Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

A Alma ou Psique

Posted by adi em junho 15, 2009

Vira e mexe aqui no Anoitan falamos em alma, citamos a alma, falamos em nome da alma, falamos minha alma, colocamos a alma… Alma faz parte de nossa linguagem cotidiana, soa como algo muito natural.

Quando falamos em alma, afinal falamos do que?

O que é tal coisa que representa a paixão e o amor, tem algo de divino e além  do humano? Que podemos vende-la ou perde-la?

Falar  sobre a alma não é  tarefa fácil, muito pelo contrario, porque ha varias concepçoes, vários pontos de vista, varios  interpretacoes sobre alma; porque alma eh algo abstrato, de muita complexidade e que não pode ser conceituado, por isso encontrar alguma explicação razoável sobre esse assunto eh ainda mais difícil…

Alma eh um termo que deriva do latim anima, este refere-se ao que dah movimento aos seres vivos, ao que eh animado ou o que faz mover.

Filosófica e religiosamente definida como um ser independente da matéria e que sobrevive a morte do corpo, podendo o destino da alma ser o paraíso do céu  ou o tormento do inferno.

O conceito de uma alma imortal é  muito antigo, e suas raízes remontam  ao principio da historia humana.

As primeiras conotacoes do termo alma provem da antiga filosofia grega, foi Platão quem concebeu o conceito ontológico de psique ou alma como substancia, como um ser em si, de origem divina, feita a imagem das idéias pelo Demiurgo. A alma eh  a “oculta e misteriosa realidade subjacente” ao todo existente. Essa conotação fez dela o pilar de sustentação da metafísica ocidental, sendo o conceito grego de psique o eixo em torno do qual se construiu todo o discurso da filosofia.

O termo psique também era aplicado a borboleta ou mariposa, criaturas essas que passam por uma metamorfose, transformando-se de uma lagarta a criatura alada.

O termo hebraico para alma eh Nefesh, num sentido literal exprime a idéia de um “ser que respira” e cuja a vida eh sustentada pelo sangue. Nefesh eh a própria pessoa, a própria vida, sua necessidade de alimento, o próprio sangue nas suas veias, seu ser. E alma nesse sentido pode ser usado para pessoas ou animais, porque representa a própria vida anímica.

No texto bíblico do genesis 2:7 diz: “ … o homem veio a ser (e não ter) uma alma vivente”.

A crença na imortalidade da alma chegou aos judeus atraves  do contato com o pensamento grego e principalmente atraves do conhecimento de Platão.

Segundo o cristianismo católico, a alma eh criada por Deus e implantada no corpo no momento da concepção.

Jah os cristãos gnósticos compreendiam o corpo em termos de realidade material finita, assim, chamavam-no de vestimenta da alma, jah a alma era o meio pelo qual se chegaria a gnose de deus.

Ateh aqui, mesmo que colocado bem resumido, percebemos que tanto a filosofia como as religiões abordam de diferentes maneiras a alma. Em termos psicológicos Jung foi quem mais elaborou o conceito de psique, com a imaginacao de inconsciente pessoal e coletivo ou psique objetiva.

Para Jung psique e imaginação não sao duas coisas diferentes; sao uma unica coisa, sao iguais. “ Todo processo psíquico, eh uma imagem e um imaginar” diz Jung.

Psique = imagem. A própria palavra psicologia eh decomposta em logos da psique para re-significar psicologia como estorias ou discursos da alma atraves das imagens.

Psique também eh “relacionar”. Os conteúdos psiquicos  tem sempre de ser considerados numa rede de relacoes porque, dizia Jung, não ha processos psíquicos isolados, como não ha processos vitais isolados.

Edward Casey, filosofo, diz que imagem não eh aquilo que vemos, mas sim “como vemos”. Para ver uma imagem não basta termos percepcoes. Algum processo psíquico deve se intrometer nesta atividade para que possamos dizer que estamos lidando com imagens e não com percepcoes. Este processo eh a alma.

Para Jung o inconsciente pessoal eh mais ou menos análogo ao sistema pre-consciente/inconsciente descrito por Freud. Seu conteúdo eh composto por todos os elementos esquecidos ou recalcados ao longo da vida, bem como pelas percepcoes subliminares e pelos tracos do caráter incompatíveis com a vida em sociedade, os impulsos agressivos, eróticos, violentos, tudo que eh considerado desagradável pela sociedade.

Jah o inconsciente coletivo eh composto por elementos que nunca fizeram parte da consciência, e nem poderiam, porque eh de natureza diferente. O núcleo de um complexo inconsciente coletivo não eh um elemento recalcado ou esquecido, mas uma imagem arquetipica.

Jung  atribui ao inconsciente coletivo a qualidade de um ser em si. Ele é a  substância ou matéria, a arché ou a realidade oculta subjacente à  toda existência. O inconsciente, da mesma forma que organiza e dá forma a toda exterioridade existencial, ao nível das imagens internas, tem também o poder de organizar e ordená-las significativamente. O inconsciente coletivo, portanto, é a misteriosa ordem do mundo, compreendida como Alma do Mundo pela tradição filosófica.

Jung, também compreendeu a consciência, como podemos ler:

A alma (no sentido de consciência) não é de hoje; sua idade conta muitos milhões de anos. A consciência individual é apenas a flor e a fruta própria da estação, que se desenvolveu a partir do perene rizoma subterrâneo e se encontra em melhor harmonia com a verdade, quando inclui a existência do rizoma em seus cálculos, pois a trama das raízes é mãe de todas as coisas.(Jung, 1993, CW5, pág. XXIV)

... nossa consciência não exprime a totalidade da natureza humana; é e permanece apenas uma parcela da mesma […] mencionei a possibilidade de que a consciência de nosso eu não é necessariamente a única forma de consciência de nosso sistema, mas talvez esteja subordinada inconscientemente a uma consciência mais ampla…(Jung, 1993, CW 8, prg. 637)

Outro grande estudioso da alma humana foi James Hillman, psicólogo pos-junguiano,  Hillman tinha uma visao e opinião própria com relação a alma.

Segundo Hillman, alma indica uma perspectiva particular sobre o mundo, que se concentra em imagens profundas e no modo como a psique converte os eventos em experiências.  Os acontecimentos psíquicos sao algo que ocorre no mundo e na vida do mundo. Psique como alma no mundo e não, apenas, nos indivíduos humanos.

A alma é, para Hillman, muito mais uma perspectiva, um ângulo de visão que propriamente uma substância. Ela é, também, o tempo de reflexão que engendra, que tece realidades, um substrato que sustenta e promove experiências. A alma não é nossa subjetividade, nosso eu ou nossa consciência. A alma é como “um reflexo em um espelho em movimento”; é independente dos acontecimentos, ao mesmo tempo que estes são imprescindíveis para sua percepção.

A psique como anima mundi, a alma do mundo antes estóica e depois neoplatônica, existe, escreveu Hillman, “desde quando existe o próprio mundo, e portanto o outro dever da psicologia é escutar a psique que fala através de todas as coisas do mundo, recuperando deste modo o mundo como lugar para a alma e da alma”. Como escreveu o poeta-filósofo americano Wallace Stevens, “é mais difícil encontrar a saída através do mundo do que a saída além do mundo”. Neste sentido, diante de qualquer discurso religioso e em frente ao risco sempre presente de confusão entre psicanálise e disciplinas espirituais, Hillman continuamente reivindica e pontua a sua especificidade de psicólogo, e isto é, prescrutador e geógrafo do caminho terrestre da psique paciente, ou seu, como escreve, patógrafo. “Esta psicologia, apesar do seu caráter neoplatônico e “arcano”, está radicada e ocupada no “vale” e no dever que a alma deve desenvolver.”

Mas então surge uma nova questão: Como perceber ou dialogar com a alma em nos, sabemos que ela a alma esta no mundo, esta nos indivíduos, então porque não ouvimos sua voz? Onde e como encontramos a alma?

Ainda, segundo Hillman, esse processo da busca pelo contato ou encontro com a alma, se chama  “fazer alma”.

A atividade natural da alma, a sua raiz, Hillman denominou “psicologizar”. As idéias psicológicas não estariam em oposição a acao; as idéias psicológicas que importam seriam aquelas que geram a reflexão da alma sobre sua natureza, estrutura e propósito, e fomentam a criação da alma atraves das mesmas. Estas idéias podem ser qualificadas de arquetipicas e surgem da relação da alma com a morte, com o corpo, com o gênero, com a virtude, com o amor, com a beleza, etc.

Fazer alma também  eh ver em sentido figurado, liberando objetos e os eventos da compreensão literal e transferindo-os para uma dimensão mítica. Hillman lembra Jung: “ Os deuses se convertem em enfermidades”, e para encontra-los basta olharmos para nossos complexos, reconhecendo neles o poder arquetipico dos mesmos. Somente uma parte deles pertence a esfera pessoal; a outra sao dos deuses que forcam, sintomaticamente o ingresso a consciência. Temos de nos render a verdade de que a alma ve atraves da aflição.

“A verdadeira revolução a favor da alma começa no individuo que sabe ser fiel a própria depressão; A depressão eh ainda o grande inimigo, contudo atraves da depressão nos entramos no profundo e no profundo encontramos a alma. A depressão eh essencial para o sentido da vida. Umedece a alma árida e enxuga aquela úmida demais. Dá refúgio, confins, centro, gravidade, peso e um sentimento de humilde impotência. Faz recordar a morte.

A descida da alma exposta por Hillman quer aprofundar, ao contrário, uma condição de existência que é permanentemente infernal em si. Quer ser a tomada de consciência da relatividade de um eu visto como nada além de uma entre as diversas fantasias da psique, e da transitoriedade, dolorosa e irredimível ilusão do mundo.

Por isso, o processo de formação da alma não pode ser ascensional, mas uma lenta descida ao hades, ao vale das sombras. Assim a imaginação eleva a alma alem dos seus confins egocêntricos e dilata os eventos da natureza, transformando-os em cifras estéticas portadoras de informacoes para ela, que se torna uma psique menos individual e mais próxima daquilo que o pensamento  neo-platônico chamava de alma do mundo.

Tudo isso que Hillman colocou, este processo do fazer alma, esta descida, pode ser considerada o mesmo processo da Nigredo na alquimia, e o mesmo processo que Jung denominou de integração da sombra.

Hillman continua que depois desse processo de descida, a alma dilata suas fronteiras pessoais e se torna mais próxima da alma do mundo, ou seja, igual ao que Jung descreve depois de integrar a sombra (que equivale ao inconsciente pessoal), o individuo dilata suas fronteiras e estah apto a próxima etapa de integrar a anima/animus que eh equivalente ao inconsciente coletivo, ou como Hillman prefere: Alma do mundo.

Ainda, diz Hillman; “Voltei ao mito de Er, que Platao expoe no final da Republica. No mito, a alma de cada um de nos escolhe uma imagem ou desenho que depois serah vivido aqui na Terra. Nossa ligação com aquele desenho original eh um companheiro chamado daimon, o nosso destino. Eh um guia unico, diferente de todos os outros. Olhando nossa biografia por meio do mito, somos obrigados a percebe-lo por meio das idéias de vocação, alma, daimon, destino, necessidade. Sao elas que abrem aos pouco o sentido da nossa vida.”

De novo nessa passagem, percebe-se que o daimon ou alma de Hillman eh análogo ao Santo Anjo Guardião de algumas ordens esotéricas, e ao que Jung chama de anima/animus como psicopompo e guia da alma.

Se o ato de Fazer Alma consiste no imaginar, e se então tudo que acontece no mundo é produto da alma, e se a alma é feita da substância do mito e do sonho, somente através do reconhecimento dos deuses no mundo a alma pode, segundo o preceito délfico, conhecer a si mesma.

Para Hillman eh a alma que personifica a inconsciência de toda a nossa cultura ocidental e pode ser a imagem pela qual seremos liberados imaginativamente.

Ou seja, o processo ao qual Hillman denominou de “fazer alma”, nao eh diferente do processo ao qual Jung denominou “individuacao”.

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Obs: Desculpem os vários erros de acentuação, meu pc eh configurado em inglês, e o wordpress soh corrige alguma coisa.

Fontes e refer.:   Wikipedia;

Rubedo artigos: ” A paixão de Hillman pela alma”; “Re-imaginar la psicologia”; “A anima mundi”; “A concepção   de psique em Jung e no Romantismo alemão” ;

C.G.Jung – “Aion – estudo sobre a simbolismo do Si-mesmo” e “O eu e o inconsciente”.

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39 Respostas to “A Alma ou Psique”

  1. Fy said

    Adi,

    Falar de Alma é como matar esta sede de infinitismo que existe em nós; o que tb é um bom tema de discussão.

    Vou deixar 2 pontos de vista – pra ilustrar – são diferentes – : nem um dos dois é o que acho exatamente, alias, ainda não sei o que acho exatamente: – mas é divertido considerar.

    Um do gordinho Hume que defendia o empirismo e a ideia de que apenas conhecemos aquilo com que contactamos. [ à vzs chato – mas sem negar q alguma coisa nele me atrai – …é engraçado este jeito de filosofar: dando voltas no pensamento óbvio – empírico demais]

    A Teoria Empacotada do Eu
    Hume
    (The Bundle Theory of the Self)

    Costumamos pensar que somos a mesma pessoa que éramos 5 anos atrás. Apesar de termos mudado em muitos aspectos, a mesma pessoa está presente tal como estava presente no passado.
    Podemos começar a pensar sobre os aspectos que se podem alterar sem que o próprio (indivíduo) subjacente mude.

    Hume, no entanto, nega que exista uma distinção entre os vários aspectos de uma pessoa e o indivíduo misterioso que supostamente transporta todas estas características.

    Porque no fundo, como Hume afirma, quando se começa a introspecção, notamos um grupo de pensamentos e sentimentos e percepções e tudo isso, mas nunca nos apercebemos de uma substância à qual possamos chamar “o Eu”.

    Por isso, tanto quanto podemos dizer, conclui Hume, não há nada relativamente ao Eu que esteja acima de um grande pacote de percepções transitórias.

    De notar que, na perspectiva de Hume, não há nada ao qual estas percepções pertencem. Pelo contrário, Hume compara a alma ao povo de uma nação (commonwealth), que retém a sua identidade não em virtude de uma substância básica permanente, mas que é composto de muitos elementos relacionados mas em ….permanente mutação.

    A questão da identidade pessoal torna-se assim uma questão de caracterizar a coesão frouxa da experiência pessoal vivida.

    – Me parece que esta coesão é o que o Hume chama de “fazer alma”?

    ———————-

    – e a outra, – uma resposta do Fuchs – :

    – existe vida após a morte?

    Caro Itérbio,

    Como já disse, eu havia pensado em falar do tema proposto via Bergson, porém uma vez que participarão do seu programa suficientes defensores – espiritualistas – da vida após a morte, creio que será mais produtivo (porque dissonante) abordar o tema por um viés materialista.

    Isso não significa, no entanto, que eu vá negar peremptoriamente que exista vida após a morte. Ser materialista não significa necessariamente professar um materialismo pueril, ingênuo e sem dúvida arrogante.

    Ao contrário: eu vou afirmar que é possível demonstrar, e isso a partir de um ponto de vista estritamente materialista, que existe vida após a morte.

    Como poderíamos afirmar que Mozart está morto se diariamente milhares de pessoas acorrem às salas de concertos para ouvir sua música? Como poderíamos afirmar que Drummond está morto se diariamente milhares de pessoas abrem seus livros para ler seus poemas? Como poderíamos afirmar que Tarkovski ou Spinoza ou Van Gogh estão mortos?

    É evidente que as pessoas poderão decepcionar-se com uma resposta desse teor, e por duas razões.

    Em primeiro lugar – de acordo com crenças religiosas muito arraigadas – pensa-se na sobrevivência de algo como a “alma” quando se fala em vida após a morte. Porém mesmo que insistamos em colocar o problema nesses termos, não é precisamente da sobrevivência da alma que se trata nos casos mencionados?

    Obviamente, é possível lançar aqui uma objeção: a de que nesses casos não é toda a alma que sobrevive. Porém eu perguntaria: se é comprovadamente possível que sobreviva aquilo que há de melhor e de mais intenso numa alma, por que nos preocuparíamos com o resto?

    Em segundo lugar, essa resposta pode parecer decepcionante porque não faz da vida após a morte algo que estaria assegurado de antemão para todos os homens. Ao contrário, a sobrevivência seria, por um lado, incerta, e por outro, estaria reservada a apenas alguns poucos “eleitos”.

    Aqui seria necessário dar duas respostas diferentes porém, como se verá, convergentes.

    Primeiramente, se é certo que uma alma, ou ao menos parte dela, pode sobreviver nas mais intensas criações do espírito, isso não equivale a dizer que essa seja a única possibilidade de sobrevivência.

    Os gestos de afeto de um parente, de um amigo, de um amante, por vezes de um simples desconhecido, não são capazes de nos acompanhar durante toda a nossa vida, muito depois de suas respectivas mortes? Não são esses gestos capazes de nos fortalecer e nos inspirar, seja a ponto de simplesmente passá-los adiante, seja a ponto de nos ajudar a produzir algo de alcance ainda mais amplo?

    Por outro lado, sim, a produção das grandes obras do espírito está reservada a alguns poucos eleitos. Mas se se trata aí de uma “elite”, é num sentido muito diferente do que as pessoas costumam imaginar.

    Ninguém passa a fazer parte dessa “elite” simplesmente porque adquiriu muito saber, ou porque seja mais “inteligente” ou mais “esperto” do que os demais.

    E sobretudo, ninguém entra para esse clube seleto simplesmente porque quer. Eu diria mais: o desejo de fazer parte dele já é indice de vaidade, e mesmo de uma certa baixeza de alma: índice de uma preocupação mesquinha de perpetuar o seu próprio nome, em suma, índice de um mero desejo de sobrevivência. Eu me arriscaria até a dizer que esses já estão excluídos de antemão da grande roda da cultura. Pois a cultura – sim, é de cultura que se trata – não é obra de gente mesquinha; ao contrário, ela é obra daqueles que estão dispostos a sacrificar (ao menos em larga medida) seus prazeres mais imediatos para fazer de suas vidas uma dádiva para os outros homens.

    É por isso que eu disse que as duas respostas são convergentes: não há vida após a morte senão para aqueles que se doam, para aqueles que se entregam. Esses que se fecham em si mesmos, esses que só enxergam no campo social e na vida mesma uma oportunidade ou uma série de oportunidades para encontrarem o seu próprio prazer e o seu próprio conforto, só os veremos uma vez.

    Esses serão expulsos sem piedade da roda do eterno retorno. Esses não conhecerão jamais a vida após a morte: pois eles, ainda em vida, já estão mortos. Afinal, como bem disse Henri Bergson, a vida está no movimento que a transmite.

    Um forte abraço,
    Francisco

    FRANCISCO FUCHS

    BJS

  2. adriret said

    Fy,

    Interessante esses pontos de vista.

    Hume compara a alma com a propria cultura, e completamente equivocado tambem ao comparar alma ao eu. Nao eh porque podemos dizer que a alma eh substancia, podemos dizer que a alma eh um eu, longe disso. Hillman mesmo fala que descendo no fundo da alma, no vale, (ou seja o auto-conhecimento) ampliamos o limites egocentricos e nos aproximamos da alma do mundo.
    Eh justo o contrario do que Hume diz, alma nao eh uma substancia tal qual um ego divinizado, ou tal qual uma copia do eu personalidade com poderes especiais ou divinos. Fazer alma eh um processo de despersonalizacao do eu, ampliacao dos limites da consciencia em direcao a uma consciencia mais abrangente, ou inconsciente coletivo.

    Jah Fuchs se aproxima um pouco, porque essa busca pela imortalidade do “eu” eh pura vaidade de fato. E o que se perpetua alem da vida nao eh um eu, mas a consciencia; e consciencia como alma na verdade eh impessoal.

    Falar em Alma eh assunto complicado mesmo, e tambem nem sei se eh porque temos sede de infinito, ou porque eh a alma que desesperada busca o auto-conhecimento, como se ela somente pudesse ver sua auto-imagem na propria vida.

    bjs
    adi

  3. adriret said

    Fy e Sem,

    Na verdade, esse assunto estah me chamando a atencao nao eh de agora. Desde quando a Sem num post bem antigo colocou sobre esse processo de “Fazer Alma” do James Hillman. Depois, vc Fy numa resposta pra Sem, questionou sobre o que significa Alma. (obs; no sentido de: precisamos definir qual o significado, jah que eh muito vasto e complexo, e que cada um tem sua interpretacao).

    Eu ateh tinha uma opinião própria formada sobre isso, mas fui averiguar em quem entende do assunto mesmo (rsrsrs), no fundo eh porque eu tinha muitas duvidas, e porque a “necessidade” me levou a essa busca de profundidade na alma.

    Fy, eh muito bonito o processo da psique no mundo, e entendo que nao eh em tudo que ela a Alma se coloca, mas podemos de fato dizer, que Alma como arquetipo, onde o homem exteriorizou a “necessidade dela se fazer”, a obra ou realizacao se tornou imortal. E vemos isso em todos os campos de abrangencia humana, ou seja, nas artes, na fisica, na quimica, nas ciencias humanas, na caridade, enfim… podemos citar fontes infinitas de obras com Alma; desde a energia eletrica, ateh antibioticos, arquitetura e teorias cosmicas… tudo isso foi realizado com alma, com paixao, com amor ao oficio ou vocacao, ou seja, a realizacao do destino, ou daquela necessidade que impulsiona, que dah movimento ao ser em busca de encontrar aquilo mesmo que o move …. isso tudo eh alma.

    Os alquimistas foram em busca de transformar o chumbo em ouro… Tesla foi em busca da eletricidade, Einstein e suas teorias, Jung nos trouxe a linguagem simbolica e teologica a contemporaneidade do homem, Hillman em busca da alma perdida a restituiu ao mundo, e quantos outros… Pasteur, Santos Dumont, Da Vinci, Miguelangelo, Aleijadinho, Fernando Pessoa, A. Linconl, enfim, muitos e muitos, que realizaram nao pra eles, e nem que a principio somente pra saciar a sede daquela necessidade inexoravel dentro do coracao, e em fazendo, foi algo pra todos, pra humanidade, se tornou obra imortal…

    Isso eh Alma, e nao eh somente no sentido religioso, mas de expressar algo, que queiramos ou nao, estah alem do humano mediano, estah alem dos limites “egocentricos” de um eu pessoal…

    bjs
    adi

  4. Elielson said

    Hi.

    Mágica esta divagação sobre alma, que faz desaguar em um tema, todos os temas que pensamos ser distintos deste.
    Gostaria de lembrar que tudo o que falo é inspirado em uma autocrítica, e a partir daí dizer que é eminente e extremamente nítida a sensação de que meus caprichos retardam minha percepção, mas a coragem de reconhecer fraquezas também é de onde eu tiro forças.
    O movimento alma, em nossa significação pode estar muito mais enganado, do que o nosso esforço em se enganar o quer. O que julgamos animação pode ter sua determinação imaterial.
    E a insistência dos caprichos é algo pra manter a sensação de existir. O corpo busca o que a alma quer, ou a alma mantém o corpo por vontade conjunta. Mas pelo corpo, só o capricho, só a busca pela sensação que por si mesmo é insuficiente, que pede para que outros lhe afirmem, e não bastando, o vazio dessa sensação emprestada de atenção para sentir-se vivo, não cessa o desvio da determinação. Então vem a necessidade de criar-se um publico, e quando se vê que o publico já está pronto, engendramo-nos.
    Se a alma é imortal, se apenas passa pelos corpos, a determinação é realmente do corpo?
    Mas se é algo maior, o controle dela pode ser centralizado por um corpo? Ou é mais fácil um corpo ser centralizado por uma alma.
    Eu não tenho referências, e creio que nossa experiência é a referência mais confiável, e sempre será longe de ser egoísmo.
    Pois se sua pessoalidade é voltada para incertezas que parecem dar bons frutos, isso não será egoísmo de jeito nenhum, e eu acho tão lindo as conversas de vcs que nem sei o que estou fazendo, me intrometendo no que não entendo, ou entendo de outra maneira, ou da mesma maneira parecendo que não entendemos um ao outro.
    Faremos desaparecer o que nos faz parecer egoístas, se filtrarmos até mesmo a imundície que cruzou nosso caminho, insistindo para que cada ato pessoal, tenha utilidade impessoal, não importa, mesmo se parecendo egóico… ou vão me dizer que nunca ouviram uma demagogia bonita?
    Isso seria filtrar o inferno, usá-lo como a matéria prima para essa mutação. Acho que a alma é consciência, e consciência é um filtro, e a finalidade é criada quando pensamos com o ego, e desta vez com o ego mal, não há finalidade que não seja o risco, e depois de atravessar os perigos de arriscar, não há mais tantos temores em relação a crueldade que só é praticada pela carne. É um temor muito poderoso a sensação de dor, mas quais os outros temores que lhe fazem temer? São reais, ou só a dor é real? Pra mim, muito do que me leva até o único temor, é o que eu devo usar para banir o temor real da dor.

  5. Fy said

    Adi,

    Eu estou super ocupada, amanhã escrevo mais.

    Este assunto é mto apaixonante.

    Mas, mesmo me antecipando – por causa da pressa – eu creio num sentido espiritual de alma tb.

    Amanhã eu volto.

    Bjs

  6. adriret said

    Hi Elielson,

    Primeiro, vc nao se intromete nao, de forma alguma, isso aqui na verdade eh pra todos que quiserem se intrometer, isso aqui eh pra se intrometer mesmo, discordar, concordar, eh pra todo mundo meter o bedelho e se exteriorizar e deixar o seu pitaco.

    Eu tinha uma concepcao jah formada sobre alma aqui comigo, mas como a gente sabe que nenhum conceito eh definitivo, fui entender melhor esse assunto.
    De certa forma, tinha aprendido que: o corpo eh a vestimenta da alma e que a alma eh a vestimenta do espirito, ou seja, que o espirito se utiliza da alma pra se manifestar e que a alma num vortice descendente se utiliza do corpo pra se manifestar; hoje entendo isso como que a alma sendo manifestacao do proprio espirito como imagem, alma como imagem dele no mundo, e corpo como imagem materializada da alma .
    Ou seja, a alma eh como o espirito do ponto de vista pisicologico, e o corpo eh como o espirito do ponto de vista material/concreto.

    Vendo por esse prisma, o ego nao eh mal, a carne nao eh ma, porque tudo eh alma, tudo eh espirito. O espirito eh alma e eh corpo, e alma eh espirito e corpo. Como a agua, que pode ser solida, liquida e gasosa, e ainda assim eh agua.
    Fico tentando enterder a relacao disso tudo, sobre o eu/ego/pessoal, e sobre o impessoal e de certa forma coletivo. O eu/ego nao eh mal, a consciencia tem que se identificar com o eu/ego pra justamente se diferenciar do inconsciente indiferenciado, aquele a que chamam de ctonico, forcas e poderes desconhecidos, e que contem em si infinitas possibilidades, mas como um poder adormecido no fundo do abismo. No comeco se faz totalmente necessario a identificacao da consciencia com o ego, com o eu, mas numa determinada fase da vida, como se a consciencia por ela mesma buscasse o seu fado, o seu destino, o seu proposito de realizacao, e pra isso comeca a se desidentificar do ego ou do eu.
    Pra ela mesma eh como um passo no escuro, cheio de incertezas e de medos, e conforme a consciencia caminha rumo ao seus temores e os confronta, e desvenda seus misterios, mais a consciencia percebe que a concepcao de um eu pessoal eh ilusoria. Eh dessa forma que a consciencia vai se desidentificando com o eu/ego, e vai se percebendo como “algo” impessoal, nao separado de todas as forma.
    Eh como o retorno ao inconsciente ctonico, potente, soh que agora “consciente”. Como se o inconsciente buscasse alma no mundo, buscasse consciencia de si-mesmo no mundo, primeiro se separando da inconsciencia, e esse eh o nascimento da consciencia ou alma, e depois desenvolvendo essa alma ou consciencia num retorno; como que o proprio desenvolvimento da alma fosse um continuo auto-conhecimento rumo a potencia…
    Ah, eu ficaria horas falando sobre isso, porque gosto muito, fico aqui emocionada imaginando essas possibilidades… ai, ai, essa alma que nao quer se calar o coracao, e que chora e ri de alegria…

    bjs, abs, e suspiros
    adi

  7. Sem said

    Adi, super assunto! Um dos meus preferidos. 🙂

    Parabéns pela pesquisa caprichada. Sei o quanto não é fácil, além da própria complexidade do tema, dar conta de conglomerar nomes que já falaram com tanta propriedade sobre assunto tão espinhoso – pra ver que eu aqui estou perdida há mais de 1 mês, talvez 2, em um texto sobre polaridades… A princípio eram dois textos, mas resolvi tornar um único multicolorido com – até agora – três perpectivas… Mas a “coisa” toda, ao contráiro de se definir, está se encompridando e ficando cada vez mais intrincada e complexa. Não consigo concluir, pois sempre me vem uma ideia nova para complementar outra e um novo nome para ser acrescido na lista. Estou lendo e fundamentando tudo em filosofia pré-socrática, em Platão, em Spinoza e Morin e em um pouco de Nietzsche também. Sei que está me faltando aquele gap de enfim dizer “agora chega”, e coragem para enxugar o texto, desprezando algumas partes que me são caras, mas que provalvelmente tornam o texto ilegível a outra pessoa que não eu mesma. Bom, devido a isso e um pouco tb por causa das últimas mudanças aqui no Anoitan, resolvi tornar minhas participações aqui mais sóbrias, menos frequentes. Continuo com vcs, mas pretendo escrever menos, e é uma excelente solução para eu ter mais tempo pra ler o que preciso.

    Esse seu post aqui é imperdível, Adi… Vou fazer vários comentários, na verdade mais divagações em forma de perguntas, mas que ninguém se sinta na obrigação de responder nada, ao contrário, se vier com mais dúvidas ainda, e outras perguntas, é o que eu espero. 🙂

    Adoro o budismo, adoro. Mas, não sou budista – religiosamente falando, eu não sou nada, nem competência para ser atéia tenho. :p Falando em ego, eu nunca uso o conceito que alguns budistas dão a ego, como uma entidade egoista e ilusória, ou como a essência da impermanência – se isto por si não parecer contraditório, já que toda essência quer dizer no mínimo aquilo que permanece, quiçá para sempre.

    Existe sim a briga individual X coletivo. No oriente o indivíduo se manifesta como o “vilão” da história, e no ocidente, ao contrário, é a sociedade. Só pegar os filmes de lá e de cá – na religiosidade, na filosofia, nos costumes, para ver que um kamikaze ou um samurai tem todo o seu código de honra baseado em valores coletivos… No oriente vive-se e morre-se pelo coletivo, outra vida que não em nome do “clã” não seria honrosa. Do nosso lado (para quem está do lado de cá) também temos heróis que morrem no final, afinal a essência de todo herói é morrer no final. Mas aqui são sempre os cavaleiros solitários, a laTristão ou Dom Quixote, e os mais heróicos chegam mesmo a morrer sem testemunhas, completamente sozinhos… No ocidente, mesmo que se morra por uma causa coletiva, é sempre o indivíduo que conta, em sua “liberdade” que ele voluntariamente sacrificou…

    Nesse sentido, ego e self, sendo entendidos como manifestações arquetípicas de uma só entidade – tal qual puer-senex, eros-psique, apolo-dionísio, e tantos outros infinitos binômios – nesse sentido específico de uma dinâmica entre polos de uma só entidade arquetípica, sei que estar polarizado não é bom. Não é bom para o indivíduo; que ninguém é uma ilha. Não é bom para a sociedade; que precisa da contribuição de individuos criativos e independentes para ser vigorosa.

    Eu acho que conceituar ego é tão difícil quanto alma. O que é ego? Será que é esse que pensa e se comunica, que tem consciência de si? mas não há nada de substancial em um ego, não mais do que numa “alma” ou num “espírito”. No fundo todos esses nomes são apenas conceitos e não as “entidades” em si. E enquanto estamos falando, tratamos apenas dos conceitos, apenas enquanto vivemos é que as “coisas” se manifestam… Ego é então matéria? mas o quanto não há de matéria num pensamento (poderíamos dizer cérebro) ou o quanto não há de inspiração mesmo no mais simples divagar? Como separar então uma coisa da outra e dizer: isso pertence a consciência e essa outra a inconsciência; isso é contribuição do individual e esse outro do coletivo; isso é material, isso insubstancial. Vamos lembrar que sem cérebro não existe um “eu”. E só um “eu” pode se iluminar – não é isso que os próprios budistas agradecem, quando têm a dádiva de encarnar como homens e não outros seres, em reinos de não sei quantas esferas no imenso universo, porque só como homens (e outra meia dúzia de seres raros) somos passíveis de iluminação? É do cérebro que se trata quando se diz “eu” e ego? O que com certeza sabemos é que da química entre os neurônios resultam sinapses, que resultam tudo o que fazemos, desde nossos pensamentos voluntários até os sentimentos mais involuntários, desde a nossa respiração e batidas do coração, e a certeza de que não existe nenhum “satori” que não contenha sinapses endoidecidas… Não existe satori sem cérebro, eis um axioma que pode ser duro aos mais espiritualistas encarar…

    Tudo está vinculado: matéria, ego, espírito, alma, a terra, os homens, a lua, os bichos, as pedras, o sol, as estrelas e o universo – matéria escura, o(s) arquétipo(s), o avesso da luz, o avesso de deus, Deus… sabe qual é a questão pra mim, Adi, eu queria saber como harmonizar isso tudo, como viver de tal modo que não se esqueça de nada e tudo tenha sua chance de manifestação. Será que é querer demais e é querer o impossível? A questão aqui nem é definir essências, mas ser existencia na essência. Fui suficientemente clara? 🙂

    Elielson, seu último parágrafo me fez lembrar o Fédon de Platão, que reli recentemente. Fédon era um jovem discípulo de Sócrates e que, entre outros, assistiu ao último discurso do mestre, quando ele estava sendo entorpecido pela cicuta, o veneno que voluntariamente bebeu por ter sido condenado pela aristocracia ateniense a “desviar jovens”… Mas o que quero dizer e parece ser semelhante ao seu pensamento, é de que em Fédon, para Sócrates, o Hades não é necessariamente o inferno, mas o mundo das almas descarnadas. Nesse caso, podemos até supor, dependo da qualidade das almas, que o Hades é o “paraíso”, principalmente se o corpo for entendido como prisão para uma alma e, então, só ali, no Hades, é que essa alma angustiada com os limites do corpo encontraria ou se sentiria liberta. Na morte, a liberdade: um pensamento muito antagônico ao pensamento de Nietzsche, diga-se de passagem, mas que a morte é parte integrante da vida, lá isso ninguém pode negar…

    Sócrates vai falar ainda de uma outra coisa que eu acredito a respeito de alma e que vc tb abordou: de que o sofrimento é que “prega” a alma no corpo… Esse verbo pregar foi o usado pelo próprio Sócrates, no sentido imagino que um cravo pregou Jesus na sua cruz. Ou seja, a alma só adquire consciência de si – dela própria – naquilo em que ela é afetada na carne. A alma precisa da carne para adquirir consciência de si; pode ser uma grande alegria ou uma grande tristeza, mas é preciso ser algo significativo, senão, não há consciência e consequente vida animada… E sabe aquela coisa bíblica da maldição de eva, “hás de parir com dor”? Podemos entender não como uma maldição, mas como uma sabedoria da natureza, pois toda fêmea – e não só a mulher – tem a sua cria na dor. Tenho certeza que é a dor que víncula emocionalmene a mãe ao filhote, onde a mãe compreende que aquilo que saiu do seu ventre, com sacrifício, é seu. Somente após a experiência do sofrimento a mãe é capaz de dar a própria vida por aquela criatura, que naquele momento está em simbiose com ela – em outras palavras, “é” ela. Será que hoje em dia, com tantas cesarianas e anestesias, não tornam no parto esse vínculo mãe-filho menos visceral? Uma boa questão para se pensar…
    Isso de pertencimento é coisa de alma, coisa de baixo ventre; por isso eu penso que alma é mais matéria e menos divagação abstrata. E essa benção, ou maldição de eva, eu acho que serve para qualquer ser, homem ou mulher que dê a luz, que crie algo: “hás de parir com dor”. Dá o que pensar, né?

  8. Fy said

    Sem,

    Não consigo concluir, pois sempre me vem uma ideia nova para complementar outra e um novo….

    Eu tô louca pra ler isto!

    Uma sugestão:

    Parte 1
    Parte 2
    e vamoembora!

    Bjs

  9. adriret said

    Sem,

    Adorei as suas questões, tenho que sair agora, mas depois volto pra gente se aprofundar na “alma” da coisa (rsrsrs).

    Nossa!! eu também adoro esse assunto sobre as polaridades, claro por que estah tudo ligado mesmo e tudo tem haver com tudo. E a sugestao da Fy eh excelente, divide, assim nao se perde partes importantes.

    ateh mais,
    adi

  10. Fy said

    Não consigo concluir, pois sempre me vem uma ideia nova para complementar outra e um novo….

    Sem,

    Isto tb serve pra mim: …é assim q eu “faço alma”! rssssss

    – mais um pouquinho de recortes:

    Deleuze e Espinoza:

    “A fissura [a Alma] não é nem interior nem exterior, ela se acha na fronteira, insensível, incorporal, ideal.

    Assim, ela tem com o que acontece no exterior e no interior relações complexas de interferência e de cruzamento, junção saltitante, um passo para um, um passo para outro, em dois ritmos diferentes: tudo o que acontece de ruidoso acontece na borda da fissura [da alma] e não seria nada sem ela; inversamente, a fissura [a alma] não prossegue em seu caminho silencioso, não muda de direção segundo linhas de menor resistência, não estende sua teia a não ser sob os golpes daquilo que acontece.

    Até o momento em que os dois, em que o ruído e o silêncio se esposam estreitamente, continuamente, no desmantelamento e na explosão do fim que significam agora que todo o jogo da fissura [da alma] se encarnou na profundidade do corpo, ao mesmo tempo em que o trabalho do interior e do exterior lhe distendeu as bordas”

    – Mas…

    A alma é silenciosa: ninguém pressente minha alma, ninguém a percebe, a não ser que eu a anuncie, a não ser que eu fale em nome dela ou que ela fale em meu nome. – e pra mim mesma.

    Deleuze aborda o tema do encontro dos corpos. Deleuze vai enaltecer Espinosa por ter sido o primeiro a valorizar o corpo.
    Em Platão há a valorização da alma em detrimento do corpo.

    Espinosa considera corpo e alma no mesmo nível. Para ele, no homem o corpo corresponde à “extensão de Deus”. Deus é a natureza. Deus é a substância e nós somos modos dessa substância. [ devires > devires de deus: in my personalopinion]

    Em sua tese Spinoza apresenta o corpo de forma bem diferente de como o viam até então; ele afirma que não há diferença de natureza entre o corpo e a alma e sim, que esses dois corpos constituem juntos um único ser.

    Com essa afirmação ele vai contra todo um pensamento antigo que valorizava essa dualidade, onde normalmente havia presente a [ doentia] intenção de desvalorização do corpo e o enobrecimento da alma. Como exemplo podemos citar Descartes, que dizia: “O que é ação para alma, tem que ser padecimento para o corpo”.

    Para Spinoza se o corpo sofre, a alma é: miserável, também sofre. –

    Em um primeiro momento, quando Spinoza fala sobre paralelismo psicofísico ele quer valorizar o corpo dizendo que não existe alma sem corpo. Mas ele também diz num segundo momento que não existe corpo sem alma; ou seja, para ele a alma é o espírito do corpo. Assim sendo, o que for ação para um determinado corpo é igualmente ação ou paixão para o espírito daquele corpo. Com isso ele consegue dar fim à dualidade.

    Spinoza pensa o corpo e a alma na imanência e não na transcendência, onde a tendência é a divinização do espírito. Ele mostra com isso, como todo ser humano reluta em aceitar o que existe de fato, “o que é”, e por isso tenta usar a transcendência para fugir dessa realidade, e acaba sempre procurando um ideal que não existe, que é fantasiado.

    – Sem dúvida a alma não se encontra no interior, não se encontra no exterior. Sem dúvida que vivemos na borda, que vivemos no encontro entre interior e exterior – [e somos este e estes encontro [s]]. Sem dúvida que sem o exterior, a alma silenciosa não aumentaria em proporção, não alteraria seus caminhos, do mesmo modo que sem o interior, o exterior golpearia rochas.-

    Segundo Deleuze, nós não somos racionais, mas podemos nos tornar racionais (Deleuze contrapondo Descartes e o positivismo).
    Nós somos idéias vindo de outros corpos. [ afectos]

    As idéias de afecção só conhecem as coisas por seus efeitos sem conhecer as próprias causas.
    Idéias afecções são representações dos efeitos sem causas.

    Idéias inadequadas são conclusões sem “premissas”. > sem vivências: engulidas; é afetarmo-nos com idéias prontas: sem experiência-las – tout comme ça: toutes les nuages sont blanches ….- prêt a porter.

    – O mau para Espinosa, é o mau encontro.

    A morte vem de fora (Deleuze valoriza isso em Espinosa). A destruição da individualidade vem de uma má mistura. [ – entre encontros ou não-encontros – entre afecções: algumas pessoas não conseguem organizar os encontros – outras: não os permitem ]

    Quando Spinoza fala das relações e experimentações dos corpos, ele diz que é assim que nos diferenciamos no mundo. Ou seja, é na maneira de se dar nos encontros e de fazer as relações, como nos comportamos diante desses corpos e encontros que vamos criamos nossa identidade.

    – A alma é silenciosa: ninguém pressente minha alma, ninguém a percebe, a não ser que eu a anuncie, a não ser que eu fale em nome dela ou que ela fale em meu nome. – e eu a permita.

    – Quando a alma não se exprime: afecta ou é afectada: ela se torna estridente: para o interior, estridente, em eterno looping, para o interior em devir estridente, quase toda alma se torna ruidosa. A alma grita em nome próprio, eu a ouço, mas não a entendo; eu a sinto, mas não falo em nome dela, falo em nome de algo que pensa sobre ela (Es denkt über sie, ich spreche im Namen des Es).-

    – A alma que se tornou inaudível – aquela que “não se fêz”: “foi feita”

    – : pior do que a estridente, pior do que a silenciosa, é a alma inaudível, a alma imperceptível: não a ouço, não a sinto, não a vejo, não a entendo, não falo em nome dela: mas….. – mesmo assim: eu a pressinto…. –

    Num movimento dilatório[ natural: outcontrol], a alma inaudível se anuncia, …mas nunca chega – porque surda, porque muda, porque cega – porque “jáfeita”- embora…. esteja já presente, imanente a mim, ao que eu faço, ao que ouço, ao que eu vejo, ao que eu sinto.
    Mas não há evento externo que dê voz a ela, – ela é impermeável: pronta – nada fala em nome dela e nem a ela: permanece quieta, invisível, imperceptível, sempre presente, sempre ausente. Angústia contida – e à vezes não-compreendida – , a pior das angústias, não extravasa, não transborda: – dói não sentir a dor que existe – a alegria que abraça – a dúvida que questiona mas não experimenta e assim, é impedida de criar de afetar ou ser afetada – Refratária e consumida em sua própria essência ensinada, rejeita o poder do encontro que comporta a conveniência das formas, as relações características de dois corpos, isto é, o conhecimento das características do corpo que afeta e o que é afetado.

    A natureza da relação – dos encontros – sempre gera um determinado efeito.: o conceito de afecção em Espinosa. Afecção : a modificação de corpos – é um efeito – é o desejo que estimula a potencia: é fazer: alma. Sempre.

    Vcs me fazem fazer alma. – Vcs me afetam. é o nosso encontro.

    Só discordo de uma coisa: Vejo diferença entre estes 2 estímulos ou impulsos: alegria e tristeza. Não em potencialidade; – nisto são iguais – por isto mesmo: a possibilidade da escolha qdo se faz alma. – Jesus não enfiou os cravos nas próprias mãos – isto seria doentio – : eles lá foram enfiados, justamente pra que Jesus “parasse” de fazer alma e almas: parasse de “afetar”.

    O sofrimento existe assim: mas não creio nele como o melhor fazedor de alma.

    Bjs

  11. Fy said

    Viver passa a ser um grande aprendizado de nos conhecermos e nos experimentarmos através da vida e das relações que dentro dela compusermos.

    Tudo na vida passa a ter uma potência, e tentando juntar isso com o conceito de liberdade dado por Spinoza, onde ele diz que: liberdade seria exercitar nossa potência até o limite, nos deparamos com um enorme problema dentro da nossa sociedade moralista.

    Assim podemos ver que liberdade se opõe a constrangimento, e que se queremos ser livres e éticos perante a vida, devemos agir nos agenciando com outras potências, numa relação produtiva que faça expandir nossa potência, e também evitando aquelas potências que constrangem, que diminuem a nossa potência, e com isso, nossa liberdade de expressão.

    Spinoza também mostra uma coisa inteiramente nova para época em que vivia que é a idéia de inconsciente. Ele já havia mostrado e deixado bem claro que nós não temos conhecimento do que pode um corpo partindo do princípio de potência que somos, que desconhecemos nossa potência de agir.

    E com isso, o mesmo raciocínio pode existir sobre o espírito, e concluir que, assim como a potência de agir de um corpo é desconhecida por nós, a potência de pensar do espírito é inconsciente para nós. O inconsciente que Spinoza fala é potência de pensar, ele diz que pensar é um exercício, uma força, e que é inconsciente. A consciência apenas percebe essa força, e a partir daí, ela é expressa e se torna consciente.

    Spinoza diz que exercer a potência do corpo é exercer igualmente a potência de pensar. Com isso para ele não há diferença entre agir e pensar, agir e pensar andam sempre juntos, podemos exemplificar isso com a seguinte frase: “Diga-me como tu pensas que lhe direi quem és”. A maneira de ser de alguém é a alma ou o espírito desse alguém.

    Quando Spinoza fala das relações e experimentações dos corpos, ele diz que é assim que nos diferenciamos no mundo. Ou seja, é na maneira de se dar nos encontros e de fazer as relações, como nos comportamos diante desses corpos e encontros que vamos criamos nossa identidade.

    Ele diz que o indivíduo idéia-corpo é constituído por outros corpos que entram na sua composição e, que esses corpos nada mais são que partículas infinitamente pequenas que só se distinguem umas das outras através de relações.

    Assim sendo Spinoza pensa num plano de composição de corpos existentes, ou seja, ele pensa em uma física, num mundo quântico em pleno século XVII. A distinção das coisas vem a partir das relações, e não da matéria em si.

    A distinção está na composição da matéria. Os corpos então se compõe e se distinguem nas relações, relações estas que são eternas assim como as partículas que as constitui, onde o que é durável e precário são os compostos, as composições entre corpos.

    Esses corpos, compostos de partículas infinitamente pequenas podem, a partir do tipo de encontro e de relação, compor ou decompor algo.

    Então ele acrescenta que a potência de qualquer coisa possui um poder de ser preenchido, que ele chama de: poder de ser afetado, que se dá nas relações. Relações estas de movimento-repouso, velocidade-lentidão.

    Esse poder de ser afetado é sempre preenchido por relações que são: afecções e afetos. Quando um corpo X age sobre outro corpo Z, o corpo X produz uma marca, um traço no corpo Z, diz-se então que Z foi afetado por X, essa marca no corpo Z é uma afecção.

    Com isso, Spinoza passa a acrescentar uma nova definição do corpo onde ele diz que, um corpo se define pela capacidade de ser afetado. Essa capacidade é altamente variável, de acordo com a forma como agimos diante desse afeto, e com isso é capaz de alterar o grau de nossas potências de agir e de pensar.

    Para nos relacionarmos precisamos de encontros, e Spinoza diz que a ética consiste em nos esforçar na organização desses encontros para que eles sejam positivos. O índice em nós para sabermos se o encontro foi bom ou ruim é o que ele define como sendo afeto.

    Afeto é então definido como uma variação intensiva, uma quantidade intensiva, que está diretamente relacionada com o aumento ou diminuição das nossas potências.

    Spinoza nos fala de dois afetos, ou paixões primárias da alma, que são: a alegria e a tristeza. A alegria é o afeto que aumenta nossa potência de agir, seria uma variação intensiva positiva, para mais. Já a tristeza é o afeto que faz com que aconteça uma diminuição da nossa potência de agir. Podemos dizer então que a alegria está ligada à expansão, e a tristeza ao constrangimento. Os outros afetos variam desses dois.

    A nossa resposta a esses afetos é o que vai diferenciar se estamos agindo passivamente, apenas reagindo à afecção que o outro nos causou, ou ativamente, levando-nos a refletir dentro da relação, tentando entendê-la, e fazer desse encontro algo produtivo que faça a expansão de todos os corpos dentro dessa relação, compondo verdadeiramente uma relação. Isso é o que Spinoza chamaria de um bom encontro.

    O que realmente distingue uma afecção de ser passiva ou ativa será sua causa, ou seja, quando a afecção que preenche o poder de ser afetado de uma potência for produzida pelo próprio agente, podemos chamar a afecção de ativa, podemos dizer que aí se deu a verdadeira expressividade, é quando conseguimos no auto-afetar; e, quando for produzida por um outro, ela será uma afecção passiva.

    Por isso tudo, a grande conclusão que chego com esse belo aprendizado e conhecimento adquirido com a filosofia de Spinoza é que seus pensamentos são extremamente coerentes com a natureza humana e bastante simples na sua essência de pensar, mas na prática ainda fica muito difícil de se aplicar todo esse conhecimento em nossa vida.

    Estamos hoje diante de um mundo onde há uma inversão enorme de valores em quase todos os campos que conhecemos.

    Porém, acredito que se insistirmos no exercício dessa filosofia, se cada ser alcançar esse pensamento em sua essência, quem sabe assim, ainda haja tempo para repararmos o que tem sido decomposto por nós mesmos.

    Que nós sejamos capaz de cuidar mais dos encontros e de sua organização para tentar mudar o rumo para o qual temos levado nosso planeta, e tentar fazer com que nossa natureza não se extinga de vez.

    A razão permite ao homem organizar os encontros (Deleuze).
    Quando somos afetados pela tristeza, nossa potência diminui porque a gente investe tudo para eliminar aquele corpo que não combina com o nosso.

    Em GENEALOGIA DA MORAL de Nietzsche [ I love him too], o ser está na ação. Você é o que age.

    Como ir além?

    Quando eu sou afetado de alegria, minha potência de ser aumenta. Há uma conveniência de ambos os corpos.

    A tristeza impede que se construa uma noção comum entre você e o outro corpo.

    A alegria nos impulsiona para fora do estado de variação contínua (Deleuze).

    Em geral estamos fazendo a conta das tristezas (Espinosa). – TRISTEZA NÃO TEM FIM, FELICIDADE SIM de Tom Jobim e Vinícius de Moraes (música de caráter espinosiano).

    Investe nas alegrias porque ela pode trazer a causa de uma noção comum.

    A gênese tanto da razão quanto da ação nasce das paixões alegres.

    A alegria é uma ocasião favorável.

    Espinosa e Nietzsche são filósofos da alegria. Nietzsche exalta a alegria apesar dos sofrimentos. Sofrimento não rima com alegria foi a grande jogada de Nietzsche.

    Beckett e Kafka escreveram contos para rir.

    Alegria é um trampolim que nos impulsiona para um conhecimento adequado.

    A gênese da razão e da ação é um aperfeiçoamento das nossas idéias e nossos afetos. Ao término seremos ativos, livres e racionais.

    Espinosa escreveu o livro A ÉTICA para dizer que é melhor ser alegre do que ser triste.

    (Samba da benção de Vinícius de Moraes e Baden Powell:

    É melhor ser alegre que ser triste
    Alegria é a melhor coisa que existe
    É assim como a luz no coração !

    Bjs

  12. Fy said

    …do mestre, quando ele estava sendo entorpecido pela cicuta, o veneno que voluntariamente bebeu por ter sido condenado pela aristocracia ateniense a “desviar jovens”…

    – foi só por isto que [ involuntariamente, com certeza, por parte dele ] crucificaram Jesus.

    – Era Alma demais!

    Bjs

  13. Elielson said

    A dita consciência coletiva é que pode ser vista como inconsciência por um indivíduo que desvincula sua consciência dos outros conceitos individuais sobre consciência, muito mais ligados a coletividade.
    Hás de parir com dor… dá pra relativizar com o castigo do conhecimento, vai ver por isso é tão dificil lembrar e tão facil esquecer… permanecer nessa impermanência de esquecimento é uma provação até que se prova alguma coisa. Na interrupção da linha de pensamento está a violência de outra influência que anula as lembranças, como um mecanismo auto-limpante, ou até mesmo como o troco pela sensação obtida outrora em excesso e que agora domina as percepções que visam atingir uma meta, quase como a necessidade de se escrever um lembrete na porta da geladeira, ou olhar para uma cicatriz e estar no momento em que a conseguiu. Essa violência obtida pela carne serve pra mecanizar o cerebro numa preservação de estado da alma. Os extremos de prazer e dor, preenchem a percepção, com a dor se aprende e com o prazer se anda até a dor.
    A falta de dor, a negação da via natural, que não pode ser dita natural em verdade, mas pode ser dita… com minima influência hominidea, causa desvio também, só que o desvio humano traz o alivio desfuncional, e se na condição de deuses querem colher somente a glória, estarão errando, pois para fazer com que o organismo se desenvolva efetivamente precisa forçá-lo naturalmente, pq em processos quimicos desproporcionais, o trabalho da droga pode superar o trabalho do organismo, dai vem o efeito colateral.
    Se o que dizem sobre parto natural na água está certo, parece que a mulher que vai dar a luz entra em extase, totalmente diferente de agonia… (este ritual, prefiro chamar de ritual, ele estimula todos os sentidos ao prazer, enquanto a parturiente entorpece os sentidos por estimulos sensoriais, velas, perfumes e coisa-e-tal)
    Mas se a analogia do castigo do conhecimento pela dor, for olhada sobre o otica exclusivamente da influência do conhecimento exterior, realmente, tudo que lhe disseram ser dor, tudo que seus sentidos interpretaram como dor, aparecem.
    O que isso tem a ver com alma?
    Grava-se o bem, apaga-se o mal… poder de boas almas, trabalhando mutuamente, por isso que as vezes a psicanalise curou mesmo, pois quando alguém revelava ao outro desejo e medo, sendo que o outro estava na condição de ouvinte, e não de concorrente, ouvia auxiliando a realização, e não buscando sugestão ao próprio ego, mas interessando-se pela busca do ego do paciente.

    A exteriorização planeja, como jogar uma bola para o alto. Mas sempre é mais facil ao ermitão fugir da influência, do que identificar se ela é boa ou má.
    Pois afastando-se, os objetos vão se apagando.
    Mas se os novos objetos forem classificados somente com as determinações odiosas baseadas no que vc repugnou no passado, cria-se algo pior, mas se for com o respeito idealizado no antigo sistema Voilá… It´s good evolution baby.

  14. Fy said

    Voilá…

    It´s

    good

    evolution

    baby.

    – Tudo vale a pena – …quando a alma não é pequena.

    Bjs

  15. adriret said

    Olha, eu li tanta coisa aqui, tanta coisa com fundamento, que fica dificil discordar desses varios pontos de vistas. Porque tudo eh alma, e alma se faz desses contrapontos, dessas relacoes, disso que estamos fazendo aqui

    Fy, o que vc colocou sobre Deleuze e Spinosa ficou bem claro agora, perfeito, eu entendo bem por ai, mas comento em separado melhor.

    Sem,
    Brigaduuu pelos parabéns, muito embora nao ser mérito meu nenhum, pois foi uma união de autores pra condensar uma idéia, e mesmo assim fiquei “enrolada” tambem. Entendo voce sobre seu texto, mas eh um assunto que vale a pena. Soh nao concordo com vc participar menos aqui no Anoitan, uma coisa nao se relaciona com outra!! sobriedade?? pra que?? seus comentarios e poemas “despertam a alma”, verdade!

    Bom, voltando pra alma…
    Acho que tenho cara de budista, neh? 🙂 Sem, na verdade nao tenho religião nenhuma, jah tive no passado, mas hoje sou mais livre pra buscar e escolher meus proprios caminhos, apesar disso, eu simpatizo muito com o budismo tibetano. Numa determinada epoca de minha vida, meu mestre interior tinha a forma de um idoso lama tibetano, eu o chamava de Tibetano, sonhava com ele, cheguei a ve-lo em meu quarto… mas isso eh passado, e hoje entendo diferente as crencas, as religioes e nossos assuntos…

    Sobre o ego e alma, sobre pessoal e impessoal, individuo e coletivo, enfim os opostos… eh uma questao que por mais que a filosofia e teologia discutiram, ou tentaram explicar, ainda eh inexplicavel, algo que soh pode ser solucionado dentro de cada um.
    Voce tem razao, que do lado “oriental” da India pra cima, eles tem uma visao mais coletiva, muito embora essa coletividade ao qual eles prezam seja bem diferente do objetivo de uma percepcao espiritual do coletivo. E que aqui, do ponto de vista “ocidental” a coisa toda seja mais voltada pro individuo.
    Me parece que o correto seria a integracao desses dois modos de ser.

    Sem, vc questiona: – eu queria saber como harmonizar isso tudo, como viver de tal modo que não se esqueça de nada e tudo tenha sua chance de manifestação.-

    Sem, nao estou tentando responder, eh que quando fico pensando e escrevo, fica claro pra mim minha propria visao e percepcao da vida.
    Apesar de sempre eu citar o ego, o eu, egocentrico, como que parecendo um “ser” em si, hoje, e pra ser sincera, depois de escrever o post ficou mais claro ainda, eu entendo o EGO como que sendo uma maneira da consciência se situar/localizar/referenciar no espaco/tempo. Ego pra mim eh uma maneira da alma ou consciencia “ser” e existir no mundo. Ego eh o nome que se dah pra “consciencia” que se percebe em separado do outro. Ha essa necessidade da consciencia se separar, se perceber em separado, se perceber um “eu” ou “ego” que eh unico, que nao eh o outro. Somente um “eu” dah essa nocao de “ser” e “exisitir” no espaco/tempo diferenciado da totalidade.

    Ego nao eh separado de corpo, corpo eh uma parte espacial/temporal, ele ocupa um lugar no espaco e se move no tempo (tem uma certa duracao mais ou menos 70 anos), eh o nosso mundo particular onde desenvolve a consciencia de ser separado e de eu. Tudo eh questao de percepcao da consciencia, porque tudo no mundo eh algum grau de consciencia, tudo segue um padrao de ser e existir, esse padrao eh consciencia ou alma. Os animais tambem tem cerebro, mas nao tem consciencia de um “eu” em separado do coletivo grupal.
    Bom, suas questoes nem sao os conceitos, mas como?
    Claro, nao sou iluminada pra dizer com conviccao, mas esse processo de fazer “alma” do post eh um bom caminho. Porque na medida que a consciencia resgata seus recalques, integra os fragmentos, eh como se ela fosse se percebendo outra coisa alem do individuo, alem do eu. O auto-conhecimento eh um processo bem dolorido, exige extrema honestidade consigo proprio, exige aceitacao maior ainda.
    Amor proprio alem dos pre-conceitos e julgamentos de si mesmo com relacao a si-mesmo. Eh assim que a consciencia vai alargando os horizontes de um aperceber-se separado, harmonizando-se com o coletivo no sentido de percepcao que a vida animica que estah em si, ao mesmo tempo estah em tudo.
    Mas isso nao eh bem compreendido pelas filosofias. Sentir essa totalidade, se sentir com essa consciencia nao eh de forma alguma deixar o mundo, muito pelo contrario, eh estar inteiro no aqui/agora, eh sair da dor e do sofrimento de posse e medo de perder, porque voce eh tudo, todos… eh a plena liberdade de ser e existir, porque todos os sentimentos que doem (inveja, medo, ciumes, raiva, maldade, …) se extingue na mesma medida que se extingue a nocao de eu. Como voce pode sentir tudo isso com relacao a si-proprio. Eh um relacionamento de si com si-mesmo, porque o outro tambem eh voce, voce tambem eh o outro…. mas a diferenca eh que agora se eh consciente disso, a totalidade pode ser percebida com consciencia. Nao eh uma busca por um ser externo deificado, nos ceus do paraiso distante, mas um estado de consciencia que unifica todos os opostos e contradicoes no aqui e agora da existencia. E sim, soh podemos realizar esse feito na vida, com a consciencia num eu.
    Sem, tudo jah eh como deve ser, todas as manifestacoes purulam, pipocam e existem, soh nao percebemos, nao vemos, nao sabemos…

    Me desculpa ser tao extensa, e dizer, dizer e nao dizer nada (rsrsrs).

    bjs
    adi

  16. adriret said

    Fy,

    Que bonito Deleuze e Espinosa.

    Fy; “A fissura [a Alma] não é nem interior nem exterior, ela se acha na fronteira, insensível, incorporal, ideal. “…
    Até o momento em que os dois, em que o ruído e o silêncio se esposam estreitamente, continuamente, no desmantelamento e na explosão do fim que significam agora que todo o jogo da fissura [da alma] se encarnou na profundidade do corpo, ao mesmo tempo em que o trabalho do interior e do exterior lhe distendeu as bordas”

    Que lindo, as nupcias sagradas, a coniunctio entre corpo e alma, espirito e materia. Fy, nao ha nada a acrescentar, eu concordo, eu me rendo a essa sabedoria :), eh assim que sinto. Alma se faz nesse relacionamento entre esses opostos em nohs, nesses pontos convergentes de opostos eh onde surge essa terceira coisa, a Alma, ela eh o consenso, a juncao de polos opostos, eh onde ela se torna… e quando ela estah crescida, estah feita, formada, como uma bela mulher para o esposo, ha a consumacao da coniunctio…

    Fy: “Spinoza pensa o corpo e a alma na imanência e não na transcendência, onde a tendência é a divinização do espírito. Ele mostra com isso, como todo ser humano reluta em aceitar o que existe de fato, “o que é”, e por isso tenta usar a transcendência para fugir dessa realidade, e acaba sempre procurando um ideal que não existe, que é fantasiado.”

    Eu entendo como imanencia e transcendencia ao mesmo tempo; primeiro transcendencia no sentido de transcender a percepcao, visao limitada, e depois imanencia porque percebe-se que alma e corpo sao um soh, percebe-se que espirito eh materia e materia eh espirito.
    Eh como encarnar o espirito (imanencia) e consagrar a materia (transcendencia) e a Alma eh a consciencia que torna esse saber possivel, eh na consciencia que tudo se une, nao ha outro lugar…

    Fy: “…numa relação produtiva que faça expandir nossa potência, e também evitando aquelas potências que constrangem, que diminuem a nossa potência, e com isso, nossa liberdade de expressão. ”

    Aqui jah nao posso concordar, nao temos que evitar nada, se as potencias externas nos contrangem eh porque mostram as correntes internas que ainda nao percebemos e sao elas que diminuem nossa potencia. Nossa liberdade de expressao eh e sempre foi livre, os limites estao dentro de nossas proprias percepcoes.

    Fazer alma tambem eh ir conhecer nossa escuridao, saber porque determinadas coisas externas mexem com o interno, diminuem nossas potencia, deprimem… e lah no fundo da alma escura, naquelas partes esquecidas, doloridas, negadas, rejeitadas… olhar bem de frente pra si, pra crianca interior, pra sombra mal amada e odiosa, e saber, sim isso me pertence, eu sou tudo isso, vem aqui comigo pro calor do meu coracao, da minha consciencia, agora voce faz parte de mim de novo, voce eh comigo.
    … entao acontece uma magica, linda magica… ela a sombra tem um tesouro de sabedoria, ela sabe o passado e o futuro, e tem o segredo da polaridade de bem e mal…

    … mas de fato voce tem que “perder” pra ganhar esse tesouro e poder continuar adiante no caminho do auto-conhecimento…

    Fy, este assunto eh apaixonante mesmo.

    bjs mil
    adi

  17. Elielson said

    🙂

    O que parece mais espirituoso?
    Cinco cirurgiões em volta de um homem em uma mesa, ou cinco sacerdotes em volta do sacrificio?

    Eu tava lendo o comentário no post da Lu, daí me veio umas coisas que eu pensava antes, e tava voltando a pensar, e sabendo que este espaço já atravessou faz tempo o lance de sincronicidade, vou falar o que é…

    Eu sempre pensei assim também, que a noção do escuro não só sai do sol, como a luz se alimenta do que a consciência julga ser sombra, sugerindo assim ao bom senso, que a personalidade anule-se criando um observador que projeta as sombras em si mesmo, que se vê como a sombra, por ser intimo e controlador dos movimentos que estão sendo analisados, isso não é um exercicio pessoal não, isso é exercicio cósmico.

    Mas não nego a ação da luz solar, acontecem uma porrada de fusões na temperatura ambiente que provam na carne essa transformação, mas enquanto o sol queima o corpo, qualquer outra transformação fora da gravidade e carbonização é devido a q?
    Alma condensa carne?
    O efeito genético é gravado no genes, beleza!
    Mas existe consciência pra que se escolha o caminho dos genes, e não só adaptá-lo as forças fisico-eletro-quimicas, como também poder visualizar o plano de mudança baseado nestes estimulos, colhendo e ceifando… selecionando.
    Mas…… não dá pra adaptar o sol e tudo mais á nós, mas pela lógica é nós que devemos nos adaptar ao sol e tudo mais. As vezes separação é suicidio, mas espalhar algo que não está preparado para os mais diversos ambientes também é suicidio. E, mente é pra criar corpo, corpo para criar mente… o processo é a vontade da alma, quando pode negar ou aceitar o gene.
    Durante muito tempo o meu observador pode relacionar tudo ao instinto, mas ai surgiram algumas mentiras, como dizer que alguns resultados de nossas ações sejam inevitáveis, ora, se é fruto de nossas ações, pq é inevitável? Sérá que superamos mesmo o poder cósmico de restauração, com a nosso vazio destrutivo?
    Vcs nunca viram a glória do vira-lata?
    Baita resistência.
    E a barata?
    Mas o ser humano, utilizando-se deste fruto de conhecimento caminhou com a mente até a mais frágil fragilidade, a necessidade extrema de cuidados, mas essa escolha de morte pode ter uma volta.
    A superação, conta com o chão.

    Hasta.

  18. adriret said

    Oi Elielson,

    “A dita consciência coletiva é que pode ser vista como inconsciência por um indivíduo que desvincula sua consciência dos outros conceitos individuais sobre consciência, muito mais ligados a coletividade.”

    Exatamente isso. Na verdade o “Inconsciente Coletivo” soh pode ser percebido, ou trazido a consciencia quando essa se desvincula dos padroes ilusorios que a moldaram de acordo com a sociedade/sistema. O inconsciente coletivo eh impessoal, por isso uma consciencia que se desvincula dos limites do eu/pessoal, se torna um “individuado” de fato, no sentido que realizou todo o potencial que uma existencia humana pode abranger. Podemos dizer que ele eh a plenitude da consciencia.
    Acho que consciencia coletiva pra significar “impessoal” nao se encaixa nesse sentido, se usei em algum comentario, falha minha… sorry.
    —————————————————-

    Existe uma linha tênue entre dor e prazer; os masoquistas sentem prazer na dor. As marcas da vida podem ser vistas nas rugas do rosto, sejam elas do riso ou da dor.
    Eu entendo que alma se faz nas experiências da vida, independente da qualidade dessas experiências. Mas nao podemos negar que talvez o apice dessa experiencia de consciencia na/da alma seja no momento da morte.
    Vida e morte, assim como todos os opostos caminham de maos dadas.
    ——————————————–

    “…que a noção do escuro não só sai do sol, como a luz se alimenta do que a consciência julga ser sombra, sugerindo assim ao bom senso, que a personalidade anule-se criando um observador que projeta as sombras em si mesmo, que se vê como a sombra, por ser intimo e controlador dos movimentos que estão sendo analisados, isso não é um exercicio pessoal não, isso é exercicio cósmico.”

    O sol eh o simbolo da consciencia iluminada, do Self. Sem o sol nao haveria vida, nem sombras, nem calor, nem movimento. E olha soh o paradoxo, ele eh materia tanto quanto tudo o que pode ser visto no universo, o que muda eh a composicao… Agora a questao eh: o que determina nossas diferentes formas no universo?
    Eh assunto que nao se acaba.

    abs
    adi

  19. Fy said

    Exatamente isso. Na verdade o “Inconsciente Coletivo” soh pode ser percebido, ou trazido a consciencia quando essa se desvincula dos padroes ilusorios que a moldaram de acordo com a sociedade/sistema.

    Salve Adi!

    Isto tá ficando mto bom!

    Bjs depois eu volto.

  20. Fy said

    Adi,

    Vou escrever correndo, senão depois esqueço.

    Sobre a mesma observação acima:

    Outro dia, no programa da Gabi, assisti uma entrevista com o Jô.

    E fui me interessando, pq: – a tranqüilidade q ele conseguiu passar,… a “desnecessidade” dele de que suas respostas tivessem mts razões ou mtos fundamentos, ou alguma lógica “Bombril” – foi sensacional.

    E, olha que simples e como se encaixa nesta observação tua: o entrevistador.

    Aquele que no momento da entrevista se despe do que é – de suas opiniões – de seus conceitos, enfim: ele apenas ouve. Observa.

    E como a física garante que dois corpos sólidos não ocupam o mesmo espaço, imagine neste tempo obrigatoriamente vazio de opiniões próprias, de pré-conceitos cheios de identidades, etc… [ penso que seja um fator necessário nesta profissão] o qto um entrevistador ou observador, consegue armanezenar em relação a conhecimento, experiências, visões de vida diferentes, e depois analisá-las e colher o que de melhor encontrar ?

    Bjs

  21. Elielson said

    Adi. 🙂

    o que determina nossas diferentes formas no universo?

    Vontade e vontade.

    Individuo determina individuo,
    Raça determina raça,
    Reino determina reino,
    Mundo determina mundo.

    Ação determina ação.

    Os lados que inventamos, percorremos.
    A resposta que eu penso ter, me responde.
    Sim, sim… Não, não.

    http://clickjogos.uol.com.br/Jogos-online/Classicos/Snake/

    o controle é -> e <-, seta pra lá e seta pra cá.

    Esse lance de serpente também dá altas metaforas.

    😉

  22. adriret said

    Fy,

    Eh isso!!

    Se despir do que se eh, se despir de suas opinioes, se despir de seus conceitos.

    Esse eu que pensamos que somos, moldado pelos conceitos sistemico, que faz com que nosso cerebro interprete a vida do jeito que se ve… esse precisa ser transcendido com certeza. Porque eh ele que impede a imanencia do verdadeiro ser.

    Fy, eh simples e bonito, mas o simples eh tao dificil,..

    Eu ainda acho que eh possivel, muito embora, o melhor eh continuar sem expectativa.

    bjs
    adi

  23. adriret said

    Elielson,

    🙂 🙂 – gostei do joguinho.

    Falar desses assuntos eh achismo puro, e eu no meu achismo, penso que o que determina e mantem as formas, seja de um grao de areia, seja de um sistema solar ou galaxia, ainda eh consciencia como alma.

    – Esse lance de serpente também dá altas metaforas-.

    Desde o Eden ateh os nossos dias, com certeza, altas metaforas…

    abs
    adi

  24. adriret said

    =Porque eh ele que impede a imanência do verdadeiro ser.=

    Corrigindo: porque eh ele que impede a “percepção” do imanente. Na verdade jah somos alma/espírito imanente, mas a consciência nao consegue identificar esse estado de ser.

    bjs
    adi

  25. Elielson said

    Só contribuimos se contribuimos para formar nós mesmos. Se em contato com algo vc se sente melhor, esta sensação não é a toa, mas temos que saber que a convenção sobre o que é melhor pode ser pura ou impura.
    Intenção.
    Se complementamos, a adesão deve ter sua realidade mantida no isolamento, pois cada um é um. Desde o preparo para condições climáticas através do direcionamento biológico pelo mecanismo instintivo, estaremos formando, mas em uma condição em que a consciência admite milhares de opções para formação, julgamos o merecimento e as conformidades para trazer o novo.
    Toda a vida é ligada, só muda o grau de parentesco, just it.
    TODA.
    Ensinar sem aprender é vomitar impurezas.
    Aprender sem ensinar é egoismo, mas se opta por ensinar somente a alguns, sendo que não se aprendeu a ensinar outros, daí não é tanto egoismo. Porém, se vc detesta muito algo, ao ponto de não quere-lo, habite a escuridão e lá promova um fiat lux.
    Mas em um lugar em que todos estão bem apercebidos como aqui, só me manifesto para aprender, obrigado a todos aqui 😉

    Se a esperança estivesse em poucos escolhidos, não existiriam outras pessoas. E além da condição economica desfavoravel no status quo, existe em comum uma carência do homem como deus-orfão, então escolham-se, determinem-se, pois quando não há mais nada, a verdade é ponto de partida, e a elevação é não impregnar um delirio que te centraliza como deus-pai, e se for pelo exemplo do sacrificio de Jesus(que podem ofender ou adorar, que ele nem liga), ele estará lá, pregado para que vc reflita…

    Agora eu lembrei do Guaco que quer impedir que Jesus vá a cruz, …muito interessante.

    E é isso aí, não sou de profecias, ao contrário do que parece, mas este valor das profecias faz um sentido que me causa não um arrepio, mas é algo como… tudo que é emitido e gravado, também serve para extrair lições, e as ficções que ensinam provam isso. Ahh estupidez…. destrói a verdade por ansiedade, devora tudo que está disponivel, com medo de um dia passar fome, e de onde vem isso? Dos pecados capitais… ?Acho que é mais da vingança, contra o outro que te trouxe e te quis velho, mas enquanto era novo era velho, e estando já velho quis ser novo de novo, mas já estava tudo velho.

    Mas o novo vem.

    Não te dando outra escolha a não ser escolher.
    Fazendo alma, resplandecendo para quem acredita.
    E se alguém quer te por numa cruz, diga a ele que ele só faz isso pq não pegou a dele, e que se não pegar agora, vai ficar só te olhando pregado, sentindo-se deus-orfão, e que enquanto vc está de acordo com a verdade, ele herdará de si mesmo, a eternidade.

    Então, vou, dizendo que Deus é meu pastor, e que não há problemas em ter um pastor que de tão bom só se manifesta quando vc quer, com fidelidade, e que quando não visto no homem ao lado, pode ser praticado pela sua imaginação, na imagem e na ação.

    No próximo comentário eu vou contar uma história. 😀

  26. Fy said

    Na verdade jah somos alma/espírito imanente, mas a consciência nao consegue identificar esse estado de ser.

    – Será que é pq complicamos muito?

    – Pra nóis, os complicados:

    Bjs

    Elielson: Thanks for you too!

  27. Elielson said

    Num pier, escrito no alto de um barco, a frase: Sempre restará o que fazer.

    No dia em que li isso, por influência de um desconhecido que trocou algumas palavras comigo, percebi a ação.

    Naquele mesmo dia na volta para casa, percebi que muito se faz para não se fazer.

    Mesmo assim, continuam sendo feitas coisas com a finalidade de não se fazer.

    Mas se estas coisas feitas não atingem esse objetivo, o não-fazer existe?

    Todos os crimes e as causas dos crimes, fazem para não fazer.
    O vazio está lá, e o homem luta contra o vazio.
    Por fazer tanto para não se fazer, fazemos cada vez mais, mais rapido, mais facilmente, mas muito mais.

    E quem ganha com isso?

    Enquanto alguém acumula, quem ganha?

    Ninguém.

    E o funcionamento não funciona.
    Pq poucos pensam estar funcionando.

    Sempre haverá o que fazer.

    Contentemo-nos, ou assombremo-nos pelo fato de ter potência para fazer e não fazer.

  28. Mob said

    =D

    Eu gosto desse papo de alma, meu poeta irmão de alma John Keats falou que esse mundo é “vale de fazer alma”…

    Eu gosto de saber que há pessoas ainda nesta bendita Terra (louvado seja o seu nome) que gostam de falar de alma, e de sentir alma, e de ter a alma seduzida por outra(s) alma(s), e de se entregar com paixão e inteireza à leveza e à densidade da alma.

    Façamos alma então…. é o que vcs vêm fazendo aqui neste mini-vale encantado de fazer alma online.

    Saudade também é fazer alma? Fazer alma é tão bão que a gente acaba se apaixonando pelo mister…………………… a gente acaba se apaixonando pela saudade, é isso que dá ficar brincando de fazer alma…….

    Elielson, Adi, Sem e Fy;
    Bjs,
    Mob.

  29. adriret said

    Elielson,

    =Mas em um lugar em que todos estão bem apercebidos como aqui, só me manifesto para aprender, obrigado a todos aqui 😉 =

    Eu tambem agradeco a todos aqui, porque tambem estou aprendendo muito, muito no Anoitan.

    = Mas o novo vem.=
    Assim seja.

    =Por fazer tanto para não se fazer, fazemos cada vez mais, mais rapido, mais facilmente, mas muito mais.=

    Estamos entulhando o mundo. Vc tem razao, fazemos tanto que nao sobra tempo pra nao se fazer nada, pois estamos sempre ocupados. Nossa mente nunca estah no vazio, estamos pensando o que vamos fazer, o que vamos falar, pensando sobre, e sobre… que estamos sempre, sempre ocupados, preocupados; correndo, correndo, correndo contra o tempo.

    abs
    adi

  30. adriret said

    Fy,

    Serah???? 🙂

    Eh, eu sou uma pessoa meio complicadinha, pra nao falar por inteiro 🙂 .
    Tem dia que fico atrapalhada, principalmente quando estou com pressa, ateh dou risadas de mim mesma.

    Mob,
    =é isso que dá ficar brincando de fazer alma…….
    Nem me fale. 😉

    Mob, Fy, Sem, Elielson e todos…
    Eu nao sei se deveria dizer isso aqui, ao mesmo tempo eu queria compartilhar isso com quem faz parte disso tambem, nem interpretem que to sendo emocional, melosa, melhor nem interpretar nada… 🙂 🙂 🙂 porque vao pensar que sou doida… 🙂 🙂 🙂

    Vocês nao imaginam como fui “afetada” pelos comentários, pelo post, desde o inicio.. verdade mesmo!! Como uma epifania, um estado de graca…. eh uma alegria interior, um amor, uma plenitude que faz chorar. To amando tanto, tanto, tanto, na mesma medida que me sinto tao amada, amada, amada…. to me segurando pra nao explodir….

    beijao no coracao de cada um com muito amor.
    adi

    PS. podem rir :), to nem ai 🙂 🙂

  31. Elielson said

    Nem vou interpretar nada…

    Adi, Cheguei, abri a página e vi essa declaração ao som de Maroon 5, very good.!!!!! it´s not over tonight…

    Um pouco sobre brincar de fazer alma,

    Neste espaço estamos encontrando humanidade na forma mais bela, parece até convenção sobre direitos super-humanos… e não há nada de doido nisso, é que este espaço está salvo da briga pelo pão, e de tudo que causa descaso.

    Este é um dia que começa feliz, em que me mantenho no equilibrio desta felicidade, sem euforia, apenas correspondendo o que me respondem, mais um dia em que protegeremos a internet como uma janela movel pela casa que não acaba mais… rsrsrs.

    Afinal aqui no brasil, agora, todos somos jornalistas, então vamos reportar a arte de rasgar seda. Eu tbm evolui muuuuito graças a cada um de vcs, que se dedicam em escrever algo pra vcs e para os outros, que são ou não são como vcs, mas que em momentos e momentos encontram e se desencontram levando isto que é sentido agora, isto que só os corações sentem, que por vezes não tem lugar nesta selva ai fora, mas que é gritado, pelo trabalho e empenho de entendimento que cada um tem de si e do universo. Vida pra quem agradece vale mais, e não há agradecimento maior do que dá-la cada vez mais ao bem.

    E vamos seguir, causando bons encontros.

    Abraços, té mais tarde 😉

  32. Fy said

    Adi,

    Eu sou muiiiito complicada!

    Sou mto atrapalhada!: com pressa então, vc nunca acreditaria.

    Eu entro no carro errado: no supermercado.

    Eu sou completamente Aquario::: just like you!

    Eu nem preciso falar o bem q isto faz: falo toda hora.

    Kd a Sem? – sinto falta – muita – de ler vc, Sem.

    Bjs que o dia tá lindo e é sexta feira.

  33. Fy said

    Adi,

    P/ o nosso Jardim de Sonhos: do meu Wicano querido e preferido:

    Colheita de Sonhos

    Colhi flores em sonhos,
    A noite tremia fria
    E a Lua na sua silhueta transparecia
    O seu cristal em tom de pérola.

    Colhi sonhos nas flores,
    E me tentei num jardim de amores
    Tocada pelo Sol de vestes douradas
    Onde poesias por Ele proclamadas
    Amainavam a quentura do Verão.

    Colhi sementes de amor,
    Vislumbrando Afrodite
    Entrelaçando brisas em cabelos
    Num deleite inspirador.

    Colhi amor nas sementes,
    E saciei a minha própria sede.
    Entre as esferas celestes
    Num feitiço de estrelas transluzentes
    Soletrei a palavra Amor.

    E num templo de Jasmim
    Por fim Me reconheci,
    E onde Ninfas provavam Apolo
    Procurei o mais doce dos tesouros,

    Onde lírios beijavam solos

    Plantei: Sementes de Amor

    E nas flores, Sonhos colhi.

    Por: Lvthien [Wicano]

    Bjs na alma de cada um.

  34. Elielson said

    Um sexto da população mundial sofrerá os efeitos fisicos da crise, por conta da especulação, do giro, do movimento econômico.

    Eu acho isso tão frio.

    Até falar em efeito fisico é frieza, o negócio é fome mesmo, ingestão abaixo de 1500 calorias diarias.

    Esta é a dor, o excesso de um lado que causa a escassez de um outro.

    Quando a sorte é lançada, onde fica o azar?

    Muito tem que acontecer pra que a compreensão do sonho, traga o sonho.

    Pq ali, onde se olha, acontece algo, que faz outras coisas acontecerem onde não se olha.

    Os olhos querem, sem coração.
    O coração quer, sem olhos.
    Sujar as mãos é meio.
    Mas só mãos limpas podem começar.

    Enquanto isso vão sempre se separar pra não separarem sua própria bagunça.
    Orar é esperar que por algum momento as promessas feitas e ouvidas, venham pelo bem.
    Vigiar é estar lá pra que isso aconteça.

    Força, unida, provando ser força, sem lutas, apenas provando ser força, em todo instante muda tudo.

    🙂

  35. adriret said

    Salve Elielson,

    Musica dah aquele up. Ontem eu fiquei lendo tudo, e de novo; ao som de Rihanna (Rehab); eu sei porque, mas nao sei explicar porque fui capturada (rsrsrs)…

    =E vamos seguir, causando bons encontros.=
    Isso tambem eh sempre muito bom.

    abs
    adi

  36. adriret said

    Fy,

    Aquariana eh tudo meio “avoada” 🙂 , soh nao sou pior porque tenho ascendente virgem que me tras um pouco pro chao da terra e equilibra a vontade de voar do ar…
    Eu acho que complicada sou porque alem de aquariana (rsrsrs) quando com pressa tento fazer tudo de uma vez e acabo nao fazendo nada (rsrsrs), ou deixo tudo pela metade… quando quero expressar algo, minha mente complica tanto que acabo divagando muito e fugindo do assunto… fora minha interpretacao que torce e distorce fatos pra adapta-los ao meu estado de espirito momentaneo… vixe!! esse eh o pior pra complicar as coisas… mas pelo menos, jah estou identificando isso antes de causar danos maiores 🙂 :)…

    Agora minha amiga Te que eh aquario/aquario como voce, quando dirige o carro, vc fala vira pra esquerda ela vira pra direita e vice-versa, a gente dah muitas risadas… mas o bom eh que ela leva na boa, bem tranquila…
    Agora o bom de aquario eh que ele adora viajar na maionese (rsrsrs), tem uma imaginacao diferente e com coisas diferentes… parece que eh o elemento ar que tras estah caracteristica.

    Ai, ai, mas eh bom, muito bom…

    O poema que vc colocou eh lindo Fy, alma eh amor, muito amor… e olha esse amor deixa a vida lindissima, perfumada, aquecida, aconchegante; perfeita eh a palavra.

    ===============================

    Sem,
    Termina logo o post, vai ser muiitoo interessante ler sobre as polaridades.

    Bjs
    adi

  37. Sem said

    Fy, olha só, o mesmo Vinícius que canta com o Toquinho “é melhor ser alegre que ser triste; a alegria é a melhor coisa que existe”, cantou com Jobim “tristeza não tem fim, felicidade sim”, e é o mesmo poeta dessa poesia aqui:

    DIALÉTICA

    É claro que a vida é boa
    E a alegria, a única indizível emoção
    É claro que te acho linda
    E em ti bendigo o amor das coisas simples
    É claro que te amo
    E tenho tudo para ser feliz

    Mas acontece que sou triste…

    …………………………………

    Adi e Fy, por favor, não esperem o texto sobre polaridades (foi erro meu eu ter dito que estava escrevendo algo), porque no momento eu não estou escrevendo nada, só lendo… Existe até mesmo uma remota possibilidade de que esse texto nunca saia, ou demore um tempo maior do que o previsto, ou então eu o termine amanhã… O fato é que eu preciso completar algumas lacunas, mas talvez a estrutura toda esteja errada e ele precise ser sacrificado, ou desmembrado, como sugeriu a Fy. Talvez a inspiração de fazer o 3 em um 1 tenha sido equivocada desde o princípio… Mas mesmo que o texto como eu gostaria não saia, de algum modo fragmentos desse assunto estamos aqui sempre discutindo, e eu já falei em linhas gerais o que penso do assunto, e será inevitável falar outras vezes e outras coisas, se é um assunto que nunca sai da minha cabeça, é só aparecer a oportunidade… Mas não esperem mais pelo texto que nem eu estou mais esperando…

    …………………………………

    Queridos amigos, sobre amor e amizade, sem querer ser melosa como a Adi ;), mas há algo de essência aqui que partilhamos, é assim que eu vejo. Pelo menos eu pessoalmente não sou de me afetar por amizades virtuais, mantenho cordiais relações sim, mas com vcs é diferente, além de vcs me solicitarem mais, onde pra mim é fácil contribuir e ser natural, confesso até de modo desconcertante que do meu lado acontecem mais sincronicidades e uma profundidade que no momento nem na minha vida “real” encontro paralelo. Talvez sejam mais que apenas interesses em comum o que temos, talvez seja o modo como misturamos os assuntos, de alma para poesia, e para filosofia e muita espiritualidade, música e dança, ou então apenas muita conversa jogada fora. Não sei o que faz liga, sei que gosto de vocês. 🙂

  38. Sem said

    Proceis uma sequência meio caótica, já que o assunto é alma:

    O POETA E O POEMA

    Nenhum poema se faz de matéria abstrata.
    É a carne, e seus suplícios,
    ternuras,
    alegrias,
    é a carne, é o que ilumina a carne, a essência,
    o luminoso e o opaco do poema.

    Nenhum poema. Nenhum pode nascer do inexistente.
    A vida é mais real que a realidade.
    E em seus contrastes e seqüelas, funda
    um reino onde pervagam
    não a agonia de um, não o alvoroço
    de outro,
    mas o assombro de todos num caminho
    estranho
    como infinito corredor que ecoa
    passos idos (de agora,
    e de ontem e de sempre),
    passos,
    risos e choros — num reino
    que nada tem de utópico, antes
    mais duro do que rocha,
    mais duro do que rocha da esperança
    (do desespero?),
    mais duro do que a nossa frágil carne,
    nossa atônita alma,
    — duros pesar de seu destino, duros
    pesar de serem só a hora do sonho,
    do sofrimento,
    de indizível espanto,
    e por fim um silêncio que arrepia
    a epiderme do acaso:

    (…)

    Não há poema isento.
    Há é o homem.
    Há é o homem e o poema.
    Fundidos.

    Alphonsus de Guimaraens Filho

    …………………..

    CONFISSÃO

    Sejamos sinceros, meu bem,
    dispamos o pijama
    das mitologias:

    a eternidade não conhece o amor.

    O amor também não sabe
    verdadeiramente
    o que é o amor

    e, no fundo, nós nunca acreditamos muito
    em parto
    sem dor.

    Iacyr Anderson Freitas

    …………………..

    O AMOR DOS OUTROS

    O amor dos outros
    é indiferente.
    Só o da gente
    é especial,
    fosforescente,
    brilha no escuro.

    O amor dos outros
    é tão pequeno,
    nem vale a pena
    pichar o muro.

    Ninguém entende
    o amor alheio;
    não é bonito
    e não é feio.
    O amor dos outros
    é tão efêmero!
    Estão amando?
    Fazendo gênero?

    O amor dos outros
    é muito pouco:
    só o da gente,
    direito ou torto,
    alegre ou triste,
    sereno ou louco,
    lascivo ou puro,
    céu ou inferno
    — só o da gente
    será eterno.

    Olha pro rosto
    do amor alheio:
    são só dois olhos,
    nariz no meio,
    cadê a boca?
    Olha pra cara
    do amor da gente:
    que coisa louca!

    Betty Vidigal

    …………………..

    O GRITO

    se ao menos esta dor servisse
    se ela batesse nas paredes
    abrisse portas
    falasse
    se ela cantasse e despenteasse os cabelos

    se ao menos esta dor se visse
    se ela saltasse fora da garganta como um grito
    caísse da janela fizesse barulho
    morresse

    se a dor fosse um pedaço de pão duro
    que a gente pudesse engolir com força
    depois cuspir a saliva fora
    sujar a rua os carros o espaço o outro
    esse outro escuro que passa indiferente
    e que não sofre tem o direito de não sofrer

    se a dor fosse só a carne do dedo
    que se esfrega na parede de pedra
    para doer doer doer visível
    doer penalizante
    doer com lágrimas

    se ao menos esta dor sangrasse

    Renata Pallottini

    …………………..

    O CONVITE À VIAGEM

    Minha doce irmã,
    Pensa na manhã
    Em que iremos, numa viagem,
    Amar a valer,
    Amar e morrer
    No país que é a tua imagem!
    Os sóis orvalhados
    Desses céus nublados
    Para mim guardam o encanto
    Misterioso e cruel
    Desse olhar infiel
    Brilhando através do pranto.

    Lá, tudo é paz e rigor,
    Luxo, beleza e langor.

    Os móveis polidos,
    Pelos tempos idos,
    Decorariam o ambiente;
    As mais raras flores
    Misturando odores
    A um âmbar fluido e envolvente,

    Tetos inauditos,
    Cristais infinitos,
    Toda uma pompa oriental,
    Tudo aí à alma
    Falaria em calma
    Seu doce idioma natal.

    Lá, tudo é paz e rigor,
    Luxo, beleza e langor.

    Vê sobre os canais
    Dormir junto aos cais
    Barcos de humor vagabundo;
    É para atender
    Teu menor prazer
    Que eles vêm do fim do mundo.
    — Os sangüíneos poentes
    Banham as vertentes,
    Os canis, toda a cidade,
    E em seu ouro os tece;
    O mundo adormece
    Na tépida luz que o invade.

    Lá, tudo é paz e rigor,
    Luxo, beleza e langor.

    Charles Baudelaire

  39. adriret said

    Meus queridos amigos,

    =mas há algo de essência aqui que partilhamos, é assim que eu vejo. =

    Sem, exatamente, foi nesse sentido que quis dizer 🙂 🙂 – o amor ao qual estava me referindo eh aquele da Alma…. jah que claro, o assunto eh Alma…

    Fui capturada nesse sentido. 🙂 🙂
    Estava apaixonada nesse sentido. 🙂 🙂 🙂
    Me senti amada nesse sentido. 🙂

    Mas claro, como Alma eh todo abrangente, voces com certeza fazem parte disso tudo…

    bjs
    adi

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