Anoitan

“Se sempre há um amanhã, sempre há um anoitã.”

A vida é uma grande mentira.

Posted by luramos em abril 5, 2009

 Pesquisa realizada no MIT, maior centro de estudos tecnólogicos do mundo.

Fixe seu olhar no ponto preto, no quadrado superior à esquerda. Quando o ponto desaparecer, o próximo estímulo parecerá mover-se na direção oposta. Se você clicar “test only” verá qual é o estímulo sem a presença do ponto. Ele não sobe nem desce ou sobe e desce ao mesmo tempo.

http://web.mit.edu/~tkonkle/www/CrossmodalMAE.html depois clique na setinha à esquerda para voltar aqui, se quiser.

Pense que o ponto preto é  a sua história, circunstâncias, lugares, pessoas, influências. “Test only” seria o estímulo que está lá sempre, a despeito dos pontos pretos na nossa vida.  A  tal da essência, aquilo que você vibra, independentemente. Então a percepção, o que se sente, o que se julga, o que se faz, depende dos  pontos pretos ao nosso redor. 

Como se livrar deles?  Um bom teste seria mudar de realidade, trocar de pontos pretos e ver o que sobra.  Mas em outras realidades haveriam também outros pontos….

Tem mesmo que morrer antes de morrer.

É muita presunção acreditar que o ser humano é livre para escolher… 

O que chamamos de escolha é resultado de uma percepção forrada de pontos pretos.

A vida é uma grande mentira. Estar perto da Verdade é um privilégio.

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22 Respostas to “A vida é uma grande mentira.”

  1. Kingmob said

    >Tem mesmo que morrer antes de morrer.

    São João da Cruz:

    Glosas da alma que pena por não ver a Deus

    Vivo sem viver em mim
    E de tal maneira espero
    Que morro porque não morro.

    1. Em mim eu não vivo já,
    E sem Deus viver não posso;
    Pois sem ele e sem mim quedo,
    Este viver que será?
    Mil mortes se me fará,
    Pois minha mesma vida espero,
    Morrendo porque não morro.

    2. Esta vida que aqui vivo
    É privação de viver;
    E, assim, é contínuo morrer
    Até que viva contigo.
    Ouve, meu Deus, o que digo,
    Que esta vida não a quero,
    Pois morro porque não morro.

    3. Ausente estando eu de ti,
    Que vida poderei ter
    Senão morte padecer,
    A maior que jamais vi?
    Pena e dó tenho de mim,
    Pois se assim eu persevero,
    Morrerei porque não morro.

    4. O peixe que da água sai
    Nenhum alívio carece
    Que na morte que padece,
    Afinal a morte lhe vale.
    Que morte haverá que se iguale
    Ao meu viver lastimoso,
    Pois se mais vivo, mais morro?

    5. Quando penso aliviar-me
    Vendo-te no Sacramento,
    Faz-se em mim mais sentimento
    De não poder-te gozar;
    Tudo é para mais penar,
    Por não ver-te como quero,
    E morro porque não morro.

    6. Se me deleito, Senhor,
    Com a esperança de ver-te,
    Vendo que posso perder-te
    Redobra-se em mim a dor;
    Vivendo em tanto temor
    E esperando como espero,
    Morro sim, porque não morro.

    7. Livra-me já desta morte,
    Meu Deus, entrega-me a vida;
    Não ma tenhas impedida
    Por este laço tão forte;
    Olha que peno por ver-te,
    O meu mal é tão inteiro
    Que morro porque não morro.

    8. Chorarei já minha morte,
    Lamentarei minha vida,
    Enquanto presa e retida
    Por meus pecados está.
    Oh, meu Deus! Quando será
    Que eu possa dizer deveras:
    Vivo já porque não morro?

  2. fynealhns said

    Lu,

    Nós demos trombada!!! Kkkkk

    Eu acho que fiquei preparando o post e fui direto no WordPress,sem verificar antes.

    Sooooo Sorry,

    Bjs

  3. luramos said

    Fy

    não tem porquê. Publique a hora que quiser 🙂

  4. Sem said

    Fy, vc tirou seu post, pq? Vai colocar mais tarde? O assunto era muito bom… não é, Lu?

    Não acho que seja ruim vários assuntos acontecerem em paralelo… no final tudo se completa…

    Eu só me pergunto é porque isso aqui era um lugar agitado tempos atrás e agora dá pra contar nos dedos de uma mão os participantes ativos…

  5. Elielson said

    Olhem pro centro da imagem…
    depois de um tempo olhem para um ponto em seu pulso.

  6. fynealhns said

    Lu e Sem,

    Claro que depois eu posto, e tem mesmo a ver com o da Lu; – mas tem tudo a ver mesmo com: comentarmos o dela; e continuarmos com o meu.
    Eu acho, que os coments ficam todos picadinhos, perdem o segmento gostoso que nós temos conseguido dar a cada tema.
    Eu não tinha visto o dela, e nem comentei ainda. Nem fiz o teste. Hoje a tarde, é que vou ter tempo.

    Bjssssss

  7. Elielson said

    Hello 🙂

    Pré-conceito só sobre o preconceito.
    Por mais que minha sombra desapareça ao meio dia, ou por mais que o sol venha de lá pra cá, não sinto realidade.
    Essa memória pode ser tão falsa quanto as mentiras que eu aponto.
    O tempo que passa sem a presença da consciência não é tempo.
    Talvez a insistência em tentar explicar não seja suficiente, do mesmo modo que não são suficientes as explicações sobre o que é esse algo que vai além do que serve para o abastecimento do corpo.
    A morte é uma herança, é uma vingança.
    Mas essa luz que se empilhamos não é a luz de outro chão?
    Ao trazer as atenções e prendê-las em uma idéia, estamos abandonando o que nos deu capacidade…
    Ordenar, é uma permissão de se enganar.
    Todos os planos, são moldes quebrando recordes de permanência.
    Deixando medidas aos descendentes, esses terão que satanizar se quiserem pensar.
    E esse crime de querer ser melhor, é inventado por quem se diverte vendo a gladiação pelas migalhas que sobram da tavola em que está rolando a dança das cadeiras ( Pq há bois de piranha.).
    Se a realidade da morte é a mesma para o Rei, não há justiça mais bela.
    A carne se desintegra contra a vontade de quem só acreditou na vida, de quem pensou que a morte era apenas uma arma a ser usada por quem possui um cetro.
    Meus convivas, meu maior sonho é ser real.
    Não sentindo, mas vivendo no mundo em que as mentes não queiram a apenas transferir essa missão tão idealizada, onde o excesso não me faça chorar, onde eu não seja o excesso que faça chorar.
    Onde a dor de um corpo se distribua por todos os corpos, para que não só alguns sintam, ou pensem que sintam.
    Onde o hospital seja a igreja.
    Onde a coisas não se percam por prazer em se perder…
    Não se trata de achar, se trata de não mais contar mentiras a toda instante, a tudo que eu sei que é certo, mas deixo errado por que se não pode ficar mais errado.
    Mas a carne vai desmanchar, e aquela luz vai encontrar outro conjunto no qual apostar.
    Quando a luz aposta, não quer que vc aposte na luz, ela não é como o que ela ajuda, é ela que tem com o que apostar, nós não, nós empilhamos ela, adoramos ela, mas não corremos para fazer de sua aposta, um bom investimento.

  8. fynealhns said

    Mas a carne vai desmanchar, e aquela luz vai encontrar outro conjunto no qual apostar.

    Quando a luz aposta, não quer que vc aposte na luz, ela não é como o que ela ajuda, é ela que tem com o que apostar, nós não, nós empilhamos ela, adoramos ela, mas não corremos para fazer de sua aposta, um bom investimento.
    Elielson

    Isto é pra se pensar….
    Mto bom,

    Bjs

  9. fynealhns said

    Lu,

    Estou aqui tentando penetrar no seu raciocínio. Mas, fico pensando; se não fossem os pontinhos pretos; o movimento da vida não seria sempre igual?
    Ou se houvesse um único ponto preto, – também?

    “Então a percepção, o que se sente, o que se julga, o que se faz, depende dos pontos pretos ao nosso redor.” Lu

    Sim: – só assim percebemos que temos percepção, emoções, sentimentos, enfim; como saberíamos que estamos vivos, ou que temos uma essência se não fossem os pontinhos?

    “Como se livrar deles?” Lu

    Mas, se: – nos livrar deles seria tornar tudo sempre igual; ou seja: fazer com que o movimento permanecesse o mesmo, sem nenhum estímulo ou com apenas um único; – me pergunto: – o que seria o privilégio verdade? Como o distinguiríamos da mentira, ou das diversas verdades e das diversas mentiras?
    Help me,

    Bjs

  10. Kingmob said

    Ok, dificil o post Luiza, mas incrivel. Valeu pelo insight.

    Fy,,

    >Mas, fico pensando; se não fossem os pontinhos pretos; o movimento da vida não seria sempre igual?

    Nao fossem os pontos pretos o movimento da vida seria total, tanto para frente quanto para tras, tanto futuro quanto passado, tanto amor quanto odio. Nao fossem os pontos pretos ou sua ausencia estaria realizada a uniao dos opostos.

    >como saberíamos que estamos vivos, ou que temos uma essência se não fossem os pontinhos?

    Na modalidade “test only” nao ha a dualidade presenca/ausencia de pontinhos. O samsara eh o nirvana e o nirvana eh o samsara.

    >o que seria o privilégio verdade? Como o distinguiríamos da mentira, ou das diversas verdades e das diversas mentiras?

    Haveria as verdade relativas ( dentro do referencial dualidade pontinho/ausencia de pontinho) e a absoluta verdade nao-dual (test only).

    Luramos, advaita/nao-dualidade afinal nao eh tao distante e incompreensivel assim, nao eh verdade?!? =D.

    Valeu,
    Mob.

  11. luramos said

    “se não fossem os pontinhos pretos; o movimento da vida não seria sempre igual?”

    no meu entender, os pontinhos pretos podem até ser as infinitas possibilidades do universo que nos cerca.

    mas estou me referindo aos pontinhos pretos que são os desencadeadores de condicionamentos. Condicionamentos vejo como percepções, sensações e sentimentos que fomos inventando, aceitando, ao longo da vida, sem os quais aliás, não sobreviveríamos, na minha percepção condicionada…rs.

    Não dá para nos livrarmos de todos os pontinhos pretos , claro, mas estar ciente de que agimos quase sempre de acordo com os condicionamentos já é um grande passo.

    E nessa o livre-arbítrio não existe, porque respondemos de acordo com o software que fomos instalando ao longo da vida. Somos muito previsíveis.

    E quando conseguimos fazer aquilo que parecia impossível, rompemos o limite, criamos uma falha no programa e saímos da Matrix….

    Aprendi com um amigo meu (como aliás tudo que está escrito aqui, aprendi com os outros, nada disso é original meu) : É preciso que você faça aquilo que acha que não pode fazer.

    Mas como encontrar o “text only” ? Em Alta Magia tem algo que se chama de método, é aquele jeito de entender o universo que sempre nos acompanha, e que é só nosso. É difícil achar nosso modus operandi essencial, mas não impossível.

    O seu método é aquele jeito de ser/entender que levou você à fluidez, aquilo que é fácil para você, espontâneo.

    O resultado inicial nem sempre é bom, mas um entendimento maior, geralmente numa análise retrospectiva lhe permite avaliar quando e quanto você foi você. E mesmo num cenário aparentemente ruim, você sabe que fez a coisa certa…Na magia inclusive se acredita que se você seguiu seu método, vai conseguir o que quer, porque está em consonância coma sua Verdadeira Vontade a qual é também a vontade do Universo.

    Meio que por tentativa e erro nós vamos nos descobrindo…

    Fora do auto-conhecimento não há salvação 🙂

  12. fynealhns said

    Mob,
    Vc está completamente certo, se analisarmos sob este ponto de vista.

    “Luramos, advaita/nao-dualidade afinal nao eh tao distante e incompreensivel assim, nao eh verdade?!? =D.”
    – Mas, em um conceito Advaita/não dualidade; não existiria o questionamento da Lu.

    Pontinhos pretos seriam apenas: delusões: enganos particulares de cognição.

    O Vedanta Advaita está imerso no test only:> que é a verdadeira realidade” oque” realmente existe: um campo presente e único, que nunca existiu antes e nunca existirá depois; a compreensão de uma realidade essencial, que é não-dual: morte/vida, no caso, entre outras .

    O outro teste, o dos pontinhos: é pura delusão:os pontinhos não existem na realidade.- O que anula, não, a liberdade, mas sim, o “sentido” de “escolher”.

    Me corrija se estou errada, – mas, se analisarmos desta forma, desapropriamos os questionamentos e a afirmação da Lu.

    Enquanto as delusões surgem : os pontinhos pretos – surgem as marcas e identidades que levam até o décimo segundo elo, que é o sofrimento do nascimento, envelhecimento e morte e, tantantan…

    Algo assim:
    É nesse sentido que o Buda diz que “não veio e não foi”, porque não estava preso a uma identidade criada pela concepção arbitrária de uma existência inerente particular e separativa, presa a um âmbito espaço-temporal.- Tornando-se então impossível, termos mesmo que morrer antes de morrer.
    Is it?
    Bjs

    Lu,

    Não sou budista e nem advaita; gosto de algumas referências por estarem em harmonia com minha forma de compreender a espiritualidade. Mas, talvez eu tenha compreendido o seu questionamento independente destas filosofias, e, de certa forma, acho que todos os temos.-

    Bjs

  13. fynealhns said

    O resultado inicial nem sempre é bom, mas um entendimento maior, geralmente numa análise retrospectiva lhe permite avaliar quando e quanto você foi você.
    E mesmo num cenário aparentemente ruim, você sabe que fez a coisa certa…Na magia inclusive se acredita que se você seguiu seu método, vai conseguir o que quer, porque está em consonância com a sua Verdadeira Vontade a qual é também a vontade do Universo. Lu

    – Linda resposta.

    – E qdo vc diz que temos que morrer antes de morrer, é justamente a oportunidade de fortalecermos esta Vontade; a oportunidade de testarmos e aprimorarmos nossas compreensões.

    Bjs

  14. luramos said

    e eu não entendo nada de budismo. Já li umas coisinhas, mas está além da minha compreensão. Não que eu discorde, apenas não compreendo. Não é meu método….rs Então não opino. Apesar que já discuti com o Mob, que história é essa de não-dualidade?….rs

  15. fynealhns said

    Lu,

    Eu acho o princípio da não-dualidade complicado mesmo, pra quem está imbuído em outra forma de pensar ou de entender a realidade. Pq, à 1ª vista, ele é bastante desconstrutor, principalmente no que se refere aos princípios das religiões ocidentais tradicionais.

    Quando vc se relaciona com a realidade através de um sistema não – dual, ou o sistema da mente “integrada” ou seja, o sujeito e o objecto são feitos da mesma coisa: têm uma realidade intrínseca;

    Já do do ponto de vista dual, existe sujeito e objecto separados e contrastados;

    Em um sistema não-dual, na mente integrada, sujeito e objecto são diferentes, mas moldados no mesmo tipo de consciência; > na percepção integrada não há separação da sua natureza intrínseca, > há uma única realidade (mente não-dual), ou mistério da identidade, ou consciência-energia intrínseca, que é a realidade e configuração dessa realidade, é forma e conteúdo em simultâneo;

    a mente dual é sujeita à lei da causa e efeito (cérebro direito e esquerdo, dualização ou simetria do corpo humano, encarnação da mente dual).

    Na experiência não-dual, forma e conteúdo são a mesma realidade.

    A mente não-dual funciona em rede com o universo, há uma relação intuitiva com o Cosmos, há um acto instantâneo de conhecimento, há uma evidência das coisas tal como são.

    A mente dual é alucinatória, a percepção da mente dual é sempre uma alucinação, cria uma realidade paralela, mas real, de contraponto alucinatória.

    O universo é binário (dual) e simétrico (opostos complementares), mas a Consciência-Energia (Tao,Chi) é unitiva e integradora, que é a forma sã de existência.

    A respiração é simultaneamente dual e não-dual, por isso é central em todas as práticas de auto-conhecimento, é uma forma natural de nos relacionarmos com a dualidade e a não-dualidade; usando só a respiração descobre-se tudo o que é importante neste domínio.
    A Natureza criou este mecanismo para este reconhecimento; a respiração é, ao mesmo tempo, neuro-vegetativa e consciente, é inconsciência e consciência, dual e não-dual. A energia segue o pensamento porque a energia segue a configuração mental do pensamento.

    Mob, me ajuda aí, ……. – se estiver errado ou complicado!!!

    Lu,

    Vc lembra qdo comentei minha espiritualidade lá no SDM, em relação aos índios? Pois é, esta forma de espiritualidade ou compreensão está muiiiiiito próxima das filosofias orientais. – E, assustadoramente similar às descobertas da ciência.

    A explicação do Mob, em relação aos pontinhos pretos foi brilhante se partirmos deste princípio. E ele entende muito melhor disto do que eu.

    Nos coments da Sem, tb existem flashs incríveis sobre a não-dualidade. Se der tempo hoje eu sublinho e trago à título de ilustração do tema.

    O ensaio sobre Spinoza que o Mob publicou, é bastante esclarecedor tb, embora eu imagine até onde ele iria, se não limitado pelas censuras de então.

    Bjs

  16. fynealhns said

    Lu,

    Este ensaiozinho, além de esclarecedor é exatamente como penso e sinto; ou consigo sentir, ou …qualquer coisa parecida como “consigo ser”. Não existe nenhuma pretensão de verdade ou verdades; é apenas uma outra forma de compreender.

    Acho que tem uma linguagem acessível; sem todos aqueles nomes e expressões budistas ou orientais que confundem um pouco quem é leigo no assunto:

    – Os imperativos da Consciência não devem ser confundidos com as necessidades do corpo só o corpo tem necessidades, nunca a Consciência. A relação de sensatez da Consciência com o corpo, ou mundo sensível, deve ser gerida com HUMOR.

    Não há metas a atingir, não há caminho, apenas a quietude “além” da dualidade; o tal do “caminho espiritual” é uma fantasia psicológica, o medo é o último obstáculo a ultrapassar, ou seja, a fantasia ou sonho do “caminho”; terra e céu são uma e a mesma coisa (nirvana e samsara, ilusão e realidade); “a existência de caminho espiritual é uma maldição”.

    Na metáfora do espírito/alma/corpo, o espírito é mais subtil e em qualquer dimensão do cosmos, devemos saber se estamos perante a Consciência propriamente dita ou um “suporte” de consciência e não devemos confundir uma coisa com a outra, a isso se chama discernimento.

    Quando há uma metamorfose do fundo da Consciência, da consciência psicológica dual para a Consciência propriamente dita, que sempre esteve lá, essa consciência não-psicológica prescinde de um discurso explicativo sobre o mundo: porque está em estado de permanente maravilhamento; não há nada a explicar, não se pode especular sobre a nossa própria experiência.

    [ isto desmonta a experiência da “entrega” e toda uma filosofia ocidental: como vc se entregaria ao que vc é? – mais: pq sofrer por algo, tal como João da Cruz, que na realidade já “é” em vc ou em qualquer realidade?]

    A experiência da dualidade é um absurdo, e geradora de todos os absurdos; > há um dilaceramento máximo da consciência psicológica em nós, é o tal “Mistério da Crucificação em nós”; ou ultrapassamos isto ou morremos, não pode haver águas mornas placentárias, nunca nascerei porque não há rompimento de águas, não há nascimento iniciático, resolvendo o problema da dualidade (Mistério do Gólgota, ou experiência do dilaceramento absoluto dos opostos e da dualidade); ao passar esta fronteira vê-se que: o absurdo e o medo são formas de percepção ou consciência que se adquirem na experiência da dualidade; o “caminho espiritual” é um caminho do medo, porque é um caminho psicológico, é uma fantasia nossa; temos de escolher de uma vez por todas se quero a “Felicidade” , ou a tal da “Bem-Aventurança”: (o caminho das compensações e frustrações emocionais) – ou: Ananda, que é um estado em si, “eu não tenho caminho porque não há caminho”, é uma experiência directa: > É.

    O “trabalho” consiste em “pegar na experiência significativa dual e transformá-la em percepção não-dual da experiência significativa que, paradoxalmente, é dual; essas experiências significativas dualistas tocam-nos, apontam-nos para a percepção integrada não-dual; > transformar a experiência dual em percepção não-dual é um trabalho de mutação, é um trabalho sobre a PERCEPÇÃO; a experiência significativa tem uma qualidade que permite a percepção não-dual da Realidade.

    [ Foi o “trabalhão” que Don Juan teve com Catañeda, por ex ]

    [ Obs: este trabalho só existe para quem não tem esta percepção; para os orientais ou para os índios, esta é a única forma de percepção – portanto ela é natural; não exige este trabalho ou esforço.]

    Nos momentos de auto-realização está lá tudo, e num indivíduo auto-realizado cada momento é um momento de auto-realização, “todos os pontos de “tempo” são auto-realizados”; > transformar os pontos de experiência dualista em experiência não-dual contínua, > ali está tudo, o que fui, sou e serei; a auto-consciência é o estado natural da vida (pontos que se auto-iluminam, é o que se chama ILUMINAÇÃO). > test only –
    – não foi isto que o Mob falou? –

    Não há caminho, e qualquer ponto do espaço-tempo é ideal para a prática da Percepção ou Atenção não-dual; o objectivo do Self é estar presente nos 360 pontos do ciclo (diário, anual, vida) e não só em alguns momentos; a Bem-Aventurança realiza-se não no céu ::: > mas na terra; a auto-realização tem a ver com a Realidade e a Criação, com a Consciência e o Mundo, com o que está dentro e o que está fora, em cima e em baixo;

    a auto-realização não é estritamente individual porque tem de contribuir para a auto-realização dos outros, a auto-realização de cada ser humano é um lêvedo que é integrado na massa da humanidade, cria um precedente que torna mais fácil a auto-realização colectiva; > a compaixão permite perceber que a minha auto-realização está ligada à auto-realização dos outros, ou de todos os seres sencientes (se tiver uma percepção não-dual do facto).
    Esta é a Conexão do não-dual : uma percepção integral de realidade: a conexão direta: intrínseca e real.

    Ninguém pode fazer este processo não-dual por mim, nnem nenhum deus que esteja “fora de mim” > nem posso “culpar” ninguém por não ser capaz de o fazer, não posso responsabilizar ninguém pelo meu “fracasso”, sou o responsável primeiro e último pelo processo, e isso dá uma profunda paz interior, faço ou não faço, se não fizer o universo não desaparece, se fizer também não.

    Bjs

  17. Elielson said

    Sim, Sim…

    Será que é um pecado sentir-se responsável ao ver o mal cara a cara?

    Pq Uno-Dual cria o q?

    Quero separar, e sei que tem um imenso laboratório onde o Mal trabalha na atualização do Bem e mal.
    Eu vejo homens dizendo a todo instante, cantando o mal normal.

    Eu quero o Bem, e só ele, quanto ao fato da visão do bem abrir o abismo, não podemos também pensar que a ignorância é benção.

    Fy

    A existência do caminho espiritual é uma maldição.

    Certissimo.

    Mas entre todas as mentiras, eu sei que algumas não são do Bem… Pq tem mentiras do Bem e mentiras do Mal, mentiras inconscientes a curto prazo e inconscientes a longo prazo. A curto prazo é do Bem, vinda de um conhecimento raso, quase sempre por causa instintiva. De longo prazo é mal, é uma mentira oriunda da razão, razão que nada mais é que a mentira de si para si, a casca do id, algo que até ser pago individualmente, muitos destinos se perdem.

    Bem…Bem e Mal… Mal.
    Uno….Dual………….Uno.

    A arma do Uno é a conquista do Dual.

    Conhecimento é triangular?

    Além dos que não sabem o que fazem, existem os que sabem que não sabem o que fazem, mas… existem os que sabem que não sabem o que fazem, mas sabem que fazem pq os outros também estão sujeitos a essa condição.

    A presença grata, ou a presença ingrata, ou a presença indecisa.

    Aos ingratos que recebem gratidão são dadas velas para defuntos ruins.

    Aos gratos que recebem ingratidão são dadas facas para cortar véus.

    Aos indecisos é dado o que aceitam. Neste caso é oferecida a isca do movimento das massas.
    O prazer fabricado com dor.
    A yin-yang em um caldeirão de magos danados.

    Enquanto a mistura está sendo mexida, sua composição só é do conhecimento de quem olha a mão do que mexe a colher.

    Quantos que se apercebem estão brigando pela colher?

    Quantos estão sendo jogados no caldeirão?

    Quantos miniaturas de colher são vendidas pelo Sauron da vez?

    Quem abdica da poção, para fitá-lo?

    Palma, palma… não priemos cânico.

    Ao serem fitados os ingratos temem um pouquito, é que eles habitam no Uno tbm… e sabem que vc assim como ele corre por fora, já um indeciso ataca mesmo! Então deixe pra encarar ingratos em dias de clássico… kkk

  18. Sem said

    Fyyyy, das coisas que vc nos traz, até as vírgulas e os espaços são precisos!

    A respeito dessa relação corpo/alma/espírito, de um livro de astrologia antiga, colhi a seguinte passagem:

    “Erra grandemente quem confunde o espírito ou a inteligência com a alma. Não menos erram aqueles que confundem a alma com o corpo. Da união do espírito com a alma nasce a razão; da união da alma com o corpo nasce a paixão. Desses três elementos, a Terra deu o corpo, a Lua deu a alma e o Sol deu o espírito, através dos quais o homem justo, consciente de todas estas coisas, é, a uma só vez, durante sua vida física, um habitante da Terra, da Lua e do Sol.”

    (Plutarco)

  19. Sem said

    Elielson,

    Vc está certíssimo em separar o bem do mal, porque eles precisam se afastar e se distinguir claramente um do outro, formando cada qual o seu terreno, para só depois se reaproximarem e se aperceberem como de fato são: polos de uma só coisa. Separar para unir, unir para separar: esse é o movimento da vida: atração e repulsão: energia. Sem a ditinção, não haveria uma metáfora possível para o coração, na sistole e diástole aristotélica, ou outra ainda uma outra, da respiração de Deus: expira finda afasta, inspira traz de volta a si.

    Mas, e se não existir ‘O Bem’ e ‘O Mal’ em essência? E se o bem e o mal, para nossas vidinhas mundanas aquém do divino, for, como disse o Espinosa, de que não é propriamente o mal que existe, e sim o mau encontro? Seguindo o pensamento do filósofo, nós nos afetamos de modos diferentes e o que determina se uma coisa é boa ou má, é sempre a relação que temos com ela; se nos afeta de modo positivo é boa, porque aumenta nossa potência de existir, e se o diminui é “má”, negativa… Espinosa diz que a essência do ser está na sua potência, eu acho isso um tanto ambíguo, pode tanto significar o que o ser tem em potencial (“essência verdadeira”), ou tão somente o que pode o ser de fato, que não tem nada a ver com potencial de vir-a-ser, mas do que é efetivamente aquele corpo no presente, o que aquele corpo tem. Eu acho que as duas coisas ‘são’ e
    ‘existem’.

  20. Elielson said

    A minha gratidão vem do fato de que existe uma espécie de proteção que dificulta a realização das vontades…
    Tudo que é facil limita e vicia.
    Mas a dificuldade não, ela parte de um conjunto de obstáculos em tudo que é criado.
    A desistência ou a falta de tentativa caracteriza um conforto, que nada mais é do que escolha respeitada pelo universo.
    Mas o Ser, possuidor do poder de reprodução, muitas vezes vinga-se em sua imagem, sendo esta, a coisa mais próxima de sua idelização de Deus.
    A maldade extrema ocupa seus postos, o bem extremo tbm.
    O mal é o subproduto do que parece bom, é a prova de que todas as nossas noções não estão de acordo.
    Do contrário, com simples entendimento orgânico, e foco de possibilidades reais para o bem estar unanime, enxergariamos a verocidade da deturpação e suas causas humanas.
    Pois o sistema social humano evoluiu em um espaço em que eu me expresso para dominar espaço.
    Nunca o contrário.
    Outras necessidades de fluxo informativo são para o preenchimento emocional resultante da frustração da experiência natural.
    Eu vejo o mal, quero este longe de mim, se ele sumisse, eu não sentiria falta dele, e se eu sumir tbm creio que particularmente este apontamento tbm se esvai. Essa é minha maneira de amar o inimigo como a mim mesmo, mandando noticias de muito longe para que ele saiba que não reina no meu coração, e que eu não quero reinar no dele, e que ele não deve reinar no coração de ninguém, para que o espaço fique sempre livre ao amor pelo que já é, e não pelo amor a uma seletividade que favoreça apenas o individuo.
    Porém sim, eu vejo e admito, não há mal intrinseco, nem necessário. Se o reconhecimento que faço dele é para tornar alguém menos dependente dele… beleza.
    Mas todos somos independentes, só nossos deuses é que exercem essa força curva, e isso ironicamente é o sistema universal para manter órbitas.
    O mal não é ser dependente, é causar dependencia.
    É não ver e não tentar interromper um ciclo que é claro no genero do mundo cão.
    O principe é quem recompensou as orações e castigou os trabalhadores, não há nada de estranho no fato de que ora e e vigia, sendo a vigilia um estado alheio ao transe?
    O mal a ser combatido internamente é a imprevisibilidade que pode me interromper.
    Meu mal é o que luta contra o meu mal?
    Tanto a ação socio-beneficente quanto a observação introspectiva são alguns dos obstáculos citados para que não desmascaremos a farsa que faz nossa busca por redenção ser renovada a cada tentativa de alcançar a virtude. Polarização e Circulação por enquanto não são vistas do mesmo modo que os rabiscos de uma criança do pré-escolar. Porém no dia em que olharmos os rabiscos que coincidentemente não param de surgir simultaneamente aos nossos novos graus de ordem, estaremos concluindo, e nos concluindo, provando sem provas, com poucas provas, e das poucas provas, a justificativa que substitui o que não muda.
    Quando mudaremos para não mais precisarmos mudar? A mudança é necessária… sempre é enquanto for. A mudança não acaba… somente por que não sabemos como começou.
    O novo mal é o velho mal.

  21. fynealhns said

    Oh Sem,

    Até casava com Plutarco!!!

    Bjs

  22. Elielson dias do sacramento said

    você pensa que avida e sol nesa que vivemos mais aqui sol vivemos de pasagem para nos prepara para uma nova vida viva bem mais sol se Deus estiver no comtrole de tudo e de todos seus paso viva como Deus e Deus vivera em vc Deus ama vc amigos

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