Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

Não há Margens no Mapa do Céu

Posted by Fy em abril 28, 2009

Não há margens no Mapa do Céu.

Recriemos o ilimitado, desconstruindo o limite.
Não há margens no Mapa do Céu.
Elielson

Lendo o excelente e imperdível ensaio sobre Anarquismo no blog Saindo da Matrix, me lembrei imediatamente de homenagear este escritor querido, Monteiro Lobato, que criou esta figurinha, cheia de soluções e idéias, possíveis impossíveis, de coração completamente Brasileiro e cuja alma é a própria Anarquia. [ e, enquanto a Sem não vem…., enjoy yourself, my people]

– Mas, afinal de contas, Emília, “o que” você é? Perguntou o Visconde…

– Sou “a” Independência ou Morte!

Emília, uma boneca de pano de quarenta centímetros costurada pelas mãos de Tia Anastácia, e “que evoluiu e virou gente”.
Emília nasceu boneca de pano, de trapo e macela, e ficou sendo a companheira preferida de Narizinho.

“ nasci de uma saia velha da Tia Anastácia.
E nasci vazia…
Nasci , fui enchida de macela e “fiquei no mundo feito uma boba, de olhos parados como qualquer boneca”. Feia…
– Dizem que fui feia que nem uma bruxa.
Meus olhos… Tia Anastácia os fez de linha preta”

…e “ Narizinho vivia a conversar com ela”…

Apenas esta menção não faz de Emília, até então, nenhuma boneca especial, afinal, é fato comum, sempre foi e sempre será , as crianças conversarem com seus brinquedos.
Ao pesquisarmos o imaginário da literatura infantil, percebemos que Monteiro Lobato não inovou ao fazer de uma boneca, um personagem.

A excepcionalidade de Emília tem dia e tem hora marcada.

Ela começa quando Emília começa a falar “de Verdade”.
O episódio da conquista da fala é fundamental na biografia e no decorrente fascínio que a boneca exerce sobre nós.

De boneca de pano como nasceu, o percurso da boneca sofre alterações significativas a partir do momento em que aprende a falar graças a uma pílula falante do Dr. Caramujo. Vamos salientar que a solução “pílula” foi sugerida depois de Narizinho recusar, por razões nobres e humanitárias, um transplante de língua de papagaio.
Imperdível é a consulta da boneca com o médico da corte do Princípe Escamado, Dr. Caramujo, um dos habitantes do Reino das Águas Claras:

“ Veio a boneca. O doutor escolheu uma pílula falante e pôs-lhe na boca – Engula de uma vez! Disse Narizinho ensinando à Emília como se engole pílula. E não faça tanta careta que arrebenta o outro olho.
Emília engoliu a pílula muito bem engolida, e começou a falar no mesmo instante. A primeira coisa que disse foi: Estou com um horrível gosto de sapo na boca.
E falou, falou, falou e… falou.
Falou tanto que Narizinho , atordoada, disse ao Doutor que era melhor fazê-la vomitar aquela pílula e engolir outra mais fraca.
Não é preciso – explicou o grande médico.
Ela que fale até cansar! Depois de algumas horas de falação, sossega e fica como toda gente .
Isso é fala recolhida que tem de ser botada para fora!

. Aqui lanço uma pergunta: Como, [como analistas], podemos nos debruçar sobre esta pérola literária descrita por Lobato e não nos deixarmos ser arrebatados por ela?
Sim, esta é a minha proposta, Dr. Caramujo como imagem de uma analista trabalhando a favor da fala.
Libertando a fala de seu silêncio neurótico.
E como Dr. Caramujo opera esta proposta? Com sua indicação de uma pílula falante.

Palavras e pílulas, pílulas e palavras.

Pílulas que matam as palavras e pílulas que libertam as palavras.

Em tempos atuais de circulação excessiva de pílulas como Prozac, Ritalina, Viagra, Rivotril, Zoloft, [ entre outros tipos de entorpecimentos cerebrais] pílulas estas que nos conduzem para a nova mitologia dominante sobre o universo psíquico: a mitologia do cérebro com suas dopaminas, serotoninas, neurotransmissores, sinapses, desequilíbrios químicos, enfim a criação do homem neuronal, modelo onde as palavras sucumbem à força das pílulas, reencontrar a sabedoria e proposição ética do Dr. Caramujo se faz um alívio.

Esta é a indicação de Dr. Caramujo para Emília: Falar até cansar. Fazer uso do verbo, apropriar-se da linguagem, libertar a imaginação contida nas palavras. Não é isto senão o que Freud chamou de Método da Associação Livre?
Não é este o convite que todo analista faz a seu paciente: falar até cansar?
Não seria o espaço analítico o lugar privilegiado para a possibilidade de manifestação daquilo que Dr. Caramujo diagnostica como “fala recolhida”?
Proponho imaginar que uma análise se inicia quando um paciente consegue encontrar um analista como Dr. Caramujo, que o instiga a ir atrás, produzir, imaginar ou criar modos de dar existência às suas “falas recolhidas”.
Porém, não esqueçamos um detalhe. Outra absoluta preciosidade apontada por Narizinho: Não se trata apenas de falar, fala comum e ordinária, pois se este fosse o caso, o transplante de língua de papagaio para isto serviria.
Afinal, para onde nos aponta esta imagem “língua de papagaio”?
Repetição, Imitação, Cópia, Eco, Previsibilidade, Recorrência do mesmo.
Repetir a fala do outro, usar o discurso do outro ao invés da criação do meu discurso, indiscriminação, – serei eu um papagaio do outro?

Haverá individuação numa língua de papagaio?

Emília é o Princípio da Imaginação, onde nos mostra que Imaginação é Realidade. As atitudes e as travessuras de Emília tem como função cancelar as fronteiras entre o fictício e o real, o metafórico e o literal, o verídico e o imaginativo. Emília encarna aquilo que James Hillman denomina como uma das atividades da Alma: a reanimação das coisas em termos metafóricos onde a metáfora dá sentido e paixão aos objetos inanimados.

Com seus olhos de retrós, inaugura uma perspectiva metafórica que REVÊ os fenômenos do mundo como imagens, possíveis de encontrar sentido e paixão onde a mentalidade cartesiana vê, simplesmente, a mera extensão de objetos desalmados e inanimados. Emília é o nome dessa possibilidade imaginativa que não se restringe ou sequer se conforma com aquilo que denominamos Princípio de Realidade. Ela o subverte e busca ampliar-se para além dos seus domínios. [significa e re-significa e “diz”!]

Não é à toa que Emília é aquela que melhor faz uso da mais famosa invenção do engenhoso Visconde de Sabugosa: O famoso Pó de Pirlimpimpim!

O Pó de Pirlimpimpim torna possível o passeio a outros universos além do Reino das Águas Claras. Ele é o elo de ligação entre o real e a fantasia que permite transportar-se para outros tempos e espaços em aventuras que dialogam com a mitologia grega, com o desejo ancestral de exploração do espaço sideral,ou com famosos personagens literários como Dom Quixote e Peter Pan.
Cheirar o Pó de Pirlimpimpim se assemelha a atravessar o espelho: como ocorre com Alice nos País das Maravilhas: o atravessamento do campo das aparências, o cancelamento das fronteiras do ego: desterritorialização da consciência, sucumbir ao rumo errante da imaginação, a possibilidade de ser outro em si mesmo.
Não é esta a experiência do inconsciente?

“…a vida, Senhor Visconde, é um pisca – pisca.

A gente nasce, isto é… começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim: morreu.

Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.

É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.

A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas.

Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.

– E depois que morre? – perguntou o Visconde.

– Depois que morre, …vira hipótese. É ou não é?” (em Memórias de Emília)

Desindentificação com a Persona, atravessamento do Narcisismo, abrir-se para outras “terras” e “reinos” ainda pouco íntimos de cada um, dialogar com as figuras da imaginação ou as figuras do outro que nos habitam?

É Peter Pan que introduz as crianças no Reino das Maravilhas, transportando-as através do pó de Pirlimpimpim:

“ O Reino das Maravilhas está em toda parte… é velhíssimo.
Começou a existir quando nasceu a primeira criança e há de existir enquanto houver um velho sobre a terra.
É facil de ir lá, perguntou Pedrinho?
Facílimo ou Impossível. Depende…
Para quem possui Imaginação é facílimo”
“Reinações de Narizinho”

Aqui, somos fiéis ao método junguiano da Circumambulação: andar ao redor da imagem, traçar paralelos, buscar associações, encontrar semelhanças, tudo em torno da imagem a fim de, como Hillman diz, “aumentar o volume da imagem”.

E, se nossa imagem é Emília, aumentemos o volume!

Ao contrário de todos os outros personagens lobatianos, Emília ao exercer sua capacidade de fala de modo inventivo, crítico e irônico, ganha uma crescente trajetória de independência em relação aos demais.
Neste percurso, Emília é aquela que questiona o inquestionável, abusa frente as verdades estabelecidas, inaugura novos pontos de vista, desafia normas, condutas e padrões vigentes.

Para muitos críticos, Emília é interpretada como sendo Porta-Voz de Monteiro Lobato, também ele um intelectual crítico e participante das principais discussões políticas e culturais da primeira metade do século XX.- Um crítico feroz e arguto, e assim como a boneca , que expressava suas posições sem medo e nem papas na língua.
Se faz importante aqui falar um pouco mais da relação entre Lobato e Emília e até lançar a pergunta: Afinal quem é autor? Quem é personagem? Quem é criador, quem é criatura?

Sobre Emília, Lobato comenta:

-“ ela começou como uma feia boneca de pano, dessas que nas quitandas do interior custavam 200 réis. Mas, rapidamente foi evoluindo e adquirindo tanta independência que.. quando lhe perguntaram “mas o que você é, afinal de contas, Emília? Ela respondeu de queixinho empinado: sou a Independência ou Morte! E é tão independente que nem eu, seu pai, consigo domá-la. (…) fez de mim um “aparelho”, como se diz em linguagemespírita(…)
É Emília hoje que me governa, em vez de ser por mim governada.-”
“A barca de Gleyre.M.L.”

Monteiro Lobato se assemelha neste depoimento a algo que Jung descreve em seu texto “A relação da psicologia analítica com a obra de arte poética” como sendo o processo visionário de criação onde o objeto prevalece sobre o sujeito. Neste, o autor deixa-se levar pelo texto e seus desdobramentos, não determina qual efeito ou solução para os conflitos. Para este, a obra traz em si a sua própria forma. Tudo aquilo que gostaria de acrescentar será recusado, o que não gostaria de aceitar lhe será imposto. Ao autor: só cabe obedecer e executar, ele está submetido a sua obra, ou, pelo menos: ao lado, como uma segunda pessoa que tivesse entrado na esfera de um querer estranho. Lobato criou Emília ou Emília criou Lobato?

É esta imprevisibilidade e irreverência de Emília que a colocam num lugar diferenciado dentro do nosso imaginário. Emília é aquela que através de atitudes novas e ousadas desconstrói e renova símbolos religiosos ou culturais de determinada época.

Nisto ela cumpre sua função de Trickster como formulada por Jung: Emília é um Trickester. – Anarquista: graças a Deus! –

O arquétipo do Trickster é a um só tempo, humano e não-humano, costuma pregar peças nos outros através dos truques, ardis, da mágica, da sedução e ás vezes da violência – > é aquele a quem é permitido dizer sob a forma de bufão, clown, bobo da corte, as verdades em forma de piadas. Jung escreveu em seu artigo “ A Psicologia da figura do Trickster” – que este evolui de um indivíduo psiquicamente inconsciente até atingir a categoria de um ser socialmente desenvolvido. Não é este o caso de Emília? De boneca inanimada a uma boneca que evoluiu e virou gente?

Finalizando, diríamos que se pela fala , Emília transcende sua condição de ser inanimado, ao manter-se boneca, e, supera nossa liberdade como humanos, dos quais, ela é afinal, um mero simulacro.
Além de imortal por natureza, bonecas envelhecem mas não morrem, e por ser uma criatura híbrida: boneca falante: um indecidível, Emília desfruta do melhor dos dois mundos: do mundo das coisas e o do mundo dos humanos, fecundando um com o ponto de vista do outro, e vice-versa, – cancelando e apagando as diferenças, num exercício infindável e dialético de dar vertigem a qualquer leitor mal avisado.

“ Verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia. Só isso.”
(Memórias da Emília)

Diretamente de TAUBATÉ – SP – …e do BRASIL:

Marcus QUINTAES

PS: Foi Monteiro Lobato quem fundou a primeira Editora Nacional, a Editora Monteiro Lobato & Cia e posteriormente a Companhia Editora Nacional e a Editora Brasiliense.

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34 Respostas to “Não há Margens no Mapa do Céu”

  1. fynealhns said

    MONTEIRO LOBATO

    A literatura brasileira é muito vasta; em todas as suas ramificações e de maneira alguma apenas no beletrismo. Às vezes tem-se a tentação de dizer que um pouco menos seria mais. A literatura brasileira é em parte também muito valiosa e bela; e mereceria de verdade, através de boas traduções, ser levada para além das fronteiras brasileiras muito mais do que tem sido até agora.
    Monteiro Lobato encontra-se bem no meio dessa rica e bela literatura, está profundamente ligado a ela, é um autóctone brasileiro acabado (mesmo que um leve sopro de influência francesa, manifestamente de Flaubert e Maupassant, não escape ao pesquisador bem informado).
    Prenhe de amor fervoroso pelo Brasil, ele permanece no ambiente brasileiro, fiel à exigência de Luiz Amaral, ele vê o estrangeiro com olhos brasileiros e o julga a partir de uma perspectiva brasileira.
    E, contudo, ele é um – “outsider”. Isto é algo notável e singular nesse forte personagem, e talvez se encontre aí em parte a chave para a questão de por que Monteiro Lobato tenha tido, não apenas em seu país natal, mas em todo o mundo da cultura uma ressonância tão forte e uma recepção tão calorosa, que lhe garantiram um lugar na literatura universal.

    Esse estar-bem-dentro e ao mesmo tempo apartar-se é típico dele e constitui seu caráter. Individualista no limite do possível, Monteiro Lobato foi o “eterno rebelde”, o protótipo perfeito do “eterno revolucionário”. Moacir Werneck de Castro acertadamente o comparou certa vez, há anos, àquele Anarquista Amargurado, que “possuía uma metralhadora e por conta própria conduziu uma guerra”, a saber, contra ambos os partidos na guerra civil.

    Este rebelar-se contra tudo o que ele achava repreensível, inferior e imoral era de sua própria natureza, e ele atacava valente e impiedosamente, apontava com firmeza os defeitos e lutava com todo o idealismo e capacidade de sacrifícios de uma grande alma para sua eliminação.

    Pessoas assim costumam ser incômodas, não apenas para muitos de seus próximos, que a contragosto se deixam demover de sua fleuma, como também, e principalmente, para as autoridades, pois é sabido que a verdade nem sempre é ouvida com prazer, especialmente pelos burocratas, que com freqüência acreditam ter o monopólio sobre o bem-estar e as dores da nação. Estes costumam reagir aos rebeldes e amantes da verdade de maneira bem pouco amável.

    O Brasil não é nenhuma exceção a essa regra. Assim chegou também para o íntegro lutador, Monteiro Lobato, o momento em que o espírito das autoridades se cansou de ouvir a verdade do “Eterno Rebelde”. Isso aconteceu quando surgiu sua obra “O Escândalo do Petróleo” > “A prisão foi o preço do seu idealismo”, como Manoelito de Ornellas definiu, com precisão e amargura.

    Monteiro Lobato compartilhou dessa forma o destino de tantos outros defensores da verdade, sobre os quais Goethe já disse:

    Os raros,[ the Eagles] que algo disso [da verdade] entreluziram,
    e que, em vez de o esconder a sete chaves,
    foram à doida assoalhar no vulgo [the Crowns]
    seu pensar e sentir em toda a parte,
    acabaram na cruz ou na fogueira .

    http://lobato.globo.com/novidades/novidades61.asp

    Bjs

  2. adi said

    Muito bom o texto Fy, muito bom.

    Eu que muito assisti ao Sítio quando crianca, viajei no tempo agora. Eu tive uma Emília de pano, pedi pra uma tia de presente de natal, porque adorava ela. Assistia todos os dias encantada com o mundo faz de conta que também era minha realidade, pois o real da crianca é a imaginacão.

    Fy, pra mim a Emília era a Alma do Lobato, sua anima anárquica exteriorizada, vivendo, sendo a “forma” do interior rico imaginário de Lobato.

    bjs

  3. fynealhns said

    ´Adi,

    Q bom q vc gostou!

    Eu já ia dar cambalhotas no blog, pra ver vc morrer de rir!

    Mob,

    Escrevi errado:

    De tão nervosa q eu fiquei p/ conseguir colocar a Emília no blog! – aiaiai como é difícel! – for/me, óbvio! –

    Os raros, [ the Eagles] que algo disso [da verdade] entreluziram,
    e que, em vez de o esconder a sete chaves,
    foram à doida assoalhar no vulgo
    seu pensar e sentir em toda a parte, [ for the Crowns]
    acabaram na cruz ou na fogueira .

    Bjs

  4. Elielson said

    Bah… Indepêndencia ou morte.

    Só resta um bom discernimento sobre o que é indepêndencia, e quando vista a dependência, ver a qualidade dela e excluir todos os defeitos possiveis, e mesmo assim, depois disso, deve-se considerar a busca pela independência de quem está contigo, ou pelo menos considerar o equilibrio nas possibilidades de independência entre as pessoas.

    Se as pessoas estivessem dispostas a morrer pela liberdade, viveriam sua liberdade.

    Fy, esses dias eu estava fazendo uma relação quando assistia o Pinóquio, metaforizando…, é impossivel não fazer isso hoje em dia com qualquer filme infantil, com filmes normais tbm, mas nos infantis as palavras parecem mais com sementes.
    Sempre é bom ver o que está sendo administrado ao público infantil… Tá, eu confesso, não perco um só lançamento de desenho/animação.

  5. fynealhns said

    Elielson,

    Qdo se fala em Anarquia à nível de sistema, imediatamente fazemos relação com uma baderna total.

    Qdo falamos em Liberdade, fazemos uma analogia quase igual.

    Sem dúvida, é preciso rever os significados das 2 coisas.

    O “verdadeiro” conceito de Liberdade exprime em sí mesmo uma dose de responsabilidade talvez nunca experimentada por nenhum de nós.

    Em relação à dependência: – a Verdadeira Liberdade é completamente interligada à Dependência. Pois é preciso q vc seja livre, p/ q eu tb possa ser. O meu nível de Liberdade, será sempre dependente do seu. Talvez eu pudesse chamar isto de Aceitação ou Respeito.

    Claro q são conceitos extremamente elevados; e q talvez não estejamos, de verdade: verdadeira, preparados pra isto. Mas, é uma inspiração.

    Este coment, copiado do SDM, é extremamente sensato e me chamou atenção:

    Analisando teorias e comentários aqui, preciso colocar algumas coisas na discussão.
    Vejo muitas pessoas defendendo a política, governo e todas as formas de controle da sociedade.

    Mas sou obrigado a questionar, A humanidade, em toda sua vasta história sempre foi governada por algo maior, sempre tendo essa “noção” de ser governado, mas em algum momento da história, a “humanidade” conseguiu estar em harmonia? Conseguiu não guerrilhar?

    Vendo todos os registros na história, percebemos que toda nossa história foi banhada a sangue, confrontos históricos, sempre comandados por um ser “supremo” comandando seres humanos, que na verdade nem estavam tão interessados assim em guerrilhar com a tribo, cidade ou país vizinho.

    Nunca tivemos realmente uma demonstração de que a Anarquia seria uma total baderna e que a “humanidade” sucumbiria assim, ao contrario das demonstrações que tivemos com a “humanidade” regida por um poder maior.

    – (?)

    – e ele termina, com a seguinte reflexão:

    Concordo que nos tempos de hoje haveriam aqueles que já completamente cegos por esse mundo do capital, tentariam se aproveitar de outros em meio a esse tipo de realidade.

    Mas é aí que vem outro questionamento, se o papel do dinheiro não deveria ser revisto na sociedade, pq entenda que o maior problema da sociedade não está por trás do governo criar a ordem, está por trás das vantagens que o poder pode trazer, batendo de frente com a corrupção que o dinheiro historicamente trouxe à “humanidade”.

    Venho aqui questionar se primeiramente, antes de pensarmos em anarquia, deva-se pensar em reestruturar o sistema de economia completamente e depois sim, pensarmos em anarquia.
    Thiago Andreazza

    – E aí, me aparece a Emília que diz: Piscar é abrir e fechar os olhos > e eu entendo: Piscar é abrir OU fechar os olhos. E penso: não, não somos Anarquistas…. mas, até que ponto somos Comodistas?

    Bjs

    Bjs

  6. Elielson said

    Fy,

    Eu entendo que a estratégia libertária deve ser a consciência de 1+1+1+1+1, e não de 1+1=2,+1=3,+1=4,+1=5.

    Nâo sei se eu já disse isso aqui pra vcs…

    Mas o h.g wells, falou que a civilização é uma corrida entre a educação e a ruina.

    Penso que além das reformas estruturais e individuais, é preciso uma destruição da imagem sacramentada dos objetos de culto.

    Lógico que vcs sabem que amo Jesus, e amo-o pela identidade que eu tive com essa figura desde a infância, e ele tbm coube na minha juventude, e está cabendo na minha vida adulta.

    Nossa falta de movimentação carente de um lider, causa esse apego ao que é bom, mas é bom por que não é facil encontrar em nós mesmos uma personalidade tão boa quanto a descrita na figura de Jesus.

    As lutas solitárias até são possiveis… e a gente encontra provas de que a humanidade cai na própria cilada. Mas isso só salva quem vê.

    Mas as pessoas precisam de alguém que lidere um movimento, e no mais fatidico, que financie o movimento. E isso sempre vai dar merda.

    Pq quando o cara tentar explicar que não há lideres, e que no maximo vai haver alguém que aponte pros próprios prazeres, acontece merda tbm.

    A saida do comodismo, é como um divórcio do estado, não vai ser tão facil se acostumar a reencontrar a maneira de viver sem o suposto apoio existencial que a sociedade aparenta ser.
    Não aconselho isso, radicalismo quase me matou.
    O negócio é preparar o estado, preparar a noiva, pois se há discordância de uma só vontade que seja… é pq ainda não casamos.

    Já sugeri a vcs uma vez aquele abaixo assinado, disse que não vou propor mais nada politico, e não vou mesmo, estou tentando fazer isso com um contato ai… Mas é só pra dizer, que eu já estou no aquecimento pra preparar a noiva.

    A trasformação não é uma substituição.
    É uma evolução, natural, mas que precisa de agentes…

    Amsterdã é um laboratório, se lá der certo, inevitavelmente vai se espalhar…
    Se… Se…

    Quando algo chegar ou nascer aqui mesmo, precisa só de um ambiente mais clean…

    Muito pior do que não presenciar o renascimento do Paraiso universal, é não ter usado minha vida para ajudar.

    João testemunha a noiva de Cristo, adornada gloriosamente, descendo dos céus para uma nova criação: “Então vi novos céus e a nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de
    Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido.

    Tá lá no apocalipse…

    Até amanhã pessoal.

  7. adriret said

    Vocês sabem que não gosto de política, muito embora, acredito que na totalidade das coisas, há espaco em todos os campos da manifestacao, então que se manifeste o melhor da humanidade em todos esses segmentos; sejam eles políticos, econômicos, científicos, sociais, religiosos, enfim tudo que abrange nossa humanidade.

    Meu ponto, e acredito que vcs não concordarão, é que a verdadeira liberdade não pode ser expressada fora “se”, “se” ainda dentro de nós estamos arraigados e sufocados pelo sistema. O sistema que aprisiona está na mente, dentro de nós, e não adianta nenhum movimento externo pra quebrar essa prisão se primeiro não assumirmos o real compromisso conosco mesmo de transformacão em busca da real liberdade, mas como o Mob falou no post do fazedor de chuva, só trazemos ou realizamos harmonia se dentro de nós está tudo em harmonia, ou em liberdade, ou em TAO. No post o Mob também citou Jung, que sempre falou que a transformacão se dá em cada um, somente em cada um, e a partir daí, um indivíduo completamente livre irradia liberdade e harmonia, é fonte de inspiracão, transforma tudo que alcanca…

    bjs
    adi

  8. adriret said

    Só mais uma coisinha, é que sexta passada assisti ao filme A PRAIA com o Leonardo di Caprio, bom lá um tipo de Anarquiland, fora do sistema, só funcionava tudo muito bem enquanto não havia nenhum problema, foi só surgir “um problema” que a coisa toda desarranjou, … o sistema tomou conta…. porque ainda estava imbuido na mente…

    Não se é livre, verdadeiramente livre se não na alma, no espírito, em todo o ser…. e então quando o for verdadeiramente, vai perceber que tudo o mais é como deveria ser, que sempre foi livre, que a prisão só está na mente, e a que cada um tem seu tempo de despertar, muito embora a harmonia comquistada possa abranger aqueles muitos ou poucos que já estão no ponto… é isso, tudo não passa de um sonho, um grande sonho…

    bjs
    adi

  9. Kingmob said

    >Não se é livre, verdadeiramente livre se não na alma, no espírito, em todo o ser

    ah. a simplicidade de ser. somente ser. sem pedir, sem agradecer. sem querer mais. ser. presença anônima. o gosto. de ser. ser somente. somente ser. sem saber sem impor. só ser. solitude sem solidão. vácuo sem começo. nem fim. ser. ser tão somente ser. não se sabe o quê. mas ser.

  10. Sem said

    Fy,

    Belo texto do Marcus Quintaes e querida Emília! Todo esse pessoal da Rubedo não é fácil, no melhor sentido, gosto da perspectiva de todos por ali. E os comentários de vcs estão proféticos, poéticos, filosóficos…

    Mas desculpem invadir esse espaço de debate quase sagrado pra fazer um pedido de socorro. Deu pra perceber que não consegui postar, né? Eu na verdade consegui fazer tudo, até publicar o meu trabalho no blog que criei a partir do convite do Lamed. Mas, ao que entendi, não existe uma ligação dele (o blog que criei) aqui com o Anoitan. E eu não sei se eu deveria ter respondido ao Lamed, informando o meu novo nome e email pra ele autorizar os meus dados e fazer vínculo com aqui, ou se existe algum lugar que eu não descobri ainda para fazer esse vínculo. Preciso de uma luz. Kingmob pode me ajudar? ou alguém sabe o que está acontecendo? (se precisar, as informações são essas: o nome é Sem100 e o email registrado é jucana.correa [arroba] itelefonica.com.br)

  11. Sem said

    Opa! Apareceu uma carinha, já é um progresso. 🙂

  12. fynealhns said

    Adi e Mob,

    Concordo com os dois e discordo tb.
    Concordo pq esta Liberdade interior, pessoal e íntima é uma mto grande e essencial conquista, sim.

    Mas, … faustiando… e ondulando naquilo q me impressionou neste ensaio sobre a Emilia e o MLobato, como bem colocou a Adi, é justamente uma busca pela Anarquia Interior, uma possibilidade de Liberdade mais abraangente, mais invasiva , que possa, enfim extrapolar o q entendemos como espiritual ou interior ou alma ou espírito.

    Uma liberdade que possa fecundar de vida o corpo inteiro, o “tudo” que me faz. Ou algum tipo de estado que conceda um freeway para a alma, pra q ela possa invadir o corpo ou pra q o corpo possa invadir a alma.

    Esta possibilidade de buscar a Liberdade cada vez mais introspectivamente, esta busca pelo “estado: paraísoperdido” talvez esteja se tornando uma espécie de doutrina ou desencanto, ou doutrina do desencanto…. ou uma atitude cômoda de defesa quase como um “Regime” da Felicidade Possível” [?] – e, novamente caímos em um idealismo “nirvanesco” meio que alienado não só do mundo real como do nós-mesmos:

    E nasci vazia…
    Nasci , fui enchida de macela e “fiquei no mundo feito uma boba, de olhos parados como qualquer boneca”. Feia…

    Feia pq : isto não é um “meio-que-existo?”

    – Outro dia dei uma lida num resumo super interessante, e.. em seguida meu amigo filósofo – q corre todos os dias comigo – me trouxe este trecho da Emília q acabou se costurando no ensaio do SDM – A mim, pareceu um alerta;
    Lá vai um pouquinho do q me fez pensar:

    Como penetrar todas as esferas da existência, desde os gens, o corpo, a afetividade, o psiquismo, até a inteligência, a imaginação, a criatividade, sem colonizá-las?

    Como anarquisar as expressões do mim-mesmo a ponto de não ilhá-las umas das outras e não submetê-las aos respectivos espaços, às respectivas fronteiras? A vida passa, o tempo sem dúvida se faz sentir. Como senti-lo, antes q ele passe? Será q este regime de proteção q acabamos criando em torno de nossa liberdade, incluindo a de expressão, não é meio que restritivo? – politicamente correto… mas correto pra quem? Pra mim, pra vc, pra alma ou p/ corpo?

    Entregar a vida ao destino… > não é similar ao fatalismo islâmico tipo: o “muslim” é aquele que se submete sem reserva à vontade divina. Aiaiai, whereismylife????

    Isto não é letargia, lassidão, “esgotamento do poder”? O q fazer com esta liberdade tão “virtualmente” infinita, que está aprisionada no virtual infinito ou no infinito do virtual?

    Será que o corpo agüenta esta busca – meio q repetitiva – pelo entorpecimento sensorial? – entre religiões e filosofias: isto já não é meio clichê?

    – Nietzscheando um pouquinho: Todo o sujeito Vivo é primeiramente um sujeito afetado, um corpo que “sofre” de suas afecções, de seus encontros, da alteridade que o atinge, da multidão de estímulos e excitações que lhe cabe selecionar, evitar, escolher, acolher, imaginar…..

    – Deleuzeando: um corpo [ um alguém inteiro] não cessa de ser submetido aos “encontros”: com a luz, o oxigênio, os alimentos [incluindo os da alma] os sons, as palavras : incluindo as cortantes, – um corpo é primeiramente encontro com outros corpos: o “poder” ser “afetado”. Não por tudo e nem de “qualquer”maneira;> isto equivaleria à Indiferença: daquele que se libertou da Vida e a quem nada mais abala.

    Não é?

    Bjs

  13. fynealhns said

    Sem,

    Isto parece as “minhas” confusões”.

    Eu na verdade consegui fazer tudo, até publicar o meu trabalho no blog que criei a partir do convite do Lamed. – ? –

    – Que blog é este? quero ir!

    Mas, ao que entendi, não existe uma ligação dele (o blog que criei) aqui com o Anoitan. E eu não sei se eu deveria ter respondido ao Lamed, informando o meu novo nome e email pra ele autorizar os meus dados e fazer vínculo com aqui,

    > SIM, vc tem que fazer isto,… penso eu.

    – mas, espera o Mob responder…. rsrsrs – é mais seguro!

    Bjs

  14. adi said

    Exato Sem,

    Você temque enviar esse e-mail no qual se cadastrou no wordpress e acho que o “login”, que no meu caso é esse aí “adriret”, que é o nome que uso pra acessar o wordpress.

    Aí eu não sei mais o que o Lamed fez, só sei que o Anoitan ficou aparecendo na minha conta.

    envia “urgente” essas info porque to doida pra ver seu post aqui.

    Ah! Sua carinha é muito bonita, trouxe mais “florir” aqui nesta noite que tá virando “Sol da meia Noite”.

    bjs

  15. Sem said

    Fy,

    É a véia briga ser X existir: o que vc é? o que vc faz ou o que “é” em essência? essência define a existência ou a existência precede a essência? o que veio antes: o ovo ou a galinha?

    E nós não somos as duas coisas? e precisa haver briga? se quando a gente atua, somos corpo afetante e afetado… mas quando a gente contempla, quando nos ausentamos da realidade (que os existencialistas radicais afirmam ser impossível, mas eu acho que é possível sim, embora raro) somos ser q não se explica, simplesmente “somos”, no presente, ou melhor ainda, sem tempo – todos os tempos.

    Já disse antes e vou defender outra vez: nós somos as duas coisas e a vida nos contempla ora mais com uma e ora com outra. Funciona melhor, eu acho, se for possível a dialética flutuar entre existência & essência.

    A existência é urgente, mas quando tudo dá errado, ou tudo dá certo, nem sei: “Nada do que é finito, nem mesmo o mundo inteiro, pode satisfazer a alma humana, que sente necessidade do eterno.” Kierkegaard, ou, “eu não aguento ser apenas um ser que abre portas, que puxa válvulas, eu penso recriar o homem inventando borboletas.” Manoel de Barros, e, “porque o que basta acaba onde basta, e nada do que se pareça com isso devia ser o sentido da vida.” Álvaro de Campos

    Eu acho que o campo da existência é o foco parcial da realidade, porque só podemos atuar sendo corpo, e um corpo é sempre pessoal, sua moral é pessoal, parcial, característica do seu ponto de vista. Não existe nenhuma realidade que um ser possa construir sem passar por sua realidade imediata, corpórea, concreta. Mas, o obejtivo não é se aliar ao cosmo? e como nos aliar ao cosmo sendo parciais? é preciso mergulhar na totalidade e diria mesmo, ser a totalidade (“não diga Deus está no meu coração, diga eu estou no coração de Deus” Gibran), é preciso transcender o corpo e suas necessidades, não porque são erradas, mas porque são parciais e impedem o encontro – até mesmo com a essência do outro. O campo da essência é a totalidade, é impessoal e até a moral é outra…

    Mas uma coisa é pra ser refletida do seu comentário: talvez seja errado mesmo dizer “temos” essência, porque é do campo arquetípico, falando em junguianês, seria mais correto dizer que a essência é que nos possue, tal como os arquétipos…

    ………………………..

    Fy querida, esse blog é coisa pra inglês ver, não fui eu que criei, ele se criou sozinho (arquetipicamente talvez :p)a partir dos dados que fui passando… vc tb não tem esse espaço no wordpress onde cria seus escritos para serem publicados aqui? no meu caso a função é só essa, espaço para elaborar, e o que está faltando é vínculo com aqui, acho que é só isso.

  16. Sem said

    Adi,

    Bom, eu acabei de enviar pro Lamed os dados, mas será que é só isso mesmo que falta? ó dúvida.
    Adi, o prazer de estar aqui nesse sol de meia-noite é todo meu, afaga minha existência e completa minha essência, pode crer. 🙂

  17. Elielson said

    Na simplicidade do que já é possuido devido ao fornecimento que vem de cima… vivemos.
    Eu posso muito bem inspirar a liberdade elogiando as correntes, mas algo me diz que coisas acontecem que não chegam a percepção de além da covardia.
    Neste exato momento existem porões em que a realidade é muito mais nitida do que a nossa analise ofuscada pelo que penso ser belo.
    Isso deve ter fim…
    Nem que seja eu, nem que seja meu ego, nem que seja meu modo de se corromper e me contaminar…
    Uma sensação de dever está além de tudo que eu acho, está além dos mitos, está além de mim e de tu e de nós, é simples lida com verdade.
    Essa liberdade que é sentida de acordo com o fonecimento divino de nada serve, se não serve.
    Somos mãos operantes, e essas mãos deixam claro o sentido de qualquer anedota que nos assemelhe ao dever de ser Deus, e do crime de tentar sê-lo com desconformidade a ele.
    Estamos, somos… fato.
    Aceito minha vida, me sinto livre, é lógico que minha liberdade eu tenho…
    Mas não posso inspirar os condominos.
    Eles me dão a liberdade, pois eles não sabem que não sou como eles.
    Vemos no individuo uma vasta previsão.
    Eu prevejo dinamica, e vejo dinamica.
    Só isso que minha liberdade é, dinamica que se espalha com reação.
    Minha inconsciência pode ser colocada a favor da minha consciência ou o contrário.
    Mas as duas são a mesma coisa, são Eu em um Deus que te dá a independência, são Eu em um Deus que esperará de mim o que espero dele.. vejam… ele não para de nos fornecer ar e palavras, ele não para de Ser, mesmo quando paramos de sê-lo, liberdade conquistada ou dada é a melhor dependência, e a melhor dependência é a que nos faz livre, na medida em que não obstaculiza Deus, e ela precisa de zêlo, ela precisa de nós ou não, pois se precisa é só pq eu posso pensar que ela precisa, e pra me manter e manter vivo comigo o que não me dói nessa vida, idealizo de acordo com os pontos que estão disponiveis ao não-concordar.

    Existo em mim, e em mim não posso me manter, mas o universo que me mantém, que não pensa em retribuição, me faz, e me faz através de mim, e faz com que eu tenha a chance de colocar nele algo que vindo de mim e dele, continua sendo. Se eu for só ele, sou um morto-vivo.

    Muitos se fazem deus.

    É aí que eu entro com manifestação sem sentido, para eliminar toda minha sensação de ser deus, pra não usar outras parcelas de Deus para servir um deus que é mortal, mentiroso, incerto, e cercado de deuses que produzem exemplos e anotam exemplos para melhorar sua versão do deus mentiroso, mortal e incerto…

    O ingrediente de toda a vergonha humana é a verdade, já a glória humana… é cada um poder buscar essa verdade. A vergonha feita da verdade, mostra que fingimos ser, uma menitra que acontecendo aqui, sempre custa mais verdade para outro alguém.
    Só que essa verdade usada pelo deus transforma-se em fome, frio e sede… como disse a Fy, parafraseando Gibran, que seja… Mas a briga por comida, vestes e agua, se resolvida… Quando o mal se apresentar, será eu?

    Ou será minha incapacidade de ser Deus que justifica minha condição?

    Se eu não vê-lo ou vê-lo, dar-lhe-ei um beijo ou serei beijado?… Isso é uma questão para ser resolvida, pois sabendo que é eu quem beijo, entenderei a existência. Pois o pecado não é o conhecimento, o pecado não é ser Deus, o pecado é ser deus sem Deus, e o território em que vemos a vida é um exilio ao que é transitório, e nesse exilio muitos deuses tentam rodear-se de algo que faz com que seus conhecimentos sobre a ignorância deixem desapercebidos quem se pegunta: Onde está Deus que não age sobre isso? Daí olhamos pro outro lado e encontramo-nos em Deus, mas não viramos de volta pro outro lado para perguntar novamente, onde está Deus?

    então a partir daí são deuses se resolvendo com deuses… mas no Dia em que deuses estiverem prontos para ser em Deus… vai-se o propósito, vai-se o sentido, vem o céu.

  18. fynealhns said

    Elielson,

    Eu compreendo tudo o q vc falou.
    E, acho q compreendo tb a sua maneira de compreender Deus.

    A minha, é mto diferente. Eu não creio que haja um céu e um deus que possa me julgar. Eu até acho que esta crença, que, claro, respeito, mas sem deixar de ter uma opinião sobre ela; afastou os homens “deste” paraíso aqui . E trouxe conseqüências meio [ completamente] desastrosas.

    Eu não entendo mto bem, “o que” exatamente os homens esperam deste deus – os homens daqui, os homens de lá…. não sei nem qual deles é o verdadeiro dono deste deus ou pra quem deus é deus, ou de quem” ele” gosta mais… O deus de lá é o único e tem um monte de leis – parecidas, mas não idênticas, deste dos de cá. No fundo, “deus” justifica tudo, e o que deu ou dá errado fica por conta da nossa incapacidade ou do nosso livre arbítrio: que varia de acordo com o regionalismo divino – ? –

    As referências em torno deste beijo, ao qual vc se referiu, não são claras pra mim.

    Eu entendo Deus como o Todo; a Criação enfim. Não sei, mas se isto: a Criação fosse o objeto, o “ser” ou o modelo do nosso amor, talvez não estivéssemos em maus lençóis; – não nos desrespeitássemos tanto, e nem desmerecêssemos tanto nem a nós e nem o mundo que temos pra viver.

    Qdo vc diz:

    Ou será minha incapacidade de ser Deus que justifica minha condição?

    Eu te pergunto, o que seria ser Deus, pra vc?

    Bjs

  19. Kingmob said

    Deus seria outras gônadas infinitas por descobrir no seio da própria alma

  20. adriret said

    Fy,

    Pelo que te leio, percebo que vc simpatiza com Castanheda, com a via natural iniciática (se é que se posa falar assim, porque disso não sei), o que sei um pouco sobre isso é porque li Mircea Elíade – O Xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase –

    Eu nunca li Castanheda, olha e pensando bem não li os filósofos que vocês citam por aqui também, me desculpe a ignorância, por isso fiquei curiosa e pensando qual seria a via de acesso ao divino, ou essência pelo método do qual Castanheda se utilizou.

    Como é o caminho que vocë simpatiza, você poderia escrever um post sobre isso, explicando essa outra concepcão da divindade, de como se integra essas energias, ou de como se dá a iniciacão.

    Acho que seria muito interessante e enriquecedor pra todos nós conhecer outras formas de expansão da consciência.

    bjs
    adi

  21. Elielson said

    A palavra Jeová é coerente, causa do que vem a ser.

    Mais facil do que falar o que é Deus, é dizer o que não é Deus, é um determinismo não-correspondente ao todo, a ilusão de ser causa única, e unir outras causas em uma causa individual.
    E outras vontades que se dispõe a concorrer com o equilibrio agrupando vontades sobre apenas um homem, que sejam 666 vontades ou mais… que seja… tudo isso pra extrair prazer para um individuo que viverá por no maximo 120.. 130 anos.

    Esta não é a natureza, e se não procedemos de acordo com ela, criamos a ilusão de que não a somos.

    E isso cria o destino de uma raça.

    Talvez a possibilidade de redenção parta da mesma impossibilidade que cria a anomalia em calculos da tentativa de reconstituição hipócrita, que põe e homem como medidor da natureza, e não a natureza como medidora do homem.

    Deus é, e será com ou sem a raça humana presente. O que vejo aqui na terra não é tanto meu desejo de evitar a extinção, e sim deixa-lá acontecer sem a escravização,( se… ela acontecer) mantendo vivas as brechas na inevitabilidade, pelo menos procedendo de modo a considerar a dadiva de existir, e não viver a negação do todo, ou simples aceitação dos porões em que torturam crianças.

    Quanto ao beijo, é uma hipotese de encontrar viva toda a minha exteriorização, em um corpo que se opõs as minhas condenações…

    Metaforizo o beijo como o reinicio de uma nova confusão, só não sabendo se seria eu quem expurgaria o mal beijando-o, na tentação de curá-lo, pensando ter o poder de apagar tudo que evita o esplendor do bem comum. Ou se ele me destruiria com seu poder de fazer o mal, beijando me para que eu adoeça e torne a misturar-me com o prazer dominador.

    Mas se entre os corpos, a atração estabiliza-se…
    Minha convicção na virtude, faria-me resistente o suficiente a essa atração?

    Se não fosse? Seria eu a causa de todo o mal?
    Compaixão pelo mal, me condenaria?

    Coisas que só na pratica mesmo serão evidenciadas.
    Uma meta pessoal, uma viagem pessoal…

    Porém ciente de que muito do que se ensina é pra disfarçar a ignorância, como oscar wilde sugeriu.

    E não pensem que eu sou um santo, mas não quero por uma segunda vez abandonar algumas pessoas, pelo menos não enquanto não puder dá-las a base para as carências comuns entre eu e elas, pois minha lógica que corre o risco de ser componente da minha hipocrisia sabe que isto seria uma negligência muito maior.

    Ser Deus seria conter o que me contem, no ambiente em que todos contem o que te contem. Em que todos vissem que um é um, e devem somarem-se dois e vazar somente para tornar o terceiro, um tbm.

    Se não houver um céu para consciências novas, o que haverá?

  22. fynealhns said

    Elielson,

    Vc faz um looooping na minha cabeça, … eu desço em parafuso aterriso num milkshake de Nietzsch com Salomão. ouvindo um canto gregoriano com a letra de Babylon. Rsrsrsrsr

    Eu vou ler com calma, e te respondo depois; vou tomar injeção que eu to com griiiiipe. Decerto a mexicana; pq suína, …me recuso. Que gripe!

    Bjs

  23. fynealhns said

    Adi querida,

    Depois desta injeção, com calma, falo sobre Castañeda, e xamanismo ou iniciação. Mto embora não haja “iniciação” na forma como entendo Deus.

    Copiei este trechinho, com pressa, mas é exatamente, embora possa ser dito de várias formas, a minha maneira de entender o que é Deus.

    Tudo é Deus…
    Ditscheiner

    Deus Tudo Que Existe… Deus Natural… Deus Energia (Fluido) Universal.
    Vós sois deuses, Deuses. O mais Natural disse isso. Continua dizendo.
    Deus Energia, Tudo Que Existe. Energia Cósmica, Criação em constante movimento e transformação interligada, interagindo.

    Neste sentido : Sentido, Todos são Filhos, Todos são Pais, Todos são Mães, assim como Deus que o homem separou É Tudo Que Existe, Você é o Pai, Você é a Mãe, Você é o Filho, Você é o Irmão, Você é teu Semelhante… Tudo Que Existe, o TODO.

    Você é o Um do Todo individualizado, não o único e jamais separado. É impossível ser o único para levar vantagem, porque tudo que você faz seu semelhante experienciar, você experiencia. Você é o efeito de suas próprias causas, sejam elas quais forem.

    Quando você conversa com alguém, você está conversando com Deus, assim como quando conversa consigo próprio, é com Deus que está conversando. Quando você ama alguém, é a Deus que está amando; quando vê seu semelhante, é a Deus que está vendo. Quando agride seu semelhante, é a Deus que agride. Quando nega a si próprio, é a Deus que está negando; quando trai a si próprio, é a Deus que está traindo. Quando faz tudo isso e muito mais a seu próximo, é a Deus que está fazendo.

    Quando você sente o perfume e vê a forma de uma flor, é o perfume de Deus que você sente; é uma das infinitas formas de Deus que você vê.

    Então, quando você diz a esta flor, nas infinitas gradações de Deus, nas infinitas gradações do Buda Iluminação, no Retorno aos braços do Pai:

    Querida minha, haverá o momento que conversaremos…
    Com intensa ternura e carinho, você diz na linguagem deste mundo, que “não vê a hora” de conversar com ela.

    Seus micro universos/energia/físicos, mente corpo/alma energia, são poderosos emissores de energia/pensamento. Sempre foi assim. Você existe em todas as células deste micro universo atômico de trilhões de células.

    Bjs

  24. adriret said

    Fy,

    Que linda concepcão da Divindade, e é dessa forma que também compreendo, sinto, e procuro me unir a essa energia ou força.

    O caminho que gosto e sigo mescla um pouco de tudo, desde Budismo que adoro, Yoga, Alquimia no sentido das transformações, e até Xamanismo, verdade acredite, é meio assim, o arquétipo que se ” achega ” tô aceitando 😀 😀 :D, por isso me apaixonei por Jung e sua psicologia, porque vêm explicar direitinho pra uma pessoa como eu que sou mais introspectiva, intuitiva e mental e que de certa forma conhece e percebe a vida via “entendimento”… sabe mesmo que o processo se dê no corpo, se a mente não assimila, não digere, não compreende, a experiência fica pela metade. Jung me trouxe clareza e confirmou o meu caminhar.

    Mas eu aprecio muito conhecer outros caminhos, que de certa forma sempre acrescenta, sempre quando leio penso: ah!! é isso mesmo, os caminhos em essência são muito parecidos.

    Olha Fy! Obrigado pelo tempo despendido apesar do seu forte resfriado. Quando você tiver tempo de sobra, e com vontade de escrever, está aí uma sugestão.

    Tome um bom chá quente com mel, um bom repouso, e melhora rápido tá querida.

    beijão
    adi

  25. fynealhns said

    Adi,

    Tb sou apaixonada por Jung.
    Aliás eu tenho uma reportagem incrível sobre a infância, e uma série de experiências com o “oculto” que, com certeza, provocaram esta intensa curiosidade com q ele vasculhou a psique humana. Uma hora vou postar, é mto interessante.

    Uma das frases de Jung que sempre me acompanhou em qualquer busca:

    “Não posso lhe dizer como é um homem que goza de uma
    completa auto-realização, NUNCA VI
    NENHUM…
    …Antes de buscar a perfeição, devemos
    viver o HOMEM COMUM, sem mutilação”

    Mas vc vai se apaixonar muito, Adi, pelos livros do Catañeda, não perca.

    Um pouquinho de uma das figuras mais fascinantes que já conheci: Don Juan Matus : Índio Yaqui de Sonora, mestre de Carlos Castañeda.

    Ele [ Don Juan] disse que tudo o que eu fizesse tinha de ser um ato de feitiçaria. Um ato livre de expectativas invasivas, medos de falhar, esperanças de sucesso. Livre do culto do eu; tudo o que fizesse tinha de ser de pronto, um trabalho de mágica onde eu livremente …me abria para os impulsos do infinito. O Lado Ativo do Infinito

    “A busca da liberdade é a única força que eu conheço. Liberdade de voar até aquele infinito lá fora. Liberdade para se dissolver; para decolar; para ser como a chama de uma vela que, mesmo diante da luz de um bilhão de estrelas, permanece intacta, porque jamais pretendeu ser mais do que é: uma simples vela.”
    A Arte do Sonhar

    “A autoconfiança do guerreiro não é a mesma que a do homem comum. Este busca a certeza aos olhos do espectador e chama a isso autoconfiança. O guerreiro busca a impecabilidade a seus próprios olhos e chama a isso humildade.”
    A Roda do Tempo

    “A diferença básica entre o homem comum e um guerreiro é que um guerreiro aceita tudo como um desafio, enquanto um homem comum aceita tudo como uma benção ou uma praga.”
    A Roda do Tempo

    Bjs

  26. fynealhns said

    Adi,

    “Nem” procure mais:: tenha a certeza: Vc é e está unida a tudo isto. Todos estamos. Connected!

    Bjs

  27. fynealhns said

    Elielson,

    Esta não é a natureza, e se não procedemos de acordo com ela, criamos a ilusão de que não a somos.
    E isso cria o destino de uma raça.

    That’s it !

    Bjs

  28. adi said

    É verdade Fy, todos já estamos mais que ligados, na verdade nunca estivemos separados de nada…. então que eu perceba, veja e sinta dessa forma o tempo todo, não somente nas epfânias passageiras.

    Olha, ontem fui procurar na net sobre Castanheda e encontrei 2 livros “A erva do diabo”, e outro acho que alguma coisa sobre a realidade, esses 2 livros podem ser abertos os arquivos e lidos grátis, já comecei A ERVA DO DIABO, sim estou gostando bastante, foi difícil parar de ler, mas já era bemmm tarde, e hoje tinha que acordar cedo…

    Sincronicidades da vida…

    bjs
    adi

  29. fynealhns said

    Adi,

    Neste site tem quase todos, é só vc clikar no botãozinho: NEXT.

    http://www.esnips.com/doc/8d4ff3c0-888b-4650-9137-d88e61359416/Carlos-Castaneda—A-Arte-do-Sonhar-rev-doc/nsprev

    – Elielson,

    Caso vc não tenha lido nenhum, vale a pena. Eu acho q vc vai gostar.

    O 1° é a Erva do Diabo, sim; e neste q eu indiquei não achei. Tem q ser no da Adi.

    Bjs

  30. adriret said

    Aqui está:

    http://www.scribd.com/doc/3315535/Carlos-Castaneda-A-Erva-do-Diabo

    Valeu Fy pelo site.

    bjs
    adi

  31. Sem said

    Perfeição, Fy, eu li um livro que fez a minha cabeça na minha adolescência: Fernão Capelo Gaivota, do Richard Bach.
    Fernão é uma gaivota que encarna o espírito, o que nunca está satisfeito e busca sempre algo mais, que nem ele sabe direito o que é… no começo ele pensa que é voar, depois ele vai descobrindo outras coisas, outras metas a serem vencidas… mas claro que a realidade é peixe e mar para todos, inclusive para Fernão. No entanto, ele consegue por sua determinação de aprender a planar acima das tempestades e do alto mergulhar mais fundo em direção ao peixe mais saboroso, ele arrisca sua vida e seu aprender é muito solitário, e nada do que ele aprendeu conseguiu passar para o bando, que continua se encharcando na chuva miuda e passando fome nas épocas em que os peixes de superfície escasseiam. O bando acaba por fim banindo Fernão por considerá-lo um louco perigoso. Como isso é real, não é? acontece todos os dias, principalmente quando a gente fecha os olhos e diz que a realidade que ainda não existe é pura ilusão, que viver dela é sonho, que não enche barriga e tal…

    Mas voltando pro mundo real, enquanto a gente ainda precisa de corpo: melhoras pra sua gripe, vitamina C e cama. 🙂

  32. fynealhns said

    Sem,

    Este é um livro inesquecível.
    Eu ainda choro qdo leio.

    … é como disse Goethe:

    Os raros, que algo disso [da verdade] entreluziram,
    e que, em vez de o esconder a sete chaves,
    foram à doida assoalhar no vulgo …

    – Foram sempre banidos.-

    – acontece todos os dias, principalmente quando a gente fecha os olhos e diz que a realidade que ainda não existe é pura ilusão:

    http://www.chroniclebooks.com/index.php?main_page=pubs_info&info_uid=wave_video&store=books

    – Vou ver se eu acho uma versão indígena, linda, do Fernão Capelo Gaivota, com certeza: um irmão, e coloco aqui pra vcs.

    Bjs

  33. fynealhns said

    Sem,

    Não é que eu queria, mas esta tb é linda:

    http://www.salves.com.br/xalendwinwarrior.htm

    Bjs

  34. fynealhns said

    Corrigindo:

    – Não é “a” que eu queria.

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