “em” “vida”, nos remete sim, ao mistério e à natureza das coisas como se nos apresentam, nos remete à totalidade, à integração do que “já” somos e vivemos.

    E não a “aguardar” …e aguardar….e aguardar….. por uma completude de algo que está “sempre” para além do imediato, e que precisa ser obtido, …arrancado num contínuo processo de depuração e dissolução do que somos, através das tais dores que são vistas como um processo doloroso “obrigatório e sublime” pelo qual se purifica e se consegue atingir um mistério que é qualquer coisa, menos: a própria vida em si mesma [?].
    – sem considerar que o sofrimento é um alimento viciante….

    Uma cabecinha tentando viver; – e a outra: ….dissolver a vida.
    Tem que haver sabotagem! .. é “humano”.

    Este trechinho do holandês Cees Nooteboom em Os Anjos Caídos no Paraíso Perdido ilustra muito bem esta parábola e a forma como foi entendida por mim…: – todo o post é um devir…

    “O tempo, desprovido de peso, recebia um lastro em que tudo pesava: a tensão, o pressentimento de uma cilada.

    Ele [ homem] toca uma das asas [ do anjo] bem de mansinho, com a maior ligeireza possível….

    Anjo: – Please, go away. – I cannot.

    Homem: – But….I want to talk to you. (…) Acontece que me apaixonei perdidamente por você”, ele diz.

    Anjo: – “Foi por causa das asas.[…] Você não foi o único [ é sempre assim]. …Mas… anjos e seres humanos …são… incompatíveis”.

    Vou deixar uma parábola que eu gosto tb:

    Bjs

  11. Elielson said

    Nossa.

  12. Elielson said

    E se é?

    Se cada coisa está no lugar devido? Não digo de merecimento, mas no lugar preciso, em um eixo entre o positivo e o negativo, em que as leis karmicas caberiam como uma luva se não fossem tão irreais quanto qualquer crença que supomos como realidades vindouras, realidades metafísicas responsáveis pelo mecanismo de distribuição de sensações.
    As boas vontades nadam contra a maré?
    E o fazem como um suicídio?
    Todas as pessoas que lidam com o conhecimento, acabam ficando a par da mesma realidade, nessa realidade há uma visualização, constatação, previsão de efeitos. O despertar da consciência de possuir um corpo, e então o despertar da consciência de que esse corpo tem um prazo (levando em consideração que o Einstein demonstrou que quem sofre vê tudo devagar, e quem sente prazer vê tudo passando depressa.), desencadeiam os posicionamentos, de quem se coloca em algum lugar oferecido pelo meio, se instalando na sociedade como em um hospedeiro, dominado exclusivamente pelos instintos, usando a razão somente quando favorável ao centralismo, ou pelo menos dando este nome de razão ao instinto exclusivamente humano, (já que entre animais as disputas pelo domínio são mais força bruta do que imagem, e no ser humano, apesar de dominar as armas, usa mais a força dos paradigmas, do que a força bruta, sendo fascinante o fato de que os paradigmas humanos mesmo sendo forças que desviam a verdade da força bruta como imposição real, acabam ganhando muito mais força psicológica, assim sendo, o dominador psicológico ganha braços fortes, e não é o braço forte quem vai ganhar poder psicológico, principalmente se contrariar a vontade instintiva em comum dos homens, que são as necessidades naturais.)
    Mas voltando ao ponto x, A turma do mal, pode ser incluída, de repente, universalmente, em uma via neutra com a turma do bem?
    Creio eu, que tudo que aparentar a nós como um mal necessário, deve ser combatido na fonte, que é… O bem desnecessário.
    Mas quem nos confunde para não ver o bem desnecessário a não sermos nós mesmos?
    O conjunto e a força dos paradigmas perpetrados no conjunto. É tudo que a galera tem quando falta amor.
    … Observando causas e efeitos dos conflitos civis e militares, o que está sendo defendido?
    Interesses gigantes, que são fracionados e dissolvidos até que se apague a responsabilidade da força motriz, de quem se apossa dessa metralhadora giratória de bênçãos e maldições. Até pra ser objetivo dentro de palavras e oportunidades precisamos dessas bênçãos e maldições(e pra mim que não sei mexer com Linux, é melhor beijar a mão do Bill, e como ainda me comunico neste pedaço de terra, beijo a mão do Cabral.)

    Agora, voltando ao ponto x, do qual a cabeça esquerda me afasta…
    Poderia ser pior?
    Vejamos, eu já falei aqui de que o mal apresenta facilidade na pratica.
    Não falo de merecimento, eu falo de predisposição sistêmica e pré-requisito de paradigmas, pois o que é contrário ao sistema não é contrário a verdade, mas uma vez que a subversão recebe as rédeas, são rédeas de mentiras, então… o que fazer com elas?
    Manter as pessoas a salvo da verdade ou manter a verdade a salvo das pessoas?
    Questionam as formas Arquetípicas, mas não questionam os modeladores?
    Tracem um paralelo entre o Arquétipo e o Meme, e o que sobra?

    Sobra uma flor no deserto.

    Se os mártires fizeram o que fizeram, foi por que tinham que fazer, não foi para jogar a sociedade em um drama que já não tomasse formas abomináveis. E estas formas, quando ditas que existiram somente na visão martirizada, tornam-se menos irreais?
    A luta eterna é eterna enquanto não é travada, mas as lutas ENTRE os homens que se dizem eternas são travadas, por isso todos nós temos a hora não chegada.
    Nas palavras de uma moça que morreu debaixo de um trator que demole casas na palestina:

    (… Nenhuma pesquisa, leitura, documentário ou conversa poderia me preparar para a realidade da situação aqui. Você não pode nem imaginar, a não ser que veja. Isso não é o que eu pedi quando vim pra esse mundo, não é o que as pessoas aqui pedem quando vieram a este mundo. Este não é o mundo que você quer entrar quando partir. Isso tem que parar, acho que é uma boa idéia largar tudo e devotar nossas vidas a fazer isso parar.

    Rachel Corrie, ativista pela paz na terra santa, em carta para mãe….)

    Muito além do vicio de sofrer, os mártires seriam muito menos felizes se assim não o fizessem, pois é muito mais fácil sorrir em Deus, a ser feliz sendo um homem de bem em algum País baixo de super-economia , ou em alguma cúpula vampiresca nas regiões subdesenvolvidas.

    Por que cada um termina como quiser, mas no final termina como a natureza o quer.
    Não se pode apagar a luz sem o último ter saído…

  13. Fy said

    Elielson,

    “Deus” – seja lá qual for – não fabrica mártires e nem vítimas.

    Deusismo é que faz isto.

    Deusismo é uma “particularidade” humana, não divina; ….e que fabricou e fabrica muito mais vítimas do que mártires.

    “Isso tem que parar, acho que é uma boa idéia largar tudo e devotar nossas vidas a “fazer isso parar”.
    Rachel Corrie, ativista pela paz na terra santa, em carta para mãe….)”

    – “fazer isso parar”!!!!!

    – : parece nada ….”visto de longe”.

    Parece até que estamos ouvindo Hipácia:no ano 415!!!!!

    – um pouquinho de Jung :

    Para quem conhece um pouco da Historia da Filosofia Européia, a amarga disputa acerca dos “universais”, que começou com Platão, proverá um exemplo instrutivo.

    Não pretendo entrar em todas as ramificações desse conflito entre introversão e extroversão. Mas devo mencionar os aspectos religiosos do problema:

    – O Ocidente Cristão considera o homem como totalmente dependente da graça de “Deus” ou, pelo menos a Igreja, como instrumento terreno excusivo e divinamente sancionado da “redenção [?] do homem”.

    O Oriente, no entanto, insiste que o homem é a causa única do seu elevado desenvolvimento, pois acredita na Auto-Liberação.

    O ponto de vista religioso sempre expressa a formula e atitude psicológica essencial e seus preconceitos específicos – até mesmo em pessoas que esqueceram detalhes de sua religião.

    O Ocidente é completamente cristão no que concerne à sua psicologia.

    É válida a máxima de Tertuliano – anima naturaliter christiana – para todo o Ocidente – não, como ele pensou, no sentido religioso, mas no sentido psicológico. ‘A Graça” vem de “alhures” – de qualquer forma: vem de “fora”. Qualquer outro ponto de vista é pura “Heresia”.

    Em consequência, é totalmente compreensível o motivo pelo qual a psique humana suporta a SUBESTIMAÇÃO.

    Qualquer um que ouse estabelecer uma CONEXÃO entre a psique e a idéia de Deus é imediatamente acusado de “psicologismo” ou suspeito de um “misticismo doentio”.

    [ Muito além do vicio de sofrer, os mártires seriam muito menos felizes se assim não o fizessem – Elielson]

    O Oriente, pelo contrário, tolera com compaixão esses estágios espirituais inferiores, onde o homem, ainda se preocupa com o pecado e tortura sua própria imaginação com uma crença em deuses absolutos, os quais, se ele pudesse olhar mais profundamente, nada mais são do que véus ilusórios tecidos pela sua própria mente inculta.

    A psique, para tanto, é de grande importância; é o Sopro que-a-tudo-penetra, a essência de Buda; é a Mente de Buda, o único – o Dharma-Kaya. Toda a existência imana dele e todas as formas separadas nele se dissolvem, de novo.

    Esta é a condição psicológica básica que permeia o homem oriental em todos os seus pensamentos, sentimentos e atos, seja lá qual for o seu credo.

    Da mesma maneira, o homem ocidental é cristão, seja lá qual for a denominação de sua cristandade.
    Para ele o homem é pequeno no seu íntimo, é quase nada.

    – além disso, como diz Kierkegaard, “diante de deus” : o homem está SEMPRE errado. [?]

    Por medo, arrependimento, promessas, submissão, humilhação própria, bons atos e louvores; ele “ganha” as boas graças dessa grande força, que Não é ele mesmo, mas um totaliter aliter – o Outro Absoluto: “Fora de nós” e Perfeito : ao mesmo tempo: a Única Realidade.

    Mudando-se um pouco a fórmula e trocando-se o Deus por alguma outra força – ou palavra – por ex o “poder” ou “dinheiro” > tem-se um quadro completo do homem [condicionado] ocidental. >>> diligente – temeroso – devoto – humilde – empreendedor – cobiçoso – e violento na procura dos bens ….deste mundo: riquezas – saúdes – conhecimento – domínio técnico – bem estar público – poder político – conquistas e assim por diante.

    Quais são os grandes movimentos populares do nosso tempo? – nosso não: de todo o tempo.

    Tentativas de se apoderar do dinheiro ou das propriedades dos outros e de proteger o que é nosso.

    A mente é empregada principalmente em tramar “ismos” convenientes para esconder os motivos reais ou providenciar mais pilhagens. [– Será que alguém, em sã consciência pode discordar destes fatos? –]

    Abstenho-me de descrever o que aconteceria ao oriental se ele se esquecesse do seu ideal de Budidade > pois não desejo ter uma prerrogativa assim tão desçeal para os meus preconceitos ocidentais. Mas não posso deixar de levantar esta questão:

    A diferença entre ambos é tão grande que não se pode perceber nenhuma possibilidade razoável de que tal coisa aconteça, menos ainda recomendá-la.

    -Não se pode ser um bom cristão e se redimir

    – nem se pode ser um Buda e adorar a Deus.

    Comentário de C. G. Jung em:

    O LIVRO TIBETANO DA GRANDE LIBERAÇÃO
    W.Y.EVANS-WENTZ

    Bjs

  14. adi said

    Sem,

    Genial essa parábola budista. E olha só, tanto o budismo, bem como Platão, já diziam que no homem há duas mentes distintas. (exatamente o que temos conversado aqui já a algum tempo sobre a dualidade).
    Como todos sabem, Platão chamou um destes aspectos de “Lógistikon” a parte racional, e o outro aspecto de “Nous” a parte intuitiva das pessoas.

    Podemos dizer que fisicamente essa dualidade está relacionada com os hemisférios cerebrais.

    Hoje a neurociência confirma, o lado “esquerdo” do cérebro está associado com o intelecto e com o pensamento convergente, analítico, calculado, linear, sequencial, objetivo e se concentra nos detalhes e nas partes do todo.
    Este lado produz pensamentos que são verticais, diretos, realistas, frios, poderosos e dominantes.

    O lado “direito” do cérebro está associado com a intuição e com o pensamento divergente, imaginativo, metafórico, não-linear, subjetivo e se concentra no “todo” das coisas.
    Este lado produz pensamentos que são flexíveis, divertidos, complexos, visuais, diagonais, místicos e abstrato.

    Interessante é que necessitamos dos dois lados cerebrais, o ideal seria utilizarmos os dois em simultâneo, este seria o homem completo.

    bjs

  15. adi said

    Fy,

    Saudades que eu estava de vc; que bom que vc voltou!!

    Este livro ainda não li, mas deve ser muito bom.

    O que li, e deve ser sobre o mesmo assunto, é o “Vazio Luminoso”, um livro pra entender o clássico Livro Tibetano dos Mortos, ou liberação através da audição.

    Seria muito bom mesmo se vc pudesse dar uma palinha, em forma de um post, pelo menos das partes mais interessantes que vc achar.

    Vou verificar sobre esse livro nas livrarias daqui.

    bjs

  16. Fy said

    Aloha Adi,

    Adi,

    Vc vai adorar mesmo. este pedacinho que eu colei neste último coment é de lá.

    Esta palinha que o Jung faz no livro, é genial.

    Ele quase deu uma de Saramago,

    – que está muito engraçado por sinal aqui:

    http://caderno.josesaramago.org/page/7/

    [- o que aliás, seria uma solução pra este apelo tão triste – e chocante – que o Elielson postou.] – mas voltando pro Jung:

    …idealizando uma nova perspectiva filosofica/espiritual numa chamada super sofisticada Jesus/Buda – mas, claro, que com aquela refinada sutileza que agente conhece.

    Qto à parábola da Sem, e lembrando que é budista: elaborada dentro de uma filosofia oriental – realmente Adi: discordo de vc: e acredito mesmo que seja uma crítica à dualidade.

    “A experiência da dualidade é um absurdo, e geradora de todos os absurdos; há um “dilaceramento máximo da consciência psicológica” ao passar esta fronteira vê-se que o absurdo e o medo são formas de percepção ou consciência que se adquirem na experiência da dualidade;

    o “caminho espiritual – ocidental – ” é um caminho do medo, – Jung fala mto bem sobre esta condição no coment que postei acima – porque é um caminho psicológico, é uma fantasia nossa; temos de escolher de uma vez por todas se quero a “felicidade” ou a Bem-Aventurança (o caminho das compensações e frustrações emocionais ou Ananda),
    que é um estado em si, “eu não tenho caminho porque não há caminho”, é uma experiência directa, É.

    O trabalho consiste em pegar na experiência significativa dual e transformá-la em percepção não-dual da experiência significativa – e é um trabalho de mutação, é um trabalho sobre a PERCEPÇÃO; a “experiência significativa” tem uma qualidade que permite a percepção não-dual da Realidade.

    E é uma crítica mesmo, pq no cérebro, Adi, os dois hemisférios funcionam simultâneamente a maioria do tempo:

    Embora cada metade do cérebro possa operar sozinha, ambas devem trabalhar juntas para funcionarmos normalmente. Para a maioria das atividades, usamos os dois lados simultaneamente, e eles trabalham de maneira muito bem coordenada.

    http://www.mundovestibular.com.br/articles/194/6/O-CEREBRO-E-O-SISTEMA-NERVOSO/Paacutegina6.html

    Bjs

  17. Elielson said

    Penso que o que ainda nos faz dignitários da existência é o despertar que leva a fazer o que é certo. Na minha opinião, o suicídio advém do fato de não existir como se deve. Não temos destino, mas a CONSCIÊNCIA se destina ao mesmo ponto. Um ser consciente é alguém que decide que irá viver pelo mundo que concebe em sua mente, e não alguém que decide que vai morrer pq seu mundo é inconcebível.
    Vou começar situando a idéia:
    Muitas pessoas ( eu digo pq vi inúmeras pessoas dizerem algo parecido)dizem que ter filhos é egoísmo neste mundo, do jeito que o mundo está, não dá pra colocar mais crianças nele, mas pensam em adoção. Não morrem pela sua concepção de mundo, mas pela consciência já praticam a concepção comum em quem habita inteiro neste mundo, e isso já o define como um mártir que encontra assim seu sacrifício, e pelo amor se sacrifica.
    Então um mártir, é o inverso do homem que aceita o pecado, e quando eu digo pecado, é todo o veneno social que dá carta branca ao desmando da autoridade.
    Se vc resiste integralmente, há muitas chances de virar um mártir, só que sem cobertura da imprensa, como um amigo meu aprendeu na desciclopédia, acho…
    O perigo de todo conformismo histórico estruturado na psique é grande. E se vc vence essa estrutura? Se vc rompe as algemas e tira todas as agulhas que injetam veneno na sua veia, cedo ou tarde aparece alguém com agulhas lindas de titânio e menos visíveis desta vez, vc pode tbm tirar as agulhas e ir direto pra fora, mas lá fora não tem muita gente. Uns que estão fora pensam se vale a pena influenciar o cotidiano, outros estão muito ocupados escolhendo entre arriscar um concurso de auxiliar administrativo ou questionar a direção do hospital, e tem outros que entendem que saindo da porta do hospital aquilo nunca existiu, mas houve quem gritou lá de fora… gritos que fizeram vibrar as agulhas, o leito, as roupas dos enfermeiros, e as visões do que acontece nos arredores.
    Mas isso não é tudo.
    A grande dificuldade de todo mundo seria a porta de tal lugar.
    Geralmente alguns levantam e não acham essa portas.
    Geralmente alguns levantam e gostam tanto do lugar que ficam nos corredores mesmo.
    Se o fogo que temos, é fogo do céu, dá-los aos homens é responsabilidade nossa.
    Mas dizer para os homens irem ao céu, e sentirem o calor em tal lugar, é lindo.
    A oposição que se manifesta, diz: Quero fogo pra usar aqui embaixo!
    Se vc Prometeu (rsrsrs) fica feio não trazer.
    Mas se vc diz: Busque teu fogo, pois sei que aquele que é digno de alcançá-lo é digno de se aquecer. Temos que saber que ao dizer isso não serão os Deuses que nos condenarão, mas os próprios homens.

  18. Fy said

    Elielson,

    For you, man:

    Prometheus
    by Johann Wolfgang von Goethe
    translated by Erich Harth

    Cover your heavens
    with clouds and vapors, Zeus
    and, like the boy who lops off
    heads of thistles,
    try your hand on oaks
    and mountaintops.

    But you can’t touch my earth,
    my cabin that you did not build,
    my hearth whose glow you watch
    with envy.

    There’s none more pitiful than you, Gods!
    The breath of our prayers
    is your paltry nourishment,
    our meager altar gifts sustain
    your dreams of majesty.
    You’d starve
    but for the foolish hopes
    of children and beggars.

    When I was a child and didn’t know
    which way to turn,
    I raised my eyes bewildered to the sky
    as though beyond it were an ear
    to listen to my sorrows,
    a heart like mine
    to pity my distress.

    Who stood with me against the Titans’
    wantonness,
    who rescued me from death,
    from slavery?

    Was it not you, my own, my glowing heart
    that did all this?
    And, cheated, in your youthful goodness
    gave glowing thanks to him
    who nods up there?

    And I should worship thee? What for?
    Have you ever
    lightened my pain when I was anguished?
    Ever
    stilled the tears
    when I was frightened?
    Was it not almighty time
    and eternal fate,
    my masters as well as yours,
    who forged me into manhood?

    Did you, by chance, suppose
    that I should hate life,
    flee into deserts,
    just because
    not all my fancy dreams
    had come to pass?

    I sit here, shaping men and women
    in my image,
    a race destined, like I,
    to suffer and to cry,
    to savor joy, to laugh,
    and disregard you
    as I did.

    Encobre, ó Zeus!
    o céu com suas nuvens.
    E como o jovem
    que gosta de colher
    cardos no campo, em teu poder conserva
    o robusto carvalho e o alto cume
    da espaçosa montanha.
    Mas consente que eu use
    essa terra que é minha,
    esse abrigo que eu fiz,
    e esta forja que quando faço arder,
    tu, no Olimpo, me invejas.

    Nada mais pobre eu conheci, ó deuses
    do que vós próprios.
    Apenas vos nutris
    de sacrifícios
    e de preces,
    dedicados a vossa majestade.
    Morreríeis de fome se não fossem
    as crianças, os loucos, os mendigos
    que vivem de ilusões.

    Quando eu era menino
    e nada conhecia,
    ao sol se erguiam meus sentidos olhos
    como se lá houvessem
    ouvidos que escutassem meus lamentos,
    e um coração tivesse igual ao meu
    capaz de consolar a minha angústia.

    E quem contra insolência
    da turba dos titãs me auxiliou?
    Quem me salvou da morte
    e me impediu a escravidão?
    Não foste tu meu coração somente
    ardendo numa chama inextinguível?
    Jovem e ingênuo eu tudo agradecia
    àquele que no céu
    dorme na ociosidade.

    Como prestar-te honra? Mas por que?
    Deste jamais alívio
    aos oprimidos?
    Já enxugaste as lágrimas
    dos que são infelizes?
    Formei um homem,
    mas um homem afinal que só se curva
    perante o Tempo e o Fado
    que são tão meus senhores como teus.

    Pensaste tu talvez
    que poderia desprezar a vida
    e ao deserto fugir
    porque nem todos
    os meus sonhos floriram?

    Aqui estou.
    Homens faço segundo a minha imagem,
    Homens que serão logo iguais a mim.
    Divertem-se e padecem,
    gozam e choram
    mas não se renderão aos poderosos
    como também eu nunca me rendi!

    Bjs

  19. adi said

    Salve Fy,

    Bacana esse site que vc colocou aqui, obrigado por essas informações, vou ler com calma.

    Vc tem razão quanto ao funcionamento dos hemisférios, não é tão simples e nem dessa forma que escrevi.

    Vou pesquisar melhor as fontes antes de escrever. 😉

    valeu.

    bjs

  20. Fy said

    Adi,

    Aiaiai – Eu não achei nenhum download pra vc fazer do livro…

    Mas, em relação às iniciações, e aos papos que agente tem levado aqui, meio psico-espirituais; – pra mim, que considero a experiência espiritual completamente subjetiva, é muito esclarecedor este trecho do Hillman:

    – e até explica bem minha opinião sobre isto, além dele ser super bem-humorado:

    – vou dividir em dois pq é meio longo, apesar de ser uma leitura leve, agradável, – vê só:

    O caminho que atravessa o mundo é mais
    difícil de achar que o caminho que o transcende.
    Wallace Stevens, em “Resposta a Papini”

    [- Isto me lembra muito um parágrafo de uma história cheyene em que o guerreiro, ao ser catequizado, pergunta, intrigadíssimo, para o padre: – como vc ousa falar e falar sobre o espírito… se não consegue caçar uma lebre pra se alimentar?]

    Ter visões é fácil.

    A mente nunca cessa de exsudar e transudar a seiva e o sumo da fantasia e de, subseqüentemente, congelar seu jogo em monumentos paranóicos de eterna verdade.

    Além destas mútuas acusações de trivialidade, há uma questão mais essencial, que nós, de nossas poltronas de analistas, formulamos:

    Quem está fazendo a viagem?

    Não se trata de discutir o valor relativo de doutrinas e objetivos: nem de analisar visões e experiências ocorridas.

    A questão essencial não é a análise do conteúdo das experiências espirituais, pois já encontramos experiências simulares no hospital distrital, nos sonhos, nas viagens dos toxicômanos.

    Ter visões é fácil.

    E depois, são freqüentemente triviais estas explosões da mente em eventos de luz, de sincronicidade, de retina espiritual numa viagem de LSD –
    – ao perceber o universo revelado numa costura de casa de botão ou num padrão de linóleo –
    – pelo menos tão triviais quanto o que se sucede numa sessão comum de terapia que seleciona para análise as embrulhadas da cena doméstica de todos os dias?

    O problema do que é trivial e do que é relevante depende do arquétipico que lhes empresta significado, e este, segundo Jung, é o “self”; seja constelado, o significado o acompanha.

    Mas, como em todo evento arquetípico, isto apresenta seu lado tolo indiferenciado.

    Assim, podemos nos sentir oprimidos pela significação deslocada, inferior, da paranóia,

    como podemos nos sentir oprimidos pôr eros e pela alma (anima) nas agonias do amor desesperado, ridículo.

    A desproporção entre o conteúdo trivial de um evento sincronístico que o acompanha, mostra o que afirmo.

    À semelhança de alguém que encontrou um amor, quem encontrou um significado começa aquele processo de autovalidação e autojustificação das trivialidades que pertencem á experiência do arquétipo em todo complexo e que participam de sua defesa.

    Portanto, pouca diferença faz, psicodinamicamente, se caímos na sombra e justificamos nossas desordens estéticas,

    ou se caímos no “self” e justificamos nossas desordens de significação.

    A paranóia foi definida como uma desordem do significado : ou seja, refere-se à influencia de um diferenciado arquétipo do “self”.

    Parte dessa desordem é a própria sistematização que, pêlos meios defensivos da doutrina da sincronicidade, daria profunda ordem significativa à coincidência trivial

    Voltemos a Forster, que nos fez distinguir a humilde voz do espírito e a humorística voz da alma.

    A humildade respeita e sofre pelo significado; a alma encara os mesmos eventos como trocadilhos e travessuras de Pan.

    Humildade e humor são os dois caminhos para descer ao humus, à condição humana.

    A humildade nos faria curvar ao mundo e pagar nosso tributo à realidade. Render-se a César.

    O humor nos faz descer com uma queda sobre o traseiro.

    A realidade pesada de significação torna-se suspeita, transparente, e o mundo, risível – dissolve-se a paranóia, à medida que sincronicidade se torna Espontaneidade.

    A relação do analista da alma com o evento espiritual não se dá em termos de doutrinas ou de contéudos.

  21. Fy said

    O que nos interessa é a pessoa, o “Quem”, subindo a montanha.

    Também perguntamos:

    Quem chama lá de cima?

    Esta pergunta não é muito diferente da que se faz nas disciplinas espirituais, mas é crucial.

    Pois não se trata da viagem e de suas estações e sendas, nem da velocidade da ascensão, nem do degrau da escada, nem do pico e de sua experiência, nem mesmo do regresso

    – trata-se de quem na pessoa instiga todo o esforço.

    Neste ponto, de novo, retornamos à história, ao ego histórico, nosso poder volitivo norte-ocidental, aquele mesmo poder de vontade que trouxe para a Califórnia como pioneiros: os missionários e os caçadores com suas armadilhas, os vaqueiros, os proprietários de ranchos e os agricultores, os colonos itinerantes, os plantadores de laranja, os produtores de vinho, os religiosos sectários, os mineradores de ouro e os ferroviários.

    Pode-se largar isto na porta como um empoeirado par de sapatos velhos quando se pisa no perfumado acolchoamento da sala de meditação? Pode-se fechar a porta a quem foi o primeiro a trazê-lo ao limiar?

    A passagem de um hemisfério cerebral para outro, da tediosa vida cotidiana no supermercado à superconsciência, do entulho para a transcendência, o acercamento – em suma – do “estado alterado de consciência” , renega este ego histórico.

    Trata-se da alteração do estado de consciência que remonta ao Saulo, transformado em Paulo, da conversão no posto, “eliminando o abdômen num relâmpago.”

    Reparem , portanto,que a indagação arquétipica não é como ocorre o conflito entre alma e espírito, nem pôr quê, mas: quem, dentre a variedade de figuras que compõem cada um de nós, que figura ou pessoa arquetípica se move nesse acontecimento?

    Que deus nos chama para subir na montanha , ou nos prende aos vales?

    Conforme a psicologia arquetípica, há um deus em cada perspectiva, em cada posição.

    Tudo é determinado pôr imagens psíquicas, incluindo nossas formulações de uma ou outra perspectiva divina.

    Nossa visão é mimética para este ou aquele dos deuses.

    Quem está subindo a montanha : é o inconsciente bom cristão em nós, que perdeu seu cristianismo histórico, mas…: inconscientemente é o cruzado, o cavaleiro, o missionário, o salvador? (Inclino-me a ver o latente, ou homossexualidade latente, ou depressão latente mascarada.)

    Quem está subindo a montanha : é o alpinista, o homem que se identificaria com a própria montanha; o Eu no monte Rushmore – humilde agora, mas esperem para ver daqui a pouco…

    Ë o ego heróico ?

    É Hércules, autor ainda das mesmas façanhas : limpeza dos estábulos da poluição, morte das criaturas dos pântanos, liquidação à clava das feras, recusa aos apelos das mulheres, progresso em doze etapas ( tudo para, no fim, enlouquecer e casar-se com Hebe, que é Hera, a Mãe, sob sua forma hebefrênica mais jovem, mais doce, mais sorridente?).

    Ou quem está ascendendo traz o ímpeto espiritual de um puer aeternus, a divina imago de asas, o formoso jovem do espírito – Ícaro levantando vôo no rumo do sol, depois caindo verticalmente com asas de cera; Apolo conduzindo o carro do sol, perdendo o controle, incendiando o mundo; Belerofonte, ascendente em seu alado cavalo branco, em seguida cadente nas planícies da peregrinação, para sempre coxo ?

    São estes os infantes alpinistas, os assaltantes do céu, cujo eros reflete a tocha, escada e a flecha penetrante de Eros, um anseio pelo mais alto, mais distante, maior, mais puro e melhor.

    Sem este componente arquetípico atingindo nossas vidas, não haveria impulso espiritual, nem novas centelhas , nem a ultrapassagem do gratuito, nenhuma grandeza, nem senso de destino pessoal.

    Psicológica e até espiritualmente, o problema consiste em encontrar conexões entre o impulso do puer para o alto e o abraço da alma, nebuloso, estorvante.

    Meu conhecimento desta ligação evita a dois desvios:

    O primeiro também levaria a alma para o alto, “a libertaria” deste vale: – a exigência trancendentalista.

    O segundo reduziria o espírito a um complexo e assim repudiaria a legítima ambição do puer e a arte de voar: – a exigencia do psicanalista. [ idêntico à qualquer religião: o que é óbvio]

    Permitam-me lembrar que quem não pode voar não pode imaginar, como afirmou Gaston Bachelard e também Muhammad Ali.

    Para exercer verdadeiramente a imaginação em vôo alto, em queda livre, caminhar pelo ar e dar-se ares, experimentar a realidade pneumática e sua concomitante inflação, > é preciso imaginar-se fora do vale, sobre os campos de cereais e o pão nosso de cada dia.

    Às vezes, isto é excessivo para os analistas profissionais [ e aos religiosos tradicionalistas] e, porque não reconhecem as reivindicações arquetípicas do puer, eles: frustram a imaginação.

    Este texto faz parte de O Livro do Puer de James Hillman.

    http://www.rubedo.psc.br/Artlivro/picovale.htm

    Bjs

  22. Elielson said

    dissolve-se a paranóia, à medida que sincronicidade se torna Espontaneidade.

    Sim!

    A integração de consciência, toma a forma que sempre teve, a forma CRIADORA. O caminho está em qualquer projeto, consagrado ou não, mas quando falta a consciência íntegra, somos apenas conduzidos pela ordem instantanea.
    A aquisição do valor pra si, é um desafio, o reconhecimento da natureza é o desafio.
    O problema é definir o engano, para então pelo processo de comparação com tudo que conheces de vc, reconhecer Deus.
    Imaginar-se no outro, após ter experimentado a consciência integrada, acaba sendo mais irrisório, e não há como estabelecer uma posição entre sub-humano, humano, desumano e super-humano.
    Mas a conversão em servo de todos esbarra na classificação, que mesmo não partindo de vc, parece te anteceder no mundo, te encaixando em alguma classe de alguma coisa que foi inventada pela consciência integrada.
    Esta faculdade exterior de atribuir nomes, na maioria das vezes é combatida com o dar nomes.
    A adoção dos meios classificatórios não cria, por não acessar a consciência integrada, já a pratica individual cria um mundo que se distancia da realidade, e para integrá-lo, o caminho se torna um poquinho maior, os resultados disso podem até servir de exercicio, mas para criar quando integrado e não para criar e depois ter o trabalho de integrar.

    A criação é um improviso.

    A consistência é um depósito das manifestações ideológicas, mas ideologias sem forma acabam sendo produto e não produção.
    Muitas significações trancafiam a manifestação.

    A integração do inconsciente coletivo é um conjunto de egos. Só acessa a sociedade. O movimento individualista que se vale das brechas no coletivo é uma serpente.

    Ride the snake.
    Ela sai da natureza pra se enroscar no conhecimento.
    quando ela volta a rastejar, torna-se o que não conheceu.

    Pois quis e fez sem ser.
    Mas lidando com o que é, nos apresenta seu não-ser.

    : )

  23. adi said

    Oi Fy,

    Ontem eu li novamente o texto inteiro do Hillman no link que vc deixou.

    Interessante, que agora eu entendi o Hillman de uma maneira diferente de antes.

    No meu entender, a crítica que ele faz em relação as religiões em especial ao catolicismo, é que a mensagem delas é uma busca como que fora, uma qualquer coisa fora, no alto, distante… Hillman não é contra o espírito, Hillman é contra a simulação religiosa de que o espíritio só é possível através da própria doutrina.
    Eu concordo integralmente com relação a isso, com o Hillman, sim, só é possível encontrar o espírito, realizar o Self, quando nos voltamos pro mais escuro de nós-mesmos, quando enfrentamos-espiamos nossos complexos, nossas sombras; é nessa aceitação da Alma que a consciência expande os limites do ego.

    Fy, nesse sentido, eu também acho que o cristianismo católico e tudo o que daí derivou, não o gnóstico do qual Jung estudou muito e que serviu de fonte pras suas teorias, enfim, o cristianismo católico prestou um desserviço a humanidade, de fato a sombra e a anima é jogada pros rincões infernais e repudiada, exorcizada sempre para as profundezas de onde ninguém quer tocar… porque isso é coisa do outro, do vizinho, do pecador, do demônio, não meu… (rsrsrs)
    E as pessoas não sabem que essa profundeza, essa zona infernal é a porta de entrada pra dimensões mais livres, mais amplas da consciência…
    Há muitos segredos em torno disso, criando-se assim muita mística, mistérios que somente as escolas esotéricas iniciáticas detém, e ou somente os iniciados na prática e experiência sabem que é assim, porque experienciaram em si-mesmos esses mistérios…

    bjs

  24. Fy said

    Adi,

    E é isto q eu queria te passar, que, apesar de toda aquela discussão, nós estávamos falando a mesma coisa – em linguagens diferentes.

    Outra coisa, super legal, e que eu vou procurar pra vc é este lance da diferença entre Deus e Deusismo. O Saramago, q aparentemente é ateu; – e é mesmo – fala sobre isto de uma maneira sublime; – uma vez que em todo seu discurso sugere um espiritualismo que incluiria deus em tudo; – o que torna bem mais profunda, a espiritualidade – e não tão simples: – uma vez q isto naturalmente nos levaria a um grau de respeito e conexão generalizada com tudo o que nos cerca – além do que, o que somos.

    … e o mundo estaria diferente, penso eu.

    Vou ver se te acho.

    – Nossa q bom, q vc me entendeu!

    Bjs

  25. Fy said

    , não o gnóstico do qual Jung estudou muito e que serviu de fonte pras suas teorias, > Adi

    – Claro que concordo.

    – Ele tb analisou estas correntes ortodoxas.

    E, sem esquecer as análises q ele fez com outro tipo de segmentos tb.

    Bjs

  26. Fy said

    Elielson,

    – Eu gostei tanto daquilo q vc me disse; sobre sermos da Paz; cantarmos a Paz, sem nos tornar-mos Indiferentes!

    Um pouquinho disto pra Adi e pra quem mais vier:

    (Don’t Let Your) Dreams Be [ just ] Dreams

    [ já que ainda não posso postar teu som!]

    – Iniciação do bem: boa!

    Bjs

  27. adi said

    Fy,

    “- Nossa q bom, q vc me entendeu!”

    Acho que nosso problema foi de semântica mesmo, cada uma falando a mesma coisa a sua maneira.

    Mas nesse sentido, eu concordo plenamente com o Hillman, e é assim que acredito também. Não adianta buscar essa divindade lá nos altos picos, porque não vai encontrar nada. De fato, a alma se encontra no vale escuro, na nossa negação. E o que “essa forma” de cristianismo que se espalhou e difundiu-se, foi justamente afastar-se do “mal”, negar o “mal”, trancar a porta onde mora o mal. O que é muito diferente de “enfrentar” e resolver em si-mesmo esse problema do mal que a cada um lhe cabe.

    “…uma vez q isto naturalmente nos levaria a um grau de respeito e conexão generalizada com tudo o que nos cerca – além do que, o que somos.
    … e o mundo estaria diferente, penso eu.”

    É verdade Fy. No outro vórtice da crítica, muitas vezes, ainda compreendo, que essas religiões limitadoras têm influência sobre a massa pra suprir a necessidade que todos têm por algo que dita as regras. As pessoas temem as responsabilidades por seus atos. E o que penso, é que se, de um dia pro outro deixassem de existir, no mesmo momento seriam criadas novamente. As mudanças e transformações ocorrem de dentro pra fora, e não adianta mudar o exterior se o interior continua do mesmo jeito. O que vemos é o reflexo do interior coletivo, é o interior do coletivo projetado no mundo.
    E não há dúvida pra mim que a base do mal está no “ego-ísmo”. Se esse poder fosse usado de forma menos egoísta, se as verdades fossem passadas…

    “Ele tb analisou estas correntes ortodoxas.
    E, sem esquecer as análises q ele fez com outro tipo de segmentos tb.”

    O bárbaro em Jung, é que ele analisou todos os tipos da “religiosidade natural e intrínseca” do ser-humano, i.é., aquela necessidade do ser-humano por uma comunhão com o espiritual. Então a alquimia chinesa teve influência, a alquimia ocidental, as religiões orientais também, e inclusive o xamanismo. E disso ele pode verificar a atuação “arquetípica” nas profundezas da psique humana.

    E por esse sentido arquetípico, pergunto, até onde toda a história da humanidade foi por nossa própria vontade e poder?? de onde vem esse poder?? Estamos somente encenando papéis, ou não? Quem somos nós afinal??

    bjs

  28. Mob said

    Pessoal,

    Nos Primórdios

    Manoel de Barros

    Era só água e sol de primeiro este recanto. Meninos cangavam sapos. Brincavam de primo com prima. Tordo ensinava o brinquedo “primo com prima não faz mal: finca finca”. Não havia instrumento musical. Os homens tocavam gado. As coisas ainda inominadas. Como no começo dos tempos.

    Logo se fez a piranha. Em seguida os domingos e feriados. Depois os cuiabanos e os beira-corgos. Por fim o cavalo e o anta batizado.

    Nem precisaram dizer crescei e multiplicai. Pois já se faziam filhos e piadas com muita animosidade.

    Conhecimentos vinham por infusão pelo faro dos bugres pelos mascates.

    O homem havia sido posto ali nos inícios para campear e hortar. Porém só pensava em lombo de cavalo. De forma que só campeava e não hortava.

    Daí que campear se fez de preferência por ser atividade livre e andeja. Enquanto que hortar prendia o ente no cabo da enxada. O que não era bom.

    No começo contudo enxada teve seu lugar. Prestava para o peão encostar-se nela a fim de prover seu cigarrinho de palha. Depois, com o desaparecimento do cigarro de palha, constatou-se a inutilidade das enxadas.

    — O homem tinha mais o que não fazer!

    Foi muito soberano mesmo no começo dos tempos este cortado. Burro não entrava em seus pastos. Só porque burro não pega perto.* Porém já hoje há quem trate os burros como cavalo. O que é uma distinção.

    *Burro não pega perto é expressão pantaneira. Nas lides de campear o pantaneiro usa o cavalo, que é veloz e alcança a rês desgarrada rapidamente. O cavalo pega perto. Mas o burro, não sendo veloz, alcança longe a rês desgarrada. Por isso se diz que o burro não pega perto. (N. do A.)

    Manoel de Barros, o poeta do Pantanal, nos fala sobre como tudo começou por aquelas bandas. Este texto foi extraído do “Livro das Pré-Coisas”, Editora Record – Rio de Janeiro, 1985, pág. 37.

    Vcs já brincaram de primo com prima?!?!? =D

    E já cangaram sapos??!?

    Já se fizeram a piranha?!?!?

    Aahh! O homem e a mulher têm mais o que não fazer….

    =D =D

    bjos e saudades de todos,
    Mob.

  29. Fy said

    Adi,

    Quem somos nós afinal??

    “Stop judging yourself. Insted of judging, start accepting yourself with all your imperfections, all frailties, all your mistakes, all your failures.

    Don’t ask yourself to be perfect. That is simply asking for something impossible, and then you will feel frustated.

    You are a human being after all.”

    “Pare de se julgar. Ao invés de se julgar, comece a se aceitar com todas as suas imperfeições, todas as suas fraquezas, todos os erros, todas as falhas.

    Não se exija a perfeição. Isso é simplesmente querer algo impossível; e, dessa forma, você só poderá se sentir frustrado.

    Você é, afinal de contas, um ser humano”.

    OSHO, Ancient Music in the Pines

    Do Mob:
    – Aahh! O homem e a mulher têm mais o que não fazer….

    – …and… – after all:

    Claustrofobia que tropeça
    Na clareira dessa página virada
    Deixa cair e rolar
    Palavras e sentimentos
    Saltimbancos
    Tocadores de rabeca
    E toda sorte de rodopios e cambalhotas
    Desfilando e interrompendo
    O trânsito desse cortejo fúnebre

    Então venha
    Coloque a sua mais louca fantasia
    E vamos sair desse mausoléu
    Sete palmos acima da forma humana
    Onde o céu não é o Paraíso
    Mas será sublime se nos atrevermos

    Então
    Enquanto ainda podemos
    Eu te pergunto:
    Vamos brincar?

    por jeronimooo

    Bjs

  30. Elielson said

    E por esse sentido arquetípico, pergunto, até onde toda a história da humanidade foi por nossa própria vontade e poder?? de onde vem esse poder?? Estamos somente encenando papéis, ou não? Quem somos nós afinal??

    Adi,

    Longe de mim querer responder essas questões.
    Mas, o que somos, independente de sabermos ou não, cresce simultaneamente com o crescimento dessas questões. A afirmação que conforta e lhe faz forte para a minima ação receosa até a superação, é O poder do Eu Sou. O limite do mal.

    Pra vc que gosta de Raul 😀
    já estamos familizarizados com a letra, mas a ocasião ilumina ela mais fortemente… (eu acho,… não não acho… É.)

    “Eu que já andei
    Pelos quatro cantos do mundo
    Procurando
    Foi justamente num sonho
    Que Ele me falou”

    Às vezes você me pergunta
    Por que é que eu sou tão calado
    Não falo de amor quase nada
    Nem fico sorrindo ao teu lado…

    Você pensa em mim toda hora
    Me come, me cospe, me deixa
    Talvez você não entenda
    Mas hoje eu vou lhe mostrar…

    Eu sou a luz das estrelas
    Eu sou a cor do luar
    Eu sou as coisas da vida
    Eu sou o mêdo de amar…

    Eu sou o medo do fraco
    A força da imaginação
    O blefe do jogador
    Eu sou, eu fui, eu vou..

    Gita! Gita! Gita!
    Gita! Gita!

    Eu sou o seu sacrifício
    A placa de contra-mão
    O sangue no olhar do vampiro
    E as juras de maldição…

    Eu sou a vela que acende
    Eu sou a luz que se apaga
    Eu sou a beira do abismo
    Eu sou o tudo e o nada…

    Por que você me pergunta?
    Perguntas não vão lhe mostrar
    Que eu sou feito da terra
    Do fogo, da água e do ar…

    Você me tem todo dia
    Mas não sabe se é bom ou ruim
    Mas saiba que eu estou em você
    Mas você não está em mim…

    Das telhas eu sou o telhado
    A pesca do pescador
    A letra “A” tem meu nome
    Dos sonhos eu sou o amor…

    Eu sou a dona de casa
    Nos pegue pagues do mundo
    Eu sou a mão do carrasco
    Sou raso, largo, profundo…

    Gita! Gita! Gita!
    Gita! Gita!

    Eu sou a mosca da sopa
    E o dente do tubarão
    Eu sou os olhos do cego
    E a cegueira da visão…

    Euuuuuu!
    Mas eu sou o amargo da língua
    A mãe, o pai e o avô
    O filho que ainda não veio
    O início, o fim e o meio
    O início, o fim e o meio
    Euuuuu sou o início
    O fim e o meio
    Euuuuu sou o início
    O fim e o meio…

    Heheh, até mesmo a dissonância da questão, é um levante do querer que faz de nós varios.
    Toda resposta, é uma resposta para a pergunta que fazemos.
    A resposta que eu vou ter é a resposta da pergunta que eu vou fazer, pq pelo que parece a resposta já estava respondida, só não estava procurada.
    A pergunta…
    A salvação é uma pergunta afirmada, então quando a perguntinha é sobre a vizinha, esta será a salvação da pessoa, mas se nem existe essa pergunta, se ela é só um urro gultural de alguém p da vida, que só vê a vida na outra vida (em todos os sentidos), então o eu começa a ser massacrado, por que não é o Eu Sou, é mais o que O Eu Sou for, eu serei,… acontece que não está sendo(conscientemente, capisce)!
    Então eu posso tentar exorcizar algum espirito maligno deste corpitxcho a minha vida toda, ou posso deixar o bem habita-lo 25 horas por dia, dizendo pra galera não se manifestar pra Ser somente nos momentos quando for pra colocar dez reais junto com a carteira de motorista na hora de entregar pro guarda. E mesmo assim achar que não está Sendo, pra depois dizer que por eu estar Sendo consciente, ele deve deixar eu Ser por Ele. E outra… achar ainda que eu devo Ser pra Ser, pra arrumar o Ser que Ele foi pra não Ser. E ainda no final não É, dizendo que não Foi pq Eu fui, podendo ser ainda pior Ele pode Ser para outro não Ser. Filosofia circular, que faz o Circulo Ser, pois Sabemos que o que é, é. E dá pra Ser contra a Morte latente.
    É igual criterizar a Arte, vc se põe em excesso, e isso tbm não É, pq vc deixa de ser, pra ser o que um outro é, sendo em parte, mesmo que seja os dois e não seja o Ser.
    A realidade é que cada um TEM um corpo só.
    Isso, isto E aquilo deve Ser sagrado.
    Já que vives.

    😀

  31. adi said

    Mob,

    Bacana o Manoel de Barros, muito interessante.

    Saudades também, e beijão pro cê.

    Fy,

    Estou aqui terminando a continuação deste post sobre as transformações (amanhã eu posto), no qual é uma síntese de uma pequena parte do livro de Jung, “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo”, e olha o achado:

    Jung: “Só quero ressaltar que a “função inferior” coincide com o lado obscuro da personalidade humana. O obscuro que adere a cada personalidade é a porta de entrada para o inconsciente, o pórtico dos sonhos. Dele saem aquelas duas figuras crepusculares, a “sombra” e a “anima”…”
    Achei bem interessante, então a função inferior está relacionada com a sombra e anima… faz muito sentido, ou melhor, fez todo o sentido pra mim agora, porque geralmente a função inferior são impulsos que normalmente reprimimos…

    Quem somos nós afinal??

    Ainda Jung: “O Sol-Self: Trata-se da representação da relação com o amigo interno da alma, no qual a própria natureza gostaria de nos transmutar naquele outro, que também somos, e que nunca chegamos a alcançar plenamente. O homem é um par de um Dioscuro, em que um é mortal e o outro imortal; sempre estão juntos, e apesar disto nunca se transformam inteiramente num só. Os processos de transformação pretendem aproximar ambos, a consciência porém resiste a isso, porque o outro lhe parece de inicio como algo estranho e inquietante, e não podemos acostumar-nos à idéia de não sermos senhores absolutos na própria casa. Sempre preferimos ser “eu” e mais nada. Mas confrontamo-nos com o amigo ou inimigo interior, e de nós depende ele ser um ou outro.”

    bjs

  32. adi said

    Elielson,

    Meu caro amigo, obrigado pela letra, li rapidinho o que vc escreveu, e tenho que sair agora, a tarde eu volto pra te responder com calma.

    bjs

  33. Fy said

    Adi,

    Tô aguardando,

    e em relação à sua pergunta: my pointofview, – me diz o q acha:

    Adi,

    E por esse sentido arquetípico, pergunto, até onde toda a história da humanidade foi por nossa própria vontade e poder?? de onde vem esse poder?? Estamos somente encenando papéis, ou não?
    Quem somos nós afinal??

    – Humanidade.
    – Nós.

    Pois é,
    Naquele texto em que discutimos sobre religiões; eu notei uma coisa. Eu, …coiseando…., sempre.

    Notei, uma séria e forte vinculação, pra não dizer, cisão, entre a idéia de Individuação Junguiana e algum – seja lá qual for – processo religioso.

    Sem dúvida é uma leitura.

    Mas, convenha comigo: meio atrapalhada! e é aí que eu me atrapalho:

    Porque temos que considerar o “nosso mundo”: real. E, o nosso mundo é ….diversificado tanto geográfica quanto racialmente. – O que além de lindo, em minha opinião, é também uma leitura complicada, quando e se reconhecemos que a teoria de Jung prima pela consideração do Coletivo como Pano de Fundo arquetípico para as ações do indivíduo,-

    – de repente – , esta sua pergunta – ganha nexo – se a fundamentarmos em uma sequência mimética contínua; que muito se assemelha às doutrinas religiosas tradicionais. Em vez de mimetismo,podemos até dizer: arquetismo.

    Mas… [ sua pergunta ] “se complica” quando “ganha” uma proporção universal, ou seja, quando envolve o conceito de humanidade; de “nós” – porque aí, …é hora de “dancear” em outras melodias. Invadir territórios estrangeiros e que não sejam junguianos.

    Ainda que Jung tenha enfatizado que a individuação é um processo de diferenciação psicológica, “diferente” de individualismo – e, nesse sentido, algo que pode ser alcançado tanto por um individuo quanto por um grupo, evidentemente de formas diferenciadas – não podemos esquecer que os junguianos “em geral”, tendem a reduzir a compreensão da vivência desse processo a UM indivíduo tomado como mônada, e da transformação pelo isolamento no alto da montanha. A contribuição da psicologia junguiana para a compreensão de fenômenos políticos e sociais ainda é relativamente pequena.

    Eu acredito que esta alusão à Mônada se explica através da teoria junguiana de que o Inconsciente tenha a capacidade de abraanger toda a herança arquetípica. Enfim, muitos junguianos enfatizam que a grande contribuição e legado de Jung para a Psicologia Analítica; é mesmo o trabalho com o processo de individuação.

    E aí; em termos de psicologia – out Jung – ; entraremos num mesmo processo perigoso bem próximo da heresia; que significa observar diferentes leituras, diferentes devires e não apenas junguiar no sentido de nos tornar seguidores ou meros reprodutores de suas idéias.

    Vale colocar este parágrafo desta psicanalista:

    – nós, junguianos precisamos ir mais vezes ao estrangeiro, no sentido de nos abrir a uma conversa com outras línguas, devemos sair de nossos encontros monotemáticos e nos lançar ao desafio de falar para um outro, de preferência que não fale a língua dos arquétipos ou do self, mas que nos convoque a sair do escuro e a falar para fora!

    Hillman, pergunta:

    “No que os acadêmicos estão interessados? Estão interessados em idéias. Ao contrário, parece que os junguianos não estão interessados em idéias. Ou para ser mais preciso, parece que muitos junguianos não estão interessados em qualquer idéia a não ser nas idéias de Jung. (…)

    Muitos junguianos acreditam que têm todas as idéias de que precisam, Jung lhes deu essas idéias, tudo o que eles têm a fazer é aplicá-las. Eles estão satisfeitos. Muitos junguianos simplesmente vivem às custas das idéias de Jung.” (HILLMAN apud Adams, 2004b) –

    – e continua: é importante não me colocar em relação a essa questão como se fosse mais um dogma de teor religioso, então, vale aos junguianos, aventurar-se em outros territórios; “rizomar” –o que é fundamental – misturar: criar em cima destes conceitos: ler filosofia, psicanálise, literatura, e principalmente, ir aos museus, aos parques e ao cinema. SantinaRodrigues

    Não é possível, pensocácomigo, generalizar ou criar um único conceito de coletividade; ou caracterizá-lo como “pano de fundo” – sem, considerar o “estrangeiro” – os diferentes territórios, as diferenças – o que também não deixa de significar uma desterritorialização.

    E aí então, se conseguirmos alcançar uma visão mais articulada; menos vinculada à fundamentalismos, [ como é a postura de alguns junguianos diante de Jung – quando tomado como deus-pai-todo-poderoso – concluindo que o que ele não pôde fazer, ninguém mais deve fazer!] – nós podemos entender melhor algumas propostas do Hillman e nos direcionar “ livremente” – para a tentativa de responder sua pergunta:

    FAZER ALMA “NO MUNDO” – esse é o lema da psicologia arquetípica, fundada por James Hillman (1995a; 1995b).

    Fazer alma, cuidar da “Alma do Mundo” , e eu enfatizaria: “No” Mundo!” – este “no mundo” caracteriza “o vale” do Hillman.

    Des-identificar a alma de uma fantasia cientificista cerebral e também de uma localização intra-psíquica, celebrada pela clínica representacional do século XX e caminhar em direção a uma psicologia fenomenológica, em direção a uma clínica imaginal!

    A imaginação ou fantasia, em termos mais precisos, como matéria-prima da realidade psíquica não é privilégio de uma esfera ou outra, pois se apresenta em “diferentes circunstâncias”, individuais ou coletivas, evidentemente, com características peculiares a cada um desses contextos!

    [ – Esta observação acima, na minha opinião, é de extrema valia, e foi meu ponto de apoio em nossa discussão anterior.-]

    Independentemente da idéia de uma alma internalizada no indivíduo – resquício de uma compreensão metafísica da obra de Jung que, sabemos, não se dá à toa –, há a Alma do Mundo, das cidades, dos grupos, das raças, da Natureza enfim, para ser contemplada e re-imaginada.

    Intervenções coletivas e culturais que extrapolem as paredes de uma teoria [ doutrina] ou de um consultório,– será esse um caminho também possível para a psicologia analítica e a melhor compreensão do que somos?

    Pelo contrário, penso que uma vez mais devemos tomar cuidado com generalizações que levam a pensar o Grupo como se fosse “um Indivíduo”.

    Afinal, a cidade está doente e, como diz Hillman (1995a), isso não vai ser resolvido com cada um dos milhões de cidadãos do mundo fazendo análise nos moldes clássicos e expensivos de uma Europa do final do século XIX.

    E, também porque, venhamos, não é possível afirmar que esta seja A saída; – vamos nos poupar do risco de nos tornar, como fundamentalistas religiosos, cegos que defendem um caminho ou outro de redenção para os pecados do mundo; tentando responder nossas questões através de um único prisma.

    – Sabe Adi, eu sei lá se entendi ou melhor: ainda tô entendendo – Hillman de uma forma errada; mas se foi, é justamente esta “abertura” que ele propõem – esta possibilidade do devir – do “continuar” sempre atualizando – que me atrai.

    E sei lá tb: nós duas somos muito junguianas, não somos?
    Vc vai mais pelo caminho do misticismo peculiar do Jung, e eu, mesmo que cosmopolite mais este misticismo, tb acho que vou. rsrsrs

    Bjs

  34. Fy said

    Adi,

    Pra não perder o costume, vou publicar um lance interessante – enquanto vc termina teu texto, tá bem?

    Pois é, interessante, porque é completamente junguiano -… agente gosta -…. mas vale a pena identificar a quantidade de simbolismos colocada pelo autor.

    Jung: “Só quero ressaltar que a “função inferior” coincide com o lado obscuro da personalidade humana. O obscuro que adere a cada personalidade é a porta de entrada para o inconsciente, o pórtico dos sonhos. Dele saem aquelas duas figuras crepusculares, a “sombra” e a “anima”…”

    Achei bem interessante, então a função inferior está relacionada com a sombra e anima… faz muito sentido, ou melhor, fez todo o sentido pra mim agora, porque geralmente a função inferior são impulsos que normalmente reprimimos…

    Tem tudo a ver.

    Bjs

  35. Elielson said

    Onde consciência e mecanismo de repreensão se misturam.

    Mas antes uma parada que cabe no post…
    Esse papo me lembrou daquela conversa que o Marlin (pai do Nemo), teve com o cardume de peixes mimicos. Tem uma parte que eles imitam ele e dizem, eu eu eu eu eu eu. Foi engraçado, tem a ver com persuasão versus objeção.

    Tá, consciência e mecanismos repreensivos se misturam, mas a consciência ultrapassa os mecanismo repreensivos, assim como ultrapassa os mecanismos impulsivos. A consciência analisa mecanismos metodicamente ou intuitivamente, quando metodicamente o penetrar da consciência na razão e lógica, é apenas uma seletividade de não penetrar na treva total. Quando intuitivamente, penetra evitando a ocasião em que o faz por instinto, sem conotação.

    A escuridão total é pior que oposto, pq vc não chega nem a ser luz quando está nela. Mas sendo escuridão, lá vc acha os gravetos e as pedras que possam fazer faiscas.

    Se é impulso mesmo, não tem como ser repreendido.
    Se é repreensão, não tem como vencê-la.
    Só a consciência transita nisso aí, se põe sobre isso aí.

    As cargas do corpo são todo o movimento que mesmo por acidente, nos tornaram aptos.
    Muitas consciências engatinhando tornam-se aptas ao que podemos chamar de primeiro deus.
    Mas há como reavê-la, e fazê-la andar.
    Mesmo que seja tornando o primeiro deus em Deus.
    Mas se vc passou pra um segundo, terceiro deus e tal, esse alguém era vc deus, escolhendo deus como servo.

  36. adi said

    Fy,

    Esse assunto é muito complicado mesmo. De fato não podemos esquecer ainda da riqueza do Ser, sim somos muitos, todos diferentes, gamas variadas de extrovertidos e gamas variadas de introvertidos, cada qual com sua particular visão de mundo.

    Como meu tipo é introvertido, pensador, intuitivo com função inferior sensação, tenho a tendência a me identificar muito com o pensamento de Jung.

    Sim, Jung tinha uma veia muito forte na espiritualidade, baseado em sua própria experiência.

    “Sabe Adi, eu sei lá se entendi ou melhor: ainda tô entendendo – Hillman de uma forma errada; mas se foi, é justamente esta “abertura” que ele propõem – esta possibilidade do devir – do “continuar” sempre atualizando – que me atrai.”

    Sim, essa atualização é o movimento natural da psiquê. Nós é que nos congelamos numa única imagem, como se a consciência tivesse se identificado com uma única possibilidade, com um complexo, complexo esse que se tornou um “eu”. Como a consciência está presa a isso, não acompanha o movimento, está sempre atrás, tentando atingir, alcançar o real. Vez ou outra o Arquétipo se atualiza na consciência, e esses contatos são as chamadas iniciações, que causam uma mudança, uma transformação no indivíduo, uma atualização, que não é totalmente absorvida, mas parcialmente… mas já é suficiente pra uma mudança interna.

    “E sei lá tb: nós duas somos muito junguianas, não somos?”

    Conheci as teorias de Jung a pouco tempo, no F-Atirador, e foi uma “revelação” (rsrsrs). Verdade, eu estava numa questão interior, pessoal de lidar com a sombra, e não tinha a mínima idéia do “como”. Então as teorias Junguiana, a técnica de Imaginação Ativa, foi pra mim como libertadoras, como uma chave que abriu várias portas…
    Nesse sentido sou junguiana sim, e acredito que Jung foi muito além do que os “ismos” podem oferecer, por esses motivos eu sou uma grande admiradora desse mestre e sua obra.

    Mas tô começando a conhecer Hillman, eu ainda não compreendo bem o que ele realmente queria dizer… (rsrsrs).

    bjs

  37. adi said

    Oi Elielson,

    “Tá, consciência e mecanismos repreensivos se misturam, mas a consciência ultrapassa os mecanismo repreensivos, assim como ultrapassa os mecanismos impulsivos. ”

    Eu entendo que a consciência se “identifica” com esses mecanismos repreensivos (diga-se ego), ela a consciência está alienada do real, como se ela desconhecesse essas partes que foram reprimidas no inconsciente pessoal.

    “Se é impulso mesmo, não tem como ser repreendido.
    Se é repreensão, não tem como vencê-la.
    Só a consciência transita nisso aí, se põe sobre isso aí.”

    Eu acho que os impulsos são reprimidos no sentido de não serem aceitos, muitas vezes como se eles invadissem o ser, principalmente quando estamos em momentos de muita raiva, nervosismo, etc… e apesar de se manifestarem, não são aceitos pelo indíviduo.

    abs

  38. Elielson said

    🙂

    A imposição social supõe uma evolução dos instintos naturais, a repreensão e o impulso como reações sociais habitam no inconsciente coletivo, na forma de histeria coletiva, idolatria, paranóia social. No individuo engendrado, facilmente surgem tendências sociopatas e diversos males fisico-mentais derivados de uma convivência disfuncional.
    A disfunção é qualquer lei que negue o instinto natural, para moldá-lo no protótipo de uma natureza humanamente idealizada.
    A consciência integrada é a resistência no Ser.
    Essa resistência instrumenta tudo. Pois como eu disse, é poder criativo.
    A situação toda pode ser exemplificada da seguinte maneira:

    Imagine que a inconsciência coletiva não é nada mais do que uma escolha de não-ser de todos que mutuamente se masturbam para não enfrentar a condição humana, algo que se por uma fração de segundos for vislumbrada vê-se o quão fantástico é a condição alheia ao molde dos cárceres mentais que cometem os crimes que escondem os homens dos olhos de Deus com um véu que só existe para os homens.
    A inconsciência não consegue penetrar na consciência, mas a consciência pode resistir a inconsciência. Se em algum momento parecer que a inconsciência dominou a consciência, afirmo que foi uma escolha da consciência, e não da inconsciência.
    Pois até a embriaguez e o torpor mais intimo, escolhe lugar, hora e maneira como se deixará levar pela inconsciência, ou conscientizar a inconsciência.

    Tem uma frase no novo filme do Lars Von Trier.
    Algo assim…
    Precisa ter coragem pra permanecer na situação que amedronta.

    Existe o meu não-ser na analise da inconsciência?
    Só se eu não analisasse…
    Parece até necessário esse movimento dual, mas não que seja realmente.
    O que acontece é que o risco que ele parece não oferecer está latente, e este risco parece válido enquanto compreende o que se mostra como verdade, enquanto interage na conversação e conservação, porém quando a inconsciência comete o ato que elimina as outras áreas a serem compreendidas, aparenta ser um buraco negro vingando-se de Deus e em sua consumação tenta a consciência a ajudá-lo neste processo. Mas seria consciência se o ajudasse a ser inconsciência?
    A inconsciência instrumentar-se-ia da observação da consciência para escorrer no ralo do universo?
    Ou é justamente o despertar na consciência que cria a idéia do ato inconsciente, apenas para que agindo assim ( supostamente inconsciente rsrsrsr), seja reintroduzido na idéia de Uno pós-morte que habita na mente humana.

    Sabemos que o retardo não é proposital, mas é clara a maldade de quem se desenvolve somente até certo nível de consciência aceitando a forma da inconsciência e engendrando-se.

  39. Sem said

    Adi, Fy, Elielson, amigos,

    Essa questão só pode ser complicada, trata da vida real, que é a vida íntima de cada um e como ela se coloca no mundo. Trata-se de conhecimento e desconhecimento, ilusão e realidade, teoria e prática.

    Indivíduo X Sociedade, não tem solução não… ou o que veio antes, o ovo ou a galinha? Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Aprendemos a ser tolerantes porque toleramos primeiro os outros ou antes a nós mesmos?

    Na minha opinião viver na ignorância, ou seja, viver dividido, é achar que essas questões são excludentes. Ainda outro modo de estar dividido é querer dar uma resposta unicamente lógica para elas. Aliás, a única possibilidade dessa questão ter uma resposta única é com lógica, mas claro, expulsando dela a vivência concreta – porque a vida mesmo, por sua natureza complexa e paradoxal, é sempre contraditória – e portanto concluo que essa solução puramente lógica é no mínimo uma meia solução.

    Para viver basta saber que existe o ovo e que existe a galinha e que ambos se engendram; que tostines vende e por isso ele é sempre de novo fabricado; e que a tolerância é uma virtude de eros… A resposta da vida inteira está no verbo, na ação. A resposta da vida é viver.

    Taí, poesia é um bom modo de juntar imagem (psique) e ação (vida).

    Imagem + ação = imaginação.

    Deixo a seguir um pequeno excerto do Ode Marítima do Pessoa. E pra ver como essa questão é completamente subjetiva, eu poderia trazer qualquer outro poema ou outro poeta, mas lembrei deste… mas porque este e não outro? A resposta só pode estar nas escolhas subjetivas, como todas as escolhas são subjetivas, reflexo dos valores que cada um adotou para si. No meu caso o caminho foi, dentre os poetas, Pessoa > dentre os heterônimos, Álvaro de Campos > dos poemas do Álvaro, Ode Matítima > e desta ode extensa, este pequeno trecho:

    “As viagens, os viajantes – tantas espécies deles!
    Tanta nacionalidade sobre o mundo! tanta profissão! tanta gente!
    Tanto destino diverso que se pode dar à vida,
    À vida, afinal, no fundo sempre, sempre a mesma!
    Tantas caras curiosas! Todas as caras são curiosas
    E nada traz tanta religiosidade como olhar muito para gente.
    A fraternidade afinal não é uma idéia revolucionária.
    É uma coisa que a gente aprende pela vida fora, onde tem que tolerar tudo,
    E passa a achar graça ao que tem que tolerar,
    E acaba quase a chorar de ternura sobre o que tolerou!

    Ah, tudo isto é belo, tudo isto é humano e anda ligado
    Aos sentimentos humanos, tão conviventes e burgueses.
    Tão complicadamente simples, tão metafisicamente tristes!
    A vida flutuante, diversa, acaba por nos educar no humano.
    Pobre gente! pobre gente toda a gente!”

  40. Elielson said

    Cabe a nós tbm caracterizar ou determinar o que é um ato verdadeiramente ignorante, pq uma ignorância socrática visa saber o menos possivel pra fazer o maximo possivel. Mas o desrespeito com a duvida e o impedimento da liberdade através de chicotadas psicológicas são parte da ignorância que se julga certa baseada em ilusões.

  41. adi said

    Elielson,

    “A inconsciência instrumentar-se-ia da observação da consciência para escorrer no ralo do universo?
    Ou é justamente o despertar na consciência que cria a idéia do ato inconsciente, apenas para que agindo assim ( supostamente inconsciente rsrsrsr), seja reintroduzido na idéia de Uno pós-morte que habita na mente humana.”

    Rapidinho porque hoje o dia está cheio (rsrsrs), mas me chamou atenção isso que vc escreveu. E nem sei se entendi direito o que vc quiz dizer, mas imagino que o papel da consciência no Universo é auto-conhecimento. Meio como uma forma de através da consciência que emergi do inconsciente e através da ação e imaginação conhecer a potência de ser e vir-a-ser de si-mesmo. Há o mundo, mas agora há um observador no mundo…. como se desde o início da criação o mundo fosse uma incubadora, nutriz propiciador de vida consciênte e depois auto-consciênte…
    Eu acredito que o intuito da vida, mesmo aqui nessa particula que sou, é realizar um pouco daquele potencial inconsciente, que se faz consciente aqui nesse pedaço, e no retorno como que um salto numa outra realidade que ainda não abrangemos conscientemente… como se houvessem outros mundos, outras formas de percepção além desse aqui que nos encadeia….
    Seria esta a vida após a morte? eu não sei… mas seria um despropósito atingir um alto estado de consciência e mergulhar novamente no inconsciente. Acho que esse mecanismo de desenvolvimento da consciência e realização seria como um salto pra um novo estágio de experiência e percepção, talvez aqui mesmo, numa outra dimensão….
    Só que pra isso, precisamos ir além da identificação da consciência com um “eu”, precisa quebrar essa percepção de se estar em separado das outras coisas, precisa ir além da própria casca, …. sei lá, acho que tô viajando aqui, mas faz sentido ser assim pra mim…

    ai, ai…

    abs

  42. Fy said

    Há o mundo, mas agora há um observador no mundo….

    ou o que veio antes, o ovo ou a galinha?

    observação da consciência para escorrer no ralo do universo?

    Sabe Adi, eu sei lá se entendi ou melhor: ainda tô entendendo …..

    – ahahahah::: bom demais!

    Bjs

  43. Fy said

    Retalhos:

    Quando eu digo para vocês, “Neste exato momento vocês podem tornar-se Budas”, algo dentro de vocês diz: “Como é possível? Tão simples? Tão fácil?

    Vocês gostariam de algo muito difícil, então poderia tornar-se um desafio para seu ego.

    Deus não é um desafio, Deus é como um caso de amor.

    Deus não é o Everest que vocês têm de escalar.

    Deus é a profundeza – vocês não têm nenhum lugar para escalar.

    Vocês podem simplesmente dar o salto neste momento, e vocês desaparecerão.

    Deus não é uma escadaria que vocês têm que subir lentamente, passo a passo.

    Deus é um salto quântico.

    Vocês podem cair em Deus do mesmo modo como vocês se apaixonam. É fácil.

    Torne-o fácil.

    Portanto, a insistência de todos os Budas: Neste verdadeiro momento tudo é possível – vocês não precisam esperar por um momento único, não há necessidade de postergar”.

    Torne a vida fácil, torne a vida simples – a vida é Deus.
    Seja absorvido na vida. A vida é o verdadeiro santuário. Através da vida vocês conhecerão aquilo que está oculto.

    Nunca seja contra a vida, nunca lute com a vida. Vá com a vida, flua com a vida. Vá com o rio da vida… e o rio já está indo para o oceano.

    Aquele que realizar este fluir com a vida é um srotaapanna – Buda chamou-o.
    Ele entrou na correnteza, agora não há preocupação.
    Eu chamo o homem “sannyasin”, aquele que entrou na correnteza.

    Agora não há preocupação, agora nada tem de ser alcançado – ele relaxou…

    Osho, em Zen: The Path of Paradox.

    OSHO Olhos Felizes

    Existem muitas religiões, porque existem muitas pessoas infelizes. Uma pessoa feliz não precisa de religião. Uma pessoa feliz não precisa de templo, nem de igreja, porque para uma pessoa feliz, todo o universo é um tempo, toda a existência é uma igreja.

    Uma pessoa feliz não tem nada parecido com uma atividade religiosa, porque toda a sua vida já é religiosa.

    Qualquer coisa que você fizer com felicidade será uma prece; seu trabalho se tornará um culto, a sua própria respiração terá um esplendor, uma graça.

    Não que você repita constantemente o nome de Deus – somente as pessoas tolas fazem isso – porque Deus não tem nome algum, e por repetir algum suposto nome você simplesmente tornará estúpida a sua mente.
    Por repetir o Seu nome você não irá a lugar algum.
    Um homem feliz simplesmente vê Deus em todo lugar.

    E você precisa de olhos felizes para ver Deus.

    Fy

  44. Mob said

    Fy,

    >Então
    Enquanto ainda podemos
    Eu te pergunto:
    Vamos brincar?

    (Lay down all thoughts, surrender to the void, it’s shining, it’s shining,Yet you may see the meaning of within It is being, it is being)

  45. Mob said

    Sem,

    >A cabecinha esquerda sabia que, na verdade, se tratava de veneno, mas desejava promover, desse modo, a morte da cabeça direita para, depois, poder comer a seu talante. O que na verdade aconteceu foi que, primeiro, o corpo se intoxicou e, a seguir, as duas cabeças morreram.

    A maravilhosa história de Tchèrezi, o Buda da Compaixão

    Amitabha, o Buda primordial, cujo único desejo é ajudar todos os seres vivos, um dia considerou que era necessário a manifestação de uma divindade com a aparência de um jovem. Amitabha emitiu um raio de luz branca que tomou a forma de Tchènrezi.
    Tchènrezi cresceu e prometeu ajudar Amitabha a beneficiar todos os seres vivos e fez uma promessa a si próprio “enquanto houver um único ser que não tenha atingido o despertar, trabalharei para o bem de todos. E se não cumprir esta promessa, que a minha cabeça e o meu corpo se partam em mil pedaços!”
    Durante milhões de anos, Tchèrezi trabalhou sem parar. Um dia pensou que já tinha liberto numerosos seres, mas infelizmente ainda havia inúmeros seres presos no samsara. Muito triste por isso, desanimou “Não tenho a capacidade de socorrer os seres; vale mais que descanse no Nirvana”. Com este pensamento contrariou sua promessa. O seu corpo quebrou-se em mil pedaços e Tchèrezi conheceu um intenso sofrimento.
    Mas pelo poder de sua graça, Amitabha voltou a recompor o corpo de Tchènrezi. Deu-lhe onze rostos, mil braços e mil olhos. Tchènrezi poderia a partir de então, ajudar os seres sob esta forma. Amitabha pediu a Tchènrezi que retomasse a sua promessa e este assim fez ainda com ainda mais vigor e força do que antes.

  46. Mob said

    Fy,

    >E você precisa de olhos felizes para ver Deus

    Esse poeta, Robert Frost é sensacional:

    Duas estradas separavam-se num bosque amarelo,
    Que pena não poder seguir por ambas
    Numa só viagem: muito tempo fiquei
    Mirando uma até onde enxergava
    Quando se perdia entre os arbustos;

    Depois tomei a outra, igualmente bela,
    E que teria talvez maior apelo,
    Pois era relvada e fora de uso;
    Embora, na verdade, o trânsito
    As tivesse gasto quase o mesmo,

    E nessa manhã nas duas houvesse
    Folhas que os passos não enegreceram.
    Oh, reservei a primeira para outro dia!
    Mas sabendo como caminhos sucedem a caminhos,
    E duvidava se alguma vez lá voltaria.

    É com um suspiro que conto isto,
    Tanto, tanto tempo já passado:
    Duas estradas separavam-se num bosque e eu –
    Eu segui pela menos viajada,
    E isso fez a diferença toda.

    Robert Frost (1874-1963), Tradução de José Alberto Oliveira

    outra:

    UM PÁSSARO MENOR

    Quis, de fato, que o pássaro voasse
    E próximo ao meu lar não mais cantasse.

    Cheguei à porta para afugentá-lo,
    Por sentir-me incapaz de suportá-lo.

    Penso que a inteira culpa fosse minha,
    E não do pássaro ou da voz que tinha.

    O erro estava, decerto, na aflição
    De querer silenciar uma canção.

    bjo,
    Mob.

  47. Elielson said

    Ilusão difundida é elemento relevante na realização do Ser. A ilusão concordada deixou de estar no nada, voltando ou não pro nada, bom seria se fossemos ao nada como indo ao Tudo, assim iríamos ao Tudo como vamos ao nada… Expansão é subida e descida ao mesmo tempo.
    Essas vozes são um acordo que rompeu o silêncio, não como primeira definição, mas como uma segunda definição.
    O vento leva vc de vc. Então voltemos a ser o vento. Mas seja um vento refrescante a todos, pra não correr o risco de ser uma tempestade que leve as telhas erradas.
    Se vc gosta da liberdade vc está livre…
    A voz do que é ensinado, traz o elemento que torna pecaminoso o vacilo e glorioso o erro, ou esta é a interpretação que defendem ao sentirem medo, medo que faz do vacilo uma filosofia de vida, que logo apaga a dualidade que poderia acertar ou não, para se tornar alguém que tende exclusivamente ao erro.
    Procurando sintetizar os interesses, acabamos por ser o distribuidor, alimentando nossas sentenças, nos responsabilizando pelo que entendemos, mas sem tornar as pessoas responsáveis ao menos pelos interesses delas próprias, quem será o Senhor que se libertará de seus escravos? Contribuir para trazer uma visão própria de cada um, que não implique em uma luta contra a visão do todo, faz com que a visão do todo expanda o horizonte de cada um. O pensamento de fera, que resta no animal homem, é melhor domado quando ele se domou.
    Consumo iníquo é demanda de sangue, a busca de uma nova necessidade sempre tira o que o outro precisa…
    Tudo é livre quando somos livres.
    A transcendência ta no trampo Mêo.
    Quando deixo a mão de obra, sou ladrão de transcendência. E definitivamente se todos transcendessem, acho que o individuo transcenderia mais. Se para estar no alto tem que pisar no homem, que todos fiquem no chão, pois se o alimento do céu não é suficiente para que saboreie o chão, toda a gratidão não passará do querer mais, em vez de ser a distribuição do que precisa.
    Ego é nocivo se quiser a transcendência do que é só daqui. Só daqui, de dentro de mim, não é do todo, pois esta obra só deixa de ser pequena quando é grande.
    Profanação de origem é o bastante para a Morte, e todos são originados no mesmo lugar.
    Vc é tudo que precisa. Se alguém não consegue o que precisa. Vc ainda não é Vc.
    Incompletude. O mal é a tentação da pratica alheia, que te faz pensar ser bom.

    Então,
    mãos à Grande Obra.

  48. Fy said

    Mob,

    Hey You,

    Enquanto ainda podemos
    Eu te pergunto:

    – Vamos brincar?

    always shining,

    always being ?

    We always can.

    Bjs

  49. Elielson said

    Esse video tem a ver com o post da Fy e com esse aqui.

    😀

  50. Elielson said

    Camaradas…
    Temos que estar prontos, é só isso.
    Não se trata nem de estar acima dessas inquietudes provocadas pelas afetações de indoles que se banham na injustiça. Se trata de nunca deixar que tudo que as pessoas buscam explicar como impulso ou natureza humana, faça parte de algo que sabemos que não nasceu assim, e mesmo pra quem já nasceu com esse pouco de maldade, a reversão e o direcionamento não cabe ao ser que não é responsavel pela ação do corpo.

    É com profunda imersão em tudo que sinto, que estou falando isso, e essas expressões são a simbologia de uma intenção a deriva das interpretações.

    Manifestações que podem ir do grato ao gratuito, que podem ir para onde quiserem que vá, e é isso, notem esse poder de levar a humanidade pra onde quiser que está em todo mundo, do qual foi dado uma parcela para cada corpo, e até onde sabemos temos um pouco de consciência para que mesmo não guiando nosso meio, guiemos nossas escolhas.

    Mas quais os grandes problemas dos quais nos ocupamos?
    Quais aqueles que mesmo não querendo, não deixamos de nos ocupar deles?
    Acontece que pelo menos eu, sigo com essa abrasividade, não como um pedido de visão alheia para que vejam o que eu vejo, ou sei lá, que sejam otimistas pelo menos com o próprio presente,… a minha abrasividade é mais uma manifestação pelo que está realmente acontecendo pra mim. Afeta um pouco a manifestação que parece contra, oposta, teimosa, ou que apenas divide a realidade do todo em um posicionamento provindo da minha especulação, sobre o que é bom, sobre o que é mal, sobre o que é, sobre o que não é…

    Conheci pessoas que em seus ultimos suspiros de sinceridade diziam querer buscar ou estar buscando, e me lembro que eu me perguntava se enfrentar o mistério era bom ou mal nessa epoca. Então era mais sensato que eu definisse o mistério.

    Com a simples intenção de definir de onde partia minha observação e o que o movimento das coisas tinha a ver com a presença dela, aconteceu que a claridade estava em tudo que eu julgava, e a escuridão estava em tudo que eu julgava.

    Eu não iria mais então me importar com a defesa de uma verdade, pois a verdade mesmo já estava defendida, e eu era quem favorecia meu ponto de vista afastando-a ou trazendo-a.

    A inexpressividade no primeiro momento é só o que há. A plena consciência da minina influência que o movimento interno causa no externo era a grandeza do percebimento. E todo grande movimento era lançado como um desafio para quem realmente busca, podendo perceber as coisas pelas quais vale muito a pena zelar, e além do que parecia uma atitude no intuito de confundir, era só uma atitude para amenizar as confusões do ser que se encontrava entre o tudo e o nada.

    E na falta mesmo de expressão, ficam os gestos, esses superam a lógica e se encaminham direto para o universo inteiro, interno e externo.

    Não podendo abraçar o mundo, esteja no meio, mas retribua, e quando o mundo estiver te dando aqueles tapas na cara, como costuma e se acostuma a dar, vá em outras partes, pq sempre que vc não é mais bem-vindo em algum lugar, vc está livre, livre para entender que outros lugares te chamam, que vc se chama, e alguns poucos estão sempre te chamando, dizendo que toda a carência de confiança, confiança que mesmo por um instante pareça não existir aqui, existe nesse silêncio, que é como uma música que não para de tocar, em todos os lugares…

    Tenham um bom dia. 😀

  51. Fy said

    Adi,

    É mesmo mto interessante este último parágrafo do Jung qdo vamos buscar sua precisão na própria historia; é aí que identificamos claramente a analogia entre poder – religião – comunismo e outros sistemas centralizadores; faz tempo que eu havia separado estes trechos:

    …….“O desenvolvimento lógico desta tendência leva ao comunismo, no qual cada indivíduo escraviza a coletividade e esta última é representada por um ditador, isto é, um senhor de escravos.

    Todas as tribos primitivas, cuja ordem social é comunista, também tem um chefe com poderes ilimitados sobre elas.

    O estado comunista nada mais é do que uma monarquia absoluta em que não há súditos, mais apenas servos.” > Jung

    ————————————

    É bem por aí, sim: Trono e Altar: Altar e Trono

    – Para agregar esforços na construção de diques e canais de irrigação, deu-se a reunião dos nomos, originando a formação de dois reinos, o reino do Alto Egito, localizado ao sul do Nilo, e o do Baixo Egito, ao norte, por volta de 3500 a.C. Em 3200 a.C., Menés, governante do Alto Egito, “impôs” a unificação dos reinos, tornando o primeiro faraó , subordinando 42 nomos.

    Os nomarcas, convertidos em representantes do governo central nessas comunidades, administravam diversas aldeias, cuidando da coleta dos impostos e da aplicação das determinações estabelecidas pelo faraó.

    Com a unificação, iniciou-se o chamado período dinástico da história egípcia.

    O faraó adquiriu o papel de supremo mandatário, “concentrando todos os poderes em suas mãos e apropriando-se de todas as terras; a população deveria pagar tributos a ele e servi-lo”.

    Reforçando seu poder, o faraó encarnava também o elemento religioso, passando a ser considerado um “deus vivo”, sendo “cultuado” como tal.

    ——————————-

    – No final do período Neolítico, os povos sumerianos, vindos do planalto do Irã, fixaram-se na Caldeia (Média e Baixa Mesopotâmia) e fundaram diversas cidades autônomas, verdadeiros estados independentes, como Ur, Uruk, Nipur e Lagash. Cada uma delas era governada por um patesi (vigário do deus), supremo- sacerdote e chefe militar absoluto.

    Acompanhado dos sacerdotes e burocratas, o patesi controlava a construção de diques, canais de irrigação, templos e celeiros, impondo e administrando os tributos a que toda a população estava sujeita.

    Os “deuses” eram considerados os “proprietários de todas as terras”, a quem os homens sempre deviam servir, servir e servir > exatamente como na religião católica – super oportuno – é uma forma “divina” de escravizar – sendo suas cidades “moradas terrenas”.

    —————————————-

    A civilização hebraica desenvolveu-se na antiga Palestina, correspondendo a uma região cercada pela Síria, pela Fenícia e pelos desertos da Arábia. Seu território era cortado pelo rio Jordão, cujo vale constituía a área mais fértil e favorável à prática agrícola e à sedentarização de sua população.

    O restante da Palestina, ao contrário, era formado por colinas e montanhas, de solo pobre e seco, e ocupado por grupos nômades dedicados ao pastoreio.

    As tribos hebraicas chegaram à Palestina antes de 2000 a.C., conhecida há muito tempo como terra de Canaã devido aos seus primeiros habitantes, os cananeus.

    Tanto estes como os hebreus eram de origem semita, denominação moderna dos descendentes de Sem, mencionado no Antigo Testamento como o filho primogênito de Noé, e tido como o remoto antepassado dos hebreus (hebreu também significa “povo do outro lado”).

    A principal fonte da história hebraica é a Bíblia, pois em sua primeira parte, o Antigo Testamento, são apresentados não apenas elementos morais e jurídicos dos hebreus, como também seus valores religiosos e narrativas históricas.

    Essa simbiose, absolutamente oportuna e que claramente [e terrivelmente também caracterizou a Idade Média] entre seu desenvolvimento histórico e religioso explica por que seus principais personagens e feitos estão sempre envoltos pelo sagrado e sobrenatural.

    As tribos semitas, no início da história hebraica, distribuíam-se entre a Síria oriental e a Mesopotâmia, >>>> empreendendo inúmeras guerras pela conquista territorial e para obtenção de escravos e mulheres.

    Quando um desses grupos semitas, os hebreus, chegou à Palestina, teve início a disputa pelo domínio da região, originando prolongados conflitos contra os cananeus e os filisteus, dos quais os hebreus saíram vitoriosos.

    As tribos dos hebreus, estabelecidos na Palestina, organizaram-se em grupos familiares patriarcais, seminômades, iniciando o desenvolvimento das atividades agrícolas e pastoris.

    O primeiro grande líder hebreu, segundo o Antigo Testamento, foi Abraão (2166 a.C.), mesopotâmico originário da cidade de Ur, na Caldéia, considerado o primeiro patriarca hebreu.

    Dirigindo-se à Palestina, Abraão anunciava uma “nova cultura religiosa”, monoteísta, que mais tarde cimentaria a unidade dos hebreus; estes acreditavam que Abraão recebera de Jeová ( lavé, deus dos hebreus) [pessoalmente] , a promessa de uma terra para eles e seus descendentes, onde haveria de correr “leite e mel”.

    Para fugir ao domínio dos egípcios, blábláblá e tals: aparece o Moisés;… :

    Dessa forma, Moisés avança na unidade e coesão do povo israelita, acrescentando à sua “chefia religiosa, política e militar”: a autoridade jurídica.

    Com Josué, sucessor de Moisés, os hebreus conseguiram alcançar a Palestina, reativando as antigas disputas territoriais da região.

    Com Josué, os hebreus “conquistaram” : à força de batalhas: mesmo – bem sangrentas: > nada de divino – > a cidade de Jericó, na Palestina, e, dada a organização em tribos politicamente independentes, mas não completamente coesas, apesar da identidade religiosa, lingüística e de costumes, segui-se uma grande dificuldade para a conquista do restante do território palestino.

    Mesmo assim, para enfrentar os guerreiros filisteus que ocupavam o litoral, nomearam os juizes (1407 – 1048 a.C.), líderes militares indicados pelas tribos.

    Entre esses chefes temporários, escolhidos para fazer frente a uma dificuldade comum, destacaram-se Gideão, Sansão, Gefté e Samuel.

    Samuel buscou pôr fim às divergências tribais, visando a unidade política entre as doze tribos, o que só se concretizou com o seu sucessor.

    Dada a séria ameaça de os hebreus caírem sob o jugo dos filisteus, as tribos hebraicas instituíram a monarquia sob o comando de Saul (1048 – 1009 a.C.), da tribo de Benjamim.

    Entretanto, o primeiro rei não teve sucesso no enfrentamento contra os inimigos e, vencido, suicidou-se. – se matou mesmo> nada de divino.

    Mais uma:

    Hamurábi também empreendeu uma ampla reforma religiosa, transformando o deus Marduk, da Babilônia, no principal deus da Mesopotâmia, mesmo mantendo as antigas divindades [ exatamente como o cristianismo faz com sua interminável coleção de santos].

    – Veja bem: da “mesma forma que Abrãao e Javé [ deus]: o Hamurabi bateu um papo com Marduk [ deus] e resolveu anunciar que ele era o The Best.

    A Marduk, então, foi levantado um templo ao qual foi erguido o zigurate de Babel, citado pelo livro de Gênesis como uma torre para se chegar ao céu. – believe! – [ claro que depois disto inventaram uma porção de significados mais interessantes e bestificadores ainda para Babel: tudo: menos o simples significado baseado na ignorância da época ]

    Após a morte de Hamurabi, o império entrou em decadência principalmente por causa das rebeliões internas e novas ondas de invasões, como a dos hititas e a dos cassitas – > outras tribos.

    A desorganização do Império Babilônico promoveu o surgimento de vários reinos menores rivais, propiciando a ascensão dos assírios, a partir de 1300 a.C.

    E, por aí vai…

    Bjs

  52. adi said

    Fy,

    Sim, e pegando novamente o que Jung disse:

    “Todas as tribos primitivas, cuja ordem social é comunista, também tem um chefe com poderes ilimitados sobre elas.
    O estado comunista nada mais é do que uma monarquia absoluta em que não há súditos, mais apenas servos.” > Jung.

    Percebemos claramente, que mesmo o comunismo, que teoricamente é “um governo ateu”, totalmente desvinculado do religioso, atua da mesma maneira, exatamente da mesma maneira…. enfim, mudam-se as moscas, mas a m….. continua a mesma.

    “É bem por aí, sim: Trono e Altar: Altar e Trono”

    É verdade Fy; o poder nunca se desvinculou da religião, muito pelo contrário, sempre se apropriou das coisas em nome de um poder vindo de deus. E isso não só em nossa cultura herdada ocidental não. Olha só, o povo Maia, Asteca, Inca, tinham todo o sistema governamental muito bem apoiados pela religião, sua cultura e o reinado se misturavam com o poder religioso, pelos sacrifícios aos deuses, etc, etc.

    Ainda ontem, assisti a dois filmes que gosto muito:

    – A fonte da Vida, onde uma parte do filme mostra o domínio católico sobre a Espanha, através da inquisição. Foi uma época muito negra da história. E que vemos claramente onde se distorce, em benefício próprio (católico), o fundamento filosófico (cristão do homem Jesus, ou dos gnósticos) que surgiu justo pra libertar desse poder usurpador e opressor, e foi tão distorcido ao ponto de se tornar naquilo mesmo que veio combater. Muito interessante.

    – Clube da luta, onde se busca a libertação do sistema, mas que cresceu em tal proporção, fora de controle, se tornando quase um novo sistema, uma organização, quartel de guerra, e assim surge os grupos terroristas…. é complicado, muito mais complicado esse tal de sistema….

    Tem uma história, que Jung conta nesse livro sobre os arquétipos:
    “Era uma vez um velho estranho. Ele vivia numa caverna na qual se refugiava fugindo dos ruídos das aldeias. Tinha a fama de ser mago e por isso possía alunos que esperavam aprender com ele a arte da magia. Ele porém não cogitava disso. Só procurava saber o que não sabia mas tinha a certeza do que sempre ocorria. Tendo meditado muito tempo sobre o que nossa meditação não alcança, não teve outra saída para sua situação precária, a não ser pegar um pedaço de argila vermelha e fazer todo o tipo de desenhos nas paredes da caverna, a fim de descobrir como aquilo que ele não sabia poderia ser. Depois de muitas tentativas chegou a círculo. “Isto está certo”, achou ele, “e mais um quadrilátero dentro”, e assim ficou melhor. Os alunos estavam todos curiosos, mas sabiam apenas que algo acontecia com o velho. E assim curiosos perguntaram-lhe: “O que fazes lá dentro?”, mas o velho não dava nenhuma informação. Descobriram então os desenhos nas paredes e disseram: “Ah, é isso!”, e copiaram os desenhos. Mas assim, sem perceber, inverteram todo o processo: anteciparam o resultado, esperando com isso forçar o processo que havia conduzido àquele resultado. Assim acontecia outrora e acontece até hoje.”
    ——————

    Eis aí, copiamos e não vivemos o processo em nós mesmos, e assim os memes se espalham, distorcidos do real, prendem o indivíduo ao invés de libertar. E como os gnósticos dizem, nossa esfera é uma cópia mal feita do pleroma, cópia esta feita pelo demiurgo.

    Complicado né?

    bjs

  53. Fy said

    Eis aí, copiamos e não vivemos o processo em nós mesmos, e assim os memes se espalham, distorcidos do real, prendem o indivíduo ao invés de libertar.

    E como os gnósticos dizem, nossa esfera é uma cópia mal feita do pleroma, cópia esta feita pelo demiurgo.

    Complicado né?

    Muito.

    Bjs

  54. Fy said

    Adi,

    Sorry, te respondi correndo, pq tocou o telefone e eu me atrapalhei aqui.
    Mas, muito bem lembrado, – e sem dúvida, estas civilizações da América Central eram teocráticas também. Existiam vários deuses criadores do universo e responsáveis por diversas de suas ocupações.
    Os astecas supunham viver a era do quinto sol. As quatro anteriores haviam acabado em catástrofes.
    Isso constituía uma justificativa ideológica para as contínuas guerras astecas, pois era necessário capturar inimigos e sacrificá-los aos deuses, a fim de proporcionar sangue para que o Sol não se apagasse.
    [ – uma atitude idêntica a outros sistemas de crenças monoteístas: os católicos mataram e sacrificaram milhões à título de agradecer e servir a seu deus : mesma coisa…. disfarçada de de fé…. amor…. poder de deus…..- inclusive os gnósticos – um verdadeiro genocídio; e em uma época em que os astecas eram considerados bárbaros. Foram dizimados também. Em nome de outro deus, claro.] E, a descrição deste genocídio é das mais chocantes que se pode imaginar. Entre tantas.
    Na realidade, entre os astecas, as concepções guerreiras – com seu culto ao sacrifício e à coragem -, as necessidades políticas e as crenças religiosas constituíam quase uma unidade no mundo asteca.
    Os mortos em sacrifícios, como os que morriam em combate, tinham sua “entrada garantida no império do Sol”.
    Melhor que no ocidente; onde só os que matavam eram convidados.

    Em relação ao comunismo ser um regime ateu, é uma coisa óbvia, como poderiam dois deuses sentar num mesmo trono? Ou serem igualmente poderosos?

    E como os gnósticos dizem, nossa esfera é uma cópia mal feita do pleroma, cópia esta feita pelo demiurgo.

    Os gnósticos disseram isto há tanto tempo, não Adi, – eu particularmente acho que deveríamos é nos responsabilizar por esta batata quente de uma vez por todas. Daqui a pouco a culpa vai ser de quem? quantos deuses ainda vamos criar e responsabilizar pelo nosso alheamento ?

    Bjs

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