Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

A Nós!!!

Posted by Kingmob em maio 22, 2009

A nós, a nós !- brindaram com seus copos rudes de barro, nas suas roupas de grosso tecido encardido os sufis (assim os chamariam outras eras, lugares) com a impostação do árabe já começando a se trair frente a vibração trôpega, elétrica, passional que o ambiente passava a transmitir…

A nós, a nós !- a beberagem e a comum união tornavam-nos quase fadas — aqueles homens severos e truncados amigando entre si como novas crianças no berço único incriado do: “Não há Deus, senão Deus”, alegria profetizando como que a brincar de pique, ou a pular corda.

Sufis e seus tambores

E o amor do Deus único , a unidade pronta a remir a todo instante qualquer diferença, os embriagava tanto mais quanto o crescente no firmamento brilhava com seu véu de semiescuridão no que era um louvor submisso e deferente ao coração dos homens. A divindade curvava-se à frente dos homens de coração puro.

A nós, a nós – a fogueira parecia suplicar aos ares em redor – súplica comovida , por haver a confraria se tornado tão querida, tão dilatada na afeição severa que lhe devotava Alá. Os emissários, os Djinns, criados do fogo sem fumaça, apareciam nas visões de comunhão, uma só mente a pensar por todos e uma só vida a pulsar em todas as suas pétalas.

A nós, a nós!, os tambores em um ritmo sem mácula derramavam  nos ouvidos e olhos a exuberância nobre e exata de cores e sons nunca dantes navegados. Fez-se na alma dos velhos sufis a criação como um rigor geométrico e rítmico, virginal ,de uma ultracoerência obsessiva, mas sem a debilidade que costumeiramente portam as obsessões. Seus sentidos se apresentavam como mapas traçados por um lápis incompreensível e os eus fluíam-se para dentro da mesma taça que transbordava sem derramar.

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6 Respostas to “A Nós!!!”

  1. luramos said

    La ilaha ill Allah.

    nao há deus, senão deus,
    não há Deus, senão deus,
    naõ há deus, senão Deus,
    não há Deus, senão Deus.

    há tantos belos sentidos dentro destas palavras:
    basta colocar Deus com maiúscula como um deus exterior, deus com minúscula como o deus interior.

    e também tem mais: tudo que existe é Deus (deus), toda a criação é manifestação de Deus (deus). Portanto somos todos um só, nós humanos, todos os seres, nosso planeta e o universo que nos rodeia. Tudo é Deus.

  2. Kingmob said

    >nao há deus, senão deus,
    não há Deus, senão deus,
    naõ há deus, senão Deus,
    não há Deus, senão Deus.

    Bonito isso. O Deus único no interior e no exterior.

  3. Fy said

    Mob e Lu,

    Mob, parabéns pelo texto – lindo lindo – como tudo, tudo o que vc escreve.

    Mas, não posso deixar de dizer a vcs que eu não escrevo deus com letra maiúscula.

    Mais : Eu não sei de qual deus vcs estão falando, vcs mencionaram Allah; mas temos tb Javé [ que tem 71 nomes, se não me engano], temos tb o Deus dos católicos e todos eles… também são únicos, e não são iguais.

    Apesar deles guerrearem eternamente entre si, pelo poder ou pela magestade de serem únicos; eu não creio em nenhum deles. E não creio desde os 5 anos não podendo buscá-los, caso a crença dependa da inocência e da pureza dos 5 anos.

    O meu é ainda diferente destes , e dentro daquilo que compreendo é diferente pra cada um de nós. Isto sem querer estabelecer nenhuma verdade, pq tb não acredito em estabelecer.

    Talvez, o Andrei pense diferente hoje, mas há meses atrás ele traduziu exatamente o que penso em relação a isto e mencionei no texto do Tournier.

    Outro dia, conversando com a Adi, fui procurar um texto do Lucio e acabei lendo outro:– A Casa de Orates – e pra variar, …é daqueles que transborda e transbordou em comentários tb preciosos.- Mob, vc tem uma poesia linda lá – E foi relendo, que me lembrei deste texto do Tournier, que fala claramente sobre eugenia.

    “Tudo pode – e deve – ser sacrificado ao sacrossanto ideal de promover o ajustamento físico e mental de todos os indivíduos a uma sociedade que, “ela”, sim, é cada vez mais mórbida e doentia.” Malprg em Casa de Orates –

    Eu incluo gde parte desta morbidez e doenças às religiões que pregam a primazia de seus deuses. Camuflando seja lá o que for.

    “remir” – uma palavra do texto, significa “perdoar” : e eu, ao contrário do texto, “acredito” nas diferenças. Pra mim elas são humanas – óbvias e eu posso viver com isto. E não pretendo precisar do perdão de nenhum Allah.

    Não me incomodo que os deuses sejam diferentes; me incomodo com o fato deles precisarem ser iguais ou únicos. As famílias em Gaza, as colonizações, as fogueiras da inquisição, as cruzadas, etc – etc são os resultados da imposição de um deus único e de um poder centralizado e homogêneo. – e não me digam que isto é pq o homem é defeituoso e deus perfeito….: Não há quem possa crer em deuses e criar religiões a não ser os homens!

    Eu acho fantástico que cada um tenha seu deus. [ pq acho mesmo q é isto o que acontece] – mas que esta seja uma experiência pessoal, em que nível for.

    Qdo uma bandeira é levantada; uma fronteira é construída – e sua defesa torna-se necessária.
    Um deus corrompe outro deus. A pureza de um corrompe a pureza do outro. E em nome do meu… acabo com o seu. Isto é política…. divina?

    Por isto os judeus não aceitaram e, segundo o que se conta [ e eternameeeeente se assiste] , acabaram com Jesus: o derviche que girava ao contrário….ao contrário do som puro dos tambores ….da tora, …escrita por Javé. – ele corrompia – Nem todas as ovelhas nascem da mesma cor…. nem no mesmo rebanho. E…. aí: “o ajuste”….

    Em outras lendas, o deus católico definitivamente fez a mesma coisa: Lucifer que o diga, e muitos mais, no inferno da fogueiras.. – Allah com toda sua pureza, tem historias tremendas e um exército sempre pronto a se sacrificar e destruir por ele.

    Eu não pretendo inventar deuses; e nem guerrear ou discutir por eles ou por não-eles. Respeito e não concordo, minha busca pela transcendência não é via deus único : neste aspecto fico com Buda: ele não é único e não se incomoda qdo mudo de Buda.. … ah, entre outros mestres, tb fico com o Jesus do evangelho do Saramago.

    Caso seja problema, por favor: adoro vcs, digam francamente.

    Bjs

  4. luramos said

    Fy, eu tento na vida não tomar nada como pessoal, é um aprendizado constante. Eu não sou a minha opinião….rs, não se preocupe, nunca me ofendeu.

    eu não sei falar sobre Deus, mas acho que ele se mostra na criação manifesta. O que as religiões fizeram com o nome de Deus, acho bom saber, mas não é o que me guia.

    O que me guia é uma busca desconfortável, não sei de quê, que há de me transformar em não sei quem…

  5. Fy said

    Lu querida,

    O que vc entende por deus, eu entendo por amor.

    Amor se escreve de varias maneiras, em qq idioma, tem tantos nomes e é tão flexível e abrangente, que talvez não tenha como se escrever: só sentir.

    Bjs

  6. Elielson said

    🙂

    Entrando na conversa…

    Este final de semana, eu refleti muito sobre caber no mundo, sobre a auto-regulagem… o ajuste do ser.
    Nessa briga de deuses antigos e deuses novos, há muita tolerância com as coisas malignas, devido a coleção que cada um faz, a seleção, e mesmo aquilo que não está na nossa prateleira mental, fica disponível pra casos emergenciais.
    Então muita coisa não é eliminada por medo de sermos aquilo tbm, pois é curioso o fato de estar em uma natureza que não é completamente vc, mesmo que seja uma natureza feita por seres supostamente como vc, é negada e aceita, mas quando se nega e depois aceita, é como aceitar duplamente, é como colocar um bandido no colo, e quando se aceita e depois se nega, é mais de acordo, pois houve o experimento.
    Mas o que é aceitar?
    Os resquícios de esperança no bem comum, nos faz acreditar em algo estranho a serventia de sobrevivência e perpetuação da espécie, quando nossos sentidos nos encaminham pra um belo sacrificio… um sacrificio que se feito por um e respondido por outro, não mata, mas vivifica os dois pra verdadeira vida. Imaginamos que se isso for feito por todos os seres, a vida jorraria.
    Os movimentos mais bruscos só acontecem no isolamento, a vida é isolada em um corpo.
    Então vem a determinação como uma responsabilidade, que se assume ou pensa que não se assume.
    Então me vem o que é conveniente, um cofre em que se guarda o conhecimento sobre a sua própria verdade.
    A sua própria verdade.
    Mas estas coisas que se recolhe para me afirmar em um mundo que executa as barbaries desde sempre, me colocam em um dos lados eternos?
    Como se ajustar?
    Julgando o direito de existir das coisas repugnantes?
    Ou simplesmente tolerando-as como algo inerente a uma espécie?
    Mas como tolerar, se esse lado de lá nunca tolera?
    Tolerando duas vezes, eles negam duas vezes.
    Há um problema onde há problema, há problema onde se cria problema.
    Aquelas coisas pras quais abrimos os olhos, que não eram problemas até então, fazem a gente se adaptar, ou desadaptar?
    Ao condenar o pior dos homens, estamos nos desadaptando?
    Ou devemos esperar tolerantes até que a escolha de se desadaptar venha dele?
    Acontece que há outras pessoas, exterminadas por estes homens que eliminam. Quem fica pra reequilibrar a existência não é aquele que se vai, mas aquele que não querendo conviver, convive, para que um outro tenha o direito de conviver, o qual este já negou.
    O que é essa verdade que guardo, se não uma seleção da verdade maior, que é uma confusão criada coletivamente, e somos como um filtro, mas cada filtro, cria uma verdade.
    Mas quando essa verdade passa a se enganar pensando que a confusão pode ser desfeita, através unicamente da sua verdade, começa uma eliminação.
    E tudo aquilo que negamos, é o que nos será negado.
    Mas se toda a verdade estiver viva, sem matar uma outra, passam a interagir e trocar suas substancias.
    E quando todas elas estiverem vivas saberão que cada verdade é uma mentira, que se desfará com as outras, para então abrir-se uma fenda, de uma mentira maior se alguém determinar uma nova verdade, da qual muitos vão carecer. Mas quando todas as tempestades cessam, é pq fizemos um abrigo, mas estando prontos para enfrentar tempestades maiores, corresponderemos o que o nosso corpo quer ser.

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