Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

RIO ABAJO RIO

Posted by Fy em abril 10, 2009

Rio Abajo Rio…

A sound half-forgotten
But still here inside me

La Loba looks to the ground. Her milky eyes see the life that still remains deep within the marrow of remains still lost in the earth.

She sits quiet, for her voice only wakens in harmony with the Cycles of Life, knowing when to let the bones lie, and when to dig down.

It is in the digging that the song begins to form. It is in the dirt under her long fingernails. Digging. Birthing the notes.

The long process of bringing the music back into the bones.

A idéia de postar La Loba, aconteceu a partir desta poesia de autoria da Sem e deste comentário do Mob:

Fy,

– gostei do cantrip:

Sábia mãe, morte amiga
Me ajuda a encarar
Sem cegar meu olhar
Olharpara a vida. [Sem]

Vc usa nas suas feitiçarias?

E foi muito bom lembrar o quanto somos feiticeiros e feiticeiras; nem que tenhamos que visitar novamente Rio, Abajo Rio, este mundo subterrâneo, talvez adormecido em nós, mulheres que somos; o lar da Mulher dos Ossos, e que contém conhecimentos diretos a respeito de mudas de plantas, rizomas e a semente da origem do mundo.

La Loba faz um paralelo com os mitos universais nos quais os mortos são ressuscitados.

Na mitologia egípicia, Ísis cumpre essa tarefa para seu irmão morto, Osíris, que é esquartejado pelo irmão mau, Set, todas as noites. Isis trabalha desde o anoitecer até o amanhecer todas as noites para restaurar o corpo de seu irmão antes da manhã, se não o sol não nascerá. O Cristo levantou Lázaro que estava morto há tempo, Deméter chama sua pálida filha Perséfone de volta da terra dos mortos uma vez por ano.

La Loba: canta sobre os ossos.

Na historia de La Loba, a velha no deserto é uma recolhedora de ossos.

Na simbologia arquetípica, os ossos representam uma força indestrutível. Eles não se prestam a uma fácil “redução”. Por sua estrutura, é difícel queimá-los e praticamente impossível pulverizá-los.

Nos mitos e nas histórias, eles representam a alma/espírito indestrutível.

Pode-se amassar a alma e dobrá-la. Pode-se feri-la e marcá-la com cicatrizes. Podem-se deixar nela os sinais de doença e as queimaduras do medo. Mas ela não morre, pois está protegida por LA LOBA no mundo subterrâneo. Ela é tanto quem descobre quanto quem incuba.

Sabemos que a alma/espírito pode ser ferida, – até mesmo mutilada – mas é quase impossível eliminá-la.

Esta é a nossa técnica de meditação enquanto mulheres, a evocação de aspectos mortos e desagregados da própria vida. Aquele que recria a partir do que está morto é sempre um Arquétipo de Duas Faces. A Mãe Criadora é sempre também a Mãe Morte, e vice-versa; tão bem invocado pela Sem:

Sábia mãe, morte amiga

Me ajuda a encarar

Sem cegar meu olhar

Olhar para a vida.

Em virtude desta natureza dual, ou desta duplicidade de função, a grande tarefa diante de nós consiste em aprender à nossa volta e em dentro de nós o que deve viver e o que deve morrer.

Nossa tarefa consiste em captar a situação temporal de cada um: permitir a morte àquilo que deve morrer, e a vida ao que deve viver.

No México, diz-se que as mulheres têm a Luz de la Vida. Esta luz está localizada, não no coração da mulher, não atrás dos seus olhos, mas en los ovários, onde todas as sementes estão armazenadas antes mesmo que ela nasça. Para los hombres que explorarem as idéias profundas da Fertilidade e da Natureza da Semente, a imagem que se aplica é a do saco escrotal.

É esse o conhecimento adquirido quando nos aproximamos da Mulher Selvagem. Quando La Loba canta, ela está cantando à partir do saber contido nos ovários, um conhecimento que vem das profundezas do corpo, do fundo da mente, do fundo da alma.

Os símbolos da semente e dos ossos são muito semelhantes. Se tivermos o rizoma, a base, a parte original, se tivermos o trigo para semear, qualquer dano poderá ser reparado, qualquer devastação poderá ser corrigida com outra semeadura, os campos podem ficar em pousio, as sementes podem ser postas de molho para que amaciem, para ajudá-las a abrir e brotar.

Dispor da semente significa dançar com a vida, dançar com a morte, dançar de volta à vida.

A Natureza da Mulher Selvagem nas mulheres é a da mãe da vida e da morte em sua forma mais antiga. Como gira nesses ciclos constantes, eu a chamo de vida-morte-vida.

Se algo é perdido é a ela que devemos recorrer, com quem devemos falar, a quem devemos prestar atenção. Seus conselhos psíquicos são às vezes ásperos ou difíceis de pôr em prática, mas sempre têm capacidade de transformar e de restaurar.

Portanto quando algo está perdido, precisamos procurar a Velha que sempre vive na pelve esquecida. Ela vive ali, meio dentro e meio fora do fogo criador. É um lugar perfeito para a mulher morar, bem ao lado dos huevos férteis, seus óvulos, suas sementes femininas. Alí tanto as idéias minúsculas quanto as mais importantes estão esperando que nossa mente e nossos atos as manifestem.

Essa velha, La Loba, é a quintessência da mulher de dois milhões de anos. Ela é a Mulher Selvagem original que vive debaixo da terra e, no entanto, sobre o seu solo. Ela vive dentro de nós e nos transcende; nós somos cercadas por ela.

Clarissa Pinkola Estés

– Muito se fala sobre a pratica da magia, mas, sobretudo, do ritual e de seus efeitos. Mas se fala muito pouco sobre “o que é magia de fato” e, de como ela funciona na nossa psique.- Adi em – Magia e Imaginação Ativa –

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59 Respostas to “RIO ABAJO RIO”

  1. Bob said

    Os mistérios do feminino…

    Na astrologia, aquele que considero o signo mais feminino de todos é ESCORPIÃO (com seu planeta governante- Plutão) – Animal, frio, úmido; Feminino, negativo, introvertido, Yin…do elemento água. Está ligado a morte, a sexualidade, as metamorfoses e as crises, as heranças (bens recebidos ou restituídos), o dinheiro enquanto objeto especulativo e mesmo, segundo a tradição, o plano extraterrestre, o astral…

    “Para a natureza, o Sol desce ao seu túmulo: novembro é o mês onde as marmotas se enterram em seus sonhos, o mês dos pesadelos outonais e dos crisântemos. Outrora, no dia de Todos os Santos, as portas se abriam entre o mundo dos mortos e dos vivos. A melancolia das coisas findas esconde os germes que borbulham nas profundezas; é o dobre da vegetação: dessecadas com os cadáveres na ponta dos galhos, as folhas rodopiam no vento e na chuva, espalham-se no solo para se decompor e dar o húmus que será o lêvedo da nova vegetação. Escorpião é o cemitério do zodíaco: as formas exteriores desaparecem, os valores objetivos são destruídos em favor de um processo de fermentação, de putrefação, de desagregação. Mas como a fênix que renasce de suas cinzas, como uma aguardente extraída da putrefação, ele remobiliza a energia e prepara um renascimento da vida interior e dos valores subjetivos.

    E quando, por acaso, designamos o bestiário do oitavo signo, a ele atribuímos o lagarto de rastro ondulante, inimigo do bom caminho, como o réptil que serpenteia, arrasta-se e sibila, tão inquietante e temível, tão assassino quanto o escorpião. É todo o bestiário infernal que se ergue diante de nós! Mas, por mais verdadeiras que sejam essas representações simbólicas elas não devem fazer-nos esquecer que há males que vêm para bem e que, frente a esse tenebroso bestiário, o escorpião edifica o poder celeste da águia.

    De fato, esse signo zodiacal só se compreende numa dialética que instaure uma formidável ambivalência em torno da vida e da morte. E se, a princípio, a ênfase é dada aos valores ‘negativos’ – o sofrimento, o mal, o drama, a ferida, o abismo, o absurdo, o nada, a morte… – convém atribuir-lhe também todos os valores de renascimento. O dissoluto e desintegrante Escorpião leva à decrepitude que espreita tudo que tem vida e opera a transmutação alquímica dos valores materiais em valores espirituais.

    Nas correspondências do “homem zodiacal”, vemos Escorpião – que tem um valor de ‘latrina’ – relacionado com as partes ocultas do homem, em particular com o ânus e o sexo: é em torno dessa associação fundamental que, dentro da ótica psicanalítica, se constrói a ambivalência da ‘destruição e criação’, da morte e do renascimento, da condenação e da redenção. Possessão no signo de Touro (seu oposto), despojamento em Escorpião; o produto vivo devorado é restituído à sua saída como um produto morto, reconduzido ao caos da matéria bruta.

    (…) Mas isso seria unicamente trair o seu significado ao invés de apresentar a forma inferior e negativa sem acrescentar que ela é suscetível das mais nobres sublimações. Mas de onde vem o nome ‘sacrum’ que introduz uma noção de espiritualidade nessa parte da anatomia que dela parece estar tão distanciada?

    Plutão representa as profundezas e as trevas de nossa noite original, essa região invernal do ser humano. Ao lado de Prosérpina, Plutão governa o inferno e conserva as riquezas ocultas. Quando, evocando os traços do passado ancestral no labirinto da psique, Jung declara que nós arrastamos a cauda de um sáurio, ele adivinha a gama de energias plutonianas que habitam em nós; da mesma forma, quando nos impele a encontrar nosso dragão, ele nos convida a desenvolver a consciência do invisível e a assegurar a possessão de nossos tesouros escondidos (Hades é também o receptador das riquezas ocultas), tentando conciliar-nos com as energias desse mundo interior. Se essas energias plutonianas estão a nossa disposição, alinhadas pelo eu sobre as verdades mais profundas do ser, elas tornam-se uma vontade de poder oculta que, em geral, tem a última palavra nos assuntos humanos. Se, por outro lado, elas traem uma vontade consciente que desconhece as necessidades vitais mais essenciais, começam então as fermentações interiores anunciadoras das grandes tormentas: é a dança sobre o vulcão. Pelas catástrofes que fazem tremer o chão; Plutão abre o abismo pronto a precipitar o homem: é ‘a estação no inferno’…

    É, portanto, em Escorpião, a antecâmara da criação, por assim dizer, que se combinam o pensamento criador e o desejo de expressão. E encontramos ainda nesse signo um duplo caráter de transição entre o espiritual e o material.”

    (Com base no livro de André Barbault – O Grande Livro do Horóscopo)

  2. fynealhns said

    Bob

    Estou aqui no meio de uma porção de coelhinhos procurando chocolates pela casa inteira.
    Mas achei incrível teu coment , Bob; e já já eu volto.

    Mob,

    Eu diria que o corpo com ossos é uma viagem mais segura, =) BEM mais segura…. o canto da musa é também o canto incorpóreo da sereia, então já viu.

    Kkkkkkkkk:….então… já viu!
    Bjs

  3. Sem said

    Isso aqui vai virar o samba do crioulo doido agora. Segue a continuação do texto que comecei ontem no tópico do Mob: Não sou mais um cachorro, querida.

    ……………………..
    Este nome hindu é por demais interessante (Rei Soma), porque a mesma palavra, ‘soma’, em grego significa “corpo”, e dela são derivados muitos termos científicos modernos que se referem ao corpo. O Rei Soma, ou ‘Lunus’, é, de fato, o regente de todas as atividades relacionadas com a geração, manutenção e reprodução do corpo e de todos aqueles elementos da psique que estão orientados no sentido das necessidades da vida exterior. ‘Ele é a força masculina no homem e a força feminina na mulher.’ Ele domina sobre o aspecto exteriorizado da força vital. E, na astrologia, ele é a Lua ‘fora de órbita da Terra’, a Lua na fase cheia, do quarto crescente até o quarto minguante, portanto, da Lua puxada pela atração de Marte, Júpiter e Saturno – os planetas “masculinos” de uma astrologia criada por uma civilização, na qual os homens têm controle sobre todas as atividades humanas exteriores.

    O outro aspecto da Lua é ‘Luna’, a força por trás das manifestações interiorizadas pela força vital – a ‘anima’ dos homens e o ‘animus’ das mulheres – portanto, o fator contra-sexual. Este fator leva à reprodução, na vida interior, de todos os símbolos e imagens ‘anima-animus’ que Jung estudou e interpretou detalhadamente e que estão classificados sob o nome geral de “imagem da alma”. Esta imagem da alma, nos homens, é essencialmente dotada de atributos femininos (assim a Grande Mãe, a Musa, a Mulher Redentora, Beatriz – e também todas as suas polarizações tenebrosas: a Mulher-Aranha, a “Femme Fatale”, a Tentadora, etc.). Nas mulheres, ela tem características masculinas, positivas ou negativas. Refere-se simbolicamente à Lua ‘dentro’ da órbita da Terra – isto é, à fase nova da Lua, do quarto minguante ao quarto crescente.

    Por causa dessa polarização ‘Lunus-Luna’, segue-se que, para aumentar o fluxo de energia vital dirigida para dentro, a corrente dirigida para fora (representada principalmente pelo sexo, pela subserviência aos padrões sociais e centralização do ego – portanto, por Marte, Júpiter e Saturno) tem de ser restringida ou represada. Este é o propósito básico de muitas práticas ocultas e religiosas que envolvem isolamento, ascetismo e auto-sujeição, da ioga hindu ao regime monástico cristão. A vida-alma então é vista como um oposto polar da vida-sexo e da vida-social-profissional centralizada no ego (ou dominada pela ‘persona’). Considera-se, também, que ela se desenvolve em oposição à vida racional do intelecto, pois, enquanto esta última opera num reino de formas lógicas, regido por Saturno, a vida-alma tem suas raízes nas funções irracionais da ‘anima-animus’ e, mais tarde, nas atividades do inconsciente coletivo representado por Urano, Netuno e Plutão.

    Todavia, a concepção de Jung do desenvolvimento da personalidade é uma concepção na qual nenhuma função deve ser reprimida em detrimento de outra. A técnica de “individuação” – a conquista da plenitude da personalidade através de um desenvolvimento perfeito (global) das suas muitas funções – implica uma “interpenetração recíproca” de todos os opostos psíquicos, especialmente do consciente e inconsciente. Em astrologia, isto significa que todos os fatores planetários existentes num mapa de nascimento têm de ser desenvolvidos e que o mapa deve ser compreendido como um todo orgânico e também com um símbolo da totalidade da personalidade humana. O desenvolvimento total dessa personalidade poderá ocorrer através de interações relativamente suaves ou tensões agudas entre as várias funções; mas não há qualquer sentido em chamar de “bom” o primeiro tipo de relacionamento (isto é, aspectos planetários) e de “mau” o último, ou até mesmo de “afortunado” e “desafortunado”.

    O mapa do nascimento nos dá uma extraordinária penetração no equilíbrio funcional dentro do qual uma personalidade opera. Aquilo que ele apresenta, todavia, é somente um quadro abstrato de relações complexas, uma fórmula ou planta. Não obstante, a posse de tal ‘modelo objetivo’ permite que possamos trazer os métodos psicoterapêuticos para o reino daquilo que Jung chama de “psique objetiva”. Ele reduz a infinita complexidade das atividades fisiopsicológicas a umas poucas ‘funções’ básicas (os “planetas”, inclusive o Sol e a Lua, e fatores secundários), a uns poucos ipos característicos de operação orgânica (os Signos do Zodíaco) e a umas poucas categorias de experiências individualizadoras (as Casas).

    Todos estes dados astrológicos são ‘simbólicos’. Eles devem ser interpretados, assim como os sonhos o devem ser. É preciso dar significado a eles ‘em termos das necessidades e do nível de operação de cada pessoa’. Contudo, porque estas são estruturas humanas comuns e existentes em todos os indivíduos, porque a experiência do céu é fundamental na experiência humana e toca os próprios fundamentos da consciência humana, e porque todos os seres humanos lutam, por mais diferentes que sejam as estradas eles seguem, no sentido de um único propósito evolucionário, que é o eu central e ao mesmo tempo a Imagem de Deus em cada indivíduo, os símbolos da astrologia têm uma validade universal. Sua significação aumenta com a disposição humana de encarar a totalidade da sua natureza e de viver nos seus níveis mais profundos, tanto nos mais elevados, na sua natureza humana comum, quanto na sua individualidade, mais diferenciada e mais ímpar.

    (Dane Rudhyar – A Astrologia e a Psique Moderna: um astrólogo analisa a psicologia profunda)

  4. fynealhns said

    – Bob,

    Adorei esta analogia entre Plutão e La Loba. Se olharmos mais longe ainda, na astrologia muiiiito antiga, a figura que hoje simboliza o signo de Escorpião, era representado pela Serpente. Que é um símbolo muito profundo [ tantas vzs associado à mulher] e que nos conta muito sobre este signo.

    A Serpente troca sua pele ciclicamente; – os antigos a consideravam imortal e capaz de constante auto – renovação. Este exemplo da Serpente, de crescer além-da-pele, deixá-la cair e criar uma nova; tb acontece na vida do Escorpião. Aliás, acredito q na vida de todos nós.

    Qts vzs a vida se fragmenta em diversos capítulos, à medida que se passa de um ciclo p/ outro, como se nesta dinâmica um ciclo destruísse o anterior e dele mesmo renascesse; em um processo de reconstrução e de início?

    Na mitologia antiga a Serpente é tb o símbolo da sabedoria da própria Terra: eterna, antiga, conhecedora do segredo da vida de todas as coisas. Ela se move junto ao solo e ouve o segredo das raízes das coisas. A Grande-Mãe.

    Puxa Bob; realmente, existe a semelhança entre Escorpião e La Loba: como diz a Estés: trabalham como um relógio psíquico que conhece os padrões da “vida-morte-vida” e que avisa para sempre quando chegou a hora de deixar algo morrer e prestar atenção a um novo nascimento; ou renascimento.

    Escorpião é teu ascendente ?

    Bjssss

  5. fynealhns said

    Mob,

    Eu acho que todos os homens deveriam ler este livro. Difícel alguém se aproximar tanto da natureza feminina como a Estés conseguiu.

    “Don Juan revelou-me, com o passar do tempo, que os xamãs do México antigo conceberam colecionar os eventos memoráveis como um instrumento fidedigno para agitar os aglomerados de energia que existem em nosso interior.

    Diziam que tais aglomerados são constituídos de energia que se origina no próprio corpo e que são deslocados, são empurrados, “ficando fora de nosso alcance” pelas circunstâncias de nosso viver do dia-a-dia.

    Nesse sentido, a coleção dos “eventos memoráveis” era, para don Juan e para os xamãs de sua linhagem, um instrumento para a redistribuição de sua energia não utilizada.” Castañeda

    Isto é mto parecido com o trabalho de da Estés e suas histórias, em Mulheres que Correm com os Lôbos.

    Como pós-junguiana, seu trabalho é baseado na existência dos padrões arquetípicos de Jung , lembrando também sua compreensão de que, da mesma maneira com que o corpo armazena sua bagagem anatômica e funcional,da mesma forma que o o DNA da espécie humana carrega o repertório genético da nossa raça, desde os primeiros homens; da mesma maneira com que as plantas transmitem a informação de todo o seu ser na sua semente, a psique armazena e transmite o seu repertório de vivências e aprendizados através daquilo que ele chamou de Inconsciente Coletivo, Arquétipo e Símbolo.

    A Invocação da imagem/arquétipo de La Loba; em nós mulheres, tem toda uma conotação de ancestralidade, de instinto; de reavivar energias, como se estivéssemos despertando uma memória adormecida, mas existente;- como se voltássemos a um território que já conhecemos; uma visualização de nosso inconsciente profundo, de um conhecimento só nosso, transmitido por gerações e, cujo movimento só é possível em nossos corpos, na energia dos nossos ciclos, em nossos instintos. Não sei se tudo isto define a anima/ junguiana – eu acho que vai mais além. Mas, caso defina eu acho que tem útero, sim.

    [ Sem um mínimo de pretensão, mas sempre achei Jung meio desajeitado com a psique da mulher; enfim, com a mulher de uma forma geral. Em virtude da época, dos seus conflitos religiosos e tb, acredito q pela influência de Freud.]

    Bjs

  6. fynealhns said

    Sem,

    A única q ta dançando o samba sou eu: aiaiai > – agora q eu vi o “começo” do seu coment lá no Mob.

    Mas vamos lá:

    Inclusive, Fy, não sei se vc lembra das minhas restrições a esses livros sufocantemente femininos, visões de luas e de liliths e de Grandes Mães substituindo Jeová… Parece tão atraente e libertador a princípio, nós que vivemos em uma sociedade predominantemente dominada por valores masculinos, mas, no fundo, não difere em nada de explicações de mundos angustiantemente cortados pela lógica, tiranicamente masculinos… é só o outro lado da mesma moeda.

    – Pois é, vc me fez lembrar uma frase da Lu, qdo mencionei este livro lá em outro blog.

    Ela disse: nós, mulheres “pós” feminismo, ou qq coisa assim. E é verdade mesmo. Eu acredito que nós não tenhamos vivido esta realidade tiranicamente masculina. Tanto que qualquer exceção, ou ocorrência, ou costumes que apontem pra isto, nos choca, nos horroriza. Mas sabemos que isto foi e que em muitos lugares , religiões, etc… ; miseravelmente ainda é.

    Mas, talvez , por não ter vivenciado esta opressão, eu tenha tido outro tipo de visão sobre este livro da Estés.
    Pra mim, foi uma sucessão de descobertas, explicações, um encontro profundo com minha natureza. Não percebi nada “contra os homens”. E sim uma forma talvez mais pura, no sentido de mais natural de “me” sentir e compreender. Algo assim mais “próximo” e de verdade, do que conceitos e mais conceitos.

    Às vzs, Sem, esta forma de analisar a psique humana, like Freud/ Jung e mais um montão, me parece um pouco conceitual… às vzs forçada. Ou inspirada em algumas fórmulas que não me parecem funcionais. Parece q agente fica fazendo uma força enorme pra existir dentro delas. Eu fico imaginando em que tipologia Jung me classificaria se me analisasse no auge de uma TPM brava. Ele teria que inventar mais 14 tipos, no mínimo. Pq nem como bipolar ele conseguiria.

    Agora, em relação a este seu coment:

    Jung. Que apesar de portar qualidades atemporais em muitas de suas teorias, foi um homem do seu tempo e um dos mais dignos representantes da sociedade patriarcal que viveu. Seu conceito anima-animus não deixa de estar impregnada desta distinção, tanto que Jung acreditava que qualquer falha de identificação com o sexo que se possuía, era um processo distorcido da psique ou ainda não completamente amadurecido…

    É corretíssimo. Qq coisa depois eu coloco uma série de observações sobre isto.

    Vc ou alguém assistiu o filme de Jung em que ele se apaixona e namora [ casado mesmo] com uma paciente?
    Eu ainda vou pesquisar sobre isto. Pq no filme ele não conseguiu lidar com a situação. A impressão que se tem é q ele se espantou completamente qdo se deparou com uma personalidade “efetivamente” feminina. E a paciente, realmente era exuberante. – Se não: vale assistir. Dizem que ela se tornou uma grande psiquiatra ou psicóloga, não lembro e que foi bastante não reconhecida.

    Bjs

  7. Bob said

    Hmmm…sei não, mas isso aqui tá me parecendo o início de UNA REVOLUCIÓN FEMINISTA!! kkkkk

    Brincadeira meninas! :p

    O tema é interessantíssimo e atinge em cheio uma questão fundamental, ou seja, o re-equilíbrio do princípio feminino nas sociedades (inclusive oriental).

    >Escorpião é teu ascendente ?

    Não Fy, sou Leão ascendente em Leão, mesmo (cabra macho duas ‘veis’…kkkkk). Porém, tenho na ‘casa 1’ do meu mapa, a presença de Plutão (além do Sol, Urano, e Mercúrio tb). To tentando organizar isso tudo até hoje, mas ainda não consegui….rsrs

    Bjs

  8. Sem said

    Fy,

    Estou sem muito tempo pra te responder agora, porque há muitas coisas que eu gostaria de dizer a respeito desse assunto, mas, sendo o mais breve que posso, acho que no final tudo se resume a que todas essas interpretações de mundo – La Loba, Tipologia, Astrologia – são apenas isso: interpretações da realidade. São pontos de vista e não a “realidade” em si.

    Bom, quem somos nós pra saber da realidade, mas vale sempre a pena especular, não vale?

    Afinal eu acho muito interessante La Loba, mas não deixa de ser apenas isso, uma histórinha que se conta com a mulher como protagonista… será real? e o ponto de vista do homem? Acho até mesmo super válido, no sentido de ser um antídoto contra tantas outras histórinhas que se contam, muito mais comuns, e que tem sempre o homem como centro absoluto de tudo.

    Não acho que a Clarissa Pinkola Estés seja uma autora pós-junguiana, ao contrário, acho ela é mais pura expressão da corrente “clássica” junguiana. Aquela que a todo momento “constela” o arquétipo da Grande Mãe e anda de mãos dadas com o – desculpe se o termo é forte – mas anda de mãos dadas com o machismo mais puro, simplesmente por ser o seu avesso.

    Eu queria mesmo histórias que ficassem no meio, que contemplassem o humano, além sexo, será que isso é possível? Ou estamos irremediavelmente presos ao ponto de vista homem X mulher na história da humanidade?

    Do texto que eu trouxe de astrologia, o que eu achei irônico, interessante, foi existir um ‘Lunus’… O livro nem é muito bom afinal, mas isso sim achei super bacana, não pra ser tomado na acepção literal, mas, não é interessante que o homem tenha também o direito de ter a sua parte de fantasia na lua? Como seria interessante se a mulher tivesse a sua parte no Sol…

    Pra prosseguir fundo nesse questão, eu teria de retomar aquela velha briga (filosófica) entre existência e essência. Entre ter e ser… não vai dar agora, mas…

    Sabe aquilo que eu falei no outro tópico das poesias, “Acabou o leite”, a respeito de sermos palco para os deuses e não acreditarmos no papel que encenamos? É sobre não se ligar a um papel fixo também… São as máscaras da tragédia (ou comédia) da vida que representamos e a poesia do Gibran que vc trouxe para complementar a poesia do Mob foi tudo, linda e que eu não conhecia: nós devemos mesmo é bendizer, não as máscaras, mas quem rouba nossas máscaras e deixa que o Sol beije nossas faces.

    Nesse sentido poesia é a coisa mais honesta que tem; ninguém espera que uma poesia descreva a realidade, mas sendo ela a ficção mais pura e não querendo ser outra coisa, acaba sendo mais real que a prosa que promete ser o espelho fiel da realidade, mas distorce a realidade justamente quando promete ser a própria…

    Vamos só fazer poesia e viver? 🙂

    >Vc ou alguém assistiu o filme de Jung em que ele se apaixona e namora [ casado mesmo] com uma paciente?

    Não assisti, mas sei do que se trata: Sabina Spielrein. Teve um final muito trágico, ela e os filhos parece que morreram fuzilados na 2ª guerra mundial, por serem judeus – ela era uma russa judia. Sabina foi a princípio paciente e amante de Jung, depois analisada de Freud, até se tornar – olha a ironia – uma analista freudiana. Como era comum os analisados de Freud, os interessados pela teoria psicanalítica e que recebessem “alta”, se tornarem depois eles próprios analistas. Mas a real contribuição que Sabina deixou para a psicologia foram indiretas, através de Freud e Jung, que acabaram por fazer referência a seu nome em suas próprias obras e darem créditos a ela por ideias referentes a ‘anima’ e pulsão de morte e ‘tanatus’… Sabina sofria de depressões constantes.
    Eu li a correspondência de Freud: cartas de Emma (mulher do Jung), de Sabina e do próprio Jung… por isso ou não, não sei, tenho um ponto de vista quase do freud, crítico de Jung, depois eu conto melhor essa história, que pode ser encarado como um verdadeiro dramalhão mexicano…

  9. fynealhns said

    Sem,
    Eu queria mesmo histórias que ficassem no meio, que contemplassem o humano, além sexo, será que isso é possível? Ou estamos irremediavelmente presos ao ponto de vista homem X mulher na história da humanidade?

    Pois é, Sem: eu acredito que sua pergunta tem total nexo feita aqui, pra nós, tanto homens qto mulheres. Butonlyhere: Just here: – nesta realidade verdadeira, aí de fora, nós mulheres ainda nos deparamos com resquícios de machismo; isto nós; – imagine no oriente, ou no “interior” do nosso Br, mesmo; ou entre os católicos, judeus e muçulmanos que conservam seus costumes antimulher onde quer q estejam. Eu mesma, diante do q escolhi como profissão, me deparo sim, às vzs, com este preconceito pelo mundo afora. Até pela idade, sendo mulher, tenho dificuldades em me impor.[ deve ser por isto q eu escrevo do jeito q vc falou…rsrsrsrs ]

    – Mas vamos entender um pouco melhor esta idéia de Feminismo; que numa versão atual, “pós” movimento, mais me parece uma luta para se colocar e ser reconhecida como Ser-Humano, um Ser-Humano Mulher : – e não como uma “revolta” contra os homens ou o desejo de superá-los.

    E, diante do que vou colocar, tb acho que, existindo dentro de tantos absurdos indiscritivelmente limitadores, sobrevivendo eu melhor diria; e, ainda num passado recente ser classificada desta forma, a seguir, eu acho mais que natural q a mulher tenha se “esquecido” de sua instintividade; que por tanto tempo teve que “sufocar” ou necrosar, como diz o Guaco. Por isto reverencio a obra da Estés.

    Vamos lá: [ só um pouquinho]

    Olha só: – eu acho divertido; e penso… como estes homens, tão completamente inteligentes, responsáveis por tantas mudanças de conceitos e tantas transformações, desconheciam e se atrapalhavam com o universo feminino. Acho uma total fantasia; – ou talvez mto cérebro e pouco corpo; – mas, sem esquecer de q, apesar das características da época, estes conceitos atravessaram anos, e ainda existem por aí a fora, mesmo que fantasiados de outros termos ou escondidos em outros conceitos:

    Freud:

    – A teoria de Freud a respeito da psicologia feminina era centrada no pênis. Ele descreveu as mulheres em termos do que lhes faltava anatomicamente, em vez de descrevê-las em termos daquilo que se fazia presente em seus corpos ou em suas psiques. De acordo com Freud, o fato de não ter pênis tornava as mulheres mutiladas e inferiores. Em conseqüência, ele considerou que as mulheres normais sofriam de inveja do pênis, eram masoquistas e narcisistas, e tinham um fraco desenvolvimento do superego, isto é, uma consciência inferior.

    OhLord: isto foi em 1900 e pouco……….

    – A teoria psicanílitica de Freud interpretava o comportamento das mulheres como se segue:
    – A mulher que é hábil e segura de si, que realiza alguma coisa na vida e que mostra apreciar a oportunidade de aperfeiçoar sua inteligência e capacidade está apresentando um “complexo masculino”. De acordo com Freud, ela está agindo como se acreditasse não ter sido castrada, qdo na realidade ela o foi. Nenhuma mulher quer se destacar – a necessidade de se destacar é sintoma de um “complexo masculino”, uma negação da realidade!!!!!!!!!!

    – A mulher q deseja um bebê, na verdade quer um pênis e sublima esse desejo, substituindo pelo bebê!!!

    A mulher que é sexualmente atraída pelo homem, o é pq descobriu q sua mãe não tem pênis. Na teoria freudiana , o heterossexualismo de uma mulher remonta ao traumático momento qdo ela era criancinha e descobriu q não tinha pênis, então descobriu q sua mãe tb não tinha, e portanto desviou a libido para seu pai: q o tinha.

    – A mulher não é tão sexualmente ativa qto se supõe q sejam os homens: não pode na visão de Freud, estar tendo prazer em sua sexualidade e estar expressando sua natureza sensual: ao contrário: ela está se comportando de modo compulsivo, tentando aquietar ansiedades sobre a “castração”.

    – este resumo foi baseado nas seguintes obras de Freu, publicadas na Standard Edition of the Psychological Works of Sigmund Freud por J. Strachey, Hogarth Press, Londres.

    – Three Essays on the Theory of Sexuality: 1905

    – Some Psychological Consequences of the Anatomical distinction Between the Sexes.

    – Female Sexuality.1931

    – Minha mãe nasceu em 1956; pra se ter uma idéia.
    – Ou seja: complicado… infantil até; – …inacreditável.

  10. fynealhns said

    Vamos pra Jung:

    – Um resumo da teoria de Jung sobre a psicologia das mulheres baseado em:
    – Animus and Anima – 1934
    “The Syzygy: Anima and Animus – 1950
    “Women in Europe” – 1927

    – A teoria da psicologia feminina de Jung foi mais complacente para com as mulheres do que a de Freud – pois Jung não percebeu as mulheres exatamente como “homens defeituosos”. Ele hipotetizou uma estrutura psíquica que correspondia às diferentes caracterizações de cromossomos determinantes dos homens e das mulheres.

    De acordo com o seu ponto de vista, as mulheres tem uma personalidade consciente feminina e um componente masculino – denominado Animus – em seu inconsciente, enquanto os homens têm uma personalidade masculina consciente e uma – anima – feminina em seu inconsciente.

    Para Jung, a receptividade, a passividade, a disciplina, a subjetividade caracterizavam a personalidade feminina.

    Ele considerava atributos masculinos o raciocínio, a espiritualidade e a capacidade de agir decidida e impessoalmente. Ele via os homens como sendo naturalmente dotados nestas áreas. As mulheres com traços semelhantes de personalidade, por mais que desenvolvidas, tinham desvantagens por não serem homens.

    Se a mulher raciocinava bem ou era competente, ela apenas tinha um – animus – masculino bem desenvolvido… mas que, por definição: era menos consciente do que o dos homens – e, portanto… inferior .

    – Embora Jung não visse asmulheres como inerentemente “defeituosas”, ela as via como inerentemente menos criativas – e menos capazes do q os homens de serem objetivas ou de agirem como os homens. Em geral Jung tendia a ver as mulheres conforme elas eram úteis ou se relacionavam com os homens, em vez de vê-las como portadoras de necessidades próprias; – por exemplo, em relação à criatividade ele via os homens como criadores e as mulheres como assistentes no processo criativo dos homens: – “ um homem produz seu trabalho como uma criação completa extraída de sua natureza feminina interior” e “ o lado masculino de uma mulher produz semente criativa que tem o poder de fertilizar o lado feminino do homem”.

    – Sua posição teórica desencorajou a luta das mulheres pela realização. Ele escreveu que: – “ ao aprender uma profissão masculina, estudar e trabalhar como um homem, a mulher está fazendo alguma coisa não inteiramente em harmonia, ou mesmo diretamente ofensiva à sua natureza feminina”.

    Ou seja, uma arquiteta ou engenheira ou médica, ou seilámaisque; ou está sofrendo de um complexo de masculinidade como diagnostica Freud ou está tendo uma identificação esquisita com o animus e se masculinizando como sugere Jung.

    —————————————-

    Sabe aquilo que eu falei no outro tópico das poesias, “Acabou o leite”, a respeito de sermos palco para os deuses e não acreditarmos no papel que encenamos? É sobre não se ligar a um papel fixo também…
    Eu queria mesmo histórias que ficassem no meio, que contemplassem o humano, além sexo, será que isso é possível? Ou estamos irremediavelmente presos ao ponto de vista homem X mulher na história da humanidade?

    Isto… Sem!
    Claro que somos sexuados: tá certo isto? Sexuados? Bom: temos sexo, enfim. Isto é sómente um fato, natural, sem complicações – Temos sim, sexualidades diferentes , mas isto jamaiiiissss nos coloca numa situação de homens “versus” mulheres. Ao contrário, penso eu.

    Mas, todas as análises; ou todo o preconceito sempre foram baseados “nisto”: nossas capacidades intelectuais,espirituais, profissionais, amorosas, etc No que, eu, absolutamente concordo com vc.

    Bjs

  11. fynealhns said

    Afinal eu acho muito interessante La Loba, mas não deixa de ser apenas isso, uma histórinha que se conta com a mulher como protagonista… será real? e o ponto de vista do homem? Acho até mesmo super válido, no sentido de ser um antídoto contra tantas outras histórinhas que se contam, muito mais comuns, e que tem sempre o homem como centro absoluto de tudo.

    “e o ponto de vista do homem?”

    – Sem; – lendo com mais atenção; eu percebo q estamos lendo a Estés sob um ponto de vista diferente.

    – Em todas as historias, lendas, em que ela compara, similariza, justifica ou explica o comportamento feminino; conciente ou inconsciente – eu acredito que ela não esteja exatamente analisando à partir do homem ou contra ele. Isto sim, se percebe, claramente nas análises Freud/Jung.

    – Dentro do histórico feminino, é mais q natural q se inclua o referencial ideológico dentro do qual nós mulheres nos desenvolvemos. E, infelizmente, ele é verdadeiro no q se refere ao pré- conceito ou a estes conceitos absurdos.. O trabalho da Estés, na forma como entendi; busca um resgate de nossa natureza, de nossa instintividade para “nós mesmas” – evidenciando para nós mesmas aspectos q foram, em nós mesmas, tratados – por nós mesmas – com indiferença ou restrições, ou mesmo vergonhas e patologias ; ou até mesmo com preconceito; por estarem a tal ponto desvalorizados q se tornaram desconhecidos; ou reconhecíveis apenas através de impulsos q nos assustam ou nos condicionam mts vzs; – e não como apenas e naturalmente; o que somos: mulheres. [ isto em decorrência de uma imagem q foi por mto tempo programada por estes fatores e que ela se propõem a desprogramar ]

    É um trabalho “para” a Mulher, enquanto Mulher. Não entendi como um trabalho para a Mulher sob o ponto de vista do Homem ou mesmo em defesa da mulher em relação aos homens. Mto mais de auto-conhecimento do que conhecimento- em – razão – do homem.

    Para que nos analisemos Humanamente falado; nada mais natural e necessário que nos conheçamos como seres-humanos q somos. Eu acho q existem diferenças, sim; de diversas naturezas; mas “isto” “é” a Humanidade. E se temos que analisá-la desta forma; não há mal nenhum em incluirmos estas diferenças, não como desigualdades e sim como inclusivas e naturalmente inclusas.
    Não é isto?

    Qdo coloquei La Loba; numa referência ao recurso de transformação; de reinício; de modificação de estados; [ a Vida/Morte/Vida] – quis me referir a esta observação da Adi, que coloquei no final: – Mas se fala muito pouco sobre “o que é magia de fato” e, de como ela funciona na nossa psique.
    – A Estés, no caso, apenas se utiliza deste símbolo pra nos lembrar que em nossa natureza existe este “recurso” – esta possibilidade, esta “magia” : de uma forma natural e que podemos, sem dúvida, nos utilizarmos dela. Se o exemplo é feminino ou ilustrado por La Loba em referência à propriedade feminina de “fazer-vida” no sentido de gestação; é apenas um exemplo a ser observado; independente de homens ou mulheres. Não pode ser?

    Bjs

  12. adriret said

    Olá meninos e meninas,

    Chegando depois do feriado, e tentando acompanhar as novidades aqui do blog; o assunto é como sempre muito interessante, e do meu ponto de vista (porque sou como um daqueles pontinho pretos que a Luiza colocou lá) estou mais pro lado da Sem e também concordo inteiramente com voce Fy quando escreveu:

    >>Para que nos analisemos Humanamente falado; nada mais natural e necessário que nos conheçamos como seres-humanos q somos. Eu acho q existem diferenças, sim; de diversas naturezas; mas “isto” “é” a Humanidade. E se temos que analisá-la desta forma; não há mal nenhum em incluirmos estas diferenças, não como desigualdades e sim como inclusivas e naturalmente inclusas.
    Não é isto?<<

    Exato, antes de sermos homens e mulheres somos seres-humanos, somos pessoas complexas, um emaranhado de energias e cruzamentos das mesmas, e onde essas energias se encontram (se cruzam) em nós, como que se tornassem fixas, liberando seus impulsos, e nos tornando mais dispostos ou mais direcionados pra determinadas atividades, ou seja, temos facilidades diferentes de acordo com a natureza dessas energias em nós, independente de sermos homens ou mulheres. É uma complexidade tão vasta que vai desde nossa química cerebral, nossos hormônios, e mesmo somente citando o aspecto do corpo, não podemos esquecer que isso afeta nossos humores, ou seja nosso emocional e psicológico.

    Enfim, nós somos pessoas que temos os aspectos masculinos e femininos em maior ou menor gráu manifestados em cada um.

    Houve sim um tempo de culto ao feminino, a Mãe, a natureza, a Lua, a Deusa.

    e está acabando o tempo de culto ao masculino, ao Pai, a razão, ao Sol, ao Deus.

    Está surgindo o tempo de união destas energias no Ser. Onde não será apenas a Mãe natureza e nem somente Pai racional, mas um perfeito equilibrio destas energias e naturezas opostas dentro de cada pessoa, e daí uma nova visão e percepcão de toda a Vida na qual estamos inseridos.

    Há ainda muita confusão em torno dos conceitos, e todo conceito ao mesmo tempo que explica, limita.

    É evidente que quando se foca em somente um lado e aspecto da questão, por ex. o feminino, naturalmente chama atencão para o seu oposto o machismo, e vai sempre estar de um pólo ao outro, sem resolver de fato a questão.

    A mágica, a mágica é essa transformacão das nossas próprias energias, sempre um movimento mais amplo, mais abrangente, apesar de estar sempre aqui dentro de nós, em nossa própria psiquê. E podemos ver a própria mágica ou transformacão e seus símbolos o tempo todo dentro e fora de nós…

    Não esquecer que sempre o que mais vemos fora ou ao nosso redor é justo aquilo que mais necessita de ser trabalhado em nosso interior, em nossa psiquê.

    bjs
    adi

  13. Sem said

    E eu concordo com vcs duas, posso? Apesar de concordar e sermos diferentes, viva as diferenças, inclusive entre as mulheres. 🙂

    Existem 500 sendas abertas aqui e não sei se vou dar conta de todos os caminhos abertos, aliás, não vou conseguir, mas não tem muita importância, pois como os nossos papos aqui são circulares, se alguma coisa não for dita ou ficar confusa, em outra oportunidade retomamos o assunto.

    Gostaria antes de qualquer outra coisa que a Fy entendesse que quando eu faço críticas ao La Loba, é o meu lado mais feminista falando… Mas acho natural que vc ache, Fy, minha posição estranha e que ela pareça incongruente com o restante de minhas idéias. Mas não é, e vou me esforçar para encontrar um meio de me fazer o mais clara possível. Talvez seja necessário dizer que venho de uma comunidade junguiana em que esse papo foi e continua sendo bastante debatido. Sei que agora quando ouço falar em “resgate do feminino”, “descobrir qual deusa governa nossas vidas”, eu sinto calafrios na espinha… Dizem que o Hillman rompeu com a linha clássica quando em congressos ele não aguentava mais ouvir a von Franz falar em adequação do travesso ‘puer’, o Neumann em Grande Mãe e outros assemelhados… Minha identificação com as ideias de Hillman foi imediata. Resgatar o que? Grande Mãe? Então existe uma meta ou um ideal de matriarcado a ser alcançado e só pode ser em oposição ao… patriarcado? em confronto, quer dizer… Como opostos que se complementam e ao mesmo tempo se repelem… Eu penso como Hillman: que o “demônio” no caso é um só. E o jogo chama-se combate, mas não um bom combate. Bem, sem querer radicalizar de vez, mas retomando aquela minha ideia dos polos arquetípicos que se aproximam por competição ou colaboração, em inconsciência ou consciência cada vez maior conforme se afastem ou se aproximem, os resultados de uma ou outra estratégia, resultam em soluções drasticamente diferentes… Eu acho que essas ondas de cultos a liliths, ao corpo feminino, resgate do feminino, são na verdade os últimos estertores do machismo. Não tudo é claro, mas eu fico com uma baita impressão que são na maioria um grande engodo. Eu acho que minha posição é muito radical, muito passivel de críticas, mas até que eu veja de outro ângulo, é assim que avalio essa questão. Estou sendo sincera. Penso que na hora que não for preciso mais resgatar o feminino, ou cultuar o feminino, é quando a mulher estará liberta de fato. Livre do papel de representar ser uma mulher.

    Afinal o que é um homem e o que é uma mulher? para além de suas diferenças anatômicas e que geram outras diferenças, eu só gostaria de saber o quanto de invenção cultural não existe nisso de sermos assim ou assado? e a gente aqui tentando se adequar ao que a sociedade nos dita e permite que sejamos século 21. Qual a diferença de nós mulheres hoje para as mulheres do século 19, do séc. 15, ou da época de Roma? Todas fazendo o que as convenções dizem: isso é ser mulher? Interesses de quem? A Márcia Tiburi, aquela filósofa do programa Saia Justa, defende vez ou outra algo muito interessante, de que a mulher é uma invenção cultural, conseqüentemente, tb o homem deve o ser… Mas essa ideia básica do verdadeiro feminismo é anterior ainda, vem de Simone de Beauvoir, que diz que uma mulher não nasce mulher, mas se torna mulher…

    Bem, uma coisa são papéis que nos alienam e isso é ruim, principalmente pelo quanto nos fazem mais seres reativos do que ativos na e da própria existência. Mas pior, ou o dobro desse “mau”, é representar um só papel, aí sim é que a comédia vira tragédia, drama, sei lá… Imagina: La Loba, só isso é uma mulher, um ser de terra e matilha? Sabia que os lobos são altamente hierárquicos na convivência mútua? Outra papel: Perséfone. Ela pode ser a rainha do inferno, mas a sua história é de rapto e estupro. Imagine repetir isso entra e sai estação na sua vida?

    Claro, existem momentos na vida de todo ser humano, independente de sua orientação sexual, em que algumas coisas “acontecem” (sorte ou destino) e alguns deuses são “constelados” ou convidados a representarem nossas vidas naquele momento, mas também é verdade que nós temos uma carta astrológica natal inteira e talvez transcender seja a verdadeira magia de homem, da mulher, do gay, do pária, do padre, isso é que é fazer renascer… Sabe aquela coisa da sensibilidade do gay, porque será que existem tantos homossexuais geniais nas artes e na cultura em geral? acho que um pouco vem do sofrimento e inadequação sociais, mas, justamente, será que não vem de eles não terem um papel ou não acreditarem no papel sexual que a sociedade quer lhes empurrar goela abaixo? Não estou defendendo esta ou aquela orientação sexual ou abandonarmos o sexo, eu não estou defendendo nada, a não ser a liberdade ou a possibilidade de transcendermos os papeis.

    Quanto a questão de Freud e Jung serem machistas, o que mais eles poderiam ser, vindos da sociedade e do século que vieram? Nem Nietzsche, sempre tão grandioso em tudo e adiante do seu tempo, nem ele teve o desprendimento para perceber que não era o que as mulheres eram na sua época, que “aquilo” não era a essência do feminino, mas o que era permitido as mulheres serem no seu tempo, que definiam as mulheres de sua época (e os homens também, é claro, mas dos homens – generalizando o humano – ele acertou)… Todos os grandes intelectuais que admiramos de alguma forma foram críticos de mulheres, isso não invalida de todo suas teorias, não é? senão nós teríamos de começar a civilização do zero. E sabe que eu acho que muitas vezes os homens tinham razão, levando em conta as mulheres que tinham? Ou imagine a mulher do século 19, nem nós mulheres iríamos suportar a histeria (causada pela repressão), a alienação, o jogo, a dissimulação (era só o que era permitido), a dependência mórbida… Segundo o lacaniano Jorge Forbes, nem Buda escapou de denegrir as mulheres… Isso prova o quanto essa questão está a nível de existência real e concreta, daquilo que se vive, do que de uma verdade absoluta de essência do feminino – ou masculino. Afinal o que é uma mulher?

    Desembocamos então na questão do ter ou do ser: o que nos define é a nossa essência (o que temos em potencial) ou o que fazemos (permitido ou delineado por nossa potência de existir)? Vou declarar de pronto que tenho uma predileção por todos os filósofos da existência, muitas vezes confundidos com materialistas, isso inclui Spinoza, Sartre, Nietzsche… Mas tb tenho uma queda por alguns poucos, bem poucos, idealistas. Como já defendi aqui, em outra oportunidade, Platão… Porque se em algum lugar não houver uma brecha para o invisível, para o além, o que seríamos nós? Com certeza menores e com menos possibilidades e menos realidade também.

    Eu sempre defendo que somos as duas coisas: o que fazemos, é o que somos, mas tb o potencial de fazer, mesmo que o potencial nunca venha a se realizar, está “lá” em essência… Para explicar melhor isso, não sei, mas quando eu fui ter o meu filho, foi em uma cidade completamente estranha da minha de origem. Tanto eu quanto o pai dele vínhamos de duas metrópoles diferentes e nos instalamos só os dois, sem família por perto, no interior. Bom, por ter feito pedagogia, eu sabia algumas teorias de desenvolvimento infantil, mas não sabia na prática como cuidar de um bebe, nunca tive irmãos menores, nem nada semelhante… Nem nunca fui educada para ser mãe, como as mulheres hoje em geral não são e com isso a família tem mudado radicalmente… Mas essa não é a questão aqui, e voltando a minha história, sentindo a responsabilidade bater à porta, fui buscar livros de puericultura, de cuidados práticos, essas coisas… Lembro de uma enciclopédia do Delamare, um achado, que explicava mês a mês tudo o que acontecia com o bebe e o que era normal e o esperado, e sempre entremeado de um conselho: só responda ao que o bebe faz… quer dizer não mimar, mas educar no aspecto do “treino” mesmo… Esse conselho é fantástico, e o mundo seria o dobro de melhor se fosse levado adiante por todas as mães e cuidadores… Mas, sem radicalismos, nunca entendi como seria possível ser mãe, sem amar o filho incondicionalmente, isto é, além do que ele pudesse fazer, mas pelo que ele era… O perigo de seguir esse tipo de conselho a risca seria virarmos máquinas condicionadas… Eu acho que toda relação de amor transcende o que as pessoas fazem uma pela outra, mas, é claro, a base de todo relacionamento, não importa qual seja, deve ser pragmático, concreto. Quanto mais impessoal, mais pragmático. No entanto, uma relação amorosa está além de um papel social desempenhado, de utilidade, que é isso o que acontece quando nos damos apenas a nível de existência e nos esquecemos de que somos também seres de essência.

  14. Bob said

    O problema que vejo é pensar, analisar e até mesmo filosofar sobre o feminino/mulher, através de paradigmas exclusivamente masculinos!

    O ocidente foi construído através da percepção predominantemente masculina. Daí, talvez, a dificuldade que as próprias mulheres tem de encontrar um ‘caminho’ ou forma de análise que, se não isenta, pelo menos não tão ‘impregnada’ com a ‘visão’ masculina da vida, do mundo e da própria existência.

    Entendo que isto é um processo de AMADURECIMENTO da própria humanidade, ou seja, a imaturidade foi a ‘causa’ de uma visão de vida (através dos séculos), predominantemente masculina, onde a força física serviu de ‘álibi’ para perpetuar a repressão (com ou sem ‘embasamento’ intelectual ou religioso/espiritual). Porém, já se percebe hoje, a inadequação de tal/tais posturas/comportamentos que, em essência, estão em desacordo com nossa própria natureza (feminina e masculina).

    Por isso achei muito interessante não só o texto, mas tb a iniciativa da Fy…há algo de essencialmente feminino nesse contexto, incluindo a ‘busca’ por maior compreensão desse ‘elemento’, através do olhar/visão exclusivamente feminina – tal qual o útero o é em tal contexto/realidade, afinal, pode um homem compreender o que é ter um útero, p.ex? É claro que não, pois ele não o tem e não pode ‘sentí-lo’ como parte de sua estrutura física/psíquica.

  15. fynealhns said

    Sem,

    Eu concordo quase com a maioria dos seus pontos de vista.
    E estou adorando Hillman tb !

    – mas, acho q vc tb me entendeu qdo expliquei nunca ter lido a Estés com um enfoque feminista, e de não ter entendido esta, como sendo sua proposta.

    Ainda dando meus 1°s passos no criador do “Western Nirvana”, e, ainda me encantando com as palavras e termos, mais do que realmente compreendendo exatamente a filosofia ou a mensagem do Hillman, vou arriscar alguns parágrafos que me impressionaram e q talvez expliquem melhor minha forma by Hillman de interagir com a “Mulher Selvagem” da Estés.

    Reunir todas estas “historias” que narram ou ilustram a historia, a saga, da mulher não determina privilegiar ou hierarquisar uma fase ou outra; nem significá-las através de conceitos fixos; mas sim, conhecer e reconhecer os sentimentos, os poderes, as fraquezas e a força do parentesco que temos com esta “Alma” ou Arquetipo que representa o feminino.

    Aqui, me atrevo a usar este parágrafo sobre Hillman:

    Uma imagem arquetípica, é animada como e quanto um animal, é inteiramente uma presença. Pode ser um guia, Anjo da Guarda ou Daimon, para o nosso destino,> quase “portadora de um pré- conhecimento anterior”, que nos pode alcançar através dos sonhos ou outras experiências de imagens portadoras de mensagens [ as historias ] que suscitam “um sentimento de benção” e recordam os mensageiros (angheloi) neoplatônicos. –

    “ Imagina: La Loba, só isso é uma mulher, um ser de terra e matilha?”

    Não, não é com certeza o retrato do que somos hoje; mas, o que somos hoje não é a reunião, o resultado do que foram todas as mulheres que nos antecederam? – Não; não somos mais esta mulher de terra e de matilha; mas esta mulher, com certeza é em nós; existe no que somos. De alguma forma temos suas qualidades, sua força; somos o seu resultado. Algo assim como a raiz que não só proporciona a existência da arvore, mas tb a nutre. A mulher que “percebeu” sozinha, sem o Delamare; só ela e a terra, uma forma de nos trazer até aqui. Como não invocar este instinto, este poder ?

    “Outra papel: Perséfone. Ela pode ser a rainha do inferno, mas a sua história é de rapto e estupro. Imagine repetir isso entra e sai estação na sua vida?”

    Eu tb posso interpretar Perséfone de uma outra forma; como a mulher que mesmo no inferno, manteve-se rainha. – se não dos diabos horrorosos; mas rainha, em si mesma; sem abdicar de seus valores ou corrompê-los, fossem quais fossem as circunstâncias de sua tragédia.-

    “Em outros lugares, Jung fala sobre os complexos, que constituem a estrutura da psique e são sua fonte energética, como “Deuses”. Isto me sugere que a questão toda da psique e, é claro, da psicologia também, não seja somente um tipo de mitologia, mas principalmente de que nossas vidas, tão profundamente enraizadas nos complexos, são melhor apreendidas “através” dos mitos, mitos definidos aqui como narrativas e/ou rituais onde humanos e Deuses interagem.” –

    “Para mim, o logos da alma não é uma lógica, nem a alma em si é um logos. O logos da alma se apresenta em sua capacidade de dizer-se, de responsabilizar-se por si própria, de descrever-se, de contar sua verdade, e este logos não possui fronteiras (como Wolfgang já disse), e ele não é necessariamente só lógico ou sintáxico. Seu logos, o logos da psique, a psicologia, pode aparecer tanto através de imagens, como de pensamentos” Hillman

    As imagens incluem a alma, não a alma as imagens, assim como é o sonho a incluir o sonhador e não o inverso.- Hillman

    No caso dos melhores contadores que conheço, as historias crescem de suas vidas como as raízes fazem crescer as árvores. É que as historias os criaram, transformando-os no que eles são. – Sabemos logo quando alguém criou uma historia e quando a historia criou alguém. Estés.

    – sem; não tem o mesmo sentido? É neste sentido, que compreendi a Estés e, entre suas outras historias, La Loba.

    Bjs

  16. adi said

    Fy,

    De fato, peguei o caminhar da carruagem e dei mais atenção aos bois que ao inicio do caminho. Me desculpa. O texto estah lindo, uma homenagem linda a nossa forca feminina. E eu entendo perfeitamente e concordo com voce. Sim, somos possuidoras de uma forca enorme, forca da vida, forca mágica criadora.

    Se pareceu que discordo do texto, nao foi de forma alguma minha intencao.

    Amanha escrevo com mais tempo e explico direitinho o que acho disso tudo que comentamos aqui.

    bjs
    adi

  17. Sem said

    Desculpa, Fy, se eu barbarizei nos meus argumentos, tenho a noção do quanto eles são radicais e passíveis de crítica. Só tenho a agradecer é por eu poder aqui me expressar e nesse diálogo de amigas, quem sabe aprender com vcs não radicalizar tanto. No fundo é uma fragilidade minha, um medo de me entregar a um só papel, por isso fico insistindo tanto em transcendência.
    Acho que nos meus radicalismos eu nem agradeci ao texto que vc nos trouxe, que é bom e belo, e pode crer que no sentido de enriquecer o feminino, com mais um ponto de vista, o La Loba, só vem acrescentar e não diminuir a mulher. Tenho medo só de quem faz dele uma bíblia, mas não só dele, de qualquer coisa faz uma única cartilha de vida… enfim… hoje vai ser impossível, mas depois eu volto pra falar de Hillman.

    Bob,

    >O problema que vejo é pensar, analisar e até mesmo filosofar sobre o feminino/mulher, através de paradigmas exclusivamente masculinos!

    Esse é o ponto, é a realidade e com a realidade só temos de lidar com ela. O mundo é masculino e todas as interpretações que temos dele nos vêm dos homens. Não apenas a ciência e a filosofia, mas as artes, a própria astrologia… é um mundo misógino – sem querer radicalizar, mas, tudo o que é feminino é escuro, sombrio, negativo…
    O que eu estava tentando argumentar era que para mudarmos de paradigma, não é simplesmente substituir o feminino pelo masculino, mas descobrirmos uma terceira coisa que ainda não existe. Talvez seja fraternidade, ou não, que nome pode ter aquilo que ainda não existe?

  18. fynealhns said

    Sem querida,

    Vc não estava “tentando” argumentar; vc argumenta como ninguém !!!

    Estes argumentos é que dão vida a qualquer assunto que se traz aqui. Eu, particularmente quero q vc crie milhões de paradigmas e coloque todas as suas idéias.. Nós estamos aqui para descobrir, pra ir além- além, como diz o Mob. E, Sem, vc sabe que eu viajo muito e longe nos seus argumentos.

    E, voltando a vc:

    É uma passagem escondida por brumas, propositalmente, para proteger o sagrado das bisbilhotices de um mundo leviano e suspenso pela razão.
    As lendas nos contam que esse é um lugar de fantasia, para sempre perdido aos dias que correm. Alguns conhecem esse lugar e o chamam pelo nome de Avalon…

    ou de Anoitan….
    Esqueçamos a “razão”.

    Fale mais e sempre. Aqui é seu lugar. Vc está trazendo; e isto é que é precioso. Qdo vc argumenta, vc me faz buscar, compreender; ouvir, sentir. Não é isto?
    Fale mto sobre Hillman. Ele é mesmo mto interessante – eu quero mto mais!

    Qto a criar novos mundos-sem-nomes ou perspectivas desconhecidas, isto é dinamizar; é continuar.

    Usando o nosso “próprio material” …q é pra lá de bom:

    É justo que tudo tenha
    alma e santos anjos:
    esferas, matos e colinas.
    É justo que toda ordem
    de coisas dance e prospere,
    tenha seu lugar e importância
    no sentir do cosmo.
    Mob

    More and more frequently the edges
    of me dissolve and I become
    a wish to assimilate the world,: including and including……
    Margaret Atwood in More And More

    Mts Bjs

  19. fynealhns said

    Sem,

    Eu entendí o q vc quiz dizer:
    Filhos da Terra – da Lua e do Sol !

    And… More than This…..

    It’sfor you and for us:

    de noite eu volto,
    Bjs

  20. Kingmob said

    Fy,

    >Vc ou alguém assistiu o filme de Jung em que ele se apaixona e namora [ casado mesmo] com uma paciente?

    O filme é este:

    http://www.adorocinema.com/filmes/jornada-da-alma/jornada-da-alma.asp

  21. adriret said

    Fy,

    Realmente, nós mulheres já nascemos com essa “forca” da natureza arraigada, nosso instinto de vida, feminino, procriador, protetor, amoroso, transformador.

    Talvez, pra nós mulheres, eu acho, porque ninguém de fato estudou a fundo a psiquê feminina, muito pouco se sabe sobre o animus; então talvez, nossa etapa final de reconciliacão interior, ou integracão total do Ser, deve ser encarar ou melhor, integrar ou ser integrado pelo arquétipo da Grande Mãe. Porque para os homens parecem ser a integracão do Pai nos céus.

    Porque temos o nosso inconsciente pessoal, e com certeza há uma imagem arquetípica como símbolo pra representá-lo que deve ser diferente para homens e mulheres (pra mim é a Anima/Animus que representam o inconsciente pessoal, mas não posso afirmar, falo por mim), e também há o inconsciente coletivo, muito maior, todo abrangente, aquele que nos dá a nocão de fora do espaco tempo, da totalidade e unicidade de todas as coisas, que claro também deve conter imagens arquetípicas simbólicas diferentes em nossas psiquês femininas e masculinas.

    As histórias nos contam sobre os grandes iniciados, sendo eles homens, sempre se referiram a Deus como masculino. Independente disso, nós sabemos que Deus/Deusa, é ao mesmo tempo masculino e feminino, na verdade ainda não houve distincão alguma, e mesmo no primeiro estágio da consciência, na primeira diferenciacão há 2 polos, mais que continuam juntos e unidos, e um dos seus símbolos é o Divino Hermafrodito, também o Uroboros, o Tao, mas ainda falta alguma coisa… onde se encaixa a Grande Mãe e o Grande Pai, em qual parte esses arquétipos são constelados?

    Fy,
    Me surgiu um monte de questões, talvez diferente do que você esteja abordando, apesar de ter total relacão com seu texto.

    Vou procurar informacões a esse respeito, vou ver se encontro alguma coisa e depois volto.

    bjs
    adi

  22. fynealhns said

    Adi, Sem, todo mundo,

    Veja que coisa mais interessante: – é uma tradução da Septuaginta – excluída da Bíblia, com certeza. [ coloquei uma explicação lá em baixo.]

    Pois, às portas do Poderoso, ela tomou assento,
    E logo à entrada, cantou sua canção:

    “No começo, antes que o Senhor fizesse a Terra,
    Quando formava os Céus, eu estava com Ele;

    E quando Ele guardou Seu Trono sobre os ventos,
    Quando indicou ao mar seus limites,
    E as águas não transmitiram a palavra de Sua boca
    Eu estava em harmonia com Ele.

    Eu era a única em quem Ele se comprazia, e eu me rejubilava todos os dias,
    Por Sua presença em todos os momentos.

    Tradução publicada pela Falcon’s Wing Press, em 1960 – sob a editoração do dr Musès. Provérbio 8:3-31

    Septuaginta é o nome da versão da Bíblia hebraica para o grego koiné, traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria.
    Dentre outras tantas, é a mais antiga tradução da bíblia hebraica para o grego, língua franca do Mediterrâneo oriental pelo tempo de Alexandre, o Grande.
    A tradução ficou conhecida como a Versão dos Setenta (ou Septuaginta, palavra latina que significa setenta, ou ainda LXX), pois setenta e dois rabinos trabalharam nela e, segundo a lenda, teriam completado a tradução em setenta e dois dias.
    A Septuaginta foi usada como base para diversas traduções da Bíblia.
    A Septuaginta inclui alguns livros não encontrados na bíblia hebraica.
    Há controvérsia quanto à veracidade de que a Septuaginta tenha mesmo existido como uma versão pré-cristã do Velho Testamento em grego.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta

  23. Kingmob said

    Se não me engano a Septuaginta é utilizada pelos Cristãos ortodoxos, que é BEM diferente do catolicismo ocidental.

  24. fynealhns said

    Adi,

    Como eu não tenho uma concepção de deus judaico-cristã, talvez seja mais natural ou fácil pra mim esta identificação óbvia com os Arquétipos deusa-deus das religiões celtas. Vou colocar um parágrafo que torna tudo, mto simples à nível de compreensão; mas, eu acredito que a grande questão; – uma pergunta que surgiu em mim, nesta nossa troca – é se, esquecendo este lance de anima-animus; nossa “alma” ou espírito; ou essência; é Fe-mi-ni-na. “Diferente” apenas diferente, da alma Mas-cu-li-na. – Acho até q é este o ponto que a Sem está levantando.

    Misturando um pouco de tudo, esta busca eterna pela completude dos corpos; pelo amor; – esta necessidade de copular, não só fisicamente mas emocional, intelectual e sentimentalmente; deve ter uma explicação. Alguma coisa assim, como uma busca por se completar: o que significa que “algo pode ter vindo incompleto”.

    Sei que isto é “superável”; mas superar nem sempre é viver. Sei tb que temos que nos esmerar no sentido de completarmo-nos, – não esperando que todas as nossas respostas estejam no corpo ou na mente ou na alma de outra pessoa, e todo aquele blábláblá que já sabemos. Mas, todos os óbvios estando compreendidos, pq esta busca ? – praticamente instintiva mesmo não falando só do corpo, mas de completude de “alma” – esta busca de, sem querer perder a individualidade, conectar, misturar, interagir as “almas”?

    Os corpos tem cios; é natural; é orgânico, é lindo também. Mas, será que as “almas” as essências, enfim, o nome que preferirmos, tb tem? E o natural, seja mesmo que elas se fundam em busca desta completude?

    A Deusa e o Deus

    “Todas as Deusas são uma só Deusa, todos os Deuses são um só Deus.”

    Conquanto a Deusa presida a pulsação vital constante do Universo, é imprescindível que entendamos o papel do Deus. Ela é a Senhora da Vida, mas Ele é o Portador da Luz; Ela é o ventre, Ele o falo ereto; Ela gera a vida, Ele é a faísca que inicia o processo, em plena harmonia, sem predomínios nem competições, mas pela completa união… Ambos parceiros no desenrolar da música e dança que criam e recriam o universo ainda hoje… Na Primavera Ela é a Donzela, Ele o Deus Azul do Amor… No verão ela é a Mãe, grávida, ele o Galhudo, o Deus da Vegetação e dos Animais, Cernnunnos… No outono ele desce para o Mundo Subterrâneo, como o Deus Negro do Mundo Inferior, do sacrifício e da Morte e Ela a Anciã que abre os portais e o acolhe durante sua transmutação. No inverno ele renasce do próprio ventre escuro da Deusa, que quase torna, assim, a um só tempo, sua consorte e sua mãe…

    O Deus Cornífero

    O Deus realmente é deixado de lado muitas vezes nos cultos pagãos, como se a energia da Deusa pedisse essa dedicação exclusiva. Isto é verdade em parte, porque, não é possível cultuar o Deus adequadamente enquanto não mergulharmos na Deusa e nos despirmos do Deus do patriarcado.

    Quando no curso de nosso caminho – e isso demora até anos (mas varia muito de pessoa para pessoa) – está na hora do Deus voltar, a própria Deusa nos mostra seu Filho, Consorte, Defensor, Ancião. O Deus aparece, tríplice como a Deusa.

    O Deus Jovem é, antes de tudo, a Criança da promessa, a semente do sol no meio da escuridão. Depois, é o Garoto do Pólen, o fertilizador em sua face mais juvenil, e traz a energia da alegria de viver, o poder de se maravilhar ante as descobertas da vida, é o experimentador, a face mais sorridente do sol matinal.

    Daí surge o Deus Azul do Amor, o rapaz que cresceu e chegou na adolescência e desabrocha em beleza e masculinidade, é o Jovem Deus da Primavera, percorre as Florestas e acorda a natureza. Ele é o Apaixonado, aquele que primeiro busca a Deusa como a Donzela e propicia o encontro… Ele é o Deus da sedução ainda inocente, que não conhece os mistérios da Senhora ainda… ele é toda possibilidade.

    Depois ele é o Galhudo e o Green Man… O Deus é o macho na sua plenitude, O Senhor dos Chifres que desbancou o gamo-rei anterior, ele é força e poder, músculos e vitalidade, ele cheira a sexo e promessas. Ele é o Grande Amante, atraído irresistivelmente pela Senhora ele é o Provedor, o Sustentador, o Senhor Defensor. Ele é o Senhor das Coisas Selvagens, o Deus da Dança da Vida, O Falo Ereto, O Fertilizador. Como Green Man ele também é o Senhor da Terra e sua abundância, o parceiro da Senhora dos Grãos. O Senhor dos Brotos, aquele que cuida dos frutos e os distribui pela terra.

    Mas o Deus é também O Trapaceiro, o Senhor da Embriaguez, o Desafiador e o Ancião da Justiça. Ele nos faz seguir um caminho e nos perdemos para conhecer o pânico de Pan… ele nos deixa loucos como Dionisio, ou perdidos nos devaneios de Netuno… ele é o Desafiador, seja nos duelos, seja na guerra, na luta pela sobrevivência… ele é caprichoso e insidioso, ele nos engana, nos deixa desesperados e sorri – porque esse é seu papel; estimular o novo, mostrar que nosso desespero é inútil e só nos escraviza…

    Como a Deusa, Ele está na fome e no fim da fome, na vida e na doença terminal, na luz e na sombra, no que é bom para você e no que é mau… A Deusa nunca está só, ela tem sua contraparte masculina e, no entanto, Ele só existe por amor a Ela… alias, todos nós somos fruto dessa dança de amor. O Deus é o Ancião sábio, o distribuidor da Justiça, seja a que se impõe com sabedoria ou raios… Ele conhece os segredos dos oráculos, mas sabe que são Dela… ele é o repositório do conhecimento, mas a sabedoria é Dela… ele lê os sinais da natureza, mas sabe que quem os escreve é Ela.

    E o velho sábio vai murchando e se transforma no Senhor da Morte… ele que é o Senhor de Dois Mundos, pois no ventre dela, de volta, ele vive sua morte e a própria ressurreição. Mistério e segredo, morte e retorno, Ele é o que atravessa os portais dos quais Ela é a Senhora. Ele, o Caçador, que também faz o papel de Ceifador… Ele que ronda o leito dos moribundos e dança a dança da morte. O Senhor dos esqueletos.

    Ele que na dança da morte retoma o brilho do sol e sua face negra se ilumina, em uma explosão impossível de conter, e Lugh nasce outra vez…

    Ele que é Pai, Filho, Bebê Iluminado, Amante Selvagem, Sábio Educador… ele, o Deus que se revela apenas pela Deusa.
    Bjs

  25. fynealhns said

    Corrigindo:

    – Me expressei errado aqui:

    Os corpos tem cios; é natural; é orgânico, é lindo também. Mas, será que as “almas” as essências, enfim, o nome que preferirmos, tb tem? E o natural, seja mesmo que elas se fundam em busca desta completude?

    Minha pergunta é:

    E o natural, seja mesmo que elas “tenham mesmo que se fundir” em busca desta completude?

  26. adriret said

    Fy,

    Fui esclarecer minhas próprias dúvidas, que já as tinha a algum tempo. Sabe aquela coisa que a gente intui, verifica nos sonhos, mas ainda não tem certeza? então, me surgiram essas questões novamente, e encontrei um monte de boas informacões que me ajudaram muito.

    Minha concepcão de Deus/Deusa foi e ainda é de uma certa forma, Judaico/Cristã, embora hoje vejo muitas similaridades entre todas as correntes de desenvolvimento humano e goste muito do Budismo Tibetano, ainda como base tenho arraigado toda a simbologia judaica/cristã no meu inconsciente.

    Depois que descobri Jung (rsrsrs) e sua teoria, também os pós junguianos (apesar de estar conhecendo agora), não dá pra não usar como referência, pois corresponde e vêm explicar de forma maravilhosa nossos processos interiores de transformacão e busca, pelo menos em minha psiquê ocidental.

    O que você escreveu acima de forma muito bonita, está perfeito e é dessa forma que entendo também. Essas polaridades divinas, como numa danca, se alternam e hora se mesclam para dar forma ao nosso universo. E claramente se percebe que ambas tem as mesmas características, só que em polos opostos, embora sejam as mesmas coisas, ou seja, dois aspectos de uma única forca.

    Só pra constar a minha dúvida era sobre “a imagem” que o arquétipo do Self se apresenta em nossa psiquê e, bingo.

    “Quando, depois de duras lutas, desfazen-se as personificacões do animus ou da anima, o inconsciente muda de aspecto e aparece sob uma forma simbólica nova, representando o Self, o núcleo mais interior da psique” (M.L. Von Franz)

    “Surgem então nos sonhos, as primeiras figuracões desse centro profundo. Habitualmente, nos sonhos das mulheres, esse centro revela-se sob a forma de uma figura feminina superior – sacerdotisa, deusa mãe ou deusa do amor, que emana autoridade e benevolência. Nos sonhos dos homens assume o aspecto de velho sábio, de mago, de mestre espiritual, Deus, Pai… “(Nise da Silveira)

    Também só pra esclarecer, acima no outro coment eu escrevi que achava que a anima/animus representava o inconsciente pessoal, na-nani-nanão. A sombra representa o inconsciente pessoal, e a anima/animus representa o inconsciente coletivo. Meno male, não fica tão distante a auto-realizacão.

    Bom, tem coisas lindas pra ser colocadas a esse respeito das polaridades, assunto pra um post denso, mesclando Cabala, psicologia analítica e as etapas das iniciacões místicas.

    bjs
    adi

  27. adriret said

    Fy,

    >>>Os corpos tem cios; é natural; é orgânico, é lindo também. Mas, será que as “almas” as essências, enfim, o nome que preferirmos, tb tem? E o natural, seja mesmo que elas se fundam em busca desta completude?

    Minha pergunta é:

    E o natural, seja mesmo que elas “tenham mesmo que se fundir” em busca desta completude?<<<

    É no que acredito. Pra mim é natural da alma; faz parte de sua natureza buscar e se fundir ao seu oposto complementar, só assim se tornando pleno e completo o Ser.

    Pra mim esse é o propósito da própria existência e vida; fundir, juntar, unir, tornar um só, a consciência com o inconsciente. Essa é a atracão magnética do amor e do sexo, que num sentido físico une e constrói novas formas físicas; e que essa mesma forca quando deixa de ser instintiva, busca a união dos opostos psíquicos e uma restauracão da percepcão total no Ser, ou seja, perceber o real estado do Ser, corpo e espírito nunca estiveram separados. Céu e Terra são um só.

    bjs
    adi

  28. fynealhns said

    Adi,

    Faça este post lindo!

    Tô só esperando o da Sem! também.

    Vou colocar uma coisa linda aqui; que se aproxima muito de mim, em matéria de crença; e resume o q vc diz sobre a terra e o Céu serem um só; mesmo q sob outro ponto de vista.

    Roubei lá do Claudinho Crow:

    – Caeiro e a “metafísica” – ah, Pessoa, ensina! –

    Em clima de reflexões pré-outonais… uma aula a quem queira entender o divino…

    For everyone:
    Há metafísica bastante em não pensar em nada.
    O que penso eu do mundo?
    Sei lá o que penso do mundo!
    Se eu adoecesse pensaria nisso.

    Que idéia tenho eu das cousas?
    Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
    Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
    E sobre a criação do Mundo?

    Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
    E não pensar. É correr as cortinas
    Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

    O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
    O único mistério é haver quem pense no mistério.
    Quem está ao sol e fecha os olhos,
    Começa a não saber o que é o sol
    E a pensar muitas cousas cheias de calor.
    Mas abre os olhos e vê o sol,
    E já não pode pensar em nada,
    Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
    De todos os filósofos e de todos os poetas.
    A luz do sol não sabe o que faz
    E por isso não erra e é comum e boa.

    Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
    A de serem verdes e copadas e de terem ramos
    E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
    A nós, que não sabemos dar por elas.
    Mas que melhor metafísica que a delas,
    Que é a de não saber para que vivem
    Nem saber que o não sabem?

    “Constituição íntima das cousas”…
    “Sentido íntimo do Universo”…
    Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
    É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
    É como pensar em razões e fins
    Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
    Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

    Pensar no sentido íntimo das cousas
    É acrescentado, como pensar na saúde
    Ou levar um copo à água das fontes.

    O único sentido íntimo das cousas
    É elas não terem sentido íntimo nenhum.
    Não acredito em Deus porque nunca o vi.
    Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
    Sem dúvida que viria falar comigo
    E entraria pela minha porta dentro
    Dizendo-me, Aqui estou!

    (Isto é talvez ridículo aos ouvidos
    De quem, por não saber o que é olhar para as cousas, Não compreende quem fala delas
    Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

    Mas se Deus é as flores e as árvores
    E os montes e sol e o luar,
    Então acredito nele,
    Então acredito nele a toda a hora,
    E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
    E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.
    Mas se Deus é as árvores e as flores
    E os montes e o luar e o sol,
    Para que lhe chamo eu Deus?

    Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
    Porque, se ele se fez, para eu o ver,
    Sol e luar e flores e árvores e montes,
    Se ele me aparece como sendo árvores e montes
    E luar e sol e flores,
    É que ele quer que eu o conheça
    Como árvores e montes e flores e luar e sol.

    E por isso eu obedeço-lhe,
    (Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).

    Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
    Como quem abre os olhos e vê,
    E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
    E amo-o sem pensar nele,
    E penso-o vendo e ouvindo,
    E ando com ele a toda a hora.

    (Alberto Caeiro/Fernando Pessoa)

    http://claudiocrow.multiply.com/journal

    Bjs

  29. adriret said

    Que lindo Mob, lindo mesmo….

    … até respirei mais fundo, sentindo toda essa vastidão divina, a vida pipocando a cada canto que se olha, se ouve, sente o aroma, a brisa, o calor…. nossa!!! lá está “A Vida”….

    Mob, e tem mais, o fundamental; o cabra só sente, vê, toca, percebe dessa maneira, porque já têm dentro do coracão essa mesma centelha acesa, desperta pra olhar com olhos diferentes…

    É, a Vida é bela! Efeitos de Tiphareth.

    bjs
    adi

  30. adriret said

    Fy,

    me desculpa… por um instante eu juro que pensei que fosse o Mob que tivesse colocado esse poema.

    Nossa!!! isso prova como nossa percepcão nos engana, e o que a gente vê é exatamente o que nossa percepcão quer nos mostrar, e não a coisa real em si.

    Como nosso cérebro interpreta e torna real a interpretacão na nossa mente.

    Puxa, eu ainda reli (rsrsrs).

    bjs
    adi

  31. fynealhns said

    Adi, don’t worry; but, believe it or not …it’s just me.

    – Muito embora, milhões de abordagens e temas possam surgir de um mito qq, a mensagem-mito de La Loba, em sua simplicidade crua e tão velha, possui apenas o encanto de nos lembrar ou até mesmo celebrar a arte da Transformação.

    Esta é sua força real. Aquela arte que não representa apenas a “substituição” de determinados valores, critérios ou hábitos por outros. Mas sim a celebração da morte do robô; do andróide sinistro programado para o sofrer – reagir e se sublimar por esta capacidade. A morte do robô e a Recuperação da Essência do Ser; tão bem representada pelos ossos.

    É aquela tal da alquimia natural e íntima; que mistura coragem da alma com ousadia do corpo e da mente, e elimina o agente envenenador que produz os medos. Algo como enterrar a couraça onde todos os bloqueios, sustos, medos cristalizaram padrões descoloridos de comportamento e ousar desenterrar a Fôrça e a Essência do ser mais autêntico, ousar dissolver a idéia do conformismo e a possibilidade da Transformação.

    Copiei este pedacinho pra vc; fazendo uma analogia entre o mito de La Loba e a Cabala: – talvez por aqui; ela tb se faça presente em uma outra linguagem:

    – O caminho de Num, une Netzach [ a Vitoria, a emanação da energia vital associada à arte ao amor aos sentimentos em geral e à Natureza] com Tipharet [ a Beleza, o centro, o Sol]

    Este é um dos caminhos que unem a Personalidade com o Ser Superior, transcedendo a esfera do desejo de Netzach para integrar-se no amor de Tipharet. O Eros se transforma em Filos.

    Neste caminho, a energia da Personalidade projetada pelo Ser Superior é absorvida na morte física > e/ou reconceituada numa iniciação.

    La Loba é apenas o mesmo símbolo: de que estas reconceituações podem ser efetuadas.

    Bjs

  32. fynealhns said

    Celebrando o retorno do Andrei, – vou colocar La Loba ainda sob uma outra perspectiva.

    Qdo ele cita a Zulma Reyo; de quem tb gosto bastante, – visualizo a imagem da Mulher dos Ossos, tb neste ritual de purificação; qdo ela nos traz, com seu ritual de vida/morte/vida, a possibilidade do morrer destas “aderências parasitantes” – q vamos adquirindo; diexando q elas nos incorporem aos poucos e atuem como “cacoetes emocionais” – alterando e deformando nossa natureza e o segmento original de nossas vidas – e do Renascer liberto e cada vez mais aprimorado em busca da realização. Ela representa esta possibilidade, embora através de um trabalho bastante poderoso e pessoal.

    Táqui:

    A autora também define como elemento chave para entender o processo cármico aquilo que chamamos de forma-pensamento.
    É através dessas estruturas mentais/emocionais geradas e mantidas por nossos pensamentos e ações que se dá a atração das condições externas que caracterizam a relação de causa e efeito. E essas formas-pensamento seriam visíveis a médiuns treinados como aderências no campo causal.
    É praticamente a mesma interpretação, dita em termos atuais, do processo cármico tal como compreendido no Jainismo, uma das religiões mais antigas da India. Os janistas crêem que o carma é uma substância que se adere à alma, e essa quantidade e qualidade de substância aderida que define as condições atuais da vida do individuo. Essa substância pode ser eliminada através de jejuns e meditações.
    Andrei em Carma e Linearidade

    Bjs Andrei: e, q bom te ler de novo.

  33. adi said

    Fy,

    Acredito sim, é você nua e crua (rsrsrs).

    OLha que coisa, ainda ontem estava lendo Alquimia da Von Franz, pra terminar o ultimo post do M.Coniunctionis (que ainda vai demorar um pouco), e encontrei tudo isso que você escreveu no post La Loba, e que você já havia citado, no mito de Isis, também recolhedora de ossos, pra ressurreicao do Deus Sol.

    A Von Franz também correlaciona essa iniciacão com a dos Xamãs, e do desmembramento do corpo do iniciado na sua viagem para o outro lado, ou viagem ao subterrâneo, ou mundo dos espíritos ou demônios, o lado sombrio, que outra coisa não é que o “ïnconsciente” coletivo.

    Tem uma simbologia profunda o desmembramento e depois a reunião dos ossos e da carne, ou dos membros. Significa a quebra da antiga estrutura (ou da sistase), e uma nova reorganizacao onde a Essência possa se manifestar mais livremente. Também tem a mesma correspondência na ¨iluminacão ou iniciacão mística¨ que eu estava falando no outro comentário, porque toda grande ampliacão da mente, ou expansão, tem essa natureza, quebrar a estrutura estagnada e sufocante que acorrenta o ser, e se restabelecer numa nova possibilidade mais ampla… Nossa Fy, esse assunto é bem vasto, visto que também se relaciona com o esvaziamento das energias arquetípicas, aquela coisa das cascas que aprisionam (tipo religiões ou crencas), com o carma…. dá pra fazer uma boa salada (rsrsrs). É que percebo que tudo, tudo mesmo, é a mesma coisa, o que muda é a linguagem, a modo de dizer a mesma coisa de maneira diferente, de fazer a mesma coisa de maneira diferente….

    Estou repetindo tudo que você escreveu acima do meu modo (rsrsrs). De fato Fy, tudo se relaciona, La Loba é o mito, símbolo da transformacão humana, da morte e renascimento. Morte do velho e nascimento do novo. Pode ser observada dentro e fora de nós.

    Salve nosso amigo ¨ Andrei, o retorno¨. Fiquei feliz em ver sua carinha alegre aqui participando.

    Bjs a todos
    adi

  34. Bob said

    Muito, muito, muito bom td isto que está rolando por aki! Ótimos comentários e sinergia 🙂

    Isto é o ‘abrir dos olhos’, como diz o mestre Caeiro naquele espetacular texto anteriormente inserido:

    “O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
    O único mistério é haver quem pense no mistério.
    Quem está ao sol e fecha os olhos,
    Começa a não saber o que é o sol
    E a pensar muitas cousas cheias de calor.
    Mas abre os olhos e vê o sol,
    E já não pode pensar em nada,
    Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
    De todos os filósofos e de todos os poetas.
    A luz do sol não sabe o que faz
    E por isso não erra e é comum e boa.”

    e com muita lucidez, tb comentado pela Fy:

    “Qdo ele cita a Zulma Reyo; de quem tb gosto bastante, – visualizo a imagem da Mulher dos Ossos, tb neste ritual de purificação; qdo ela nos traz, com seu ritual de vida/morte/vida, a possibilidade do morrer destas “aderências parasitantes” – q vamos adquirindo; deixando q elas nos incorporem aos poucos e atuem como “cacoetes emocionais” – alterando e deformando nossa natureza e o segmento original de nossas vidas – e do Renascer liberto e cada vez mais aprimorado em busca da realização. Ela representa esta possibilidade, embora através de um trabalho bastante poderoso e pessoal.”

    Muito legal! :))

    Bjs e abs

  35. adriret said

    Bob,

    A Fy foi demais, grande pensadora essa moça, aliás todos aqui, participantes e autores.

    Pra mim (pra mim), participar aqui no Anoitan tem sido transformador, verdade. E convido a todos que quiserem ou desejarem participar, que não se acanhem, participem e coloquem pra fora suas idéias, pois é uma forma bacana de auto-conhecimento.

    O Anoitan tem sido como um bate papo de “assuntos” raros no meio comum, assuntos que a gente encontra mais facilmente aqui na net. Estou aprendendo muito aqui com todos, estou aprendendo a sentir mais por ex. em poemas, aprendendo a ouvir com o coracão os contos e cantigas que me lembro tê-las ouvido dessa forma quando criança; aqui estou tentando me elevar à mesma compreensão de quem escreveu de Si-mesmo, de quem expressou sua visão de mundo, e assim me torno maior, me torno mais, me torno melhor…

    Obrigado a todos, mesmo.

    adi

  36. fynealhns said

    – Pois é, eu sou uma chorona. Mas, acho q isto emociona qq pessoa. Aliás, acho tb q isto merecia um post; pq no fundo…. a verdadeira leitura é um preconceito puro.

    Mas fico aqui pensando; …por qtos anos todo este talento, esta emoção, esta sensibilidade foi, …não contida; mas exprimida, com certeza : e com o mesmo amor e paixão, na simplicidade de um mundo pequenininho e da mesma forma imenso de uma família ou de um vilarejo.

    Nossa… eu queria abraçar esta mulher; e pedir desculpas pela mediocridade do mundo. Que espírito mais grandioso e que simplicidade tão….superior!

    “….. Ela vive dentro de nós; e nos transcende!”

    http://mais.uol.com.br/view/o8stvy18i8vx/candidata-a-cantora-susan-boyle-vira-hit-na-web-04023662D0910346?types=A&

    Bjs

  37. Kingmob said

    fy, a letra:

    There was a time when men were kind
    When their voices were soft
    And their words inviting
    There was a time when love was blind
    And the world was a song
    And the song was exciting
    There was a time
    Then it all went wrong

    I dreamed a dream in time gone by
    When hope was high
    And life worth living
    I dreamed that love would never die
    I dreamed that God would be forgiving
    Then I was young and unafraid
    And dreams were made and used and wasted
    There was no ransom to be paid
    No song unsung, no wine untasted

    But the tigers come at night
    With their voices soft as thunder
    As they tear your hope apart
    And they turn your dream to shame

    He slept a summer by my side
    He filled my days with endless wonder
    He took my childhood in his stride
    But he was gone when autumn came

    And still I dream he’ll come to me
    That we will live the years together
    But there are dreams that cannot be
    And there are storms we cannot weather

    I had a dream my life would be
    So different from this hell I’m living
    So different now from what it seemed
    Now life has killed the dream I dreamed.

  38. adi said

    Fy,

    Também fiquei emocionada com a grandeza dessa mulher linda, linda, linda.

    Ela teve que ter muita coragem pra sair de seu vilarejo em busca de realizar “um sonho”, realizar aquela coisa “interior”.

    … Ela conseguiu.

    bjs

  39. Sem said

    Eu acho que não podemos idealizar o inconsciente, acreditar que são maravilhosas todas as sendas que se nos revelam, um caminho de pássaros e flores até o Sol. A realidade nos diz exatamente o oposto, a meta até deus é alcançada mui raramente, e bem mais comum é se perder ou desviar da senda estreita na primeira oportunidade. Mesmo os que desejam e se mantém fiéis ao “caminho”, descobrem invariavelmente um belo dia que ele não é tão maravilhoso assim e, ao contrário, é descendente e envolve mais dor e sofrimento, até finalmente admitirmos que sabíamos menos da alma antes de enveredarmos por essa desejada “subida” até uma possível redenção. O mais comum é matarmos a alma, nem que seja só um “pouquinho”, apenas para sentir menos, para parar de doer, dar fim ao desespero de vivermos em falta. A maravilha da completude é uma esperança alcançada por poucos e quando alcançada é fugidia. Sei que é assim, não sei porque é assim. Talvez porque pague-se um preço para se vir a ser quem é – ser original e não mais cópia, ter mais ‘ser’ e menos ‘persona’ – e poucos estejam realmente dispostos a querer ou possam efetivamente pagar esse preço.
    Fato é que não se chega até deus sem alma, mas da alma, que quase nunca se fala – nós aqui somos exceções num mundo materialista quase ao extremo, ninguém sabe dizer o que é a alma, onde habita, sequer se habita, porque a alma esconde suas mil faces em cavernas metidas na terra, em mulheres descarnadas e sereias fugidias, jovens ou velhas, bonitas ou feias, em Las Lobas. Mas a alma nunca está onde a pomos, está sempre além… inconsciente.
    Ouvindo vcs eu lembrei de um livro de Hillman, que eu li pela primeira vez apenas alguns meses atrás, mas que fez um de giro de 180° na minha cabeça. E eu acho que Hillman tem coisas importantes a nos dizer a respeito desses caminhos da alma, a nós que estamos interessados em descobrir o que é, talvez não o que seja uma mulher, mas o que é o feminino. As maravilhosas sendas e perigos a que uma jornada da alma pode nos conduzir, lugar de se perder e de se encontrar, mas, sem dúvida, não basta querer para encontrar.
    Fiz então uma coletânea de frases soltas do próprio Hillman do 1° cap desse livro e o que ele nos diz é o seguinte:

    Encontros Humanos e Conexão Interior

    Estar em um mundo humano é viver num mundo de seres humanos e, na verdade, o que nos ocupa mais a vida do que as pessoas? Desde o início emergimos à consciência numa teia de conexões humanas a nos comprometer incessantemente. Isso não se dá só porque o ser humano engloba também um animal social, mas porque sua natureza humana implica uma vida de sentimentos e de encontro com os outros. O trabalho, a arte, a natureza e as idéias podem nos absorver por um momento, mas logo estamos de volta, mergulhados na “vida real” – e vida real significa simplesmente o ser humano, nós mesmos e os demais. Nesses encontros conosco e com os outros, nós decepcionamos e somos decepcionados. Com o passar do tempo, a tragédia crescente do que acontece na vida significa em parte o que Deus, o destino e as circunstâncias ocasionaram e, de forma mais acentuada, o que ocorre no relacionamento com outras pessoas.

    Entretanto, esses problemas não são uma coisa que as pessoas têm, mas o que elas são.

    Quanto melhor e mais demoradamente se conhece uma pessoa, como em uma análise profunda que se estende ao longo de anos, tanto maior é a dificuldade de afirmar, com certeza, qual a raiz de seu problema, já que a verdadeira raiz é sempre a própria pessoa, e a pessoa não é nem uma doença nem um problema, mas sim um mistério fundamentalmente insolúvel.

    O encontro humano depende de uma conexão interior. Para estar em contato com você, é necessário que eu esteja em contato comigo mesmo.

    Se eu não estiver ligado à minha interioridade e você se aproximar para cobrir a distância entre nós por meio de uma ponte, pode ser que eu venha atravessá-la, levado pela força de atração (atração que é ampliada ainda mais pela minha falta de solidez interna) e caia em seus braços, perdendo minha identidade; ou, então, pode ser que a invasão me apavore. É evidente que a ligação humana é um encontro que se dá pela extroversão, e que a ligação entre as pessoas acontece conversando, estabelecendo relações interpessoais compartilhando o que somos. Mas também existe uma relação intrapessoal, essa conexão vertical que desce ao interior de cada indivíduo. Se eu tiver estabelecido esse eixo, poderei estar presente com meus sentimentos, interiormente aberto ao que vier, ancorado e fixo como um eixo que, ao mesmo tempo, consegue girar e que não poderá ser arrebatado por nenhuma luz distante e fantástica. Mas, na verdade, trata-se apenas de contrapeso necessário para a atração horizontal do encontro. E além do mais, eu desço e me retiro, deixo um espaço maior para você se expressar.

    Para sentir a natureza da audição, é preciso estabelecer a diferença entre ego e consciência. Enquanto existir essa identificação entre os dois, enquanto toda a luz da psique estiver assim condenada e dirigida, ela será experimentada por qualquer pessoa sobre a qual venha a incidir como uma força ativa e talvez até agressiva. E então o outro acenderá a sua própria luz, e as duas luzes se enfrentarão numa ofuscação de brilho e poder. Esse tipo de encontro é bastante freqüente. Mas é possível separar o ego da consciência, da mesma forma que os olhos e as mãos são órgãos que diferem do ouvido, preenchendo cada um o seu papel e dando sua colaboração específica à consciência. É possível desenvolver uma consciência receptiva através do ouvido, assim como uma consciência ativa pode se desenvolver por meio das mãos. O ouvido não pode ir a lugar nenhum, não pode fazer nada, nem magoar ninguém. Recebemos o outro como se fosse música, ouvindo o ritmo e a cadência de sua história, suas repetições temáticas e desarmonias.

    Se a alma é uma corda que vibra, somente o ouvido poderá revelá-lo. O ouvido é a parte feminina da cabeça. É a consciência oferecendo a máxima atenção com o mínimo de intenção.

    Todos nós somos afetados pela perda contemporânea de alma.

    Com freqüência o grau de perturbação psicológica de uma pessoa é o fator determinador da distorção ou deslocação correspondente da imagem de Deus.

    A ligação profunda e vertical, em nível interior da raiz arquetípica, parece estar truncada ou torcida. Se a ‘imitatio Christi’ é negligenciada, ela cai no inconsciente e trabalha por trás sob a forma de uma ‘identificatio Christi’.

    Em busca da alma a psicologia profunda, o existencialismo e a nova teologia sugerem que se desça.

    Não confundamos as coisas, contudo, a ponto de não fazer a mínima diferença se a jornada conduz para cima ou para baixo. Se descobrirmos ser a localização da alma – e da experiência de Deus – sombriamente interior e de sentido descendente, devemos estar preparados para uma viagem perigosa. As posições inferiores (o escuro, o baixo e o profundo) são os domínios do Diabo e de seu séquito de demônios. Descer significa caminhar por um labirinto, e mesmo a tradição teológica reconhece que esse caminho leva à confrontação com tudo aquilo que foi rebaixado ao longo de séculos: a matéria, a ‘physus’, a fêmea, o mal, o pecado, a parte inferior do corpo, a paixão.

    O caminho descendente pode ocasionar o “encontro com a base da existência”, mas quando Dante passou por ali também se deparou com outras coisas. Por essa razão, não conseguimos chegar à alma e à experiência de Deus a não ser que o façamos via inconsciente, o que significa, nada mais nada menos, que nos defrontarmos com pecados e males, e com todo o turbilhão de possibilidades mantidas fora do alcance da civilização consciente.

    O inconsciente é, portanto, a porta através da qual nós passamos para encontrar a alma.

    Em outras palavras, eu ganho alma ao vivenciar o inconsciente. Principalmente por meio dos sonhos, ao fantasiar e ao acolher o mundo interior, a alma ocupa mais espaço em minha vida, tendo mais peso em minhas decisões; ou seja, ela adquire mais realidade concreta.

    Além do mundo conhecido de minha realidade mental (introspecções, fatos que me preocupam, planos, observações, projetos e pensamentos) e da realidade de objetos à minha volta, poderá desenvolver-se um terceiro domínio que é uma espécie de inconsciente conscientizado. É assim como uma realidade de tipo não exatamente concreto, não dirigida, não comandada, não objeto e não sujeito. Ela também não é totalmente eu. É, antes, alguma coisa que acontece comigo.

    Essa terceira realidade é de ordem psíquica, um mundo de experiências, emoções, fantasias, estados de ânimo, visões, sonhos e diálogos, um amplo espaço que se abre, livre e espontâneo – um domínio onde as significações preponderam. Nesse estado de espírito podemos sentir a conexão conosco e com a natureza. Podemos chorar, explodir ou deixar dançar a sensualidade, discutir com Deus, examinar ponderabilidades, e encontrar sem meditação que se guie por uma compulsão ativa ou rigores extremos, sem LSD ou “experiências com drogas”, uma vida interior chegando à luz.

    (Uma busca interior em psicologia e religião; James Hillman; Ed. Paulinas, 1984)

  40. adi said

    Mob,

    Ela escolheu a música certa, estava tudo perfeito na “mensagem” que Ela queria passar.

    E quando a expressão é a expressão da própria Essência, é contagiante, é transformador, arrebatador. Todos ali naquela platéia ficaram entregues ao poder dela, e com certeza comecaram a olhar a vida de maneira diferente… nós aqui em outro País, distantes, nos contagiamos disso…

    bjs

  41. fynealhns said

    Adi,

    Vc viu só como ela foi saindo; simplesmente, – ela até esqueceu que seria “avaliada”. Acho mesmo q ela só queria cantar! Era só isto o que ela queria.

    Uma coisa q me impressionou mto; foi qdo ela disse:

    – Esta é “só uma parte” de mim!

    – e é o q agente costuma fazer; …sempre. Olhar ou julgar, idealizar ou definir as pessoas sómente pelo q “conseguimos enchergar” num 1° momento.

    – Ela queria cantar…. deu um show !!! – e, ofereceu uma baita lição de vida, sem a menor intenção.

    Bjs

  42. fynealhns said

    Sem,
    Ele é mesmo mto bom!
    Eu leio, devagarinho e tenho que ler de novo.

    Neste trecho aqui:
    Essa terceira realidade é de ordem psíquica, um mundo de experiências, emoções, fantasias, estados de ânimo, visões, sonhos e diálogos, um amplo espaço que se abre, livre e espontâneo – um domínio onde as significações preponderam.

    Vou colocar um trecho do Mob, [ mto bom] como complemento:

    >Mas qualquer tradução das estruturas cognitivas fundamentais sob uma forma narrativa pode ser considerada um mito.

    Realmente a experiência, principalmente as brincadeiras lúdicas com I. Ativa e sonhos lúcidos, mostra que há uma polpa macia da realidade que se constitui de histórias, lendas, narrativas, etc.

    Uma das mais bonitas práticas de alguns povos aborígenes é a contação de histórias em que há o compartilhamento e a vivência da mitologia e das lendas da comunidade.

    Nós perdemos em algum momento esta capacidade de viver o mito como presença viva e fundamental nas nossas vidas, não sabemos mais que uma história tem pelo menos tanta realidade e vida quanto nosso senso de Eu.

    Eu gosto muito de um momento do Jung quando ele fala em experimentar o próprio mito individual, acho que no Memórias, Sonhos e Reflexões.

    Mito individual que transcende o individual, diga-se. Porque imho o papel da história, da narrativa mítica (arquetípica), é justamente liberar da carga de literalidade escravizante a consciência… Narrativa tambem e’ consciencia, tamb’em e’ “auto-consciencia”.

    E esta constatacao eh extasiante para nos que somos ou queremos ser escritores ou trabalhar com o texto como forma de experimentacao da consciencia.

    Vida eh cornucopia infinita, para onde vc olha ha’ vida, vida animal, vida vegetal, vida humana, vida textual, vida sobre-humana, vida infernal, vida paradisisca, vida, sempre vida…. porque para onde vc olha, onde vc sente, em todo lugar a vida esta superando a si propria.

    Evolucao nao se faz somente em milhoes de anos, faz-se tambem nos milesimos de segundo.
    Mob em Tudo é Mito

    https://anoitan.wordpress.com/2008/11/19/tudo-e-mito/#comments

    Depois venho ler de novo: com mais calma.

    Bjs

  43. Gustavo said

    Olá a todos e parabéns.

    Há alguns dias estou lendo todos voces e, esta também é uma chance de agradecer a incrível, ‘emocionante’ e instrutiva oportunidade por demais agradável de conhecer os talentos de cada um.

    Sómente um pitaco:

    Rebuscando:

    O maior e mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e atravessa todo o país. Rasgado, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes por esse motivo tornou-se conhecido com o nome Odò Oya, já que ya, em iorubá, significa rasgar, espalhar. Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove orum, dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyá Mésàn, Iansã (Yánsàn). Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada com o elemento fogo. Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio de uma chuva, é a filha do fogo-Omo Iná. Um de seus filhos foi Egungum, o antepassado que fundou cada família. Foi Egungum, o ancestral que fundou a cidade.
    Hoje, quando Egungum volta para dançar entre seus descendentes, usando suas ricas máscaras e roupas coloridas, somente diante de uma mulher ele se curva. Somente diante de Oiá se curva Egungum. Oiá ganha de Obaluaê o reino dos mortos
    Certa vez houve uma festa com todas as divindades presentes. Omulu-Obaluaê chegou vestindo seu capucho de palha. Ninguém o podia reconhecer sob o disfarce e nenhuma mulher quis dançar com ele. Só Oiá, corajosa, atirou-se na dança com o Senhor da Terra.
    Tanto girava Oiá na sua dança que provocava Vento. E o Vento de Oiá levantou as palhas e descobriu o corpo de Obaluaê. Para surpresa geral, era um belo homem.
    O povo o aclamou por sua beleza. Obaluaê ficou mais do que contente com a festa, ficou grato. E, em recompensa, dividiu com ela o seu reino. Fez de Oiá a rainha dos espíritos dos mortos.
    Rainha que é Oiá Igbalé, a condutora dos eguns [ os mortos] . Oiá então dançou e dançou de alegria. Para mostrar a todos seu poder sobre os mortos, quando ela dançava agora, agitava no ar o iruquerê, o espanta-mosca com que afasta os eguns para o outro mundo.
    Rainha Oiá Igbalé, a condutora dos espíritos. Rainha que foi sempre a grande paixão de Omulu.Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

    Lá dos confins da África mais uma face da Mulher, de seus segredos e da sua ‘dança’ através dos tempos.

    A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover.

    Abraços,

    Gustavo

  44. Bob said

    Algo mais sobre Susan Boyle:

    O clipe dela já foi visto mais de 12 milhões de vezes no YouTube!

    E vejam o que ela disse, referindo-se à falecida mãe:

    “Fiz isso pela minha mãe”, disse Boyle. “Eu queria mostrar a ela que poderia fazer algo de minha vida.” (!!!)

    🙂

  45. fynealhns said

    Sem,

    Entretanto, esses problemas não são uma coisa que as pessoas têm, mas o que elas são.

    Quanto melhor e mais demoradamente se conhece uma pessoa, como em uma análise profunda que se estende ao longo de anos, tanto maior é a dificuldade de afirmar, com certeza, qual a raiz de seu problema, já que a verdadeira raiz é sempre a própria pessoa, e “a pessoa não é nem uma doença nem um problema, mas sim um mistério fundamentalmente insolúvel.”

    “a pessoa não é nem uma doença nem um problema, mas sim um mistério fundamentalmente insolúvel.”

    Sem, se der um tempinho, fale mais um pouco sobre isto – dava até um post – ; é tão incrível, é desconcertante; e é verdade pura.

    Bjs

  46. fynealhns said

    Seja bem-vindo Gustavo!

    Nossa q linda a história de Iansã.
    É meu orixá e da Sem tb.

    Sem,
    – Vc e eu temos um orixá diversificado! Eu sabia que ela era a paixão de Ogum mas que acabou casando com Xangô; – não tem uma música que conta isto? Não lembro quem canta. – agora aparece este orixá também? Rsrsrsrsrs mais poderosa dançando que que a Susan Boyle cantando !!!!!!!!

    Bjs

  47. adi said

    Sem,

    Eu entendo o que vc está dizendo; realmente não é nada fácil o caminho, muito menos simples. Não se trata de “deslumbramento em pastos verdejantes sob o sol da primavera”, muito pelo contrário.

    Vou ler com calma o seu coment e amanhã volto pra comentar.

    bjs

  48. Kingmob said

    >O encontro humano depende de uma conexão interior. Para estar em contato com você, é necessário que eu esteja em contato comigo mesmo.

    Para estar em contato comigo mesmo eu preciso me conhecer e me aceitar.

    >Se descobrirmos ser a localização da alma – e da experiência de Deus – sombriamente interior e de sentido descendente, devemos estar preparados para uma viagem perigosa. As posições inferiores (o escuro, o baixo e o profundo) são os domínios do Diabo e de seu séquito de demônios.

    Espera aí, então. O que esse pessoal da psicologia profunda, teologia cultural, etc. diz então bate frontalmente com as doutrinas espíritas. A ideia no espiritismo é ascender através da caridade (não há salvação fora da caridade) até se tornar um espírito de luz e não estar sujeito a sofrimento. Já nesse texto do Hillman fica clara a sugestão à descida ao inferno. Seja como um Dante guiado pelo poeta Virgílio, seja como um condenado em um dos nove círculos infernais, a descida ao inferno vem antes das ascensões paradisíacas . Descida aos abismos profundos e incomunicáveis que a gente está “proibido” de comentar, inclusive nos Anoitans. Por trás das maciezas femininas, honradezes masculinas e das epifanias poéticas, escondem-se instintos assassinos, intrigas maquiavélicas, ambições sem felicidade e tudo que a loucura da alma humana possa conter.

    A Sem na sua lucidez colocou bem. O sofrimento suspende a nossa capacidade de fabular, não há articulação suficiente para palavras, o que restam são gemidos, urros, gritos. A possibilidade posterior da palavra e da poesia é uma benção, uma salvação. O poeta vai tentar desarticular a língua na própria língua, sem sair dela totalmente como no sofrimento cru e nu, mas isso é verdadeiramente um luxo.

    Então sim, o buraco é mais embaixo, e é bom de ter consciência disso. Talvez o caminho para Deus/iluminação seja um caminho de assumir sofrimentos (inarticulações, impossibilidades da palavra) voluntariamente, conscientemente, como sugere Gurdjieff. Então por que não continuarmos com nossos pequenos prazeres (articulações, possibilidades da palavra) e êxtases até que o chamado da Divindade (Destino, Sina) aconteça de forma que não seja possível ter escolha. Vamos ser sinceros, é assim que funciona, não é ?!? Mesmo que nos tornemos eremitas a escolha no final não é nossa. Não temos escolha nenhuma quanto a isso.

    Já é um bonito trabalho se nos ajudarmos uns aos outros a nos aceitarmos sem pressões de sermos diferentes, com a beleza e a fealdade, por inteiro, mais completamente. Deixando as picuinhas e pequenas diferenças de lado, tendo mais carinho, se abrindo se puder ser assim. A vida é suficiente, até que haja o chamado.

  49. adi said

    Gustavo, bem-vindo aqui no Anoitan.

    Legal você trazer um pouco do conhecimento do Candomblé aqui em analogia a La Loba.

    Muito bem lembrado. E tudo isso prova que as imagens arquetípicas são universais em sua estrutura e fundamentos, o que diferencia um pouco é a “roupagem” da imagem arquetípica conforme a cultura do povo no qual está inserida.

    O Arquétipo da Grande Mãe, tem como símbolo pra representá-lo a Deusa Isis na cultura do Egito, no Candomblé tem Iansã ou Oiá, para os índios a Grande Mãe é La Loba, no cristianismo Ela é a Virgem Maria, entre outros símbolos que não lembro-me.

    Todas as Deusas representam a potência feminina do universo, a geradora, a Grande Mãe, Rainha do Mar, ou Grande Mar, o Grande Útero, também rainha do subterrâneo e do mundo dos mortos.

    Enfim, dá pra perceber que todas Elas, em seus fundamentos são iguais, portanto são o símbolo de uma mesma forca arquetípica universal.

    Bacana, acrescentou bastante o seu pitáco.

    abs
    adi

  50. Bob said

    > O Anoitan tem sido como um bate papo de “assuntos” raros no meio comum (…)

    É isso aí Adi…Valeu!… bjs e abs pra vc e para Sem, tb. 🙂

    ———————————————————————————

    > Já nesse texto do Hillman fica clara a sugestão à descida ao inferno. Seja como um Dante guiado pelo poeta Virgílio, seja como um condenado em um dos nove círculos infernais, a descida ao inferno vem antes das ascensões paradisíacas

    Eu vejo assim a ‘questão’: O ‘ponto’ superior, apoia-se no ‘inferior’…não há como evitá-lo se, na mesma medida em que nos dirigimos ao alto, para o ponto mais baixo tb nos ‘estendemos’, pois é ‘apoio’, base ou mesmo ‘passagem’ (até prefiro esse último termo, pois remete-nos à ideia de ‘portais’…tanto superiores quanto inferiores)

    abs

  51. fynealhns said

    Sem,

    Pode ser q eu esteja interpretando Hillman de uma forma errada; e talvez por isto ele me pareça tão apaixonante.

    Analisando este coment do Mob, eu imediatamente me remeti a este artigo do Hillman:

    PICOS E VALES

    A distinção alma/ espírito como base para as
    diferenças entre psicoterapia e disciplina espiritual
    James Hillman

    E, mesmo q sem querer, eu percebo q a confusão se encontra na brilhante definição [ a q vc já se referiu] de alma e espírito: anima e animus de Hillman.

    Mais; – se eu estiver errada me corrija -: qdo nos referimos [ não como Hillman] a esta busca do Self e o caracterizamos como centelha divina ou deus interior; – é “preciso” entender melhor “que tipo de deus” procura-se no self ou no interior de nós mesmos.

    Me parece que o próprio Hillman classifica desta forma; porque é através da identidade deste deus que identificaríamos a qualidade ou forma ou performance, seiláquepalavra, desta busca ou caminho p/ o self.

    Eu li a importância q Hillman confere à depressão; desdemonizando-a, mas a Von Franz tb o faz, blábláblá e tal; mas eu acho que não foi neste sentido, ou melhor, não é a isto q vc está se referindo; e sim à visão do Hillman que “pra mim” ficou muito bem explicada neste artigo, do “casamento do espírito e da alma” e TODOS os detalhes.

    É fan-tás-ti-co este artigo. “Mas” ele vem totalmente de encontro a “mim”, por ex; até pq o Hillman desconstrói esta imagem do deus cristão q, está tão incrustrada na memória ocidental e q, propositalmente exclui o caminho “pessoal” de acesso a ele. Tornando impossível, por analogia, o caminho do encontro, a busca da integridade em relação ao self qdo o classificamos de centelha divina ou deusinterior, etc; e que Hillman explica através deste casamento: espírito>alma – picos e vales.

    Mas, e quem percebe deus através da versão judaico-cristã com todas as suas implicações?
    Se a confusão foi minha, please, me esclareça.

    Bjs

  52. fynealhns said

    Sem,
    Tb neste parágrafo ele esclarece q a interpretação e a “performance” desta busca, varia conforme o tipo de crença q se tem:

    Bjs

  53. fynealhns said

    Sem,
    Tb neste parágrafo ele esclarece q a interpretação e a “performance” desta busca, varia conforme o tipo de crença q se tem:
    Não confundamos as coisas, contudo, a ponto de não fazer a mínima diferença se a jornada conduz para cima ou para baixo.
    Se descobrirmos ser a localização da alma – e da experiência de Deus – “sombriamente interior e de sentido descendente”, devemos estar preparados para uma viagem perigosa”. As posições inferiores (o escuro, o baixo e o profundo) são os domínios do Diabo e de seu séquito de demônios.
    Descer significa caminhar por um labirinto, e mesmo a tradição teológica reconhece que esse caminho leva à confrontação com tudo aquilo que foi “rebaixado” ao longo de séculos: a matéria, a ‘physus’, a fêmea, o mal, o pecado, a parte inferior do corpo, a paixão.
    Em outras palavras, eu ganho alma ao vivenciar o inconsciente.
    Bjs

  54. fynealhns said

    xiiii começou de novo: não sai o coment ou sai pela metade.

  55. fynealhns said

    Sem,

    Fui dar uma olhadinha de novo;

    – Estou me referindo a isto:

    A relação do analista da alma com o evento espiritual não se dá em termos de doutrinas ou de contéudos. O que nos interessa é a pessoa, o “Quem”, subindo a montanha. Também perguntamos: Quem chama lá de cima?

    Esta pergunta não é muito diferente da que se faz nas disciplinas espirituais, mas é crucial. Pois não se trata da viagem e de suas estações e sendas, nem da velocidade da ascensão, nem do degrau da escada, nem do pico e de sua experiência, nem mesmo do regresso — trata-se de quem na pessoa instiga todo o esforço.

    A passagem de um hemisfério cerebral para outro, da tediosa vida cotidiana no supermercado à superconsciência, do entulho para a transcendência, o acercamento _ em suma – do “estado alterado de consciência” , renega este ego histórico. Trata-se da alteração do estado de consciência que remonta ao Saulo, transformado em Paulo, da conversão no posto, eliminado o abdômen num relâmpago.

    Reparem , portanto,que a indagação arquétipica não é como ocorre o conflito entre alma e espírito, nem pôr quê, mas quem, dentre a variedade de figura s que compõem cada um de nós, que figura ou pessoa arquetípica se move nesse acontecimento? Que deus nos chama para subir na montanha , ou nos prende aos vales?

    Conforme a psicologia arquetípica, há um deus em cada perspectiva, em cada posição. Tudo é determinado pôr imagens psíquicas, incluindo nossas formulações de uma ou outra perspectiva divina. Nossa visão é mimética para este ou aquele dos deuses.

    Bjs

  56. Sem said

    Kingmob,

    Hillman, ainda, em “Uma busca interior em psicologia e religião”: a escuridão interior: o inconsciente enquanto problema moral:

    “Parece que enquanto tentamos iluminar, buscar a verdade e fazer o bem, um lado oposto cresce com a mesma intensidade. É um fenômeno tão independente da intenção de nossa consciência, tão difícil de ser enfrentado com firmeza e igualdade que, gradualmente, uma dissociação acaba por nos dividir. Na melhor das hipóteses agüentamos a tensão, sofrendo a dor moral. Na pior, reprimimos a ruptura e o mundo se ressente dela como hipocrisia e traição. Muito dificilmente se resolverá a divisão entre prédica e prática, consciência e sombra, Força da loucura e força da sabedoria, escolhendo-se um em detrimento do outro. Forçar a prática aos moldes da prédica, como fazia a velha moral, ou permitir que a pregação seja levada e delimitada pelos fatos da prática, como o quer a nova moralidade, apenas sufocará o conflito, sem resolvê-lo. Ambas as coisas estão enraizadas na psique humana, tendo sua autenticidade própria. São dois campos de ação, e talvez a mão esquerda e a mão direita não devam revelar seus segredos uma à outra. Talvez exista uma solução melhor que favorecer um lado esquecendo o outro: poderia ser o desenvolvimento do meio, o lugar interno e obscuro onde fica o coração.”

    E, vc disse, bem lembrado:
    >Para estar em contato comigo mesmo eu preciso me conhecer e me aceitar.

    Hillman:
    “Amar a si mesmo não é coisa fácil exatamente porque significa amar tudo dentro de si, inclusive a sombra, onde somos tão inferiores e socialmente não aceitos. O cuidado que se presta a essa parte humilhante também é cura. E mais: pelo fato da cura depender de cuidados, cuidar às vezes não significa nada mais que carregar. O fator de importância primordial na redenção da sombra é a habilidade de carregá-la consigo…
    Amar a sombra poderá começar pelo fato de carregá-la, mas mesmo isso não será suficiente. A um dado momento outra coisa deverá irromper: aquela compreensão que ri do paradoxo de nossa própria loucura, que também é igual à de todos os homens. Aí, então, poderá surgir a compreensão de tudo aquilo que é rejeitado e inferior, um caminhar junto e mesmo uma vivência parcial desse mundo. Esse amor poderá precipitar a identificação e o agir de acordo com a sombra, levando-nos a cair em seu fascínio. Aí está a razão de nunca podermos abandonar a dimensão moral. Consequentemente, a cura é um paradoxo que requer dois incomensuráveis: o reconhecimento moral de que essas partes de mim são pesadas e intoleráveis, precisando mudar justamente a aceitação amorosa e risonha que as receba exatamente como são, com alegria a para sempre. A um só tempo lutamos com severidade e aderimos de bom grado. Moralismo ocidental e abandono oriental: cada um se atém apenas a um lado da veradade.”

    Eu não vejo outra solução que não rir e chorar, nos darmos as mãos, fazer poesia e viver… ou a única coisa a fazer é tocar um tango argentino, como disse o Bandeira no seu pneumotórax.

    “A primeira vez que entendi do mundo
    alguma coisa
    foi quando na infância
    cortei o rabo de uma lagartixa
    e ele continuou se mexendo.

    De lá pra cá
    fui percebendo que as coisas permanecem
    vivas e tortas
    que o amor não acaba assim
    que é difícil extirpar o mal pela raiz.

    A segunda vez que entendi do mundo
    alguma coisa
    foi quando na adolescência me arrancaram
    do lado esquerdo três certezas
    e eu tive que seguir em frente.

    De lá pra cá
    aprendi a achar no escuro o rumo
    e sou capaz de decifrar mensagens
    seja nas nuvens
    ou no grafite de qualquer muro.”
    (Affonso Romano Sant’Anna)

    “Vamos, não chores.
    A infância está perdida.
    A mocidade está perdida.
    Mas a vida não se perdeu.

    O primeiro amor passou.
    O segundo amor passou.
    O terceiro amor passou.
    Mas o coração continua.

    Perdeste o melhor amigo.
    Não tentaste qualquer viagem.
    Não possuis carro, navio, terra.
    Mas tens um cão.

    Algumas palavras duras,
    em voz mansa, te golpearam.
    Nunca, nunca cicatrizam.
    Mas, e o humour?

    A injustiça não se resolve.
    À sombra do mundo errado
    murmuraste um protesto tímido.
    Mas virão outros.

    Tudo somado, devias
    precipitar-te, de vez, nas águas.
    Estás nu na areia, no vento…
    Dorme, meu filho.”
    (Drummond)

    “Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
    nem desconfia que se acha conosco desde o início
    das eras. Pensa que está somente afogando problemas
    dele, João Silva… Ele está é bebendo a milenar
    inquietação do mundo!”
    (Quintana)

    “A maior riqueza do homem
    é a sua incompletude.
    Nesse ponto sou abastado.
    Palavras que me aceitam como
    sou – eu não aceito.
    Não agüento ser apenas um
    sujeito que abre
    portas, que puxa válvulas,
    que olha o relógio, que
    compra pão às 6 horas da tarde,
    que vai lá fora,
    que aponta lápis,
    que vê a uva etc. etc.
    Perdoai
    Mas eu preciso ser Outros.
    Eu penso renovar o homem
    usando borboletas.”
    (Manoel de Barros)

  57. Sem said

    Oi, Fy, querida 🙂

    Tudo isso é terrivelmente complicado, não? Acho que a pergunta é quem mesmo. Pois ‘quem’ for que pergunte, quer e obtém rspostas diferentes.
    Hillman defende a alma e o politeísmo, mas um politeísmo de alma… Suas teorias, todas elas, seu ponto de vista é sempre o psicológico (alma/psique) e não o religioso (espírito). Para entender Hillman, acredito que o livro chave é “O Mito da Análise”, onde ele vai dizer o que é terapia, diferente de uma disciplina espiritual, falar mais detalhadamente de alma e espírito no mito Eros e Psiquê, e o interessante conflito de nossa cultura ocidental: Apolo X Dionísio, ligando o primeiro ao esírito e o último à alma. Então, muitas vezes, Hillman parece estar em confronto com o monoteísmo vigente das religiões cristãs e com a sociedade patriarcal, mas, quando ele o faz, é sempre do ponto de vista da alma, da psique, inclusive sempre que ele fala em espírito, é do ponto de vista da alma.

    Fy, muitas coisas em comum nos duas. 🙂 Tenho um amigo, que faz anos não vejo, mas as únicas coisas que sei de orixás, são as histórias que ele contava… No candomblé, ele dizia, a natureza é sagrada – o mar, a mata, o céu – cada deus tomando conta de um lugar. Dizia tb que se quisermos ir a uma floresta, por exemplo, devemos antes pedir permissão ao dono da floresta (não lembro quem), porque entrar ali sem permissão é o mesmo que invadir a casa de alguém e nada de bom pode nos acontecer ali não sendo convidados. Fico pensando nas nossas cidades, apinhadas e poluídas, quem as guarda? O mundo do candomblé me parece semelhante ao da astrologia, onde tb existem experiências e sentimentos que os deuses guardam e nos fazem passar… Tudo isso nos dá uma dimensão que não estamos sozinhos, nem controlamos com a razão o nosso destino. São mais descrições da alma, não?

  58. fynealhns said

    Sem,

    Nossa, eu ia até te fazer uma pergunta, – foi um insight q eu tive qdo eu li o coment do Bob, em q ele diz que é Leão em Leão; como eu: q sou Aquário em Aquário.

    Bem, eu entendo esta influência como uma “estranhíssima” construtora de tendências, por falta de uma palavra melhor. Tendências estas q temos que aprimorar ou “desencantar” durante nossa trajetória. Enfim, explorá-las a nosso favor pq, elas sem dúvida constituem a forma e a interpretação com e através da qual absorvemos a vida e o mundo.
    Aí te pergunto, – tanto eu como o Bob, por ex: ficamos meio que defasados nesta situação, não é? – ar-ar e fogo-fogo? O esforço não é maior?
    [ eu te encho a paciência com tantas perguntas, né?- não faz mal: responda qdo tiver tempo.)

    Bjs

    – No Japão existe um Elemental; um “espírito” q protege cada montanha, se não me engano são os djins… can´t remember….- mas já li em algum alugar q as confusões das favelas no Rio se originam por falta desta “pedida de licença” p/ o tal espírito.

  59. Sem said

    Fy,

    Fazer perguntas é sempre bom, ou não? 😉 eu também faço bastante perguntas, nem sempre espero pelas respostas, mas perguntar talvez signifique mais estender a mão pro outro do que dar-lhe uma resposta toda certinha. Quer dizer, é uma maneira de chamar o outro pra roda.

    Djins, sim! Tem um filme maravilhoso japonês: A Viagem de Chihiro, inclusive, o apelido da menina nesse filme, quando a feiticeira Yubaba rouba seu nome, é “Sem”… Um conto de fadas onde existem espíritos da natureza (rios e tal) que vão se banhar e purificar em uma casa mágica onde a menina vai parar… Visto assim superficialmente podemos dizer que os djins estão para os orixás do nosso candomblé… Puxa, recomendo muito esse filme…

    No Mulheres que correm com lobos, ao que me lembre, tem uma parte em que a autora fala a respeito da importância nos contos de fada de sabermos o nome certo das coisas. No livro tem um pretendente só consegue se casar com a noiva depois que descobre o seu nome. O nome em contos de fada parece conter a alma do objeto. É claro que não precisamos ser radicais, não é? acho que basta uma reverência antes de entrar numa mata, quer dizer, uma postura de respeito para com o lugar já é suficiente para recebermos a proteção do deus daquele lugar, mesmo que não saibamos o seu nome.

    Pois é, astrologia… uma outra leitura que se faz de um mapa astral é a quantidade de signos, planetas e casas que temos nos 4 elementos. Para constar, rapidamente:
    ……………………
    Signos de fogo: Áries (marte, casa 1); Leão (sol, casa 5); Sagitário (júpiter, casa 9).

    Signos de terra: Touro (vênus, casa 2); Virgem (mercúrio, casa 6); Capricórnio (saturno, casa 10).

    Signos de ar: Gêmeos (mercúrio, casa 3); Libra (vênus, casa 7); Aquário (urano, casa 11).

    Signos de água: Câncer (lua, casa 4); Escorpião (plutão, casa 8); Peixes (netuno, casa 12).
    ……………………

    Já ouvi dizer que é possível estabelecer uma relação com esses quatro elementos e as funções da personalidade do Jung: predominância de planetas em signos e casas de fogo indicaria uma personalidade intuitiva; predominância em terra, sensação; em ar, pensamento; e em água sentimento. Mas, no meu caso, isso não vale, pois tenho uma predominância de terra no mapa e sou justamente a função oposta, intuição. Tb não tenho quase nada de água, só dois planetas em escorpião, no entanto, tenho 3 orixás de água. 🙂 No final tudo se equilibra… O que fazer quando falta um elemento? Acho que vale harmonizar talvez. Nesse sentido eu gosto muito da filosofia do Feng Shui, acho que um ambiente que preze pela harmonia dos cinco elementos (madeira, terra, fogo, água e metal) , não precisa nem ter as direções certas, mas que contemple todos os símbolos, já é agradável de se estar.

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