Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Narciso: um mito contemporâneo

Posted by Sem em maio 3, 2009

 

narcisoeco

 

Fala Narciso, encaminhando-se para a fonte onde está a ninfa Eco, e esta lhe vai respondendo.

 

Narciso____ Este insofrível tormento

Eco_______ Tormento

Narciso____ Das aflições porque passo

Eco_______ Passo

Narciso____ Em rigor tão insofrível!

Eco_______ Insofrível.

Narciso____ Pois em minha dor terrível

__________ E na angústia em que me vejo,

__________ Não gozando o que desejo,

Os dois____ Tormento passo insofrível.

 

Narciso____ Oh, como se dói a minha

Eco_______ Minha

Narciso____ Menosprezada beleza,

Eco_______ Beleza,

Narciso____ De todas a mais cabal!

Eco_______ Cabal!

Narciso____ Pois meu fado sem igual

__________ Me sujeita a padecer,

__________ Vendo ultrajados meu Ser,

Os dois____ Minha beleza cabal.

 

Narciso____ Por compaixão, por amor,

Eco_______ Por amor,

Narciso____ Humano e mortal se fez

Eco_______ Se fez

Narciso____ O Ser divino e imortal.

Eco_______ Mortal.

Narciso____ Por ele padeço o mal

__________ Que minh’alma dilacera

__________ Pois o ser que imortal era,

Os dois____ Por amor se fez mortal.

 

Narciso____ Como tão fera sujeita

Eco_______ Sujeita

Narciso____ Esta aflição inumana

Eco_______ Humana

Narciso____ Meu Ser divino, impassível!

Eco_______ Passível.

Narciso____ Mas sem dúvida é invencível

__________ Desse amor a fortaleza,

__________ Pois tornou minha beleza

Os dois____ Sujeita, humana, passível.

 

Música e Narciso__ Tormento passo insofrível,

________________ Minha beleza cabal

________________ Por amor se fez mortal,

________________ Sujeita, humana, passível.

 

Narciso____ Mas quem nesse tronco seco,

Eco_______ Eco…

Narciso____ Com triste voz chorosa,

Eco_______ Chorosa,

Narciso____ As minhas vozes responde?

Eco_______ Responde.

Narciso____ Quem és tu, ó voz? Ou onde

__________ Estás de mim escondida?

__________ Quem me responde dorida?

Os dois____ Eco chorosa responde.

 

Narciso____ Pois já com o que tu estás vendo,

Eco_______ Vendo,

Narciso____ O teu despeito o que quer?

Eco_______ Que quer?

Narciso____ Que espera mais teu amor?

Eco_______ Teu amor.

Narciso____ Consciente de teu error,

__________ De teu próprio amor guiada,

__________ Andas aqui transviada,

Os dois____ Vendo que quer teu amor.

 

Narciso____ Se vês que sempre hei de amar,

Eco_______ Amar,

Narciso____ E hei de estar sempre num ser,

Eco_______ Um ser,

Narciso____ Julgues embora inferior

Eco_______ Inferior

Narciso____ O objeto do meu amor,

__________ Que desdenha a tua maldade,

__________ Me ensina a minha bondade

Os dois____ Amar um ser inferior.

 

Narciso____ Eu tenho de amar; por isso

Eco_______ Por isso

Narciso____ Não queiras ver-me: de ti

Eco_______ De ti

Narciso____ Minha beleza se esconde.

Eco_______ Se esconde.

Narciso____ Porque jamais corresponde

__________ Tua soberba à humildade

__________ Que busca a minha beldade;

Os dois____ Por isso de ti se esconde.

 

A Música e Narciso__ Eco chorosa responde,

_________________ Vendo que quer teu amor

_________________ Amar um ser inferior:

_________________ Por isso de ti se esconde.

 

Narciso____ Muito ousadamente o amor

Eco_______ O amor

Narciso____ Desejou mostrar que pode

Eco_______ Que pode

Narciso____ Com suas setas ferir.

Eco_______ Ferir.

Narciso____ Pois quem me pôde induzir

__________ A que tão penoso viva,

__________ Se não, com sua força ativa,

Os dois____ O amor que pode ferir?

 

Narciso____ Todo o seu poder mostrou,

Eco_______ Mostrou,

Narciso____ Acertando a mira em mim,

Eco_______ Em mim,

Narciso____ Que provei sua pujança

Eco_______ Sua pujança.

Narciso____ Pois abaixando a balança

__________ Da deidade soberana,

__________ Para a igualar com a humana

Os dois____ Mostrou em mim sua pujança.

 

Narciso____ Triste está minh’Alma: eu amo

Eco_______ Amo

Narciso____ E por desventura minha,

Eco_______ Minha

Narciso____ Busco a minha semelhança.

Eco_______ Semelhança.

Narciso____ Quem a razão não alcança

__________ Destes suspiros que dou,

__________ Desta aflição em que estou?

Os dois____ Amo minha semelhança.

 

Narciso____ Do meu Trono, que é o Céu,

Eco_______ Do Céu,

Narciso____ Amoroso e manso vim,

Eco_______ Vim,

Narciso____ Sem ver que para morrer.

Eco_______ Para morrer.

Narciso____ Ninguém poderá medir

__________ O valor desta fineza,

__________ Pois renunciando à Grandeza,

Os dois____ Do Céu vim para morrer.

 

A Música e Narciso__ O amor que pode ferir

_________________ Mostrou em mim sua pujança.

_________________ Amo minha semelhança,

_________________ Do Céu vim para morrer.

 

Vai-se aproximando Narciso da fonte e diz:

 

Mas já me vai vencendo a dor; já chego

Ao fim por minha imagem tão querida,

Pois é pouco a matéria de uma vida

Para o tão grande fogo que carrego.

 

Já dou licença à morte, a Alma já entrego

Para que do meu corpo ela a divida;

Que da divina essência em mim contida

Tão-só para morrer me desapego.

 

Tenho sede, e do amor que me há abrasado,

Ainda com toda a dor que padecendo

Venho, meu coração não está saciado.

 

Ó Pai, por que num transe tremendo

Me desamparas? Tudo é consumado:

Em tuas mãos meu espírito encomendo.

 

(Versos de Juana Inês de la Cruz – fragmento de “O Divino Narciso” – tradução de Manuel Bandeira)

 

………………………………………………………

 

Em terra onde se cultua Jung, pra não dizer que não se fala de Freud, o que será que a vanguarda do pensamento psicanalítico tem a dizer sobre o homem pós-moderno?

 

http://www.sppa.org.br/sumarios/vol_31/07.php

 

Nem a psicanálise é a mais a mesma no mundo moderno, nem os psicanalistas se contentam em explicar o homem somente através da saga edipiana. No entanto, não, o velho vienense não está morto, está mais vivo do que nunca, apenas se desdobrou e vitalizou ao buscar outras formas de exploração do homem, além Édipo, em outro mito inscrito no desejo do sujeito, que hoje respira capitalismo, mundo global, solidão, hedonismo, objetivação…

 

Aqui o mito de Narciso é um tributo a Freud. Não como a superação da teoria original do complexo de édipo, pois a teoria continua válida, mas como uma ampliação, traçando outro paralelo de uma outra possível “explicação”.

Não sou eu, mas os psicanalistas que em vozes cada vez mais volumosas e estridentes insistem em defender a nova tese de caminhos que vão além de Édipo. Eu própria não vou tecer considerações da pertinência e dos paralelos evidentes que podemos traçar entre a história de Narciso e do homem contemporâneo. Poderia apenas dizer do aspecto positivo deste ser Narciso atual, que dentro do próprio pensamento freudiano é a oralidade onde tudo principia – e talvez isso indique que o homem moderno não esteja morrendo, mas apenas começando: um novo homem, talvez?

Para quem quiser ir mais fundo na defesa dessa tese, sugiro conhecer o pensamento do psicanalista brasileiro Joel Birman, que desenvolve também um interessante ponto de vista a respeito do papel da mulher nesse contexto todo.

 

 http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=&id=-kYVprAgR6AC&oi=fnd&pg=PA13&dq=joel+birman+mal-estar+na+atualidade&ots=IS8JURKnqC&sig=HLKPNdLR5Tue0ryJfebRgLnoUNg#PPA15,M1

 

Freud era apaixonado por coisas distantes no tempo e no espaço, por histórias do oriente (nos dão testemunho sua famosa coleção de objetos e estatuetas e, claro, os tapetes orientais), pela Grécia e Itália antigas, por viagens… Freud viajou distante em sua mente, e o significado do homem que ele conheceu, foi buscar além das fronteiras de qualquer geografia concreta, no abismo das profundezas interiores e inconfessáveis ao próprio homem.

Foi dele a primeira iniciativa de vincular a vida psíquica adormecida nos subterrâneos à mitologia grega antiga. Embora tenha sido Jung o que mais tarde desenvolveu, aprofundou (outros mitos, outras culturas, outros símbolos) e mesmo radicalizou essa idéia até a derivação de um mundo arquetípico, maior e mais influente que o próprio inconsciente pessoal do sujeito – arché, como princípio primeiro, é uma idéia originária da filosofia grega pré-socrática, e a constituição da alma do mundo, a anima mundi, derivada diretamente do pensamento de Platão.

 

Resta a questão – mais importante para refletirmos a respeito de nossa posição no espaço do que busca por um ideal de verdade que se deva defender a qualquer custo – se a grande contribuição de Jung foi transcender o pensamento mecanicista de Freud, que insistia em um único mito para explicar todo e qualquer homem, então, a grande contribuição de Jung foi justamente transcender a individualidade e conectar o homem a uma história e tempo de significado universal. Mas, não nos esqueçamos que a grande contribuição de Freud foi justamente ficar com esse homem, com o indivíduo em sua particularidade, com seu corpo único, insuficiente e mortal, e o desejo enraizado nesse corpo, sempre pessoal e subjetivo.

Resta a questão, se a grande contribuição de Jung foi transcender a individualidade e a de Freud ficar com o corpo do sujeito: quem contribuiu mais com a alma? A resposta depende mais do ponto de vista do sujeito e do momento histórico que ele enfrenta, do que uma verdade única e válida para todos os homens e tempos indistintamente.

Anúncios

9 Respostas to “Narciso: um mito contemporâneo”

  1. fynealhns said

    Sem,

    Mto bonito!

    Acabei de chegar, estou lendo agora, já já venho dar palpite.

    Bjs

  2. fynealhns said

    Sem,

    Achei um pouco exagerada a análise que o psicanalista fez, não sobre as mudanças necessárias ou o fundamentalismo dentro da Psicanálise; – mas sim sobre as observações deste mal-estar na atualidade e as razões nas quais ele o baseia.

    Estamos sim na era do instantâneo. Estamos em contato com os fatos simultâneamente, sejam sobre violência ou não.
    Mas, isto não significa que a violência entre humanos seja maior ou menor do que sempre foi. Ao contrário: esta simultaneidade, na minha opinião, também funciona como um tipo de freio. Existe a possibilidade da conscientização e da análise [ simultâneas ao fato]. Qualquer instituição, governos, escolas, religiões, hoje em dia, estão sujeitos à análise do público, o que em minha opinião é um benefício.

    Em relação à cultura do corpo, à análise do olhar do outro; – eu acho q isto tb sempre existiu. Pessoas q administram a saúde ou o estado do corpo de uma forma saudável e outras q deturpam o significado correto das coisas.

    Estou de pleno acordo com as inovações colocadas por ele; mas achei que a proposta, perde um pouco de sua relevância [ infelizmente: pq é necessária mesmo] qdo ele a justifica.

    Bjs

  3. adriret said

    Sem,

    Um questionamento complicado, mesmo porque nunca li Freud, e somente baseado no texto pode ser realmente complicado eu dizer algo, tambem soh dei uma lida por cima no livro que vc. indicou, puxa, gostaria de ter mais tempo . Embora o pouco que sei a respeito da psicanalise de Freud, tudo parece que gira em torno do sexo, ou seja os problemas do homem/mulher tem sempre um complexo de fundo sexual, sobre a libido, etc.
    Interessante voce citar o mito de Narciso e citar Freud, porque eu conhecia que Freud sempre fez mencao ao mito de Edipo; e sim, eu percebi que vc explicou isso lah em cima.
    Bom, quanto ao questionamento, ainda sou mais Jung (rsrsrs). No meu ponto de vista, acho que Jung deu continuidade, foi alem e mais abrangente no quesito da Alma humana, mesmo porque Jung nao descartou o trabalho de Freud, Jung nao soh inclui o mito de Edipo mas toda coletânea de mitos, trazendo ao estudo da alma todas as possibilidades.

    Muito embora, ainda se confunda muito corpo/alma/mente, pra mim, alma ‘eh o “relacionamento” entre o corpo e a mente, nao exclui um em requerimento do outro. Alma nasce e se faz atraves desses conflitos emocionais/existenciais/éticos/morais dentro do sujeito, e eh atraves desses “acordos”, dessas conciliaçães, dessas juncoes, onde a Alma se faz, onde a Alma se torna mais, onde a Alma traz consciência ao inconsciente de Si-mesmo…

    Talvez quando se pense em psicologia Junguiana, logo se pensa que Jung deu mais ênfase ao espírito, eu nao entendo dessa forma, muito pelo contrario, entendo que a ênfase de Jung foi na “união” desses opostos na alma dividida do homem, eh todo um processo de uniao e transcendência todo abrangente, nao excluindo o anterior, mas sempre unindo os contrários, anterior /posterior se tornam um, se faz consciente, se faz alma (consciência), e de novo num processo continuo uma nova etapa pra juntar, mais abrangente, uma nova visao ou releitura do arquetipo, um outro mito ou símbolo a ser agregado, integrado na consciencia ou Alma.

    Eh como vejo a coisa, estar mais com o corpo ou com a consciencia ou alma focado no corpo, nao quer dizer necessariamente que se acrescenta ou contribui mais com a alma, porque como jah expliquei como entendo, Alma eh pura e simplesmente o “relacionar” corpo e mente, materia e espírito, etc. Alma eh pra mim “relacionamento” e “uniao” entre esses opostos, nao eh somente estar no corpo, nao eh somente estar no espírito, mas estar em corpo e espírito simultaneamente.

    E no meu entender claro, Jung foi especial, porque ninguem como ele buscou a realização da Alma dele mesmo, porque eh Ela que a partir de um certo momento, direciona e busca por si mesma essa união com o espírito, e Jung simplesmente seguiu o chamado interior, mesmo contrariando sua proposta acadêmica, ele seguiu essa vertente “espiritual”, e fez como ninguém esse link, essa ponte que atravessa o abismo que separa corpo – espírito. E isso tudo significa nada mais, nada menos, que transformar nossos instintos (libido sexual voltada para os desejos humanos insondáveis) em verdadeira vontade (libido sexual voltada para os desejos da alma em realizar o Self).

    Masss, essa eh somente minha opinião.

    bjs
    adi

  4. fynealhns said

    Resta a questão, se a grande contribuição de Jung foi transcender a individualidade e a de Freud ficar com o corpo do sujeito: quem contribuiu mais com a alma?

    – A resposta depende mais do ponto de vista do sujeito e do momento histórico que ele enfrenta, do que uma verdade única e válida para todos os homens e tempos indistintamente. –

    Sem dúvida, estamos falando de 2 gênios.
    Jung foi impulsionado por Freud; – estes tipos de inteligência são degraus na evolução de nossa raça. E, claro é necessário analisá-los sem esquecer suas contemporaneidades.

    O que mais me fascina em Jung – entre outras coisas, incluindo o coment da Adi – é justamente o rompimento do contorno da individualidade em relação à própria individualidade. A genialidade dos Arquétipos vem de encontro a este des-contorno. Não há mais como estigmatizar uma personalidade ou o comportamento de uma personalidade.

    A resposta do post à pergunta formulada é perfeita.

    Da mesma forma, Jung é o impulso pela continuidade de um processo; e aí vai…

    O importante é estarmos abertos para a genialidade dos que se foram e às que se apresentam.

    Bjs

  5. Sem said

    Em terra de Jung quem tem um Freud na mão sozinho não faz verão.

    Acho que vcs estão certas, meninas, o discurso psicanalítico tem alguma coisa que mata um pouco da alma toda vez que vem com suas explicações sempre tão racionais.
    No entanto, não podemos esquecer que alma é arquétipo, e a alma que a gente chama de nossa, não é verdadeiramente nossa, e o que a alma quer, não é necessariamente o que “nós” queremos, ela [alma] pode e efetivamente quer realizar o ponto de vista do Todo, que é sempre impessoal, transcende ao sujeito e, podemos até mesmo dizer, seja inumano.
    Nesse sentido é que um psicanalista, ficando com o pessoal, com o sujeito, pode fazer mais bem a uma pessoa, que se sente reconhecida na sua subjetividade, na sua falta e incompletude, do que na impessoalidade de um analista junguiano, sempre mais preocupado com mitos ou qual deus ou deusa faz a sua vida.
    Arquétipos são sempre impessoais e a Verdadeira Vontade pode ser algo bem amargo de ser experimentado por uma pessoa, embora necessário, verdadeiro, transcendente…
    O que eu gosto mesmo é do fazer alma da psicologia imaginal, que é sempre algo de intermediário entre exterior e interior, ficando com as imagens e fantasias da alma, e eu acho que só pode dizer que uma pessoa é um indivíduo quando ele faz essa relação entre exterior e interior, entre alteridade e individualidade, senão é automatismo puro, ou a favor dos arquétipos (psicose, inflação) ou a favor da vida social (objetivação total, perda de alma).
    Não há de fato um ser enquanto não houver alguma relação e harmonia entre interioridade e exterioridade, mas nem por isso uma coisa é ou deve ser tomada pela outra.

    Comecei a ler ontem Suicídio e Alma do Hillman, que trata um pouco essa estranha relação entre morte e alma, e parece que tem tudo a ver com o papo de vcs duas, inclusive o que estão discutindo lá no LOBO MAU. A morte é fundamental como um símbolo de transformação para a alma, é a sua linguagem de evocar mudança e realizar seus desígnios. E pensando em suicídio e fim de mundo, talvez o suicídio de Narciso possa ser encarado por esse ponto de vista como a transformação de um tipo de vida em outro, espelho de si mesmo no lago para se tranformar numa flor para os outros – mas é uma flor venenosa, e no entanto vale lembrar que venenos em pequenas doses são remédios… E em relação ao fim do mundo, profecias existem desde sempre, e quem sabe seja só pra humanidade pensar essa questão da morte. Um dia realmente o mundo vai acabar, mas não acho que em 2012, como não acabou em 1900 e nem em 2000. Tudo isso parecem ser mais clamores da alma por uma transformação da vida, e como diz o Hillman não precimos literalizar… Um indício de como estamos distantes da alma é quando literalizamos seus símbolos, quando não vivemos os símbolos em fantasia e aí sim a alma nos força a vivê-los de fato, conclamando um acidente, uma doença ou até mesmo planejando um suicídio.

    O que a alma do mundo quer nos dizer quando conclama símbolos de fim de mundo? O que ele quer ou precisa transformar? Será que a humanidade precisará literalizar seu fim? O que a anima mundi nos tem dito e nós não temos escutado e muito menos vivido?

  6. adi said

    >> e em relação ao fim do mundo, profecias existem desde sempre…. …..Tudo isso parecem ser mais clamores da alma por uma transformação da vida, e como diz Hillman não precisamos literalizar… <<<

    Exato Sem,

    Vou escrever o que um amigo que sabe muito, me falou:

    “Mitos de criação em geral descrevem o processo por meio do qual a consciência nasce. Isso porque o nosso mundo subjetivo passa a existir somente quando existe uma consciência pra percebe-lo. Então, a criação da consciência equivale `a criação da nossa realidade pessoal.”

    Consequentemente, o mito do fim do mundo, ou morte, simboliza sim uma transformação da consciência do individuo, onde ela jah não se identifica mais com o ego, a consciência se transfere para o núcleo arquetipico do Si-mesmo. Significa a dissolução das projecoes e das ilusões que encobrem o real.

    E sim, em se tratando de coletivo, eh a anima mundi que chama a humanidade a se transformar…

    Pessoalmente, tenho seguido meu chamado desde alguns bons anos, acredito que todos que aqui participam também, viver; viver eh o dia-a-dia identificando a alma das coisas com a alma da gente, eh ver com o coracao, sentir com os olhos e com os chacras e continuar a caminhar sempre adiante…

    bjs
    adi

  7. fynealhns said

    Adi!!!!

    Clapclapclap!

    Vc está uma fi-ló- “l” – so-fa!

    Bjs

  8. fynealhns said

    Sem,
    O que a alma do mundo quer nos dizer quando conclama símbolos de fim de mundo? O que ele quer ou precisa transformar? Será que a humanidade precisará literalizar seu fim? O que a anima mundi nos tem dito e nós não temos escutado e muito menos vivido?

    She is warning us that, for us, just only and only :

    Bjs

  9. Kingmob said

    Clap, clap,clap!!!!!!
    Esse poema merece uma mesura completa…. melódico, rítmico, harmonioso, dilacerante…. não tem jeito o destino de todo narciso é se afogar … essa tradução com certeza não fica devendo nada ao original

    “Amo minha semelhança”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: