Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

A sombra – por Jung

Posted by adi em agosto 1, 2009

Sendo o assunto do momento, acredito também de interesse pra muitas pessoas que visitam o Anoitan, abaixo segue um capitulo do livro AION de Jung, sobre a sombra e como ela atua no individuo.

” Os conteudos do inconsciente pessoal sao aquisicoes da existencia individual, ao passo que os conteudos do inconsciente coletivo sao “arquétipos” que existem sempre e a priori. Empiricamente,  os arquetipos que se caracterizam mais nitidamente sao aqueles que mais frequentes e intesamente influenciam e perturbam o eu. Sao eles a sombra a anima e o animus. A figura mais facilmente acessivel a experiencia eh a sombra, pois eh possivel ter um conhecimento bastante aprofundado de sua natureza. Uma excecao a esta regra eh constituida apenas por aqueles casos, bastante raros, em que as qualidades da personalidade foram reprimidas e o eu, consequentemente, desempenha um papel negativo, isto eh, desfavoravel.

A sombra constitui um problema de ordem moral que desafia a personalidade do eu como um todo, pois ninguem eh capaz de tomar consciencia desta realidade sem dispender energias morais. Mas nesta tomada de consciencia da sombra trata-se de reconhecer os aspectos obscuros da personalidade, tais como existem na realidade. Este ato eh a base indispensavel para qualquer tipo de autoconhecimento e, por isso, via de regra, ele se defronta com consideravel resistencia. Enquanto, por um lado, o autoconhecimento eh um expediente terapeutico, por outro lado implica, muitas vezes, um trabalho arduo que pode se extender por um largo espaco de tempo.

Uma pesquisa mais acurada dos tracos obscuros do carater, isto eh, das inferioridades do individuo que constituem a sombra, mostra-nos que esses tracos possuem uma natureza emocional, uma certa autonomia e, consequentemente, sao de tipo obsessivo, ou melhor, possessivo. A emocao, com efeito, nao eh uma atividade, mas um evento que sucede a um individuo. Os afetos via de regra, ocorrem sempre que os ajustamentos sao minimos e revelam, ao mesmo tempo, as causas da reducao desses ajustamentos, isto eh, revelam uma certa inferioridade e a existencia de um nivel baixo da personalidade. Nesta faixa mais profunda o individuo se comporta, relativamente as suas emocoes quase ou inteiramente descontroladas, mais ou menos como um primitivo que nao soh eh vitima abulica de seus afetos, mas principalmente revela uma incapacidade consideravel de julgamento moral.

Com compreensao e boa vontade, a sombra pode ser integrada de algum modo a personalidade, enquanto certos tracos, como o sabemos pela experiencia, opoem obstinada resistencia ao controle moral, escapando portanto a demonioqualquer influencia. De modo geral, estas resistencias ligam-se a projecoes que nao podem ser reconhecidas como tais e cujo conhecimento implica um esforco moral que ultrapassa os limites habituais do individuo. Os tracos caracteristicos das sombra podem ser reconhecidos, sem mairo dificuldade, como qualidades pertinentes a personalidade, mas tanto a compreensao como a vontade falham, pois a causa da emocao parece provir, sem duvida alguma, de “outra” pessoa. Talvez o observador objetivo perceba claramente que se trata de projecoes. Mas ha pouca esperanca de que o sujeito delas tome consciencia. Deve admitir-se, porem, que as vezes  eh possivel haver engano ao pretender-se separar projecoes de carater nitidamente emocional, do objeto.

Suponhamos agora que um determinado individuo nao revele tendencia alguma para tomar consciencia de suas projecoes. Neste caso, o fator gerador de projecoes tem livre curso para agir, e, se tiver algum objetivo, poderah realiza-lo ou provocar o estado subsequente que caracteriza sua atividade. Como se sabe, nao eh o sujeito que projeta, mas o inconsciente. Por isso nao se cria a projecao: ela jah existe de antemao. A consequencia da projecao eh um isolamento do sujeito em relacao ao mundo exterior, pois em vez de uma relacao real o que existe eh uma relacao ilusoria. As projecoes transformam o mundo externo na concepcao propria, mas desconhecida. Por isso, no fundo, as projecoes levam a um estado de auto-erotismo ou autismo, em que se sonha com um mundo cuja  realidade eh inatingivel. O sentimento de incompletude que dai resulta, bem como a sensacao mais incomoda ainda de esterilidade sao explicativos de novo, como maldade do mundo ambiente e, com este circulo vicioso, se acentua ainda mais o isolamento. Quanto mais projecoes se interpoem entre o sujeito e o mundo exterior, tanto mais dificil se torna para o eu perceber suas ilusoes. Um paciente de 45 anos de idade, que sofria de uma neurose compulsiva desde os 20 anos e se isolara completamente do mundo, em consequencia dela, dizia-me: “Nao posso admitir o fato de que desperdicei os melhores 25 anos da minha existencia!”

Muitas vezes eh tragico ver como uma pessoa estraga de modo evidente a propria vida e a dos outros, e como eh incapaz de perceber ateh que ponto essa tragedia parte dela e eh alimentada progressivamentepor ela mesma. Nao eh a sua consciencia que o faz, pois esta lamenta e amaldicoa o mundo desleal que dela se afasta cada vez mais. Pelo contrario, eh um fator inconsciente que trama as ilusoes que encobrem o mundo e o proprio sujeito. Na realidade, o objetivo desta trama eh um casulo em que o individuo acabarah por se envolver.”

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